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Segundo Reinado: o que cai no ENEM e nos vestibulares

O Segundo Reinado, de 1840 a 1889, foi o período mais longo e decisivo do Brasil Imperial: conheça o parlamentarismo às avessas, a economia do café, a Guerra do Paraguai, a abolição e a crise que derrubou a monarquia.

Dom Pedro II jovem em estilo Pixar no Palácio Imperial, com parlamentares ao redor e a bandeira do Império do Brasil ao fundo.
Dom Pedro II jovem em estilo Pixar no Palácio Imperial, com parlamentares ao redor e a bandeira do Império do Brasil ao fundo.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que foi o Segundo Reinado
  3. Golpe da Maioridade e parlamentarismo às avessas
  4. Partidos Conservador e Liberal e o Poder Moderador
  5. Economia cafeeira e escravidão
  6. Guerra do Paraguai
  7. Movimento abolicionista e Lei Áurea
  8. Imigração e transformações sociais
  9. Crise da monarquia e Proclamação da República
  10. Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares
  11. Mapa mental
  12. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  13. Questões comentadas
  14. Dica do professor
  15. Atenção/cuidado
  16. Conexão com outras áreas
  17. Incidência

Segundo Reinado: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Resumo rápido

O Segundo Reinado é o período da história do Brasil em que Dom Pedro II governou o país, entre 1840 e 1889. Ele começou com o Golpe da Maioridade, que antecipou a maioridade do imperador, então com apenas 14 anos, e terminou com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Foram quase cinquenta anos de transformações profundas: o Brasil se consolidou como um Estado nacional, expandiu a economia cafeeira, enfrentou a maior guerra da América do Sul, aboliu a escravidão e, ao mesmo tempo, acumulou crises que acabaram derrubando a monarquia.

Para entender esse período, o estudante precisa guardar quatro ideias centrais. Primeira: o sistema político era o parlamentarismo às avessas, em que o imperador, por meio do Poder Moderador, tinha a palavra final sobre os governos. Segunda: a economia girava em torno do café, produzido sobretudo no Vale do Paraíba e depois no Oeste Paulista, com mão de obra escravizada. Terceira: a escravidão foi sendo desmontada aos poucos, por leis graduais e pela pressão do movimento abolicionista, até a Lei Áurea de 1888. Quarta: a monarquia caiu porque perdeu o apoio de grupos importantes, como os militares, os cafeicultores do Oeste Paulista e parte da Igreja, além de não conseguir responder às demandas de uma sociedade que mudava rapidamente.

Quem estuda para o ENEM e para o vestibular deve prestar atenção especial às relações de causa e consequência. As provas raramente pedem apenas datas soltas. Elas querem saber, por exemplo, por que a Guerra do Paraguai fortaleceu o Exército e enfraqueceu a monarquia, ou por que a abolição sem indenização afastou os grandes proprietários do imperador. Este texto explica cada um desses pontos com calma, com exemplos e com questões comentadas no final, para você chegar à prova com segurança.

O que foi o Segundo Reinado

O Segundo Reinado vai de 1840, ano do Golpe da Maioridade, até 1889, ano da Proclamação da República. O nome distingue esse período do Primeiro Reinado, governado por Dom Pedro I entre 1822 e 1831, e do Período Regencial, entre 1831 e 1840, quando o país foi governado por regentes porque Dom Pedro II ainda era criança. Com a antecipação da maioridade, o jovem imperador assumiu o trono aos 14 anos, em uma manobra política articulada por grupos liberais que queriam estabilidade e o fim das revoltas regenciais.

Durante o Segundo Reinado, o Brasil manteve a forma de governo monárquica, estabelecida pela Constituição de 1824, que continuou em vigor. O imperador era o chefe de Estado e exercia o Poder Moderador, um quarto poder, acima dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, que lhe permitia dissolver a Câmara dos Deputados, nomear senadores e demitir ministérios. Essa arquitetura política explica por que o período foi, ao mesmo tempo, relativamente estável e profundamente centralizado: as grandes decisões passavam pelo imperador, mesmo quando havia um gabinete e um Parlamento em funcionamento.

