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Teoria dos Conjuntos

No estudo de Conjuntos, trabalhamos com alguns conceitos primitivos, que devem ser entendidos e aceitos sem definição.

Direto ao assunto
  1. Introdução aos conjuntos
  2. Alguns conceitos primitivos
  3. Algumas notações para conjuntos
  4. Subconjuntos
  5. Alguns conjuntos especiais
  6. Reunião de conjuntos
  7. Interseção de conjuntos
  8. Propriedades dos conjuntos
  9. Diferença de conjuntos
  10. Complemento de um conjunto
  11. Leis de Augustus De Morgan
  12. Diferença simétrica

Introdução aos conjuntos

No estudo de Conjuntos, trabalhamos com alguns conceitos primitivos, que devem ser entendidos e aceitos sem definição. Para um estudo mais aprofundado sobre a Teoria dos Conjuntos, pode-se ler: Naive Set Theory, P.Halmos ou Axiomatic Set Theory, P.Suppes. O primeiro deles foi traduzido para o português sob o título (nada ingênuo de): Teoria Ingênua dos Conjuntos.

Alguns conceitos primitivos

Conjunto: representa uma coleção de objetos.

  1. O conjunto de todos os brasileiros.

  2. O conjunto de todos os números naturais.

  3. O conjunto de todos os números reais tal que x²-4=0.

Em geral, um conjunto é denotado por uma letra maiúscula do alfabeto: A, B, C, …, Z.

Elemento: é um dos componentes de um conjunto.

  1. José da Silva é um elemento do conjunto dos brasileiros.

  2. 1 é um elemento do conjunto dos números naturais.

  3. -2 é um elemento do conjunto dos números reais que satisfaz à equação x²-4=0.

Em geral, um elemento de um conjunto, é denotado por uma letra minúscula do alfabeto: a, b, c, …, z.

Pertinência: é a característica associada a um elemento que faz parte de um conjunto.

  1. José da Silva pertence ao conjunto dos brasileiros.

  2. 1 pertence ao conjunto dos números naturais.

  3. -2 pertence ao conjunto de números reais que satisfaz à equação x²-4=0.

Símbolo de pertinência: Se um elemento pertence a um conjunto utilizamos o símbolo in que se lê: “pertence”.

Para afirmar que 1 é um número natural ou que 1 pertence ao conjunto dos números naturais, escrevemos:

1 in N

Para afirmar que 0 não é um número natural ou que 0 não pertence ao conjunto dos números naturais, escrevemos:

0 notin N

Um símbolo matemático muito usado para a negação é a barra / traçada sobre o símbolo normal.

Algumas notações para conjuntos

Muitas vezes, um conjunto é representado com os seus elementos dentro de duas chaves { e } através de duas formas básicas e de uma terceira forma geométrica:

Apresentação: Os elementos do conjunto estão dentro de duas chaves { e }.

  1. A={a,e,i,o,u}

  2. N={1,2,3,4,…}

  3. M={João,Maria,José}

Descrição: O conjunto é descrito por uma ou mais propriedades.

  1. A={x: x é uma vogal}

  2. N={x: x é um número natural}

  3. M={x: x é uma pessoa da família de Maria}

Diagrama de Venn-Euler: (lê-se: “Ven-óiler”) Os conjuntos são mostrados graficamente.

Teoria dos Conjuntos

 

Subconjuntos

Dados os conjuntos A e B, diz-se que A está contido em B, denotado por AsubsetB, se todos os elementos de A também estão em B. Algumas vezes diremos que um conjunto A está propriamente contido em B, quando o conjunto B, além de conter os elementos de A, contém também outros elementos. O conjunto A é denominado subconjunto de B e o conjunto B é o superconjunto que contém A.

Alguns conjuntos especiais

Conjunto vazio: É um conjunto que não possui elementos. É representado por { } ou por Ø. O conjunto vazio está contido em todos os conjuntos.

