
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que são fitormônios
- Auxinas: o hormônio do crescimento dirigido
- Giberelinas: germinação, alongamento e floração
- Citocininas: divisão celular e folhas jovens por mais tempo
- Etileno: o gás do amadurecimento e da queda
- Ácido abscísico: o freio da planta
- Fototropismo: crescer em direção à luz
- Geotropismo: a resposta à gravidade
- Tigmotropismo: o toque que guia
- Nastismos: quando a direção não importa
- Fotoperiodismo: a planta mede a noite
- Tabelas comparativas
- Dica do professor
- Atenção / cuidado
- Conexão com outras áreas
- Para continuar estudando
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
Resumo rápido
Incidência: ♨️ Morno. Hormônios e movimentos vegetais aparecem com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, quase sempre em situações do cotidiano: a planta da janela que entorta para a luz, a banana que amadurece mais rápido perto de outra banana madura, a semente que só germina depois do inverno, a flor que abre de dia e fecha à noite. É um tema que cobra interpretação, não decoreba: as provas querem saber se você entende que a planta percebe o ambiente e responde a ele, mesmo sem se deslocar, e que essa resposta é comandada por mensageiros químicos, os fitormônios.
Em poucas palavras: os fitormônios são substâncias produzidas em uma parte da planta que atuam em outra parte, em quantidades muito pequenas, regulando crescimento, floração, frutificação, queda de folhas e resposta a estresses. As auxinas alongam células e orientam o crescimento; as giberelinas estimulam germinação e alongamento do caule; as citocininas estimulam a divisão celular e retardam o envelhecimento das folhas; o etileno, um gás, acelera o amadurecimento dos frutos e a queda de folhas; o ácido abscísico freia o crescimento, fecha os estômatos e mantém a semente dormente. Nenhum hormônio age sozinho: o que a planta faz depende do equilíbrio entre eles.
Já os movimentos vegetais são as respostas da planta a estímulos. Quando a resposta depende da direção do estímulo, chamamos de tropismo: fototropismo (luz), geotropismo ou gravitropismo (gravidade) e tigmotropismo (toque). Quando a resposta independe da direção do estímulo, chamamos de nastismo: é o caso da flor que abre e fecha com a luz do dia, da planta carnívora que fecha as folhas ao toque e da dormideira que fecha os folíolos à noite. E há ainda o fotoperiodismo: a resposta da planta à duração do dia e da noite, que decide quando ela floresce.
Para situar este tema dentro da Biologia, lembre que ele conversa com a fisiologia vegetal como um todo: os hormônios controlam a abertura dos estômatos, o crescimento e a fotossíntese, e os movimentos são, muitas vezes, crescimento desigual provocado por hormônios. Vale revisar também a matéria sobre Fotossíntese e a de Introdução à Botânica. Aqui, o foco é entender cada hormônio, cada movimento e, principalmente, não confundir os pares que as provas mais misturam: tropismo com nastismo, planta de dia curto com planta de dia longo, auxina com giberelina.
Ideia central para guardar: a planta não tem músculos nem sistema nervoso, mas percebe luz, gravidade, toque e duração do dia e responde crescendo de forma desigual, abrindo e fechando órgãos ou mudando de fase de vida. Quase todo movimento vegetal é, no fundo, crescimento desigual ou variação de pressão de água nas células — e quase todo ele é comandado ou modulado por hormônios.
Como estudar este tema: primeiro, memorize a tabela dos cinco hormônios principais (onde são produzidos, o que fazem e um exemplo do cotidiano). Depois, aprenda a distinguir tropismo de nastismo com uma pergunta simples: a direção da resposta depende da direção do estímulo? Se sim, é tropismo; se não, é nastismo. Por fim, treine o fotoperiodismo com o conceito de noite crítica, e não de “dia longo” ou “dia curto” isolados. O resto é treino com situações-problema.
O que são fitormônios
Fitormônio, ou hormônio vegetal, é uma substância orgânica produzida em um local da planta — em geral no meristema apical, nas folhas jovens, nas sementes ou nas raízes — que, transportada para outro local, regula um processo fisiológico em concentração muito baixa. A comparação com os hormônios animais ajuda, mas tem um limite importante: nas plantas não há glândulas nem sangue transportando tudo de forma centralizada. A produção é difusa, o transporte pode ser célula a célula ou pelos vasos, e a mesma substância pode ter efeitos diferentes conforme o órgão, a concentração e a presença de outros hormônios.