Golpe da Maioridade e parlamentarismo às avessas

O Golpe da Maioridade aconteceu em 23 de julho de 1840. Pela Constituição de 1824, Dom Pedro II só poderia assumir o trono aos 18 anos, o que ocorreria em 1843. Os liberais, porém, defenderam a antecipação da maioridade como forma de encerrar a instabilidade do Período Regencial, marcado por revoltas como a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada e a Farroupilha. A Assembleia Geral declarou o jovem imperador maior de idade, e ele foi coroado em 1841, em uma grande cerimônia no Rio de Janeiro, então capital do Império.

O sistema político do Segundo Reinado costuma ser chamado de parlamentarismo às avessas. No parlamentarismo clássico, o Parlamento escolhe o chefe de governo e pode derrubá-lo. No Brasil imperial, o processo era invertido: o imperador escolhia o presidente do Conselho de Ministros, geralmente do partido que tinha maioria na Câmara, mas podia demitir o gabinete quando quisesse, usando o Poder Moderador. O historiador e político Joaquim Nabuco popularizou a expressão ao observar que, aqui, era o governo que fazia a maioria parlamentar, e não o contrário, porque a dissolução da Câmara e a convocação de novas eleições costumavam favorecer o partido do novo ministério.

Partidos Conservador e Liberal e o Poder Moderador

Os dois grandes partidos do Segundo Reinado eram o Partido Conservador e o Partido Liberal. Apesar dos nomes, as diferenças entre eles eram menores do que se poderia imaginar. Ambos defendiam a monarquia, a ordem social vigente e, por muito tempo, a manutenção da escravidão, ainda que com ritmos e discursos diferentes. Os conservadores, conhecidos como saquaremas, eram mais ligados aos grandes proprietários do Vale do Paraíba e à centralização do poder. Os liberais, chamados de luzias, defendiam maior descentralização e reformas, mas, quando chegavam ao governo, também administravam dentro da mesma ordem imperial.

O Poder Moderador era a peça central desse arranjo. Previsto na Constituição de 1824, ele permitia ao imperador nomear e demitir ministros, dissolver a Câmara dos Deputados, convocar novas eleições, nomear senadores vitalícios a partir de listas tríplices, perdoar condenados e aprovar ou suspender decisões. Dom Pedro II usou esse poder com moderação na maior parte do reinado, o que lhe rendeu a imagem de árbitro acima das disputas. Ainda assim, a existência desse poder mostrava que a última palavra não era do Parlamento, e sim do trono.

Com o tempo, o sistema partidário entrou em crise. Em 1870, foi fundado o Partido Republicano Paulista, que passou a defender abertamente o fim da monarquia. Em 1873, o Manifesto Republicano, lançado no Rio de Janeiro, criticou a centralização imperial e defendeu a federação e a república. Os partidos monárquicos, por sua vez, perderam força para atrair novos grupos, como os militares formados na Guerra do Paraguai e os cafeicultores do Oeste Paulista, que se sentiam pouco representados no governo imperial. Essa crise de representação é um dos caminhos que levam à queda da monarquia.

Economia cafeeira e escravidão

A economia do Segundo Reinado foi dominada pelo café. O produto, introduzido no Brasil no século XVIII, encontrou no Vale do Paraíba, entre Rio de Janeiro e São Paulo, condições ideais de solo e clima, e se tornou o principal produto de exportação do país a partir da década de 1830. O café financiava as importações, pagava as dívidas do Estado e sustentava o poder político dos grandes fazendeiros, os chamados barões do café, que recebiam títulos de nobreza do imperador e influenciavam diretamente os governos.

Na segunda metade do século, a fronteira do café se deslocou para o Oeste Paulista, onde as terras eram mais férteis, as fazendas eram maiores e a produção usava mais tecnologia, como ferrovias e máquinas de beneficiamento. Essa mudança geográfica teve consequência política: os cafeicultores do Oeste Paulista eram, em geral, mais modernos, mais ligados ao comércio e às ferrovias, e menos dependentes dos favores da Corte. Muitos deles aderiram ao republicanismo, o que ajuda a entender por que São Paulo se tornou um dos centros da propaganda republicana.

