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Capacitores: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Capacitor armazena carga elétrica e energia para liberar na hora certa: entenda capacitância, fórmulas, associações em série e paralelo e os usos no flash e no desfibrilador, com questões comentadas.

Capacitor cilíndrico em estilo Pixar com duas placas metálicas paralelas, faíscas elétricas azuis e fios de circuito em um laboratório de física colorido.
Capacitor cilíndrico em estilo Pixar com duas placas metálicas paralelas, faíscas elétricas azuis e fios de circuito em um laboratório de física colorido.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é um capacitor
  3. Carga, tensão e capacitância
  4. Capacitor de placas paralelas
  5. Energia armazenada no capacitor
  6. Associação de capacitores em série
  7. Associação de capacitores em paralelo
  8. Tabelas: associação em série x paralelo
  9. Tabela: grandezas e fórmulas
  10. Carga e descarga do capacitor
  11. Dielétrico: por que colocar um isolante entre as placas
  12. Usos do capacitor no dia a dia
  13. Mapa mental
  14. SAQ — perguntas curtas
  15. Questões comentadas
  16. Dica do professor
  17. Atenção/cuidado
  18. Conexão com outras áreas
  19. Incidência

Resumo rápido

Um capacitor é um componente elétrico que armazena carga elétrica e, junto com ela, energia. Ele é formado, na versão mais simples, por duas placas condutoras separadas por um material isolante, chamado de dielétrico. Quando ligamos o capacitor a uma fonte de tensão, uma placa fica carregada positivamente e a outra, negativamente, com cargas de mesmo módulo. Mesmo depois de desligado da fonte, o capacitor continua guardando essa carga até que seja ligado a um circuito que permita a sua descarga.

A grandeza que mede a capacidade de um capacitor de armazenar carga para uma certa tensão é a capacitância, representada pela letra C. Ela é definida pela razão entre a carga armazenada e a tensão aplicada: quanto maior a capacitância, mais carga o capacitor guarda para a mesma tensão. A unidade de capacitância no Sistema Internacional é o farad, símbolo F, uma unidade muito grande para os capacitores do dia a dia, por isso é comum usar microfarad (µF), nanofarad (nF) e picofarad (pF).

Os capacitores aparecem em praticamente todos os aparelhos eletrônicos: eles estabilizam tensões, filtram sinais, armazenam energia para descargas rápidas e ajudam circuitos a funcionarem no tempo certo. O flash de uma câmera, o desfibrilador usado em emergências médicas e a memória de muitos equipamentos dependem desse armazenamento rápido de energia. No ENEM e nos vestibulares, os temas mais cobrados são a definição de capacitância, o capacitor de placas paralelas, a energia armazenada e as associações em série e em paralelo, quase sempre com contas diretas e interpretação de gráficos.

O que é um capacitor

Imagine duas placas de metal colocadas frente a frente, sem se tocar, com um material isolante entre elas. Esse conjunto é um capacitor de placas paralelas, o modelo mais estudado no ensino médio. Quando conectamos as placas aos terminais de uma bateria, elétrons são retirados de uma placa e empurrados para a outra. Uma placa fica com falta de elétrons, ou seja, carga positiva; a outra fica com excesso de elétrons, ou seja, carga negativa. As duas placas terminam com cargas de mesmo módulo, que chamamos de Q, mas de sinais opostos.

Entre as placas surge um campo elétrico praticamente uniforme, que vai da placa positiva para a placa negativa. É esse campo que “segura” a separação das cargas: enquanto o capacitor estiver isolado, as cargas não conseguem atravessar o dielétrico, e a energia fica armazenada no campo elétrico entre as placas. Por isso dizemos que o capacitor armazena energia no campo elétrico, e não como uma pilha, que armazena energia em reações químicas.

