Questões Resolvidas

Questões de Educação Física: esporte e sociedade — 10 questões com resolução comentada

Dez questões REAIS de Educação Física que já caíram no ENEM entre 2021 e 2024, sobre esporte e sociedade: gênero nas lutas e no skate, Jogos Olímpicos, esporte eletrônico, violência e racismo no futebol, sedentarismo e democratização do skate. Transcrição fiel de cada prova, gabarito oficial e resolução comentada.

Direto ao assunto
  1. Questão 1 — Lutas, mulheres e a aula de Educação Física
  2. Questão 2 — Break dance nos Jogos Olímpicos
  3. Questão 3 — O esporte eletrônico
  4. Questão 4 — O novo lema olímpico
  5. Questão 5 — Rayssa Leal e a representatividade no skate
  6. Questão 6 — Mountainboard, esporte de aventura
  7. Questão 7 — Violência no futebol
  8. Questão 8 — Sedentarismo, renda e escolaridade
  9. Questão 9 — Futebol, racismo e o “jogador-problema”
  10. Questão 10 — A democratização do skate

Esporte e sociedade é um dos temas mais constantes da Educação Física no ENEM: as questões quase nunca cobram regra de jogo ou decoreba — cobram leitura de texto e interpretação de como o esporte se relaciona com gênero, cultura, mídia, saúde pública, racismo e desigualdade. Abaixo, 10 questões reais, que já caíram no ENEM entre 2021 e 2024, transcritas fielmente, cada uma com fonte, gabarito oficial e resolução comentada. Tente resolver antes de abrir o gabarito!

Questão 1 — Lutas, mulheres e a aula de Educação Física

Fonte: ENEM 2024 — Linguagens, Q26 (caderno azul).

Por trás do universo “masculino” das lutas, é cada vez mais notório o aumento da participação de mulheres nessa prática corporal. Algumas situações reforçam esse fenômeno de ocupação em ambientes de lutas: a inclusão de mulheres em combates de artes marciais mistas, ou MMA, a transmissão televisiva de lutas de mulheres e a criação de horários específicos para elas em academias que ensinam lutas. Uma pesquisa científica mostrou menor participação e mobilização das meninas em comparação com os meninos nas aulas de Educação Física. Entre as justificativas discentes para essa situação está o fato de que eles relacionam a luta como uma expressão corporal masculina e, por consequência, não adequada aos interesses femininos. Dessa forma, o ensino de lutas nas aulas de Educação Física é atravessado por tensões relacionadas às questões de gênero e sexualidade, o que, por sua vez, pode favorecer a sua exclusão do conteúdo próprio da disciplina.

SO, M. R.; MARTINS, M. Z.; BETTI, M. As relações das meninas com os saberes das lutas nas aulas de Educação Física. Motrivivência, n. 56, dez. 2018 (adaptado).

Segundo o texto, apesar do aumento da participação de mulheres em lutas, a realidade na escola ainda é diferente em razão do(a)

A) esportivização desse conteúdo. B) masculinização dessa modalidade. C) enfoque desses eventos pela mídia. D) trato pedagógico dessa manifestação. E) marginalização desse tema pela Educação Física.

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Gabarito oficial: B.

O texto contrasta dois movimentos: fora da escola, a presença de mulheres nas lutas cresce (MMA, TV, horários próprios); dentro da escola, as meninas participam menos. A causa apontada é a associação da luta a uma “expressão corporal masculina”, não adequada aos interesses femininos — ou seja, a masculinização da modalidade. A está errada (esportivização seria transformar a luta em esporte de rendimento, o que o texto não discute); C está errada (a mídia, aqui, ajuda a visibilizar as mulheres, não explica a menor participação escolar); D está errada (o problema não é a forma de ensinar, e sim o estereótipo de gênero); E está errada (a luta não está marginalizada na Educação Física — o texto diz que ela pode ser excluída justamente por causa dessas tensões de gênero, não por falta de espaço na disciplina).

Questão 2 — Break dance nos Jogos Olímpicos

Fonte: ENEM 2024 — Linguagens.

