Sala de estudos

Novo Acordo Ortográfico: o que cai no ENEM e nos vestibulares

O Novo Acordo Ortográfico unificou a escrita do português nos países lusófonos e mudou o acento diferencial, o trema, o hífen e o alfabeto. Aprenda o que realmente mudou, o que ficou igual e como o tema cai no ENEM e nos vestibulares.

Ilustração em estilo de animação 3D de um estudante segurando um grande dicionário aberto e colorido em uma biblioteca, com letras flutuantes ao redor.
Ilustração em estilo de animação 3D de um estudante segurando um grande dicionário aberto e colorido em uma biblioteca, com letras flutuantes ao redor.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é o Acordo Ortográfico de 1990
  3. O alfabeto agora tem 26 letras
  4. O fim do trema
  5. O acento diferencial: o que acabou e o que ficou
  6. Acentuação: ditongos abertos e o i e o u tônicos
  7. O hífen: a mudança mais cobrada
  8. Dupla grafia: quando duas formas são aceitas
  9. Antes x depois do acordo
  10. Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares
  11. Mapa mental
  12. SAQ — perguntas curtas com resposta
  13. Questões comentadas
  14. Dica do professor
  15. Atenção / cuidado
  16. Conexão com outras áreas
  17. Incidência

Você já abriu um livro antigo e estranhou palavras como “lingüiça”, “pêlo” ou “anti-inflamatório” com hífen? Ou já ficou em dúvida se o certo é “voo” ou “vôo”, “ideia” ou “idéia”? Se sim, você já esbarrou no Novo Acordo Ortográfico — o conjunto de regras que unificou a escrita da língua portuguesa nos países que falam português e que é cobrado no ENEM e nos vestibulares. A boa notícia: as mudanças são poucas, seguem uma lógica e, com esta matéria, você vai dominar as principais de uma vez.

O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi assinado em 1990 por sete países lusófonos — Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe — e, mais tarde, também pelo Timor-Leste. O objetivo era simples e ambicioso: acabar com a situação em que o Brasil escrevia de um jeito e Portugal de outro, criando uma ortografia única para todos. No Brasil, o acordo entrou em vigor em 2009, com um período de transição até 2015, e passou a ser obrigatório a partir de 1º de janeiro de 2016. Ou seja: toda prova atual cobra a grafia nova, e escrever na grafia antiga pode custar pontos, especialmente na redação.

Nesta matéria, você vai aprender o que o acordo realmente mudou: o fim do trema, o fim da maior parte do acento diferencial, as novas regras do hífen, a entrada oficial das letras k, w e y no alfabeto e os casos de dupla grafia. Também vai ver uma tabela de antes e depois, um mapa mental para revisar, perguntas curtas com respostas e questões comentadas originais no estilo do ENEM. Vamos lá — e preste atenção: o ENEM raramente pede que você decore a regra isolada; ele cobra a grafia correta dentro de um texto, em questões de reescrita, adequação e interpretação. Dominar este tema também melhora a sua Redação e a sua Língua Portuguesa como um todo.

Resumo rápido

O que é: o Acordo Ortográfico de 1990 unificou a escrita do português nos países lusófonos. No Brasil, é obrigatório desde 2016.

Alfabeto: passou a ter 26 letras, com a entrada oficial de k, w e y, usadas em nomes próprios, siglas, símbolos e palavras estrangeiras.

Trema: foi abolido. Palavras como “lingüiça”, “freqüente” e “agüentar” passaram a ser escritas sem o trema: “linguiça”, “frequente”, “aguentar”.

Acento diferencial: foi eliminado na maioria dos casos. “Pêlo” (substantivo) e “pelo” (preposição) passaram a ser escritos da mesma forma: “pelo”. Permanecem apenas dois casos obrigatórios: “pôr” (verbo, para diferenciar de “por”, preposição) e “pôde” (pretérito perfeito, para diferenciar de “pode”, presente).

Acentos em ditongos abertos: as palavras “idéia”, “heróico”, “vôo” e “enjôo” perderam o acento: “ideia”, “heroico”, “voo”, “enjoo”.

Hífen: as regras mudaram bastante. Usa-se hífen quando o prefixo termina na mesma vogal com que começa a palavra seguinte (“micro-ondas”) ou quando o segundo elemento começa por h (“anti-higiênico”), e não se usa hífen quando o prefixo termina em vogal e a palavra seguinte começa por consoante diferente de h (“autoescola”, “antissocial”). Prefixos como “co-“, “re-” e “pre-” perderam o hífen na maioria dos casos (“coautor”, “reedição”, “prever”).

