Sala de estudos

Moluscos: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Moluscos são animais de corpo mole com manto, concha e rádula: conheça as classes, a anatomia e o que mais cai no ENEM e nos vestibulares.

Ilustração estilo Pixar de um caracol, um mexilhão e um polvo simpáticos em um recife de coral, com peixinhos ao redor.
Ilustração estilo Pixar de um caracol, um mexilhão e um polvo simpáticos em um recife de coral, com peixinhos ao redor.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Características gerais dos moluscos
  3. O manto, a concha e a rádula
  4. As classes dos moluscos: gastrópodes, bivalves e cefalópodes
  5. Os sistemas dos moluscos
  6. Reprodução e desenvolvimento dos moluscos
  7. Importância ecológica e econômica dos moluscos
  8. Mapa mental
  9. SAQ — Perguntas e respostas curtas
  10. Questões comentadas
  11. Dica do professor
  12. Atenção / cuidado
  13. Conexão com outras áreas

Resumo rápido

Os moluscos são animais de corpo mole, na maioria das vezes protegidos por uma concha, que formam o segundo maior filo do reino animal em número de espécies, atrás apenas dos artrópodes. O nome do filo é Mollusca, que vem do latim mollis, que significa mole — e é justamente essa a marca do grupo: um corpo macio, sem esqueleto interno, organizado em três partes principais, a cabeça, o pé muscular e a massa visceral, quase sempre envolvido por uma dobra de pele chamada manto. Caracóis, lesmas, mexilhões, ostras, vieiras, lulas, polvos e náutilos são todos moluscos, apesar de parecerem muito diferentes entre si à primeira vista.

É um tema de incidência ♨️ Morno no ENEM e nos vestibulares, e costuma aparecer em questões de Biologia sobre zoologia, classificação animal, anatomia comparada e ecologia. Os pontos mais cobrados são as características gerais do filo, a função do manto e da rádula, as diferenças entre as três grandes classes — gastrópodes, bivalves e cefalópodes — e a importância ecológica e econômica do grupo, incluindo a maricultura e os impactos da poluição sobre os ambientes aquáticos.

Em resumo: molusco é animal triblástico, celomado, com simetria bilateral, corpo dividido em cabeça, pé e massa visceral, com manto que secreta a concha, cavidade do manto com brânquias e uma estrutura raspadora exclusiva do filo, a rádula, presente na maioria dos grupos. Se você lembrar de “manto, concha, rádula e pé”, já tem o esqueleto da matéria na cabeça — e, a partir dele, fica fácil diferenciar um caracol de um mexilhão e um polvo.

Características gerais dos moluscos

Os moluscos são animais invertebrados, multicelulares, heterótrofos e de simetria bilateral, ou seja, o corpo pode ser dividido em duas metades semelhantes por um único plano. Eles são triblásticos, porque o embrião forma três folhetos germinativos — ectoderma, mesoderma e endoderma — e celomados, porque possuem uma cavidade corporal revestida por mesoderma, o celoma, ainda que, em muitos moluscos adultos, esse celoma fique reduzido à cavidade ao redor do coração e das gônadas. O sistema digestório é completo, com boca e ânus, o que permite uma digestão mais eficiente do que a dos animais com tubo digestório incompleto.

O tamanho dos moluscos varia de forma impressionante, e esse contraste costuma render exemplos em prova. Há espécies com poucos milímetros, como alguns caramujos de água doce, e há gigantes como a lula-colossal, que pode passar de dez metros de comprimento, e o marisco-gigante, cuja concha pode ultrapassar um metro. A maioria vive no mar, mas há moluscos de água doce e terrestres, como os caracóis de jardim e as lesmas, que conquistaram o ambiente terrestre sem abandonar a necessidade de umidade: é por isso que eles aparecem mais em dias úmidos e se escondem do sol forte, para não desidratar.

