
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é uma oração subordinada substantiva
- As conjunções integrantes: que e se
- Os seis tipos de oração subordinada substantiva
- Orações substantivas reduzidas: sem conjunção
- Substantiva, adjetiva ou adverbial? Como não confundir
- Como as subordinadas substantivas caem no ENEM e nos vestibulares
- Erros mais comuns (e como evitá-los)
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas de resposta curta
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção / cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
Resumo rápido
Uma oração subordinada substantiva é uma oração que funciona como se fosse um substantivo dentro de outra oração. Ela não existe sozinha: depende de uma oração principal e exerce nela uma função típica de substantivo, como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto. Por isso o nome: subordinada porque depende da principal, substantiva porque faz o papel de um substantivo.
Observe o par de frases: Quero um livro. e Quero que você me empreste um livro. Na primeira, o objeto direto do verbo querer é o substantivo livro. Na segunda, o objeto direto é a oração inteira que você me empreste um livro. É exatamente essa troca — um substantivo por uma oração — que define a oração subordinada substantiva. Se você conseguir substituir a oração por isso, isto ou algo sem estragar o sentido, quase sempre estará diante de uma substantiva.
As subordinadas substantivas são introduzidas, na maioria das vezes, pela conjunção integrante que ou se, e também podem aparecer sem conjunção, na forma reduzida, com o verbo no infinitivo, no gerúndio ou no particípio. Neste artigo, você vai aprender os seis tipos de subordinada substantiva, como identificar cada um deles, a diferença entre que conjunção integrante e que pronome relativo, as formas reduzidas e os erros mais comuns. Ao final, há um mapa mental, perguntas de resposta curta e questões comentadas originais, no estilo do ENEM, para você testar o que aprendeu.
O que é uma oração subordinada substantiva
Para entender a subordinada substantiva, é preciso lembrar como funciona um período composto por subordinação. Nele, há uma oração principal, que tem sentido mais completo, e uma oração subordinada, que depende dela e exerce uma função sintática dentro dela. Quando essa função é uma função típica de substantivo, a oração é classificada como substantiva.
Compare os exemplos abaixo. Em cada par, a segunda frase substitui um substantivo por uma oração inteira, sem mudar a estrutura básica do período:
- É certo o resultado. / É certo que o resultado sairá hoje. — o substantivo resultado dá lugar à oração que o resultado sairá hoje, que funciona como sujeito.
- Desejo a aprovação. / Desejo que você seja aprovado. — o substantivo aprovação dá lugar à oração que você seja aprovado, que funciona como objeto direto.
- Tenho medo da reprovação. / Tenho medo de que você reprove. — o substantivo reprovação dá lugar à oração de que você reprove, que funciona como complemento nominal.
- Meu sonho é a aprovação. / Meu sonho é que você seja aprovado. — o substantivo aprovação dá lugar à oração que você seja aprovado, que funciona como predicativo.
Esse teste da substituição é o mais confiável para reconhecer uma substantiva. Troque a oração suspeita por isso: É certo isso, Desejo isso, Tenho medo disso, Meu sonho é isso. Se a frase continuar correta e com o mesmo sentido, a oração exerce função de substantivo. Se a substituição não funcionar, provavelmente a oração é adjetiva ou adverbial, e não substantiva.
Outro ponto importante: a oração principal, sozinha, fica incompleta quando há uma subordinada substantiva. Em É preciso que você estude, a oração principal é apenas É preciso, que não diz o que é preciso. Falta justamente a informação trazida pela subordinada: que você estude. Essa dependência de sentido é a marca da subordinação.
As conjunções integrantes: que e se
A maioria das orações subordinadas substantivas desenvolvidas — isto é, com verbo em forma conjugada — é introduzida por uma conjunção integrante. As conjunções integrantes são que e se. Elas não têm significado próprio: servem apenas para ligar a oração subordinada à principal, como uma ponte. Por isso, não devem ser confundidas com outras palavras de mesma grafia.
O que integrante aparece na maioria dos casos: Espero que você passe. / É importante que todos participem. / Disseram que a prova foi difícil. O se integrante aparece, sobretudo, depois de verbos que expressam dúvida, pergunta indireta ou incerteza: Não sei se ele vem. / Perguntaram se a aula seria adiada. / Quero saber se você entendeu.
