Sala de estudos

Peixes: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Peixes são vertebrados aquáticos que respiram por brânquias: entenda agnatos, tubarões e peixes ósseos, osmorregulação e migração no ENEM.

Ilustração estilo Pixar de um tubarão simpático sorrindo, um peixe ósseo colorido e uma lampreia simpática nadando juntos em um recife de corais, entre algas e bolhas.
Ilustração estilo Pixar de um tubarão simpático sorrindo, um peixe ósseo colorido e uma lampreia simpática nadando juntos em um recife de corais, entre algas e bolhas.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Características gerais dos peixes
  3. As três classes: agnatos, condrictes e osteíctes
  4. Respiração branquial: o fluxo contracorrente
  5. Sistema digestório e circulação simples
  6. Osmorregulação: viver em água doce ou salgada
  7. Reprodução dos peixes
  8. Migração: as grandes viagens dos peixes
  9. Importância ecológica e econômica
  10. Ameaças e conservação
  11. Mapa mental
  12. SAQ — Perguntas e respostas curtas
  13. Questões comentadas
  14. Dica do professor
  15. Atenção / cuidado
  16. Conexão com outras áreas

Resumo rápido

Peixes são os vertebrados adaptados à vida na água: respiram por brânquias, nadam com a ajuda de nadadeiras e vivem em rios, lagos e oceanos de todo o planeta, desde um riacho raso até as grandes profundidades marinhas. O tubarão, a sardinha, o dourado, o pirarucu e a lampreia são todos peixes, apesar de parecerem muito diferentes entre si — e é justamente essa diversidade que faz do tema um prato cheio para o ENEM e os vestibulares. Quando a prova fala em peixes, pode estar cobrando zoologia, fisiologia, ecologia e evolução ao mesmo tempo.

A primeira ideia a fixar é que “peixe” não é um grupo formal único, mas um jeito de vida: o de vertebrado aquático com brânquias e nadadeiras. São três grandes grupos — os agnatos, sem mandíbula, como as lampreias; os condrictes, de esqueleto cartilaginoso, como tubarões e raias; e os osteíctes, de esqueleto ósseo, como a sardinha e o tambaqui, a imensa maioria das espécies. Todos são vertebrados: têm coluna vertebral (ou, nos agnatos, uma estrutura precursora dela), crânio, sistema nervoso central e circulação fechada com coração. É um tema de incidência ♨️ Morno em Biologia, e costuma aparecer em questões sobre respiração branquial, circulação simples, osmorregulação, reprodução, migração e impactos ambientais.

Em resumo: peixe é um vertebrado aquático, de corpo geralmente fusiforme, coberto por escamas ou pele lisa, com nadadeiras pares e ímpares, brânquias, coração com duas cavidades e circulação simples, e uma estratégia própria para lidar com o sal da água, a osmorregulação. Se você lembrar de “brânquia, nadadeira, coração com duas cavidades e osmorregulação”, já tem o esqueleto da matéria — e, a partir daí, basta organizar os três grupos, os sistemas e os exemplos para gabaritar as questões.

Características gerais dos peixes

Os peixes são vertebrados, do subfilo Vertebrata, filo Chordata. Como todos os cordados, apresentam, na fase embrionária ou a vida toda, quatro características: notocorda, tubo nervoso dorsal, fendas faríngeas e cauda pós-anal. Nos adultos, a notocorda é, em geral, substituída pela coluna vertebral, e as fendas faríngeas dão origem às brânquias. Um ótimo contraste para as questões: os anelídeos, os moluscos, os cnidários e os poríferos são invertebrados, sem coluna vertebral, enquanto o peixe é vertebrado.

Quanto à organização do corpo, os peixes são triblásticos, celomados, deuterostômios e de simetria bilateral, como todos os vertebrados. O corpo é, em geral, fusiforme, afilado nas duas extremidades, um formato hidrodinâmico que reduz o atrito com a água. Há exceções: o baiacu é quase esférico e se infla para se defender; a raia é achatada para viver no fundo; o cavalo-marinho nada na vertical. Mas a regra é o corpo alongado, com cabeça, tronco e cauda, e nadadeiras que funcionam como lemes, estabilizadores e propulsores.

As nadadeiras merecem atenção especial porque caem muito em prova. As nadadeiras pares são as peitorais e as pélvicas, que correspondem, evolutivamente, aos membros dos vertebrados terrestres: estabilizam o corpo, freiam e fazem as curvas. As nadadeiras ímpares são a dorsal, a anal e a caudal, que é a principal responsável pela propulsão. Nos peixes ósseos, as nadadeiras são sustentadas por raios, moles ou espinhosos; nos tubarões, por cartilagem. A caudal pode ser homocerca, com os dois lobos simétricos, como na maioria dos peixes ósseos, ou heterocerca, com o lobo superior maior, como nos tubarões — a heterocerca ajuda a gerar sustentação em um animal sem bexiga natatória.

