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Era Vargas: o que cai no ENEM e nos vestibulares

A Era Vargas, de 1930 a 1945, transformou o Brasil: entenda a Revolução de 1930, o Estado Novo, o trabalhismo, a industrialização e a participação brasileira na Segunda Guerra Mundial, e veja como o tema cai no ENEM e nos vestibulares.

Getúlio Vargas em estilo Pixar, com faixa presidencial, em frente ao Palácio do Catete no Rio de Janeiro, cercado por pessoas e carros dos anos 1930.
Getúlio Vargas em estilo Pixar, com faixa presidencial, em frente ao Palácio do Catete no Rio de Janeiro, cercado por pessoas e carros dos anos 1930.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. A Revolução de 1930 e o fim da República Velha
  3. O Governo Provisório (1930–1934)
  4. A Constituição de 1934 e o Governo Constitucional (1934–1937)
  5. O Estado Novo (1937–1945)
  6. Trabalhismo: direitos, controle e o “pai dos pobres”
  7. Industrialização e intervenção do Estado na economia
  8. Política externa e a Segunda Guerra Mundial
  9. O fim da Era Vargas e seu legado
  10. Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares
  11. Mapa mental
  12. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  13. Questões comentadas
  14. Dica do professor
  15. Atenção/cuidado
  16. Conexão com outras áreas
  17. Incidência

Era Vargas: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Resumo rápido

A Era Vargas é o período da história do Brasil em que Getúlio Vargas esteve no centro do poder, entre 1930 e 1945. Ela começa com a Revolução de 1930, que tirou do poder as oligarquias da República Velha, e termina em 1945, quando Vargas foi deposto por um movimento militar, pouco depois do fim da Segunda Guerra Mundial. Nesse intervalo de quinze anos, o Brasil mudou de forma profunda: o Estado ficou mais forte e centralizado, a indústria cresceu, os trabalhadores urbanos conquistaram direitos, a propaganda política ganhou um papel inédito e o país entrou em guerra ao lado dos Aliados.

Para estudar esse período sem se perder, guarde quatro ideias centrais. Primeira: Vargas chegou ao poder por uma revolução, mas governou de formas muito diferentes ao longo do tempo, passando por um governo provisório, por um governo constitucional e por uma ditadura, o Estado Novo. Segunda: o trabalhismo foi a marca social da era, com a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, e de uma relação direta entre o presidente e os trabalhadores, que o chamavam de “pai dos pobres”. Terceira: a industrialização por substituição de importações, com destaque para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1941, e da Companhia Vale do Rio Doce, em 1942, mudou a economia brasileira, antes quase só dependente do café. Quarta: o Estado Novo foi uma ditadura nacionalista e autoritária, com censura, propaganda, repressão aos opositores e um forte culto à figura do líder, ao mesmo tempo em que o Brasil lutava, na Segunda Guerra, contra regimes parecidos com o dele.

Quem estuda para o ENEM e para o vestibular deve prestar atenção especial às contradições da Era Vargas, porque são elas que mais aparecem nas provas. Como um governo que reprimia sindicatos livres podia criar leis trabalhistas? Como um regime autoritário podia combater o fascismo na guerra? Por que Vargas, deposto em 1945, voltou ao poder pelo voto em 1951? Este texto explica cada um desses pontos com calma, com exemplos e com questões comentadas no final, para você chegar à prova com segurança. Vale revisar o tema junto com a História do Brasil republicano e com a sala de estudo do cliquevestibular.

A Revolução de 1930 e o fim da República Velha

Antes de 1930, o Brasil vivia a República Velha, também chamada de Primeira República, dominada pelas oligarquias agrárias, sobretudo de São Paulo e de Minas Gerais, na chamada política do café com leite. Os presidentes eram escolhidos por acordos entre os grandes estados, as eleições eram fraudadas pelo voto de cabresto e a maior parte da população não votava, seja por ser analfabeta, seja por estar fora do jogo político. A economia dependia do café, e a crise de 1929, que derrubou o preço do produto no mercado internacional, abalou esse arranjo: os cafeicultores perderam renda, o governo perdeu recursos e o descontentamento cresceu nas cidades, entre militares, classes médias urbanas e trabalhadores.