Um exemplo clássico dessa dependência de concentração: a auxina estimula o alongamento do caule em concentrações baixas, mas inibe o crescimento da raiz, que é muito mais sensível a ela. Ou seja, a mesma dose que faz o caule crescer pode frear a raiz. Por isso, as questões do ENEM raramente perguntam “o que a auxina faz?” de forma isolada; elas descrevem um experimento — uma plantinha com a ponta cortada, uma dose aplicada de um lado só — e pedem a interpretação. Quem decora uma frase pronta erra; quem entende o mecanismo acerta.
Outro ponto essencial é a interação entre hormônios. Auxina e citocinina, juntas, decidem se um broto vai formar raiz ou caule em cultura de tecidos: mais auxina favorece raiz, mais citocinina favorece parte aérea. Auxina e etileno também conversam: altas doses de auxina estimulam a produção de etileno, que pode provocar a queda de folhas e frutos. E o ácido abscísico funciona, em muitos processos, como antagonista das giberelinas: enquanto a giberelina quebra a dormência da semente, o ácido abscísico a mantém. Guardar esses pares de oposição — auxina/citocinina, giberelina/ácido abscísico — resolve várias questões.
Exemplo do cotidiano: quando você coloca uma banana verde dentro de um saco de papel junto com uma banana madura, a verde amadurece mais rápido. Não é mágica: a banana madura libera etileno, um gás, que acelera o amadurecimento da vizinha. O mesmo princípio explica por que um tomate colhido verde pode amadurecer fora do pé e por que uma única fruta podre pode estragar a caixa inteira.
Auxinas: o hormônio do crescimento dirigido
A auxina mais conhecida é o ácido indolacético (AIA). Ela é produzida principalmente no meristema apical do caule, nas folhas jovens e nas sementes em desenvolvimento, e desce pelo caule em direção à raiz. Seus efeitos mais cobrados são o alongamento celular, a dominância apical e o fototropismo.
O alongamento celular acontece porque a auxina afrouxa a parede celular e estimula a entrada de água na célula, que cresce em comprimento. É assim que o caule cresce e é assim que a planta se curva para a luz: o lado sombreado do caule recebe mais auxina, alonga-se mais e empurra a ponta para o lado iluminado. Parece contraditório — mais hormônio do lado escuro faz a planta ir para a luz —, mas é exatamente esse crescimento desigual que produz a curvatura.
A dominância apical é o fenômeno pelo qual a gema apical, produzindo auxina, inibe o crescimento das gemas laterais. É por isso que muitas plantas crescem altas e finas, sem ramificar, enquanto a ponta está intacta. Quando o jardineiro poda a ponta, a fonte de auxina some, as gemas laterais são liberadas e a planta “enche”, fica mais arbustiva. É o mesmo princípio da poda de roseiras e de cercas-vivas.
As auxinas também participam da formação de raízes adventícias em estacas, do desenvolvimento dos frutos — inclusive dos frutos partenocárpicos, sem sementes, produzidos com aplicação de auxina — e da queda de folhas e frutos, quando sua concentração cai no pecíolo. Em doses altas, porém, as auxinas sintéticas, como o 2,4-D, funcionam como herbicidas: matam plantas daninhas de folhas largas ao provocar crescimento desordenado. É um uso agrícola clássico e um alerta de que “hormônio natural” não significa “inofensivo em qualquer dose”.
Para não confundir: na raiz, o efeito da auxina se inverte em relação ao caule. No fototropismo, o caule curva-se para a luz (fototropismo positivo) porque o lado sombreado cresce mais; a raiz curva-se para longe da luz (fototropismo negativo) porque, nela, o excesso de auxina no lado sombreado inibe o crescimento. O mesmo hormônio, órgãos diferentes, sensibilidades diferentes.