O revestimento do corpo também varia entre os grupos e é um ótimo critério de identificação. Os peixes ósseos têm, em geral, escamas de origem dérmica, ciclóides, lisas e arredondadas, ou ctenóides, com pequenas projeções na borda, que crescem em anéis que registram a idade do peixe, como os anéis de uma árvore. Os tubarões e as raias têm escamas placóides, os dentículos dérmicos, pequenas estruturas parecidas com dentes, que deixam a pele áspera como uma lixa e reduzem o arrasto na água. As lampreias e os peixes-bruxa não têm escamas: a pele é lisa, úmida e coberta de muco. Além disso, quase todos os peixes têm uma linha lateral, um sistema sensorial formado por uma fileira de poros e canais ao longo dos flancos, com células que detectam vibrações e movimentos da água — é ela que permite ao peixe perceber um predador se aproximando, nadar em cardume sem trombar nos vizinhos e sentir correntes e obstáculos no escuro.

Os peixes são ectotérmicos: a temperatura do corpo acompanha, em grande parte, a da água, embora alguns tubarões e atuns mantenham partes do corpo mais quentes. Vivem em praticamente todos os ambientes aquáticos — rios de montanha, lagos, estuários, recifes, mar aberto e fossas oceânicas profundas —, e essa variedade explica a diversidade de formas, dietas e estratégias reprodutivas do grupo, razão pela qual as questões sobre peixes quase sempre misturam anatomia com ecologia.

As três classes: agnatos, condrictes e osteíctes

A divisão clássica, cobrada no ensino médio, separa três grupos. O primeiro é o dos agnatos, os peixes sem mandíbula, representados hoje pelas lampreias e pelos peixes-bruxa, também chamados de mixines. São os vertebrados mais primitivos: sem mandíbulas, nadadeiras pares ou escamas, com esqueleto cartilaginoso e notocorda persistente a vida toda. A boca é circular, em ventosa, e, nas lampreias, cheia de dentículos córneos: muitas espécies são parasitas, fixando-se a outros peixes e raspando a pele para sugar sangue e tecidos. Os peixes-bruxa vivem no fundo do mar, comem animais mortos e se defendem com uma quantidade impressionante de muco, que entope as brânquias do predador. As lampreias têm sete pares de fendas branquiais em poros ao lado da cabeça e uma fase larval, a ammocete, que vive enterrada no sedimento dos rios e se alimenta por filtração.

O segundo grupo é o dos condrictes, a classe Chondrichthyes, os peixes de esqueleto cartilaginoso: tubarões, raias e quimeras. A cartilagem, mais leve e flexível que o osso, é uma característica do grupo: os tubarões são predadores de enorme sucesso, com mais de 400 milhões de anos de evolução. A boca é ventral, voltada para baixo; as fendas branquiais são expostas, sem opérculo, em número de cinco a sete pares; e a pele é coberta por dentículos dérmicos. Os condrictes não têm bexiga natatória: para não afundar, dependem da natação constante, do fígado grande e rico em óleo, que funciona como flutuador, e da cauda heterocerca. Têm ainda as ampolas de Lorenzini, poros no focinho que detectam os campos elétricos dos músculos das presas — por isso um tubarão encontra um peixe escondido na areia, no escuro.

O terceiro grupo é o dos osteíctes, a classe Osteichthyes, os peixes de esqueleto ósseo, que reúnem mais de 95% das espécies atuais: sardinha, atum, tambaqui, dourado, pirarucu, tilápia, tainha, bacalhau, truta e carpa. As brânquias são protegidas pelo opérculo, placa óssea que bombeia água sobre elas, permitindo respirar mesmo parado. As escamas são ciclóides ou ctenóides, as nadadeiras têm raios, e a maioria tem bexiga natatória, um saco de gás que controla a flutuação: enchendo ou esvaziando a bexiga, o peixe sobe ou desce sem gastar energia nadando. Os osteíctes se dividem em actinopterígios, de nadadeiras com raios, a imensa maioria, e sarcopterígios, de nadadeiras lobadas e musculosas, representados hoje pelo celacanto e pelos peixes pulmonados, como a piramboia. Os sarcopterígios são cruciais para a evolução: de um peixe de nadadeiras lobadas surgiram os primeiros vertebrados terrestres, os anfíbios — sem eles, não haveria tetrápodes, nem nós.

