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Dinâmica das placas tectônicas: o que cai no ENEM e nos vestibulares

A crosta da Terra é feita de placas gigantes em movimento lento, e são os encontros, afastamentos e deslizamentos entre elas que explicam vulcões, terremotos e cadeias de montanhas — e por que o Brasil quase não sente terremotos fortes. Entenda a dinâmica das placas tectônicas para resolver as questões do ENEM e dos vestibulares.

Ilustração estilo Pixar do interior da Terra em corte, mostrando placas tectônicas coloridas se movendo sobre magma alaranjado brilhante, com um vulcão simpático ao fundo.
Ilustração estilo Pixar do interior da Terra em corte, mostrando placas tectônicas coloridas se movendo sobre magma alaranjado brilhante, com um vulcão simpático ao fundo.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. A teoria das placas tectônicas
  3. Os três tipos de limite entre placas
  4. Vulcanismo: quando o magma chega à superfície
  5. Terremotos: a Terra tremendo
  6. O relevo que as placas constroem
  7. As placas e o Brasil: por que aqui quase não treme forte
  8. Como a dinâmica das placas cai nas provas
  9. Mapa mental
  10. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  11. Questões comentadas
  12. Dica do professor
  13. Atenção / cuidado
  14. Conexão com outras áreas

Resumo rápido

A superfície da Terra não é uma casca única e parada: ela é formada por grandes blocos rochosos, as placas tectônicas, que se movem lentamente sobre o manto, como peças de um quebra-cabeça flutuando sobre material quente e pastoso. É esse movimento — de poucos centímetros por ano, mais ou menos o ritmo com que crescem as suas unhas — que explica os vulcões, os terremotos, a formação de montanhas e até a posição atual dos continentes. É um tema 🔥 Quente no ENEM e nos vestibulares, porque aparece em questões de Geografia ligadas a desastres naturais, ao relevo e à história da Terra.

Em resumo: as placas se movem por causa das correntes de convecção do manto. Onde elas se chocam, formam montanhas e vulcões; onde se afastam, abrem-se oceanos e surgem dorsais; onde deslizam lado a lado, acumulam tensão que se libera em terremotos. O Brasil fica no meio da placa Sul-Americana, longe das bordas, e por isso tem poucos terremotos fortes e nenhum vulcão ativo. Se você dominar os três tipos de limite de placa — convergente, divergente e transformante — e souber ligar cada um ao fenômeno que ele provoca, resolve quase todas as questões do tema.

A teoria das placas tectônicas

Para entender as placas, é preciso lembrar como a Terra é por dentro. O planeta tem três camadas principais: a crosta, fina e rochosa, onde vivemos; o manto, espesso e formado por rochas quentes que se comportam como um material pastoso ao longo de milhões de anos; e o núcleo, muito quente, com uma parte externa líquida e uma parte interna sólida. A crosta, junto com a parte mais superficial e rígida do manto, forma a litosfera, que é justamente a camada quebrada em placas.

A teoria das placas tectônicas nasceu no século XX, juntando duas ideias anteriores. Primeiro veio a deriva continental, proposta por Alfred Wegener em 1912: ele notou que os contornos da América do Sul e da África se encaixam como peças de quebra-cabeça e que fósseis de plantas e animais idênticos apareciam em continentes hoje separados por oceanos. Wegener concluiu que os continentes já estiveram unidos em um supercontinente, a Pangeia, e depois se separaram. Na época, ele não conseguiu explicar o que movia os continentes, e a ideia foi rejeitada por muitos cientistas.

A explicação veio décadas depois, com o estudo do fundo dos oceanos. Nos anos 1960, os cientistas descobriram as dorsais oceânicas — cadeias de montanhas no fundo do mar, de onde sai magma que forma crosta nova — e confirmaram que o fundo oceânico se expande. Nasceu então a teoria da tectônica de placas: a litosfera é dividida em cerca de uma dezena de grandes placas e várias placas menores, que se movem sobre a astenosfera, a camada pastosa do manto superior. As principais placas são a Pacífica, a Sul-Americana, a Norte-Americana, a Africana, a Eurasiática, a Indo-Australiana, a Antártica e a de Nazca, entre outras.

