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Resumo do livro

O Avarento

de Molière

Por Equipe Clique · 5 Fev 2026 · 11 min de leitura

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Resumo da obra

"O Avarento", peça teatral do renomado dramaturgo francês Molière, desenrola-se em Paris, no século XVII, e tem como protagonista Harpagon, um velho viúvo e pai de dois filhos, Cléante e Élise. A trama central gira em torno da obsessão patológica de Harpagon por dinheiro, um amor tão profundo que supera qualquer afeto familiar ou bom senso. Ele vive em constante pavor de ser roubado, acumulando moedas de ouro em uma caixa escondida em seu jardim, recusando-se a gastar até mesmo com as necessidades básicas de sua casa e de seus filhos.

Os conflitos na peça emergem das decisões egoístas de Harpagon. Ele planeja casar sua filha, Élise, com um senhor idoso e rico, o Senhor Anselme, sem se importar com os sentimentos da jovem, que secretamente ama Valère, um jovem nobre que se disfarça de intendente da casa para ficar perto dela. Da mesma forma, ele destina seu filho, Cléante, a um casamento vantajoso financeiramente, ignorando que Cléante está apaixonado por uma jovem sem dotes, Mariane. Para piorar a situação, o próprio Harpagon decide que se casará com Mariane, a amada de seu filho, simplesmente por ela ser jovem e não exigir um grande dote.

A tensão aumenta quando a caixa de moedas de ouro de Harpagon é roubada por La Flèche, servo de Cléante, que age para ajudar seu amo e Élise. O desespero de Harpagon com a perda de seu tesouro é o clímax cômico da obra, levando-o a acusar a todos e a mergulhar em um caos de desconfiança e lamentações. A busca incessante pelo dinheiro perdido revela a profundidade de sua doença moral e como ela afeta todos ao seu redor.

No desfecho, através de uma série de reviravoltas e revelações, incluindo o reconhecimento de Valère e Mariane como filhos do Senhor Anselme (que se revela ser Dom Thomas d'Alburci), os casais apaixonados finalmente conseguem a permissão para se unir. Harpagon, por sua vez, só concorda com os casamentos de seus filhos mediante a condição de ter sua caixa de ouro recuperada e sem precisar gastar um tostão nas cerimônias, demonstrando que nem mesmo a felicidade de sua família pode superar seu amor pelo dinheiro.

🧠 Tema central

A avarice, em sua forma mais extrema e destrutiva, é o tema central, evidenciando como a obsessão por bens materiais corrompe o indivíduo e as relações humanas.

Mini biografia do autor

Jean-Baptiste Poquelin, mundialmente conhecido pelo pseudônimo Molière, foi um dos maiores dramaturgos e atores franceses de todos os tempos. Nascido em Paris em 1622, Molière revolucionou o teatro cômico francês do século XVII com suas peças que satirizavam os costumes e vícios da sociedade da época, especialmente a burguesia emergente e a aristocracia. Fundador da companhia teatral "Illustre Théâtre", Molière escreveu uma vasta gama de comédias, muitas das quais interpretou os papéis principais. Suas obras são célebres pela agudeza psicológica, pelo humor ferino e pela crítica social, explorando temas como a hipocrisia, a pretensão, a misantropia e, notavelmente em "O Avarento", a ganância. Ele faleceu em 1673, após uma crise durante uma apresentação de sua peça "O Doente Imaginário", deixando um legado imenso para a literatura e o teatro mundial.

Apresentação da obra

"O Avarento" (em francês, "L'Avare ou l'École du mensonge") é uma das mais célebres comédias de Molière, escrita em 1668 e encenada pela primeira vez no Palais Royal, em Paris. Inspirada na comédia latina "Aulularia" de Plauto, a peça é um expoente do gênero da comédia de costumes e de caráter, utilizando o humor para expor e criticar os vícios humanos. A obra é uma sátira mordaz à avarice, apresentando um protagonista tão obcecado por suas riquezas que negligencia a própria família, o amor e a moral. Através de diálogos perspicazes, situações hilárias e personagens bem construídos, Molière constrói uma crítica atemporal à tirania do dinheiro sobre a vida humana, tornando "O Avarento" uma peça de profundo impacto e relevância até os dias atuais, sendo amplamente estudada em escolas e encenada em teatros ao redor do mundo.