GrupoEsqueleto e bocaBrânquias e revestimentoFlutuação e exemplos
Agnatos (sem mandíbula)Cartilaginoso, com notocorda persistente; boca circular em ventosa, sem mandíbulasSete pares de fendas em poros, sem opérculo; pele lisa, sem escamasSem bexiga natatória; lampreia e peixe-bruxa
Condrictes (Chondrichthyes)Cartilaginoso; boca ventral, com dentes substituíveisCinco a sete pares de fendas expostas, sem opérculo; escamas placóidesSem bexiga natatória; fígado oleoso e natação constante; tubarão, raia, quimera
Osteíctes (Osteichthyes)Ósseo; boca terminal, com mandíbulasQuatro pares de brânquias sob o opérculo; escamas ciclóides ou ctenóidesBexiga natatória controla a flutuação; sardinha, tambaqui, pirarucu, atum

Respiração branquial: o fluxo contracorrente

Os peixes respiram por brânquias, estruturas finas e muito vascularizadas, onde o oxigênio dissolvido na água passa para o sangue e o gás carbônico faz o caminho inverso. Nos peixes ósseos, as brânquias ficam em quatro pares de arcos, protegidas pelo opérculo: a água entra pela boca, passa pelos filamentos, cobertos de lamelas microscópicas que multiplicam a superfície de troca, e sai pela borda do opérculo. O opérculo funciona como uma bomba que mantém a água fluindo sem parar. Nos tubarões, sem opérculo, a água entra pela boca e pelos espiráculos, aberturas atrás dos olhos, e sai pelas fendas; muitas espécies precisam nadar de boca aberta para ventilar as brânquias, a ventilação forçada, e por isso quase não param.

O segredo da eficiência branquial é o fluxo contracorrente: água e sangue circulam em sentidos opostos nas lamelas. Como a água que chega está sempre mais oxigenada que o sangue que sai, o gradiente se mantém ao longo de toda a lamela, e o sangue capta muito mais oxigênio do que captaria se os fluxos corressem no mesmo sentido. Se a questão perguntar por que a respiração branquial é tão eficiente, a resposta é o fluxo contracorrente. A água, porém, tem pouco oxigênio dissolvido, o que torna a ventilação branquial cara em energia — e explica por que os peixes são tão sensíveis à poluição e ao aquecimento da água.

Nem todo peixe depende só das brânquias. Em águas paradas, quentes e pobres em oxigênio, alguns desenvolveram respiração aérea acessória: o pirarucu, da Amazônia, sobe à superfície para engolir ar, absorvido por uma bexiga natatória modificada e vascularizada; os peixes pulmonados, como a piramboia, têm pulmões verdadeiros e sobrevivem enterrados na lama durante a seca. A respiração acessória é uma adaptação a águas com pouco oxigênio, não uma regra geral. A bexiga natatória dos peixes ósseos, aliás, é homóloga ao pulmão dos vertebrados terrestres: a estrutura que controla a flutuação no peixe deu origem, na evolução, ao órgão da respiração aérea dos tetrápodes.

Sistema digestório e circulação simples

O sistema digestório dos peixes é completo, com boca, faringe, esôfago, estômago, intestino e ânus, e glândulas como o fígado e o pâncreas, que produzem enzimas e bile. A dieta varia enormemente: há herbívoros, que raspam algas das rochas; carnívoros, como o tubarão e a piranha, com dentes afiados e substituíveis; onívoros, como a tilápia e o tambaqui; planctófagos, como a sardinha, que filtram plâncton com rastros branquiais; e detritívoros, como o curimbatá, que revolvem o fundo em busca de matéria orgânica. Nos tubarões, o intestino tem uma válvula espiral, dobra interna que aumenta a superfície de absorção sem alongar o corpo. A alimentação dos peixes, aliás, é a base de cadeias alimentares inteiras: o plâncton alimenta os peixes pequenos, que alimentam os peixes maiores, que alimentam aves, mamíferos marinhos e pessoas.

A circulação dos peixes é fechada e simples, uma das definições mais cobradas do tema. O coração tem duas cavidades: um átrio e um ventrículo. O sangue pobre em oxigênio, vindo do corpo, entra no átrio, passa para o ventrículo e é bombeado para as brânquias, onde é oxigenado; das brânquias, segue direto para o corpo, sem passar de novo pelo coração, e retorna ao átrio, fechando o circuito. Por isso a circulação é simples: o sangue passa uma única vez pelo coração a cada volta pelo corpo. A consequência é que o sangue chega aos tecidos com pressão relativamente baixa, porque perdeu pressão nos capilares branquiais — diferente dos vertebrados terrestres, com circulação dupla, em que o sangue passa duas vezes pelo coração. Nos peixes pulmonados, que respiram ar, a circulação já é parcialmente dupla.