Dupla grafia: em alguns casos, o acordo admite duas grafias, por causa de diferenças de pronúncia entre os países ou dentro do próprio Brasil, como “amígdala” e “amigdala”, “característico” e “caraterístico”.

O que NÃO mudou: a maior parte da ortografia continuou igual. Acentuação das palavras proparoxítonas, o uso do s, z, ç, x, as regras de concordância e a pontuação não foram alteradas pelo acordo.

Como cai na prova: o ENEM e os vestibulares cobram a grafia atual em questões de reescrita, correção de texto, adequação à norma-padrão e na redação. Erros de grafia antiga (“idéia”, “lingüiça”, “micro-ônibus”) são armadilhas clássicas.

O que é o Acordo Ortográfico de 1990

Antes do acordo, o português tinha duas ortografias oficiais: a brasileira e a portuguesa. Isso significava que um mesmo texto podia ser escrito de formas diferentes nos dois lados do Atlântico — “fato” aqui, “facto” lá; “ótimo” aqui, “óptimo” lá. Para quem estuda, escrevia livros ou fazia provas internacionais, isso era um problema constante. O Acordo Ortográfico de 1990 nasceu para resolver isso, criando uma única ortografia para todos os países de língua portuguesa, sem mexer na pronúncia nem no vocabulário de cada país.

É importante entender um ponto: o acordo mudou a grafia, não a língua. Ninguém passou a falar diferente por causa dele. As mudanças atingiram cerca de 0,5% das palavras do vocabulário brasileiro — pouco, mas o suficiente para gerar muitas dúvidas, porque as palavras afetadas são justamente palavras frequentes, como “ideia”, “voo” e “linguiça”. Por isso o tema é tão cobrado: ele testa se você está atualizado com a norma em vigor, e não com a grafia que aprendeu na infância ou viu em livros antigos.

Na prática, as provas cobram o acordo de três formas. A primeira é a correção direta: a questão apresenta palavras e pergunta qual está grafada corretamente. A segunda é a reescrita: um trecho é apresentado e você deve identificar a opção que o reescreve segundo a norma-padrão. A terceira, e mais importante, é a redação: usar a grafia antiga (“idéia”, “vôo”, “anti-inflamatório” sem hífen quando ele é obrigatório) conta como desvio de ortografia e pode baixar a sua nota na competência de domínio da norma culta. Na sala de estudo, vale revisar este tema junto com os outros conteúdos de Língua Portuguesa que mais caem, como crase, concordância e pontuação.

O alfabeto agora tem 26 letras

Antes do acordo, o alfabeto oficial da língua portuguesa tinha 23 letras: k, w e y estavam de fora, embora já fossem usados na prática em nomes próprios, siglas e palavras estrangeiras. Com o acordo, o alfabeto passou a ter 26 letras: a, b, c, d, e, f, g, h, i, j, k, l, m, n, o, p, q, r, s, t, u, v, w, x, y, z.

Na prática, pouca coisa mudou no dia a dia: k, w e y continuam sendo usados nos mesmos casos de antes — nomes próprios (“Kátia”, “Wagner”, “Yara”), siglas (“kg”, “km”, “W” de watt), símbolos e palavras estrangeiras incorporadas ao uso (“show”, “kart”, “playground”). O que mudou foi o status oficial: essas letras agora fazem parte do alfabeto, e isso é cobrado em questões conceituais, do tipo “quantas letras tem o alfabeto da língua portuguesa segundo o Novo Acordo Ortográfico?” — resposta: 26.

O fim do trema

O trema era o sinal de dois pontos (¨) colocado sobre o u em grupos como “gue”, “gui”, “que” e “qui”, para indicar que o u deveria ser pronunciado: “lingüiça”, “freqüente”, “agüentar”, “cinqüenta”. O acordo aboliu o trema completamente. Hoje, escrevemos “linguiça”, “frequente”, “aguentar” e “cinquenta”, sem nenhum sinal — e a pronúncia continua a mesma.