Apesar da diversidade de formas, quase todos os moluscos seguem o mesmo plano corporal básico, que é justamente o que as provas cobram quando pedem a característica que define o filo. A cabeça concentra os órgãos dos sentidos — olhos, tentáculos e, em muitos grupos, uma boca com rádula. O pé muscular serve para a locomoção, para a fixação e, em alguns casos, para cavar na areia ou no lodo. A massa visceral abriga os órgãos internos: sistema digestório, coração, gônadas e órgãos excretores. Envolvendo a massa visceral, fica o manto, uma dobra da parede do corpo que secreta a concha e delimita a cavidade do manto, onde ficam as brânquias, o ânus e as aberturas dos sistemas excretor e reprodutor.

Outra característica importante é que os moluscos não têm esqueleto interno articulado nem exoesqueleto de quitina, como os artrópodes. A proteção vem da concha, quando ela existe, e da própria musculatura do corpo. Por isso, os cefalópodes, como polvos e lulas, que perderam ou reduziram muito a concha, compensam a falta de proteção com velocidade, camuflagem, tinta e inteligência — um conjunto de estratégias que faz deles os invertebrados com o comportamento mais complexo que se conhece.

O manto, a concha e a rádula

Se você tiver que decorar apenas três estruturas dos moluscos, decore o manto, a concha e a rádula, porque são elas que aparecem em quase todas as questões do tema. O manto é uma dobra de tecido que recobre a massa visceral e forma uma cavidade, a cavidade do manto, onde a água circula. Nas formas aquáticas, é nessa cavidade que ficam as brânquias, responsáveis pela respiração. O manto também é o responsável pela produção da concha: suas células secretam carbonato de cálcio e uma matriz orgânica, que se depositam em camadas e formam a concha.

A concha dos moluscos é formada, em geral, por três camadas: uma camada externa orgânica, o perióstraco; uma camada intermediária prismática, de cristais de carbonato de cálcio; e uma camada interna nacarada, o nácar, que dá origem à madrepérola das ostras. A concha protege contra predadores e contra a desidratação, e funciona também como um registro da história do animal: as linhas de crescimento da concha marcam períodos de crescimento mais rápido ou mais lento, de forma parecida com os anéis de crescimento das árvores. Nos gastrópodes, a concha é única e geralmente enrolada em espiral; nos bivalves, são duas valvas articuladas por uma dobradiça; nos cefalópodes, ela é interna e reduzida, como a pena da lula, ou ausente, como no polvo — com a exceção do náutilo, que mantém uma concha externa compartimentada.

A rádula é uma estrutura exclusiva dos moluscos e um dos melhores exemplos de adaptação alimentar do filo. Trata-se de uma espécie de língua raspadora, uma membrana coberta por fileiras de pequenos dentes de quitina, que funciona como uma lixa: o animal raspa algas das rochas, perfura conchas de outros animais ou tritura o alimento antes de engoli-lo. A forma da rádula varia conforme a dieta, e por isso ela é usada até para identificar espécies. Atenção a um detalhe que cai muito em prova: os bivalves, como mexilhões e ostras, não têm rádula, porque são filtradores e se alimentam de partículas suspensas na água, sem precisar raspar nada. Se a questão disser que todo molusco tem rádula, ela está errada — a exceção são justamente os bivalves.

Essas três estruturas se combinam de jeitos diferentes em cada classe, e é essa combinação que explica a diversidade do filo. O caracol usa o pé para rastejar e a rádula para raspar algas; o mexilhão usa o pé para se fixar com o bisso, um conjunto de fios proteicos, e filtra a água com as brânquias; o polvo usa os braços para capturar a presa e um bico córneo, associado à rádula, para despedaçá-la. Entender a função de cada estrutura, e não apenas o nome, é o que transforma a decoreba em acerto na prova.

As classes dos moluscos: gastrópodes, bivalves e cefalópodes

Os moluscos são divididos em várias classes, mas três delas concentram quase todas as espécies e praticamente todas as questões de prova: Gastropoda, Bivalvia e Cephalopoda. Além delas, vale conhecer de nome os poliplacóforos, os quítons, com oito placas na concha, e os escafópodes, os moluscos de concha em forma de dente de elefante, que vivem enterrados na areia. Para o ENEM e os vestibulares, porém, o trio principal resolve a imensa maioria das questões.