Muita atenção ao se: ele só é conjunção integrante quando a oração subordinada pode ser substituída por isso. Em Não sei se ele vem, a troca funciona: Não sei isso. Já em Se ele vier, ficarei feliz, o se é conjunção condicional e introduz uma oração adverbial, não substantiva — a troca por isso não funciona. O mesmo cuidado vale para o que: quando ele retoma um termo anterior, é pronome relativo e introduz oração adjetiva, como em O livro que comprei é ótimo, em que que retoma livro. Na substantiva, o que não retoma nada: apenas liga as orações, como em Espero que você leia o livro.
Um truque rápido para diferenciar: pergunte se o que pode ser substituído por o qual, a qual ou os quais. Se puder, é pronome relativo e a oração é adjetiva. Se não puder, e a oração puder ser trocada por isso, é conjunção integrante e a oração é substantiva. Compare: O filme que assisti é longo (posso dizer o filme o qual assisti — relativo, adjetiva) e Acho que o filme é longo (não posso dizer acho o qual o filme é longo; posso dizer acho isso — integrante, substantiva).
Os seis tipos de oração subordinada substantiva
A classificação da subordinada substantiva depende da função que ela exerce na oração principal. São seis tipos, e cada um corresponde a uma função sintática que um substantivo também pode exercer. O segredo para classificar bem é sempre perguntar: o que essa oração está fazendo na frase? Ela é sujeito? É objeto? É complemento? É predicativo? É aposto? A resposta dá o nome do tipo.
1. Subjetiva: funciona como sujeito
A subordinada substantiva subjetiva exerce a função de sujeito da oração principal. Ela aparece, com frequência, depois de verbos ou expressões impessoais, como é preciso, é importante, é provável, convém, importa, parece e acontece, e também depois de verbos na voz passiva sintética ou de verbos que não têm sujeito próprio.
- É fundamental que você revise a matéria. — sujeito: que você revise a matéria (o que é fundamental? Que você revise a matéria).
- Convém que todos cheguem cedo. — sujeito: que todos cheguem cedo.
- Parece que vai chover. — sujeito: que vai chover.
- É provável que o resultado saia amanhã. — sujeito: que o resultado saia amanhã.
Teste prático: pergunte o que é fundamental, convém ou parece. A resposta é a oração subjetiva. Outra forma de conferir é trocar a oração por isso: É fundamental isso, Convém isso. Funciona, porque a oração ocupa o lugar do sujeito.
2. Objetiva direta: funciona como objeto direto
A subordinada substantiva objetiva direta exerce a função de objeto direto, isto é, completa o sentido de um verbo transitivo direto, sem preposição. É o tipo mais frequente nas provas, porque aparece depois de verbos muito comuns: achar, pensar, crer, dizer, afirmar, esperar, desejar, querer, saber, perceber, notar, temer, imaginar, supor.
- Acho que você está certo. — objeto direto: que você está certo (acho o quê? Que você está certo).
- Espero que a prova seja tranquila. — objeto direto: que a prova seja tranquila.
- Disseram que as inscrições foram prorrogadas. — objeto direto: que as inscrições foram prorrogadas.
- Não sei se devo refazer o simulado. — objeto direto: se devo refazer o simulado.
Perceba que, no último exemplo, a conjunção é se, e não que. Isso não muda a classificação: o que define a objetiva direta é a função, e não a conjunção. Sempre que a oração completar um verbo transitivo direto, sem preposição, ela é objetiva direta.
3. Objetiva indireta: funciona como objeto indireto
A subordinada substantiva objetiva indireta exerce a função de objeto indireto: completa um verbo transitivo indireto, vindo sempre acompanhada de preposição. As preposições mais comuns são de, em e a, e a conjunção integrante vem logo depois da preposição: de que, em que, a que.
- Preciso de que você me ajude. — objeto indireto: de que você me ajude (preciso de quê? De que você me ajude).
- Lembro-me de que a aula começa às oito. — objeto indireto: de que a aula começa às oito.
- Insisto em que todos participem. — objeto indireto: em que todos participem.
- Chegamos a que todos concordassem. — construção menos comum, mas possível, com objeto indireto introduzido por a que.
O erro mais comum aqui é esquecer a preposição ou usá-la onde ela não cabe. Verbos como precisar, lembrar-se, esquecer-se, insistir e gostar pedem preposição, e a oração subordinada mantém essa preposição: Gosto de que me expliquem com calma está certo; Gosto que me expliquem com calma, na norma culta, está errado, porque falta o de. As provas adoram cobrar justamente essa preposição obrigatória.
