Sala de estudos

Espelhos esféricos: o que cai no ENEM e nos vestibulares

O côncavo amplia ou inverte; o convexo sempre diminui e amplia o campo. Aprenda f = R/2, 1/f = 1/p + 1/p' e os casos de imagem do ENEM.

Ilustração estilo Pixar de um estudante diante de um espelho esférico côncavo vendo sua imagem refletida ampliada e direita, com raios de luz entre ele e o espelho.
Ilustração estilo Pixar de um estudante diante de um espelho esférico côncavo vendo sua imagem refletida ampliada e direita, com raios de luz entre ele e o espelho.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é um espelho esférico
  3. Côncavo e convexo: como distinguir sem errar
  4. Os raios notáveis: o atalho para construir a imagem
  5. A equação dos pontos conjugados e o aumento
  6. Os casos de formação de imagem no espelho côncavo
  7. O espelho convexo: um único caso, sempre igual
  8. Espelhos esféricos no cotidiano e nos instrumentos
  9. Mapa mental
  10. SAQ — Perguntas e respostas curtas
  11. Questões comentadas
  12. Dica do professor
  13. Atenção / cuidado
  14. Conexão com outras áreas
  15. Incidência

Resumo rápido

Os espelhos esféricos são superfícies refletoras em forma de calota esférica, e são um dos temas mais visuais da óptica geométrica no ENEM e nos vestibulares. Diferente do espelho plano, que nunca amplia nem reduz, o espelho esférico pode ampliar, reduzir, inverter ou manter a imagem direita, dependendo do tipo de espelho e da posição do objeto. Este é um tema ⚡ Pode cair da Física, e aparece sempre que a prova quer testar se o estudante sabe distinguir o espelho côncavo do convexo, aplicar a equação dos pontos conjugados e prever o tipo de imagem sem precisar desenhar tudo.

A ideia central cabe em duas frases. No espelho côncavo, a imagem muda conforme o objeto se aproxima ou se afasta: pode ser real ou virtual, maior ou menor, direita ou invertida. No espelho convexo, a imagem é sempre a mesma, não importa onde esteja o objeto: virtual, direita e menor que o objeto, mas com um campo visual muito maior. Nesta matéria, você vai aprender os elementos do espelho esférico, os raios notáveis, as fórmulas com valores exatos, todos os casos de formação de imagem e os exemplos do cotidiano, como o espelho de aumento do banheiro, o retrovisor do carro e o farol. Ao final, há mapa mental, perguntas e respostas curtas e questões comentadas originais, no estilo das provas, para treinar na sala de estudo.

O que é um espelho esférico

Um espelho esférico é uma calota de uma esfera, com uma das faces polida e refletora. Imagine uma esfera oca de vidro com a superfície interna espelhada: se cortarmos um pedaço dela, temos uma calota esférica. Se a face refletora for a parte de dentro da calota, isto é, a face voltada para o centro da esfera, o espelho é côncavo, como uma concha ou uma colher vista por dentro. Se a face refletora for a parte de fora da calota, voltada para fora do centro, o espelho é convexo, como a parte de fora de uma colher ou o retrovisor externo do carro. A face que não reflete é opaca, para que a luz não atravesse o espelho.

Para descrever um espelho esférico, usamos cinco elementos. O centro de curvatura, representado por \( C \), é o centro da esfera da qual a calota foi retirada. O vértice, representado por \( V \), é o ponto central do espelho, o ponto mais alto da calota. O raio de curvatura, representado por \( R \), é a distância entre o centro de curvatura e o vértice, ou seja, \( R = CV \). O eixo principal é a reta que passa pelo centro de curvatura e pelo vértice. O foco principal, representado por \( F \), é o ponto do eixo principal para onde convergem os raios que incidem paralelamente ao eixo em um espelho côncavo, ou de onde parecem divergir os raios refletidos em um espelho convexo. A distância entre o foco e o vértice é a distância focal, representada por \( f \).

Para espelhos de pequena abertura, aqueles em que a calota é pouco profunda, vale a relação fundamental entre a distância focal e o raio de curvatura:

\[ f = \frac{R}{2} \]

Ou seja, o foco fica no ponto médio entre o centro de curvatura e o vértice. Um espelho com raio de curvatura de 40 cm, por exemplo, tem distância focal de 20 cm. Um espelho com raio de 60 cm tem distância focal de 30 cm. Essa relação vale tanto para o côncavo quanto para o convexo, e é o primeiro passo de quase toda conta de espelho esférico: se a questão der o raio, ache o foco dividindo por dois, antes de qualquer outra coisa.