Toda essa riqueza, é preciso dizer com clareza, foi construída sobre o trabalho de pessoas escravizadas. Milhões de africanos e seus descendentes foram submetidos a um regime de violência, exploração e negação de direitos. Nas fazendas de café, o trabalho era exaustivo, do amanhecer ao pôr do sol, com jornadas longas, alimentação precária e castigos físicos. A escravidão não era um detalhe da economia imperial: era sua base. Qualquer explicação do Segundo Reinado que ignore isso está incompleta.

A escravidão, porém, não foi aceita passivamente. Pessoas escravizadas resistiram de muitas formas: fugas, formação de quilombos, sabotagem do trabalho, negociações cotidianas por melhores condições e ações na Justiça em busca da liberdade. Essa resistência, somada à pressão internacional, especialmente da Inglaterra, e ao crescimento do movimento abolicionista brasileiro, foi decisiva para o fim gradual do sistema. O fim do tráfico transatlântico, em 1850, com a Lei Eusébio de Queirós, foi o primeiro grande golpe: sem a entrada de novos escravizados, o sistema passou a depender da reprodução interna e do tráfico entre províncias.

DataAcontecimentoPor que é importante
1840Golpe da MaioridadeDom Pedro II assume o trono aos 14 anos e começa o Segundo Reinado.
1850Lei Eusébio de QueirósProíbe o tráfico transatlântico de escravizados e enfraquece a escravidão a longo prazo.
1864–1870Guerra do ParaguaiMaior conflito da América do Sul; fortalece o Exército e desgasta a monarquia.
1871Lei do Ventre LivreDeclara livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir da lei.
1885Lei dos SexagenáriosLiberta pessoas escravizadas com mais de 60 anos, com pouca efetividade prática.
1888Lei ÁureaAbolição da escravidão no Brasil, sem indenização aos proprietários.
1889Proclamação da RepúblicaFim da monarquia e início do regime republicano no Brasil.

Guerra do Paraguai

A Guerra do Paraguai, também chamada de Guerra da Tríplice Aliança, aconteceu entre 1864 e 1870 e foi o maior conflito armado da história da América do Sul. De um lado, o Paraguai, governado por Francisco Solano López; do outro, a Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai. O conflito começou com disputas regionais na Bacia do Prata, envolvendo o controle da navegação dos rios, as disputas políticas no Uruguai e as ambições do Paraguai de se afirmar como potência regional.

Para o Brasil, a guerra foi longa, cara e sangrenta. O país mobilizou dezenas de milhares de soldados, incluindo voluntários, guardas nacionais e pessoas escravizadas que lutaram em troca da promessa de liberdade. As batalhas de Riachuelo, em 1865, Tuiuti, em 1866, e a longa campanha até a tomada de Assunção, em 1869, e a morte de Solano López em Cerro Corá, em 1870, marcaram o conflito. A vitória veio, mas a um custo altíssimo em vidas e em recursos públicos, com endividamento do Estado e aumento de impostos.

As consequências políticas da guerra foram enormes e caem muito nas provas. Primeiro, o Exército brasileiro saiu fortalecido e com maior consciência de grupo. Oficiais que lutaram na guerra passaram a se ver como salvadores da pátria e a questionar um governo civil que, na visão deles, não valorizava os militares. Essa insatisfação gerou a Questão Militar, nos anos 1880, quando oficiais punidos por manifestações políticas passaram a criticar abertamente a monarquia. Segundo, a guerra expôs as contradições da escravidão: como aceitar que pessoas escravizadas lutassem pelo país e continuassem escravizadas depois? O debate abolicionista ganhou força justamente por essa contradição.

Movimento abolicionista e Lei Áurea

O movimento abolicionista brasileiro cresceu sobretudo a partir da década de 1870. Ele reunia jornalistas, advogados, escritores, políticos, artistas e pessoas escravizadas e libertas, em uma campanha que usava jornais, comícios, peças de teatro, associações e fugas organizadas. Nomes como Joaquim Nabuco, José do Patrocínio, André Rebouças e Luís Gama são fundamentais. Luís Gama, ele mesmo nascido livre e vendido como escravizado na infância, tornou-se advogado e libertou centenas de pessoas pela via judicial. José do Patrocínio usou a imprensa para popularizar a causa. André Rebouças, engenheiro negro, articulou a campanha entre as elites e os militares.

