
Direto ao assunto
Resumo rápido
O sistema ABO classifica o sangue em A, B, AB e O, conforme os antígenos presentes na superfície das hemácias e os anticorpos presentes no plasma. O fator Rh indica a presença (Rh+) ou a ausência (Rh−) do antígeno D. Juntos, eles definem a compatibilidade para transfusões e explicam a eritroblastose fetal. É um tema 🔥 Quente no ENEM e nos vestibulares, porque liga Biologia e Química e aparece em questões de genética, imunologia e saúde pública.
A genética é simples: o gene ABO tem três alelos, IA, IB e i. IA e IB são codominantes entre si e dominantes sobre i. O Rh é determinado por um gene com alelo dominante R (Rh+) e recessivo r (Rh−).
Sistema ABO: antígeno, anticorpo e transfusão
Quem tem sangue A possui antígeno A nas hemácias e anticorpo anti-B no plasma. Quem tem B possui antígeno B e anticorpo anti-A. Quem tem AB possui os dois antígenos e nenhum dos dois anticorpos. Quem tem O não possui antígeno A nem B, mas possui os dois anticorpos. A regra da transfusão é: não se pode transfundir um antígeno que o receptor não tem, porque o anticorpo do receptor atacaria as hemácias doadas.
Tabela: sistema ABO
| Tipo | Antígeno na hemácia | Anticorpo no plasma | Pode receber de | Pode doar para |
|---|---|---|---|---|
| A | A | Anti-B | A, O | A, AB |
| B | B | Anti-A | B, O | B, AB |
| AB | A e B | Nenhum | A, B, AB, O | AB |
| O | Nenhum | Anti-A e anti-B | O | A, B, AB, O |
Por isso, AB é chamado de receptor universal e O, de doador universal — mas, na prática, prefere-se transfusão do mesmo tipo, por segurança e por causa de outros antígenos. Note também a codominância: o genótipo IAIB produz os dois antígenos, gerando o tipo AB, e não um tipo intermediário.
Fator Rh e eritroblastose fetal
Quem é Rh+ tem o antígeno D; quem é Rh− não tem. Uma pessoa Rh− só produz anticorpo anti-D depois de entrar em contato com sangue Rh+, por transfusão ou gestação. É aí que surge a eritroblastose fetal, ou doença hemolítica do recém-nascido.
Se a mãe é Rh−, o pai é Rh+ e o bebê é Rh+, no primeiro parto, em geral, não há problema grave, porque o contato maior acontece no parto. Mas a mãe fica sensibilizada e produz anti-D. Em uma segunda gestação de bebê Rh+, esses anticorpos atravessam a placenta e destroem as hemácias do feto, causando anemia grave, icterícia e, em casos graves, morte. A prevenção é a aplicação de imunoglobulina anti-D na mãe Rh− após o parto ou após eventos de risco, o que impede a sensibilização.
Tabela: genótipos ABO e Rh
| Tipo | Genótipos possíveis |
|---|---|
| A | IAIA ou IAi |
| B | IBIB ou IBi |
| AB | IAIB |
| O | ii |
| Rh+ | RR ou Rr |
| Rh− | rr |


Mapa mental
- ABO
- A: antígeno A, anti-B | B: antígeno B, anti-A
- AB: os dois antígenos, nenhum anticorpo | O: nenhum antígeno, os dois anticorpos
- Alelos: IA e IB codominantes, i recessivo
- Rh
- Rh+ tem antígeno D; Rh− não tem
- Mãe Rh− + bebê Rh+ → risco na 2ª gestação → anti-D previne
SAQ — Perguntas e respostas curtas
1. Quem é doador universal e por quê?
O tipo O, porque suas hemácias não têm antígenos A nem B para serem atacados.
2. Quem é receptor universal e por quê?
O tipo AB, porque seu plasma não tem anti-A nem anti-B.
3. Qual é o genótipo do tipo AB?
IAIB, exemplo de codominância.
4. O que é eritroblastose fetal?
Destruição das hemácias do feto Rh+ por anticorpos anti-D da mãe Rh− sensibilizada.
5. Por que o primeiro filho Rh+ de mãe Rh−, em geral, não é afetado?
Porque a sensibilização da mãe acontece, em geral, no parto, quando o contato maior ocorre.
6. Como se previne a eritroblastose?
Com imunoglobulina anti-D na mãe Rh−, após o parto ou evento de risco.
Questões comentadas
Treine também na seção de provas. Questões inéditas, no estilo ENEM, criadas para esta matéria.
Questão 1. Uma pessoa do tipo B pode receber sangue de:
a) A e AB.
b) B e O.
c) apenas AB.
d) apenas A.
e) qualquer tipo.
Gabarito: B. B tem anti-A, então não pode receber A nem AB, que têm antígeno A.
Questão 2. O genótipo IAi corresponde ao tipo:
a) B.
b) AB.
c) A.
d) O.
e) Rh+.
Gabarito: C. IA domina i, gerando antígeno A.
Questão 3. Um casal, ela A heterozigota e ele O, pode ter filho:
a) apenas A.
b) apenas O.
c) A ou O.
d) AB.
e) B.
Gabarito: C. Cruzamento IAi x ii gera IAi (A) e ii (O), 50% cada.
Questão 4. A eritroblastose fetal é mais provável quando:
a) mãe Rh+ e bebê Rh−.
b) mãe Rh− sensibilizada e bebê Rh+.
c) mãe e bebê Rh−.
d) mãe e bebê Rh+.
e) pai Rh−.
Gabarito: B. É a combinação clássica, com anticorpos maternos atacando o feto.
Questão 5. A codominância no sistema ABO é demonstrada por:
a) tipo O.
b) tipo A heterozigoto.
c) tipo AB, que expressa os dois antígenos.
d) tipo Rh−.
e) tipo B homozigoto.
Gabarito: C. IAIB expressa A e B ao mesmo tempo, sem mistura.
Questão 6. Uma pessoa Rh− recebe sangue Rh+ pela primeira vez. O risco imediato de reação hemolítica grave é:
a) alto, pois ela já tem anti-D.
b) baixo na primeira exposição, pois o anti-D só é produzido após sensibilização.
c) inexistente, pois Rh não importa.
d) igual ao de quem é Rh+.
e) apenas se for do tipo O.
Gabarito: B. Diferente do ABO, o anti-D não é natural; ele surge após contato.
Dica do professor
Para transfusão, pergunte sempre: “o receptor tem anticorpo contra o antígeno do doador?” Se sim, não pode. E, para eritroblastose, decore a sequência: mãe Rh−, bebê Rh+, segunda gestação, anti-D previne. Mais dicas de estudo estão na sala de estudo.
Atenção / cuidado
- Anticorpos ABO são naturais; anti-D não é: ele só aparece após sensibilização.
- Doador universal não significa “sempre seguro”: na prática, usa-se o mesmo tipo quando possível.
- Tipo sanguíneo do filho depende dos genótipos dos pais, não apenas dos fenótipos: um casal A pode ter filho O.
Conexão com outras áreas
Imunologia: antígenos e anticorpos. Genética: alelos múltiplos e codominância. Saúde pública: doação de sangue e pré-natal.
Incidência: 🔥 Quente — cai no ENEM e nos vestibulares. Matéria: Biologia 1 | Disciplina: Genética | Tema: Tipos sanguíneos, Sistema ABO e Fator RH.