Quando ligamos o capacitor carregado a um resistor, por exemplo, as cargas voltam a se movimentar: os elétrons em excesso na placa negativa atravessam o circuito externo até a placa positiva, e surge uma corrente elétrica que diminui com o tempo, até o capacitor ficar descarregado. Esse processo é a descarga do capacitor. O processo inverso, em que a bateria empurra cargas para as placas, é a carga do capacitor. Nos dois casos, a corrente é maior no início e vai diminuindo, o que gera os gráficos de carga e descarga tão cobrados nas provas.

Vale notar um detalhe importante: o capacitor não deixa passar corrente contínua em regime permanente. Depois de completamente carregado, ele se comporta como um circuito aberto para corrente contínua, porque o dielétrico impede a passagem das cargas. Já em circuitos de corrente alternada ele se comporta de outra forma, mas esse comportamento mais avançado costuma ficar fora do foco do ensino médio.

Carga, tensão e capacitância

A relação fundamental do capacitor é simples e aparece em quase todas as questões do tema. Se um capacitor armazena carga de módulo Q quando submetido a uma tensão U entre suas placas, a sua capacitância C é:

\[ C = \frac{Q}{U} \]

Ou, na forma mais usada para contas: \( Q = C \cdot U \). Isso significa que carga e tensão são diretamente proporcionais para um mesmo capacitor: dobrando a tensão, dobra a carga armazenada. O gráfico de Q em função de U é uma reta que passa pela origem, e a inclinação dessa reta é justamente a capacitância. Se a questão der um gráfico, basta pegar um ponto qualquer dele e dividir a carga pela tensão para achar C.

Exemplo 1. Um capacitor de capacitância \( C = 20 \, \mu\text{F} \) é ligado a uma bateria de 12 V. Qual é a carga armazenada em cada placa?

Usamos \( Q = C \cdot U = 20 \times 10^{-6} \times 12 = 240 \times 10^{-6} \, \text{C} = 240 \, \mu\text{C} \). Portanto, uma placa fica com \( +240 \, \mu\text{C} \) e a outra com \( -240 \, \mu\text{C} \). O módulo da carga do capacitor é \( 240 \, \mu\text{C} \).

Exemplo 2. Um gráfico mostra que um capacitor armazena \( 600 \, \mu\text{C} \) quando a tensão é de 30 V. Qual é a sua capacitância?

\( C = Q / U = 600 \times 10^{-6} / 30 = 20 \times 10^{-6} \, \text{F} = 20 \, \mu\text{F} \). Perceba que a conta é direta: o trabalho é converter micro para a potência de dez certa e não se perder nas unidades.

As conversões mais úteis são: \( 1 \, \mu\text{F} = 10^{-6} \, \text{F} \), \( 1 \, \text{nF} = 10^{-9} \, \text{F} \) e \( 1 \, \text{pF} = 10^{-12} \, \text{F} \). Uma dica prática: transforme tudo para farad antes de multiplicar, ou trabalhe com microfarad e microcoulomb de forma coerente, porque \( 1 \, \mu\text{F} \times 1 \, \text{V} = 1 \, \mu\text{C} \).

A capacitância depende apenas da geometria do capacitor e do material entre as placas, e não da carga nem da tensão aplicadas. Ou seja, se você dobrar a tensão, a carga dobra junto, mas C continua o mesmo. Esse é um erro clássico: muita gente pensa que aumentar a tensão aumenta a capacitância, mas o que aumenta é a carga armazenada.

Para aprofundar o conceito de carga e de potencial, vale revisar carga elétrica e potencial elétrico, trabalho e energia, que são a base de tudo o que vem a seguir.