A abolição no Brasil foi gradual, por meio de leis que, passo a passo, restringiram a escravidão. A Lei Eusébio de Queirós, de 1850, acabou com o tráfico transatlântico. A Lei do Ventre Livre, de 1871, declarou livres os filhos de mulheres escravizadas nascidos a partir de sua promulgação, embora mantivesse essas crianças sob a tutela dos senhores até os 21 anos. A Lei dos Sexagenários, de 1885, libertou as pessoas escravizadas com mais de 60 anos, mas na prática beneficiou poucos, porque a expectativa de vida era baixa e a lei previa indenização ou mais anos de trabalho.

Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel, que governava como regente na ausência de Dom Pedro II, assinou a Lei Áurea, a Lei número 3.353, que declarava extinta a escravidão no Brasil. O texto era curto, com apenas dois artigos, e não previa indenização aos proprietários nem qualquer política de inclusão para as pessoas libertas, como acesso à terra, à educação ou ao trabalho assalariado. Por isso, a abolição foi uma conquista histórica imensa, mas incompleta: a liberdade formal não veio acompanhada de condições dignas de vida, e as desigualdades geradas pela escravidão continuaram marcando a sociedade brasileira.

Politicamente, a Lei Áurea foi um golpe fatal para a monarquia. Os grandes proprietários, que já estavam insatisfeitos, sentiram-se traídos pela abolição sem indenização e retiraram seu apoio ao trono. Muitos aderiram ao republicanismo ou, pelo menos, deixaram de defender o imperador. É um dos paradoxos mais cobrados nas provas: a monarquia caiu, em parte, por ter feito a coisa certa, a abolição, sem conseguir sustentar politicamente suas consequências.

LeiAnoO que determinavaLimite
Lei Eusébio de Queirós1850Fim do tráfico transatlântico de escravizados.Não acabava com a escravidão interna.
Lei do Ventre Livre1871Liberdade para filhos de escravizadas nascidos após a lei.Crianças ficavam sob tutela dos senhores até os 21 anos.
Lei dos Sexagenários1885Liberdade para escravizados com mais de 60 anos.Poucos alcançavam essa idade; previa trabalho ou indenização.
Lei Áurea1888Extinção total da escravidão no Brasil.Sem indenização e sem política de inclusão dos libertos.

Imigração e transformações sociais

Com o fim do tráfico e o declínio da escravidão, os cafeicultores e o governo imperial buscaram uma nova fonte de mão de obra: a imigração europeia. A partir da década de 1850, e com mais força depois de 1870, chegaram ao Brasil milhares de imigrantes, sobretudo italianos, portugueses, espanhóis e alemães. Muitos foram para as fazendas de café de São Paulo, no sistema de colonato, em que a família imigrante recebia uma casa, um pedaço de terra para cultivo próprio e pagamento pela colheita. Outros se estabeleceram nas cidades, como comerciantes, artesãos e operários.

A imigração transformou a sociedade brasileira. Ela ajudou a substituir, aos poucos, o trabalho escravizado pelo trabalho livre e assalariado, ainda que em condições muitas vezes precárias, com dívidas, jornadas longas e conflitos com os fazendeiros. Também diversificou a cultura, a culinária e as cidades do Sul e do Sudeste, com colônias alemãs e italianas que mantiveram tradições próprias. Para as provas, é importante relacionar imigração e abolição: a imigração não foi apenas uma política de povoamento, mas parte da transição do trabalho escravizado para o trabalho livre no Brasil.

Crise da monarquia e Proclamação da República

A queda da monarquia não aconteceu de repente. Ela foi resultado de um desgaste acumulado, que os livros costumam resumir em três crises principais, além da abolição. A primeira foi a Questão Religiosa, entre 1872 e 1875, um conflito entre o governo imperial e a Igreja Católica. Bispos de Olinda e do Pará puniram padres ligados à maçonaria, e o governo, que pelo padroado tinha autoridade sobre a Igreja no Brasil, mandou prender os bispos. O episódio afastou parte do clero católico da monarquia, que até então era uma de suas bases de apoio.

