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Concordância nominal: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Concordância nominal explicada de forma simples: aprenda as regras, os casos especiais e os erros mais cobrados no ENEM e nos vestibulares.

Ilustração estilo Pixar sobre concordância nominal, com palavras combinando em gênero e número
Ilustração estilo Pixar sobre concordância nominal, com palavras combinando em gênero e número
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é concordância nominal
  3. A regra geral: adjetivo e substantivo
  4. Concordância com o núcleo do sujeito
  5. Sujeito composto: o que muda
  6. Casos especiais: o coração da prova
  7. Outros casos que caem na prova
  8. Erros mais comuns (e como evitá-los)
  9. Como a concordância nominal cai no ENEM e nos vestibulares
  10. Mapa mental
  11. SAQ — Perguntas de resposta curta
  12. Questões comentadas
  13. Dica do professor
  14. Atenção / cuidado
  15. Conexão com outras áreas
  16. Incidência

Resumo rápido

Concordância nominal é a harmonia entre o substantivo e as palavras que o acompanham ou se referem a ele: artigo, adjetivo, pronome, numeral e particípio. Em português, essas palavras flexionam em gênero (masculino ou feminino) e número (singular ou plural) para combinar com o termo a que se ligam. Por isso dizemos o livro novo, a casa nova, os livros novos e as casas novas: o artigo e o adjetivo mudam junto com o substantivo.

A regra geral é simples, mas as provas adoram os casos especiais: palavras como bastante, meio, mesmo, próprio, anexo, obrigado, incluso e só mudam de comportamento conforme a função que exercem na frase. Além disso, expressões como é proibido, é necessário e é bom seguem uma lógica própria quando o substantivo vem sem artigo. Quem domina essas diferenças resolve a maioria das questões de concordância nominal do ENEM e dos vestibulares sem decorar listas enormes.

Neste artigo, você vai entender a regra geral, os casos especiais mais cobrados, a concordância com sujeito composto e com o núcleo do sujeito, e os erros mais comuns. Ao final, há um mapa mental, perguntas de resposta curta e questões comentadas originais, no estilo do ENEM, para você testar o que aprendeu.

O que é concordância nominal

Concordar, em gramática, é combinar. Na concordância nominal, os termos que se relacionam com um substantivo — ou com um pronome substantivo — assumem o mesmo gênero e o mesmo número dele. Observe:

  • O aluno aplicado — artigo masculino singular e adjetivo masculino singular combinam com aluno.
  • A aluna aplicada — artigo feminino singular e adjetivo feminino singular combinam com aluna.
  • Os alunos aplicados estudaram muito. — tudo no masculino plural.
  • As alunas aplicadas estudaram muito. — tudo no feminino plural.

Essa harmonia não é um capricho: ela ajuda o leitor a identificar a que termo cada palavra se refere. Quando a concordância falha, a frase fica estranha e, muitas vezes, ambígua. Compare as provas corrigidas foram entregues com as provas corrigido foram entregues. Na segunda frase, o particípio corrigido não combina com provas, e a leitura trava.

A regra geral: adjetivo e substantivo

A regra geral da concordância nominal pode ser resumida assim: o adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere. Isso vale para o adjetivo que está junto do substantivo (adjunto adnominal) e para o adjetivo que aparece no predicado (predicativo do sujeito ou do objeto).

  • Adjunto adnominal: um dia ensolarado, uma tarde ensolarada, dias ensolarados.
  • Predicativo do sujeito: O dia está ensolarado. / As tardes estão ensolaradas.
  • Predicativo do objeto: Considero o filme excelente. / Considero as aulas excelentes.

Artigos, pronomes adjetivos e numerais seguem a mesma lógica: este livro, esta revista, dois cadernos, duas canetas, meu amigo, minha amiga. O particípio também concorda quando funciona como adjetivo: a carta escrita, os trabalhos entregues, as portas abertas.