Os gastrópodes (Gastropoda) são a maior classe, com caracóis, caramujos e lesmas. O nome significa “pé no estômago”, porque o pé muscular fica na parte de baixo do corpo, e o animal rasteja sobre ele. A maioria tem concha única e enrolada em espiral, e a cabeça é bem desenvolvida, com tentáculos e olhos. Durante o desenvolvimento, os gastrópodes passam pela torção, um giro de 180 graus da massa visceral que coloca a cavidade do manto e o ânus para a frente, sobre a cabeça — um processo estranho, mas fundamental, que as provas adoram cobrar. As lesmas são gastrópodes que perderam a concha ao longo da evolução, ou a mantêm reduzida internamente, e por isso dependem ainda mais de ambientes úmidos. O caramujo de jardim e o escargot, usado na culinária, são gastrópodes terrestres; já o caramujo Biomphalaria é o hospedeiro intermediário do parasita causador da esquistossomose, um exemplo clássico de molusco com importância para a saúde pública.

Os bivalves (Bivalvia) são os moluscos de duas conchas, como mexilhões, ostras, vieiras, berbigões e mariscos. O nome já entrega a característica principal: bi, dois, e valva, cada metade da concha, unidas por uma dobradiça e por músculos adutores, que fecham as valvas com força. Os bivalves não têm cabeça diferenciada nem rádula, e se alimentam por filtração: a água entra pela cavidade do manto, passa pelas brânquias, onde as partículas de alimento ficam retidas em muco, e sai pelo sifão exalante. Um único mexilhão pode filtrar dezenas de litros de água por dia, o que faz dos bivalves excelentes bioindicadores: eles acumulam poluentes e microrganismos da água, e por isso a qualidade da água onde vivem precisa ser monitorada antes do consumo. As ostras, além do valor alimentar, produzem pérolas quando um corpo estranho, como um grão de areia, fica preso entre o manto e a concha e é recoberto por camadas de nácar.

Os cefalópodes (Cephalopoda) são os moluscos mais derivados e de comportamento mais complexo: polvos, lulas, sépias e náutilos. O nome significa “pé na cabeça”, porque o pé se modificou em braços e tentáculos ao redor da boca. Eles têm cabeça grande, olhos bem desenvolvidos, semelhantes aos dos vertebrados, sistema nervoso concentrado e um cérebro grande, o que lhes permite aprender, resolver problemas simples e mudar de cor rapidamente graças a células especiais da pele, os cromatóforos. A locomoção é por propulsão a jato: o animal expulsa água com força por um funil, o sifão, e se desloca para trás. Polvos têm oito braços com ventosas; lulas têm oito braços e dois tentáculos mais longos; o náutilo, o mais primitivo do grupo, tem dezenas de tentáculos sem ventosas e uma concha externa compartimentada, que ele usa para controlar a flutuação. Muitos cefalópodes liberam tinta para confundir predadores, uma defesa química famosa que também aparece nas questões.

ClasseConchaCabeça e rádulaLocomoção e alimentaçãoExemplos
Gastropoda (gastrópodes)Única, geralmente enrolada em espiral; ausente ou reduzida nas lesmasCabeça bem desenvolvida, com tentáculos e olhos; rádula presenteRasteja com o pé muscular; raspa algas e outros alimentos com a rádulaCaracol, caramujo, lesma
Bivalvia (bivalves)Duas valvas articuladas por dobradiçaSem cabeça diferenciada; sem rádulaSéssil ou pouco móvel; filtra partículas da água com as brânquiasMexilhão, ostra, vieira, marisco
Cephalopoda (cefalópodes)Interna e reduzida ou ausente; externa e compartimentada só no náutiloCabeça grande, olhos desenvolvidos; rádula e bico córneo presentesPropulsão a jato pelo sifão; predador ativo, captura presas com braços e tentáculosPolvo, lula, sépia, náutilo

Um truque para memorizar as classes: gastrópode anda com o pé e tem uma concha só; bivalve tem duas valvas e vive filtrando; cefalópode tem o pé na cabeça, é inteligente e se move a jato. Se a questão der a descrição da concha ou da alimentação, você chega à classe sem precisar lembrar o nome científico — e, se ela der o nome científico, a concha e a alimentação confirmam a resposta.

