
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é regência e por que ela cai tanto nas provas
- Regência verbal: transitivo direto, indireto e intransitivo
- Verbos que mudam de sentido com a preposição
- Outros verbos que as provas cobram muito
- Regência nominal: quando o nome é quem manda
- Crase decorrente da regência
- Erros mais comuns e como evitá-los
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas de resposta curta
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção / cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
Resumo rápido
Regência é a relação entre uma palavra e o seu complemento. Quando um verbo ou um nome precisa de outra palavra para completar o sentido, essa ligação pode acontecer de forma direta, sem preposição, ou de forma indireta, com preposição. É exatamente essa escolha — usar ou não usar uma preposição, e qual preposição usar — que define a regência.
Na regência verbal, o verbo é o termo regente e o complemento é o termo regido. Se o verbo se liga ao complemento sem preposição, ele é transitivo direto e o complemento é o objeto direto. Se a ligação exige preposição, o verbo é transitivo indireto e o complemento é o objeto indireto. Há também verbos intransitivos, que têm sentido completo sozinhos e não pedem complemento, e verbos que podem ser transitivos diretos e indiretos ao mesmo tempo.
Na regência nominal, quem rege não é um verbo, mas um nome: um substantivo, um adjetivo ou um advérbio. Nesses casos, a preposição é obrigatória para ligar o nome ao seu complemento. É por isso que dizemos “medo de escuro”, “fiel a um amigo” e “perto de casa”: o nome pede a preposição, e sem ela a frase fica incompleta ou muda de sentido.
A crase aparece justamente nesse encontro. Ela só existe quando a preposição “a” se junta ao artigo definido feminino “a” (ou aos pronomes “aquele”, “aquela” e “aquilo”). Por isso, entender a regência verbal e nominal é o caminho mais seguro para acertar a crase: se o verbo ou o nome pede a preposição “a” e o termo seguinte aceita o artigo “a”, a crase acontece.
Para o ENEM e os vestibulares, regência aparece em questões de gramática, de reescrita e de interpretação, com destaque para verbos que mudam de sentido conforme a preposição, como assistir, aspirar, visar e preferir.
- Ideia central: regência é a exigência de complemento e, quando for o caso, da preposição que o acompanha.
- Regência verbal: o verbo rege o complemento; pode ser direta, indireta ou as duas ao mesmo tempo.
- Regência nominal: substantivos, adjetivos e advérbios regem complementos sempre com preposição.
- Crase: fusão da preposição “a” com o artigo “a” ou com “aquele”, “aquela” e “aquilo”.
- Macete de ouro: troque o termo feminino por um masculino. Se aparecer “ao”, há crase; se aparecer apenas “o”, sem preposição, não há crase.
Vale revisitar este tema junto com concordância e crase, porque as provas costumam cruzar esses conteúdos em uma mesma questão — na sala de estudo do Clique Vestibular há outros resumos de Língua Portuguesa para a mesma sessão.
O que é regência e por que ela cai tanto nas provas
Imagine a frase como uma ponte. De um lado está o termo regente, que é a palavra principal; do outro, o termo regido, que completa o sentido. É um dos temas de gramática que mais aparecem nas provas de vestibular e do ENEM. A preposição, quando existe, é a peça que liga os dois lados. Quando a ponte não precisa dessa peça, a regência é direta. Quando precisa, a regência é indireta.
Veja a diferença em exemplos simples. Em “A turma leu o edital”, o verbo “ler” se liga diretamente a “o edital”: não há preposição entre eles. Em “A turma precisa de calma”, o verbo “precisar” exige a preposição “de” para se ligar a “calma”. Em “O professor entregou o gabarito aos alunos”, o verbo “entregar” tem dois complementos: “o gabarito”, sem preposição, e “aos alunos”, com preposição.
As provas adoram esse tema porque ele revela domínio da norma culta e porque a regência muda o sentido de vários verbos, permitindo pegadinhas elegantes. Quem decora listas sem entender o sentido cai fácil; quem entende a lógica percebe a armadilha. Na fala do dia a dia, “vou no médico” é perfeitamente compreensível, mas na prova e na redação formal o esperado é “vou ao médico”. Saber separar os dois registros é parte do jogo.