Giberelinas: germinação, alongamento e floração
As giberelinas são produzidas em sementes, folhas jovens, raízes e frutos. Seu efeito mais famoso é o alongamento do caule: plantas anãs, com deficiência de giberelina, crescem normalmente quando recebem o hormônio, o que foi demonstrado em experimentos clássicos com ervilhas e milho. Elas também quebram a dormência de sementes e gemas, estimulam a germinação de sementes de cereais — ativando, no grão de cevada, a produção da enzima alfa-amilase, que digere o amido do endosperma — e induzem a floração em algumas plantas de dia longo.
Na agricultura, as giberelinas são usadas para aumentar o tamanho de frutos sem sementes, como uvas, e para uniformizar a germinação. Já os inibidores de giberelina fazem o caminho inverso: plantas mais baixas e compactas, úteis em vasos e em lavouras que não podem acamar, isto é, tombar com o vento.
A relação com o ácido abscísico é o ponto mais cobrado: giberelina e ácido abscísico se opõem na dormência da semente. Enquanto o ácido abscísico mantém a semente “adormecida”, impedindo a germinação antes da hora, a giberelina acorda a semente quando as condições melhoram. A germinação, portanto, depende do balanço entre os dois, e não de um único hormônio.
Citocininas: divisão celular e folhas jovens por mais tempo
As citocininas são produzidas principalmente nas raízes e transportadas para a parte aérea pelo xilema. Seu nome já entrega a função: estimulam a citocinese, isto é, a divisão celular, trabalhando em conjunto com as auxinas no crescimento de raízes e caules. Em cultura de tecidos, o balanço auxina/citocinina decide o destino do explante: mais citocinina favorece a formação de brotos e parte aérea; mais auxina favorece raízes.
Outro efeito importante é o retardo da senescência, o envelhecimento das folhas. Folhas tratadas com citocinina permanecem verdes por mais tempo, porque o hormônio retarda a degradação da clorofila e das proteínas. É por isso que as citocininas são usadas para prolongar a vida de flores de corte e de hortaliças folhosas. Na planta intacta, as citocininas produzidas na raiz sinalizam que há raiz saudável sustentando a parte aérea — um diálogo constante entre o que está embaixo e o que está em cima da terra.
As citocininas também participam da quebra da dominância apical, estimulando o crescimento de gemas laterais, e da mobilização de nutrientes para órgãos em crescimento, como frutos e sementes. Em resumo: onde há divisão celular intensa e tecido jovem, há citocinina atuando.
Etileno: o gás do amadurecimento e da queda
O etileno é o único fitormônio gasoso, produzido por frutos em amadurecimento, folhas senescentes, flores murchas e tecidos feridos. Ele acelera o amadurecimento dos frutos climatéricos — banana, tomate, manga, abacate —, promovendo a degradação da clorofila, o amolecimento da polpa, a conversão de amido em açúcares e a produção de aromas. É por isso que frutos climatéricos continuam amadurecendo depois de colhidos, ao contrário dos não climatéricos, como uva e morango, que praticamente param de amadurecer fora do pé.
O etileno também promove a abscisão, a queda de folhas, flores e frutos, ao estimular a formação da camada de abscisão no pecíolo, e participa da resposta ao estresse mecânico e a ferimentos, além da senescência de flores. Na agricultura, ele é usado de forma controlada em câmaras de amadurecimento, e, ao contrário, o bloqueio de sua ação prolonga a vida de prateleira de frutos e flores. Guardar frutas maduras longe das verdes, ou usar sacos que absorvem etileno, são aplicações diretas desse conhecimento.
Erro comum: achar que todo fruto amadurece depois de colhido. Frutos climatéricos amadurecem; frutos não climatéricos, não. Se a questão citar morango ou uva colhidos verdes, desconfie de qualquer alternativa que prometa amadurecimento completo fora do pé.
Ácido abscísico: o freio da planta
O ácido abscísico (ABA) é produzido em folhas, raízes, sementes e frutos, sobretudo em condições de estresse, como seca, salinidade e frio. Ele inibe o crescimento, promove a dormência de sementes e gemas, induz a senescência e, de forma decisiva, fecha os estômatos em situação de falta de água. Quando a raiz percebe o solo seco, o ABA sinaliza às células-guarda para fechar o poro, reduzindo a transpiração — a planta sacrifica a fotossíntese para não desidratar.