Os sistemas dos moluscos

O sistema digestório dos moluscos é completo e bem organizado: boca, faringe com rádula na maioria dos grupos, esôfago, estômago, intestino e ânus, que se abre na cavidade do manto. Há glândulas digestórias associadas, como a glândula digestiva, que funciona de forma parecida com um fígado, produzindo enzimas e absorvendo nutrientes. Nos gastrópodes e cefalópodes predadores, a digestão é extracelular, no tubo digestório; nos bivalves filtradores, parte da digestão acontece nas células das brânquias e da glândula digestiva. O caminho do alimento, da boca ao ânus, com a rádula triturando no início, é um roteiro que vale a pena desenhar uma vez para fixar.

O sistema circulatório é aberto na maioria dos moluscos: o coração bombeia o sangue, chamado hemolinfa, para vasos que se abrem em lacunas, espaços entre os tecidos, de onde a hemolinfa volta lentamente ao coração. Nos cefalópodes, porém, o sistema é fechado, com o sangue circulando sempre dentro de vasos, e com três corações — um sistêmico e dois branquiais — o que garante um fluxo mais rápido e sustenta o metabolismo alto desses predadores ativos, tema recorrente no ENEM. O pigmento respiratório da hemolinfa dos moluscos é a hemocianina, que contém cobre e dá uma cor azulada ao sangue, diferente da hemoglobina, com ferro, que dá a cor vermelha ao sangue dos vertebrados. Essa diferença entre hemocianina e hemoglobina é um detalhe elegante que costuma aparecer em questões de comparação entre filos.

A respiração acontece por brânquias nas formas aquáticas, localizadas na cavidade do manto, onde a água circula e as trocas gasosas ocorrem. Os gastrópodes terrestres perderam as brânquias e respiram por uma cavidade do manto vascularizada, que funciona como um pulmão primitivo — são os chamados pulmonados. Por isso, o caracol de jardim é um gastrópode pulmonado, enquanto o caramujo aquático respira por brânquias. A excreção é feita por nefrídios, órgãos excretores que removem resíduos nitrogenados, principalmente amônia nas formas aquáticas, e por metanefrídios nos grupos mais derivados. O sistema nervoso é ganglionar, com gânglios ligados por cordões nervosos, e varia de simples, nos bivalves, a muito concentrado, nos cefalópodes, que têm cérebro, olhos com cristalino e comportamentos de aprendizagem.

SistemaComo funciona nos moluscosDetalhe que cai em prova
DigestórioCompleto, com boca, rádula na maioria dos grupos, estômago, intestino e ânus na cavidade do mantoBivalves não têm rádula porque são filtradores
CirculatórioAberto na maioria; fechado nos cefalópodes, com três coraçõesHemocianina, com cobre, dá cor azulada à hemolinfa
RespiratórioBrânquias na cavidade do manto nas formas aquáticas; pulmão primitivo nos gastrópodes terrestresCaracol de jardim é pulmonado; caramujo aquático tem brânquias
ExcretorNefrídios e metanefrídios, eliminando principalmente amônia nas formas aquáticasAmônia é eliminada diluída na água, sem grande gasto de energia
NervosoGanglionar, com gânglios e cordões nervosos; muito concentrado nos cefalópodesOlhos dos cefalópodes são semelhantes aos dos vertebrados, por evolução convergente

Reprodução e desenvolvimento dos moluscos

A reprodução dos moluscos é predominantemente sexuada, com fecundação interna ou externa conforme o grupo, e desenvolvimento que pode ser direto ou indireto. Muitos gastrópodes terrestres são hermafroditas, ou seja, o mesmo indivíduo produz gametas masculinos e femininos, mas a fecundação cruzada é favorecida, com dois indivíduos trocando espermatozoides, o que aumenta a variabilidade genética. Os bivalves, em geral, têm sexos separados e liberam gametas na água, onde ocorre a fecundação externa. Os cefalópodes têm sexos separados e fecundação interna, com o macho transferindo espermatóforos, pacotes de espermatozoides, para a fêmea com um braço modificado, o hectocótilo.

