
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é o tecido nervoso
- O neurônio: estrutura e função
- As células da glia
- A bainha de mielina e o impulso saltatório
- O impulso nervoso: potencial de repouso e potencial de ação
- A sinapse: a passagem da informação
- Substância cinzenta e substância branca
- Tabelas comparativas
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas curtas para revisar
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
Resumo rápido
O tecido nervoso é o tecido da comunicação rápida do corpo: ele recebe estímulos, processa informações e comanda respostas em frações de segundo. Sua célula principal é o neurônio, formado por dendritos, que recebem o estímulo, corpo celular, que concentra o núcleo e a maior parte do metabolismo, e axônio, que transmite o impulso até a próxima célula. Ajudando os neurônios, há as células da glia, que sustentam, nutrem, isolam e defendem o tecido nervoso. A comunicação entre neurônios acontece nas sinapses, quase sempre químicas, com neurotransmissores, e o impulso nervoso viaja como uma onda de despolarização da membrana, mais rápido quando o axônio tem bainha de mielina. Para o ENEM e os vestibulares, o mais cobrado é a estrutura do neurônio, a sinapse, a mielina e a diferença entre os sistemas nervosos central e periférico.
Em uma frase: o tecido nervoso transmite informação depressa pelo neurônio e pela sinapse, com a glia sustentando todo o sistema.
O que é o tecido nervoso
O tecido nervoso é um dos quatro tecidos fundamentais do corpo humano, ao lado do epitelial, do conjuntivo e do muscular. Ele se origina do ectoderma, o folheto embrionário mais externo, que também forma a epiderme da pele — o que faz sentido, já que a pele é um grande órgão sensorial, cheio de terminações nervosas. Diferente do que acontece em outros tecidos, os neurônios, em sua grande maioria, não se dividem depois de formados: lesões no tecido nervoso central, por isso, costumam deixar sequelas permanentes, embora as células da glia possam se multiplicar.
O tecido nervoso forma o sistema nervoso, dividido em central e periférico. O sistema nervoso central é o encéfalo, dentro do crânio, e a medula espinal, dentro da coluna vertebral, protegidos por ossos e por três membranas, as meninges. O sistema nervoso periférico é formado pelos nervos, feixes de axônios que saem do sistema central e chegam a todos os órgãos, e pelos gânglios, agrupamentos de corpos celulares de neurônios fora do sistema central.
Para revisar os tecidos em conjunto, vale voltar à Biologia na sala de estudo e comparar este tema com as matérias de tecido epitelial e tecido muscular, sempre na sala de estudo do Clique Vestibular.
O neurônio: estrutura e função
O neurônio é uma célula altamente especializada, com uma forma que denuncia sua função: prolongamentos que captam e transmitem informação. Suas partes principais são:
- Dendritos: prolongamentos curtos e muito ramificados, que recebem os estímulos vindos de outros neurônios ou do ambiente e os conduzem em direção ao corpo celular. Quanto mais ramificado, maior a área de recepção do neurônio.
- Corpo celular: também chamado de pericário ou soma, contém o núcleo e a maior parte das organelas. É o centro metabólico do neurônio: é nele que se produzem as proteínas e os neurotransmissores que serão transportados pelo axônio.
- Axônio: prolongamento longo e geralmente único, que conduz o impulso nervoso do corpo celular até as terminações, onde ele será passado adiante. Um axônio pode medir de milímetros a mais de um metro, como os que vão da medula até os pés.
Quanto ao número de prolongamentos, os neurônios podem ser multipolares, com vários dendritos e um axônio, o tipo mais comum no sistema nervoso central; bipolares, com um dendrito e um axônio, comuns em órgãos dos sentidos como a retina e o olfato; e pseudounipolares, com um único prolongamento que se bifurca, típicos dos neurônios sensitivos dos gânglios.
Quanto à função, os neurônios se dividem em sensitivos ou aferentes, que levam a informação dos receptores para o sistema central; motores ou eferentes, que levam a ordem do sistema central para os músculos e glândulas; e interneurônios ou associativos, que fazem a conexão entre neurônios dentro do sistema central e participam do processamento da informação.
As células da glia
Os neurônios não trabalham sozinhos: eles são sustentados, nutridos e protegidos pelas células da glia, também chamadas de neuróglia. Na verdade, as células da glia são mais numerosas que os neurônios no sistema nervoso, e sem elas os neurônios não funcionariam. As principais são:
- Astrócitos: células em forma de estrela, as mais abundantes da glia. Sustentam os neurônios, nutrem-nos, regulam a composição do ambiente ao redor deles e participam da barreira hematoencefálica, que controla o que passa do sangue para o tecido nervoso.