O pigmento respiratório do sangue dos peixes é a hemoglobina, contida nas hemácias, como no sangue humano — diferente da hemocianina azulada dos moluscos, detalhe útil para questões de comparação entre filos. O coração fica na região ventral, atrás das brânquias, precedido pelo seio venoso, que recebe o sangue do corpo, e seguido pelo bulbo arterial, que amortece a pressão antes de o sangue chegar às brânquias delicadas. O caminho do sangue é: corpo, seio venoso, átrio, ventrículo, brânquias, corpo. E o coração do peixe tem duas cavidades, um átrio e um ventrículo, sem separação entre sangue arterial e venoso, porque todo o sangue que passa por ele é venoso.

Osmorregulação: viver em água doce ou salgada

A osmorregulação é o controle do equilíbrio de água e sais no corpo, um dos temas mais cobrados sobre peixes, porque ela é exatamente o oposto em água doce e em água salgada: o corpo tem uma concentração de sais diferente da água ao redor, e a água atravessa o corpo por osmose, do meio menos concentrado para o mais concentrado. Em água doce, o corpo é mais salgado que a água: a água entra sem parar pelas brânquias e pela boca, e os sais tendem a sair. O peixe de água doce, então, não bebe água — já ganha água demais —, elimina o excesso com muita urina diluída e repõe os sais captando íons ativamente pelas brânquias, com as células cloreto, e absorvendo sais do alimento. O resíduo nitrogenado principal é a amônia, eliminada diretamente pelas brânquias, diluída na água.

Em água salgada, o problema se inverte para os peixes ósseos: o corpo é menos salgado que o mar, então o peixe perde água por osmose e ganha sal. O peixe marinho ósseo bebe água do mar para repor a água perdida, elimina o excesso de sal ativamente pelas brânquias, também pelas células cloreto, e produz pouca urina, concentrada. Já os tubarões e as raias marinhos usam outra estratégia, famosa nas provas: são ureosmóticos, ou seja, retêm ureia no sangue, o que eleva a concentração interna até perto da água do mar, reduzindo a perda de água. O excesso de sal que ainda entra é eliminado pela glândula retal. A ureia, que para nós é um resíduo a eliminar, vira, no tubarão, uma ferramenta de osmorregulação.

AmbienteProblema osmóticoComo o peixe resolveUrina e excreção
Água doce (peixe ósseo)Ganha água por osmose, perde saisNão bebe água; capta sais ativamente pelas brânquiasMuita urina diluída; amônia pelas brânquias
Água salgada (peixe ósseo)Perde água por osmose, ganha salBebe água do mar; excreta sal ativamente pelas brânquiasPouca urina concentrada; amônia pelas brânquias
Água salgada (condricte)Perda de água reduzida pela ureia retidaRetém ureia no sangue; glândula retal excreta o sal em excessoPouca urina; ureia retida como estratégia, não como resíduo

Alguns peixes transitam entre os dois ambientes e são chamados de eurialinos, tolerantes a grandes variações de salinidade. O salmão é o exemplo clássico de peixe anádromo: nasce no rio, cresce no mar e volta ao rio para se reproduzir, ajustando brânquias e rins a cada mudança, sob controle hormonal. A enguia faz o caminho inverso e é catádroma: cresce nos rios e migra para o mar para desovar. No Brasil, a piracema é a migração reprodutiva dos peixes de rio, como o dourado, o pintado e o curimbatá, que sobem os rios na época das cheias para desovar nas cabeceiras. Para atravessar ambientes tão diferentes, o peixe eurialino inverte o trabalho das células cloreto das brânquias: em água doce, elas captam sal; em água salgada, elas excretam sal.

Reprodução dos peixes

A reprodução dos peixes é predominantemente sexuada, e a maioria das espécies é ovípara, com fecundação externa: a fêmea libera os ovos na água, a desova, e o macho libera os espermatozoides sobre eles. Uma desova pode ter milhares ou milhões de ovos, porque a mortalidade é altíssima e só uma pequena fração chega à fase adulta — a estratégia do “muitos filhos, pouco cuidado”, oposta à dos mamíferos. As larvas passam por metamorfose até virarem juvenis semelhantes aos adultos, e a fase larval no plâncton é fundamental para a dispersão da espécie. Em geral, não há cuidado parental, mas há exceções: o cavalo-marinho, em que o macho incuba os ovos em uma bolsa no abdômen, e a tilápia, em que a fêmea carrega ovos e filhotes na boca, a incubação bucal.