A segunda foi a Questão Militar, na década de 1880. Oficiais do Exército, insatisfeitos com baixos soldos, com a falta de prestígio e com punições por se manifestarem politicamente, passaram a criticar o governo imperial. O marechal Deodoro da Fonseca, figura respeitada entre os militares, tornou-se o símbolo dessa insatisfação. Os militares, influenciados pelo positivismo, defendiam uma república forte, centralizada e modernizadora, bem diferente da república federal defendida pelos cafeicultores paulistas. Essa diferença, aliás, marcaria os primeiros anos da República.

A terceira crise foi a perda de apoio dos cafeicultores. Os fazendeiros do Vale do Paraíba, tradicionais aliados do trono, ficaram ressentidos com a abolição sem indenização. Os cafeicultores do Oeste Paulista, por sua vez, já defendiam a república e a federação, porque queriam mais autonomia para São Paulo, que produzia a maior parte do café e, portanto, da riqueza do país, mas tinha pouca representação no governo central. Sem o apoio dos militares, da Igreja e dos cafeicultores, a monarquia ficou isolada.

Em 15 de novembro de 1889, um movimento liderado por militares, com Deodoro da Fonseca à frente, depôs o gabinete do visconde de Ouro Preto e proclamou a República. Dom Pedro II, que estava em Petrópolis, foi informado da queda e, dois dias depois, partiu para o exílio na Europa com a família imperial, sem grande resistência. A Proclamação da República foi, na prática, um golpe militar com apoio de civis republicanos, e não uma revolução popular: a maior parte da população assistiu aos acontecimentos sem participar diretamente deles. Por isso, o historiador Aristides Lobo escreveu que o povo assistiu à proclamação bestializado, isto é, sem entender bem o que acontecia.

Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares

No ENEM e nos vestibulares, o Segundo Reinado aparece com frequência na sala de estudo de História em questões de interpretação de textos, charges, mapas e documentos históricos. Um tipo clássico de questão apresenta um texto sobre o parlamentarismo às avessas e pergunta qual característica do sistema político imperial ele revela. A resposta costuma envolver o Poder Moderador e a predominância do imperador sobre o Parlamento. Outro tipo comum relaciona a Guerra do Paraguai ao fortalecimento do Exército e à crise da monarquia, exigindo que o estudante perceba a consequência política de um fato militar.

As questões sobre escravidão e abolição também são muito frequentes. Elas podem pedir a ordem cronológica das leis abolicionistas, a diferença entre a Lei do Ventre Livre e a Lei Áurea, ou a interpretação de que a abolição foi gradual e incompleta, sem políticas de inclusão. Atenção a um erro comum: muitos estudantes acham que a Lei Áurea resolveu todos os problemas dos libertos. As provas cobram justamente o contrário, ou seja, que a liberdade formal não garantiu terra, trabalho digno ou educação, e que essa ausência ajuda a explicar desigualdades posteriores.

Fazenda de café no século XIX em estilo Pixar, com trabalhadores escravizados tratados com dignidade e respeito histórico, lavoura de café em primeiro plano e casa-grande ao fundo.
Fazenda de café no século XIX em estilo Pixar, com trabalhadores escravizados tratados com dignidade e respeito histórico, lavoura de café em primeiro plano e casa-grande ao fundo.
Cena da abolição em estilo Pixar, com a princesa Isabel assinando a Lei Áurea cercada por pessoas libertas celebrando.
Cena da abolição em estilo Pixar, com a princesa Isabel assinando a Lei Áurea cercada por pessoas libertas celebrando.

Mapa mental

Segundo Reinado (1840–1889) — Dom Pedro II.

  • Política: Golpe da Maioridade (1840); parlamentarismo às avessas; Poder Moderador; partidos Conservador e Liberal; crise dos partidos monárquicos.
  • Economia: café no Vale do Paraíba e no Oeste Paulista; barões do café; ferrovias; trabalho escravizado e, depois, trabalho livre e imigração.
  • Guerras e conflitos: Guerra do Paraguai (1864–1870); fortalecimento do Exército; Questão Militar; Questão Religiosa.
  • Escravidão e abolição: Lei Eusébio de Queirós (1850); Lei do Ventre Livre (1871); Lei dos Sexagenários (1885); Lei Áurea (1888); abolição sem inclusão.
  • Fim: perda de apoio dos militares, dos cafeicultores e da Igreja; Proclamação da República (15 de novembro de 1889).