Há apenas uma exceção, e ela é rara: o trema permanece em nomes próprios estrangeiros e em seus derivados, como “Müller” e “mülleriano”. Fora isso, se você encontrar um trema em um texto atual, pode ter certeza de que é grafia antiga — e, em questão de prova, a alternativa com trema é a errada. Atenção especial para palavras que aparecem com frequência em textos de atualidades e de ciências, como “linguiça” e “frequente”: são as armadilhas mais comuns.

O acento diferencial: o que acabou e o que ficou

O acento diferencial era usado para distinguir palavras homógrafas, ou seja, palavras escritas da mesma forma, mas com sentidos diferentes. O acordo eliminou a maioria desses acentos, mantendo apenas dois casos obrigatórios. Entender essa lista curta é o segredo para não errar:

  • Ficou: “pôr” (verbo) x “por” (preposição) — “Vou pôr o livro na mesa” / “Passei por aqui”.
  • Ficou: “pôde” (pretérito perfeito) x “pode” (presente) — “Ontem ele pôde sair” / “Hoje ele pode sair”.
  • Ficou (facultativo): o acento em “fôrma” (molde, substantivo) para diferenciar de “forma” (maneira) é facultativo, ou seja, pode ser usado ou não.
  • Acabou: “pêlo” (substantivo) virou “pelo”; “pára” (verbo parar) virou “para”; “péla” (verbo pelar) virou “pela”; “pólo” (substantivo) virou “polo”; “pêra” (fruta) virou “pera”; “côa” (verbo coar) virou “coa”.

Um detalhe que confunde muita gente: as palavras “têm” e “vêm” (terceira pessoa do plural de “ter” e “vir”) mantiveram o acento circunflexo, mas ele não é um acento diferencial — é um acento de número, que marca o plural: “ele tem” x “eles têm”, “ele vem” x “eles vêm”. O mesmo vale para “mantêm”, “detêm” e “convêm”. Já “voo”, “enjoo” e “perdoo” perderam o acento porque os ditongos abertos “ee” e “oo” não são mais acentuados — assunto do próximo tópico.

Acentuação: ditongos abertos e o i e o u tônicos

Duas mudanças na acentuação aparecem com frequência nas provas. A primeira: os ditongos abertos “éi” e “ói” perderam o acento nas palavras paroxítonas. Por isso, “idéia” virou “ideia”, “heróico” virou “heroico”, “jibóia” virou “jiboia”, “análises” continua com acento porque é proparoxítona — atenção a esse detalhe: a regra vale para paroxítonas. Palavras oxítonas com ditongo aberto continuam acentuadas: “herói”, “papéis”, “troféu”.

A segunda mudança: o hiato “ee” e “oo” perdeu o acento. Assim, “vôo” virou “voo”, “enjôo” virou “enjoo”, “perdôo” virou “perdoo”, “lêem” virou “leem” e “crêem” virou “creem”. Muita gente ainda escreve “vôo” por hábito — e esse é um dos erros mais fáceis de identificar em questão de prova.

Também acabou o acento no i e no u tônicos precedidos de ditongo em palavras paroxítonas: “feiúra” virou “feiura”, “bocaíuva” virou “bocaiuva”. E o acento nas formas verbais com “u” tônico antes de “e” ou “o” também caiu: “argúi” virou “argui”, “apazigúe” virou “apazigue”. Já o acento do “u” tônico em palavras como “saúde”, “saída” e “baú” permanece, porque não há ditongo antes dele.

O hífen: a mudança mais cobrada

Se há uma parte do acordo que merece atenção redobrada, é o hífen. As regras antigas eram cheias de exceções; as novas seguem uma lógica mais simples, baseada no encontro entre o fim do prefixo e o começo da palavra seguinte. O quadro abaixo resume as regras principais:

  • Prefixo terminado em vogal + palavra começada por consoante diferente de h: sem hífen. Exemplos: “autoescola”, “antissocial” (o s dobra: anti + social), “inseguro”, “semipresencial”.
  • Prefixo terminado em vogal + palavra começada pela mesma vogal: com hífen. Exemplos: “micro-ondas”, “anti-inflamatório”, “auto-observação”.
  • Prefixo terminado em vogal + palavra começada por h: com hífen. Exemplos: “anti-higiênico”, “super-homem”, “extra-humano”.
  • Prefixo terminado em consoante + palavra começada pela mesma consoante: com hífen. Exemplos: “inter-regional”, “super-resistente”, “sub-base”.
  • Prefixo terminado em consoante + palavra começada por consoante diferente ou por vogal: sem hífen. Exemplos: “intermunicipal”, “supermercado”, “subestimar”.
  • Prefixos “co-“, “re-” e “pre-“: em geral, sem hífen, mesmo diante de vogal igual: “coautor”, “coordenar”, “reedição”, “reutilizar”, “prever”, “preexistir”. Atenção: “co-” mantém o hífen apenas diante de h, como em “co-herdeiro”.
  • “Mal-” e “bem-“: “mal-” usa hífen diante de vogal e de h (“mal-entendido”, “mal-humorado”), mas não diante de consoante (“malfeito”, “malsucedido”). “Bem-” usa hífen sempre que o segundo elemento for uma palavra autônoma (“bem-vindo”, “bem-estar”, “bem-humorado”), exceto em palavras já incorporadas, como “benfeitor” e “benquerer”.
  • “Ex-“, “vice-“, “soto-“, “pós-“, “pré-“, “pró-“: sempre com hífen: “ex-aluno”, “vice-presidente”, “pós-graduação”, “pré-vestibular”, “pró-reitor”.
  • Palavras compostas sem elemento de ligação: perderam o hífen e se juntaram ou se separaram: “paraquedas” (antes “pára-quedas”), “mandachuva” (antes “manda-chuva”), “pontapé” (antes “ponta-pé”). Já compostos com valor de unidade, como “guarda-chuva”, “pé-de-meia” e “primeiro-ministro”, mantiveram o hífen.

O macete para decorar: pergunte-se sempre “qual é a última letra do prefixo e qual é a primeira letra da palavra seguinte?” Se forem iguais (vogal com vogal igual, consoante com consoante igual) ou se a segunda palavra começar por h, o hífen aparece. Nos demais casos, ele some. Essa pergunta resolve a maioria das questões de hífen do ENEM — e vale treinar com palavras como “autoescola”, “micro-ondas”, “antissocial”, “inter-regional” e “coautor”, que são as favoritas das provas.

Dupla grafia: quando duas formas são aceitas

Nem toda diferença foi eliminada. O acordo admite dupla grafia em alguns casos, em geral porque a pronúncia varia entre os países ou entre regiões do Brasil. Os principais exemplos:

  • Palavras com consoante muda: no Brasil, “fato”, “aspecto”, “característico”; em Portugal, “facto”, “aspeto”, “caraterístico”. No Brasil, as duas formas podem aparecer em dicionários, mas a forma sem a consoante é a mais usada e a mais segura para a prova.
  • Palavras com vogal tônica aberta ou fechada: “amígdala” e “amigdala”, “fémur” e “fêmur” são variantes aceitas, ligadas a diferenças de pronúncia.
  • Palavras com “e” ou “o” átonos: “bebê” e “bebé” variam conforme o país, mas, no Brasil, a forma consagrada é “bebê”.

Para a prova, a regra de ouro é simples: prefira a forma brasileira consagrada, aquela que aparece nos dicionários e nos livros didáticos usados no Brasil. A dupla grafia é um detalhe que aparece mais em questões teóricas (“o acordo admite dupla grafia em…”) do que em questões de correção, e errar por escolher a variante portuguesa em uma redação brasileira é um risco desnecessário.

Antes x depois do acordo

Antes do acordoDepois do acordoO que mudou
lingüiça, freqüente, agüentarlinguiça, frequente, aguentarFim do trema
idéia, heróico, jibóiaideia, heroico, jiboiaFim do acento nos ditongos abertos “éi” e “ói” em paroxítonas
vôo, enjôo, lêemvoo, enjoo, leemFim do acento no hiato “ee” e “oo”
pêlo, pára, pólo, pêrapelo, para, polo, peraFim do acento diferencial (exceto “pôr” e “pôde”)
auto-escola, anti-socialautoescola, antissocialSem hífen: prefixo em vogal + consoante diferente de h
microondas, antiinflamatóriomicro-ondas, anti-inflamatórioCom hífen: mesma vogal no encontro
co-autor, re-edição, pré-vercoautor, reedição, preverPrefixos “co-“, “re-” e “pre-” perderam o hífen
pára-quedas, manda-chuvaparaquedas, mandachuvaCompostos sem elemento de ligação perderam o hífen
alfabeto de 23 letrasalfabeto de 26 letras (k, w, y)Entrada oficial de k, w e y
facto, óptimo (em Portugal)fato, ótimo (forma brasileira)Dupla grafia em palavras com consoante muda

Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares

O Novo Acordo Ortográfico aparece no ENEM e nos vestibulares principalmente de três maneiras. Primeiro, em questões de múltipla escolha sobre grafia correta: a prova apresenta quatro ou cinco palavras e pede a única grafada segundo o acordo. Segundo, em questões de reescrita e correção: um trecho com desvios é apresentado e você deve escolher a versão correta — aqui, o erro costuma estar escondido entre acertos, como um “microondas” sem hífen no meio de um texto impecável. Terceiro, na redação: o uso da grafia antiga é contado como desvio ortográfico e pode tirar pontos na avaliação do domínio da norma culta.