O motor desse movimento são as correntes de convecção do manto: o material quente do interior sobe, esfria perto da superfície e desce de novo, em um ciclo lento e contínuo, parecido com a água fervendo em uma panela. Esse movimento arrasta as placas. Além disso, nas zonas onde uma placa mergulha sob outra, o peso da placa que afunda ajuda a puxar o restante da placa, em um processo chamado de tração da placa. O resultado é um movimento constante, de 2 a 10 centímetros por ano, dependendo da placa. Parece pouco, mas em milhões de anos isso desloca continentes inteiros, abre oceanos e levanta as maiores montanhas do planeta.

Uma diferença importante para as provas: a crosta continental é mais espessa (de 30 a 70 km) e mais leve, formada principalmente por rochas graníticas; a crosta oceânica é mais fina (de 5 a 10 km) e mais densa, formada por basalto. Por ser mais densa, quando uma placa oceânica encontra uma placa continental, é a oceânica que mergulha por baixo, em um processo chamado subducção. Guarde essa palavra: ela aparece em muitas questões sobre vulcões e terremotos no Círculo de Fogo do Pacífico.

Os três tipos de limite entre placas

As bordas das placas, chamadas de limites, são os lugares onde quase tudo acontece: vulcões, terremotos e montanhas se concentram nelas. Existem três tipos de limite, e cada um produz fenômenos diferentes. Decorar essa relação é o passo mais importante para acertar as questões.

No limite convergente, duas placas se chocam, movendo-se uma em direção à outra. O resultado depende do tipo de crosta envolvida. Quando uma placa oceânica encontra uma continental, a oceânica mergulha sob a continental (subducção), formando uma fossa oceânica profunda e uma cadeia de vulcões na borda do continente — é o caso da costa oeste da América do Sul, onde a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana e forma a cordilheira dos Andes e os vulcões do Chile, do Peru e do Equador. Quando duas placas continentais se chocam, nenhuma consegue mergulhar direito, e o material se amassa e se levanta, formando grandes cadeias de montanhas: foi assim que surgiu o Himalaia, do choque entre a placa Indiana e a Eurasiática, e é por isso que o monte Everest continua crescendo alguns milímetros por ano. Quando duas placas oceânicas convergem, formam-se arcos de ilhas vulcânicas, como o Japão e a Indonésia.

No limite divergente, duas placas se afastam uma da outra. O espaço aberto entre elas é preenchido por magma que sobe do manto, formando crosta oceânica nova nas dorsais meso-oceânicas, como a dorsal Mesoatlântica, que corta o oceano Atlântico de norte a sul e afasta a América do Sul da África. Em terra, o afastamento pode abrir vales em forma de fenda, os riftes, como o Grande Vale do Rifte, na África Oriental, que um dia pode separar uma parte do continente africano e formar um novo oceano. Nos limites divergentes também há vulcões, mas de erupções geralmente mais tranquilas, e terremotos mais rasos e fracos.

No limite transformante, duas placas deslizam lateralmente, uma ao lado da outra, sem se chocar nem se afastar. Como as placas não são lisas, elas travam em alguns pontos e acumulam tensão por anos ou décadas; quando finalmente deslizam de uma vez, liberam essa energia em forma de terremoto. O exemplo mais famoso é a falha de San Andreas, na Califórnia, entre as placas Pacífica e Norte-Americana. Nos limites transformantes não há vulcanismo significativo, porque não há subida de magma nem subducção — o fenômeno típico é o terremoto.