Personagens principais

  • Harpagon: O protagonista e avarento-mor da peça. Um velho viúvo, pai de Cléante e Élise. Obsessivo por dinheiro, esconde uma caixa de ouro e vive em pavor constante de ser roubado. Sua avareza o leva a sacrifícar a felicidade de seus filhos e a própria dignidade.
  • Cléante: Filho de Harpagon, jovem de bom coração, mas com dificuldades financeiras devido à mesquinhez do pai. Está apaixonado por Mariane.
  • Élise: Filha de Harpagon, também sofredora da avareza paterna. Ama Valère secretamente e é prometida pelo pai a um homem rico e idoso contra sua vontade.
  • Valère: Jovem nobre napolitano, filho de Dom Thomas d'Alburci. Disfarça-se de intendente na casa de Harpagon para estar perto de Élise, a quem ama.
  • Mariane: Jovem e bela mulher de poucos recursos, por quem Cléante está apaixonado. Ela também é alvo das intenções matrimoniais de Harpagon, que a vê como uma esposa "barata".

Personagens secundários

  • Frosine: Uma casamenteira esperta e interesseira, que tenta convencer Mariane a se casar com Harpagon, visando seu próprio lucro.
  • Mestre Jacques: Cozinheiro e cocheiro de Harpagon, um personagem cômico que sofre com a mesquinhez do patrão e tenta agradá-lo.
  • La Flèche: Servo de Cléante, astuto e leal ao seu amo. É ele quem rouba a caixa de ouro de Harpagon para ajudar Cléante.
  • Senhor Anselme (Dom Thomas d'Alburci): Um senhor rico e idoso, a quem Harpagon deseja casar sua filha Élise. No final da peça, sua verdadeira identidade é revelada, desvendando os laços familiares de Valère e Mariane.
  • Dame Claude: Criada de Harpagon, também submetida às privações impostas pela avareza do patrão.
  • Mestre Simon: Um corretor de negócios que intermedeia o empréstimo solicitado por Cléante a Harpagon.
  • Comissário e seu Escrevente: Personagens que surgem para investigar o roubo da caixa de Harpagon, adicionando elementos de farsa à trama.

Estrutura narrativa

TempoContemporâneo à escrita da peça (século XVII), com a ação se desenrolando em um período curto, geralmente um dia ou poucos dias.
EspaçoPrincipalmente na casa de Harpagon em Paris, com menções a jardins e outros cômodos que refletem a vida doméstica burguesa da época.
NarradorNão há narrador em peças teatrais; a história é contada através dos diálogos e ações dos personagens.
LinguagemProsa simples e direta, característica da comédia de costumes, com diálogos vivos e naturais que refletem a fala da burguesia e da nobreza francesa do século XVII.

🎨 Estilo e recursos literários

A obra "O Avarento" é um primor da comédia de caráter e comédia de costumes, gêneros nos quais Molière se destacou. Seu estilo é marcado pela observação perspicaz da natureza humana e pela capacidade de transformar vícios em fonte de humor. Os recursos literários empregados são diversos e contribuem para a eficácia da crítica social e o riso do público.

  • Sátira: Molière utiliza a sátira como principal ferramenta para criticar a avarice, a hipocrisia e a tirania do dinheiro. Harpagon, com suas atitudes extremas, é uma personificação exagerada desses vícios, o que ressalta o absurdo de seu comportamento.
  • Ironia dramática: Há momentos em que o público (e alguns personagens) têm mais informações do que Harpagon, criando uma camada de humor e crítica, como quando ele tenta negociar um empréstimo com o próprio filho sem saber.
  • Comédia de situações: A peça é rica em situações cômicas que nascem dos equívocos, dos disfarces e das tentativas dos personagens de enganar Harpagon ou de lidar com sua mesquinhez.
  • Personagens tipo: Harpagon é um arquétipo do avarento, um "personagem tipo" que representa um vício universal, tornando a obra atemporal. Outros personagens também representam tipos sociais, como o servo esperto (La Flèche) ou a casamenteira oportunista (Frosine).
  • Divertimento e enredo: Molière mistura o divertimento puro, com elementos de farsa, com um enredo bem construído que, apesar das convenções da comédia, oferece um desenvolvimento lógico e um desfecho satisfatório para os personagens "virtuosos".
  • Linguagem: A linguagem é direta, com diálogos ágeis e repletos de réplicas e contrarréplicas que dinamizam a ação e revelam a personalidade dos personagens. A prosa molièriana é acessível e eficaz em transmitir tanto o humor quanto a crítica.

