
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é um mecanismo de reação
- Substituição nucleofílica: SN2
- Substituição nucleofílica: SN1
- Eliminação: E2
- Eliminação: E1
- Tabela comparativa: SN1 x SN2 x E1 x E2
- Como decidir o mecanismo na hora da prova
- Substrato, nucleófilo e solvente: a segunda tabela
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas curtas com resposta
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência 🔥 Quente
Mecanismos de reações orgânicas (SN1, SN2, E1, E2): o que cai no ENEM e nos vestibulares
Resumo rápido
Em uma reação orgânica, o mecanismo é o passo a passo de como as ligações se quebram e se formam. Nas substituições nucleofílicas, um nucleófilo entra no lugar de um grupo abandonador: na SN2 isso acontece em uma única etapa, com inversão de configuração; na SN1, primeiro sai o grupo abandonador, forma-se um carbocátion e só depois o nucleófilo ataca, o que pode gerar racemização. Nas eliminações, sai um hidrogênio junto com o grupo abandonador e forma-se uma dupla ligação: na E2 tudo acontece em uma etapa, seguindo a regra de Zaitsev; na E1, o carbocátion se forma primeiro e depois perde um próton. Se você souber identificar o substrato, o nucleófilo ou a base, o solvente e o número de etapas, consegue prever qual mecanismo vai predominar — e é exatamente isso que o ENEM e os vestibulares mais cobram.
O que é um mecanismo de reação
Quando escrevemos uma equação como CH3Br + OH- → CH3OH + Br-, vemos só o início e o fim da história. O mecanismo mostra o meio: quem ataca quem, qual ligação quebra primeiro e se existe algum intermediário no caminho. Entender o mecanismo é muito mais útil do que decorar produtos, porque a mesma lógica se repete em dezenas de reações diferentes.
Para ler qualquer mecanismo, você precisa conhecer quatro personagens:
- Substrato: a molécula orgânica que vai sofrer a reação, geralmente um haleto de alquila, como o brometo de metila (CH3Br) ou o 2-bromopropano.
- Nucleófilo: uma espécie rica em elétrons, que “gosta de núcleo” e ataca um carbono com carga parcial positiva. Exemplos: OH-, CN-, I- e NH3.
- Grupo abandonador: o grupo que sai da molécula levando o par de elétrons da ligação. Bons grupos abandonadores são bases fracas, como Br-, I- e Cl-.
- Carbocátion: um carbono com carga positiva e apenas seis elétrons na camada de valência. Ele é um intermediário instável, mas sua estabilidade decide muita coisa: terciário é mais estável que secundário, que é mais estável que primário, que é mais estável que o metílico.
Dois fatores costumam decidir o caminho da reação: a estrutura do substrato (primário, secundário ou terciário) e a força do reagente — se ele age mais como nucleófilo (ataca o carbono e substitui) ou como base (arranca um hidrogênio e provoca eliminação). O solvente também pesa: solventes polares próticos estabilizam íons e favorecem SN1 e E1; solventes polares apróticos deixam o nucleófilo mais “livre” e favorecem SN2.
Substituição nucleofílica: SN2
SN significa substituição nucleofílica, e o número 2 indica que a etapa determinante da velocidade envolve duas espécies: o substrato e o nucleófilo. Por isso a velocidade depende dos dois: v = k [substrato] [nucleófilo].
A SN2 acontece em uma única etapa, sem intermediário. O nucleófilo ataca o carbono por trás, pelo lado oposto ao grupo abandonador, enquanto a ligação com o grupo abandonador ainda está se quebrando. No meio do caminho, forma-se um estado de transição em que o carbono está ligado parcialmente aos dois grupos, com cinco ligações parciais. Como o ataque vem por trás, a configuração espacial do carbono se inverte, como um guarda-chuva que vira do avesso com o vento. Essa inversão de configuração é chamada de inversão de Walden.
Exemplo clássico:
CH3Br + OH- → CH3OH + Br-
O íon hidróxido ataca o carbono do brometo de metila, o brometo sai e forma-se o metanol. Simples, direto e rápido quando o carbono está pouco impedido.