O estopim da crise política veio na sucessão presidencial de 1930. O presidente Washington Luís, de São Paulo, rompeu o acordo com Minas Gerais e indicou outro paulista, Júlio Prestes, para sucedê-lo. Minas, então, aliou-se ao Rio Grande do Sul e à Paraíba na Aliança Liberal, que lançou Getúlio Vargas, governador gaúcho, como candidato, com João Pessoa, da Paraíba, como vice. Júlio Prestes venceu uma eleição marcada por fraudes, mas o assassinato de João Pessoa, em julho de 1930, em Recife, por motivos que misturavam política local e questões pessoais, inflamou a oposição. Em outubro de 1930, um movimento armado liderado por militares e políticos da Aliança Liberal, com apoio de setores do Exército, depôs Washington Luís e impediu a posse de Júlio Prestes. Vargas assumiu o governo, inicialmente como chefe de um governo provisório.

A Revolução de 1930 não foi uma revolução popular, no sentido de uma mobilização de massas que tomou o poder, mas foi uma ruptura política importante. Ela tirou do centro do poder as oligarquias tradicionais e abriu espaço para novos grupos: militares, especialmente os tenentes, que desde a década de 1920 criticavam a República Velha; industriais, que queriam um Estado mais ativo na economia; e setores urbanos que pediam reformas, como o voto secreto e a legislação trabalhista. Ao mesmo tempo, Vargas manteve alianças com parte das velhas elites, o que explica por que o novo regime foi, desde o início, uma mistura de mudança e continuidade. Nas provas, essa ideia é fundamental: 1930 mudou o comando do país, mas não rompeu de uma vez com todas as estruturas antigas.

O Governo Provisório (1930–1934)

Entre 1930 e 1934, Vargas governou sem Constituição, como chefe do Governo Provisório. O Congresso Nacional foi fechado, as assembleias estaduais foram dissolvidas e os governadores foram substituídos por interventores nomeados pelo governo federal, quase sempre militares ou aliados de Vargas. Essa centralização tinha um objetivo claro: enfraquecer as oligarquias estaduais, que antes mandavam em seus estados quase sem interferência do governo central, e concentrar o poder nas mãos do presidente. Para os tenentes, que apoiavam Vargas, a centralização era também uma forma de impor reformas de cima para baixo, sem depender dos velhos partidos.

Mesmo sendo um governo de exceção, o Governo Provisório tomou medidas que marcariam a era. Em 1932, foi criado o Código Eleitoral, que instituiu o voto secreto, a Justiça Eleitoral e o voto feminino, uma conquista histórica, ainda que na prática o voto continuasse restrito, pois os analfabetos, que eram a maioria da população, seguiam excluídos. Também começaram a surgir as primeiras leis de proteção ao trabalhador urbano, como a jornada de oito horas, as férias e a regulamentação do trabalho de mulheres e menores, ainda de forma fragmentada. Foi nesse período, ainda, que o governo criou ministérios novos, como o Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 1930, e o Ministério da Educação e Saúde Pública, também em 1930, mostrando que o Estado passava a se ocupar de áreas antes deixadas de lado.

A centralização, porém, gerou resistência. Em 1932, São Paulo, insatisfeito com a perda de autonomia e com a nomeação de interventores, levantou-se na Revolução Constitucionalista, exigindo uma nova Constituição e a volta da autonomia estadual. O movimento, que contou com grande apoio da população paulista, foi derrotado militarmente pelo governo federal depois de alguns meses de combates, mas teve uma vitória política: Vargas, pressionado, convocou eleições para uma Assembleia Constituinte em 1933, e a nova Constituição ficaria pronta em 1934. É um ótimo exemplo, muito cobrado nas provas, de uma derrota militar que resultou em conquista política. Outra resistência importante veio dos próprios tenentes, que se dividiram: parte deles apoiava Vargas, parte achava que ele estava traindo as promessas revolucionárias ao se aliar com as velhas oligarquias.