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que foi o Segundo Reinado? O período em que Dom Pedro II governou o Brasil, de 1840 a 1889, entre o Golpe da Maioridade e a Proclamação da República.

2. O que foi o Golpe da Maioridade? A antecipação da maioridade de Dom Pedro II, em 1840, quando ele tinha 14 anos, para encerrar a instabilidade do Período Regencial.

3. O que era o parlamentarismo às avessas? O sistema em que o imperador, pelo Poder Moderador, escolhia e demitia gabinetes e dissolvia a Câmara, invertendo a lógica do parlamentarismo clássico.

4. O que era o Poder Moderador? Um quarto poder, previsto na Constituição de 1824, que dava ao imperador a palavra final sobre ministérios, eleições e decisões políticas.

5. Qual era a base da economia do Segundo Reinado? O café, produzido primeiro no Vale do Paraíba e depois no Oeste Paulista, com mão de obra escravizada e, mais tarde, imigrante.

6. Quando aconteceu a Guerra do Paraguai e qual foi sua consequência política? Entre 1864 e 1870; a vitória fortaleceu o Exército, que passou a questionar a monarquia e a defender a república.

7. Quais foram as principais leis abolicionistas? Lei Eusébio de Queirós (1850), Lei do Ventre Livre (1871), Lei dos Sexagenários (1885) e Lei Áurea (1888).

8. Por que a monarquia caiu em 1889? Porque perdeu o apoio dos militares, dos cafeicultores e de parte da Igreja, após a abolição sem indenização, a Questão Militar e a Questão Religiosa.

Questões comentadas

Questão 1. Um historiador descreve o sistema político do Brasil imperial afirmando que, ao contrário do parlamentarismo clássico, era o chefe de Estado quem formava a maioria parlamentar, ao dissolver a Câmara e convocar novas eleições favoráveis ao ministério recém-nomeado. Essa descrição refere-se ao chamado:

a) presidencialismo de coalizão. b) parlamentarismo às avessas. c) federalismo republicano. d) absolutismo esclarecido. e) regime de partido único.

Gabarito: B. Comentário: o parlamentarismo às avessas era marcado pelo Poder Moderador de Dom Pedro II, que nomeava e demitia gabinetes e dissolvia a Câmara, de modo que o governo formava sua própria maioria, invertendo a lógica parlamentar clássica.

Questão 2. Sobre a economia do Segundo Reinado, é correto afirmar que:

a) o café foi o principal produto de exportação, sustentado inicialmente pelo trabalho escravizado. b) a indústria têxtil superou o café já na década de 1850. c) o Brasil abandonou a agroexportação em favor do mercado interno. d) o café era produzido apenas no Nordeste. e) a economia cafeeira dispensou o uso de ferrovias.

Gabarito: A. Comentário: o café, cultivado no Vale do Paraíba e depois no Oeste Paulista, tornou-se o centro da economia imperial e foi produzido, por décadas, com mão de obra escravizada, antes da transição para o trabalho livre e imigrante.

Questão 3. A Guerra do Paraguai (1864–1870) teve, entre suas principais consequências políticas para o Brasil, o:

a) enfraquecimento definitivo do Exército, que perdeu prestígio após a vitória. b) fortalecimento dos militares, que passaram a criticar a monarquia e a defender a república. c) fim imediato da escravidão, decretado ainda durante o conflito. d) isolamento do Brasil em relação à Argentina e ao Uruguai até 1889. e) retorno do Brasil ao regime colonial português.

Gabarito: B. Comentário: a guerra deu ao Exército maior consciência de grupo e prestígio, e oficiais que lutaram no conflito passaram a se ver como salvadores da pátria, alimentando a Questão Militar e o republicanismo nos anos seguintes.

Questão 4. Considere a seguinte sequência de leis: fim do tráfico transatlântico (1850), liberdade dos filhos de escravizadas nascidos após a lei (1871), liberdade dos escravizados com mais de 60 anos (1885) e extinção da escravidão (1888). Essa sequência demonstra que a abolição no Brasil foi:

a) imediata e acompanhada de reforma agrária. b) gradual, feita por leis sucessivas ao longo de décadas. c) imposta pela Inglaterra em um único ato. d) resultado exclusivo da vontade dos cafeicultores. e) rejeitada por todo o movimento abolicionista.