As bancas adoram algumas palavras-armadilha. Treine o olhar para estas: “ideia” (não “idéia”), “voo” (não “vôo”), “linguiça” (não “lingüiça”), “micro-ondas” (com hífen), “autoescola” (sem hífen), “antissocial” (com s dobrado), “coautor” (sem hífen), “pôr” (com acento, quando verbo), “pôde” (com acento, no passado) e “para” (sem acento, mesmo quando é verbo). Se você dominar essa lista curta, já resolve a maior parte das questões do tema. E lembre-se: nas provas, a grafia cobrada é sempre a do acordo em vigor — textos antigos reproduzidos na prova podem trazer a grafia antiga, mas, quando a questão pede a forma correta, a resposta é a nova.

Ilustração em estilo de animação 3D de um estudante comparando um dicionário antigo e empoeirado com um dicionário novo e colorido sobre uma mesa.
Ilustração em estilo de animação 3D de um estudante comparando um dicionário antigo e empoeirado com um dicionário novo e colorido sobre uma mesa.
Ilustração em estilo de animação 3D de uma professora apontando para um quadro-negro com letras coloridas em uma sala de aula alegre.
Ilustração em estilo de animação 3D de uma professora apontando para um quadro-negro com letras coloridas em uma sala de aula alegre.

Mapa mental

  • Novo Acordo Ortográfico (1990)
    • Unifica a ortografia dos países lusófonos
    • No Brasil: em vigor desde 2009, obrigatório desde 2016
    • Muda a grafia, não a pronúncia nem o vocabulário
  • Alfabeto
    • 26 letras: entram k, w e y
    • Usadas em nomes próprios, siglas, símbolos e palavras estrangeiras
  • Trema
    • Abolido: linguiça, frequente, aguentar, cinquenta
    • Exceção: nomes próprios estrangeiros (Müller)
  • Acento diferencial
    • Acabou: pelo, para, polo, pera
    • Ficou: pôr (verbo) x por (preposição); pôde (passado) x pode (presente)
    • Ficou: têm, vêm (acento de número, marca o plural)
  • Acentuação
    • Ditongos abertos em paroxítonas: ideia, heroico, jiboia
    • Hiato “ee” e “oo”: voo, enjoo, leem, creem
    • Oxítonas mantêm o acento: herói, papéis, troféu
  • Hífen
    • Com hífen: mesma vogal (micro-ondas), diante de h (anti-higiênico), mesma consoante (inter-regional)
    • Sem hífen: vogal + consoante diferente de h (autoescola, antissocial)
    • Sem hífen: co-, re-, pre- (coautor, reedição, prever)
    • Sempre com hífen: ex-, vice-, pós-, pré-, pró- (ex-aluno, pós-graduação)
  • Dupla grafia
    • Admitida em alguns casos: amígdala/amigdala, característico/caraterístico
    • Na prova, prefira a forma brasileira consagrada
  • Como cai na prova
    • Grafia correta, reescrita, correção de texto e redação
    • Palavras-armadilha: ideia, voo, linguiça, micro-ondas, autoescola, coautor, pôr, pôde

SAQ — perguntas curtas com resposta

1. O que é o Novo Acordo Ortográfico?
É o acordo assinado em 1990 que unificou a ortografia da língua portuguesa nos países lusófonos. No Brasil, é obrigatório desde 2016.

2. Quantas letras tem o alfabeto da língua portuguesa após o acordo?
26 letras, com a entrada oficial de k, w e y.

3. O trema ainda existe?
Não. Foi abolido: escreve-se “linguiça”, “frequente” e “aguentar”. A única exceção são nomes próprios estrangeiros, como “Müller”.