4. Completiva nominal: funciona como complemento nominal
A subordinada substantiva completiva nominal exerce a função de complemento nominal: completa o sentido de um substantivo, de um adjetivo ou de um advérbio, vindo sempre acompanhada de preposição. É o complemento de um nome, e não de um verbo — essa é a diferença essencial em relação à objetiva indireta.
- Tenho certeza de que você vai passar. — complemento nominal de certeza (substantivo).
- Estou ansioso por que o resultado saia logo. — complemento nominal de ansioso (adjetivo); na escrita corrente, usa-se por que com esse sentido, mas a estrutura é a mesma: preposição + conjunção integrante.
- Tenho medo de que a prova seja difícil. — complemento nominal de medo (substantivo).
- Sou favorável a que todos tenham acesso ao material. — complemento nominal de favorável (adjetivo).
Para não confundir completiva nominal com objetiva indireta, pergunte: a preposição está ligada a um verbo ou a um nome? Se estiver ligada a um verbo (preciso de, lembro-me de), é objetiva indireta. Se estiver ligada a um substantivo, adjetivo ou advérbio (certeza de, medo de, favorável a, ansioso por), é completiva nominal. Esse teste resolve quase todas as questões que misturam os dois tipos.
5. Predicativa: funciona como predicativo do sujeito
A subordinada substantiva predicativa exerce a função de predicativo do sujeito: aparece depois de um verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar, tornar-se, continuar) e atribui uma característica ou uma identidade ao sujeito da oração principal.
- Meu objetivo é que todos aprendam. — predicativo: que todos aprendam (o que é meu objetivo? Que todos aprendam).
- O problema é que ninguém avisou sobre a mudança. — predicativo: que ninguém avisou sobre a mudança.
- A verdade é que o conteúdo estava no edital. — predicativo: que o conteúdo estava no edital.
- Minha esperança é que o esforço valha a pena. — predicativo: que o esforço valha a pena.
Repare que, na predicativa, o sujeito da principal costuma ser um substantivo abstrato — objetivo, problema, verdade, esperança, fato, questão — e a oração subordinada revela o conteúdo desse substantivo. Se você trocar a oração por isso (Meu objetivo é isso, O problema é isso), a frase continua correta, confirmando a função substantiva.
6. Apositiva: funciona como aposto
A subordinada substantiva apositiva exerce a função de aposto: explica, esclarece ou resume um termo anterior, geralmente vindo depois de dois-pontos, de travessão ou, mais raramente, de vírgula. É como se a oração dissesse, com outras palavras, o que o termo anterior significa.
- Tenho um desejo: que você seja aprovado. — aposto de desejo: a oração explica qual é o desejo.
- Só peço uma coisa: que estudem com calma. — aposto de coisa.
- Ficou claro o recado: que ninguém falte à revisão. — aposto de recado.
A apositiva é o tipo menos cobrado nas provas, mas aparece em textos e em questões de análise sintática. O sinal mais claro dela é a pausa — dois-pontos ou travessão — antes da oração, e o fato de ela poder ser retirada sem destruir a estrutura da frase principal, apenas deixando-a menos explicada. Em Tenho um desejo, a frase está completa; a oração que você seja aprovado apenas especifica qual desejo é esse.
| Tipo | Função na oração principal | Pergunta que identifica | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Subjetiva | Sujeito | O que é preciso, convém, parece? | É preciso que você estude. |
| Objetiva direta | Objeto direto (sem preposição) | Verbo + o quê? | Quero que você estude. |
| Objetiva indireta | Objeto indireto (com preposição, ligada a verbo) | Verbo + de quê? Em quê? | Preciso de que você me ajude. |
| Completiva nominal | Complemento nominal (com preposição, ligada a nome) | Nome + de quê? A quê? | Tenho certeza de que vou passar. |
| Predicativa | Predicativo do sujeito (após verbo de ligação) | O sujeito é o quê? | Meu sonho é que você passe. |
| Apositiva | Aposto (explica termo anterior, após dois-pontos) | Qual? O quê, exatamente? | Tenho um desejo: que você passe. |
Orações substantivas reduzidas: sem conjunção
Nem toda subordinada substantiva vem com conjunção integrante e verbo conjugado. Quando o verbo aparece em uma forma nominal — infinitivo, gerúndio ou particípio — e a conjunção desaparece, temos uma oração subordinada substantiva reduzida. A função sintática continua a mesma; o que muda é só a forma do verbo.