Um ponto que confunde muita gente é o adjetivo que se refere a dois ou mais substantivos. Nesse caso, valem as seguintes orientações:

SituaçãoComo concordarExemplo
Adjetivo depois de substantivos do mesmo gêneroVai para o plural, no gênero deleso caderno e o livro novos
Adjetivo depois de substantivos de gêneros diferentesVai para o masculino plurala caneta e o lápis novos
Adjetivo antes dos substantivosConcorda com o substantivo mais próximovelha casa e quintal / velho quintal e casa
Adjetivo com função de predicativo e sujeitos de gêneros diferentesVai para o masculino pluralO menino e a menina ficaram felizes.

Concordância com o núcleo do sujeito

Quando o sujeito é formado por uma expressão como a maioria dos alunos, parte da turma ou um grupo de estudantes, surge a dúvida: o adjetivo e o verbo concordam com maioria, parte e grupo, ou com alunos, turma e estudantes? Na concordância nominal, o predicativo costuma acompanhar o núcleo do sujeito, mas o sentido pode atrair a concordância para o termo mais específico.

  • A maioria dos alunos estava cansada. — o predicativo cansada concorda com maioria (feminino singular).
  • A maioria dos alunos estavam cansados. — aqui, a concordância se faz com alunos, pelo sentido, e também é aceita.

Nos textos do ENEM, a forma mais segura e mais frequente é a concordância com o núcleo (a maioria estava cansada). Guarde essa preferência para as questões objetivas, mas saiba reconhecer a outra forma como possível, porque ela aparece em textos literários e jornalísticos. O mesmo raciocínio vale para expressões partitivas: metade da turma saiu satisfeita (concordância com metade) é a construção mais regular.

Outro caso importante é o do sujeito formado por pronome de tratamento. Com Vossa Excelência, Vossa Senhoria e Você, o adjetivo fica no feminino quando se refere a uma mulher, mesmo que o pronome seja masculino na forma: Vossa Excelência está cansada? (dirigindo-se a uma mulher) e Você está atrasado (dirigindo-se a um homem). O gênero do adjetivo segue o sexo da pessoa, não a forma gramatical do pronome. Esse detalhe já apareceu em provas e costuma pegar quem só decora a regra geral.

Sujeito composto: o que muda

Com sujeito composto, o predicativo geralmente vai para o plural. Se todos os núcleos forem do mesmo gênero, o predicativo fica nesse gênero no plural: Pedro e Lucas estão animados. / Ana e Maria estão animadas. Se os gêneros se misturam, o masculino plural prevalece: Ana e Pedro estão animados. Essa é a chamada regra do masculino genérico, que vale para a concordância nominal e também para a verbal.

Há, porém, uma exceção elegante: quando o predicativo vem antes dos sujeitos ou quando há uma ideia de proximidade, alguns autores aceitam a concordância com o núcleo mais próximo. Em prova objetiva, prefira a regra do plural: ela é a mais cobrada e a menos polêmica. Exemplos para fixar:

  • O livro e a apostila são novos. — substantivos de gêneros diferentes, adjetivo no masculino plural.
  • A paciência e a calma são necessárias. — dois femininos, adjetivo no feminino plural.
  • Estão prontos o relatório e a apresentação. — predicativo antes do sujeito, concordando com o conjunto, no masculino plural.

Casos especiais: o coração da prova

É aqui que as questões de concordância nominal realmente se decidem. As palavras abaixo mudam de classe conforme o uso, e a concordância muda junto. Estude cada uma com os exemplos, e não apenas com a definição.

É proibido, é necessário, é bom, é preciso

Quando o substantivo vem determinado por artigo ou outro determinante, o adjetivo concorda com ele normalmente: É proibida a entrada de animais. / É necessária a sua presença. / A leitura é boa para todos. Quando o substantivo vem sem determinante, de forma genérica, o adjetivo fica no masculino singular, invariável: É proibido entrada de animais. / É necessário paciência. / É bom leitura todos os dias. (Aqui, leitura está em sentido genérico, sem artigo.)

