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Enem 2019 – Yuri Faquini 17 anos | Juiz de Fora – MG

Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Para o sociólogo Manuel Castells, o advento da “Era da Informação” significou uma mudança nas relações de poder. Enquanto, na “Era

Industrial”, o cenário era regulado pela posse dos meios de produção, na nova fase, o domínio político, econômico e social tornou-se vinculado ao controle da produção, do processamento e do compartilhamento de dados. Tal transformação favoreceu que o meio virtual, por meio de algoritmos, adquirisse a capacidade de manipular o comportamento de internautas de acordo com suas preferências, prática a qual, uma vez sustentada pela ausência de autonomia dos indivíduos na “internet”, constitui o alicerce para o surgimento das “bolhas virtuais”.

Em primeira análise, o controle da atividade dos usuários da rede é possibilitado pela navegação sem autonomia no espaço digital, visto que esta facilita o direcionamento do internauta a páginas ou grupos específicos. Quanto a isso, o filósofo italiano Umberto Eco afirma que a “internet” originou uma “legião de imbecis”, sendo o ambiente virtual desprovido de hierarquia. Assim, a qualidade dos “sites” acessados e a escolha dos itens pesquisados são determinadas pelo próprio sujeito, o qual depende de sua responsabilidade para não ser manipulado. Nesse sentido, a escola emerge como um decisivo agente de socialização, já que, ao formar cidadãos mais autônomos, contribui para diminuir a influência de mecanismos de filtragem nos indivíduos.

Além disso, a seleção do conteúdo exibido aos usuários com base no seu histórico leva à formação das “bolhas virtuais”, considerando que eles são direcionados, sobretudo nas redes sociais, para páginas nas quais é compartilhado um mesmo interesse. Segundo o médico e criador da psicanálise Freud, um indivíduo, ao ser inserido em um grupo específico, tende a suprimir suas peculiaridades para assumir as características predominantes no ambiente em que se encontra. No caso da “internet”, esse fenômeno, além de ocorrer, é agravado, uma vez que a própria escolha de integrantes de um espaço é feita a partir de opiniões convergentes.

Portanto, a manipulação de pessoas no meio digital, favorecida pela falta de autonomia nesse contexto, leva à formação de grupos os quais só compartilham um único interesse. Logo, cabe às escolas, instituições que desenvolvem sujeitos autônomos, a tarefa de alertar acerca da necessidade de navegar com responsabilidade pela internet, por meio de palestras e discussões sobre o assunto, envolvendo as disciplinas de Filosofia e Sociologia, a fim de formar cidadãos que não sejam controlados pelas ferramentas virtuais. Ademais, as redes sociais, principal espaço causador das “bolhas” de pensamentos e gostos, deve facilitar a interação de ideias divergentes, mediante a criação de páginas voltadas para a troca de opiniões. Só assim, o controle de indivíduos na “Era da Informação” será solucionado.

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