- Oligodendrócitos: produzem a bainha de mielina que envolve os axônios do sistema nervoso central. Um único oligodendrócito pode mielinizar trechos de vários axônios diferentes.
- Células de Schwann: produzem a bainha de mielina dos axônios do sistema nervoso periférico. Cada célula de Schwann envolve um único trecho de um único axônio.
- Micróglia: as células de defesa do sistema nervoso: realizam fagocitose, limpando restos de células e combatendo microrganismos, como os macrófagos fazem em outros tecidos.
- Células ependimárias: revestem os ventrículos do encéfalo e o canal central da medula, participando da produção e da circulação do líquido cefalorraquidiano, que protege e nutre o sistema nervoso central.
A bainha de mielina e o impulso saltatório
A bainha de mielina é um envoltório de gordura, formado por várias camadas de membrana das células da glia enroladas ao redor do axônio, com interrupções regulares chamadas nódulos de Ranvier. A mielina funciona como isolante elétrico: ela impede que a corrente elétrica vaze ao longo do axônio, de modo que o impulso só se regenera nos nódulos, “saltando” de um nódulo para o outro.
Esse é o impulso saltatório, muito mais rápido e econômico que o impulso contínuo, em que a despolarização se propaga ponto a ponto ao longo de um axônio sem mielina. Por isso, os axônios mielinizados conduzem o impulso a velocidades que podem passar de 100 metros por segundo, enquanto os amielínicos são bem mais lentos. Doenças que destroem a mielina, como a esclerose múltipla, deixam a condução lenta e descoordenada, e os sintomas mostram na prática o quanto a mielina importa.
O impulso nervoso: potencial de repouso e potencial de ação
Em repouso, a membrana do neurônio mantém uma diferença de cargas entre dentro e fora da célula, o potencial de repouso: o interior fica negativo em relação ao exterior, graças à bomba de sódio e potássio, que expulsa sódio e recolhe potássio com gasto de ATP, e à permeabilidade seletiva da membrana. Quando o neurônio é estimulado, canais de sódio se abrem, o sódio entra em massa e a membrana se despolariza: surge o potencial de ação, uma inversão rápida e passageira da polaridade, que se propaga ao longo do axônio como o impulso nervoso.
Logo depois, canais de potássio se abrem, o potássio sai e a membrana volta ao repouso, a repolarização. O potencial de ação obedece à lei do tudo ou nada: ou ele acontece por completo, ou não acontece. O que varia com a intensidade do estímulo não é o tamanho do impulso, e sim a frequência com que os potenciais de ação se repetem.
A sinapse: a passagem da informação
A sinapse é a região de comunicação entre um neurônio e outra célula, que pode ser outro neurônio, uma fibra muscular ou uma glândula. Na sinapse química, a mais comum, o impulso chega à terminação do axônio e provoca a liberação de neurotransmissores, moléculas guardadas em vesículas, na fenda sináptica, o pequeno espaço entre as duas células. O neurotransmissor se liga a receptores na membrana da célula seguinte e pode excitá-la, desencadeando um novo impulso, ou inibi-la.
Depois de agir, o neurotransmissor é removido da fenda, por recaptação ou por enzimas que o degradam, para que a sinapse possa funcionar de novo. Os neurotransmissores mais cobrados em prova são a acetilcolina, que atua na junção neuromuscular e no sistema parassimpático; a dopamina, ligada a prazer, motivação e controle motor; a serotonina, ligada a humor, sono e apetite; e a adrenalina, ligada à resposta de luta ou fuga. Na sinapse elétrica, mais rara nos vertebrados, as células se comunicam diretamente por junções comunicantes, sem neurotransmissor, com transmissão quase instantânea — é o caso, por exemplo, de parte da comunicação no músculo cardíaco.
Substância cinzenta e substância branca
Quando se observa o sistema nervoso central, duas regiões se destacam pela cor. A substância cinzenta é formada principalmente por corpos celulares de neurônios e dendritos, e aparece no córtex cerebral, na parte externa do cérebro, e no interior da medula, em forma de borboleta. A substância branca é formada principalmente por axônios mielinizados, e a cor esbranquiçada vem justamente da mielina. No cérebro, a branca fica por dentro; na medula, por fora — uma inversão que cai com frequência em prova.
Os nervos do sistema periférico são feixes de axônios envolvidos por tecido conjuntivo, e podem ser sensitivos, motores ou mistos, quando carregam os dois tipos de fibra. Já os gânglios são aglomerados de corpos celulares fora do sistema central, como os gânglios sensitivos das raízes dorsais dos nervos espinais.