Na semente, o ABA impede a germinação precoce, ainda dentro do fruto, e mantém a dormência até que as condições sejam favoráveis. Em gemas de plantas de clima frio, ele ajuda a induzir a dormência de inverno, protegendo a planta do congelamento. Por tudo isso, o ABA é chamado de hormônio do estresse: ele não faz a planta crescer, ele faz a planta sobreviver.
Para a prova, o par mais importante é ABA versus giberelina na dormência, e ABA versus luz na abertura estomática: de dia, com água disponível, os estômatos abrem para a fotossíntese; com falta de água, o ABA os fecha, mesmo com luz. Quem entende esse conflito entende boa parte das questões sobre estômatos.
Fototropismo: crescer em direção à luz
Fototropismo é o crescimento orientado em resposta à luz. O caule apresenta fototropismo positivo: cresce em direção à fonte luminosa. A raiz apresenta fototropismo negativo: afasta-se da luz. O mecanismo, no caule, é o crescimento desigual provocado pela distribuição desigual de auxina: a luz, percebida por fotoreceptores, faz a auxina migrar para o lado sombreado, que alonga mais e curva a planta para a luz.
O experimento clássico de Darwin e de Boysen-Jensen, com coleóptilos de aveia, é leitura obrigatória para entender a lógica das provas: retirar a ponta do coleóptilo elimina a resposta à luz; recolocar a ponta, mesmo separada por um bloco de gelatina, restaura a resposta — provando que um mensageiro químico difusível, e não um impulso elétrico, carrega a informação da ponta para a zona de crescimento. A auxina foi descoberta justamente assim.
Na prática, o fototropismo explica por que plantas de interior entortam para a janela e por que girar o vaso de tempos em tempos deixa a planta mais simétrica. Também explica o comportamento de girassóis jovens, que acompanham o sol ao longo do dia, embora a flor madura, na maioria das variedades cultivadas, fique voltada para o leste.
Geotropismo: a resposta à gravidade
Geotropismo, também chamado de gravitropismo, é o crescimento orientado em resposta à gravidade. A raiz apresenta geotropismo positivo: cresce em direção ao centro da Terra, para baixo. O caule apresenta geotropismo negativo: cresce contra a gravidade, para cima. Juntos, eles garantem que, não importa a posição em que a semente caia, a raiz vá para o solo e o caule vá para a luz.
O mecanismo envolve os estatólitos, organelas densas, como amiloplastos com grãos de amido, que sedimentam nas células da coifa da raiz e do ápice do caule conforme a gravidade, sinalizando “para onde é baixo”. Essa informação redistribui a auxina: na raiz, o lado inferior acumula mais auxina e, como a raiz é sensível, cresce menos, curvando-se para baixo; no caule, o lado inferior acumula mais auxina e cresce mais, curvando-se para cima. É o mesmo hormônio, a mesma distribuição, e resultados opostos — mais uma vez, por causa da sensibilidade diferente de cada órgão.
Um experimento simples e muito cobrado: deitar um vaso com uma plantinha na horizontal. Em poucas horas, a ponta do caule curva-se para cima e a ponta da raiz, para baixo, formando um ângulo de noventa graus com a posição original. Se a questão mostrar esse desenho, a resposta é geotropismo, não fototropismo, mesmo que haja luz no ambiente — a não ser que o enunciado destaque a luz como variável.
Tigmotropismo: o toque que guia
Tigmotropismo é o crescimento orientado em resposta ao toque ou ao contato com um objeto. O exemplo clássico são as gavinhas de trepadeiras, como a ervilha e o maracujá: ao tocar um suporte, o lado da gavinha em contato cresce menos e o lado oposto cresce mais, enrolando-se ao redor do suporte. O resultado é uma planta que “agarra” o apoio e sobe em direção à luz, sem gastar energia com um caule grosso e autoportante.
Outro exemplo são as raízes que contornam pedras e as plantas trepadeiras que se fixam em troncos. O tigmotropismo é um tropismo positivo quando o crescimento se dá em direção ao estímulo, como nas gavinhas, e é lento, pois depende de crescimento diferencial, não de movimento rápido. Não confunda com o tigmotactismo de animais, nem com o fechamento rápido da planta carnívora, que é um nastismo, como veremos a seguir.