- Reduzida de infinitivo (a mais comum): É preciso estudar. (subjetiva: estudar = que se estude) / Quero passar no vestibular. (objetiva direta: passar = que eu passe) / Tenho medo de reprovar. (completiva nominal: de reprovar = de que eu reprove).
- Reduzida de gerúndio (mais rara): Ouvi os alunos reclamando da prova. Em muitos contextos, porém, o gerúndio com valor substantivo aparece em construções como Prefiro ficar estudando a sair, e as gramáticas divergem sobre alguns casos — nas provas, o infinitivo é disparado o mais cobrado.
- Reduzida de particípio (rara): Feita a revisão, fomos descansar. Aqui, na verdade, a oração tem valor mais adverbial (temporal) do que substantivo, e por isso as reduzidas de particípio com função substantiva são exceções que quase não aparecem em prova.
Para desenvolver uma reduzida, basta repor a conjunção e conjugar o verbo: É preciso estudar vira É preciso que se estude; Quero passar vira Quero que eu passe. Para reduzir uma desenvolvida, faça o caminho inverso: retire a conjunção e passe o verbo para o infinitivo, ajustando a preposição quando houver: Preciso de que você me ajude vira Preciso de sua ajuda ou, mantendo a oração, Preciso de que me ajudem — na forma reduzida mais natural, Preciso que me ajudem perde a preposição em uso coloquial, mas a norma culta pede atenção à regência do verbo.
Um cuidado importante nas reduzidas de infinitivo: quando o sujeito do infinitivo é diferente do sujeito da principal, ele costuma aparecer antes do verbo, como em É preciso você estudar mais ou Peço a você revisar o texto. E quando o infinitivo vem flexionado (estudarem, fazermos), ele indica claramente quem pratica a ação: É importante estudarmos juntos (nós) / É importante eles estudarem juntos (eles). As provas cobram esse infinitivo flexionado, sobretudo em questões de concordância e de reescrita.
Substantiva, adjetiva ou adverbial? Como não confundir
Grande parte dos erros em questões de período composto vem da confusão entre os três tipos de oração subordinada. A tabela abaixo resume a diferença essencial, e o teste da substituição por isso continua sendo o melhor aliado: só a substantiva aceita essa troca sem mudar a estrutura da frase.
| Tipo | O que faz | Como reconhecer | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Substantiva | Exerce função de substantivo (sujeito, objeto, complemento, predicativo, aposto) | Pode ser trocada por isso; introduzida por que ou se integrantes | Espero que você passe. |
| Adjetiva | Exerce função de adjetivo (caracteriza um substantivo anterior) | Introduzida por pronome relativo (que, o qual, onde, cujo) que retoma um termo anterior | O aluno que estuda passa. |
| Adverbial | Exerce função de advérbio (indica causa, tempo, condição, concessão, comparação, etc.) | Introduzida por conjunção subordinativa adverbial (porque, quando, se, embora, como) | Estudei porque queria passar. |
Um caso clássico de confusão é o se. Em Não sei se ele vem, o se é integrante e a oração é substantiva objetiva direta (não sei isso). Em Se ele vier, passarei, o se é condicional e a oração é adverbial (indica condição). Em Perguntou se a prova seria adiada, o se é integrante de novo, porque a pergunta indireta equivale a um objeto direto: perguntou isso. Sempre pergunte: essa oração responde a o quê de um verbo, ou indica uma circunstância (tempo, causa, condição)? A resposta separa substantiva de adverbial na maioria dos casos.
Outro caso que confunde é a oração introduzida por que depois de substantivo. Em Tenho a certeza de que vou passar, a oração é completiva nominal, porque completa o substantivo certeza e vem com preposição. Em Li o livro que você indicou, a oração é adjetiva restritiva, porque o que retoma livro e caracteriza esse livro. A presença ou ausência da preposição, e o fato de o que retomar ou não um termo anterior, são os dois sinais que mais ajudam.