Quando a SN2 predomina? Com substratos metílicos e primários, que têm pouco impedimento estérico, ou seja, pouco “trânsito” em volta do carbono. Nucleófilos fortes favorecem a SN2, e solventes polares apróticos (como a acetona) ajudam, porque não “abraçam” o nucleófilo com ligações de hidrogênio. Substratos terciários praticamente não fazem SN2: o carbono está tão cercado de grupos que o nucleófilo não consegue chegar por trás.
Substituição nucleofílica: SN1
Na SN1, o número 1 indica que a etapa determinante da velocidade envolve apenas uma espécie: o substrato. A velocidade, então, depende só dele: v = k [substrato]. A concentração do nucleófilo não muda a velocidade, porque ele só entra na segunda etapa.
A SN1 acontece em duas etapas. Na primeira, a mais lenta, o grupo abandonador sai sozinho e forma-se um carbocátion. Na segunda, rápida, o nucleófilo ataca o carbocátion. Como o carbocátion é plano, o nucleófilo pode atacar pelos dois lados, o que gera uma mistura de produtos com configurações opostas — a racemização. Na prática, forma-se uma mistura racêmica, com quantidades iguais dos dois enantiômeros, e a mistura não desvia a luz polarizada.
Exemplo:
(CH3)3CBr → (CH3)3C+ + Br- (etapa lenta)
(CH3)3C+ + OH- → (CH3)3COH (etapa rápida)
Quando a SN1 predomina? Com substratos terciários, que formam carbocátions estáveis, e com grupos abandonadores bons. Solventes polares próticos, como água e etanol, estabilizam o carbocátion e o grupo abandonador, favorecendo o caminho. Nucleófilos fracos também combinam com a SN1, porque não há pressa em atacar: o carbocátion se forma primeiro, com calma.
Um detalhe que cai muito em prova: carbocátions podem sofrer rearranjo. Se um hidreto (H-) ou um grupo metila vizinho migrar, o carbocátion pode ficar mais estável — e o produto final sai diferente do esperado. Sempre confira se há possibilidade de rearranjo antes de escrever o produto da SN1.
Eliminação: E2
Na eliminação, em vez de substituir o grupo abandonador, a molécula perde o grupo abandonador e um hidrogênio de um carbono vizinho, formando uma dupla ligação. O E de E2 significa eliminação, e o 2 indica que a etapa determinante envolve duas espécies: o substrato e a base.
A E2 acontece em uma única etapa: a base arranca o hidrogênio, a ligação carbono-hidrogênio se quebra, a dupla ligação se forma e o grupo abandonador sai, tudo ao mesmo tempo. Para isso funcionar bem, o hidrogênio e o grupo abandonador precisam estar em posição antiperiplanar, ou seja, em lados opostos, para que os orbitais se alinhem na formação da dupla ligação.
Regra de Zaitsev: quando há mais de um hidrogênio possível de ser retirado, predomina o alceno mais substituído, isto é, aquele com mais grupos alquila ligados aos carbonos da dupla ligação, porque ele é mais estável. Em linguagem simples: a base tira o hidrogênio do carbono vizinho mais substituído, formando a dupla ligação mais estável.
Exemplo:
CH3CH2CH2Br + OH- → CH3CH=CH2 + Br- + H2O
Quando a E2 predomina? Com bases fortes, como OH- concentrado e alcóxidos, e com substratos secundários e terciários. O aquecimento também favorece a eliminação em relação à substituição, porque a eliminação gera mais partículas e aumenta a desordem do sistema. Bases volumosas, como o terc-butóxido, fogem da regra de Zaitsev e formam preferencialmente o alceno menos substituído (produto de Hofmann), porque não conseguem alcançar os hidrogênios mais escondidos.
Eliminação: E1
A E1 é a versão unimolecular da eliminação: o número 1 indica que a etapa determinante envolve só o substrato. Assim como na SN1, a velocidade depende apenas do substrato: v = k [substrato].
A E1 acontece em duas etapas. Na primeira, lenta, o grupo abandonador sai e forma-se um carbocátion — exatamente como na SN1. Na segunda, uma base fraca arranca um próton de um carbono vizinho e a dupla ligação se forma. Como passa pelo mesmo carbocátion, a E1 compete diretamente com a SN1: o mesmo intermediário pode ser atacado pelo nucleófilo (substituição) ou perder um próton (eliminação). Em geral, o aquecimento desloca essa disputa a favor da eliminação.