Tipo de limiteMovimento das placasFenômenos típicosExemplo
ConvergenteChocam-se uma contra a outraMontanhas, fossas oceânicas, vulcões explosivos, terremotos fortesAndes (Nazca x Sul-Americana); Himalaia (Indiana x Eurasiática)
DivergenteAfastam-se uma da outraDorsais oceânicas, riftes, vulcões tranquilos, terremotos fracosDorsal Mesoatlântica; Grande Vale do Rifte, na África
TransformanteDeslizam lateralmente, lado a ladoTerremotos, sem vulcanismo importanteFalha de San Andreas, na Califórnia

Vulcanismo: quando o magma chega à superfície

O vulcanismo é a saída de magma, gases e cinzas do interior da Terra para a superfície. O magma é a rocha derretida que está abaixo da superfície; quando ele chega para fora, passa a se chamar lava. Os vulcões se formam principalmente nos limites convergentes e divergentes, mas também existem vulcões no meio das placas, nos chamados pontos quentes (hot spots), onde uma pluma de material quente do manto perfura a placa por baixo — é o caso do Havaí, no meio da placa Pacífica, e das ilhas de Fernando de Noronha, no Brasil, que são de origem vulcânica, mas extinta há milhões de anos.

Nem toda erupção é igual. Quando o magma é mais fluido, pobre em sílica, a erupção é efusiva: a lava escorre calmamente, como nos vulcões do Havaí, e o perigo maior é a lava cobrir áreas, mas as pessoas costumam ter tempo de fugir. Quando o magma é mais viscoso, rico em sílica e gases, a erupção é explosiva: o vulcão lança cinzas, pedras e gases a grande velocidade, como aconteceu no Vesúvio, que destruiu Pompeia em 79 d.C., e no monte Santa Helena, nos Estados Unidos, em 1980. É nos limites convergentes, onde a subducção gera magma rico em sílica e água, que acontecem as erupções mais explosivas — e é por isso que o Círculo de Fogo do Pacífico, a faixa ao redor do oceano Pacífico onde várias placas se encontram, concentra cerca de 75% dos vulcões ativos do mundo e a maioria dos grandes terremotos.

Os vulcões também criam relevo e solos. As ilhas vulcânicas, como o Havaí e a Islândia, nasceram de erupções. Os solos formados pela decomposição de rochas vulcânicas, como a terra roxa no Brasil, são muito férteis para a agricultura — uma das razões pelas quais populações vivem perto de vulcões, apesar do risco. Para as provas, lembre: vulcão não é sinônimo de desastre inevitável; ele é um fenômeno natural da dinâmica interna da Terra, e o risco depende do tipo de erupção, da proximidade das cidades e da existência de sistemas de monitoramento e evacuação.

Terremotos: a Terra tremendo

O terremoto (ou abalo sísmico) é uma vibração brusca da crosta, causada pela liberação repentina de energia acumulada nas rochas. O ponto dentro da Terra onde a energia é liberada se chama hipocentro; o ponto na superfície, logo acima dele, é o epicentro. As vibrações se propagam em ondas sísmicas, registradas por aparelhos chamados sismógrafos, e a intensidade pode ser medida de duas formas que as provas costumam confundir: a escala Richter (hoje chamada de magnitude de momento) mede a energia liberada no terremoto, enquanto a escala Mercalli mede os efeitos sentidos e os danos causados em cada lugar, que variam conforme a distância do epicentro e o tipo de construção.

A maioria dos terremotos acontece nas bordas das placas, por três motivos principais: no limite convergente, o atrito entre a placa que mergulha e a placa que fica por cima; no limite transformante, o deslizamento repentino após anos de travamento; e, em menor intensidade, no limite divergente, quando a crosta se rompe ao se afastar. Os terremotos mais fortes e profundos acontecem nas zonas de subducção, como no Japão, no Chile e na Indonésia. Um terremoto no fundo do oceano pode deslocar uma grande massa de água e gerar um tsunami, uma série de ondas gigantes que atravessam o oceano e devastam a costa — foi o que aconteceu na Indonésia em 2004 e no Japão em 2011.

Os terremotos também podem acontecer no interior das placas, os chamados terremotos intraplaca, mas são mais raros e geralmente mais fracos. Eles ocorrem quando tensões antigas se liberam em falhas geológicas antigas, dentro do continente. O Brasil, como veremos a seguir, é um caso típico de terremotos intraplaca fracos.

