
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que são os pronomes pessoais
- Pronomes retos: quem pratica a ação
- Pronomes oblíquos: quem recebe a ação
- Pronomes de tratamento
- Tabelas de revisão
- Como a prova cobra os pronomes pessoais
- Mapa mental
- SAQ — perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
“Eu te amo, mas ele não me entende.” Nessa frase curta, quatro pronomes pessoais fazem todo o trabalho de apontar quem fala, com quem se fala e de quem se fala. Sem eles, seria preciso repetir nomes o tempo todo — e o texto ficaria pesado, repetitivo e confuso. Os pronomes pessoais são as palavras que substituem os nomes e indicam as pessoas do discurso, e o ENEM e os vestibulares cobram esse tema quase sempre dentro de textos, em questões de coesão, de interpretação e de análise sintática.
Resumo rápido
Os pronomes pessoais indicam as três pessoas do discurso: a 1ª pessoa é quem fala (eu, nós), a 2ª pessoa é com quem se fala (tu, vós, você, vocês) e a 3ª pessoa é de quem ou do que se fala (ele, ela, eles, elas). Eles se dividem em pronomes retos, que funcionam como sujeito (eu, tu, ele, nós, vós, eles), e pronomes oblíquos, que funcionam como complementos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes). Há ainda os oblíquos tônicos, usados com preposição (mim, ti, si, nós, vós, eles, elas).
A regra de ouro é esta: pronome pessoal não se classifica pela forma isolada, mas pela função na frase. “O” pode ser artigo ou pronome oblíquo; “se” pode ser pronome ou conjunção; “lhe” só é pronome quando substitui um complemento. E a coesão do texto depende deles: é o pronome que retoma um termo já citado e evita a repetição, costurando as frases umas às outras. Dominar os pronomes pessoais é, portanto, dominar uma parte central da leitura e da escrita.
O que são os pronomes pessoais
Pronome é a palavra que substitui ou acompanha um substantivo, indicando-o sem nomeá-lo diretamente. Os pronomes pessoais são aqueles que indicam as pessoas do discurso. As pessoas do discurso são três: a 1ª pessoa, que fala; a 2ª pessoa, com quem se fala; e a 3ª pessoa, de quem ou do que se fala. Cada uma delas tem formas no singular e no plural, e essas formas variam conforme a função que exercem na oração.
É importante não confundir pessoa gramatical com pessoa real. Quando um narrador escreve “nós, brasileiros, sabemos que…”, o “nós” pode incluir o leitor, mesmo que o leitor não esteja falando. Quando um texto diz “você precisa ler este edital”, o “você” é 2ª pessoa gramatical, ainda que o texto não esteja conversando com ninguém em particular. A prova cobra justamente essa noção: pessoa do discurso é uma posição no texto, não uma pessoa de carne e osso.
Os pronomes pessoais também carregam informações de número (singular ou plural) e, na 3ª pessoa do singular e do plural, de gênero (ele/ela, eles/elas). Já a 1ª e a 2ª pessoa não variam em gênero: “eu”, “nós”, “tu” e “você” servem tanto para o masculino quanto para o feminino. Essa diferença é um detalhe que aparece em questões de concordância e de retomada: “Maria disse que ela viria” — o “ela” retoma Maria, e a concordância de gênero confirma a retomada.
Pronomes retos: quem pratica a ação
Os pronomes retos exercem, em geral, a função de sujeito da oração, isto é, indicam quem pratica ou sofre a ação verbal. São eles: eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Exemplos: “Eu estudo todos os dias”; “Tu tens razão”; “Eles chegaram cedo”. Em todos esses casos, o pronome vem antes do verbo e concorda com ele em pessoa e número: “eu estudo”, “nós estudamos”, “eles estudam”.
Na prática do português brasileiro, algumas formas caíram em desuso na fala cotidiana. “Tu” ainda é muito usado em várias regiões do Brasil, sobretudo no Sul e no Nordeste, mas em boa parte do país a 2ª pessoa é expressa por “você”, que combina com o verbo na 3ª pessoa: “Você estuda” (e não “você estudas”). “Vós” praticamente desapareceu da fala e só aparece em textos religiosos, literários antigos ou em contextos solenes. A prova sabe disso e, quando cobra “vós”, geralmente é em texto literário ou em questão de reconhecimento de formas.
Outro ponto importante: o pronome reto pode aparecer depois do verbo em construções de ênfase ou de inversão, como em “Cheguei eu, por fim, à conclusão”. Mas a posição mais comum é antes do verbo. E atenção: depois de preposição, nunca se usa pronome reto — usa-se o oblíquo tônico. O certo é “para mim”, “de ti”, “com ele”, e não “para eu”, “de tu”, “com ele” com reto (neste último caso, “ele” após preposição é oblíquo tônico, não reto).