A Constituição de 1934 e o Governo Constitucional (1934–1937)

A Constituição de 1934 foi um documento avançado para a época, com forte influência das constituições sociais europeias, como a Constituição de Weimar, da Alemanha. Ela manteve a república e a federação, confirmou o voto secreto e o voto feminino, criou a Justiça Eleitoral e a Justiça do Trabalho e incluiu direitos sociais, como a jornada de oito horas, o salário mínimo, as férias remuneradas e a proteção ao trabalho feminino e infantil. Também previa a nacionalização de recursos naturais e a limitação da entrada de imigrantes, em um clima nacionalista que crescia no mundo inteiro na década de 1930. A Assembleia Constituinte elegeu Vargas presidente de forma indireta, e ele passou a governar, agora, com uma Constituição e um Congresso em funcionamento.

O período constitucional, de 1934 a 1937, foi marcado por uma intensa polarização política. De um lado, a Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento de inspiração fascista liderado por Plínio Salgado, defendia um nacionalismo autoritário, com o lema “Deus, Pátria e Família”, e usava camisas verdes e o cumprimento com o braço estendido. Do outro lado, a Aliança Nacional Libertadora (ANL), uma frente ampla liderada pelo comunista Luís Carlos Prestes, o famoso “Cavaleiro da Esperança”, que reunia comunistas, socialistas e democratas e defendia reformas como a reforma agrária, a nacionalização de empresas estrangeiras e o fim do pagamento da dívida externa. No meio, Vargas manobrou: em 1935, ele fechou a ANL, alegando que ela ameaçava a ordem, e, em novembro do mesmo ano, uma tentativa de levante comunista, conhecida como Intentona Comunista, em Natal, Recife e no Rio de Janeiro, foi rapidamente derrotada e serviu de pretexto para endurecer a repressão.

Depois de 1935, Vargas passou a governar com poderes de emergência, prendendo opositores, fechando organizações e ampliando o controle sobre a imprensa e os sindicatos. Luís Carlos Prestes foi preso em 1936, assim como sua companheira, Olga Benario, que foi deportada para a Alemanha nazista, onde morreu em um campo de concentração, um dos episódios mais trágicos do período. Em 1937, às vésperas da eleição presidencial, o governo divulgou o Plano Cohen, um documento forjado que supostamente provaria um plano comunista para tomar o poder. Com esse pretexto, Vargas cancelou as eleições, fechou o Congresso e deu um golpe, instalando o Estado Novo. Nas provas, o Plano Cohen aparece sempre como exemplo de fraude usada para justificar um golpe de Estado.

O Estado Novo (1937–1945)

O Estado Novo, de 1937 a 1945, foi a ditadura de Vargas, um regime autoritário e nacionalista, inspirado em parte nos regimes fascistas europeus, mas com características próprias. A Constituição de 1937, apelidada de “Polaca” por sua semelhança com a constituição autoritária da Polônia, concentrou quase todos os poderes no presidente: o Congresso foi fechado, os partidos políticos foram extintos, os governadores passaram a ser interventores nomeados e as eleições foram suspensas. O federalismo, na prática, desapareceu, e o governo federal passou a controlar os estados, chegando ao gesto simbólico de queimar as bandeiras estaduais em cerimônia pública, em 1937, para afirmar a unidade nacional acima das identidades regionais.

A repressão foi um dos pilares do regime. O Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), criado em 1939, censurava jornais, livros, peças de teatro e programas de rádio, e ao mesmo tempo produzia propaganda oficial, com a imagem de Vargas como um líder trabalhador, próximo do povo. A polícia política, chefiada por Filinto Müller no Rio de Janeiro, perseguia, prendia e torturava opositores, sobretudo comunistas, mas também integralistas, depois que estes tentaram um golpe contra Vargas em 1938, e liberais que criticavam a ditadura. Muitos intelectuais e artistas foram vigiados, e a censura obrigava os jornais a publicar matérias oficiais, como a famosa seção em que se lia que “o governo trabalha para o povo”. Ao mesmo tempo, o rádio se tornou o grande instrumento de comunicação do regime: o programa “Hora do Brasil”, criado em 1935 e obrigatório nas emissoras, levava a voz do governo a todos os cantos do país, misturando notícias oficiais, música e propaganda.