ElementoSímboloDefinição
Centro de curvatura\( C \)Centro da esfera da qual a calota foi retirada
Vértice\( V \)Ponto central do espelho
Raio de curvatura\( R \)Distância entre \( C \) e \( V \); vale \( R = 2f \)
Foco principal\( F \)Ponto do eixo principal onde os raios paralelos convergem (côncavo) ou de onde parecem divergir (convexo)
Distância focal\( f \)Distância entre \( F \) e \( V \); vale \( f = \frac{R}{2} \)
Eixo principal—Reta que passa por \( C \) e por \( V \)

Côncavo e convexo: como distinguir sem errar

A forma mais segura de distinguir os dois tipos é olhar para onde está o centro de curvatura em relação à face refletora. No espelho côncavo, a face refletora está voltada para o centro de curvatura: é como olhar para dentro de uma tigela espelhada. No espelho convexo, a face refletora está voltada para fora, para o lado oposto ao centro de curvatura: é como olhar para fora de uma bola espelhada. Na dúvida, pense na colher: o lado de dentro da colher é côncavo e amplia o rosto quando aproximamos; o lado de fora da colher é convexo e diminui o rosto.

Outra diferença decisiva é o que cada um faz com um feixe de raios paralelos. O espelho côncavo converge os raios: raios que chegam paralelos ao eixo principal refletem-se passando pelo foco, que é real, na frente do espelho. Por isso o côncavo também é chamado de espelho convergente. O espelho convexo diverge os raios: raios que chegam paralelos ao eixo refletem-se abrindo-se, como se tivessem saído do foco, que é virtual, atrás do espelho. Por isso o convexo também é chamado de espelho divergente. Essa diferença explica os usos: o côncavo concentra luz e amplia imagens próximas; o convexo espalha a visão e mostra um campo maior.

Os raios notáveis: o atalho para construir a imagem

Para construir a imagem de um objeto em um espelho esférico, não é preciso traçar todos os raios que saem do objeto: bastam dois raios notáveis, que têm comportamento conhecido. O primeiro raio notável é o raio que incide paralelo ao eixo principal: no espelho côncavo, ele reflete passando pelo foco; no espelho convexo, ele reflete como se tivesse saído do foco, com o prolongamento passando pelo foco atrás do espelho. O segundo raio notável é o raio que incide passando pelo foco (no côncavo) ou em direção ao foco (no convexo): ele reflete paralelo ao eixo principal. O terceiro raio notável, muito útil, é o raio que incide passando pelo centro de curvatura: ele atinge o espelho perpendicularmente à superfície e volta sobre si mesmo, pelo mesmo caminho. O quarto raio notável é o raio que incide no vértice: ele reflete com o mesmo ângulo em relação ao eixo principal, do outro lado, como em um espelho plano.

Com dois desses raios, partindo da ponta do objeto, encontramos a imagem da ponta: se os raios refletidos se encontram de fato, na frente do espelho, a imagem é real; se apenas os prolongamentos dos raios refletidos se encontram, atrás do espelho, a imagem é virtual. A base do objeto, apoiada no eixo principal, tem imagem também sobre o eixo, e a imagem completa fica entre a imagem da ponta e o eixo. Lembre-se: imagem real pode ser projetada em uma tela e é formada pelo encontro efetivo dos raios; imagem virtual não se projeta em tela e é formada pelo encontro dos prolongamentos.

A equação dos pontos conjugados e o aumento

A construção geométrica mostra o tipo de imagem, mas as provas cobram também a posição e o tamanho exatos, e para isso usamos duas fórmulas. Chamando de \( p \) a distância do objeto ao vértice, de \( p’ \) a distância da imagem ao vértice e de \( f \) a distância focal, a equação dos pontos conjugados, também chamada de equação de Gauss, é:

\[ \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} \]

Para usar a fórmula, é preciso respeitar a convenção de sinais. A distância do objeto, \( p \), é sempre positiva, porque o objeto real fica na frente do espelho. A distância focal, \( f \), é positiva no espelho côncavo e negativa no espelho convexo. A distância da imagem, \( p’ \), sai positiva quando a imagem é real, na frente do espelho, e negativa quando a imagem é virtual, atrás do espelho. Em palavras: o sinal de \( p’ \) já diz se a imagem é real ou virtual, sem precisar desenhar nada.