Capacitor de placas paralelas

Para um capacitor de placas paralelas, a capacitância pode ser calculada a partir da área das placas, da distância entre elas e do material que as separa:

\[ C = \frac{\varepsilon \cdot A}{d} \]

Nessa fórmula, A é a área de uma das placas, d é a distância entre elas e ε (épsilon) é a permissividade elétrica do meio entre as placas. No vácuo, \( \varepsilon_0 = 8,85 \times 10^{-12} \, \text{F/m} \). Quando há um dielétrico, escrevemos \( \varepsilon = K \cdot \varepsilon_0 \), em que K é a constante dielétrica do material, sempre maior que 1. Por isso, colocar um dielétrico entre as placas aumenta a capacitância: o material se polariza e reduz o campo elétrico interno, permitindo armazenar mais carga para a mesma tensão.

A fórmula mostra três efeitos que caem muito em prova, inclusive em questões conceituais sem conta:

  • Aumentar a área das placas aumenta a capacitância, porque há mais espaço para acumular carga.
  • Aumentar a distância entre as placas diminui a capacitância, porque o campo fica mais fraco e a atração entre as placas diminui.
  • Colocar um dielétrico com constante maior aumenta a capacitância, e também aumenta a tensão máxima que o capacitor suporta sem romper, chamada de tensão de ruptura.

Exemplo 3. Um capacitor de placas paralelas tem área de \( 0,02 \, \text{m}^2 \), distância de 1 mm entre as placas e vácuo entre elas. Qual é a sua capacitância?

Temos \( d = 1 \, \text{mm} = 1 \times 10^{-3} \, \text{m} \). Então \( C = \varepsilon_0 \cdot A / d = 8,85 \times 10^{-12} \times 0,02 / 1 \times 10^{-3} = 1,77 \times 10^{-10} \, \text{F} = 177 \, \text{pF} \). Repare como a capacitância de um capacitor de ar é pequena: para chegar a valores de microfarad, os capacitores reais usam áreas enormes enroladas e dielétricos finíssimos.

Exemplo 4. Se a distância entre as placas do exemplo anterior dobrar, o que acontece com a capacitância, mantendo a mesma tensão? Como \( C \) é inversamente proporcional a d, a capacitância cai pela metade, para \( 88,5 \, \text{pF} \), e a carga armazenada também cai pela metade, pois \( Q = C \cdot U \).

Um caso especial muito cobrado é o condutor esférico isolado, que também pode ser tratado como um capacitor. Para revisar esse caso, veja condutor esférico e capacitância.

Energia armazenada no capacitor

Carregar um capacitor exige trabalho: a bateria precisa empurrar cargas contra a repulsão das cargas que já estão na placa. Esse trabalho fica armazenado como energia potencial elétrica no campo entre as placas. A energia armazenada pode ser calculada por qualquer uma destas formas equivalentes:

\[ E = \frac{Q \cdot U}{2} = \frac{C \cdot U^2}{2} = \frac{Q^2}{2C} \]

Escolha a fórmula conforme os dados da questão: se você tem carga e tensão, use a primeira; se tem capacitância e tensão, use a segunda; se tem carga e capacitância, use a terceira. Todas dão o mesmo resultado, e confundir o fator 1/2 é um dos erros mais comuns do tema.

Exemplo 5. Um capacitor de \( 100 \, \mu\text{F} \) é carregado com 20 V. Qual é a energia armazenada?

\( E = C \cdot U^2 / 2 = 100 \times 10^{-6} \times 20^2 / 2 = 100 \times 10^{-6} \times 400 / 2 = 0,02 \, \text{J} \). São apenas 20 milijoules, mas liberados em uma fração de segundo eles geram uma potência enorme, e é isso que faz o flash funcionar.

Exemplo 6. Se a tensão do exemplo anterior dobrar para 40 V, o que acontece com a energia? Como a energia depende do quadrado da tensão, ela fica quatro vezes maior: \( E = 100 \times 10^{-6} \times 1600 / 2 = 0,08 \, \text{J} \). Dobrar a tensão dobra a carga, mas quadruplica a energia. Esse raciocínio de proporção resolve muitas questões sem precisar refazer a conta inteira.

O gráfico da energia em função da tensão é uma parábola, enquanto o gráfico da carga em função da tensão é uma reta. Saber reconhecer esses dois formatos ajuda a identificar a resposta certa em questões que trazem gráficos sem números complicados.