Como as subordinadas substantivas caem no ENEM e nos vestibulares
No ENEM, as subordinadas substantivas raramente aparecem como uma pergunta seca de classificação. Elas costumam vir dentro de questões de compreensão e reescrita: o enunciado pede a função de uma oração destacada, a reescrita de um período mantendo o sentido, ou a identificação do termo a que uma oração se refere. Nos vestibulares mais tradicionais, como Fuvest, Unicamp e Unesp, também são comuns questões que pedem a classificação direta da oração, com a completiva nominal e a objetiva indireta como principais armadilhas, porque as duas usam preposição e só se distinguem pelo termo a que a preposição se liga.
Os pontos mais cobrados, na prática, são quatro. Primeiro, a distinção entre que integrante e que relativo, que decide entre substantiva e adjetiva. Segundo, a diferença entre objetiva indireta e completiva nominal, que decide se a preposição pertence a um verbo ou a um nome. Terceiro, a regência: a preposição obrigatória antes de que em verbos e nomes que a exigem, como precisar de que, lembrar-se de que e ter certeza de que. Quarto, a reescrita com formas reduzidas, em que o candidato precisa transformar uma oração desenvolvida em reduzida de infinitivo sem mudar o sentido, ou o contrário.
Para treinar, vale resolver as questões comentadas ao final deste artigo e depois revisar os conteúdos de Língua Portuguesa do Clique Vestibular, onde outros temas de sintaxe completam o assunto, como orações adjetivas, adverbiais e coordenadas. A sala de estudo reúne esses conteúdos em ordem, e os guias de vestibulares ajudam a situar cada tema no que cada prova costuma cobrar.
Erros mais comuns (e como evitá-los)
- Chamar de substantiva toda oração introduzida por que — se o que retoma um substantivo anterior, a oração é adjetiva, não substantiva.
- Confundir objetiva indireta com completiva nominal — pergunte se a preposição se liga a um verbo ou a um nome; verbo indica objetiva indireta, nome indica completiva nominal.
- Esquecer a preposição obrigatória — preciso de que, lembro-me de que, tenho certeza de que: sem o de, a construção fere a norma culta.
- Usar preposição onde ela não cabe — verbos transitivos diretos como achar, esperar, dizer não pedem preposição: o certo é acho que você tem razão, e não acho de que você tem razão.
- Classificar a subjetiva como objetiva — em É preciso que você estude, a oração é sujeito de é preciso, e não objeto; não há verbo transitivo direto ali.
- Trocar se integrante por se condicional — em pergunta indireta (não sei se vem), o se é integrante e a oração é substantiva; só é condicional quando indica condição (se vier, ficarei feliz).
- Na reescrita, mudar o sentido ao reduzir — ao passar para o infinitivo, preserve o sujeito da ação: É importante que eles estudem vira É importante eles estudarem, e não É importante estudar, que apaga quem estuda.
Uma estratégia de revisão ajuda muito: diante de uma oração suspeita, faça os três testes em ordem. Primeiro, troque-a por isso: se funcionar, é substantiva. Segundo, pergunte qual função ela exerce: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto. Terceiro, verifique a preposição: ela existe? A que termo ela se liga? Com esses três passos, você classifica a maioria das orações sem precisar decorar a lista de tipos na hora da prova — e evita os deslizes que mais custam pontos, inclusive na redação do ENEM, onde períodos bem construídos e com regência correta contam na competência de norma culta.


Mapa mental
- Oração subordinada substantiva: oração que exerce função de substantivo na oração principal
- Teste: pode ser substituída por isso sem estragar a frase
- Conjunções integrantes: que e se (sem significado próprio, só ligam as orações)
- Formas: desenvolvida (verbo conjugado, com conjunção) ou reduzida (infinitivo, gerúndio ou particípio, sem conjunção)
- Os seis tipos:
- Subjetiva: sujeito — É preciso que você estude.
- Objetiva direta: objeto direto, sem preposição — Quero que você passe.
- Objetiva indireta: objeto indireto, com preposição ligada a verbo — Preciso de que me ajudem.
- Completiva nominal: complemento nominal, com preposição ligada a nome — Tenho certeza de que vou passar.
- Predicativa: predicativo do sujeito, após verbo de ligação — Meu sonho é que você passe.
- Apositiva: aposto, após dois-pontos, explicando termo anterior — Tenho um desejo: que você passe.
- Não confundir:
- Que relativo retoma termo anterior e introduz adjetiva; que integrante só liga e introduz substantiva
- Se condicional indica condição e introduz adverbial; se integrante introduz substantiva em pergunta indireta
- Preposição ligada a verbo = objetiva indireta; ligada a nome = completiva nominal
- Na prova: classifique pela função, confira a preposição e teste a troca por isso
SAQ — Perguntas de resposta curta
- Pergunta: O que é uma oração subordinada substantiva? Resposta: É uma oração dependente que exerce, na oração principal, uma função típica de substantivo, como sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto.