4. Quais acentos diferenciais permaneceram obrigatórios?
Apenas dois: “pôr” (verbo) para diferenciar de “por” (preposição) e “pôde” (pretérito perfeito) para diferenciar de “pode” (presente).

5. Por que “ideia” e “voo” não têm mais acento?
Porque o acordo eliminou o acento dos ditongos abertos “éi” e “ói” em palavras paroxítonas (“ideia”, “heroico”) e do hiato “ee” e “oo” (“voo”, “enjoo”, “leem”).

6. Quando o hífen é usado com prefixos?
Quando o prefixo termina na mesma vogal com que começa a palavra seguinte (“micro-ondas”), quando a palavra seguinte começa por h (“anti-higiênico”) ou quando o prefixo termina na mesma consoante com que começa a palavra seguinte (“inter-regional”).

7. Por que “autoescola” não tem hífen e “micro-ondas” tem?
Porque em “autoescola” o prefixo “auto-” termina em vogal e a palavra seguinte começa por consoante diferente de h, caso em que não há hífen; em “micro-ondas”, o prefixo termina na mesma vogal com que começa a palavra seguinte, caso em que o hífen é obrigatório.

8. O que é dupla grafia?
É a admissão de duas grafias para a mesma palavra, em geral por diferenças de pronúncia, como “amígdala” e “amigdala” ou “característico” e “caraterístico”. Na prova, prefira a forma brasileira consagrada.

Questões comentadas

Questão 1. Um estudante escreveu o seguinte trecho em sua redação: “Tive uma idéia brilhante durante o vôo: criar um projeto anti-social para a escola.” Segundo o Novo Acordo Ortográfico, a reescrita correta do trecho é:

a) “Tive uma ideia brilhante durante o voo: criar um projeto antissocial para a escola.”
b) “Tive uma idéia brilhante durante o voo: criar um projeto anti-social para a escola.”
c) “Tive uma ideia brilhante durante o vôo: criar um projeto antissocial para a escola.”
d) “Tive uma idéia brilhante durante o vôo: criar um projeto antissocial para a escola.”
e) “Tive uma ideia brilhante durante o voo: criar um projeto anti-social para a escola.”

Gabarito: A.
Comentário: “Ideia” perdeu o acento porque o ditongo aberto “éi” em palavra paroxítona não é mais acentuado; “voo” perdeu o acento porque o hiato “oo” não é mais acentuado; e “antissocial” se escreve sem hífen, com o s dobrado, porque o prefixo “anti-” termina em vogal e a palavra seguinte começa por consoante diferente de h. Apenas a alternativa A corrige os três desvios ao mesmo tempo.

Questão 2. Assinale a alternativa em que todas as palavras estão grafadas segundo o Novo Acordo Ortográfico:

a) lingüiça, freqüente, agüentar
b) linguiça, frequente, aguentar
c) lingüiça, frequente, aguentar
d) linguiça, freqüente, agüentar
e) linguíça, frequente, agüentar

Gabarito: B.
Comentário: O trema foi abolido pelo acordo, sem exceção para palavras comuns da língua portuguesa. Por isso, “linguiça”, “frequente” e “aguentar” são as únicas formas corretas, e qualquer alternativa com trema está errada.

Questão 3. Considere as frases: I. “Ele pôde viajar ontem.” II. “Ele pode viajar hoje.” III. “Vou pôr o livro na estante.” IV. “Passei por sua casa.” O acento circunflexo está corretamente empregado em:

a) Apenas I e III.
b) Apenas II e IV.
c) Apenas I, II e III.
d) Todas as frases.
e) Apenas I e II.

Gabarito: A.
Comentário: “Pôde” (pretérito perfeito) e “pôr” (verbo) são os dois únicos acentos diferenciais obrigatórios que restaram. “Pode” (presente) e “por” (preposição) não levam acento. Portanto, apenas as frases I e III empregam o acento corretamente.

Questão 4. Um cartaz de cursinho anuncia: “Venha para nossa auto-escola de redação e faça um curso micro-ondas de revisão!” A grafia correta das duas palavras destacadas, segundo o acordo, é:

a) autoescola e micro-ondas.
b) auto-escola e microondas.
c) autoescola e microondas.
d) auto-escola e micro-ondas.
e) autoescola e micro-ondas, mas apenas a segunda está correta no cartaz.