Os Jogos Olímpicos já não são mais os mesmos. E isso não é nem uma crítica, nem um elogio. É uma constatação. Esse movimento começou com o vôlei de praia tornando-se esporte olímpico em 1996, passou pela chegada do BMX Racing como primeiro “radical” a entrar no programa em 2008, e agora atinge seu momento mais insólito com a inclusão do break dance como modalidade dos Jogos de Paris, em 2024. Para os mais tradicionalistas, o cruzamento da linha que delimitava o que é esporte e o que é cultura e arte é uma afronta ao espírito dos Jogos Olímpicos. Skate e surfe, que há anos têm competições na televisão, pareciam estar na divisa entre esses dois mundos, o limite do aceitável pelos puristas. O break dance estaria do lado de “lá” dessa fronteira. Para o Comitê Olímpico Internacional, a decisão faz parte de uma estratégia de se comunicar com jovens urbanos que se exercitam e se entretêm de uma maneira muito diferente da dos seus avós.

Disponível em: www.uol.com.br. Acesso em: 19 nov. 2021 (adaptado).

A mudança no programa olímpico mencionada no texto mostra que o esporte está se

A) aproximando da aventura. B) mantendo em sua forma padrão. C) tornando uma forma de dança. D) afastando de elementos culturais. E) adaptando às demandas do seu tempo.

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Gabarito oficial: E.

O fio do texto é histórico: vôlei de praia (1996), BMX (2008), skate, surfe e agora break dance (Paris 2024). A justificativa do COI é “se comunicar com jovens urbanos” que se exercitam de outro jeito — ou seja, o programa olímpico se adapta às demandas do seu tempo. A está errada (a aventura é só um dos exemplos, não a tese do texto); B está errada (o texto diz justamente o contrário: os Jogos “já não são mais os mesmos”); C está errada (o break dance não transforma o esporte em dança; ele mostra que a fronteira entre esporte, cultura e arte está sendo revista); D está errada (o movimento é de aproximação, não de afastamento, dos elementos culturais).

Questão 3 — O esporte eletrônico

Fonte: ENEM 2023 — Linguagens.

A indústria do esporte eletrônico é um mercado que está crescendo em um ritmo mais rápido do que a economia mundial. Sua popularidade cresceu muito e no Brasil não é diferente. De acordo com os dados de uma pesquisa, mais de 64% dos brasileiros que jogam videogame já ouviram falar de esporte eletrônico. No entanto, o que chama a atenção é o crescimento superior a 10% do público praticante comparado ao ano anterior, que subiu de 44,7% para 55,4%.

Trata-se de um percentual expressivo, já que o Brasil está no top 3 dentre os países que têm maior número de espectadores de esporte eletrônico do mundo. Comparado ao ano anterior, em 2020, o Brasil teve um marco de crescimento de 20% na audiência.

Mundo afora, a árdua dedicação de grandes gamers contribuiu para o reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional, aliado a outras cinco federações esportivas e suas desenvolvedoras de jogos, que direcionaram um olhar mais atento ao assunto, permitindo dar o primeiro passo para concretizar, pela primeira vez na história dos jogos eletrônicos, um evento olímpico oficial.

Disponível em: https://chicoterra.com. Acesso em: 19 nov. 2021 (adaptado).

O contexto em que o esporte eletrônico é apresentado no texto demonstra o(a)

A) condição favorável à expansão dessa modalidade. B) promoção dessa prática por jogadores profissionais. C) impulsionamento de um processo de marketing. D) favorecimento de fabricantes dos jogos. E) modificação da audiência televisiva.

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Gabarito oficial: A.

Todos os dados do texto apontam na mesma direção: crescimento acima da economia mundial, mais praticantes (44,7% → 55,4%), Brasil no top 3 de espectadores, +20% de audiência e o primeiro passo rumo a um evento olímpico oficial. O conjunto descreve uma condição favorável à expansão da modalidade. B está errada (os jogadores aparecem como dedicados, não como promotores da prática); C está errada (não há discussão de marketing); D está errada (fabricantes e desenvolvedoras são citados só como parceiros do COI, não como beneficiários centrais); E está errada (o texto fala de audiência, não de mudança na TV).

Questão 4 — O novo lema olímpico

Fonte: ENEM 2023 — Linguagens.

A sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou uma mudança histórica e inédita no lema olímpico, criado em 1894 pelo Barão Pierre de Coubertin para expressar os valores e a excelência do esporte. Mais de 120 anos depois, o lema tem sua primeira alteração para ressaltar a solidariedade e incluir a palavra “juntos”: mais rápido, mais alto, mais forte – juntos. A mudança foi aprovada por unanimidade pelos membros do COI e celebrada pelo presidente da entidade.

Disponível em: https://ge.globo.com. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).

De acordo com o texto, a alteração do lema olímpico teve como objetivo a

A) unificação do lema anterior ao atual. B) aproximação entre o lema olímpico e o COI. C) junção do lema olímpico com os princípios esportivos. D) associação entre o lema olímpico e a cooperatividade. E) vinculação entre o lema olímpico e os eventos atléticos.

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Gabarito oficial: D.

A pista está na própria palavra acrescentada: “juntos”, incluída para “ressaltar a solidariedade”. Solidariedade, no vocabulário da questão, é cooperatividade — o valor coletivo somado à busca individual por ser mais rápido, mais alto e mais forte. A está errada (não houve unificação de dois lemas, e sim acréscimo de uma palavra); B está errada (o COI é quem aprova a mudança, não o seu objetivo); C está errada (os princípios esportivos já estavam no lema original; o novo é a dimensão coletiva); E está errada (o texto não vincula a mudança a um evento específico).

Questão 5 — Rayssa Leal e a representatividade no skate

Fonte: ENEM 2022 — Linguagens.

A conquista da medalha de prata por Rayssa Leal, no skate street nos Jogos Olímpicos, é exemplo da representatividade feminina no esporte, avalia a âncora do jornal da rede de televisão da CNN. A apresentadora, que também anda de skate, celebrou a vitória da brasileira, que entrou para a história como a atleta mais nova a subir num pódio defendendo o Brasil.

“Essa representatividade do esporte nos Jogos faz pensarmos que não temos que ficar nos encaixando em nenhum lugar. Posso gostar de passar notícia e, mesmo assim, gostar de skate, subir montanha, mergulhar, andar de bike, fazer yoga”.

Temos que parar de ficar enquadrando as pessoas dentro das regras. A gente vive num padrão no qual a menina ganha boneca, mas por que também não fazer um esporte de aventura? Por que o homem pode se machucar, cair de joelhos, e a menina tem que estar sempre lindinha dentro de um padrão? Acabamos limitando os talentos das pessoas”, afirmou a jornalista, sobre a prática do skate por mulheres.

Disponível em: www.cnnbrasil.com.br. Acesso em: 31 out. 2021 (adaptado).

O discurso da jornalista traz questionamentos sobre a relação da conquista da skatista com a

A) conciliação do jornalismo com a prática do skate. B) inserção das mulheres na modalidade skate street. C) desconstrução da noção do skate como modalidade masculina. D) vanguarda de ser a atleta mais jovem a subir no pódio olímpico. E) conquista de medalha nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

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Gabarito oficial: C.

O centro do discurso não é a medalha em si, e sim o que ela desmonta: “a menina ganha boneca, mas por que também não fazer um esporte de aventura? Por que o homem pode se machucar […] e a menina tem que estar sempre lindinha dentro de um padrão?” A jornalista questiona o enquadramento que reserva o skate — e o risco, a queda, a aventura — aos meninos. A está errada (conciliar jornalismo e skate é só um exemplo pessoal dela, não a tese); B está errada (a inserção já é o ponto de partida — a medalha —, não o questionamento desenvolvido); D e E estão erradas (ser a mais jovem no pódio e a medalha em Tóquio são fatos do texto, não o questionamento que a jornalista constrói a partir deles).

Questão 6 — Mountainboard, esporte de aventura

Fonte: ENEM 2022 — Linguagens.

Criado há cerca de 20 anos na Califórnia, o mountainboard é um esporte de aventura que utiliza uma espécie de skate off-road para realizar manobras similares às das modalidades de snowboard, surf e do próprio skate.