- Pergunta: Quais são as conjunções integrantes? Resposta: Que e se. Elas ligam a oração subordinada à principal sem ter significado próprio.
- Pergunta: Classifique a oração destacada: “É importante que todos revisem o conteúdo.” Resposta: Subordinada substantiva subjetiva, porque funciona como sujeito de é importante.
- Pergunta: Classifique a oração destacada: “Espero que a prova seja tranquila.” Resposta: Subordinada substantiva objetiva direta, porque completa o verbo transitivo direto esperar, sem preposição.
- Pergunta: Qual é a diferença entre objetiva indireta e completiva nominal? Resposta: Na objetiva indireta, a preposição se liga a um verbo (preciso de que); na completiva nominal, a preposição se liga a um substantivo, adjetivo ou advérbio (certeza de que).
- Pergunta: Classifique a oração destacada: “Meu objetivo é que todos aprendam.” Resposta: Subordinada substantiva predicativa, porque funciona como predicativo do sujeito meu objetivo, após o verbo de ligação é.
- Pergunta: Desenvolva a oração reduzida em “É preciso estudar todos os dias.” Resposta: “É preciso que se estude todos os dias.” A forma reduzida de infinitivo vira desenvolvida com a conjunção que e o verbo conjugado.
- Pergunta: Por que, em “O livro que comprei é ótimo”, a oração não é substantiva? Resposta: Porque o que retoma o substantivo livro e funciona como pronome relativo; a oração caracteriza livro, logo é adjetiva, não substantiva, e não aceita a troca por isso.
Questões comentadas
Questão 1
Assinale a alternativa em que a oração destacada é subordinada substantiva subjetiva:
a) Espero que você chegue cedo.
b) É fundamental que todos participem da revisão.
c) Tenho certeza de que o conteúdo vai cair.
d) Meu sonho é que você seja aprovado.
e) Preciso de que me avisem com antecedência.
Gabarito: B. Em (b), a oração funciona como sujeito da expressão impessoal é fundamental: o que é fundamental? Que todos participem da revisão. Em (a), é objetiva direta; em (c), completiva nominal; em (d), predicativa; em (e), objetiva indireta.
Questão 2
Na frase “Os professores insistiram em que os alunos refizessem o simulado”, a oração subordinada é:
a) Substantiva objetiva direta.
b) Substantiva objetiva indireta.
c) Substantiva completiva nominal.
d) Adjetiva restritiva.
e) Adverbial concessiva.
Gabarito: B. A oração completa o verbo transitivo indireto insistir, com a preposição em: insistiram em quê? Em que os alunos refizessem o simulado. Como a preposição se liga a um verbo, e não a um nome, a classificação é objetiva indireta, e não completiva nominal.
Questão 3
Assinale a alternativa em que há erro de regência com oração subordinada substantiva, segundo a norma culta:
a) Tenho certeza de que o edital será publicado hoje.
b) Lembro-me de que a aula começa às oito.
c) Acho que você tem razão sobre o gabarito.
d) Preciso que você me ajude na revisão.
e) Estou convencido de que o esforço vale a pena.
Gabarito: D. O verbo precisar, no sentido de necessitar, é transitivo indireto e exige a preposição de: o certo é “Preciso de que você me ajude”. Nas demais, a regência está correta: certeza de que, lembrar-se de que, achar que (transitivo direto, sem preposição) e convencido de que (adjetivo com preposição).
Questão 4
Em “Não sei se o resultado sai hoje”, a oração subordinada é classificada como:
a) Adverbial condicional, porque é introduzida por se.
b) Substantiva objetiva direta, porque completa o verbo saber e pode ser trocada por isso.
c) Substantiva completiva nominal, porque depende de um nome.
d) Adjetiva, porque o se retoma um termo anterior.
e) Coordenada, porque tem sentido próprio.
Gabarito: B. O se aqui não indica condição, e sim uma pergunta indireta: não sei o quê? Se o resultado sai hoje. A troca por isso funciona (“Não sei isso”), confirmando a função substantiva de objeto direto do verbo transitivo direto saber.