Pronomes oblíquos: quem recebe a ação
Os pronomes oblíquos exercem, em geral, a função de complemento verbal, isto é, indicam quem recebe a ação do verbo. Eles se dividem em átonos e tônicos. Os átonos são: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes. Eles não têm acento próprio e se apoiam no verbo, por isso se ligam a ele por próclise (antes: “me ajuda”), ênclise (depois, com hífen: “ajuda-me”) ou mesóclise (no meio: “ajudar-me-á”).
Os oblíquos átonos se dividem ainda conforme o complemento que substituem. Os pronomes “o, a, os, as” substituem o objeto direto: “Vi o filme” vira “Vi-o”. Já “lhe, lhes” substituem o objeto indireto, isto é, um complemento introduzido por preposição: “Entreguei o livro a Maria” vira “Entreguei-lhe o livro”. Os pronomes “me, te, se, nos, vos” podem ser objeto direto ou indireto, conforme o verbo: “Ele me viu” (direto) e “Ele me deu um presente” (indireto).
Os oblíquos tônicos, por sua vez, são usados sempre com preposição: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Exemplos: “para mim”, “de ti”, “consigo”, “para nós”, “entre eles”. A forma “consigo” é a contração de “com + si”, usada para a 3ª pessoa reflexiva: “Ele trouxe o livro consigo”. E a forma “mim” nunca é sujeito: o certo é “para mim estudar” ser evitado na norma culta — a construção correta é “para eu estudar”, porque, antes de verbo no infinitivo, usa-se o pronome reto. Esse é um dos erros mais cobrados em questões de norma culta.
Há ainda os pronomes oblíquos reflexivos, que indicam que a ação do verbo recai sobre o próprio sujeito: “Ele se machucou”, “Nós nos olhamos no espelho”. Nesses casos, “se” e “nos” são reflexivos, e a prova costuma cobrar a diferença entre o “se” reflexivo, o “se” de indeterminação do sujeito (“Precisa-se de funcionários”) e o “se” de partícula apassivadora (“Vendem-se casas”). São três funções diferentes para a mesma palavrinha — e só o contexto decide qual é.
Pronomes de tratamento
Os pronomes de tratamento são formas usadas para tratar alguém com mais ou menos formalidade: você, senhor, senhora, Vossa Excelência, Vossa Senhoria, Vossa Magnificência, entre outros. Embora se refiram à 2ª pessoa do discurso (a pessoa com quem se fala), eles combinam com o verbo na 3ª pessoa: “O senhor deseja alguma coisa?” e “Você poderia me ajudar?”. Essa é uma pegadinha clássica: o pronome aponta para o interlocutor, mas a concordância verbal é de 3ª pessoa.
As abreviaturas também são cobradas: V. Ex.ª (Vossa Excelência, para autoridades de alto escalão), V. S.ª (Vossa Senhoria, tratamento geral de respeito), V. M.ª (Vossa Magnificência, para reitores de universidade) e V. Rev.ª (Vossa Reverendíssima, para autoridades religiosas). Na correspondência oficial, o tratamento adequado muda conforme o cargo — e o ENEM já cobrou esse conhecimento em questões sobre gêneros textuais e adequação linguística.
Na linguagem cotidiana, “você” é o tratamento neutro no Brasil, enquanto “senhor/senhora” marca respeito ou distância. Em textos literários, a escolha do tratamento revela a relação entre as personagens: um personagem que chama o outro de “senhor” pode estar marcando hierarquia, medo ou ironia. Perceber isso é ler além da gramática — é interpretar o texto.
Tabelas de revisão
A tabela a seguir resume os pronomes pessoais retos e oblíquos. Vale a pena decorá-la, porque ela resolve a maioria das questões de classificação.