Regência verbal: transitivo direto, indireto e intransitivo
Antes de decorar verbo por verbo, domine a classificação. Ela é a base de quase todas as questões do tema.
| Tipo de verbo | Como se liga ao complemento | Complemento | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Transitivo direto | Sem preposição | Objeto direto | “Os alunos resolveram a prova.” |
| Transitivo indireto | Com preposição obrigatória | Objeto indireto | “Os alunos gostam de desafios.” |
| Transitivo direto e indireto | Um complemento sem preposição e outro com preposição | Objeto direto + objeto indireto | “A escola enviou o resultado aos candidatos.” |
| Intransitivo | Não pede complemento | — | “Os candidatos chegaram cedo.” |
| De ligação | Liga o sujeito a uma característica | Predicativo do sujeito | “A prova estava difícil.” |
O verbo intransitivo pode aparecer com adjuntos adverbiais, como “cedo” ou “na escola”, que dão informações de tempo ou lugar, mas não completam o sentido do verbo. Não confunda objeto indireto com adjunto adverbial: retire o termo. Se a frase ficar incompleta, é complemento; se continuar completa, perdendo só um detalhe, é adjunto.
Preste atenção especial a assistir: no sentido de presenciar, a norma culta pede “a” — “assistir ao filme”, “assistir à palestra” (aqui, com crase, porque “palestra” é feminina e tem artigo). Preferir já traz a comparação dentro dele e não aceita “mais” nem “do que”: o correto é “prefiro estudar a descansar”. E esquecer e lembrar formam um par traiçoeiro: com pronome, pedem “de” (“esqueci-me da data”); sem pronome, a preposição some (“esqueci a data”).
Verbos que mudam de sentido com a preposição
Esta é a parte mais cobrada do tema. Alguns verbos aceitam duas regências, mas cada uma traz um sentido diferente. O segredo é associar cada construção a uma cena, e não decorar a lista sem entender o sentido.
| Verbo | Regência e sentido | Exemplo |
|---|---|---|
| Assistir | Transitivo direto: ajudar. Transitivo indireto com “a”: presenciar. | “O médico assistiu o paciente.” / “A turma assistiu à palestra.” |
| Aspirar | Transitivo direto: sugar. Transitivo indireto com “a”: desejar. | “O aspirador aspirou a poeira.” / “Ela aspira ao cargo de monitora.” |
| Visar | Transitivo direto: mirar. Transitivo indireto com “a”: ter como objetivo. | “O arqueiro visou o alvo.” / “O projeto visa à aprovação de todos.” |
| Preferir | Transitivo direto e indireto, com “a”, sem “do que” e sem “mais”. | “Prefiro silêncio a barulho.” |
| Esquecer e lembrar | Sem pronome: indiretos com “de”. Com pronome: diretos, sem “de”. | “Esqueci-me da senha.” / “Esqueci a senha.” |
| Pagar e perdoar | Quem recebe é indireto com “a”; o que se paga ou perdoa é direto. | “Paguei ao vendedor a quantia.” / “Perdoou ao colega a falha.” |
| Chegar e ir | Exigem “a” para indicar destino. | “Chegamos à escola.” / “Vou à biblioteca.” |
| Obedecer e desobedecer | Transitivos indiretos com “a”. | “Os alunos obedecem às regras.” |
Preste atenção especial a assistir: no sentido de presenciar, a norma culta pede “a” — “assistir ao filme”, “assistir à palestra” (aqui, com crase, porque “palestra” é feminina e tem artigo). Preferir já traz a comparação dentro dele e não aceita “mais” nem “do que”: o correto é “prefiro estudar a descansar”. E esquecer e lembrar formam um par traiçoeiro: com pronome, pedem “de” (“esqueci-me da data”); sem pronome, a preposição some (“esqueci a data”).