A atividade chegou ao Brasil em 1997 e hoje possui centenas de praticantes, um circuito nacional respeitável e mais de uma dezena de pistas espalhadas pelo país. Segundo consta na história oficial, o mountainboard foi criado por praticantes de snowboard que sentiam falta de praticar o esporte nos períodos sem neve. Para isso, eles desenvolveram um equipamento bem simples: uma prancha semelhante ao modelo utilizado na neve (menor e um pouco menos flexível), com dois eixos bem resistentes, alças para encaixar os pés e quatro pneus com câmaras de ar para regular a velocidade que pode ser alcançada em diferentes condições.

Com essa configuração, o esporte se mostrou possível em diversos tipos de terreno: grama, terra, pedras, asfalto e areia. Além desses pisos, também é possível procurar pelas próprias trilhas para treinar as manobras.

Disponível em: www.webventure.com.br. Acesso em: 19 jun. 2019.

A história da prática do mountainboard representa uma das principais marcas das atividades de aventura, caracterizada pela

A) competitividade entre seus praticantes. B) atividade com padrões técnicos definidos. C) modalidade com regras predeterminadas. D) criatividade para adaptações a novos espaços. E) necessidade de espaços definidos para a sua realização.

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Gabarito oficial: D.

A história contada é a de uma adaptação: sem neve, praticantes de snowboard inventaram um equipamento novo — prancha menor, eixos resistentes, pneus com câmara — para praticar em grama, terra, pedras, asfalto, areia e trilhas. A marca das atividades de aventura destacada aqui é justamente essa criatividade para adaptar a prática a novos espaços. A está errada (o texto cita um circuito nacional, mas a tese não é a competição); B e C estão erradas (o equipamento é descrito como “bem simples” e improvisado, o oposto de padrões e regras predeterminadas); E está errada (o texto celebra a variedade de terrenos possíveis, não a necessidade de um espaço definido).

Questão 7 — Violência no futebol

Fonte: ENEM 2022 — Linguagens, Q19 (caderno azul).

Pisoteamento, arrastão, empurra-empurra, agressões, vandalismo e até furto a um torcedor que estava caído no asfalto após ter sido atropelado nas imediações do estádio do Maracanã. As cenas de selvageria tiveram como estopim a invasão de milhares de torcedores sem ingresso, que furaram o bloqueio policial e transformaram o estádio em terra de ninguém. Um reflexo não só do quadro de insegurança que assola o Rio de Janeiro, mas também de como a violência social se embrenha pelo esporte mais popular do país.

Em 2017, foram registrados 104 episódios de violência no futebol brasileiro, que resultaram em 11 mortes de torcedores. Desde 1995, quando 101 torcedores ficaram feridos e um morreu durante uma batalha campal no estádio do Pacaembu, autoridades brasileiras têm focado as ações de enfrentamento à violência no futebol em grupos uniformizados, alguns proibidos de frequentar estádios. Porém, a postura meramente repressiva contra torcidas organizadas é ineficaz em uma sociedade que registra mais de 61000 homicídios por ano. “É impossível dissociar a escalada de violência no futebol do panorama de desordem pública, social, econômica e política vivida pelo país”, de acordo com um doutor em sociologia do esporte.

Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 22 jun. 2019 (adaptado).

Nesse texto, a violência no futebol está caracterizada como um(a)

A) problema social localizado numa região do país. B) desafio para as torcidas organizadas dos clubes. C) reflexo da precariedade da organização social no país. D) inadequação de espaço nos estádios para receber o público. E) consequência da insatisfação dos clubes com a organização dos jogos.

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Gabarito oficial: C.

A frase-chave fecha o texto: “É impossível dissociar a escalada de violência no futebol do panorama de desordem pública, social, econômica e política vivida pelo país”. O estádio, portanto, não produz a violência sozinho — ele reflete a precariedade da organização social do país (o texto lembra os mais de 61 mil homicídios por ano). A está errada (o Rio é o cenário do episódio, não o limite do problema); B está errada (as torcidas são alvo da repressão, não o sujeito do desafio); D está errada (a invasão sem ingresso é o estopim narrado, não uma questão de dimensionamento do estádio); E está errada (não há insatisfação de clubes com a organização dos jogos no texto).

Questão 8 — Sedentarismo, renda e escolaridade

Fonte: ENEM 2022 — Linguagens.