Exemplo:
(CH3)3CBr → (CH3)3C+ + Br- (etapa lenta)
(CH3)3C+ + H2O → (CH3)2C=CH2 + H3O+ (etapa rápida)
Quando a E1 predomina? Com substratos terciários, bases fracas e solventes polares próticos, quase sempre junto com a SN1. Como o carbocátion está no meio do caminho, rearranjos também podem acontecer aqui, mudando a posição da dupla ligação no produto final.
Tabela comparativa: SN1 x SN2 x E1 x E2
| Característica | SN1 | SN2 | E1 | E2 |
|---|---|---|---|---|
| Número de etapas | 2 | 1 | 2 | 1 |
| Etapa determinante | Saída do grupo abandonador | Ataque do nucleófilo por trás | Saída do grupo abandonador | Retirada do próton e saída do grupo abandonador |
| Intermediário | Carbocátion | Nenhum (só estado de transição) | Carbocátion | Nenhum (só estado de transição) |
| Substrato preferido | Terciário | Metílico e primário | Terciário | Secundário e terciário |
| Nucleófilo / base | Nucleófilo fraco | Nucleófilo forte | Base fraca | Base forte |
| Solvente favorável | Polar prótico | Polar aprótico | Polar prótico | Polar aprótico ou concentrado |
| Estereoquímica | Racemização (mistura racêmica) | Inversão de configuração | Sem exigência de inversão; forma o alceno mais estável | Exige hidrogênio e grupo abandonador em posição antiperiplanar |
| Velocidade depende de | Só do substrato | Substrato e nucleófilo | Só do substrato | Substrato e base |
| Produto principal | Produto de substituição | Produto de substituição | Alceno (regra de Zaitsev) | Alceno (regra de Zaitsev; Hofmann com base volumosa) |
| Rearranjo possível? | Sim | Não | Sim | Não |
Como decidir o mecanismo na hora da prova
Na hora da questão, siga este roteiro mental, nesta ordem:
- Olhe o substrato. Terciário? Pense em SN1/E1. Primário ou metílico? Pense em SN2 (ou E2, se a base for forte e volumosa). Secundário? Aí o reagente e o solvente decidem.
- Olhe o reagente. Nucleófilo forte e pouco básico favorece substituição; base forte favorece eliminação. Reagente fraco com substrato terciário aponta para SN1/E1.
- Olhe o solvente e a temperatura. Solvente polar prótico favorece o caminho com carbocátion (SN1/E1); polar aprótico favorece SN2. Calor favorece eliminação.
- Confira rearranjo e estereoquímica. Se há carbocátion, pergunte se ele pode ficar mais estável migrando. Se o carbono é quiral, pergunte se há inversão (SN2) ou racemização (SN1).
Substrato, nucleófilo e solvente: a segunda tabela
| Situação | Mecanismo mais provável | Por quê |
|---|---|---|
| Haleto primário + nucleófilo forte | SN2 | Pouco impedimento e ataque direto por trás |
| Haleto primário + base forte e volumosa | E2 | A base não alcança o carbono e arranca um hidrogênio |
| Haleto secundário + nucleófilo forte | SN2 (com alguma E2) | O ataque ainda é viável, mas a eliminação compete |
| Haleto secundário + base forte | E2 | A base forte puxa a reação para a eliminação |
| Haleto terciário + nucleófilo fraco | SN1 (com E1) | Forma carbocátion estável; o ataque vem depois |
| Haleto terciário + base forte | E2 | A base forte elimina antes de qualquer substituição |
| Haleto terciário + calor | E1 (com SN1) | O calor favorece a formação do alceno |
Para revisar as bases desse conteúdo, vale passar pela lista de matérias de Química e pela sala de estudo, onde os temas de química orgânica aparecem organizados por assunto. Quem está se preparando para o vestibular também pode usar essa tabela como resumo de revisão na véspera da prova.


Mapa mental
- Mecanismos de reações orgânicas
- Substituição nucleofílica
- SN2: 1 etapa, ataque por trás, inversão, substrato primário, nucleófilo forte, solvente polar aprótico
- SN1: 2 etapas, carbocátion, racemização, substrato terciário, nucleófilo fraco, solvente polar prótico, pode rearranjar
- Eliminação
- E2: 1 etapa, base forte, antiperiplanar, regra de Zaitsev, Hofmann com base volumosa
- E1: 2 etapas, carbocátion, base fraca, compete com SN1, calor favorece
- Para decidir: substrato → reagente → solvente → temperatura → rearranjo e estereoquímica
- Substituição nucleofílica
SAQ — Perguntas curtas com resposta
- O que é um nucleófilo? Uma espécie rica em elétrons que ataca um carbono com carga parcial positiva, como OH- e CN-.