Nastismos: quando a direção não importa
Nastismo é um movimento vegetal cuja direção independe da direção do estímulo. A planta responde, mas não “vai em direção” nem “foge” do estímulo: ela abre, fecha, enrola ou desdobra, sempre no mesmo sentido, venha o estímulo de onde vier. Os principais tipos cobrados são o fotonastismo, o tigmonastismo e o nictinastismo.
O fotonastismo é a resposta à luz, sem orientação: flores que abrem de dia e fecham à noite, como o girassol ornamental e a margarida, respondem à presença de luz, não à sua direção. O tigmonastismo é a resposta ao toque: a dioneia, planta carnívora, fecha suas folhas-armadilha quando um inseto toca os pelos sensoriais internos; a dormideira, ou mimosa, fecha os folíolos ao ser tocada. São movimentos rápidos, provocados por mudanças de pressão de água nas células, não por crescimento. O nictinastismo, ou movimento de “dormir”, é o fechamento de folhas e flores à noite, como na dormideira e em muitas leguminosas, regulado pelo relógio biológico da planta e pela variação de luz ao longo do dia.
Há ainda o quimionastismo, resposta a substâncias químicas, e o termonastismo, resposta à temperatura, como flores que abrem com o calor do dia. Para a prova, o essencial é o critério: se a questão disser que a folha fecha “sempre do mesmo jeito, não importa de que lado venha o toque”, é nastismo; se disser que o caule “curva-se para a luz”, é tropismo.
Exemplo que cai muito: a dioneia fecha a armadilha ao toque, mas não “vai atrás” do inseto: o movimento é sempre o fechamento, seja o toque na esquerda ou na direita. É tigmonastismo, não tigmotropismo. Já a gavinha que se enrola ao redor do suporte está crescendo em direção ao toque: é tigmotropismo. Essa dupla é uma das pegadinhas mais frequentes do tema.
Fotoperiodismo: a planta mede a noite
Fotoperiodismo é a resposta da planta à duração relativa do dia e da noite, que controla, sobretudo, a floração. O detalhe que muda tudo — e que as provas adoram — é que a planta não mede o dia, ela mede a noite. O fator crítico é a noite crítica, a duração mínima de escuro ininterrupto necessária para induzir a floração.
As plantas de dia curto, ou plantas de noite longa, florescem quando a noite é maior que a noite crítica: crisântemo, morango e soja são exemplos clássicos. Elas florescem, em geral, no outono e no inverno, quando as noites são longas. As plantas de dia longo, ou plantas de noite curta, florescem quando a noite é menor que a noite crítica: alface, espinafre e trigo florescem na primavera e no verão, quando as noites são curtas. As plantas neutras ou indiferentes, como o tomate e o milho, florescem independentemente do fotoperíodo, quando atingem certa idade.
O pigmento que mede a luz é o fitocromo, que existe em duas formas interconversíveis: Pr, que absorve luz vermelha, e Pfr, que absorve luz vermelho-distante. Durante o dia, a luz converte Pr em Pfr; durante a noite, o Pfr vai se convertendo lentamente de volta em Pr. Ao amanhecer, a proporção entre as duas formas informa à planta quanto tempo durou a noite. Um clarão de luz no meio de uma noite longa — mesmo que breve — reconverte Pr em Pfr e “reinicia” a contagem da noite, impedindo a floração de uma planta de dia curto e induzindo a de uma planta de dia longo. É por isso que um poste aceso a noite toda pode atrasar a floração de um crisântemo.
Na agricultura, o fotoperiodismo é usado com iluminação artificial para antecipar ou retardar a floração, produzindo crisântemos o ano inteiro ou evitando que a alface floresça cedo e fique amarga. O florígeno, o hipotético hormônio da floração produzido nas folhas e transportado até o meristema, completa o quadro: a folha percebe o fotoperíodo e o meristema responde florescendo.
Regra de ouro: para planta de dia curto, o que importa é a noite ser longa e ininterrupta; para planta de dia longo, a noite ser curta. Se a questão interromper a noite com um flash de luz, pense em fitocromo e em noite crítica, não em “quantidade total de luz do dia”.
