A segunda fase do Vestibular Unicamp 2026 iniciou com temas atuais na redação, como a “machosfera” e a relevância da CLT, exigindo análise crítica dos candidatos.
A segunda fase do Vestibular Unicamp 2026 iniciou com temas atuais na redação, como a “machosfera” e a relevância da CLT, exigindo análise crítica dos candidatos, conforme detalhado a seguir.
Segunda fase do vestibular Unicamp traz como temas “machosfera” e a importância da CLT
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) deu início, na manhã de domingo (30 de novembro), à segunda fase vestibular 2026. Este estágio crucial do processo seletivo apresentou temas de grande relevância social e política nas questões dissertativas, focando na capacidade de análise crítica dos postulantes às 2.530 vagas oferecidas em 69 cursos.
Início da segunda fase e índice de abstenção
O primeiro dia da segunda fase vestibular unicamp registrou uma abstenção geral de 7,9%, totalizando 12.018 presentes e 1.028 ausentes. José Alves de Freitas Neto, diretor da Comissão Permanente para os Vestibulares da Unicamp (Comvest), destacou que este índice demonstra estabilidade em comparação ao ano anterior (7,5%).
Freitas Neto observou que índices mais altos de ausência em cidades como Recife (22,9%) e Curitiba (25%) podem estar ligados à coincidência com provas de outros processos seletivos locais, como o do vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em Campinas, sede principal, a abstenção foi de 5,4%, levemente menor que a registrada no ano passado (5,6%).
A prova está sendo aplicada em diversas cidades de São Paulo e em seis capitais brasileiras, visando garantir a ampla acessibilidade ao exame, um aspecto importante da educação pública.
Análise dos temas propostos na redação
O primeiro dia da avaliação é comum a todos os candidatos e inclui a Prova de Redação, Língua Portuguesa, Literaturas e Prova Interdisciplinar. Na redação, a Comvest propôs dois eixos temáticos distintos, ambos altamente engajados com a realidade social brasileira.
A importância das questões dissertativas
A primeira proposta de texto pedia aos candidatos um depoimento pessoal sobre a “machosfera”, um termo usado para descrever comunidades online que promovem discurso de ódio e violência contra mulheres. A segunda opção envolvia a elaboração de uma nota de esclarecimento sobre o significado e a importância histórica da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), especialmente em um contexto onde o termo “ser CLT” ganhou conotações pejorativas.
“A Unicamp procura alunos atentos aos problemas do mundo contemporâneo e que defendam certos princípios que a Universidade nunca abriu mão, a respeito dos direitos humanos, dos direitos sociais”, afirmou Freitas Neto ao comentar a escolha dos temas. A preservação do formato de questões abertas, segundo ele, é “fundamental e é parte do segredo da excelência” das universidades paulistas.
Diversidade de temas interdisciplinares
Márcia Mendonça, coordenadora acadêmica da Comvest, ressaltou que os temas são selecionados como pretextos para avaliar habilidades de leitura e escrita, sempre articulados com o conhecimento escolar. Os exames trabalharam a articulação com a atualidade, incluindo o impacto da inteligência artificial, o tecnochauvinismo e até mesmo um problema físico associado ao relato de viagem da velejadora Tamara Klink.
Em um exemplo de interdisciplinaridade, uma questão envolveu a contaminação de águas por clobazam, um ansiolítico, e seus efeitos no comportamento migratório de salmões no Mar Báltico. O caderno de prova exemplifica essa abordagem integrada dos saberes.
Relatos de ansiedade e expectativas dos candidatos
A tensão pré-prova foi visível, mas misturada à esperança. Candidatos como Júlia Santos, que tenta a segunda fase pela segunda vez visando Engenharia Ambiental, demonstraram foco na oportunidade:
“Se eu passar na Unicamp, vou ser a primeira pessoa da minha família a fazer uma faculdade e estar dentro de uma universidade pública”
Outros, como Víctor Hugo Barreiro de Souza, que busca migrar de Física para Ciências Sociais, passaram o último ano focando em aprimorar pontos fracos identificados na primeira tentativa. A candidata Tatiana Keller, que já possui graduação em Economia pela Unicamp, busca agora Biologia, preferindo o formato aprofundado da segunda fase atual.
Estrutura das provas subsequentes e cronograma
O segundo dia da segunda fase vestibular unicamp reservará a Prova de Matemática, com número de questões variando conforme a área de escolha (Exatas/Tecnológicas ou outras), e a Prova Interdisciplinar de Ciências Humanas.
As provas de conhecimentos específicos variam:
- Ciências Biológicas/Saúde: Biologia (7 questões) e Química (5 questões).
- Ciências Exatas/ Tecnológicas: Física (5 questões) e Química (5 questões).
- Ciências Humanas/Artes: Geografia (5), História (5), Filosofia (1) e Sociologia (1).
As provas de Habilidades Específicas para Artes Cênicas, Visuais e Dança ocorrerão entre 3 e 5 de dezembro. A primeira chamada oficial de aprovados está marcada para 23 de janeiro de 2026, com matrículas online nos dias 26 e 27 subsequentes. Para mais detalhes sobre o calendário, consulte o site da Comvest.
Um ponto de destaque é que o curso de Arquitetura e Urbanismo dispensou as provas de habilidades específicas, simplificando o processo para seus candidatos, que realizarão apenas as provas da primeira e segunda fase. Esta avaliação focada em pensamento crítico e domínio de conteúdo reafirma o perfil buscado pela Unicamp, uma das instituições mais conceituadas do país, conforme detalhado em seu portal institucional.

Conclusão
A segunda fase do Vestibular Unicamp 2026 consolidou a tendência da banca examinadora de abordar temas complexos e atuais, como a “machosfera” e a discussão sobre a CLT. Essa abordagem sinaliza a busca por vestibulandos que não apenas dominam o conteúdo técnico, mas que também demonstram engajamento cívico e capacidade de posicionamento fundamentado diante dos desafios sociais contemporâneos.
Com a aplicação das provas específicas e a divulgação dos resultados em janeiro de 2026, a Comvest encerra mais um ciclo seletivo rigoroso. O sucesso no vestibular da Unicamp exige, portanto, uma preparação que transcende a memorização, incentivando o diálogo com as humanidades e a ciência em suas mais diversas aplicações, um pilar essencial da excelência acadêmica defendida pela universidade, reforçando a importância da educação continuada.
FAQ – Perguntas frequentes sobre o educação e processos seletivos
Qual foi o índice de abstenção no primeiro dia da segunda fase do Vestibular Unicamp 2026?
O primeiro dia da segunda fase vestibular unicamp registrou uma abstenção geral de 7,9%.
Quais foram os dois temas propostos na redação da segunda fase?
Os temas propostos foram um depoimento pessoal sobre a “machosfera” e uma nota de esclarecimento sobre a importância histórica da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).
Quando serão divulgados os resultados da primeira chamada oficial de aprovados?
A primeira chamada oficial de aprovados está marcada para 23 de janeiro de 2026.
Por que a Unicamp escolheu temas polêmicos como a “machosfera” para a redação?
A Unicamp busca candidatos atentos aos problemas do mundo contemporâneo e que defendam princípios como os direitos humanos e sociais, utilizando estes temas contemporâneos como pretextos para avaliar o posicionamento crítico.
As provas de conhecimentos específicos da segunda fase são iguais para todos os cursos?
Não. As provas de conhecimentos específicos variam conforme a área de escolha (Ciências Biológicas/Saúde, Exatas/Tecnológicas ou Humanas/Artes), com diferentes quantidades de questões para cada disciplina.