A segunda fórmula é a do aumento linear transversal, representado por \( A \). Ele compara a altura da imagem, \( h_i \), com a altura do objeto, \( h_o \), e também se relaciona com as distâncias:

\[ A = \frac{h_i}{h_o} = -\frac{p’}{p} \]

A leitura do aumento é direta. Se \( |A| > 1 \), a imagem é maior que o objeto; se \( |A| < 1 \), é menor; se \( |A| = 1 \), tem o mesmo tamanho. Se \( A \) é positivo, a imagem é direita; se \( A \) é negativo, a imagem é invertida. O sinal negativo da fórmula não é um detalhe: ele garante que uma imagem real, com \( p' \) positivo, saia invertida, e que uma imagem virtual, com \( p' \) negativo, saia direita. Um exemplo completo: objeto a 30 cm de um espelho côncavo de distância focal 20 cm. Pela equação, \( \frac{1}{20} = \frac{1}{30} + \frac{1}{p'} \), logo \( \frac{1}{p'} = \frac{1}{20} - \frac{1}{30} = \frac{1}{60} \), então \( p' = 60 \) cm. A imagem é real, a 60 cm do espelho, e o aumento é \( A = -\frac{60}{30} = -2 \): imagem invertida e duas vezes maior que o objeto.

Os casos de formação de imagem no espelho côncavo

No espelho côncavo, são cinco os casos, conforme a posição do objeto sobre o eixo principal. Eles são a parte mais cobrada do tema, e valem a pena ser memorizados em ordem, do objeto mais longe para o mais perto.

Posição do objetoImagemCaracterísticas
Além do centro de curvatura (\( p > 2f \))Entre \( F \) e \( C \)Real, invertida e menor que o objeto
Sobre o centro de curvatura (\( p = 2f \))Sobre \( C \)Real, invertida e do mesmo tamanho que o objeto
Entre o centro e o foco (\( f < p < 2f \))Além de \( C \)Real, invertida e maior que o objeto
Sobre o foco (\( p = f \))No infinitoImagem imprópria: os raios refletidos saem paralelos e não se encontram
Entre o foco e o vértice (\( p < f \))Atrás do espelhoVirtual, direita e maior que o objeto

Repare no padrão: enquanto o objeto está além do foco, a imagem é real e invertida, e vai crescendo à medida que o objeto se aproxima do foco. Quando o objeto cruza o foco e fica entre o foco e o espelho, a imagem muda completamente de natureza: passa a ser virtual, direita e ampliada. É esse último caso que usamos no dia a dia: o espelho de aumento do banheiro é um espelho côncavo, e o rosto fica entre o foco e o espelho, por isso aparece ampliado e direito. Já o caso do objeto sobre o foco, com imagem no infinito, é o princípio do farol: colocando a lâmpada no foco do espelho côncavo, os raios refletidos saem paralelos e formam um feixe dirigido, que ilumina longe sem se espalhar.

Um exemplo numérico do caso ampliado: objeto de 4 cm de altura a 10 cm de um espelho côncavo de distância focal 20 cm. Pela equação, \( \frac{1}{20} = \frac{1}{10} + \frac{1}{p’} \), logo \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{20} – \frac{1}{10} = -\frac{1}{20} \), então \( p’ = -20 \) cm. O sinal negativo confirma: imagem virtual, a 20 cm atrás do espelho. O aumento é \( A = -\frac{(-20)}{10} = 2 \): imagem direita e duas vezes maior, com 8 cm de altura.

O espelho convexo: um único caso, sempre igual

No espelho convexo, não há casos para decorar: qualquer que seja a posição do objeto, a imagem é sempre virtual, direita e menor que o objeto, formada atrás do espelho, entre o vértice e o foco. Isso acontece porque os raios refletidos sempre divergem, e só os seus prolongamentos se encontram atrás do espelho. À medida que o objeto se afasta, a imagem vai ficando cada vez menor e cada vez mais próxima do foco, mas nunca muda de natureza.