Macete: pergunte se dá para colocar o ou a antes do substantivo sem mudar o sentido. Se der, e o artigo estiver lá, concorde. Se o substantivo estiver sozinho, genérico, deixe o adjetivo no masculino singular. Compare: É proibida a pesca neste lago (a pesca, determinada) e É proibido pescar neste lago (ideia genérica, sem substantivo determinado).

Bastante

Como adjetivo, bastante significa suficiente e varia: alimentos bastantes, razões bastantes. Como advérbio, significa muito e não varia: Estudaram bastante. / Os alunos estudaram bastante. Como pronome indefinido, também varia: Muitos vieram, bastantes ficaram. O truque é trocar por suficientes: se a troca funcionar, bastante é adjetivo e varia. Se a troca for por muito, é advérbio e não varia.

Meio

Como adjetivo, meio significa metade e varia: meia hora, meio copo, meias palavras. Como advérbio, significa um pouco e não varia: Ela estava meio cansada. / Eles estavam meio cansados. (Nunca meia cansada nesse sentido.) O erro mais comum é escrever meia cansada para indicar um pouco cansada. Se o sentido for um pouco, meio fica invariável.

Mesmo e próprio

Como adjetivos, mesmo e próprio variam normalmente: as mesmas regras, os próprios alunos, ela mesma fez o trabalho, eles próprios decidiram. Como advérbio, mesmo significa até, realmente e não varia: Mesmo cansados, continuaram. / Ele mesmo disse que viria. (Aqui, mesmo reforça ele e varia? Atenção: em ele mesmo, mesmo é adjetivo e varia: ela mesma, eles mesmos. Já em mesmo cansados, no início da frase, com sentido de concessão, é invariável.)

Anexo, incluso e obrigado

Anexo e incluso são adjetivos e variam: as fotos anexas, os documentos inclusos, segue anexa a planilha, vai inclusa a cópia. A forma invariável em anexo também é aceita: Segue em anexo a planilha. Já obrigado, como agradecimento, concorda com quem fala: uma mulher diz muito obrigada, um homem diz muito obrigado, e um grupo de mulheres diz muito obrigadas. É um dos casos mais cobrados em questões de uso cotidiano da língua.

Só

Como adjetivo, só significa sozinho e varia: ela ficou só, eles ficaram sós, as meninas ficaram sós. Como advérbio, significa somente, apenas e não varia: Só ela veio. / Só os alunos vieram. Troque por sozinho: se funcionar, varie. Troque por apenas: se funcionar, não varie. O mesmo raciocínio serve para menos, que é sempre invariável (menos pessoas, nunca menas pessoas), e para alerta, que como adjetivo de estado fica invariável (os guardas ficaram alerta).

PalavraQuando variaQuando não varia
BastanteAdjetivo (= suficiente): razões bastantesAdvérbio (= muito): estudaram bastante
MeioAdjetivo (= metade): meia horaAdvérbio (= um pouco): meio cansada
MesmoAdjetivo: ela mesma, eles mesmosAdvérbio (= até): mesmo cansados
PróprioAdjetivo: os próprios alunos—
Anexo / InclusoAdjetivos: fotos anexas, documentos inclusosExpressão em anexo: segue em anexo
ObrigadoSempre concorda com quem agradece—
SóAdjetivo (= sozinho): ficaram sósAdvérbio (= apenas): só ela veio
É proibido / é necessárioSubstantivo determinado: é proibida a entradaSubstantivo genérico: é proibido entrada

Outros casos que caem na prova

Junto é adjetivo e varia: as cartas seguiram juntas, os relatórios vão juntos. Quite também varia: estamos quites, ela está quite com a biblioteca. Alerta, como já vimos, fica invariável quando indica estado de atenção: os vigias ficaram alerta a noite toda. Já bom, necessário e preciso seguem a regra de é proibido: com determinante, concordam; sem determinante, ficam no masculino singular.