Conjunto universo: É um conjunto que contém todos os elementos do contexto no qual estamos trabalhando e também contém todos os conjuntos desse contexto. O conjunto universo é representado por uma letra U. Na sequência não mais usaremos o conjunto universo.

Reunião de conjuntos

A reunião dos conjuntos A e B é o conjunto de todos os elementos que pertencem ao conjunto A ou ao conjunto B.

A Teoria dos Conjuntos B = { x: x Teoria dos Conjuntos A ou x Teoria dos Conjuntos B }

Exemplo: Se A={a,e,i,o} e B={3,4} então ATeoria dos ConjuntosB={a,e,i,o,3,4}.

Interseção de conjuntos

A interseção dos conjuntos A e B é o conjunto de todos os elementos que pertencem ao conjunto A e ao conjunto B.

A Teoria dos Conjuntos B = { x: x Teoria dos Conjuntos A e x Teoria dos Conjuntos B }

Exemplo: Se A={a,e,i,o,u} e B={1,2,3,4} então ATeoria dos ConjuntosB=Ø.

Teoria dos Conjuntos

Quando a interseção de dois conjuntos A e B é o conjunto vazio, dizemos que estes conjuntos são disjuntos.

Propriedades dos conjuntos

  1. Fechamento: Quaisquer que sejam os conjuntos A e B, a reunião de A e B, denotada por ATeoria dos ConjuntosB e a interseção de A e B, denotada por ATeoria dos ConjuntosB, ainda são conjuntos no universo.

  2. Reflexiva: Qualquer que seja o conjunto A, tem-se que:

    A Teoria dos Conjuntos A = A   e   A Teoria dos Conjuntos A = A

  3. Inclusão: Quaisquer que sejam os conjuntos A e B, tem-se que:

    A subset A Teoria dos Conjuntos B,  B subset A Teoria dos Conjuntos B,  A Teoria dos Conjuntos B subset A,  A Teoria dos Conjuntos B subset B

  4. Inclusão relacionada: Quaisquer que sejam os conjuntos A e B, tem-se que:

    A subset B equivale a A Teoria dos Conjuntos B = B
    A subset B equivale a A Teoria dos Conjuntos B = A

  5. Associativa: Quaisquer que sejam os conjuntos A, B e C, tem-se que:

    A Teoria dos Conjuntos (B Teoria dos Conjuntos C) = (A Teoria dos Conjuntos B) Teoria dos Conjuntos C
    A Teoria dos Conjuntos (B Teoria dos Conjuntos C) = (A Teoria dos Conjuntos B) Teoria dos Conjuntos C

  6. Comutativa: Quaisquer que sejam os conjuntos A e B, tem-se que:

    A Teoria dos Conjuntos B = B Teoria dos Conjuntos A
    A Teoria dos Conjuntos B = B Teoria dos Conjuntos A

  7. Elemento neutro para a reunião: O conjunto vazio Ø é o elemento neutro para a reunião de conjuntos, tal que para todo conjunto A, se tem:

    A Teoria dos Conjuntos Ø = A

  8. Elemento “nulo” para a interseção: A interseção do conjunto vazio Ø com qualquer outro conjunto A, fornece o próprio conjunto vazio.

    A Teoria dos Conjuntos Ø = Ø

  9. Elemento neutro para a interseção: O conjunto universo U é o elemento neutro para a interseção de conjuntos, tal que para todo conjunto A, se tem:

    A Teoria dos Conjuntos U = A

  10. Distributiva: Quaisquer que sejam os conjuntos A, B e C, tem-se que:

    A Teoria dos Conjuntos (B Teoria dos Conjuntos C ) = (A Teoria dos Conjuntos B) Teoria dos Conjuntos (A Teoria dos Conjuntos C)
    A Teoria dos Conjuntos (B Teoria dos Conjuntos C) = (A Teoria dos Conjuntos B) Teoria dos Conjuntos (A Teoria dos Conjuntos C)

    Os gráficos abaixo mostram a distributividade.