| Pessoa | Retos | Oblíquos átonos | Oblíquos tônicos |
|---|---|---|---|
| 1ª singular | eu | me | mim, comigo |
| 2ª singular | tu | te | ti, contigo |
| 3ª singular | ele, ela | se, o, a, lhe | si, ele, ela, consigo |
| 1ª plural | nós | nos | nós, conosco |
| 2ª plural | vós | vos | vós, convosco |
| 3ª plural | eles, elas | se, os, as, lhes | si, eles, elas, consigo |
Outra tabela útil é a das funções mais comuns de cada oblíquo átono:
| Pronome | Substitui | Exemplo |
|---|---|---|
| o, a, os, as | objeto direto | “Comprei o livro” → “Comprei-o” |
| lhe, lhes | objeto indireto (a + pessoa) | “Dei o livro a Pedro” → “Dei-lhe o livro” |
| me, te, se, nos, vos | objeto direto ou indireto | “Ele me viu” / “Ele me deu um presente” |
| se | reflexivo, indeterminação ou apassivador | “Ela se penteou” / “Precisa-se de ajuda” |
Como a prova cobra os pronomes pessoais
O ENEM e os vestibulares raramente pedem a mera lista de pronomes. O mais comum é cobrar o pronome dentro de um texto, em quatro tipos de questão. Primeiro, coesão referencial: a questão pergunta a que termo o pronome se refere (“O pronome ‘eles’, no segundo parágrafo, retoma qual expressão?”). Para acertar, volte ao texto e procure o termo que concorda em gênero e número com o pronome — e que faça sentido na frase.
Segundo, função sintática: a questão pergunta qual é a função do pronome na oração (sujeito, objeto direto, objeto indireto). Para acertar, pergunte ao verbo: quem pratica a ação? (sujeito); quem recebe a ação diretamente? (objeto direto); quem recebe a ação por meio de preposição? (objeto indireto). Terceiro, colocação pronominal: a questão pede a posição correta do pronome átono (próclise, ênclise ou mesóclise) conforme palavras atrativas, como “não”, “que”, “quando” e “se”. Quarto, norma culta: a questão apresenta frases com “para mim fazer”, “entre eu e você” ou “lhe vi ontem” e pede a forma correta.
Um erro frequente é confundir “o” pronome com “o” artigo. O teste é simples: o artigo acompanha um substantivo (“o livro”), enquanto o pronome substitui um substantivo e vem ligado ao verbo (“eu o li”). Outro erro é achar que “lhe” substitui qualquer complemento: “lhe” só substitui objeto indireto de pessoa. “Vi-lhe ontem” está errado na norma culta, porque “ver” é transitivo direto — o certo é “Vi-o ontem”.
Por fim, lembre-se de que os pronomes pessoais são peças de coesão. Um texto bem escrito usa pronomes para retomar informações sem repetir palavras; um texto mal escrito repete o nome a cada frase ou usa pronomes ambíguos, que não deixam claro a quem se referem. Quando a questão pergunta sobre a progressão do texto, quase sempre há um pronome no centro da resposta.


Mapa mental
Pronomes pessoais: 1ª pessoa (eu, nós — quem fala), 2ª pessoa (tu, você, vós, vocês — com quem se fala), 3ª pessoa (ele, ela, eles, elas — de quem se fala). Retos = sujeito (eu, tu, ele, nós, vós, eles). Oblíquos átonos = complementos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes). Oblíquos tônicos = com preposição (mim, ti, si, comigo, contigo, consigo, conosco). Tratamento = 2ª pessoa com verbo na 3ª (você, senhor, Vossa Excelência). Função decide a classificação: contexto acima da forma isolada.
SAQ — perguntas e respostas rápidas
1. O que são pronomes pessoais? Palavras que indicam as pessoas do discurso, substituindo nomes: quem fala (1ª), com quem se fala (2ª) e de quem se fala (3ª).
2. Quais são os pronomes retos? Eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas. Em geral, funcionam como sujeito.
3. Quais são os pronomes oblíquos átonos? Me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes. Funcionam como complementos verbais.
4. Quando se usa “mim” e quando se usa “eu”? “Mim” é oblíquo tônico, usado com preposição e nunca como sujeito: “para mim”. Antes de verbo no infinitivo, usa-se “eu”: “para eu estudar”.
5. Qual é a diferença entre “o” e “lhe”? “O” substitui objeto direto (“Vi-o”); “lhe” substitui objeto indireto de pessoa (“Dei-lhe o livro”).
6. Por que “você estuda” usa o verbo na 3ª pessoa? Porque os pronomes de tratamento, embora se refiram à 2ª pessoa, combinam com o verbo na 3ª pessoa.
7. O que é um pronome reflexivo? É o pronome que indica que a ação do verbo recai sobre o próprio sujeito: “Ela se olhou no espelho”.
8. O que é colocação pronominal? É a posição do pronome oblíquo átono em relação ao verbo: próclise (antes), ênclise (depois) ou mesóclise (no meio).
Questões comentadas
Questão 1. Leia o trecho: “Marcos comprou um presente para Ana. Ele entregou-o a ela no aniversário.” Os pronomes “ele”, “o” e “ela” referem-se, respectivamente, a: A) Ana, presente, Marcos. B) Marcos, presente, Ana. C) presente, Marcos, Ana. D) Marcos, Ana, presente. E) Ana, Marcos, presente.