O desenvolvimento dos moluscos aquáticos costuma ser indireto, com uma larva nadadora chamada trocófora, seguida, em muitos grupos, pela larva véliger, que já apresenta uma concha inicial e um véu ciliado para nadar e se alimentar. Essas larvas garantem a dispersão da espécie, já que muitos adultos são sésseis ou pouco móveis, como os bivalves fixos às rochas. Nos gastrópodes terrestres, o desenvolvimento tende a ser direto, sem larva livre: do ovo nasce um filhote já parecido com o adulto, o que faz sentido em um ambiente onde uma larva aquática não sobreviveria. A presença da larva trocófora é um elo importante na evolução animal, porque ela também aparece em anelídeos, indicando parentesco entre moluscos e anelídeos — um ponto que liga zoologia e evolução nas provas e nos vestibulares.

Alguns moluscos apresentam cuidado parental, que chama a atenção nas questões de comportamento animal. A fêmea do polvo, por exemplo, guarda os ovos, limpa-os e os oxigena com jatos de água até a eclosão, sem se alimentar nesse período, e morre pouco depois que os filhotes nascem. Já os bivalves de água doce podem incubar as larvas nas brânquias antes de liberá-las, e algumas larvas, os gloquídeos, se fixam temporariamente nas brânquias de peixes para se dispersar rio acima. São estratégias diferentes para o mesmo problema: como garantir que os filhotes cheguem a um lugar onde possam viver.

Importância ecológica e econômica dos moluscos

Na ecologia, os moluscos ocupam papéis centrais nas cadeias alimentares aquáticas e terrestres. Os bivalves filtradores limpam a água, retirando partículas, algas e bactérias, e devolvem nutrientes ao ambiente na forma de fezes e pseudofezes, que alimentam outros organismos do fundo. Os gastrópodes herbívoros controlam o crescimento de algas sobre rochas e plantas, e os cefalópodes predadores regulam populações de peixes, crustáceos e outros moluscos. Ao mesmo tempo, os moluscos servem de alimento para uma infinidade de predadores, de peixes e aves a lontras e seres humanos, ligando a base da cadeia alimentar aos consumidores maiores, como se vê na Biologia da sala de estudo.

Na economia, a importância é igualmente grande. A maricultura, o cultivo de mexilhões, ostras e vieiras, é uma atividade crescente no litoral brasileiro, especialmente em Santa Catarina, e gera renda para comunidades pesqueiras inteiras, além de fornecer um alimento rico em proteínas e minerais, assunto que também rende dicas de estudo. As pérolas, produzidas por ostras, têm alto valor comercial, e a madrepérola é usada em joias e artesanato. As conchas, depois de vazias, formam bancos de conchas que alimentam a indústria de cálcio e servem de abrigo para outros animais, como os caranguejos-ermitões, que ocupam conchas vazias de gastrópodes. O polvo e a lula são itens importantes da pesca e da culinária em todo o mundo, e a tinta dos cefalópodes já foi usada como pigmento, a famosa sépia dos desenhos antigos.