Nos condrictes, a fecundação é interna: o macho transfere os espermatozoides com os clásperes, nadadeiras pélvicas modificadas, e a fêmea pode ser ovípara, depositando ovos com casca resistente, as famosas “bolsas de sereia” das raias; ovovivípara, com os ovos se desenvolvendo dentro do corpo da mãe e os filhotes nascendo prontos; ou vivípara, com placenta vitelínica nutrindo o embrião, como em alguns tubarões. O número de filhotes é pequeno, mas a sobrevivência é muito maior que na desova externa — e é por isso que a pesca de tubarões é tão devastadora: a fêmea demora anos para amadurecer e gera poucos filhotes, então a população não se recupera rápido da pesca.

Outra curiosidade que cai em prova é o hermafroditismo sequencial, a troca de sexo ao longo da vida. O bodião é protogínico: nasce fêmea e pode virar macho quando adulto, geralmente quando o macho dominante do grupo morre. O peixe-palhaço é protândrico: nasce macho e o indivíduo dominante vira fêmea, a maior do grupo, que vive entre as anêmonas. A troca é controlada por sinais sociais e hormonais. Para revisar outros grupos, visite a sala de estudo do site.

Migração: as grandes viagens dos peixes

A migração dos peixes é um dos fenômenos mais impressionantes da natureza e um tema recorrente em questões que misturam fisiologia, comportamento e ecologia. O salmão-do-atlântico nasce em rios de água doce, desce para o mar, onde cresce por anos, e volta exatamente ao rio onde nasceu para desovar, nadando contra a correnteza e saltando cachoeiras. Para achar o caminho, usa o olfato, reconhecendo o cheiro do rio natal, e a orientação pelo campo magnético da Terra. A viagem cobra um preço alto: o salmão para de se alimentar, consome as reservas do corpo e, em muitas espécies do Pacífico, morre depois da desova, deixando seus nutrientes para o ecossistema do rio.

No Brasil, a migração mais importante é a piracema, a subida dos peixes nos rios na época das chuvas, entre outubro e fevereiro, período em que a pesca é proibida, o chamado defeso, para proteger a reprodução. Dourado, pintado, curimbatá, pacu e piraputanga sobem os rios, vencem corredeiras e desovam nas cabeceiras e nas lagoas marginais, onde os filhotes crescem protegidos. O problema é que as barragens de hidrelétricas interrompem esse caminho: sem conseguir subir, os peixes não desovam, e as populações despencam. As escadas de peixes junto às barragens tentam resolver o problema, mas nem sempre funcionam para todas as espécies — e a discussão sobre barragens, migração e conservação é clássica em questões de ecologia e impacto ambiental no ENEM.

Tipo de migraçãoCaminhoExemploPor que migra
AnádromaDo mar para o rioSalmãoDesovar em água doce, onde os filhotes têm menos predadores
CatádromaDo rio para o marEnguia-europeia, que desova no Mar dos SargaçosDesovar no mar, onde as larvas se dispersam pelas correntes
Potamódroma (dentro dos rios)Dentro do sistema fluvial, rio acimaDourado, curimbatá e pintado, na piracemaDesovar nas cabeceiras e nas lagoas marginais na época das cheias

Importância ecológica e econômica

Na ecologia, os peixes ocupam praticamente todos os níveis das teias alimentares aquáticas. Os planctófagos, como a sardinha e a anchova, transferem a energia do plâncton para os níveis superiores; os predadores de topo, como o tubarão, o atum e o dourado, controlam as populações de peixes menores; e os detritívoros, como o curimbatá, reciclam a matéria orgânica do fundo dos rios. Os peixes também transportam nutrientes entre ecossistemas: o salmão leva nutrientes do mar para os rios, e os peixes de recife mantêm os corais saudáveis ao controlar as algas. Sem peixes, a cadeia alimentar aquática desmorona.

Para as pessoas, os peixes são uma das principais fontes de proteína animal do mundo. A pesca artesanal sustenta milhões de famílias, a pesca industrial abastece os mercados com sardinha, atum, pescada e bacalhau, e a aquicultura, como a piscicultura de tilápia e tambaqui, é o setor de produção de alimentos que mais cresce no planeta. O pirarucu, gigante da Amazônia, é um exemplo de manejo sustentável: com cotas e manejo comunitário, as populações se recuperaram em várias regiões, gerando renda sem esgotar o recurso. Além da alimentação, os peixes movem o aquarismo, o turismo de mergulho e a pesca esportiva.

Ameaças e conservação

As ameaças aos peixes são um dos capítulos mais cobrados do tema, porque juntam ecologia, economia e atualidades. A primeira é a sobrepesca: a captura acima da capacidade de reposição das populações, que já derrubou estoques de bacalhau, atum e sardinha. A pesca de arrasto, que raspa o fundo do mar, destrói recifes e captura junto animais que não eram o alvo, a captura incidental, ou bycatch — incluindo tubarões, raias, tartarugas e golfinhos. A pesca de tubarões só pelas barbatanas, o finning, já colocou muitas espécies na lista de ameaçadas de extinção.