Associação de capacitores em série

Na associação em série, os capacitores são ligados um após o outro, de modo que a mesma carga passa por todos eles: a carga em cada capacitor é igual à carga total da associação. Já a tensão total é a soma das tensões de cada capacitor, porque a tensão da fonte se reparte entre eles.

Como \( U = Q / C \), a tensão total fica \( U = Q / C_1 + Q / C_2 + \dots \), e dividindo tudo por Q chegamos à regra da associação em série:

\[ \frac{1}{C_{eq}} = \frac{1}{C_1} + \frac{1}{C_2} + \dots \]

Para dois capacitores, vale o atalho do produto pela soma: \( C_{eq} = (C_1 \cdot C_2) / (C_1 + C_2) \). Um resultado importante: a capacitância equivalente em série é sempre menor que a menor das capacitâncias associadas. Isso faz sentido, porque ligar capacitores em série é como aumentar a distância efetiva entre as placas.

Exemplo 7. Capacitores de \( 6 \, \mu\text{F} \) e \( 3 \, \mu\text{F} \) são ligados em série a uma bateria de 18 V. Calcule a capacitância equivalente, a carga e a tensão em cada capacitor.

Primeiro, \( C_{eq} = (6 \times 3) / (6 + 3) = 18 / 9 = 2 \, \mu\text{F} \). A carga total é \( Q = C_{eq} \cdot U = 2 \times 18 = 36 \, \mu\text{C} \), e essa é a carga de cada capacitor, pois em série a carga é a mesma. As tensões são \( U_1 = Q / C_1 = 36 / 6 = 6 \, \text{V} \) e \( U_2 = Q / C_2 = 36 / 3 = 12 \, \text{V} \). Somando, \( 6 + 12 = 18 \, \text{V} \), que é a tensão da bateria, como esperado. Repare que o menor capacitor fica com a maior tensão, o que é um ótimo teste para conferir a conta.

Associação de capacitores em paralelo

Na associação em paralelo, todos os capacitores são ligados aos mesmos dois pontos, então todos ficam submetidos à mesma tensão, que é a tensão da fonte. Já a carga total é a soma das cargas de cada capacitor, porque cada um armazena a sua própria carga.

Como \( Q = C \cdot U \), a carga total fica \( Q = C_1 \cdot U + C_2 \cdot U + \dots \), e dividindo tudo por U chegamos à regra da associação em paralelo:

\[ C_{eq} = C_1 + C_2 + \dots \]

A capacitância equivalente em paralelo é a soma das capacitâncias, sempre maior que a maior delas. Isso faz sentido, porque ligar capacitores em paralelo é como aumentar a área efetiva das placas.

Exemplo 8. Os mesmos capacitores de \( 6 \, \mu\text{F} \) e \( 3 \, \mu\text{F} \) são agora ligados em paralelo a uma bateria de 18 V. Calcule a capacitância equivalente e a carga de cada capacitor.

\( C_{eq} = 6 + 3 = 9 \, \mu\text{F} \). A tensão é 18 V em cada um. As cargas são \( Q_1 = 6 \times 18 = 108 \, \mu\text{C} \) e \( Q_2 = 3 \times 18 = 54 \, \mu\text{C} \), e a carga total é \( 108 + 54 = 162 \, \mu\text{C} \), que também é \( C_{eq} \cdot U = 9 \times 18 = 162 \, \mu\text{C} \). Compare com o exemplo anterior: em paralelo, o mesmo par de capacitores armazena muito mais carga, \( 162 \, \mu\text{C} \) contra \( 36 \, \mu\text{C} \) em série.

Para associações mistas, o caminho é sempre o mesmo: resolva primeiro os trechos em série ou em paralelo que são óbvios, substitua pelo equivalente e repita até sobrar um único capacitor. A lógica é idêntica à da associação de resistores, mas cuidado: as regras são invertidas, porque em série o capacitor soma inversos, enquanto o resistor soma direto, e em paralelo acontece o contrário.

