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Classicismo (Renascimento)

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Compreendido entre os séc. 15 e 16. AO REVIVER DO INTERESSE DA CULTURA DA GRÉCIA E DE ROMA DÁ-SE O NOME DE RENASCIMENTO.

No séc. 9 houve um reflorescimento cultural no Império de Carlos Magno (dinastia Carolíngea) devido ao seu interesse pela cultura clássica. O Renascimento é a culminância de um conjunto  renascimentos desencadeados pelo próprio mundo medieval, transformações políticas, econômicas, sociais e culturais, por meio do qual HOUVE A PASSAGEM DO MUNDO FEUDAL PARA O MUNDO CAPITALISTA E BURGUÊS.

Imitação de escritores clássicos gerco-latinos, motivo pelo qual se chama de classicismo a essa produção literária.

Portanto o Classicismo do séc. 16 é a expressão literária de um movimento mais amplo – O Renascimento – que envolveu as artes, a ciência e a cultura em geral.

* A Era Clássica foi o período que se estendeu até o séc. 18 com o interesse pela cultura clássica greco-latina e a imitação de seus autores, introduzida pelo Classicismo e seguida pelo Barroco e pelo Arcadismo.

 

ERA CLÁSSICA

Classicismo (séc. 16)

Barroco (séc. 17)

Arcadismo (séc. 18)

 

– Na literatura renascentista do séc. 16 representou o sentimento de inovação que se processava na Europa, principalmente na Itália onde a corte de Frederico II (em Palermo) foi a primeira a compor poesias de inspiração provençal em língua vulgar (o italiano), inventando uma forma mais sintética: o soneto. A mulher passa a ser mais humanizada, versos de 10 sílabas (decassílabos) que receberá o nome de medida nova.

– Petrarca – autor do Cancioneiro – obra com cerca de 350 poemas, na maioria sonetos – amor inacessível de Laura.

– Bocaccio – autor de Decameron –  100 narrativas curtas – situações quotidianas, onde pessoas de todos os níveis sociais lutam para alcançar a realização amorosa, através do plano carnal.

Estes foram também dois dos mais importantes humanistas italianos.

* O Humanismo foi um movimento que se caracterizou pelo estudo e pela imitação de textos da Antigüidade greco-latina. Defendia que a cultura pagã, anterior ao advento do cristianismo, era mais rica e expressiva, pois valorizava o indivíduo, seus feitos heróicos e sua capacidade de dominar e transformar o mundo, essa atitude é conhecida como antropocentrismo, contrapunha-se à visão teocêntrica imposta pela Igreja.

O Séc. 16 foi marcado pela expansão marítima e Revolução Comercial.

DIVINA COMÉDIA – DANTE – MARCA A TRANSIÇÃO DA IDADE MÉDIA PARA O RENASCIMENTO.

Características do Renascimento:

– Decassílabo, soneto, oitava rima, apreço e imitação a poetas clássicos e a valorização do homem como centro do universo, numa afronta aos valores religiosos medievais. A poesia lírica, a poesia pastoral, a epopéia, a tragédia e a comédia.

A poesia lírica, de fundo platônico, encontra sua principal expressão em Petrarca, que terá seguidores por todo o mundo, como Camões, em Portugal, e Garcilaso  de la Veja e Fernando Herrera, na Espanha.

A poesia pastoral se baseia nos poemas bucólicos de Virgílio e encontra sua maior expressão na Itália com Torquato Tasso (Aminta, 1752) e Sanazzaro (Arcádia, 1502).

                A epopéia foi a criação mais notável da Renascença, por meio dela o poeta enaltece e glorifica os valores nacionais, legitimando simbolicamente sua nação e prognosticando seu destino glorioso. Ex.: Os Lusíadas, de Camões, em Portugal.  Epopéia é a interpretação poética de um mito.

Teatro recupera da Antigüidade a tragédia e a comédia, agora em linguagem vulgar. Destaca-se Maquiavel com Mandrágora.

* A figura proeminente do período, entretanto, será WILLIAM SHAKESPEARE (1564-1618), NA INGLATERRA.

– Baixa Idade Média – séc. XI a XIV – presenciou o ressurgimento do comércio e das cidades., o comércio com o Oriente fez crescer as cidades e derrubar a economia fechada e descentralizada do feudalismo, isto impõe a circulação de moedas, a centralização da política por meio de um Estado, o recrutamento de mão-de-obra assalariada para o campo (com o aumento da produção agrícola) e com isso o fim do servilismo.

– Aliança rei-burguesia – A burguesia paga impostos, faz empréstimos ao rei e recebe em troca a unificação de moedas e impostos, o fim de guerras feudais e do banditismo nas estradas, a proteção ao mercado nacional contra especuladores estrangeiros. Com isso a monarquia se fortalece e tem-se a formação de Estados modernos. Nasce o mercantilismo e o colonialismo.

 A Igreja se sente ameaçada e declara Inquisição aos seus opositores.