Tabelas comparativas
Partes do neurônio
| Parte | Forma | Função |
|---|---|---|
| Dendritos | Curtos e ramificados | Recebem o estímulo e o levam ao corpo celular |
| Corpo celular | Contém o núcleo | Centro metabólico; produz proteínas e neurotransmissores |
| Axônio | Longo, geralmente único | Conduz o impulso até as terminações |
| Bainha de mielina | Envoltório de gordura, com nódulos | Isola o axônio e acelera o impulso |
| Terminações | Ramificações finais do axônio | Liberam neurotransmissores na sinapse |
Células da glia
| Célula | Onde atua | Função principal |
|---|---|---|
| Astrócito | Sistema central | Sustenta, nutre e participa da barreira hematoencefálica |
| Oligodendrócito | Sistema central | Produz mielina de vários axônios |
| Célula de Schwann | Sistema periférico | Produz mielina de um trecho de um axônio |
| Micróglia | Sistema central | Defesa por fagocitose |
| Ependimária | Ventrículos e canal central | Produção e circulação do líquido cefalorraquidiano |
Axônio com mielina x sem mielina
| Característica | Com mielina | Sem mielina |
|---|---|---|
| Tipo de impulso | Saltatório, de nódulo em nódulo | Contínuo, ponto a ponto |
| Velocidade | Alta, acima de 100 metros por segundo | Baixa |
| Gasto de energia | Menor, poucos pontos de regeneração | Maior, regeneração em toda a membrana |
| Exemplo | Axônios motores grossos | Fibras finas, como as da dor lenta |


Mapa mental
Tecido nervoso → origem: ectoderma → células: neurônio (dendritos recebem, corpo celular comanda, axônio transmite) + glia (astrócito, oligodendrócito, Schwann, micróglia, ependimária) → impulso: potencial de repouso (bomba de sódio e potássio) → potencial de ação (lei do tudo ou nada) → mielina: impulso saltatório nos nódulos de Ranvier, mais rápido → sinapse: química, com neurotransmissores (acetilcolina, dopamina, serotonina, adrenalina), ou elétrica → sistemas: central (encéfalo e medula, meninges) x periférico (nervos e gânglios) → cinzenta (corpos celulares) x branca (axônios mielinizados).
SAQ — Perguntas curtas para revisar
- Quais são as três partes do neurônio e qual é a função de cada uma?
- Diferencie neurônio sensitivo, motor e interneurônio quanto ao sentido da informação.
- O que é a bainha de mielina, quem a produz no sistema central e quem a produz no periférico?
- Por que o impulso saltatório é mais rápido que o impulso contínuo?
- Explique o potencial de repouso e o potencial de ação, citando sódio, potássio e ATP.
- O que é a lei do tudo ou nada e o que varia quando o estímulo fica mais forte?
- Descreva as etapas de uma sinapse química, da chegada do impulso à remoção do neurotransmissor.
- Por que a substância cinzenta e a branca trocam de posição entre o cérebro e a medula, e do que cada uma é formada?
Questões comentadas
Questão 1
Um neurônio é estimulado em seus dendritos e o impulso viaja até as terminações do axônio, onde um neurotransmissor é liberado. A ordem correta do caminho do impulso dentro desse neurônio é:
A) axônio → corpo celular → dendritos.
B) dendritos → corpo celular → axônio.
C) corpo celular → dendritos → axônio.
D) sinapse → dendritos → axônio.
E) axônio → dendritos → corpo celular.
Resposta: B. O estímulo é recebido pelos dendritos, passa pelo corpo celular e segue pelo axônio até as terminações, onde acontece a sinapse com a próxima célula.
Questão 2
A bainha de mielina é produzida, no sistema nervoso central, pelos oligodendrócitos, e, no sistema nervoso periférico, pelas células de Schwann. Uma das diferenças entre essas duas células é que:
A) o oligodendrócito mieliniza trechos de vários axônios, enquanto cada célula de Schwann envolve um único trecho de um único axônio.
B) a célula de Schwann atua no sistema central e o oligodendrócito, no periférico.
C) o oligodendrócito realiza fagocitose e a célula de Schwann, não.
D) a célula de Schwann produz o líquido cefalorraquidiano.
E) o oligodendrócito é um neurônio, e a célula de Schwann, não.
Resposta: A. Um oligodendrócito pode estender prolongamentos para mielinizar vários axônios, enquanto cada célula de Schwann se enrola em torno de um só trecho de um só axônio. As duas são células da glia, não neurônios.