Tabelas: associação em série x paralelo

CaracterísticaEm sérieEm paralelo
O que é igual em todosA carga QA tensão U
O que se somaAs tensões: \( U = U_1 + U_2 \)As cargas: \( Q = Q_1 + Q_2 \)
Capacitância equivalente\( 1/C_{eq} = 1/C_1 + 1/C_2 \)\( C_{eq} = C_1 + C_2 \)
Comparação com os valoresMenor que a menor capacitânciaMaior que a maior capacitância
Ideia físicaComo aumentar a distância entre placasComo aumentar a área das placas

Tabela: grandezas e fórmulas

GrandezaSímboloUnidadeFórmula
Carga armazenadaQcoulomb (C)\( Q = C \cdot U \)
Tensão entre as placasUvolt (V)\( U = Q / C \)
CapacitânciaCfarad (F)\( C = Q / U \)
Capacitor de placas paralelasCfarad (F)\( C = \varepsilon \cdot A / d \)
Energia armazenadaEjoule (J)\( E = C \cdot U^2 / 2 \)
Equivalente em sérieCeqfarad (F)\( 1/C_{eq} = 1/C_1 + 1/C_2 \)
Equivalente em paraleloCeqfarad (F)\( C_{eq} = C_1 + C_2 \)

Carga e descarga do capacitor

A carga e a descarga de um capacitor não acontecem de uma só vez: elas seguem uma curva exponencial. No início da carga, quando o capacitor está vazio, a corrente é máxima, porque nada impede a passagem das cargas. À medida que as placas vão se carregando, a tensão do capacitor cresce e se aproxima da tensão da fonte, e a corrente vai diminuindo até chegar a zero, quando o capacitor está totalmente carregado. O gráfico da carga em função do tempo sobe rápido no início e depois vai se achatando até atingir o valor máximo.

Na descarga, acontece o inverso: a corrente é máxima no instante em que ligamos o capacitor ao circuito, porque a tensão entre as placas está no valor máximo, e vai diminuindo à medida que as cargas se neutralizam. O gráfico da carga em função do tempo cai rápido no início e depois vai se aproximando de zero, sem nunca chegar exatamente a zero em tempo finito, na teoria. Na prática, depois de algum tempo a carga restante é tão pequena que consideramos o capacitor descarregado.

O tempo que esse processo leva depende do produto da resistência do circuito pela capacitância, chamado de constante de tempo, \( \tau = R \cdot C \). Quanto maior a resistência ou maior a capacitância, mais lenta é a carga e a descarga. Depois de um tempo igual a cerca de cinco vezes a constante de tempo, o capacitor já está praticamente carregado ou descarregado. Esse conceito explica, por exemplo, por que o flash de uma câmera demora alguns segundos para recarregar: é o tempo necessário para o capacitor acumular energia de novo.

Exemplo 9. Um capacitor de \( 100 \, \mu\text{F} \) é carregado através de um resistor de \( 10 \, \text{k}\Omega \). Qual é a constante de tempo do circuito? \( \tau = R \cdot C = 10 \times 10^3 \times 100 \times 10^{-6} = 1 \, \text{s} \). Depois de cerca de 5 segundos, o capacitor estará praticamente carregado.

Dielétrico: por que colocar um isolante entre as placas

O dielétrico tem duas funções importantes. A primeira é aumentar a capacitância: quando o material isolante é colocado no campo elétrico, suas moléculas se orientam, com as cargas positivas de um lado e as negativas do outro, criando um campo interno que se opõe ao campo das placas. O campo resultante diminui, e como \( U = E \cdot d \), a tensão também diminui para a mesma carga, o que significa que a capacitância, \( C = Q / U \), aumenta. A constante dielétrica K diz quantas vezes a capacitância aumenta em relação ao vácuo.