O relevo que as placas constroem

O relevo da Terra é, em grande parte, obra das placas tectônicas. As grandes cadeias de montanhas jovens, como os Andes e o Himalaia, são dobramentos recentes, formados pelo choque de placas, com picos altos e pontiagudos, ainda pouco desgastados pela erosão. As montanhas antigas, como os Apalaches, nos Estados Unidos, e a serra do Espinhaço, no Brasil, já foram altas um dia, mas foram desgastadas por milhões de anos de erosão e hoje são mais baixas e arredondadas.

Além das montanhas, as placas explicam as fossas oceânicas — os pontos mais profundos dos oceanos, como a fossa das Marianas, no Pacífico, com quase 11 km de profundidade, formada onde a placa Pacífica mergulha sob outra placa —, as dorsais oceânicas, as ilhas vulcânicas e os riftes continentais. Em outras palavras, quando uma questão pergunta por que a costa oeste da América do Sul tem montanhas altas e vulcões, enquanto a costa leste, do Brasil, tem relevo mais baixo e sem vulcões, a resposta está nas placas: o oeste é borda de placa ativa; o leste é interior de placa, estável.

Essa dinâmica também explica a distribuição de recursos minerais. Muitos minérios metálicos, como cobre no Chile e ouro, se formam em zonas de vulcanismo e de contato entre placas. O petróleo, por sua vez, se acumula em bacias sedimentares, muitas vezes nas margens continentais formadas pelo afastamento das placas — como a bacia de Campos, no Brasil, ligada à abertura do Atlântico Sul. É por isso que a tectônica de placas conversa tanto com a economia e com a geopolítica: onde estão as placas, muitas vezes estão também os recursos e os riscos.

As placas e o Brasil: por que aqui quase não treme forte

O Brasil está no centro da placa Sul-Americana, longe das suas bordas. A borda oeste dessa placa é a zona de subducção dos Andes, a milhares de quilômetros do território brasileiro; a borda leste é a dorsal Mesoatlântica, no meio do oceano Atlântico. Por isso, o Brasil é uma região geologicamente estável, sem vulcões ativos e com terremotos raros e, em geral, fracos — a maioria com magnitude abaixo de 4,0, que mal é sentida pela população.

Isso não significa que o Brasil nunca treme. O país registra pequenos tremores todos os anos, principalmente no Nordeste, no Centro-Oeste e no norte de Minas Gerais, causados por falhas antigas dentro da placa, que liberam tensões acumuladas. O maior terremoto já registrado no Brasil aconteceu em 1955, na serra do Tombador, em Mato Grosso, com magnitude estimada em 6,2 — forte, mas sem vítimas, porque a região era praticamente desabitada. Em 2024, tremores sentidos em estados como São Paulo e Minas Gerais, com magnitudes em torno de 4,0, lembraram que o risco existe, mas é muito menor do que no Chile, no Japão ou na Indonésia.

Também é importante desfazer um mito: o Brasil já teve vulcões, mas todos estão extintos há milhões de anos. Fernando de Noronha, a ilha de Trindade e o arquipélago de São Pedro e São Paulo são restos de antigos vulcões, formados quando a placa Sul-Americana passou sobre pontos quentes ou quando o Atlântico estava se abrindo. Hoje não há vulcão ativo em território brasileiro, e não há previsão de um novo surgir: para isso, seria preciso que o Brasil ficasse na borda de uma placa, o que não vai acontecer na escala de tempo humana.

Para as provas, a frase-chave é: o Brasil é uma área intraplaca estável. Se uma questão disser que o Brasil tem muitos vulcões ativos ou terremotos devastadores frequentes, desconfie. E se ela perguntar por que o Chile tem terremotos fortes e o Brasil não, a resposta é a posição em relação às placas: o Chile está na borda convergente, o Brasil está no interior da placa.