Outras ameaças vêm da destruição dos habitats: o desmatamento das matas ciliares assoreia os rios, a destruição de manguezais elimina o berçário de inúmeras espécies marinhas, as barragens interrompem as migrações, a poluição por esgoto, agrotóxicos e plásticos contamina a água, e o mercúrio do garimpo se acumula ao longo da cadeia alimentar, chegando aos peixes predadores e a quem os consome, num processo chamado biomagnificação. Some-se a isso as mudanças climáticas, que aquecem e acidificam os oceanos e branqueiam os recifes de coral, onde vive um quarto das espécies de peixes marinhos. As medidas de conservação incluem o defeso, as cotas de captura, os tamanhos mínimos, as áreas marinhas protegidas, a proibição do finning e a restauração de matas ciliares e manguezais.

Ilustração estilo Pixar de um peixe ósseo simpático em corte suave, mostrando as brânquias sob o opérculo, as nadadeiras, a linha lateral e a bexiga natatória.
Ilustração estilo Pixar de um peixe ósseo simpático em corte suave, mostrando as brânquias sob o opérculo, as nadadeiras, a linha lateral e a bexiga natatória.
Ilustração estilo Pixar de um grande cardume de peixes simpáticos nadando em um recife de corais, com peixes de água doce e peixes marinhos em lados diferentes do recife.
Ilustração estilo Pixar de um grande cardume de peixes simpáticos nadando em um recife de corais, com peixes de água doce e peixes marinhos em lados diferentes do recife.

Mapa mental

  • Peixes — vertebrados aquáticos
    • Vertebrados, triblásticos, celomados, deuterostômios, simetria bilateral
    • Corpo fusiforme, nadadeiras pares e ímpares, linha lateral, ectotérmicos
  • Os três grupos
    • Agnatos: sem mandíbula, boca em ventosa, notocorda persistente; lampreia e peixe-bruxa
    • Condrictes: esqueleto cartilaginoso, fendas expostas, escamas placóides; tubarão, raia, quimera
    • Osteíctes: esqueleto ósseo, opérculo, bexiga natatória; sardinha, tambaqui, pirarucu, atum
    • Sarcopterígios: nadadeiras lobadas, origem dos vertebrados terrestres
  • Respiração e circulação
    • Brânquias com filamentos e lamelas; fluxo contracorrente mantém o gradiente de oxigênio
    • Coração com duas cavidades: átrio e ventrículo; circulação simples, sangue passa uma vez pelo coração
    • Caminho do sangue: corpo, átrio, ventrículo, brânquias, corpo
    • Bexiga natatória controla a flutuação e é homóloga ao pulmão dos tetrápodes
  • Osmorregulação
    • Água doce: ganha água, perde sal; muita urina diluída, brânquias captam sais
    • Mar (ósseo): perde água, ganha sal; bebe água do mar, brânquias excretam sal, pouca urina
    • Mar (condricte): retém ureia, glândula retal excreta o sal em excesso
    • Eurialinos: salmão anádromo e enguia catádroma invertem o trabalho das brânquias
  • Reprodução e migração
    • Ósseos: maioria ovípara, fecundação externa, desova com muitos ovos, larva com metamorfose
    • Condrictes: fecundação interna, clásperes; ovíparos, ovovivíparos ou vivíparos, poucos filhotes
    • Hermafroditismo sequencial: bodião protogínico, peixe-palhaço protândrico
    • Migração: salmão anádromo, enguia catádroma, piracema no Brasil; defeso protege a reprodução
  • Ecologia, economia e ameaças
    • Teias alimentares, transporte de nutrientes, bioindicadores da qualidade da água
    • Pesca artesanal e industrial, piscicultura, aquarismo, turismo e manejo do pirarucu
    • Ameaças: sobrepesca, arrasto, finning, barragens, poluição, mercúrio, aquecimento e acidificação dos oceanos
    • Conservação: defeso, cotas, áreas protegidas, restauração de manguezais e matas ciliares

SAQ — Perguntas e respostas curtas

1. O que são peixes?
São vertebrados aquáticos que respiram por brânquias e nadam com nadadeiras, incluindo agnatos, condrictes e osteíctes.

2. Quais são os três grupos de peixes?
Agnatos, sem mandíbula, como a lampreia; condrictes, de esqueleto cartilaginoso, como o tubarão; e osteíctes, de esqueleto ósseo, como a sardinha.

3. O que é o fluxo contracorrente?
É a circulação da água e do sangue em sentidos opostos nas lamelas, o que mantém o gradiente de oxigênio e torna a troca muito eficiente.