Seis em cada dez pessoas com 15 anos ou mais não praticam esporte ou atividade física. São mais de 100 milhões de sedentários. Esses são dados do estudo Práticas de esporte e atividade física, da Pnad 2015, realizado pelo IBGE. A falta de tempo e de interesse são os principais motivos apontados para o sedentarismo.

Paralelamente, 73,3% das pessoas de 15 anos ou mais afirmaram que o poder público deveria investir em esporte ou atividades físicas. Observou-se uma relação direta entre escolaridade e renda na realização de esportes ou atividades físicas. Enquanto 17,3% das pessoas que não tinham instrução realizavam diversas práticas corporais, esse percentual chegava a 56,7% das pessoas com superior completo. Entre as pessoas que têm práticas de esporte e atividade física regulares, o percentual de praticantes ia de 31,1%, na classe sem rendimento, a 65,2%, na classe de cinco salários mínimos ou mais.

A falta de tempo foi mais declarada pela população adulta, com destaque entre as pessoas de 25 a 39 anos. Entre os adolescentes de 15 a 17 anos, o principal motivo foi não gostarem ou não quererem. Já o principal motivo para praticar esporte, declarado por 11,2 milhões pessoas, foi relaxar ou se divertir, seguido de melhorar a qualidade de vida ou o bem-estar. A falta de instalação esportiva acessível ou nas proximidades foi um motivo pouco citado, demonstrando que a não prática estaria menos associada à infraestrutura disponível.

Disponível em: www.esporte.gov.br. Acesso em: 9 ago. 2017 (adaptado).

Com base na pesquisa e em uma visão ampliada de saúde, para a prática regular de exercícios ter influência significativa na saúde dos brasileiros, é necessário o desenvolvimento de estratégias que

A) promovam a melhoria da aptidão da população, dedicando-se mais tempo aos esportes. B) combatam o sedentarismo presente em parcela significativa da população no território nacional. C) facilitem a adoção da prática de exercícios, com ações relacionadas à educação e à distribuição de renda. D) auxiliem na construção de mais instalações esportivas e espaços adequados para a prática de atividades físicas e esportes. E) estimulem o incentivo fiscal para a iniciativa privada destinar verbas aos programas nacionais de promoção da saúde pelo esporte.

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Gabarito oficial: C.

Os dados centrais do texto são a relação direta entre prática e escolaridade (17,3% sem instrução → 56,7% com superior completo) e entre prática e renda (31,1% sem rendimento → 65,2% com cinco salários ou mais). Numa visão ampliada de saúde, o problema não é só individual: é preciso facilitar a adoção da prática com ações ligadas à educação e à distribuição de renda. A está errada (mais tempo de esporte não resolve a desigualdade de acesso mostrada nos dados); B está errada (combater o sedentarismo é o objetivo geral, não a estratégia que os dados sustentam); D está errada (o próprio texto diz que a falta de instalação foi pouco citada — a não prática está menos associada à infraestrutura); E está errada (incentivo fiscal à iniciativa privada não aparece no texto).

Questão 9 — Futebol, racismo e o “jogador-problema”

Fonte: ENEM 2021 — Linguagens.

A história do futebol brasileiro contém, ao longo de um século, registros de episódios racistas. Eis o paradoxo: se, de um lado, a atividade futebolística era depreciada aos olhos da “boa sociedade” como profissão destinada aos pobres, negros e marginais, de outro, achava-se investida do poder de representar e projetar a nação em escala mundial. A Copa do Mundo no Brasil, em 1950, viria a se constituir, nesse sentido, em uma rara oportunidade. Contudo, na decisão contra o Uruguai sobreveio o inesperado revés. As crônicas esportivas elegiam o goleiro Barbosa e o defensor Bigode como bodes expiatórios, “descarregando nas costas” dos jogadores os “prejuízos” da derrota. Uma chibata moral, eis a sentença proferida no tribunal dos brancos. Nos anos 1970, por não atender às expectativas normativas suscitadas pelo estereótipo do “bom negro”, Paulo César Lima foi classificado como “jogador – problema”. Ele esboçava a revolta da chibata no futebol brasileiro. Enquanto Barbosa e Bigode, sem alternativa suportaram o linchamento moral na derrota 1950, Paulo César contra-atacava os que pretendiam condená-lo pelo insucesso de 1974. O jogador assumia as cores e as causas defendidas pela esquadra dos pretos em todas as esferas da vida social. “Sinto na pele esse racismo subjacente” revelou a imprensa francesa: “Isto é, ninguém ousa pronunciar a palavra ‘racismo’. Mas posso garantir que ele existe, mesmo na seleção Brasileira”. Sua ousadia constituiu em pronunciar a palavra interdita no espaço simbólico do discurso oficial para reafirmar o mito da democracia racial.