Há também o lado problemático, que as provas exploram quando ligam zoologia a saúde e meio ambiente. O mexilhão-dourado, uma espécie invasora de água doce, entope tubulações de usinas e sistemas de captação de água e compete com espécies nativas, causando prejuízos econômicos e ecológicos. O caramujo africano, outro invasor, pode transmitir parasitas e se tornar praga agrícola, devorando hortas inteiras. E o caramujo Biomphalaria, já citado, é o hospedeiro intermediário do Schistosoma mansoni, o verme causador da esquistossomose, doença ligada à falta de saneamento básico: o parasita sai do caramujo na forma de cercária, penetra na pele de quem entra em água contaminada e completa seu ciclo no ser humano. Por fim, como os bivalves filtram tanta água, eles acumulam toxinas de florações de algas, as marés vermelhas, e metais pesados, o que pode tornar seu consumo perigoso quando a água está contaminada, tema de ENEM e de vestibulares — um alerta que une ecologia, saúde pública e segurança alimentar. Para revisar outros temas de zoologia e ecologia, visite a sala de estudo e a lista de Biologia do site.

Ilustração estilo Pixar de um molusco aberto mostrando a concha, o manto, a rádula e o pé muscular no fundo do mar.
Ilustração estilo Pixar de um molusco aberto mostrando a concha, o manto, a rádula e o pé muscular no fundo do mar.
Ilustração estilo Pixar de um caracol terrestre, um mexilhão e um polvo representando a diversidade das classes dos moluscos.
Ilustração estilo Pixar de um caracol terrestre, um mexilhão e um polvo representando a diversidade das classes dos moluscos.

Mapa mental

  • Moluscos (Mollusca) — corpo mole
    • Triblásticos, celomados, simetria bilateral, sistema digestório completo
    • Marinhos em sua maioria; há espécies de água doce e terrestres
    • Segundo maior filo animal em número de espécies
  • Plano corporal
    • Cabeça: órgãos dos sentidos, boca e rádula na maioria dos grupos
    • Pé muscular: locomoção, fixação e escavação
    • Massa visceral: órgãos internos
    • Manto: envolve a massa visceral, secreta a concha e delimita a cavidade do manto
  • Manto, concha e rádula
    • Manto secreta a concha de carbonato de cálcio; cavidade do manto abriga as brânquias
    • Concha: única e enrolada nos gastrópodes, duas valvas nos bivalves, reduzida ou ausente nos cefalópodes
    • Rádula: língua raspadora exclusiva dos moluscos; ausente nos bivalves filtradores
  • Classes
    • Gastropoda: caracóis, caramujos e lesmas; pé para rastejar, torção da massa visceral
    • Bivalvia: mexilhões, ostras e vieiras; duas valvas, sem cabeça e sem rádula, filtradores
    • Cephalopoda: polvos, lulas, sépias e náutilos; pé na cabeça, propulsão a jato, sistema fechado
    • Outras: poliplacóforos (quítons) e escafópodes
  • Sistemas
    • Digestório completo; circulatório aberto, exceto nos cefalópodes, que é fechado
    • Respiração por brânquias ou por pulmão primitivo nos terrestres; hemocianina com cobre
    • Excreção por nefrídios; sistema nervoso ganglionar, concentrado nos cefalópodes
  • Reprodução
    • Sexuada; hermafroditas em muitos gastrópodes; sexos separados em bivalves e cefalópodes
    • Larvas trocófora e véliger nos aquáticos; desenvolvimento direto nos terrestres
  • Importância
    • Ecológica: filtram a água, controlam algas, alimentam predadores
    • Econômica: maricultura, pérolas, pesca de polvo e lula
    • Saúde e ambiente: esquistossomose, espécies invasoras, bioindicação da qualidade da água

SAQ — Perguntas e respostas curtas

1. O que são moluscos?
São animais invertebrados de corpo mole, do filo Mollusca, com cabeça, pé muscular, massa visceral e manto, na maioria das vezes protegidos por concha.

2. Quais são as três partes do corpo de um molusco?
Cabeça, pé muscular e massa visceral, envolvida pelo manto.

3. O que é o manto e qual é a sua função?
É a dobra de tecido que envolve a massa visceral, delimita a cavidade do manto, abriga as brânquias e secreta a concha.

4. O que é a rádula?
É uma língua raspadora com dentes de quitina, exclusiva dos moluscos, usada para raspar e triturar o alimento.

5. Por que os bivalves não têm rádula?
Porque são filtradores: capturam partículas suspensas na água com as brânquias, sem precisar raspar o alimento.

