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Arcadismo

Aprenda sobre Arcadismo

Surge na Europa na transição entre os séculos 17 e 18. Seus objetivos principais são combater os exageros do Barroco e retomar certos princípios da arte clássica, tais como razão, equilíbrio e clareza.

Inspirando-se na Arcádia grega – segundo a mitologia, uma região montanhosa habitada por deuses, poetas e pastores, onde se celebrava o amor e o prazer. Fundam-se várias Arcádias – academias literárias que deu nome ao movimento. É a expressão artística e ideológica da burguesia em ascensão, o momento de crise do Antigo Regime, da Revolução Francesa e do início da História Contemporânea.

Linguagem visa a simplicidade e a clareza, valores burgueses como: vida natural, simplicidade, igualdade, justiça social, racionalismo, etc. contrários à aristocracia barroca, combate a aristocracia do antigo regime.

– bucolismo. Homens letrados, médicos, advogados, etc, imitação dos clássicos temas de personagens antigos, pastores…

– lirismo, quando o próprio poeta exprime seus sentimentos. No arcadismo são os pastores que tratam de temas genéricos e universais. Contestação política.

– Séc. 15 e 16, transição da Idade Média para a Idade Moderna, mas as amarras só são cortadas no séc. 18, o mercantilismo tinha alterado as relações econômicas daquela sociedade, mas as estruturas sociais e políticas entre a burguesia e a nobreza só foi alterada depois.

– séc. 18, o Século da Luzes – Iluminismo ou Ilustração, exercício da razão como instrumento de análise e domínio da realidade.

Muitos verbetes. Dentre os principais filósofos iluministas destacam-se: Voltaire – um dos ideólogos do despotismo esclarecido,  isto é, um absolutismo ilustrado que atendesse aos interesses da burguesia.

– Montesqieu – autor de  O espírito das leis, em que defende a doutrina dos 3 poderes – executivo, legislativo e judiciário.

– Rousseau – autor de  Discurso sobre a origem e desigualdade entre os homens,  em que defende a tese natural dos homens.

– Alto grau de verdade entre a obra e a realidade que ela trata.

O Arcadismo no Brasil

– Claudio Manuel da Costa

No Brasil origina-se e se concentra principalmente em Vila Rica (hoje Ouro Preto), MG e seu crescimento está diretamente relacionado com o grande crescimento urbano verificado nas cidades mineiras do séc. 18 cuja a base econômica é a extração de ouro. Quem podia ia estudar em Coimbra, pois aqui não tinha escolas superiores, então eles traziam idéias iluministas que influenciaram a cultura e a política na época do ministro Marquês de Pombal, adepto de algumas idéias.

Vários intelectuais e escritores sonham com a independência do Brasil, principalmente após a repercussão da independência dos EUA (1776), tais sonhos culminam na frustrada Inconfidência Mineira (1789).

– No Brasil natureza mais selvagem, índio brasileiro – herói.

– Basílio da Gama, Santa Rita Durão, Claudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Silva Alvarenga.

– Marco – Obras Poéticas (1768) – Claudio Manuel da Costa.

– Claudio Manuel da Costa incorpora alguns elementos da paisagem mineira à sua poesia, tais como o ribeirão do Carmo: vaqueiros, em lugar de pastores gregos, e as constantes referências às  penhas (pedras)  que sugerem o ambiente agreste e rústico. Cultivou a épica Vila Rica, inspirado nas epopéias clássicas que trata da penetração bandeirante, da descoberta das minas.

– Na lírica amorosa o tema é a desilusão amorosa. Colocando-se na condição de pastor GLAUCESTE SATÚRNIO (pseudônimo pastoral) canta seu amor a NISE, mulher incorpórea e pouco trabalhada que lhe serve de inspiração. É considerado um dos melhores sonetistas do Brasil.

Do grupo de inconfidentes, apenas o alferes Tiradentes (dentista  prático), maçom e simpatizante dos ideais iluministas não tinha uma formação superior. Com a traição de Joaquim Silvério dos Reis, que devia vultosas somas ao governo português, o grupo foi preso. Todos com exceção de Tiradentes negaram sua participação no movimento.  Cláudio Manuel da Costa, segundo versão oficial, se suicidou na prisão antes do julgamento.

No julgamento, vários inconfidentes foram condenados à morte pela forca, dentre eles Tiradentes e Alvarenga Peixoto (escritor). Tomás Antônio Gonzaga e outros foram condenados ao exílio temporário ou perpétuo. Tiradentes assumira para si a responsabilidade da liderança do grupo.

No dia 20 de abril de 1792, foi comutada a pena de todos os participantes, excluindo a de Tiradentes, enforcado no dia seguinte. Seu corpo foi esquartejado e exposto por Vila Rica; seus bens, confiscados, sua família, amaldiçoada por quatro gerações, e o chão de sua casa, salgado, para que dele nada mais brotasse.

– Tomás Antônio Gonzaga – popular. Marília de Dirceu (romance de Marília e Dirceu), e a poesia satírica reunida nas Cartas Chilenas, obra filosófica Tratado do Direito Natural.

– Marília – inspirada em Maria Dorotéia de Seixas, mocinha de 16 anos, rica, por quem o poeta se apaixonara e de quem fora noivo. Mulher e amor concretos, diferente da Nise de Claudio M. da Costa.

– Cartas Chilenas –  poema satírico incompleto sobre os desmando administrativos e morais imputados a Luís da Cunha Meneses. Que governou a capitania das Minas de 1783 a 1788.

– Silva Alvarenga e Alvarenga Peixoto – poesia didática de cunho político-ideológido com idéias da Ilustração e com as reformas do Marquês de Pombal, ministro português.

Poetas épicos indianistas:

– Basílio da Gama – O Uruguai – poema em 5 cantos, em versos brancos e estrofação livre, narra a expedição empreendida por espanhóis e portugueses contra os índios e jesuítas habitantes da Colônia de Sete Povos das missões do Uruguai, que segundo o Tratado de Madri, de 1750, deveria passar a pertencer a Portugal, em troca da Colônia do Santíssimo Sacramento, possessão portuguesa encravada em águas e territórios Espanhol. Mas os índios, apoiados pelos jesuítas, se recusaram a ser súditos portugueses. Portugal e Espanha iniciam então a expedição de conquista em 1756, sob o comando do comissário real Gomes Freire de Andrade.

– Santa Rita Durão – Caramuru – Segue rigorosamente os moldes camoninanos de Os Lusíadas: compõe-se de dez cantos, em oitava rima, e observa-se a divisão tradicional em partes: proposição, invocação, dedicatória, narração epílogo. Sua matéria épica tem como ação central o naufrágio, salvamento e aventuras de Diogo Álvares Correia, o Caramuru.

A morte por amor: uma pausa lírica.