4. Como é o coração e a circulação do peixe?
O coração tem duas cavidades, um átrio e um ventrículo, e a circulação é simples: o sangue passa uma única vez pelo coração a cada volta pelo corpo.

5. Como o peixe de água doce controla água e sal?
Ele ganha água por osmose e perde sais: não bebe água, produz muita urina diluída e capta sais ativamente pelas brânquias.

6. Por que o tubarão retém ureia no sangue?
Porque a ureia eleva a concentração interna do sangue até perto da concentração da água do mar, reduzindo a perda de água por osmose; o sal em excesso sai pela glândula retal.

7. O que são peixes anádromos e catádromos?
Anádromos vivem no mar e sobem os rios para desovar, como o salmão; catádromos vivem nos rios e descem ao mar para desovar, como a enguia.

8. Por que a pesca de tubarões é tão prejudicial às populações?
Porque demoram anos para amadurecer e geram poucos filhotes por gestação, então a população não se recupera rápido da pesca.

Questões comentadas

As questões abaixo são inéditas, criadas no estilo do ENEM para esta matéria — não são cópias de questões reais de prova. Para treinar mais, confira também as dicas de estudo da sala de estudo.

Questão 1. Um biólogo coletou em um rio um animal vertebrado, de corpo alongado, com boca circular em forma de ventosa, sem mandíbulas e sem nadadeiras pares, e observou sete poros branquiais de cada lado da cabeça. Esse animal deve ser classificado como:
a) condricte, porque tem esqueleto cartilaginoso.
b) osteícte, porque tem brânquias protegidas pelo opérculo.
c) agnato, porque não tem mandíbulas e a boca é uma ventosa, como a da lampreia.
d) anfíbio, porque a larva aquática respira por brânquias.
e) réptil aquático, porque tem coluna vertebral.
Gabarito: C. Boca em ventosa, sem mandíbulas e sem nadadeiras pares, com sete poros branquiais, caracterizam os agnatos, como a lampreia. Condrictes (A) têm mandíbulas e boca ventral; osteíctes (B) têm opérculo; anfíbios (D) têm quatro membros na fase adulta; répteis (E) respiram por pulmões.

Questão 2. Nas lamelas branquiais, a água e o sangue circulam em sentidos opostos. Essa organização, o fluxo contracorrente, tem como principal vantagem:
a) impedir que o gás carbônico saia do sangue para a água.
b) manter o gradiente de oxigênio ao longo de toda a lamela, aumentando a captação de oxigênio.
c) permitir que o peixe respire ar quando sai da água.
d) aquecer o sangue antes de ele chegar ao coração.
e) filtrar o alimento que passa pelas brânquias.
Gabarito: B. No fluxo contracorrente, a água que chega está sempre mais oxigenada que o sangue que sai, mantendo o gradiente favorável à difusão em toda a lamela. O gás carbônico sai do sangue para a água (A); respirar ar depende de estruturas acessórias, não das lamelas (C); o fluxo não aquece o sangue (D); e filtrar alimento é função dos rastros branquiais (E).

Questão 3. Um estudante comparou um peixe ósseo de rio com um peixe ósseo marinho. Sobre a osmorregulação dos dois, é correto afirmar que:
a) o peixe de água doce bebe muita água e produz pouca urina concentrada.
b) o peixe marinho não bebe água e elimina o excesso com muita urina diluída.
c) o peixe de água doce ganha água por osmose, não bebe água e produz muita urina diluída.
d) o peixe marinho ganha água por osmose e elimina o sal pelos rins, com muita urina.
e) os dois enfrentam o mesmo problema, porque o corpo tem a mesma salinidade da água.
Gabarito: C. Em água doce, o corpo é mais salgado que a água: o peixe ganha água por osmose, não bebe água e elimina o excesso com muita urina diluída, repondo os sais pelas brânquias. O peixe marinho faz o oposto — perde água, bebe água do mar, excreta sal pelas brânquias e produz pouca urina —, o que invalida A, B, D e E.

Questão 4. Um tubarão marinho mantém no sangue uma concentração elevada de ureia, e o excesso de sal que entra no corpo é eliminado por uma glândula especializada. Essa estratégia mostra que:
a) o tubarão é um peixe de água doce, que precisa reter sais.
b) a ureia, retida no sangue, aproxima a concentração interna da água do mar e reduz a perda de água, e a glândula retal elimina o sal em excesso.
c) o tubarão excreta toda a ureia, como os mamíferos, para não se intoxicar.
d) o tubarão não precisa de osmorregulação, porque seu sangue tem a mesma salinidade do mar.
e) a glândula retal produz muita urina diluída, como nos peixes de água doce.
Gabarito: B. Os condrictes marinhos são ureosmóticos: retêm ureia para elevar a osmolaridade interna e reduzir a perda de água, e eliminam o sal em excesso pela glândula retal. O tubarão é marinho, não de água doce (A); ele retém ureia, não a excreta toda (C); a osmorregulação é necessária porque há diferença de concentração (D); e a urina é pouca (E).