6. Como diferenciar gastrópodes, bivalves e cefalópodes?
Gastrópodes têm concha única e rastejam com o pé; bivalves têm duas valvas e filtram a água; cefalópodes têm o pé transformado em braços e tentáculos e se movem por propulsão a jato.

7. Como é a circulação dos moluscos?
Aberta na maioria dos grupos, com hemolinfa e hemocianina; fechada nos cefalópodes, que têm três corações.

8. Qual é a importância ecológica dos bivalves?
Eles filtram grandes volumes de água, retirando partículas e algas, e servem como bioindicadores da qualidade da água.

Questões comentadas

As questões abaixo são inéditas, criadas no estilo do ENEM para esta matéria — não são cópias de questões reais de prova. Para treinar mais, confira também as dicas de estudo da sala de estudo.

Questão 1. Um animal marinho de corpo mole apresenta uma dobra de tecido que secreta uma concha de carbonato de cálcio e uma estrutura raspadora na boca, usada para retirar algas das rochas. Essas duas estruturas, características do filo Mollusca, são, respectivamente:
a) o manto e a rádula.
b) a rádula e o manto.
c) o pé muscular e o bisso.
d) a cavidade do manto e o sifão.
e) o perióstraco e o nácar.
Gabarito: A. O manto secreta a concha e a rádula é a estrutura raspadora. A alternativa B inverte as funções; C cita o pé e o bisso, que não secretam concha nem raspam; D cita cavidades e sifão, não as estruturas pedidas; E cita camadas da concha, não o órgão que a produz nem a estrutura raspadora.

Questão 2. Um estudante encontrou, na praia, um molusco com duas conchas articuladas, sem cabeça diferenciada, que se alimenta de partículas suspensas na água. Esse animal pertence à classe:
a) Gastropoda.
b) Cephalopoda.
c) Bivalvia.
d) Polyplacophora.
e) Scaphopoda.
Gabarito: C. Duas valvas, ausência de cabeça e alimentação por filtração definem os bivalves. Gastrópodes (A) têm concha única e cabeça; cefalópodes (B) têm cabeça grande e são predadores; poliplacóforos (D) têm oito placas; escafópodes (E) têm concha em forma de tubo, não duas valvas.

Questão 3. Sobre a rádula dos moluscos, é correto afirmar que:
a) está presente em todos os moluscos, inclusive nos bivalves.
b) é uma estrutura de defesa que libera tinta contra predadores.
c) é uma língua raspadora com dentes de quitina, ausente nos bivalves filtradores.
d) é responsável pela secreção da concha de carbonato de cálcio.
e) é encontrada apenas nos cefalópodes, associada ao bico córneo.
Gabarito: C. A rádula raspa e tritura o alimento, mas falta nos bivalves, que filtram a água. A alternativa A ignora justamente essa exceção; B descreve a tinta dos cefalópodes; D descreve a função do manto; E restringe a rádula aos cefalópodes, quando ela existe também nos gastrópodes.

Questão 4. Polvos e lulas apresentam sistema circulatório fechado, três corações e sangue azulado, enquanto a maioria dos moluscos tem sistema aberto. A cor azulada do sangue desses animais se deve:
a) à hemoglobina, pigmento com ferro.
b) à hemocianina, pigmento com cobre.
c) à ausência de pigmento respiratório na hemolinfa.
d) à presença de clorofila absorvida das algas.
e) à tinta liberada na água durante a fuga.
Gabarito: B. A hemocianina contém cobre e dá a cor azulada à hemolinfa dos moluscos. A hemoglobina (A) tem ferro e dá cor vermelha ao sangue dos vertebrados; C está errada porque há pigmento; D confunde pigmento animal com pigmento vegetal; E confunde a tinta de defesa com o sangue.