Outros verbos que as provas cobram muito
Além dos verbos que mudam de sentido, há um grupo de verbos cuja regência é fixa e costuma ser testada porque contraria o uso cotidiano. Vale revisar cada um com calma e criar frases próprias para fixar.
| Verbo | Regência na norma culta | Exemplo correto |
|---|---|---|
| Precisar | “De” quando o complemento é coisa | “Preciso de silêncio.” |
| Gostar | Transitivo indireto com “de” | “Gosto de revisar antes da prova.” |
| Namorar | Transitivo direto, sem “com” | “Ela namora um colega de turma.” |
| Informar | Informa algo a alguém | “Informei o resultado aos candidatos.” |
| Avisar | Avisa algo a alguém | “Avisei a mudança à turma.” |
| Agradecer | Direto para a coisa, indireto com “a” para a pessoa | “Agradeci a ajuda ao professor.” |
| Obedecer | Transitivo indireto com “a” | “Obedeça às orientações do edital.” |
| Assistir (presenciar) | Transitivo indireto com “a” | “Assistimos à aula inaugural.” |
Repare em informar e avisar: quem é informado recebe a preposição “a”, e o que é informado aparece sem preposição. Já “custar”, no sentido de ser difícil, é transitivo indireto: “Custou-lhe entender a regra”, com “lhe” como objeto indireto.
Regência nominal: quando o nome é quem manda
Na regência nominal, o termo regente é um substantivo, um adjetivo ou um advérbio, e o complemento vem sempre acompanhado de preposição. Não existe regência nominal direta: sem preposição, a ligação não se completa. O complemento, nesse caso, chama-se complemento nominal.
| Nome regente | Preposição | Exemplo |
|---|---|---|
| Medo (substantivo) | de | “Ele tem medo de errar na redação.” |
| Necessidade (substantivo) | de | “Há necessidade de revisar o conteúdo.” |
| Amor (substantivo) | a, por | “O amor à leitura transforma o estudo.” |
| Respeito (substantivo) | por, a | “O respeito às regras garante justiça.” |
| Atenção (substantivo) | a | “Atenção às datas do edital!” |
| Fiel (adjetivo) | a | “Ela é fiel ao seu plano de estudos.” |
| Capaz (adjetivo) | de | “Ele é capaz de resolver a questão.” |
| Ansioso (adjetivo) | por, para | “Estou ansioso pela divulgação do resultado.” |
| Orgulhoso (adjetivo) | de | “Ela está orgulhosa do seu desempenho.” |
| Apto (adjetivo) | para | “O candidato está apto para a próxima etapa.” |
| Perto (advérbio) | de | “A escola fica perto da praça.” |
| Antes (advérbio) | de | “Chegue antes do horário marcado.” |
Não confunda complemento nominal com adjunto adnominal. O complemento nominal completa um nome incompleto, geralmente derivado de verbo ou adjetivo, como “medo”, “amor” e “necessidade”. O adjunto adnominal apenas caracteriza um nome já completo, como em “caderno novo”. Nas provas, a regência nominal aparece muito em questões de crase: “atenção às regras” e “amor à leitura” trazem a preposição “a” pedida pelo nome, seguida de termo feminino com artigo — e é aí que a crase nasce.
Crase decorrente da regência
A crase é a fusão de duas vogais iguais, indicada pelo acento grave. Na prática, ela acontece quase sempre no encontro da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” ou com os pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela” e “aquilo”. Se não houver preposição “a” pedida pelo verbo ou pelo nome, não há crase — mesmo que a palavra seguinte seja feminina.
O macete mais confiável é a troca pelo masculino. Substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se surgir “ao”, a crase é obrigatória. Se surgir apenas “o”, sem preposição, não há crase. Veja: “Vou à escola” vira “Vou ao colégio”, então há crase. “Cheguei a uma escola” vira “Cheguei a um colégio”, sem artigo definido, então não há crase.