Comentário: “Ele” retoma o sujeito da frase anterior, Marcos, que praticou a ação de comprar. “O” substitui o objeto direto, “presente”. “Ela” retoma Ana, a pessoa que recebeu o presente. Resposta: B.
Questão 2. Assinale a frase em que o pronome oblíquo está empregado corretamente segundo a norma culta: A) Eu lhe vi ontem na escola. B) Eu o vi ontem na escola. C) Entre eu e você não há segredos. D) O professor deu os livros para mim ler. E) Ele entregou o prêmio para eu.
Comentário: “Ver” é verbo transitivo direto, por isso o complemento é “o”, não “lhe” — a alternativa A está errada. C está errada porque depois de preposição usa-se “mim”: “entre mim e você”. D está errada porque antes de infinitivo usa-se “eu”: “para eu ler”. E está errada porque depois de preposição usa-se “mim”. Resposta: B.
Questão 3. Na frase “Os alunos se prepararam para a prova”, o pronome “se” é: A) partícula apassivadora. B) índice de indeterminação do sujeito. C) pronome reflexivo. D) conjunção subordinativa. E) pronome demonstrativo.
Comentário: Os próprios alunos praticaram e receberam a ação de preparar — a ação recai sobre o sujeito. Trata-se, portanto, de pronome reflexivo. Resposta: C.
Questão 4. Assinale a alternativa em que o pronome destacado exerce a função de objeto indireto: A) “Eu te amo.” B) “Ela me entregou o relatório.” C) “Nós o convidamos para a festa.” D) “Eles se cumprimentaram.” E) “Tu me viste na rua.”
Comentário: Em B, “me” é o complemento indireto de “entregar” (entregar algo a alguém). Em A, C e E, os pronomes são objetos diretos; em D, “se” é reflexivo. Resposta: B.
Questão 5. A frase “Vossa Excelência poderia nos receber amanhã?” apresenta: A) verbo na 2ª pessoa, adequado ao tratamento. B) verbo na 3ª pessoa, adequado ao tratamento. C) pronome de 3ª pessoa com verbo na 2ª pessoa. D) erro de concordância, pois o correto seria “poderíeis”. E) pronome pessoal reto com função de objeto.
Comentário: Os pronomes de tratamento referem-se à 2ª pessoa, mas concordam com o verbo na 3ª pessoa. “Poderia” está na 3ª pessoa do singular, exatamente como exige a norma. Resposta: B.
Questão 6. Em “Não me diga que você esqueceu o livro”, a colocação do pronome “me” é: A) ênclise, exigida pela palavra “não”. B) próclise, atraída pela palavra “não”. C) mesóclise, por se tratar de futuro. D) próclise, por início de frase. E) ênclise, por ser verbo no imperativo.
Comentário: A palavra “não” é atrativa e puxa o pronome para antes do verbo, configurando a próclise. O fato de a frase começar com “não” não impede a próclise, porque a atração prevalece. Resposta: B.
Dica do professor
Na hora da prova, faça sempre duas perguntas ao pronome: “a quem ele se refere?” e “o que ele está fazendo na frase?”. A primeira pergunta resolve as questões de coesão; a segunda resolve as de função sintática. E, para a colocação pronominal, decore as palavras atrativas: não, nunca, jamais, que, quando, como, se, quem, alguém, ninguém, tudo, nada. Se uma delas aparecer antes do verbo, o pronome vai para antes dele.
Atenção/cuidado
Não use “mim” como sujeito: “para mim fazer” é erro clássico — o certo é “para eu fazer”. Não use “lhe” no lugar de “o”: “lhe” só substitui objeto indireto de pessoa. Não confunda “o” artigo com “o” pronome: artigo acompanha substantivo, pronome substitui substantivo e se liga ao verbo. E não trate “você” como 2ª pessoa na concordância verbal: o verbo fica na 3ª pessoa (“você estuda”).
Conexão com outras áreas
Os pronomes pessoais se conectam com a análise das classes gramaticais, com a análise sintática, com a coesão textual e com a formação de palavras, além da Redação, em que a escolha dos pronomes define o tom e a clareza do texto. Veja também a página de Língua Portuguesa.
Incidência
Incidência: ♨️ Morno. Os pronomes pessoais aparecem com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, quase sempre embutidos em questões de interpretação, coesão e análise sintática. Vale revisar com atenção, porque dominá-los é a base para entender a progressão dos textos e acertar questões de norma culta.