Questão 5. O coração de um peixe ósseo tem duas cavidades e o sangue passa por ele uma única vez a cada volta pelo corpo. É correto concluir que a circulação do peixe é:
a) dupla e completa, com separação total entre sangue arterial e venoso.
b) aberta, com o sangue caindo em lacunas pelo corpo.
c) simples, com o sangue venoso passando pelo coração e indo às brânquias antes de seguir para o corpo.
d) dupla e incompleta, como a dos anfíbios adultos.
e) fechada, mas sem coração, com o sangue impulsionado pelos movimentos do corpo.
Gabarito: C. A circulação do peixe é fechada e simples: o sangue venoso passa pelo átrio e pelo ventrículo, vai às brânquias, onde é oxigenado, e segue direto para o corpo. A circulação dupla (A e D) é a dos vertebrados terrestres; a aberta (B) é a da maioria dos invertebrados; e o peixe tem coração (E).

Questão 6. Uma comunidade ribeirinha percebeu que, depois da construção de uma barragem rio acima, os dourados e curimbatás ficaram cada vez mais raros no trecho abaixo da barragem. A explicação mais adequada para esse declínio é que a barragem:
a) aumentou o oxigênio da água e os peixes migraram para águas mais frias.
b) interrompeu a piracema, impedindo os peixes de subirem o rio para desovar nas cabeceiras.
c) transformou os migradores em peixes de água salgada, que não sobrevivem no rio.
d) eliminou as brânquias dos peixes, que passaram a respirar pela pele.
e) aumentou a salinidade do rio, igualando a água doce à do mar.
Gabarito: B. Dourado e curimbatá sobem os rios na piracema para desovar; a barragem bloqueia essa subida e impede a reprodução, derrubando as populações. A barragem não aumenta o oxigênio a ponto de explicar o declínio (A), não transforma peixes de água doce em marinhos nem muda a salinidade (C e E), e não altera a anatomia branquial (D).

Dica do professor

Decore os peixes com três frases e revise o tema na sala de estudo antes da prova: “sem mandíbula é agnato, cartilagem e fenda exposta é condricte, osso, opérculo e bexiga é osteícte”; “água e sangue em sentidos opostos é contracorrente”; e “rio ganha água e urina muito, mar perde água e bebe água do mar”. Com essas três frases, mais o caminho do sangue — corpo, átrio, ventrículo, brânquias, corpo —, você resolve a maioria das questões de peixes sem reler a matéria inteira na véspera.

Atenção / cuidado

  • Não diga que “peixe” é uma classe: é um modo de vida que reúne agnatos, condrictes e osteíctes.
  • Não confunda opérculo com fenda branquial exposta: opérculo é de peixe ósseo; fendas expostas, sem opérculo, são de tubarão e raia.
  • Não diga que o coração do peixe tem quatro cavidades: ele tem duas, um átrio e um ventrículo, e a circulação é simples.
  • Não inverta a osmorregulação: em água doce o peixe ganha água e produz muita urina diluída; no mar, o peixe ósseo perde água, bebe água do mar e produz pouca urina.
  • Não diga que o tubarão excreta toda a ureia: ele a retém no sangue como estratégia de osmorregulação, e o sal em excesso sai pela glândula retal.
  • Não confunda peixe anádromo com catádromo: anádromo sobe do mar para o rio, como o salmão; catádromo desce do rio para o mar, como a enguia.
  • Não diga que todo peixe ósseo tem bexiga natatória: peixes de fundo e alguns pelágicos a reduziram ou perderam, e os tubarões nunca a tiveram.

Conexão com outras áreas

Evolução: dos peixes de nadadeiras lobadas surgiram os vertebrados terrestres, e a bexiga natatória é homóloga ao pulmão dos tetrápodes. Ecologia: teias alimentares aquáticas, migração, piracema, bioindicadores e biomagnificação do mercúrio. Geografia e economia: pesca artesanal e industrial, piscicultura, manejo do pirarucu e impactos de barragens e da destruição de manguezais. Saúde: peixe como fonte de proteína, contaminação por mercúrio e conservação de estoques pesqueiros. Para continuar a zoologia, siga pela lista de Biologia da sala de estudo.

Incidência: ♨️ Morno — cai no ENEM e nos vestibulares. Matéria: Biologia | Disciplina: Zoologia | Tema: Peixes.