Tabelas comparativas
Os cinco fitormônios principais
| Hormônio | Produção principal | Efeitos principais | Exemplo do cotidiano |
|---|---|---|---|
| Auxina (AIA) | Meristema apical, folhas jovens, sementes | Alongamento celular, dominância apical, fototropismo, formação de raízes em estacas | Planta da janela que entorta para a luz; poda que faz a planta ramificar |
| Giberelina | Sementes, folhas jovens, raízes, frutos | Alongamento do caule, quebra de dormência, germinação, indução de floração | Uvas sem sementes maiores; sementes que germinam após o inverno |
| Citocinina | Raízes | Divisão celular, formação de brotos, retardo da senescência foliar | Flores de corte que duram mais; folhas que ficam verdes por mais tempo |
| Etileno | Frutos em amadurecimento, folhas senescentes, tecidos feridos | Amadurecimento de frutos, abscisão de folhas e frutos, senescência de flores | Banana madura que acelera o amadurecimento da banana verde |
| Ácido abscísico (ABA) | Folhas, raízes, sementes, frutos | Fechamento estomático, dormência de sementes e gemas, inibição do crescimento | Planta que fecha os estômatos na seca para não desidratar |
Tropismo x Nastismo
| Característica | Tropismo | Nastismo |
|---|---|---|
| Relação com a direção do estímulo | Depende: a resposta aponta para o estímulo ou para longe dele | Independe: a resposta é sempre a mesma, venha o estímulo de onde vier |
| Mecanismo mais comum | Crescimento diferencial, em geral mediado por auxina | Variação de pressão de água nas células, sem crescimento |
| Velocidade | Lento, leva horas | Pode ser rápido, como na dioneia, ou rítmico, como no fechar noturno |
| Exemplos | Fototropismo, geotropismo, tigmotropismo | Fotonastismo, tigmonastismo, nictinastismo |
| Frase-chave da questão | “Curva-se para a luz”, “cresce para baixo”, “enrola-se no suporte” | “Fecha-se ao toque, de qualquer lado”, “abre de dia e fecha à noite” |
Fotoperiodismo e floração
| Tipo de planta | Floresce quando | Noite crítica | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Dia curto (noite longa) | A noite é longa, acima da noite crítica | Precisa de noite longa e ininterrupta | Crisântemo, morango, soja |
| Dia longo (noite curta) | A noite é curta, abaixo da noite crítica | Precisa de noite curta; noite longa inibe | Alface, espinafre, trigo |
| Neutra ou indiferente | Independentemente do fotoperíodo, ao atingir certa idade | Não há noite crítica decisiva | Tomate, milho |
Dica do professor
Na hora da prova, faça três perguntas antes de marcar qualquer alternativa sobre este tema. Primeira: é tropismo ou nastismo? A direção da resposta depende da direção do estímulo? Segunda: é caule ou raiz? Lembre que a auxina alonga o caule e inibe a raiz, então o mesmo estímulo produz curvaturas opostas nos dois órgãos. Terceira: é dia ou noite que a planta mede? No fotoperiodismo, pense sempre na noite crítica e no fitocromo, e desconfie de alternativas que falam apenas em “mais horas de sol”. Com essas três perguntas, você elimina a maioria das pegadinhas do tema sem precisar decorar listas inteiras.
Atenção / cuidado
Cuidado com cinco confusões clássicas. Primeira: fototropismo não é fotonastismo — o primeiro orienta o crescimento para a luz, o segundo abre ou fecha um órgão com a luz, sem orientar. Segunda: tigmotropismo não é tigmonastismo — a gavinha que se enrola no suporte cresce em direção ao toque, enquanto a dioneia fecha sempre do mesmo jeito, não importa de que lado venha o toque. Terceira: planta de dia curto não floresce “com pouco sol”, e sim com noite longa e ininterrupta; um clarão no meio da noite pode impedir sua floração. Quarta: auxina não faz tudo crescer — em alta concentração, ela inibe a raiz e, como herbicida sintético, pode matar a planta. Quinta: nem todo fruto amadurece depois de colhido — só os climatéricos, como banana e tomate, respondem bem ao etileno fora do pé.