Pergunta típica da provaResposta curtaPor quê
Por que o Chile tem terremotos fortes?Está na borda convergente da placa Sul-AmericanaA placa de Nazca mergulha sob a Sul-Americana (subducção)
Por que o Brasil quase não tem terremotos fortes?Está no interior da placa Sul-AmericanaLonge das bordas, só restam falhas antigas com tremores fracos
Por que o Japão tem vulcões e terremotos?Está no encontro de várias placas no PacíficoSubducção no Círculo de Fogo do Pacífico
Por que a Islândia tem vulcões?Está sobre a dorsal MesoatlânticaLimite divergente: as placas se afastam e o magma sobe
Por que a Califórnia tem terremotos sem vulcões?Está na falha de San AndreasLimite transformante: deslizamento lateral, sem subida de magma

Como a dinâmica das placas cai nas provas

As questões sobre placas tectônicas no ENEM e nos vestibulares raramente pedem só a definição. Elas costumam trazer um mapa com as placas, uma notícia sobre um terremoto ou uma erupção, ou uma comparação entre dois lugares — e pedem que você identifique o tipo de limite, o fenômeno esperado ou a explicação para a diferença entre os dois. O erro mais comum é confundir os limites: lembrar que convergente forma montanha e vulcão explosivo, divergente abre oceano e forma dorsal, e transformante só provoca terremoto já resolve metade das questões.

Outro erro frequente é achar que os continentes se movem rápido ou que o Brasil pode “entrar” em uma zona de terremotos em poucos anos. O movimento das placas é de centímetros por ano: em uma vida humana, um continente se desloca poucos metros. As mudanças de relevo que estudamos aconteceram ao longo de dezenas de milhões de anos. Por fim, atenção às pegadinhas sobre o Brasil: ele não tem vulcão ativo, não está na borda de placa e não faz parte do Círculo de Fogo do Pacífico — mesmo estando na América do Sul, ao contrário do Chile, do Peru e do Equador.

Ilustração estilo Pixar de duas placas rochosas gigantes se chocando e formando uma cadeia de montanhas alta, com pequenas casas em um vale abaixo.
Ilustração estilo Pixar de duas placas rochosas gigantes se chocando e formando uma cadeia de montanhas alta, com pequenas casas em um vale abaixo.
Ilustração estilo Pixar do fundo do oceano em corte, mostrando duas placas se afastando com magma subindo entre elas e formando uma dorsal oceânica, com peixes simpáticos por perto.
Ilustração estilo Pixar do fundo do oceano em corte, mostrando duas placas se afastando com magma subindo entre elas e formando uma dorsal oceânica, com peixes simpáticos por perto.

Mapa mental

  • Placas tectônicas
    • Litosfera (crosta + parte rígida do manto) dividida em placas
    • Motor: correntes de convecção do manto; movimento de 2 a 10 cm por ano
    • Origem: deriva continental de Wegener (Pangeia) + expansão do fundo oceânico
  • Limites
    • Convergente: choque — montanhas, fossas, vulcões explosivos, terremotos fortes (Andes, Himalaia)
    • Divergente: afastamento — dorsais oceânicas, riftes, vulcões tranquilos (Atlântico, Rifte africano)
    • Transformante: deslizamento lateral — terremotos, sem vulcanismo (falha de San Andreas)
  • Vulcanismo
    • Magma (embaixo) vira lava (fora); pontos quentes no interior das placas (Havaí)
    • Círculo de Fogo do Pacífico: 75% dos vulcões ativos e grandes terremotos
  • Terremotos
    • Hipocentro (dentro) e epicentro (superfície); escalas Richter (energia) e Mercalli (efeitos)
    • Tsunami: terremoto no fundo do oceano desloca a água
  • Brasil
    • Interior da placa Sul-Americana: estável, sem vulcão ativo, terremotos fracos e raros
    • Vulcões extintos: Fernando de Noronha, Trindade; maior terremoto: 1955, Mato Grosso, 6,2

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

  1. O que são placas tectônicas? São os grandes blocos rochosos em que a litosfera é dividida, que se movem lentamente sobre a astenosfera.
  2. O que move as placas tectônicas? As correntes de convecção do manto e a tração da placa que afunda nas zonas de subducção.
  3. O que é a Pangeia? O supercontinente que reunia todas as terras emersas há cerca de 200 milhões de anos, antes da separação dos continentes.
  4. O que acontece em um limite convergente? As placas se chocam, formando montanhas, fossas oceânicas, vulcões e terremotos fortes.
  5. O que acontece em um limite divergente? As placas se afastam, o magma sobe e forma crosta nova nas dorsais oceânicas ou riftes continentais.
  6. O que acontece em um limite transformante? As placas deslizam lateralmente e, ao destravar, provocam terremotos, sem vulcanismo importante.
  7. O que é subducção? É o mergulho de uma placa (geralmente a oceânica, mais densa) sob outra, nas zonas de convergência.
  8. Por que o Brasil tem poucos terremotos fortes? Porque está no interior da placa Sul-Americana, longe das bordas onde se concentram os grandes terremotos.