Trabalhismo: direitos, controle e o “pai dos pobres”

O trabalhismo é, talvez, a herança mais duradoura da Era Vargas, e também a mais ambígua, por isso cai tanto nas provas. A partir de 1930, o governo criou uma legislação trabalhista ampla: jornada de oito horas, descanso semanal remunerado, férias, aposentadoria, salário mínimo, instituído em 1940, e, em 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que reuniu e organizou essas leis em um só código, que, com mudanças, continua sendo a base dos direitos trabalhistas no Brasil até hoje. Para milhões de trabalhadores urbanos, que antes não tinham nenhuma proteção legal, essas conquistas foram reais e transformadoras: passaram a ter carteira de trabalho assinada, direito a férias e a aposentadoria e um salário mínimo de referência.

Mas a CLT e o modelo sindical varguista vinham com uma contrapartida: o controle do Estado sobre os sindicatos. Os sindicatos passaram a ser reconhecidos e fiscalizados pelo Ministério do Trabalho, precisavam de autorização oficial para funcionar, recebiam recursos do imposto sindical, criado em 1940, e ficavam proibidos de fazer greve, que era tratada como crime contra a economia nacional. Na prática, o governo trocava direitos por obediência: dava proteção ao trabalhador, mas impedia que ele se organizasse de forma independente para reivindicar mais. Por isso, os historiadores falam em uma cidadania regulada, em que os direitos dependiam do reconhecimento oficial da profissão e do sindicato, deixando de fora, por exemplo, os trabalhadores rurais, que só teriam direitos trabalhistas décadas depois, e as empregadas domésticas.

Industrialização e intervenção do Estado na economia

Na economia, a Era Vargas marcou a virada do Brasil agroexportador para um país que começava a se industrializar de forma planejada. Até 1930, a economia girava em torno do café, e a indústria era pequena e voltada para bens de consumo, como tecidos e alimentos. A crise de 1929 e a queda do preço do café mostraram a fragilidade desse modelo, e o governo Vargas passou a defender a industrialização por substituição de importações, ou seja, produzir no Brasil aquilo que antes era comprado de fora, começando pelos bens de consumo e avançando, aos poucos, para a indústria de base, como siderurgia e mineração.

O Estado foi o principal agente dessa industrialização. Em 1941, foi criada a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), com a usina de Volta Redonda, no Rio de Janeiro, financiada em parte por um acordo com os Estados Unidos, que queriam o apoio brasileiro na Segunda Guerra. Em 1942, surgiu a Companhia Vale do Rio Doce, hoje Vale, para explorar o minério de ferro de Minas Gerais. Também foram criados órgãos de planejamento, como o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), em 1938, que profissionalizou a administração pública, e empresas estatais em setores estratégicos. O governo ainda queimou estoques de café para sustentar o preço do produto, protegeu a indústria nacional com tarifas de importação e controlou o câmbio, mostrando que o Estado, agora, intervinha diretamente na economia, bem diferente do liberalismo da República Velha.

Política externa e a Segunda Guerra Mundial

Na política externa, Vargas praticou, por anos, um jogo duplo, chamado de “equidistância pragmática”. De um lado, o Brasil mantinha relações comerciais com a Alemanha nazista, que comprava produtos brasileiros e vendia armas e equipamentos, e setores do governo, inclusive militares, admiravam a organização e o nacionalismo dos regimes fascistas. Do outro lado, os Estados Unidos eram o maior parceiro comercial do Brasil e pressionavam para que o país se alinhasse aos Aliados, oferecendo financiamento para a siderurgia e para as Forças Armadas em troca de bases militares no Nordeste, estratégicas para a travessia do Atlântico. Vargas negociou com os dois lados, buscando tirar o máximo de vantagem para o projeto de industrialização brasileiro, sem se comprometer de imediato com nenhum deles.