Erros mais comuns (e como evitá-los)

  • Meia cansada para dizer um pouco cansada — o certo é meio cansada, porque meio é advérbio nesse caso.
  • Menas pessoas — menos é invariável, sempre.
  • É proibido a entrada — com artigo, o certo é é proibida a entrada.
  • Segue anexo as fotos — o certo é seguem anexas as fotos ou segue em anexo as fotos.
  • Muito obrigado dito por uma mulher — o certo é muito obrigada.
  • Bastantes cansados — se o sentido é muito cansados, bastante é advérbio e não varia: bastante cansados.
  • Ela mesmo fez — como adjetivo, o certo é ela mesma fez.
  • Os aluno aplicado — artigo, substantivo e adjetivo precisam estar no mesmo número: os alunos aplicados.

Uma estratégia de revisão ajuda muito: ao terminar uma redação ou resolver uma questão, passe o olho só nos adjetivos e particípios e pergunte a que substantivo cada um se refere. Se a resposta for um substantivo feminino plural, o adjetivo tem de estar no feminino plural. Esse cheque rápido evita a maioria dos deslizes, inclusive na redação do ENEM, onde a concordância conta pontos na competência de domínio da norma culta. Para treinar redação com esse olhar, vale revisar também os conteúdos de redação do Clique Vestibular e os temas de vestibulares que mais cobram gramática.

Como a concordância nominal cai no ENEM e nos vestibulares

No ENEM, a concordância nominal raramente aparece como uma pergunta isolada de gramática. Ela costuma vir dentro de questões de interpretação, reescrita ou análise de textos: o enunciado pede a forma correta de completar uma frase, identifica um desvio em um texto ou cobra a reescrita mantendo a norma culta. Nos vestibulares mais tradicionais, como Fuvest, Unicamp e Unesp, também são comuns questões que pedem para assinalar a alternativa em que a concordância está correta, com os casos especiais (bastante, meio, anexo, é proibido) como armadilhas.

Por isso, o melhor treino é duplo: entender a regra e reconhecer o caso especial no contexto. Ao ler as alternativas, identifique primeiro a palavra suspeita (meio, bastante, só, mesmo, anexo) e pergunte qual é a função dela na frase. Se for adjetivo, varia; se for advérbio, não varia. Se for é proibido ou é necessário, verifique se há artigo antes do substantivo. Esse passo a passo resolve quase todas as questões do tema.

Ilustração estilo Pixar de adjetivo concordando com substantivo em gênero e número
Ilustração estilo Pixar de adjetivo concordando com substantivo em gênero e número
Ilustração estilo Pixar ilustrando casos especiais de concordância nominal
Ilustração estilo Pixar ilustrando casos especiais de concordância nominal

Mapa mental

  • Concordância nominal: substantivo + acompanhantes no mesmo gênero e número
    • Regra geral: artigo, adjetivo, pronome, numeral e particípio concordam com o substantivo
      • Exemplo: o livro novo / a casa nova / os livros novos / as casas novas
    • Adjetivo depois de dois substantivos: plural; mesmo gênero = gênero deles; gêneros diferentes = masculino plural
    • Adjetivo antes dos substantivos: concorda com o mais próximo
    • Sujeito composto: predicativo no plural; gêneros diferentes = masculino plural
    • Casos especiais que variam ou não conforme a função:
      • Bastante: adjetivo (suficiente) varia; advérbio (muito) não varia
      • Meio: adjetivo (metade) varia; advérbio (um pouco) não varia
      • Mesmo / próprio: adjetivos variam; mesmo advérbio (até) não varia
      • Só: adjetivo (sozinho) varia; advérbio (apenas) não varia
      • Anexo / incluso: variam; em anexo é invariável
      • Obrigado: concorda com quem agradece
      • É proibido / é necessário: com artigo, concorda; sem artigo, masculino singular
    • Invariáveis sempre: menos, alerta (estado de atenção)
    • Erros clássicos: meia cansada, menas pessoas, é proibido a entrada, segue anexo as fotos
    • Na prova: identifique a palavra suspeita, descubra sua função e aplique a regra