Questão 3
Em um axônio mielinizado, o impulso nervoso se propaga de forma saltatória, regenerando-se apenas nos nódulos de Ranvier. Em comparação com a condução contínua, a condução saltatória é:
A) mais lenta e com maior gasto de energia.
B) mais rápida e com menor gasto de energia.
C) mais lenta, mas com menor gasto de energia.
D) igual em velocidade, diferindo apenas na direção.
E) impossível em vertebrados.
Resposta: B. Como o impulso só se regenera nos nódulos, ele “salta” entre eles, o que aumenta a velocidade e reduz o número de pontos em que a membrana precisa ser despolarizada, economizando energia.
Questão 4
Na sinapse química, a chegada do potencial de ação à terminação do axônio provoca a liberação, na fenda sináptica, de uma substância que se liga a receptores na célula seguinte. Essa substância é o:
A) hormônio.
B) neurotransmissor.
C) anticorpo.
D) ATP.
E) líquido cefalorraquidiano.
Resposta: B. O neurotransmissor, guardado em vesículas na terminação do axônio, é liberado na fenda sináptica e se liga a receptores da célula pós-sináptica, podendo excitá-la ou inibi-la.
Questão 5
Uma doença destrói progressivamente a bainha de mielina dos axônios do sistema nervoso central. O sintoma mais esperado, do ponto de vista da condução do impulso, é:
A) aumento da velocidade de condução, com reflexos exagerados.
B) condução lenta e descoordenada, com fraqueza e perda de coordenação motora.
C) produção excessiva de neurotransmissores.
D) multiplicação descontrolada de neurônios.
E) ausência completa de sinapses químicas.
Resposta: B. Sem a mielina isolante, o impulso deixa de saltar entre os nódulos e a condução fica lenta e falha, o que se traduz em fraqueza, formigamento e perda de coordenação, como acontece na esclerose múltipla.
Questão 6
Em repouso, o interior do neurônio é negativo em relação ao exterior, e essa diferença é mantida pela bomba de sódio e potássio, com gasto de ATP. Quando o neurônio é estimulado, o primeiro evento da despolarização é:
A) a saída em massa de potássio.
B) a entrada em massa de sódio pelos canais que se abrem.
C) a liberação de mielina na fenda sináptica.
D) a recaptação de neurotransmissores.
E) o fechamento de todos os canais iônicos.
Resposta: B. A despolarização começa com a abertura de canais de sódio e a entrada rápida de sódio, que torna o interior da célula menos negativo. A saída de potássio vem depois, na repolarização.
Dica do professor
Decore o neurônio por uma frase: dendrito recebe, corpo comanda, axônio transmite. E decore a glia por pares: central tem oligodendrócito, periférico tem Schwann; defesa é micróglia; nutrição e barreira é astrócito. Quando a questão falar em velocidade, pense logo em mielina e nódulo de Ranvier; quando falar em comunicação entre células, pense em sinapse e neurotransmissor.
Atenção/cuidado
Cuidado com quatro confusões frequentes: (1) mielina não é produzida pelo neurônio, e sim pelas células da glia — oligodendrócito no central, Schwann no periférico; (2) sinapse elétrica e química são diferentes: a elétrica é direta e quase instantânea, a química usa neurotransmissor e fenda sináptica; (3) substância cinzenta e branca trocam de lugar entre cérebro e medula: no cérebro, a cinzenta fica por fora; na medula, por dentro; (4) o potencial de ação não varia de tamanho com o estímulo — o que varia é a frequência dos impulsos, pela lei do tudo ou nada.
Conexão com outras áreas
O tecido nervoso conecta a histologia à fisiologia, à farmacologia e à saúde: muitos remédios atuam justamente na sinapse, aumentando ou bloqueando a ação de neurotransmissores, como os antidepressivos que agem sobre a serotonina. O sistema nervoso também comanda o músculo — a placa motora, vista na matéria de tecido muscular, nada mais é que uma sinapse entre neurônio e fibra muscular, com acetilcolina. E a relação com o sistema endócrino forma o eixo neuroendócrino, em que estímulos nervosos comandam a liberação de hormônios, como a adrenalina em situações de estresse. Para seguir nos estudos de vestibular, vale revisar também a matéria de tecido sanguíneo, que mostra como o sangue nutre esse tecido tão exigente em energia.
Incidência
♨️ Morno. Tecido nervoso aparece com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, geralmente em questões sobre a estrutura do neurônio, a sinapse com neurotransmissores, a mielina e o impulso saltatório, ou a divisão entre sistema nervoso central e periférico. É um tema de base: dominá-lo facilita as questões sobre fisiologia, sentidos, hormônios e doenças do sistema nervoso.