A segunda função é permitir tensões maiores sem que ocorra a ruptura do isolante, que é quando o campo fica tão forte que arranca elétrons do material e ele passa a conduzir, geralmente com uma faísca que danifica o capacitor. Por isso os capacitores trazem impressos dois valores: a capacitância e a tensão máxima de trabalho. Ultrapassar essa tensão pode destruir o componente.

Exemplos de dielétricos comuns são o ar, o papel, a cerâmica, o plástico e o óxido de alumínio dos capacitores eletrolíticos, usados quando se precisa de capacitâncias grandes em pouco espaço. Cada material tem sua constante dielétrica e sua rigidez, que é o campo máximo que ele suporta antes de romper.

Usos do capacitor no dia a dia

O flash de uma câmera é o exemplo clássico de descarga rápida: o capacitor vai acumulando energia lentamente a partir da bateria e, no momento da foto, libera toda essa energia em uma fração de segundo, produzindo um clarão intenso que a bateria sozinha não conseguiria gerar. O desfibrilador funciona de forma parecida: ele carrega um capacitor com energia suficiente para, em um choque controlado, tentar restabelecer o ritmo do coração. Nos dois casos, o segredo é a potência, que é energia dividida pelo tempo: pouca energia liberada em tempo curtíssimo gera potência altíssima.

Nos circuitos eletrônicos, os capacitores estabilizam a tensão de alimentação, filtram ruídos, separam sinais de corrente contínua e alternada e marcam o tempo em circuitos temporizadores, junto com resistores. Nas fontes de computadores e celulares, eles suavizam a tensão depois da retificação, evitando oscilações. Em motores elétricos, capacitores ajudam na partida. E nas telas sensíveis ao toque, pequenas variações de capacitância ao encostar o dedo são detectadas e transformadas na posição do toque. Para entender melhor a corrente que carrega e descarrega esses componentes, revise corrente e potência elétrica.

Outra aplicação curiosa é a memória de alguns equipamentos antigos e de sensores modernos: a presença ou ausência de carga em um minúsculo capacitor pode representar os dígitos 0 e 1. É por isso que certas memórias precisam ser atualizadas o tempo todo: os capacitores vão perdendo carga aos poucos e precisam ser recarregados para não perder a informação.

Dois capacitores em estilo Pixar ligados por fios coloridos em associações em série e em paralelo, com lâmpadas acesas em uma bancada de laboratório.
Dois capacitores em estilo Pixar ligados por fios coloridos em associações em série e em paralelo, com lâmpadas acesas em uma bancada de laboratório.
Flash de câmera disparando luz forte e desfibrilador em estilo Pixar, ilustrando a descarga rápida da energia armazenada em um capacitor.
Flash de câmera disparando luz forte e desfibrilador em estilo Pixar, ilustrando a descarga rápida da energia armazenada em um capacitor.

Mapa mental

  • Capacitor: duas placas condutoras separadas por um dielétrico; armazena carga e energia no campo elétrico.
  • Grandezas: carga Q (coulomb), tensão U (volt), capacitância C (farad); \( C = Q / U \).
  • Placas paralelas: \( C = \varepsilon \cdot A / d \); área maior aumenta C, distância maior diminui C, dielétrico aumenta C.
  • Energia: \( E = C \cdot U^2 / 2 \); dobrar a tensão quadruplica a energia.
  • Em série: mesma carga, tensões somam, \( 1/C_{eq} = 1/C_1 + 1/C_2 \), equivalente menor que a menor.
  • Em paralelo: mesma tensão, cargas somam, \( C_{eq} = C_1 + C_2 \), equivalente maior que a maior.
  • Carga e descarga: curvas exponenciais; constante de tempo \( \tau = R \cdot C \); após cerca de \( 5\tau \), processo praticamente completo.
  • Usos: flash de câmera, desfibrilador, filtros, estabilização de tensão, temporizadores e telas sensíveis ao toque.