Conexão com outras áreas
Este tema conecta Biologia com agricultura e tecnologia de alimentos: o controle do amadurecimento com etileno, o uso de giberelinas em uvas sem sementes, a poda baseada na dominância apical e a iluminação artificial para controlar a floração são aplicações diretas dos fitormônios e do fotoperiodismo. Conecta-se também com a ecologia, pois a floração sincronizada com a estação garante polinizadores e dispersores no momento certo, e com a fisiologia humana, por analogia: assim como nossos hormônios regulam crescimento e resposta ao estresse, os fitormônios regulam a vida da planta — com a diferença de que, nas plantas, não há sistema nervoso central comandando tudo. Por fim, conecta-se com a física, na explicação do geotropismo pelos estatólitos e da curvatura pelo crescimento diferencial, e com a química, na ação do etileno como gás e do fitocromo como pigmento fotossensível. Para continuar estudando na sala de estudo, revise os temas de Botânica e de fisiologia vegetal, que aparecem juntos nas provas de vestibular.
Para continuar estudando
Para fixar a Botânica, vale revisitar: Introdução à Botânica, Ciclo reprodutivo dos vegetais, Briófitas e Pteridófitas, Gimnospermas, Morfologia vegetal: Flor, semente e fruto e Morfologia vegetal: Raiz, caule e folha.


Mapa mental
- Hormônios e movimentos vegetais
- Fitormônios
- Auxina: alongamento, dominância apical, fototropismo; inibe a raiz em alta dose
- Giberelina: alongamento do caule, germinação, quebra de dormência
- Citocinina: divisão celular, brotos, retardo da senescência
- Etileno: gás do amadurecimento, abscisão, senescência
- Ácido abscísico: fecha estômatos, dormência, hormônio do estresse
- Equilíbrio entre hormônios decide a resposta; pares opostos: giberelina x ABA
- Tropismos (dependem da direção)
- Fototropismo: caule para a luz (+), raiz para longe da luz (−), auxina no lado sombreado
- Geotropismo: raiz para baixo (+), caule para cima (−), estatólitos
- Tigmotropismo: gavinhas enrolam-se no suporte
- Nastismos (independem da direção)
- Fotonastismo: flor abre de dia e fecha à noite
- Tigmonastismo: dioneia e dormideira fecham ao toque
- Nictinastismo: folhas “dormem” à noite
- Mecanismo: variação de pressão de água, não crescimento
- Fotoperiodismo
- A planta mede a noite, não o dia: noite crítica
- Dia curto: noite longa (crisântemo, soja); dia longo: noite curta (alface, trigo); neutra: tomate, milho
- Fitocromo Pr/Pfr; clarão na noite reinicia a contagem
- Florígeno: folha percebe, meristema floresce
- Fitormônios
SAQ — Perguntas e respostas rápidas
1. O que são fitormônios?
Substâncias produzidas em uma parte da planta que regulam processos fisiológicos em outra parte, em concentrações muito baixas.
2. Qual hormônio explica a planta que entorta para a janela?
A auxina: ela se acumula no lado sombreado do caule, que cresce mais e curva a planta para a luz.
3. Por que podar a ponta faz a planta ramificar?
Porque a gema apical produz auxina, que inibe as gemas laterais (dominância apical); sem a ponta, as laterais são liberadas.
4. Qual hormônio amadurece a banana e qual mantém a semente dormente?
O etileno acelera o amadurecimento; o ácido abscísico mantém a dormência da semente.
5. Qual a diferença entre tropismo e nastismo?
No tropismo, a direção da resposta depende da direção do estímulo; no nastismo, a resposta é sempre a mesma, venha o estímulo de onde vier.
6. Por que a raiz cresce para baixo e o caule para cima?
Por geotropismo: os estatólitos percebem a gravidade e redistribuem a auxina; a raiz, mais sensível, cresce menos no lado inferior, e o caule, menos sensível, cresce mais.
7. Dioneia é tropismo ou nastismo?
Tigmonastismo: ela fecha a armadilha ao toque, sempre do mesmo jeito, independentemente do lado do toque.
8. O que é noite crítica no fotoperiodismo?
É a duração mínima de escuro ininterrupto que induz (ou inibe) a floração; a planta mede a noite, por meio do fitocromo, e não o dia.