Um exemplo numérico confirma a regra. Objeto a 30 cm de um espelho convexo de distância focal \( f = -20 \) cm, lembrando o sinal negativo do convexo. Pela equação, \( \frac{1}{-20} = \frac{1}{30} + \frac{1}{p’} \), logo \( \frac{1}{p’} = -\frac{1}{20} – \frac{1}{30} = -\frac{5}{60} \), então \( p’ = -12 \) cm. A imagem é virtual, a 12 cm atrás do espelho, e o aumento é \( A = -\frac{(-12)}{30} = 0,4 \): imagem direita e com 40% do tamanho do objeto. O preço da imagem menor é compensado por uma vantagem enorme: o campo visual do espelho convexo é muito maior que o do espelho plano, por isso ele é usado nos retrovisores externos dos carros, nos espelhos de segurança de lojas e estacionamentos e nas curvas de estradas sem visibilidade. É por isso que os retrovisores trazem o aviso de que os objetos estão mais próximos do que parecem: a imagem menor faz o motorista subestimar a distância.

EspelhoImagem (sempre)Uso típico
Côncavo, objeto além do focoReal, invertida, maior, menor ou igual, conforme a posiçãoTelescópios refletores, projetores, espelhos de dentista afastados
Côncavo, objeto entre foco e vérticeVirtual, direita e maiorEspelho de aumento, espelho de barbear e de maquiagem
Côncavo, objeto no focoImagem no infinito, raios paralelosFaróis de carro, lanternas, holofotes
Convexo, qualquer posiçãoVirtual, direita e menorRetrovisor externo, espelho de segurança, espelho de curva de estrada

Espelhos esféricos no cotidiano e nos instrumentos

O espelho côncavo concentra luz e calor. Além do farol e do espelho de aumento, ele aparece nos telescópios refletores, que usam um grande espelho côncavo para captar a luz fraca das estrelas e formar a imagem, e nos fornos solares, que concentram a luz do Sol em um ponto para gerar altas temperaturas. O dentista usa um pequeno espelho côncavo para ver o dente ampliado, e o refletor de uma lanterna usa o mesmo princípio do farol, com a lâmpada no foco. Já o espelho convexo aparece onde é preciso ver muito com um espelho pequeno: retrovisores, espelhos de lojas, caixas eletrônicos e cruzamentos perigosos. O estudo da reflexão completa-se com os espelhos planos, que não ampliam nem reduzem, e com a refração, que explica as lentes. Para revisar os fundamentos da luz antes desta matéria, vale voltar à sala de estudo do cliquevestibular.

Diagrama estilo Pixar de um espelho esférico côncavo com foco, centro de curvatura e raios refletidos formando imagem, ao lado de um espelho convexo com imagem virtual menor e direita.
Diagrama estilo Pixar de um espelho esférico côncavo com foco, centro de curvatura e raios refletidos formando imagem, ao lado de um espelho convexo com imagem virtual menor e direita.
Ilustração estilo Pixar de um carro com retrovisor convexo mostrando uma rua ampla atrás dele e de um farol com espelho côncavo projetando um feixe de luz forte para a frente.
Ilustração estilo Pixar de um carro com retrovisor convexo mostrando uma rua ampla atrás dele e de um farol com espelho côncavo projetando um feixe de luz forte para a frente.

Mapa mental

Espelhos esféricos: Calota esférica refletora: côncavo — face interna, voltada para o centro, convergente; convexo — face externa, divergente. Elementos: centro de curvatura \( C \), vértice \( V \), raio \( R = CV \), eixo principal (reta por \( C \) e \( V \)), foco \( F \), distância focal \( f = \frac{R}{2} \). Raios notáveis: paralelo ao eixo reflete pelo foco (ou como se saísse dele, no convexo); pelo foco reflete paralelo ao eixo; pelo centro volta sobre si mesmo; no vértice reflete com o mesmo ângulo com o eixo. Equação dos pontos conjugados: \( \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} \), com \( p \) sempre positivo, \( f \) positivo no côncavo e negativo no convexo, \( p’ \) positivo se a imagem é real e negativo se é virtual. Aumento: \( A = \frac{h_i}{h_o} = -\frac{p’}{p} \); \( |A| > 1 \) maior, \( |A| < 1 \) menor, \( A \) positivo direita, \( A \) negativo invertida. Côncavo: além de \( C \) → real, invertida, menor; em \( C \) → real, invertida, igual; entre \( C \) e \( F \) → real, invertida, maior; em \( F \) → imagem no infinito; entre \( F \) e \( V \) → virtual, direita, maior. Convexo: sempre virtual, direita e menor, entre \( V \) e \( F \), com campo visual ampliado. Cotidiano: espelho de aumento e farol (côncavo), retrovisor externo e espelho de segurança (convexo), telescópio refletor e forno solar (côncavo).