- O que é um grupo abandonador? O grupo que sai da molécula levando o par de elétrons da ligação; bons grupos abandonadores são bases fracas, como Br- e I-.
- Por que o carbocátion terciário é mais estável que o primário? Porque os grupos alquila ao redor doam densidade eletrônica e espalham a carga positiva, estabilizando o carbono.
- Quantas etapas tem a SN2 e qual é a sua estereoquímica? Uma única etapa, com inversão de configuração, porque o ataque acontece por trás do grupo abandonador.
- Por que a SN1 gera racemização? Porque o carbocátion é plano e pode ser atacado pelos dois lados, formando os dois enantiômeros em quantidades iguais.
- O que diz a regra de Zaitsev? Que, na eliminação, predomina o alceno mais substituído, ou seja, o mais estável.
- Qual é a diferença central entre E1 e E2? A E1 tem duas etapas e passa por um carbocátion; a E2 acontece em uma única etapa, com a base arrancando o próton ao mesmo tempo em que o grupo abandonador sai.
- Quando a eliminação vence a substituição? Com base forte, substrato volumoso e aquecimento — condições que favorecem a retirada do hidrogênio em vez do ataque ao carbono.
Questões comentadas
Questão 1. Um estudante reage brometo de metila com íons hidróxido em acetona e obtém metanol rapidamente. O mecanismo dessa reação é melhor descrito como:
a) SN1, com formação de carbocátion metílico.
b) SN2, em uma única etapa, com inversão de configuração.
c) E1, com formação de alceno.
d) E2, com saída simultânea de hidrogênio e brometo.
e) SN1, com racemização do produto.
Gabarito: B. O brometo de metila é o substrato menos impedido que existe, e a acetona é um solvente polar aprótico, que deixa o nucleófilo livre para atacar. A reação acontece em uma etapa, com ataque por trás e inversão de configuração. Não há carbocátion metílico estável para justificar SN1, e não há eliminação, porque o produto é um álcool, não um alceno.
Questão 2. Ao reagir 2-bromo-2-metilpropano com água, um estudante observa que a velocidade da reação não muda quando ele dobra a concentração de água. Esse resultado indica um mecanismo do tipo:
a) SN2, pois a velocidade depende dos dois reagentes.
b) E2, pois a base participa da etapa lenta.
c) SN1, pois a etapa lenta envolve apenas o substrato.
d) E1, pois não há formação de produto de substituição.
e) SN2, pois o substrato é terciário.
Gabarito: C. Se dobrar a concentração do nucleófilo não altera a velocidade, o nucleófilo não participa da etapa lenta. Isso é a marca da SN1: a etapa lenta é só a saída do grupo abandonador, formando o carbocátion terciário, e a água só entra na segunda etapa. Substrato terciário também não faz SN2, por impedimento estérico.
Questão 3. Um haleto de alquila quiral sofre substituição e o produto obtido é uma mistura que não desvia a luz polarizada. O mecanismo mais provável e a explicação para o resultado são:
a) SN2, porque o ataque por trás inverte a configuração.
b) SN1, porque o carbocátion plano é atacado pelos dois lados.
c) E2, porque a dupla ligação elimina o centro quiral.
d) SN1, porque o nucleófilo ataca sempre pelo mesmo lado.
e) E2, porque a base forte impede a racemização.
Gabarito: B. A mistura que não desvia a luz polarizada é uma mistura racêmica: os dois enantiômeros se cancelam. Isso acontece na SN1, porque o carbocátion intermediário é plano e o nucleófilo pode atacá-lo por cima ou por baixo, com igual probabilidade. Na SN2, haveria inversão, mas o produto continuaria opticamente ativo.
Questão 4. Na reação de 2-bromobutano com hidróxido de potássio concentrado e aquecido, o produto majoritário é o 2-buteno, e não o 1-buteno. Esse resultado é explicado por:
a) Inversão de configuração na SN2.
b) Racemização na SN1.
c) Regra de Zaitsev, que favorece o alceno mais substituído.
d) Rearranjo do carbocátion na E1.
e) Efeito do solvente polar aprótico na SN1.