Questões comentadas
As questões abaixo são originais, elaboradas no estilo do ENEM, com situações-problema e alternativas que testam os erros mais comuns. Leia o enunciado com calma, elimine as alternativas absurdas primeiro e só depois decida entre as plausíveis.
Questão 1
Uma estudante deixou um vaso com uma plantinha jovem perto de uma janela, recebendo luz apenas de um lado. Depois de alguns dias, o caule estava curvado em direção à janela, enquanto a raiz, em um experimento com a planta em meio transparente, crescia para o lado oposto ao da luz. Esse comportamento é explicado, corretamente, por:
A) fototropismo positivo do caule e fototropismo negativo da raiz, mediados pela distribuição desigual de auxina.
B) fotonastismo do caule e geotropismo da raiz, ambos independentes da direção da luz.
C) tigmonastismo do caule, provocado pelo contato com o vidro da janela.
D) ação do etileno, que amadurece o caule e inibe o crescimento da raiz.
E) ação do ácido abscísico, que fecha os estômatos e curva o caule para a luz.
Gabarito: A. O caule cresce para a luz (positivo) e a raiz afasta-se dela (negativo), porque a auxina se acumula no lado sombreado: no caule, esse lado cresce mais; na raiz, mais sensível, cresce menos. As demais alternativas trocam tropismo por nastismo, confundem o estímulo (luz, não toque) ou atribuem o fenômeno a hormônios que não comandam essa curvatura.
Questão 2
Um produtor guarda bananas verdes em uma caixa fechada junto com bananas maduras e percebe que as verdes amadurecem bem mais rápido do que as guardadas sozinhas. O responsável por esse efeito é um fitormônio gasoso que também promove a queda de folhas e frutos. Trata-se do:
A) ácido abscísico.
B) etileno.
C) ácido indolacético.
D) florígeno.
E) fitocromo.
Gabarito: B. O etileno é o único fitormônio gasoso, liberado por frutos em amadurecimento, e acelera o amadurecimento dos vizinhos, além de promover a abscisão. O ácido abscísico fecha estômatos e mantém dormência; o ácido indolacético é uma auxina; florígeno é o hipotético hormônio da floração; fitocromo é o pigmento do fotoperiodismo, não um hormônio gasoso.
Questão 3
Um crisântemo, planta de dia curto, é cultivado em uma estufa em que, todas as noites, uma lâmpada é acesa por alguns minutos no meio da madrugada. O produtor observa que a planta demora muito mais para florescer do que o esperado. A melhor explicação é que:
A) a luz da madrugada aumenta a fotossíntese e atrasa a floração por excesso de energia.
B) o clarão interrompe a noite, reconverte o fitocromo e impede que a noite crítica seja atingida.
C) a lâmpada aquece a estufa e provoca o fechamento dos estômatos pelo ácido abscísico.
D) a planta é de dia longo e, portanto, precisa de noites curtas para florescer.
E) o etileno liberado pela lâmpada acelera a senescência e impede a floração.
Gabarito: B. Plantas de dia curto precisam de uma noite longa e ininterrupta; um clarão no meio da noite reinicia a contagem do fitocromo e a noite crítica não é atingida. A alternativa D inverte a classificação da planta, e as demais atribuem o efeito a mecanismos que não explicam o atraso da floração nesse experimento.
Questão 4
Uma trepadeira de ervilha encosta sua gavinha em um suporte e, ao longo de alguns dias, enrola-se firmemente ao redor dele, subindo em direção à luz. Em outro vaso, uma dormideira fecha seus folíolos sempre que é tocada, não importa de que lado venha o toque. Esses dois movimentos são, respectivamente:
A) tigmotropismo e tigmonastismo.
B) tigmonastismo e tigmotropismo.
C) fototropismo e nictinastismo.
D) geotropismo e fotonastismo.
E) quimionastismo e tigmotropismo.
Gabarito: A. A gavinha cresce em direção ao suporte, orientada pelo toque: tigmotropismo. A dormideira fecha sempre do mesmo jeito, independentemente da direção do toque: tigmonastismo. Inverter a ordem, como na alternativa B, é a pegadinha mais comum desse tema.