Disponível em: https://observatorioracialfutebol.com.br. Acesso em: 22 jun. 2019 (adaptado).

O texto atribui o enfraquecimento do mito da democracia racial no futebol à

A) responsabilização dos jogadores negros pela derrota na final da Copa de 1950. B) projeção mundial da nação por um esporte antes destinado aos pobres. C) depreciação de um esporte associado à marginalidade. D) interdição da palavra “racismo” no contexto esportivo. E) atitude contestadora de um “jogador-problema”.

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Gabarito oficial: E.

O texto narra um contraste: Barbosa e Bigode “suportaram o linchamento moral” de 1950, enquanto Paulo César Lima, nos anos 1970, “contra-atacava” e ousava “pronunciar a palavra interdita” — o racismo — no discurso oficial. É essa atitude contestadora do “jogador-problema” que enfraquece o mito da democracia racial, porque expõe o racismo que o mito tentava esconder. A está errada (a culpabilização de 1950 é exemplo do racismo, não o que o enfraquece); B está errada (a projeção mundial é o paradoxo inicial do texto, não a causa do enfraquecimento); C está errada (a depreciação do futebol como coisa de pobres é contexto histórico, não o agente da contestação); D está errada (a interdição da palavra “racismo” é justamente o que Paulo César rompe — o enfraquecimento vem da quebra da interdição, não dela).

Questão 10 — A democratização do skate

Fonte: ENEM 2021 — Linguagens.

O skate apareceu como forma de vivência no lazer em períodos de baixa nas ondas e ficou conhecido como “surfinho”. No início foram utilizados eixos e rodinhas de patins pregados numa madeira qualquer, para sua composição, sendo as rodas de borracha ou ferro. O grande marco na história do skate ocorreu em 1974, quando o engenheiro químico chamado Frank Nasworthy descobriu o uretano, material mais flexível, que oferecia mais aderência às rodas. A dependência dos skatistas em relação a esse novo material igualmente alavancou o surgimento de novas manobras e possibilitou a um maior número de pessoas inexperientes começar a prática dessa modalidade. O resultado foi a criação de campeonatos, marcas, fábricas e lojas especializadas.

ARMBRUST, I; LAURD, G, A, A. O skate e suas possibilidades educacionais. Motriz, jul-set, 2010 (adaptado).

De acordo com o texto, diversos fatores ao longo do tempo

A) contribuíram para a democratização do skate. B) evidenciaram as demandas comerciais dos skatistas. C) definiram a carreira de skatista profissional. D) permitiram que a prática social do skate substituísse o surfe. E) indicaram a autonomia dos praticantes de skate.

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Gabarito oficial: A.

A sequência do texto é de ampliação do acesso: do “surfinho” improvisado (eixos de patins numa madeira qualquer) ao uretano de 1974, que deu mais aderência, permitiu novas manobras e “possibilitou a um maior número de pessoas inexperientes começar a prática”. Campeonatos, marcas e lojas vêm como resultado dessa expansão — ou seja, diversos fatores contribuíram para a democratização do skate. B está errada (o comércio é consequência, não o fator evidenciado); C está errada (não há definição de carreira profissional no texto); D está errada (o skate nasceu nos períodos sem onda, mas não substituiu o surfe); E está errada (a autonomia dos praticantes não é o tema desenvolvido).

Como treinar com este post: resolva as 10 sem olhar o gabarito, marque as que errou e volte ao texto-fonte de cada uma: no ENEM, a resposta quase sempre está num trecho específico — sublinhe-o. Se errar por pressa, o treino é de leitura; se errar por conteúdo, revise o tema (gênero no esporte, Jogos Olímpicos, esporte e mídia, saúde coletiva e racismo no futebol) antes da próxima lista.