Questão 5
Assinale a alternativa em que a oração destacada é subordinada substantiva predicativa:
a) É provável que o resultado saia amanhã.
b) Quero que você revise a redação.
c) O problema é que ninguém avisou sobre a mudança de sala.
d) Tenho um pedido: que estudem com calma.
e) Duvido que a prova seja fácil.
Gabarito: C. Em (c), a oração vem após o verbo de ligação é e funciona como predicativo do sujeito o problema. Em (a), é subjetiva; em (b) e (e), objetiva direta; em (d), apositiva, após os dois-pontos.
Questão 6
A reescrita correta, na forma desenvolvida, da frase “É importante estudarmos juntos até a véspera da prova” é:
a) É importante que estudemos juntos até a véspera da prova.
b) É importante que estudarmos juntos até a véspera da prova.
c) É importante estudar juntos até a véspera da prova.
d) É importante que nós estudamos juntos até a véspera da prova.
e) É importante estudando juntos até a véspera da prova.
Gabarito: A. Ao desenvolver a reduzida de infinitivo flexionado estudarmos (nós), repõe-se a conjunção integrante que e conjuga-se o verbo no presente do subjuntivo, estudemos, que é a forma exigida após é importante que. A alternativa (b) mantém o infinitivo após que, o que é incorreto; (d) usa o indicativo, inadequado nesse contexto; (c) e (e) não desenvolvem a oração.
Dica do professor
Não comece pela classificação: comece pela função. Diante de qualquer oração introduzida por que ou se, faça três perguntas, sempre nesta ordem: primeiro, ela pode ser trocada por isso? Se sim, é substantiva. Segundo, o que ela faz na frase: é sujeito, objeto, complemento, predicativo ou aposto? Terceiro, há preposição? Se há, a quem ela se liga, a um verbo ou a um nome? Quem responde a essas três perguntas classifica qualquer subordinada substantiva sem decorar frases prontas — e, de quebra, resolve também as questões de regência, que quase sempre vêm junto.
Atenção / cuidado
Cuidado com dois deslizes muito comuns. O primeiro é chamar de substantiva qualquer oração com que: se o que retoma um substantivo anterior, a oração é adjetiva, e a troca por isso não funciona. O segundo é confundir objetiva indireta com completiva nominal só porque as duas usam preposição: o que decide é o termo a que a preposição se liga, verbo ou nome. Outro cuidado: na pressa, é fácil esquecer a preposição obrigatória em precisar de que, lembrar-se de que e ter certeza de que, ou colocá-la onde ela não cabe, em achar que e esperar que. Revisar a regência do verbo ou do nome antes de classificar evita os dois erros de uma só vez.
Conexão com outras áreas
As subordinadas substantivas se conectam diretamente com a concordância, a regência e a interpretação de texto: entender a função de cada oração é o que permite analisar períodos longos, reescrevê-los sem mudar o sentido e identificar a quem cada informação se refere. Na redação, dominar essas estruturas ajuda a construir argumentos mais claros e períodos mais coesos, sem repetir o mesmo padrão de frase o tempo todo. Em Literatura, a análise de períodos complexos revela o estilo de um autor: frases com muitas subordinadas tendem a um ritmo mais reflexivo, enquanto frases curtas e coordenadas dão ritmo mais ágil à narrativa. E em Língua Portuguesa como um todo, a substantiva é a porta de entrada para o estudo do período composto: quem domina a função substantiva entende com mais facilidade as adjetivas e as adverbiais. Para continuar, explore os conteúdos de Língua Portuguesa do Clique Vestibular e os guias de ENEM disponíveis na sala de estudo.
Incidência
Incidência: ♨️ Morno. As orações subordinadas substantivas são um tema recorrente em Língua Portuguesa, mas aparecem com mais frequência diluídas em questões de análise sintática, reescrita e interpretação do que como assunto isolado. No ENEM, elas costumam valer pontos dentro de questões de Linguagens que pedem a função de uma oração ou a reescrita de um período; nos vestibulares tradicionais, aparecem em questões objetivas de sintaxe, quase sempre com as armadilhas clássicas: que integrante versus que relativo, objetiva indireta versus completiva nominal e a preposição obrigatória antes de que. Vale a revisão porque é um conteúdo de alto retorno: poucas regras — a troca por isso, a pergunta pela função e o teste da preposição — resolvem muitas questões, e os mesmos erros se repetem ano após ano.