| Situação | Há crase? | Exemplo |
|---|---|---|
| Verbo ou nome pede “a” + palavra feminina com artigo | Sim | “Obedeça às regras.” / “Atenção à data.” |
| Verbo ou nome pede “a” + palavra masculina | Não (aparece “ao”) | “Obedeça ao regulamento.” |
| Não há preposição “a” pedida | Não | “Entreguei a carta ao monitor.” |
| Horas determinadas | Sim | “A prova começa às 8 horas.” |
| Antes de palavra feminina sem artigo, em sentido geral | Não | “Ela escreve a lápis.” / “Chegou a tempo.” |
| Antes de verbo | Não | “Começou a estudar.” / “Passou a revisar.” |
Em “A prova começa a uma hora”, não há crase porque a hora é indeterminada; se fosse determinada, seria “às 8 horas”. Esse contraste é clássico em prova. Nos nomes de lugar, o teste do “volto da” ou “volto de” resolve a maioria dos casos: “Vou à Bahia” (volto da Bahia) tem crase; “Vou a Recife” (volto de Recife) não tem. E atenção às locuções consagradas, como “à vista”, “à noite” e “à procura de”, que levam crase por tradição.
Para revisar a crase com mais exemplos e exercícios, vale voltar ao resumo de Língua Portuguesa e cruzar este tema com o de concordância. Quem se prepara para o ENEM também deve treinar a reescrita de frases, porque é nela que a banca mais testa regência e crase juntas.
Erros mais comuns e como evitá-los
Reunimos os deslizes que mais aparecem em redações e questões de múltipla escolha. Se você reconhecer algum deles no seu próprio texto, ótimo: reconhecer é o primeiro passo para corrigir.
- “Chegar em casa” e “ir no médico”: na norma culta, chegar e ir pedem “a” para indicar destino. Prefira “cheguei à escola” e “vou ao médico”.
- “Assistir o jogo”: no sentido de presenciar, o correto é “assistir ao jogo”. Guarde “assistir o paciente” só para o sentido de ajudar.
- “Prefiro mais isso do que aquilo”: “preferir” já compara sozinho: “prefiro isso a aquilo”.
- “Esqueci-me a senha”: com pronome, o verbo pede “de”: “esqueci-me da senha”. Sem pronome, a preposição some: “esqueci a senha”. O mesmo vale para lembrar: “lembrei-me da senha” e “lembrei a senha”.
- “Obedecer as regras”: obedecer pede “a”: “obedecer às regras”.
- “Namorar com alguém”: namorar é transitivo direto: “namorar alguém”.
- “Simpatizar alguém”: simpatizar pede “com”: “simpatizar com alguém”.
- “Agradecer o professor a ajuda”: a ordem dos complementos importa: agradece-se a ajuda (objeto direto) ao professor (objeto indireto): “agradeci ao professor a ajuda”.
Método prático: ao escrever, sublinhe os verbos e pergunte “qual preposição este verbo pede?”. Em poucas semanas, a pergunta vira automática.


Mapa mental
- Regência
- Termo regente: verbo, substantivo, adjetivo ou advérbio
- Termo regido: complemento que completa o sentido
- Ligação direta: sem preposição
- Ligação indireta: com preposição obrigatória
- Regência verbal
- Transitivo direto: verbo + objeto direto, sem preposição
- Transitivo indireto: verbo + preposição + objeto indireto
- Transitivo direto e indireto: dois complementos, um com e outro sem preposição
- Intransitivo: sentido completo, sem complemento
- Verbos que mudam de sentido: assistir, aspirar, visar, preferir, esquecer, lembrar, pagar, perdoar
- Regência nominal
- Regente: substantivo, adjetivo ou advérbio
- Complemento: sempre com preposição, chamado complemento nominal
- Exemplos: medo de, fiel a, capaz de, ansioso por, perto de, apto para
- Não confundir complemento nominal com adjunto adnominal
- Crase ligada à regência
- Preposição “a” + artigo “a” = à
- Preposição “a” + aquele, aquela, aquilo = àquele, àquela, àquilo
- Macete: trocar por masculino; se virar “ao”, há crase
- Horas determinadas: às 8 horas; horas indeterminadas: a uma hora
- Antes de verbo, nunca há crase
SAQ — Perguntas de resposta curta
1. O que é regência?
Resposta: É a relação entre um termo regente (verbo ou nome) e o seu complemento, indicando se essa ligação exige ou não uma preposição.
2. Qual é a diferença entre objeto direto e objeto indireto?
Resposta: O objeto direto se liga ao verbo sem preposição; o objeto indireto se liga ao verbo por meio de uma preposição obrigatória.