SAQ — perguntas curtas

1. O que é um capacitor? Um componente que armazena carga elétrica e energia no campo elétrico entre suas placas.

2. Qual é a fórmula da capacitância? \( C = Q / U \), em que Q é a carga e U é a tensão.

3. Qual é a unidade de capacitância? O farad (F); na prática, usam-se microfarad, nanofarad e picofarad.

4. O que acontece com a capacitância se a distância entre as placas dobrar? Ela cai pela metade, pois \( C \) é inversamente proporcional a d.

5. Como se calcula a energia armazenada? \( E = C \cdot U^2 / 2 \), ou \( E = Q \cdot U / 2 \).

6. Na associação em série, o que é igual em todos os capacitores? A carga Q; as tensões se somam.

7. Na associação em paralelo, o que é igual em todos os capacitores? A tensão U; as cargas se somam.

8. Por que o flash consegue um clarão tão forte com uma bateria pequena? Porque o capacitor acumula energia aos poucos e a libera em uma fração de segundo, gerando potência muito alta.

Questões comentadas

Questão 1. Um capacitor de \( 50 \, \mu\text{F} \) é ligado a uma fonte de 10 V. A carga armazenada em cada placa, em microcoulomb, é:
a) 5
b) 50
c) 500
d) 5.000
e) 50.000
Gabarito: c. Usando \( Q = C \cdot U = 50 \times 10 = 500 \, \mu\text{C} \). A alternativa a) confunde a conta e divide em vez de multiplicar; b) esquece de multiplicar pela tensão; d) e e) erram a conversão de unidades, tratando microfarad como milifarad ou farad. Lembre: trabalhar direto em microfarad e microcoulomb dispensa potências de dez.

Questão 2. Um estudante afirma que, ao dobrar a tensão aplicada a um capacitor, a sua capacitância também dobra. Essa afirmação está:
a) correta, pois capacitância é proporcional à tensão.
b) correta, pois a carga armazenada dobra.
c) incorreta, pois a capacitância depende só da geometria e do dielétrico.
d) incorreta, pois a capacitância cai pela metade.
e) correta apenas para capacitores de placas paralelas.
Gabarito: c. Dobrar a tensão dobra a carga, mas a razão \( Q / U \) continua a mesma, então C não muda. As alternativas a) e b) confundem o aumento da carga com o aumento da capacitância; d) inverte a relação; e) cria uma exceção que não existe, pois a definição vale para qualquer capacitor.

Questão 3. Dois capacitores idênticos de \( 12 \, \mu\text{F} \) são associados em série e depois, em outra montagem, em paralelo. As capacitâncias equivalentes, em série e em paralelo, são, respectivamente:
a) 6 µF e 24 µF
b) 24 µF e 6 µF
c) 12 µF e 12 µF
d) 6 µF e 6 µF
e) 24 µF e 24 µF
Gabarito: a. Em série, \( C_{eq} = 12 / 2 = 6 \, \mu\text{F} \) para dois iguais; em paralelo, \( C_{eq} = 12 + 12 = 24 \, \mu\text{F} \). A alternativa b) troca as regras; c) ignora a associação; d) aplica a regra da série nos dois casos; e) aplica a regra do paralelo nos dois casos. Truque útil: para n capacitores iguais, em série divide por n e em paralelo multiplica por n.

Questão 4. Um capacitor de placas paralelas tem sua área duplicada e a distância entre as placas reduzida à metade, mantendo o mesmo dielétrico. Sua nova capacitância, em relação à original, fica:
a) igual.
b) duas vezes maior.
c) três vezes maior.
d) quatro vezes maior.
e) oito vezes maior.
Gabarito: d. Pela fórmula \( C = \varepsilon \cdot A / d \), dobrar A multiplica C por 2, e dividir d por 2 multiplica C por mais 2, totalizando 4 vezes. A alternativa a) supõe que os efeitos se cancelam, mas eles se reforçam; b) considera só um dos efeitos; c) soma os fatores em vez de multiplicar; e) multiplica um fator a mais.