Questões comentadas

  1. Questão 1. Um noticiário informou que um forte terremoto atingiu a costa do Chile, seguido de um alerta de tsunami para o oceano Pacífico. A explicação geológica mais adequada para esse evento é:

    a) O Chile está no interior da placa Sul-Americana, uma região estável.
    b) A placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana, em um limite convergente.
    c) As placas Sul-Americana e Africana estão se afastando na costa chilena.
    d) O Chile está sobre um limite transformante, sem subducção.
    e) O terremoto foi causado pelo derretimento das geleiras dos Andes.

    Gabarito: b) A placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana, em um limite convergente. Comentário: a costa oeste da América do Sul é um limite convergente, onde a placa oceânica de Nazca mergulha sob a continental Sul-Americana. O atrito e a liberação de tensão nessa subducção geram os terremotos fortes do Chile, que, por ocorrerem no fundo do oceano, podem provocar tsunamis.

  2. Questão 2. A cordilheira dos Andes e o Himalaia são duas das maiores cadeias de montanhas do mundo. Apesar de ambas resultarem de limites convergentes, há uma diferença importante entre elas. Assinale a alternativa que descreve corretamente essa diferença:

    a) Os Andes resultam do choque de duas placas continentais, e o Himalaia, do choque de uma oceânica com uma continental.
    b) Os Andes resultam da subducção de uma placa oceânica sob uma continental, e o Himalaia, do choque de duas placas continentais.
    c) Os Andes resultam do afastamento de placas, e o Himalaia, do deslizamento lateral.
    d) Os Andes são montanhas antigas e desgastadas, e o Himalaia é um rifte em formação.
    e) Os Andes se formam por vulcanismo de ponto quente, e o Himalaia, por subducção.

    Gabarito: b) Os Andes resultam da subducção de uma placa oceânica sob uma continental, e o Himalaia, do choque de duas placas continentais. Comentário: nos Andes, a placa oceânica de Nazca mergulha sob a Sul-Americana, formando vulcões e fossas. No Himalaia, as placas Indiana e Eurasiática, ambas continentais, se chocam sem que uma mergulhe por completo, e o material se amassa para cima, formando a cadeia mais alta do mundo.

  3. Questão 3. A Islândia, ilha no Atlântico Norte, apresenta intensa atividade vulcânica e terremotos frequentes, embora esteja longe das zonas de subducção do Pacífico. A causa dessa atividade é:

    a) A Islândia está sobre um limite divergente, a dorsal Mesoatlântica.
    b) A Islândia está sobre um limite transformante, como a falha de San Andreas.
    c) A Islândia está no interior de uma placa, sobre um ponto quente extinto.
    d) A Islândia sofre terremotos causados pelo peso das geleiras.
    e) A Islândia está na borda convergente entre as placas Africana e Eurasiática.

    Gabarito: a) A Islândia está sobre um limite divergente, a dorsal Mesoatlântica. Comentário: a Islândia fica exatamente sobre a dorsal Mesoatlântica, onde as placas Norte-Americana e Eurasiática se afastam. O magma que sobe para preencher o espaço aberto forma crosta nova, vulcões e pequenos terremotos — um caso clássico de limite divergente emerso.

  4. Questão 4. Um estudante afirmou: “Se o Brasil ficasse na borda de uma placa tectônica, teríamos vulcões ativos e terremotos fortes com frequência.” Considerando a posição do Brasil na placa Sul-Americana, essa afirmação está:

    a) Incorreta, pois a borda de placa não influencia vulcões nem terremotos.
    b) Incorreta, pois o Brasil já está na borda da placa Sul-Americana.
    c) Correta, pois vulcões e grandes terremotos se concentram nas bordas das placas, e o Brasil está no interior da placa.
    d) Correta, pois o Brasil está sobre a dorsal Mesoatlântica.
    e) Incorreta, pois o Brasil tem vulcões ativos em Fernando de Noronha.