Gabarito: C. Com base forte e aquecimento, predomina a eliminação E2. Entre os hidrogênios vizinhos possíveis, a base retira preferencialmente o do carbono mais substituído, formando o alceno mais substituído e mais estável: o 2-buteno. O 1-buteno até se forma, mas em menor quantidade.
Questão 5. Um químico planeja transformar um haleto terciário em um álcool, sem formar alceno como produto principal. A melhor escolha de condições é:
a) Base forte e concentrada, com aquecimento.
b) Nucleófilo fraco, solvente polar prótico, sem aquecimento forte.
c) Nucleófilo forte em solvente polar aprótico.
d) Base volumosa em alta temperatura.
e) Solvente apolar, sem nucleófilo.
Gabarito: B. Haleto terciário com nucleófilo fraco e solvente polar prótico segue o caminho SN1, com formação do álcool. Base forte e calor empurrariam a reação para a eliminação (E2 ou E1), gerando o alceno como produto principal. Nucleófilo forte em solvente aprótico favorece SN2, que não funciona bem com substrato terciário, por impedimento estérico.
Questão 6. Considere a reação de 2-bromopropano com cianeto em acetona e a reação do mesmo substrato com água. A primeira reação é mais rápida e segue preferencialmente SN2, enquanto a segunda é mais lenta e segue SN1. A diferença se explica porque:
a) A água é um nucleófilo mais forte que o cianeto.
b) A acetona estabiliza o carbocátion melhor que a água.
c) O cianeto é um nucleófilo forte e a acetona é polar aprótica, favorecendo o ataque direto; a água é fraca e polar prótica, favorecendo a ionização.
d) O 2-bromopropano muda de estrutura conforme o solvente.
e) A SN1 é sempre mais rápida que a SN2.
Gabarito: C. O substrato é o mesmo; o que muda é o reagente e o solvente. Cianeto forte em solvente aprótico ataca direto, em uma etapa (SN2). Água fraca em solvente prótico não ataca com força, então o caminho passa pela ionização lenta do substrato, formando o carbocátion (SN1). A velocidade da SN1 não depende do nucleófilo, e o substrato não muda de estrutura com o solvente.
Dica do professor
Não decore os quatro mecanismos isolados: decore a pergunta que resolve quase todas as questões — “o substrato é primário, secundário ou terciário, e o reagente é forte ou fraco?”. Com essa pergunta respondida, a tabela comparativa acima já aponta o mecanismo. Depois, só confira o solvente, o calor e a possibilidade de rearranjo. Na revisão final, refaça a tabela de cabeça, sem olhar: se você consegue preencher substrato, nucleófilo, solvente e estereoquímica de cada mecanismo, o tema está dominado.
Atenção/cuidado
Cuidado com três confusões clássicas. Primeira: SN1 e E1 passam pelo mesmo carbocátion e competem entre si — o produto pode ser uma mistura de álcool e alceno, e o calor pende a balança para o alceno. Segunda: nem toda reação de haleto terciário é SN1; com base forte, o caminho vira E2. Terceira: na SN2, o ataque é sempre por trás, então a inversão de configuração é obrigatória — se a questão mostra retenção de configuração, não é SN2. E nunca se esqueça de verificar o rearranjo do carbocátion em SN1 e E1 antes de dar o produto como final.
Conexão com outras áreas
Os mecanismos de substituição e eliminação reaparecem em toda a química orgânica: na formação de álcoois e éteres, na síntese de alcenos usados na indústria, e nas reações de compostos presentes em medicamentos, em que a estereoquímica do produto pode mudar completamente o efeito no organismo. A ideia de carbocátion e de estabilidade por efeito de grupos alquila também ajuda a entender reações de adição a alcenos e a reatividade de álcoois. Em biologia, a lógica é a mesma: enzimas aceleram reações estabilizando estados de transição e intermediários, exatamente como o solvente e a estrutura do substrato fazem aqui.
Incidência 🔥 Quente
Incidência 🔥 Quente: mecanismos de reações orgânicas estão entre os temas mais cobrados de química orgânica no ENEM e nos vestibulares, porque permitem testar, em uma única questão, estrutura do substrato, força do nucleófilo, solvente, estereoquímica e previsão de produto. Vale revisão completa antes da prova.