3. Na frase “A turma assistiu à palestra”, por que há crase?
Resposta: Porque o verbo assistir, no sentido de presenciar, pede a preposição “a”, e “palestra” é um substantivo feminino acompanhado do artigo “a”; a fusão das duas vogais forma “à”.
4. Explique a diferença entre “aspirar a poeira” e “aspirar ao cargo”.
Resposta: “Aspirar a poeira” usa o verbo como transitivo direto, no sentido de sugar. “Aspirar ao cargo” usa o verbo como transitivo indireto com “a”, no sentido de desejar, almejar.
5. Por que “prefiro mais silêncio do que barulho” está incorreto na norma culta?
Resposta: Porque o verbo preferir já contém a ideia de comparação; a forma correta é “prefiro silêncio a barulho”, sem “mais” e sem “do que”.
6. Qual é a diferença entre “esqueci a senha” e “esqueci-me da senha”?
Resposta: As duas estão corretas, mas com regências diferentes: sem pronome, o verbo é transitivo direto (“esqueci a senha”); com pronome, é transitivo indireto com “de” (“esqueci-me da senha”).
7. O que é regência nominal? Dê dois exemplos.
Resposta: É a relação em que um substantivo, adjetivo ou advérbio rege um complemento sempre com preposição. Exemplos: “medo de errar” e “fiel ao plano”.
Questões comentadas
Questão 1. Assinale a alternativa em que a regência verbal está de acordo com a norma culta.
a) Os estudantes assistiram o seminário com atenção.
b) Os estudantes assistiram ao seminário com atenção.
c) Os estudantes assistiram no seminário com atenção.
d) Os estudantes assistiram do seminário com atenção.
e) Os estudantes assistiram para o seminário com atenção.
Gabarito: B.
Comentário: No sentido de presenciar, o verbo assistir é transitivo indireto e pede a preposição “a”. Como “seminário” é masculino, a forma é “ao seminário”, sem crase. A alternativa A traz o uso da fala cotidiana, mas não o da norma culta para esse sentido.
Questão 2. Assinale a frase em que o verbo preferir está empregado corretamente.
a) Prefiro mais estudar em silêncio do que com barulho.
b) Prefiro estudar em silêncio do que com barulho.
c) Prefiro estudar em silêncio a com barulho.
d) Prefiro mais estudar em silêncio a com barulho.
e) Prefiro estudar em silêncio que com barulho.
Gabarito: C.
Comentário: Preferir já expressa comparação, por isso dispensa “mais” e “do que”. A construção correta usa a preposição “a” entre os dois termos comparados: “prefiro estudar em silêncio a com barulho”.
Questão 3. Assinale a alternativa em que a crase está corretamente empregada, considerando a regência do verbo.
a) Chegamos a escola antes do início da prova.
b) Chegamos à escola antes do início da prova.
c) Chegamos na escola antes do início da prova.
d) Chegamos em a escola antes do início da prova.
e) Chegamos para escola antes do início da prova.
Gabarito: B.
Comentário: O verbo chegar pede a preposição “a” para indicar destino. Como “escola” é feminina e vem com artigo definido, a preposição se funde ao artigo e forma a crase: “à escola”. A forma “na escola” é comum na fala, mas não corresponde à regência da norma culta para destino.
Questão 4. Considere a frase: “A coordenação informou o novo calendário aos candidatos.” Nela, “o novo calendário” e “aos candidatos” são, respectivamente:
a) objeto direto e objeto indireto.
b) objeto indireto e objeto direto.
c) predicativo e objeto indireto.
d) adjunto adverbial e objeto direto.
e) sujeito e objeto indireto.
Gabarito: A.
Comentário: O verbo informar é transitivo direto e indireto: informa-se algo (objeto direto, sem preposição) a alguém (objeto indireto, com preposição). Logo, “o novo calendário” é objeto direto e “aos candidatos” é objeto indireto.
Questão 5. Assinale a alternativa em que a regência nominal está correta.
a) A turma demonstrou respeito pelas regras do edital.
b) A turma demonstrou respeito com as regras do edital.
c) A turma demonstrou respeito em as regras do edital.
d) A turma demonstrou respeito das regras do edital.
e) A turma demonstrou respeito sobre as regras do edital.