    Gabarito: c) Correta, pois vulcões e grandes terremotos se concentram nas bordas das placas, e o Brasil está no interior da placa. Comentário: o Brasil está no centro da placa Sul-Americana, longe da subducção andina e da dorsal atlântica. Por isso é uma região estável: seus tremores são intraplaca, fracos e raros, e seus vulcões, como os de Fernando de Noronha, estão extintos há milhões de anos.

  5. Questão 5. A falha de San Andreas, na Califórnia, é famosa por seus terremotos, mas a região não apresenta vulcões importantes associados a essa falha. Isso acontece porque a falha de San Andreas é um limite:

    a) Convergente, onde uma placa mergulha sob outra.
    b) Divergente, onde o magma sobe e forma crosta nova.
    c) Transformante, onde as placas deslizam lateralmente sem subida de magma.
    d) De ponto quente, onde uma pluma perfura a placa.
    e) Intraplaca, sem qualquer movimento entre placas.

    Gabarito: c) Transformante, onde as placas deslizam lateralmente sem subida de magma. Comentário: em um limite transformante, as placas Pacífica e Norte-Americana deslizam lado a lado. Não há subducção nem afastamento com subida de magma, então não se formam vulcões; a tensão acumulada no deslizamento é liberada em terremotos.

  6. Questão 6. Dois lugares chamam a atenção de um professor de Geografia: o Japão, com vulcões explosivos e terremotos devastadores, e o Havaí, com vulcões de lava fluida no meio do oceano. A diferença entre os dois casos é explicada, respectivamente, por:

    a) Subducção em limite convergente e vulcanismo de ponto quente no interior da placa.
    b) Afastamento em limite divergente e deslizamento em limite transformante.
    c) Ponto quente no Japão e subducção no Havaí.
    d) Limite transformante nos dois casos, com intensidades diferentes.
    e) Erosão no Japão e sedimentação no Havaí.

    Gabarito: a) Subducção em limite convergente e vulcanismo de ponto quente no interior da placa. Comentário: o Japão está em uma zona de subducção no Círculo de Fogo do Pacífico, onde o magma rico em sílica gera erupções explosivas e terremotos fortes. O Havaí está no meio da placa Pacífica, sobre um ponto quente: uma pluma de manto perfura a placa e gera vulcões de lava fluida, com erupções mais tranquilas.

Dica do professor

Desenhe no rascunho três setinhas antes de responder: setas se encontrando (convergente: montanha e vulcão), setas se afastando (divergente: dorsal e rifte) e setas passando lado a lado (transformante: terremoto, sem vulcão). Depois, localize o lugar da questão: borda de placa ou interior de placa? Com essas duas informações — tipo de limite e posição —, quase toda questão de placas tectônicas se resolve, inclusive as que perguntam por que o Brasil treme pouco e o Chile treme muito.

Atenção / cuidado

Não confunda magnitude com intensidade: a escala Richter (magnitude) mede a energia liberada no terremoto, e é um único valor; a escala Mercalli mede os efeitos sentidos em cada lugar, que variam com a distância e o tipo de construção. Também não confunda magma com lava — magma está embaixo da superfície, lava é o magma que já saiu —, nem diga que o Brasil tem vulcões ativos: os vulcões brasileiros estão todos extintos. E cuidado com a velocidade das placas: centímetros por ano parecem pouco, mas em milhões de anos movem continentes inteiros.

Conexão com outras áreas

A dinâmica das placas conecta a Geografia com a Física (correntes de convecção e propagação de ondas sísmicas), a História (a deriva continental de Wegener e os desastres que mudaram cidades, como Pompeia) e a Biologia (a separação dos continentes explica a distribuição de fósseis e espécies). O tema também aparece em Atualidades, sempre que um terremoto ou uma erupção vira notícia — e toda a revisão pode ser feita na sala de estudo do ENEM.

Incidência: 🔥 Quente.