SAQ — Perguntas de resposta curta

  1. Pergunta: O que é concordância nominal? Resposta: É a harmonia em gênero e número entre o substantivo e as palavras que o acompanham, como artigo, adjetivo, pronome, numeral e particípio.
  2. Pergunta: Complete corretamente: “___ casa e o quintal são ___.” (velho) Resposta: “A velha casa e o quintal são velhos.” O adjetivo antes concorda com o mais próximo (velha), e depois vai para o masculino plural (velhos).
  3. Pergunta: Qual é a forma correta: “É proibido a entrada” ou “É proibida a entrada”? Resposta: “É proibida a entrada”, porque o substantivo entrada está determinado pelo artigo a.
  4. Pergunta: Explique a diferença entre “meia hora” e “meio cansada”. Resposta: Em “meia hora”, meio é adjetivo (metade) e varia; em “meio cansada”, meio é advérbio (um pouco) e não varia.
  5. Pergunta: Uma mulher agradece um favor. Ela deve dizer “muito obrigado” ou “muito obrigada”? Resposta: “Muito obrigada”, porque obrigado concorda com quem fala.
  6. Pergunta: Qual é a forma correta: “Seguem anexo os documentos” ou “Seguem anexos os documentos”? Resposta: “Seguem anexos os documentos”, porque anexo é adjetivo e concorda com documentos. Também vale “Segue em anexo os documentos”.
  7. Pergunta: Em “Os alunos estudaram bastante”, por que bastante não varia? Resposta: Porque ali bastante é advérbio, com sentido de muito, e advérbio é invariável.
  8. Pergunta: Complete: “Ana e Pedro estão ___.” (animado) Resposta: “Ana e Pedro estão animados.” Com sujeito composto de gêneros diferentes, o predicativo vai para o masculino plural.

Questões comentadas

Questão 1

Assinale a alternativa em que a concordância nominal está correta:

a) É proibido a entrada de estranhos.
b) As alunas ficaram meio cansadas após a prova.
c) Seguem anexas as listas de aprovados.
d) Menas pessoas compareceram ao evento.
e) Ela mesmo organizou a festa.

Gabarito: C. Em (a), com artigo, o certo é “é proibida a entrada”. Em (b), meio como advérbio não varia: “meio cansadas”. Em (d), menos é invariável. Em (e), como adjetivo, o certo é “ela mesma”. Em (c), anexas concorda corretamente com listas.

Questão 2

Complete corretamente: “É ___ paciência para revisar o texto, e ___ as observações do professor.” (necessário / anexo)

a) necessário – anexas
b) necessária – anexas
c) necessário – anexo
d) necessária – anexo
e) necessário – anexos

Gabarito: A. Paciência vem sem determinante e em sentido genérico, por isso necessário fica no masculino singular. Já observações é feminino plural, e anexo, como adjetivo, concorda: anexas.

Questão 3

Em qual alternativa a palavra bastante está empregada como adjetivo, devendo variar?

a) Eles trabalharam bastante no projeto.
b) Havia razões bastantes para adiar a reunião.
c) Os estudantes leram bastante durante as férias.
d) Ela correu bastante na maratona.
e) Dormiram bastante depois da viagem.

Gabarito: B. Em (b), bastantes significa suficientes e qualifica razões, funcionando como adjetivo e variando. Nas demais, bastante tem sentido de muito e funciona como advérbio, invariável.

Questão 4

Assinale a alternativa em que todas as concordâncias estão corretas:

a) As meninas ficaram sós e bastante animadas.
b) Só as meninas ficaram, e elas estavam meio animada.
c) Os próprios alunos e a professora ficaram satisfeito.
d) É proibida entrada de animais no museu.
e) As cartas seguiram junto com os relatórios.