Gabarito: A.
Comentário: O substantivo “respeito” rege complemento com as preposições “por” ou “a”: “respeito pelas regras” ou “respeito às regras”. As demais preposições não completam esse nome na norma culta. Note que, na forma com “a”, haveria crase: “respeito às regras”.
Questão 6. Reescrevendo a frase “Ele lembrou o prazo de inscrição” com o verbo na forma pronominal, obtém-se, segundo a norma culta:
a) Ele lembrou-se o prazo de inscrição.
b) Ele lembrou-se do prazo de inscrição.
c) Ele lembrou-se ao prazo de inscrição.
d) Ele lembrou-se no prazo de inscrição.
e) Ele lembrou-se para o prazo de inscrição.
Gabarito: B.
Comentário: Sem pronome, lembrar é transitivo direto: “lembrou o prazo”. Com pronome, passa a transitivo indireto e pede “de”: “lembrou-se do prazo”. A troca de regência conforme a presença do pronome é um dos pontos mais testados do tema.
Dica do professor
Não estude regência como lista solta. Para cada verbo que muda com a preposição, crie duas frases suas, uma para cada sentido, e leia-as em voz alta: “O técnico assistiu o atleta” (ajudou) e “A torcida assistiu ao jogo” (presenciou). Quando o sentido vira cena, a preposição certa vem junto. Faça também uma ficha com os dez verbos mais cobrados — assistir, aspirar, visar, preferir, esquecer, lembrar, pagar, perdoar, obedecer e chegar — e revise-a cinco minutos por semana, encaixando-a entre os resumos de gramática da sala de estudo.
Atenção / cuidado
Cuidado com a tentação de corrigir tudo pela intuição da fala. Na conversa, “vou no médico”, “assistir o filme” e “prefiro mais isso” soam naturais e ninguém estranha. Na prova, porém, o critério é a norma culta, e é ela que decide a alternativa certa. Treine o ouvido formal: leia textos de jornais, editais e provas anteriores e repare nas preposições que eles usam.
Outro cuidado: nem todo “a” antes de palavra feminina é crase — é preciso haver a preposição “a” pedida pelo verbo ou pelo nome. Em “Ela começou a estudar”, o “a” vem antes de verbo; em “Chegou a tempo”, não há preposição exigida. Pergunte sempre: quem pede esse “a”? Se ninguém pedir, não há acento grave. E atenção aos pronomes: em “obedeço-lhe” e “agradeço-lhe”, o “lhe” já é o objeto indireto, então não duplique o complemento.
Conexão com outras áreas
Regência se conecta diretamente com crase, concordância e colocação pronominal. A crase depende da regência para existir; a concordância depende da identificação correta do sujeito e dos complementos; e os pronomes oblíquos (“o”, “a”, “lhe”) só são escolhidos corretamente quando se sabe se o complemento é direto ou indireto. Dominar regência, portanto, destrava vários outros tópicos de gramática de uma só vez.
A conexão vai além da gramática. Na redação, a regência correta dá fluidez e credibilidade — “o projeto visa à redução das desigualdades” demonstra domínio da norma culta. Na leitura, perceber a regência ajuda a identificar quem faz o quê na frase, habilidade essencial para enunciados longos.
Para quem estuda para o vestibular, vale ainda cruzar regência com interpretação de texto: muitas questões pedem a reescrita de um trecho mantendo o sentido, e a única alternativa correta costuma ser aquela que preserva a regência original. Treinar reescrita é, ao mesmo tempo, treinar leitura atenta.
Incidência
Incidência: ♨️ Morno. Regência aparece com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, quase sempre dentro de questões de gramática normativa e de reescrita. Não é o tema mais cobrado de Língua Portuguesa, mas é um dos mais traiçoeiros, porque concentra erros que parecem pequenos e custam pontos preciosos.
Como estudar: revise este resumo, faça as questões comentadas sem olhar o gabarito e crie dez frases próprias com os verbos da tabela principal. Se errar alguma, volte à tabela e refaça a frase até ela soar natural na norma culta. Para fechar, revise os resumos de Língua Portuguesa e de Redação.