É desse quadro que nasce a Reforma (1527). Primeiramente surge na Alemanha, com as críticas de Martinho Lutero à prática religiosa da Igreja, que se afasta do princípio da salvação pela fé para vender indulgências. Posteriormente a ruptura com a Igreja se estende a vários países da Europa, dando origem ao Protestantismo.

Trata-se de uma época de libertação do pensamento por meio do exercício da crítica e do livre exame de todas as questões, inclusive dogmas religiosos. A partir daí os diversos campos científicos tem notáveis avanços, particularmente a Medicina, a Astronomia e a Física, todas de algumas forma estimulada pelo avanço da Matemática.

A teoria heliocêntrica (Sol é o centro da do sistema planetário e não a Terra como defendia a Igreja, baseadas nas teorias de Ptolomeu) foram descobertas depois da invenção da luneta astronômica, por Galileu. Expansão Marítima pelos comerciantes que usavam a matemática para melhorar seus navios. Descoberta da América por Colombo(1492).

A arte renascentista está voltada para dois horizontes: de um lado, a cultura clássica greco-latina, fonte de inspiração e modelo para humanistas e renascentistas; de outro o seu próprio tempo, um tempo em que o homem desafia os limites do mundo conhecido e se lança na conquista do globo terrestre.

ê Pintura – Giotto (1266-1336); Masaccio (1401-1428); os irmãos Jan (1390-14410, Humbert van Eyck (1366-1426); Boticelli (1444-1510); Rafael (1483-1520); El Greco (1541-1614).

ê Arquitetura – Filippo Brunelleschi (1377-1446); Leon Battista Alberti(1404-1472).

ê Escultura – Donatello (1386-1466).

ê Pintura, escultura e arquitetura – Michelangelo (1475-1564).

ê Pintura, escultura, arquitetura, música e ciência – Leonardo da Vinci (1452-1519)

ê Ciência – Galileu Galilei (1564-1642); Giordano Bruno (1548-1600); Copérnico (1473-1543); Kepler (1571-1630.

 

ê Humanismo – movimento cujo objetivo era atualizar, dinamizar e revitalizar os estudos tradicionais, baseados no programa dos studia humanitatis (estudos humanos), que incluíam a poesia, a filosofia, a história, a matemática e a eloqüência (fusão entre retórica e filosofia).

– Gioconda – Leonardo da Vinci, identificado como o retrato e Mona Lisa del Giocondo.

Camões celebrou os feitos lusitanos na época das conquistas – Os Lusíadas – uma obra-prima construída sob as leis da épica clássica a exemplo da Ilíada e a Odisséia, de Homero, e da Eneida de Virgílio. Entretanto, Camões não canta um só herói, mas muitos, canta os heróis de toda a conquista, os de terra e os de mar. Organiza-se em 3 partes: Introdução (proposição, invocação e dedicatória), Narração e epílogo.

– A introdução estende-se pelas dezoito estrofes do Canto I. Subdivide-se em três partes:

  1. Proposição(estrofes 1,2,e 3), em que o poeta apresenta o que vai cantar, ou seja, os feitos militares e os varões ilustres de Portugal.
  2. Invocação(estrofes 4 e 5) em que o poeta invoca as Tágides, ninfas  do Tejo para que o auxiliem a fazer o poema.
  3. Oferecimento(estrofes 6 a 18), em que o poeta dedica seu poema a D. Sebastião, rei de Portugal).

– Narração –  (estrofes 19 do Canto I até 144 do Canto X), o poeta relata a viagem de Vasco da Gama às Índias e os feitos do povo português. Quando se inicia essa parte, os portugueses já navegavam no Oceano.

– Epílogo – (estrofes 145 a 156 do canto X), o poeta melancolicamente justifica o término do poema.

Os Lusíadas – o grande poema do Humanismo ocidental.

– Os 3 maiores sonetistas – Camões, Bocage(séc 18) e Antero de Quental (séc. 19).

– Soneto foi uma das formas poéticas mais usadas  na Era Clássica, suas estrutura  segue a lógica aristotélica: tese (1ª estrofe), antítese(2ª) e síntese (3ª e 4ª).

São dois os aspectos mais representativos da produção lírica de Camões: a lírica amorosa e a lírica filosófica.

– lírica amorosa – é explorado sob dois enfoques: o do amor sensual (vem da onda de sensualidade trazida pela Renascença, inspirada no paganismo)e o do amor platônico, espiritualizado (tem amplo predomínio sobre o amor sensual, influenciado pela poesia italiana e pela tradição portuguesa, trovadoresca e palaciana).

 

– lírica filosófica – tem por tema a reflexão sobre a vida, o homem e o mundo.  O eu lírico reflete um homem angustiado e perplexo diante do seu tempo.

A lírica de Camões, pelo conflito espiritual que revela, em grande parte pelas sutilezas de pensamento, pelo jogo constante das antíteses e pelas inversões de linguagem, prenuncia o movimento literário seguinte, o Barroco. Por esse motivo a lírica camoniana é considerada maneirista, dado que se chamou de MANEIRISMO ao período de declínio do Renascimento e transição para o Barroco.

 

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