Gabarito: A. Em (a), sós (sozinhas) varia e bastante (muito) não varia: tudo correto. Em (b), o certo é “meio animadas”. Em (c), o certo é “satisfeitos”. Em (d), sem artigo, o certo é “é proibido entrada”. Em (e), junto é adjetivo e deve variar: “seguiram juntas”.

Questão 5

Reescrevendo a frase “O relatório e a apresentação estão prontos” com o predicativo antes do sujeito, a forma correta é:

a) Estão pronta o relatório e a apresentação.
b) Estão prontos o relatório e a apresentação.
c) Estão prontas o relatório e a apresentação.
d) Está pronto o relatório e a apresentação.
e) Estão pronto o relatório e a apresentação.

Gabarito: B. Com sujeito composto de gêneros diferentes, o predicativo vai para o masculino plural, mesmo quando aparece antes do sujeito: “Estão prontos o relatório e a apresentação.”

Questão 6

Assinale a alternativa em que há erro de concordância nominal:

a) As alunas ficaram meio cansadas após o simulado.
b) Os alunos ficaram meio cansados após o simulado.
c) Os alunos ficaram meios cansados após o simulado.
d) Ela mesma revisou o texto.
e) Eles próprios revisaram o texto.

Gabarito: C. Em (a) e (b), meio tem sentido de um pouco, funciona como advérbio e não varia, mesmo antes de adjetivo feminino ou masculino plural. Em (c), meios está errado pelo mesmo motivo. Em (d) e (e), mesmo e próprio são adjetivos e variam corretamente.

Dica do professor

Não decore listas soltas: aprenda a pergunta certa para cada palavra suspeita. Diante de meio, bastante, só ou mesmo, pergunte: “Isso aqui é adjetivo ou advérbio?” Se for adjetivo, varie; se for advérbio, não varie. Diante de é proibido, é necessário ou é bom, pergunte: “Tem artigo antes do substantivo?” Se tem, concorde; se não tem, deixe no masculino singular. Com essas duas perguntas, você resolve a maioria das questões sem precisar reler a teoria inteira na hora da prova.

Atenção / cuidado

Cuidado com a concordância por atração: é tentador concordar o adjetivo com a palavra mais próxima, mesmo quando ela não é o termo a que ele se refere. Em “a lista de exercícios está pronta”, o adjetivo pronta concorda com lista, não com exercícios. Outro cuidado: na pressa, muita gente escreve meia antes de adjetivo feminino (meia cansada, meia triste) — lembre-se de que, nesse caso, o sentido é um pouco, e a forma certa é meio, invariável. Por fim, revise sempre o obrigado e o anexo em e-mails e textos formais: são erros pequenos, mas muito visíveis para o corretor.

Conexão com outras áreas

A concordância nominal se conecta diretamente com a concordância verbal, com a regência e com a interpretação de texto: um adjetivo mal concordado pode mudar o sentido de uma frase inteira, e é por isso que as provas a cobram junto com leitura e reescrita. Na redação, dominar a concordância melhora a nota de norma culta e deixa o texto mais claro. Em Literatura, a concordância ajuda a identificar o referente de adjetivos em textos poéticos e narrativos, onde a ordem das palavras nem sempre é a habitual. E em Língua Portuguesa como um todo, ela é a base para entender sintaxe: saber a que termo cada palavra se liga é o primeiro passo para analisar qualquer período. Para continuar, explore os conteúdos de Língua Portuguesa do Clique Vestibular e os guias de ENEM disponíveis na sala de estudo.

Incidência

Incidência: ♨️ Morno. A concordância nominal é um tema recorrente, mas aparece com mais frequência diluída em questões de interpretação, reescrita e análise de norma culta do que como assunto isolado. No ENEM, ela costuma valer pontos dentro de questões de Linguagens; nos vestibulares tradicionais, aparece em questões objetivas de gramática, quase sempre com os casos especiais (bastante, meio, anexo, é proibido). Vale a revisão porque é um conteúdo de alto retorno: poucas regras resolvem muitas questões, e os mesmos erros se repetem ano após ano.