    Teoria dos Conjuntos

Diferença de conjuntos

A diferença entre os conjuntos A e B é o conjunto de todos os elementos que pertencem ao conjunto A e não pertencem ao conjunto B.

A-B = {x: x Teoria dos Conjuntos A e x Teoria dos Conjuntos B}

Do ponto de vista gráfico, a diferença pode ser vista como:

Teoria dos Conjuntos

Complemento de um conjunto

O complemento do conjunto B contido no conjunto A, denotado por CAB, é a diferença entre os conjuntos A e B, ou seja, é o conjunto de todos os elementos que pertencem ao conjunto A e não pertencem ao conjunto B.

CAB = A-B = {x: x Teoria dos Conjuntos A e x Teoria dos Conjuntos B}

Graficamente, o complemento do conjunto B no conjunto A, é dado por:

Teoria dos Conjuntos

Quando não há dúvida sobre o universo U em que estamos trabalhando, simplesmente utilizamos a letra c posta como expoente no conjunto, para indicar o complemento deste conjunto. Muitas vezes usamos a palavra complementar no lugar de complemento.

Exemplos: Øc=U e Uc=Ø.

Leis de Augustus De Morgan

  1. O complementar da reunião de dois conjuntos A e B é a interseção dos complementares desses conjuntos.

    (A Teoria dos Conjuntos B)c = Ac Teoria dos Conjuntos Bc

  2. O complementar da reunião de uma coleção finita de conjuntos é a interseção dos complementares desses conjuntos.

    (A1 Teoria dos Conjuntos A2 Teoria dos Conjuntos…Teoria dos Conjuntos An)c = A1c Teoria dos Conjuntos A2c Teoria dos Conjuntos…Teoria dos Conjuntos Anc

  3. O complementar da interseção de dois conjuntos A e B é a reunião dos complementares desses conjuntos.

    (A Teoria dos Conjuntos B)c = Ac Teoria dos Conjuntos Bc

  4. O complementar da interseção de uma coleção finita de conjuntos é a reunião dos complementares desses conjuntos.

    (A1 Teoria dos Conjuntos A2 Teoria dos Conjuntos…Teoria dos Conjuntos An)c = A1c Teoria dos Conjuntos A2c Teoria dos Conjuntos…Teoria dos Conjuntos Anc

Diferença simétrica

A diferença simétrica entre os conjuntos A e B é o conjunto de todos os elementos que pertencem à reunião dos conjuntos A e B e não pertencem à interseção dos conjuntos A e B.

ATeoria dos ConjuntosB = { x: xTeoria dos ConjuntosATeoria dos ConjuntosB e xTeoria dos ConjuntosATeoria dos ConjuntosB }

O diagrama de Venn-Euler para a diferença simétrica é:

Teoria dos Conjuntos

 

Exercício: Dados os conjuntos A, B e C, pode-se mostrar que:

  1. A=Ø se, e somente se, B=ATeoria dos ConjuntosB.

  2. O conjunto vazio é o elemento neutro para a operação de diferença simétrica. Usar o ítem anterior.

  3. A diferença simétrica é comutativa.

  4. A diferença simétrica é associativa.

  5. ATeoria dos ConjuntosA=Ø (conjunto vazio).

  6. A interseção entre A e BTeoria dos ConjuntosC é distributiva, isto é:

    A Teoria dos Conjuntos (B Teoria dos Conjuntos C) = (A Teoria dos Conjuntos B) Teoria dos Conjuntos (A Teoria dos Conjuntos C)

  7. A Teoria dos Conjuntos B está contida na reunião de ATeoria dos ConjuntosC e de BTeoria dos ConjuntosC, mas esta inclusão é própria, isto é:

    A Teoria dos Conjuntos B subset (A Teoria dos Conjuntos C) Teoria dos Conjuntos (B Teoria dos Conjuntos C)