SAQ — Perguntas e respostas curtas

1. Qual é a relação entre a distância focal e o raio de curvatura de um espelho esférico? A distância focal é a metade do raio de curvatura: \( f = \frac{R}{2} \).

2. Como distinguir um espelho côncavo de um convexo? No côncavo, a face refletora está voltada para o centro de curvatura; no convexo, está voltada para fora. Na colher, o lado de dentro é côncavo e o de fora é convexo.

3. Qual é a equação dos pontos conjugados? É \( \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} \), em que \( p \) é a distância do objeto, \( p’ \) a da imagem e \( f \) a distância focal.

4. Como o sinal de \( p’ \) indica o tipo de imagem? Se \( p’ \) é positivo, a imagem é real, na frente do espelho; se é negativo, a imagem é virtual, atrás do espelho.

5. O que diz o aumento \( A = -\frac{p’}{p} \)? Se \( |A| > 1 \), a imagem é maior; se \( |A| < 1 \), é menor; se \( A \) é positivo, é direita; se é negativo, é invertida.

6. Que imagem forma um espelho côncavo quando o objeto está entre o foco e o vértice? Forma uma imagem virtual, direita e maior que o objeto: é o caso do espelho de aumento.

7. Que imagem forma um espelho convexo, qualquer que seja a posição do objeto? Sempre uma imagem virtual, direita e menor que o objeto, atrás do espelho, entre o vértice e o foco.

8. Por que o farol usa um espelho côncavo com a lâmpada no foco? Porque os raios que saem do foco refletem-se paralelos ao eixo principal, formando um feixe dirigido que ilumina longe sem se espalhar.

Questões comentadas

Questão 1. Um espelho esférico côncavo tem raio de curvatura de 50 cm. Sua distância focal, em centímetros, é:
a) 10   b) 20   c) 25   d) 50   e) 100
Gabarito: c. Pela relação \( f = \frac{R}{2} = \frac{50}{2} = 25 \) cm. Quem responde 50 cm confundiu o raio com a distância focal.

Questão 2. Uma vela de 6 cm de altura está a 30 cm de um espelho côncavo de distância focal 20 cm. A imagem formada é:
a) virtual, direita e de 12 cm   b) real, invertida e de 12 cm   c) real, direita e de 3 cm   d) virtual, invertida e de 3 cm   e) real, invertida e de 3 cm
Gabarito: b. Pela equação, \( \frac{1}{20} = \frac{1}{30} + \frac{1}{p’} \), logo \( p’ = 60 \) cm, imagem real. O aumento é \( A = -\frac{60}{30} = -2 \), logo a imagem é invertida e tem \( 2 \cdot 6 = 12 \) cm de altura.

Questão 3. Um estudante aproxima o rosto de um espelho de aumento do banheiro e vê sua imagem direita e ampliada. Sobre esse espelho, é correto afirmar que ele é:
a) plano   b) convexo   c) côncavo, com o rosto entre o foco e o vértice   d) côncavo, com o rosto além do centro de curvatura   e) convexo, com o rosto sobre o foco
Gabarito: c. Só o espelho côncavo com o objeto entre o foco e o vértice produz imagem virtual, direita e maior. O espelho plano não amplia, e o convexo só produz imagem menor.

Questão 4. Um objeto está a 40 cm de um espelho convexo de distância focal 20 cm em módulo. A distância da imagem ao espelho, em centímetros, e o seu tipo são:
a) 13,3, virtual   b) 13,3, real   c) 40, virtual   d) 20, real   e) 10, virtual
Gabarito: a. Para o convexo, \( f = -20 \) cm. Então \( \frac{1}{-20} = \frac{1}{40} + \frac{1}{p’} \), logo \( \frac{1}{p’} = -\frac{1}{20} – \frac{1}{40} = -\frac{3}{40} \), e \( p’ = -13,3 \) cm. O sinal negativo indica imagem virtual, a 13,3 cm atrás do espelho.