Gabarito: A.
Comentário: “Autoescola” não leva hífen porque o prefixo “auto-” termina em vogal e a palavra seguinte começa por consoante diferente de h. “Micro-ondas” leva hífen porque o prefixo “micro-” termina na mesma vogal com que começa a palavra seguinte. O cartaz erra a primeira e acerta a segunda; a alternativa A traz as duas formas corretas.

Questão 5. Sobre o Novo Acordo Ortográfico, é correto afirmar que:

a) Ele alterou a pronúncia das palavras e o vocabulário de cada país.
b) Ele eliminou todos os acentos diferenciais da língua portuguesa.
c) Ele unificou a ortografia dos países lusófonos e tornou o alfabeto composto por 26 letras, com k, w e y.
d) Ele manteve o trema nas palavras de uso frequente, como “linguiça”.
e) Ele passou a ser obrigatório no Brasil apenas a partir de 2020.

Gabarito: C.
Comentário: O acordo mudou apenas a grafia, não a pronúncia nem o vocabulário (a está errada); manteve os acentos diferenciais de “pôr” e “pôde” (b está errada); aboliu o trema (d está errada); e é obrigatório no Brasil desde 2016 (e está errada). A alternativa C resume corretamente os dois efeitos mais gerais do acordo.

Questão 6. Assinale a alternativa em que o hífen está empregado corretamente em todas as palavras:

a) co-autor, reedição, pré-vestibular
b) coautor, reedição, pré-vestibular
c) coautor, re-edição, pre-vestibular
d) co-autor, re-edição, pré-vestibular
e) coautor, reedição, prevestibular

Gabarito: B.
Comentário: Os prefixos “co-” e “re-” perderam o hífen na maioria dos casos, gerando “coautor” e “reedição”. Já “pré-” é um dos prefixos que sempre mantêm o hífen, como “pré-vestibular”. Apenas a alternativa B combina as três formas corretas.

Dica do professor

Não tente decorar todas as regras do hífen de uma vez. Decore o macete: olhe para a última letra do prefixo e para a primeira letra da palavra seguinte. Se forem iguais, ou se a segunda palavra começar por h, use o hífen; nos demais casos, não use. Depois, memorize a lista curta de exceções: “co-“, “re-” e “pre-” quase nunca levam hífen; “ex-“, “vice-“, “pós-“, “pré-” e “pró-” sempre levam. Com o macete e as exceções, você resolve mais de 90% das questões de hífen. E, na redação, quando bater a dúvida sobre uma palavra, troque-a por um sinônimo seguro: é melhor escrever “escola de motoristas” do que arriscar “auto-escola” com hífen errado.

Atenção / cuidado

Cuidado com três armadilhas clássicas. Primeira: textos antigos. Livros, provas e sites publicados antes de 2016 trazem a grafia antiga — não copie a grafia deles. Segunda: a forma “para” sem acento vale tanto para a preposição quanto para o verbo parar (“Ele para cedo hoje”): o acento diferencial de “pára” acabou. Terceira: “têm” e “vêm” continuam com acento, mas esse acento não é diferencial, é de número — ele marca o plural (“eles têm”, “eles vêm”) e não pode ser esquecido. Por fim, atenção ao corretor automático do celular e do computador: muitos ainda sugerem grafias antigas ou misturam regras; na dúvida, consulte um dicionário atualizado, como o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP).

Conexão com outras áreas

O Novo Acordo Ortográfico conecta a Língua Portuguesa à História e à Geografia: ele só existe porque oito países de quatro continentes compartilham a mesma língua, herança da expansão marítima portuguesa e da colonização. Em História, o tema aparece ligado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e às relações entre Brasil, Portugal e África. Em Geografia, ajuda a entender a lusofonia como um espaço cultural e econômico que vai do Brasil a Moçambique e ao Timor-Leste. E, na Redação, dominar a grafia atual é condição básica para uma boa nota na competência de domínio da norma culta — ou seja, o acordo é também uma ponte direta para a sua nota final no ENEM.

Incidência

♨️ Morno. O Novo Acordo Ortográfico é um tema de incidência morna: aparece com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, quase sempre em questões de grafia, reescrita e correção de texto, e de forma indireta, mas decisiva, na correção da redação. Não é o tema mais cobrado de Língua Portuguesa, mas é um dos mais traiçoeiros, porque um único desvio de grafia antiga pode custar a questão — e, na redação, pontos preciosos. Vale a revisão: é um tema curto, de regras claras, que rende pontos com pouco esforço.