Gabarito: B. Comentário: a abolição brasileira foi um processo gradual, com leis que restringiram a escravidão aos poucos, sob pressão do movimento abolicionista, da resistência das pessoas escravizadas e das mudanças econômicas, até a Lei Áurea de 1888.

Questão 5. A Lei Áurea, assinada em 13 de maio de 1888 pela princesa Isabel, é frequentemente analisada como uma conquista histórica, mas incompleta, porque:

a) manteve a escravidão nas províncias do Norte. b) não previu indenização aos proprietários nem políticas de inclusão, como terra, educação e trabalho digno, para as pessoas libertas. c) foi revogada pela Proclamação da República no mesmo ano. d) libertou apenas os filhos de escravizadas. e) dependia da aprovação do Parlamento inglês para valer.

Gabarito: B. Comentário: a Lei Áurea tinha apenas dois artigos e declarava extinta a escravidão, mas não criou nenhuma política de reparação ou inclusão, deixando as pessoas libertas sem terra, sem apoio do Estado e em grande vulnerabilidade.

Questão 6. Entre os fatores que contribuíram para a queda da monarquia em 1889, pode-se citar corretamente:

a) o apoio unânime dos cafeicultores ao imperador após a Lei Áurea. b) a soma da insatisfação militar, do conflito com a Igreja, do republicanismo paulista e do afastamento dos proprietários após a abolição sem indenização. c) a vitória do Brasil na Guerra do Paraguai sem nenhum custo político. d) a ausência total de oposição republicana ao longo do Segundo Reinado. e) a decisão de Dom Pedro II de abdicar voluntariamente em favor de um presidente eleito.

Gabarito: B. Comentário: a monarquia caiu pela combinação de crises: Questão Militar, Questão Religiosa, abolição sem indenização e crescimento do republicanismo, sobretudo em São Paulo, que isolaram politicamente o trono.

Dica do professor

Não decore o Segundo Reinado como uma lista de datas soltas. Monte um fio de causa e consequência: Golpe da Maioridade leva ao parlamentarismo às avessas; café leva ao poder dos barões e à escravidão; fim do tráfico leva à imigração; Guerra do Paraguai leva à Questão Militar; Lei Áurea leva à perda de apoio dos proprietários; soma das crises leva à República. Na véspera da prova, revise apenas esse fio e as quatro leis abolicionistas, com ano e conteúdo de cada uma. Se você souber explicar cada seta desse esquema em uma frase, já estará à frente da maioria dos candidatos.

Atenção/cuidado

Cuidado com três confusões frequentes. Primeira: não confunda Primeiro Reinado, Período Regencial e Segundo Reinado; o Segundo Reinado é o governo de Dom Pedro II, de 1840 a 1889. Segunda: não diga que a Lei Áurea resolveu a vida das pessoas libertas; ela garantiu a liberdade formal, mas sem terra, sem indenização aos libertos e sem políticas de inclusão. Terceira: não trate a Proclamação da República como uma revolução popular; foi um movimento liderado por militares com apoio de republicanos civis, acompanhado pela maior parte da população sem participação direta.

Conexão com outras áreas

O Segundo Reinado conversa diretamente com a Geografia, ao explicar a expansão do café do Vale do Paraíba para o Oeste Paulista e a urbanização do Sudeste; com a Sociologia, ao discutir cidadania restrita, voto censitário e exclusão social após a abolição; com a Literatura, na obra de Machado de Assis, que retratou a sociedade imperial com ironia; e com a Economia, ao mostrar como um país agroexportador dependente de um só produto fica vulnerável a crises e a mudanças no mercado internacional. Perceber essas conexões ajuda a responder questões interdisciplinares, muito comuns no ENEM.

Incidência

Incidência: 🔥 Quente. O Segundo Reinado é um dos temas mais cobrados de História do Brasil no ENEM e nos vestibulares, porque reúne política, economia, guerra, escravidão e abolição em um único período. Revise-o junto com o Primeiro Reinado, o Período Regencial e a Primeira República, para entender a transição da monarquia para a república como um processo, e não como um fato isolado.