Questão 5. Um capacitor de \( 200 \, \mu\text{F} \) carregado com 30 V armazena uma energia, em joules, de:
a) 0,03
b) 0,09
c) 0,30
d) 0,90
e) 9,00
Gabarito: b. \( E = C \cdot U^2 / 2 = 200 \times 10^{-6} \times 900 / 2 = 0,09 \, \text{J} \). A alternativa a) esquece o quadrado da tensão; c) e d) erram a conversão de microfarad; e) esquece o fator 1/2 e erra a conversão. Sempre confira: \( 200 \, \mu\text{F} = 200 \times 10^{-6} \, \text{F} \).

Questão 6. Três capacitores de \( 2 \, \mu\text{F} \), \( 3 \, \mu\text{F} \) e \( 6 \, \mu\text{F} \) são ligados em paralelo a uma bateria de 12 V. A carga total armazenada, em microcoulomb, é:
a) 12
b) 36
c) 66
d) 132
e) 264
Gabarito: d. Em paralelo, \( C_{eq} = 2 + 3 + 6 = 11 \, \mu\text{F} \), e \( Q = 11 \times 12 = 132 \, \mu\text{C} \). A alternativa a) usa só a tensão; b) usa a soma errada das capacitâncias; c) soma as capacitâncias sem multiplicar pela tensão; e) dobra o resultado, como se a carga fosse contada duas vezes, uma por placa, o que não é o caso: a carga do capacitor é o módulo da carga de uma placa.

Dica do professor

Antes de começar qualquer conta, pergunte-se: os capacitores estão em série ou em paralelo? Essa decisão define tudo. Em série, iguale as cargas; em paralelo, iguale as tensões. Depois, desenhe o circuito e marque o que é igual e o que soma. A maioria dos erros do tema não é de matemática, é de trocar as regras, porque elas são o inverso das regras dos resistores. Uma frase para guardar: “capacitor em série soma inverso, em paralelo soma direto, ao contrário do resistor”.

Atenção/cuidado

Cuidado com três armadilhas clássicas. Primeira: a carga do capacitor é o módulo da carga de uma placa, não a soma das duas placas, que daria zero, pois elas têm sinais opostos. Segunda: a energia tem o fator 1/2, que muita gente esquece, e depende do quadrado da tensão, então dobrar a tensão quadruplica a energia. Terceira: nunca confunda microfarad com milifarad: \( 1 \, \text{mF} = 10^{-3} \, \text{F} \) é mil vezes maior que \( 1 \, \mu\text{F} = 10^{-6} \, \text{F} \). Um erro de prefixo destrói a conta inteira, mesmo com o raciocínio certo.

Conexão com outras áreas

Os capacitores conectam a Física com a Química, porque o dielétrico e os capacitores eletrolíticos dependem das propriedades dos materiais, e com a Biologia, porque a membrana das células funciona como um capacitor: ela separa cargas dentro e fora da célula e armazena energia elétrica, fundamental para o impulso nervoso. Na Matemática, as curvas de carga e descarga são exemplos de funções exponenciais, e a energia em função da tensão é uma função quadrática. Na tecnologia, eles são peças-chave de celulares, computadores, câmeras e equipamentos médicos, como o desfibrilador. Entender o capacitor é entender um pouco de como o mundo eletrônico ao nosso redor funciona.

Incidência

Incidência: ⚡ Pode cair. Capacitores aparecem com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, geralmente em questões de aplicação direta de fórmulas, leitura de gráficos de carga em função de tensão e associações simples. Vale a pena dominar \( Q = C \cdot U \), a energia armazenada e as duas regras de associação, pois esses três pontos resolvem a maior parte das questões. Para continuar estudando Física, veja a categoria completa em Física.