Questão 5. Um objeto é colocado sobre o centro de curvatura de um espelho esférico côncavo. A imagem formada é:
a) virtual, direita e maior   b) real, invertida e do mesmo tamanho que o objeto   c) real, direita e menor   d) virtual, invertida e menor   e) imprópria, no infinito
Gabarito: b. Com \( p = 2f \), a equação dá \( p’ = 2f \), e o aumento é \( A = -1 \): imagem real, invertida e do mesmo tamanho que o objeto, formada sobre o próprio centro de curvatura.

Questão 6. O retrovisor externo de um carro usa um espelho convexo porque ele:
a) amplia a imagem dos veículos atrás   b) forma imagem real e invertida   c) aumenta o campo visual, mesmo formando imagem menor   d) concentra a luz no olho do motorista   e) forma imagem no infinito
Gabarito: c. O espelho convexo diverge os raios e mostra uma região muito mais ampla que o espelho plano, o que compensa a imagem menor. É por isso que os veículos parecem mais distantes do que realmente estão.

Dica do professor

Para espelhos esféricos, guarde três atalhos antes de fazer qualquer conta. Primeiro: ache o foco — se a questão der o raio, \( f = \frac{R}{2} \); se der o foco, o raio é o dobro. Segundo: olhe o sinal — convexo sempre com \( f \) negativo, e \( p’ \) negativo significa imagem virtual, sem precisar desenhar. Terceiro: decora o convexo e o caso do aumento — convexo é sempre virtual, direita e menor; côncavo com o objeto entre o foco e o vértice é virtual, direita e maior. Com esses dois casos na ponta da língua e a equação \( \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} \) para os demais, quase toda questão de espelho esférico do ENEM se resolve em poucas linhas. E atenção: na hora de calcular o aumento, não esqueça o sinal negativo de \( A = -\frac{p’}{p} \), que é o que transforma uma imagem real em invertida.

Atenção / cuidado

Cuidado com seis armadilhas clássicas. Primeira: usar o raio de curvatura no lugar da distância focal na equação — lembre-se de que \( f = \frac{R}{2} \). Segunda: esquecer o sinal negativo do foco do espelho convexo, o que inverte todo o resultado. Terceira: dizer que a imagem do espelho convexo pode ser real ou invertida — ela é sempre virtual, direita e menor. Quarta: confundir o caso do objeto no foco, que dá imagem no infinito, com o caso do objeto entre o foco e o vértice, que dá imagem virtual ampliada. Quinta: esquecer o sinal negativo do aumento e dizer que uma imagem real é direita. Sexta: achar que o espelho côncavo sempre amplia — além do centro de curvatura, ele forma imagem menor que o objeto.

Conexão com outras áreas

Os espelhos esféricos ligam a Física à Matemática, à astronomia, à medicina e à tecnologia. Na Matemática, a equação dos pontos conjugados é uma equação com frações, e o aumento é uma razão entre alturas e distâncias, o que treina proporção e semelhança de triângulos. Na astronomia, os telescópios refletores usam grandes espelhos côncavos para captar a luz das estrelas, e o mesmo princípio aparece nos radiotelescópios. Na medicina, espelhos côncavos ampliam detalhes no consultório odontológico e em exames. Na tecnologia, faróis, lanternas, holofotes, fornos solares e retrovisores usam todos os dias as regras desta matéria. Para revisar a reflexão nos espelhos planos antes de avançar, vale voltar à sala de estudo do cliquevestibular.

Incidência

Esta matéria é classificada como ⚡ Pode cair: os espelhos esféricos aparecem com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, geralmente em questões que pedem a distinção entre côncavo e convexo, a aplicação de \( f = \frac{R}{2} \) e da equação dos pontos conjugados, ou a identificação do tipo de imagem em uma situação do cotidiano, como o retrovisor ou o espelho de aumento. Vale a revisão completa, com atenção especial aos sinais da fórmula e aos casos do espelho côncavo.