Contexto histórico e críticas sociais

"O Avarento" foi escrita em 1668, no auge do classicismo francês e durante o reinado de Luís XIV, um período de grande esplendor cultural e político na França. Contudo, essa época também testemunhava transformações sociais significativas, como a ascensão da burguesia. Molière, com sua aguçada percepção, utilizou o teatro como um espelho para a sociedade, refletindo e criticando os costumes e valores da época.

A principal crítica social da obra é direcionada à avarice e ao poder corruptor do dinheiro. Harpagon personifica a emergente burguesia que, embora ascensora economicamente, muitas vezes carecia de virtudes morais e se tornava escrava de suas posses. Molière critica: o egoísmo extremo que destrói os laços familiares; a hipocrisia de uma sociedade que valoriza a fortuna acima da felicidade e do amor; e a tirania exercida pelos patriarcas através do controle financeiro.

Além disso, a peça aborda a questão dos casamentos arranjados por interesse, prática comum na época, que subjugava a vontade dos jovens aos desígnios econômicos dos pais. Molière, ao expor o ridículo e a crueldade de Harpagon em seus planos matrimoniais para os filhos, defende implicitamente a liberdade de escolha no amor e o direito à felicidade individual. A obra, portanto, transcende a mera comédia para se firmar como um documento social que denuncia as mazelas de uma sociedade em transição, onde o poder do capital começava a ditar as regras das relações humanas.

Questões que costumam cair em vestibulares

  • Análise do caráter de Harpagon como um personagem-tipo e a representação da avarice.
  • A função do humor e da sátira na obra de Molière para a crítica social.
  • A relação entre dinheiro e felicidade, e como Harpagon subverte essa relação.
  • Os conflitos geracionais e os casamentos arranjados em "O Avarento" como reflexo da sociedade do século XVII.
  • A importância dos personagens secundários (como La Flèche, Frosine, Mestre Jacques) na construção da comédia e na movimentação do enredo.
  • As influências da comédia clássica (Plauto) na estrutura e nos temas da peça de Molière.
  • A atualidade da obra e a permanência de seus temas em sociedades contemporâneas.

📚 Ficha técnica

  • Título Original: L'Avare ou l'École du mensonge
  • Título em Português: O Avarento ou A Escola da Mentira
  • Autor: Molière (Jean-Baptiste Poquelin)
  • Gênero: Comédia de Caráter, Comédia de Costumes
  • Idioma Original: Francês
  • Ano de Publicação/Estreia: 1668
  • Atos: 5

📌 Dicas para estudar a obra

  • Leitura Atenta: Leia a peça mais de uma vez, focando não apenas no enredo, mas também nos diálogos, nas rubricas (indicações cênicas) e na forma como o humor é construído.
  • Contexto Histórico: Pesquise sobre o século XVII na França, o reinado de Luís XIV e a ascensão da burguesia. Entender o contexto ajuda a compreender as críticas sociais de Molière.
  • Análise de Personagens: Aprofunde-se na psicologia de Harpagon. Tente entender as motivações de sua avarice e como ela afeta suas relações e decisões. Compare-o com outros personagens.
  • Tipos de Comédia: Reconheça os elementos da comédia de caráter, da comédia de costumes e da farsa presentes na obra. Isso enriquecerá sua análise.
  • Adaptações: Assista a alguma montagem teatral ou adaptação cinematográfica da peça (se disponível e confiável). Ver a obra encenada pode oferecer novas perspectivas sobre a dinâmica dos personagens e o humor.
  • Temas Principais: Identifique e aprofunde-se nos temas centrais: avarice, conflitos familiares, hipocrisia, amor e dinheiro. Relacione-os com a sociedade da época e a atual.
  • Vocabulário: Anote palavras ou expressões que não conhece e pesquise seus significados para uma compreensão plena do texto.

Ficha Técnica

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