Questão 5. Um caracol de jardim respira por uma cavidade do manto vascularizada, enquanto um caramujo aquático respira por brânquias. Essa diferença se explica porque:
a) o caracol de jardim é um bivalve e o caramujo aquático é um cefalópode.
b) o caracol de jardim é um gastrópode pulmonado e o caramujo aquático é um gastrópode branquial.
c) o caracol de jardim perdeu o manto e o caramujo aquático perdeu a rádula.
d) o caracol de jardim vive enterrado e o caramujo aquático vive fixo às rochas.
e) o caracol de jardim não tem concha e o caramujo aquático não tem pé.
Gabarito: B. Ambos são gastrópodes, mas o terrestre é pulmonado e o aquático é branquial. A alternativa A erra as classes; C inventa perdas que não ocorreram; D descreve hábitos que não explicam a respiração; E está errada, pois o caracol tem concha e o caramujo tem pé.

Questão 6. Em uma região litorânea, o cultivo de mexilhões passou a apresentar mortalidade alta após um episódio de floração de algas, e análises mostraram toxinas acumuladas nos tecidos dos animais. Esse caso ilustra que os bivalves:
a) produzem as toxinas das algas para se defender de predadores.
b) são filtradores que acumulam substâncias da água, funcionando como bioindicadores da qualidade ambiental.
c) são predadores ativos que caçam as algas com a rádula.
d) só sobrevivem em água doce, sem contato com algas marinhas.
e) eliminam as toxinas pela concha, sem acumulá-las nos tecidos.
Gabarito: B. Como filtram grandes volumes de água, os bivalves acumulam toxinas e poluentes, o que os torna bons bioindicadores — e torna arriscado o consumo quando a água está contaminada. A alternativa A inverte a origem da toxina; C descreve gastrópodes, não bivalves filtradores; D está errada, pois mexilhões são marinhos; E contradiz o acúmulo demonstrado nas análises.

Dica do professor

Decore o filo com uma frase e revise o tema na sala de estudo antes da prova: “manto faz a concha, rádula raspa, pé anda — e bivalve filtra sem rádula”. Depois, decore as classes pela concha: uma concha enrolada é gastrópode, duas valvas é bivalve, concha reduzida ou ausente com braços é cefalópode. Com essas duas frases e a tabela das classes, você resolve a maioria das questões de moluscos sem precisar reler a matéria inteira na véspera.

Atenção / cuidado

  • Não diga que todo molusco tem rádula: os bivalves são a exceção, porque são filtradores.
  • Não confunda manto com concha: o manto é o tecido que produz a concha; a concha é a estrutura de carbonato de cálcio secretada por ele.
  • Não confunda gastrópode com bivalve: o caracol tem uma concha só e cabeça com tentáculos; o mexilhão tem duas valvas e não tem cabeça diferenciada.
  • Não diga que o polvo não tem concha porque é de outro filo: ele é um molusco cefalópode cuja concha foi reduzida ou perdida ao longo da evolução.
  • Não confunda hemocianina com hemoglobina: a hemocianina tem cobre e é azulada; a hemoglobina tem ferro e é vermelha.
  • Lesma não é outro filo: é um gastrópode que perdeu a concha ou a mantém reduzida internamente.

Conexão com outras áreas

Evolução: a larva trocófora liga moluscos e anelídeos, e os olhos dos cefalópodes, semelhantes aos dos vertebrados, são um exemplo clássico de evolução convergente. Ecologia: filtração da água pelos bivalves, controle de algas pelos gastrópodes, cadeias alimentares marinhas e bioindicação da qualidade ambiental. Química: carbonato de cálcio da concha, hemocianina com cobre e a formação das pérolas a partir do nácar. Saúde pública: a esquistossomose e o papel do caramujo Biomphalaria como hospedeiro intermediário, ligada à falta de saneamento básico. Economia e Geografia: a maricultura no litoral brasileiro, a pesca de polvo e lula e os prejuízos causados por espécies invasoras como o mexilhão-dourado. Para continuar revisando zoologia, volte à lista de Biologia da sala de estudo.

Incidência: ♨️ Morno — cai no ENEM e nos vestibulares. Matéria: Biologia | Disciplina: Zoologia | Tema: Moluscos.