A guerra mudou o jogo. Com o ataque japonês a Pearl Harbor, em dezembro de 1941, os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra e aumentaram a pressão sobre o Brasil. Em 1942, submarinos alemães afundaram navios mercantes brasileiros na costa do Nordeste, matando centenas de tripulantes e passageiros, o que provocou manifestações populares nas ruas pedindo guerra contra o Eixo. Em agosto de 1942, o Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália, rompendo com o Eixo, e, em 1944, enviou à Itália a Força Expedicionária Brasileira (FEB), com cerca de 25 mil soldados, que lutaram ao lado dos Aliados em batalhas como Monte Castelo e Montese. A FEB, que tinha o lema “a cobra vai fumar”, tornou-se um símbolo do esforço de guerra brasileiro, e seus pracinhas voltaram como heróis, mas também como críticos da ditadura.

A participação na guerra criou uma contradição insustentável para o Estado Novo, e é esse o ponto mais cobrado nas provas sobre o tema. Como justificar uma ditadura em casa enquanto soldados brasileiros morriam na Europa lutando contra ditaduras? Os próprios pracinhas, os estudantes, a imprensa e os políticos que antes estavam calados passaram a exigir democracia, e o governo, pressionado também pelos Estados Unidos, começou a afrouxar a censura e a permitir a reorganização dos partidos. Em 1945, Vargas convocou eleições, anistiou presos políticos, como Luís Carlos Prestes, e permitiu a criação de novos partidos, mas tentou manobrar para permanecer no poder, com o movimento “queremista”, que pedia “queremos Getúlio” e defendia uma Assembleia Constituinte com Vargas no governo. O Exército, temendo que Vargas usasse o movimento para se perpetuar, depôs o presidente em 29 de outubro de 1945, encerrando a Era Vargas. O general Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra de Vargas, venceria as eleições seguintes.

O fim da Era Vargas e seu legado

O fim da Era Vargas não significou o fim de Vargas na política brasileira. De 1945 a 1950, ele ficou afastado do governo, mas manteve sua base popular, sobretudo entre os trabalhadores, e voltou à presidência pelo voto em 1951, em um governo democrático, até seu suicídio em agosto de 1954, com a famosa carta-testamento. O período de 1930 a 1945, porém, deixou marcas profundas: um Estado forte e centralizado, uma legislação trabalhista que dura até hoje, uma indústria de base criada pelo governo, uma burocracia profissional e uma cultura política em que o presidente se comunica diretamente com o povo, por cima dos partidos, o chamado populismo. Também deixou marcas negativas: a tradição de golpes, a repressão aos opositores, a censura e a exclusão dos trabalhadores rurais e dos mais pobres da cidadania plena.

PeríodoForma de governoPrincipais marcas
1930–1934Governo ProvisórioSem Constituição; Congresso fechado; interventores nos estados; Código Eleitoral de 1932; Revolução Constitucionalista de 1932.
1934–1937Governo ConstitucionalConstituição de 1934; voto feminino e secreto; direitos sociais; polarização entre integralistas e aliancistas; Intentona Comunista de 1935.
1937–1945Estado NovoDitadura; Constituição de 1937; partidos extintos; DIP e censura; CLT de 1943; CSN; entrada do Brasil na Segunda Guerra em 1942.
AnoAcontecimentoPor que é importante
1930Revolução de 1930Vargas chega ao poder e encerra a hegemonia das oligarquias da República Velha.
1932Código Eleitoral e Revolução ConstitucionalistaVoto secreto, voto feminino e Justiça Eleitoral; São Paulo exige uma nova Constituição.
1934Constituição de 1934Primeira Constituição social do Brasil, com direitos trabalhistas e voto feminino confirmado.
1937Golpe do Estado Novo e Plano CohenVargas cancela as eleições, fecha o Congresso e instala a ditadura, com um pretexto forjado.
1942Brasil entra na Segunda GuerraApós o afundamento de navios brasileiros, o país declara guerra ao Eixo e depois envia a FEB à Itália.
1943CLTConsolida os direitos trabalhistas urbanos, mas mantém o controle do Estado sobre os sindicatos.
1945Queda de VargasPressionado pela contradição entre lutar contra ditaduras fora e manter uma dentro, Vargas é deposto pelo Exército.

Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares

No ENEM e nos vestibulares, a Era Vargas aparece com frequência em questões de interpretação de textos, charges, cartazes de propaganda e discursos de Vargas. Um tipo clássico apresenta um cartaz do DIP ou um trecho de discurso de 1º de maio e pergunta qual característica do regime ele revela: pode ser o trabalhismo, o nacionalismo, o culto ao líder ou a propaganda oficial. Outro tipo comum relaciona a legislação trabalhista ao controle dos sindicatos, exigindo que o estudante perceba que direitos e controle andavam juntos. Um terceiro tipo, muito frequente, trabalha a contradição da Segunda Guerra: um texto sobre a FEB ou sobre a luta contra o fascismo serve para perguntar por que o Estado Novo entrou em crise depois de 1942.

Trabalhadores brasileiros em estilo Pixar dentro de uma fábrica da Era Vargas, operando máquinas industriais com chaminés ao fundo.
Trabalhadores brasileiros em estilo Pixar dentro de uma fábrica da Era Vargas, operando máquinas industriais com chaminés ao fundo.
Família brasileira em estilo Pixar reunida em volta de um rádio antigo nos anos 1940, ouvindo um locutor em estúdio ao fundo.
Família brasileira em estilo Pixar reunida em volta de um rádio antigo nos anos 1940, ouvindo um locutor em estúdio ao fundo.

Mapa mental

Era Vargas (1930–1945) — Getúlio Vargas.

  • Chegada ao poder: crise do café de 1929; Aliança Liberal; Revolução de 1930; fim da República Velha.
  • Fases: Governo Provisório (1930–1934); Governo Constitucional (1934–1937); Estado Novo (1937–1945).
  • Estado Novo: ditadura; Constituição de 1937; DIP, censura e propaganda; partidos extintos; “Hora do Brasil”.
  • Trabalhismo: CLT (1943); salário mínimo; carteira de trabalho; sindicatos controlados; “pai dos pobres”.
  • Economia: industrialização por substituição de importações; CSN (1941); Vale do Rio Doce (1942); Estado interventor.
  • Guerra: equidistância pragmática; afundamento de navios (1942); FEB na Itália; contradição com a ditadura.
  • Fim: queremismo; deposição em 29 de outubro de 1945; retorno de Vargas pelo voto em 1951.

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que foi a Era Vargas? O período de 1930 a 1945 em que Getúlio Vargas esteve no centro do poder no Brasil, passando por governo provisório, governo constitucional e ditadura.

2. O que provocou a Revolução de 1930? A crise do café de 1929, a ruptura da política do café com leite na sucessão presidencial e o descontentamento de militares, classes médias e setores urbanos com a República Velha.

3. Quais foram as fases da Era Vargas? Governo Provisório (1930–1934), Governo Constitucional (1934–1937) e Estado Novo (1937–1945).

4. O que foi o Estado Novo? A ditadura de Vargas, de 1937 a 1945, com Congresso fechado, partidos extintos, censura do DIP e forte propaganda oficial.

5. O que foi a CLT? A Consolidação das Leis do Trabalho, de 1943, que reuniu os direitos trabalhistas urbanos, como jornada de oito horas, férias e salário mínimo, com sindicatos controlados pelo Estado.

6. O que foi o trabalhismo? A política de Vargas que combinava direitos trabalhistas com controle estatal dos sindicatos e uma relação direta entre o presidente e os trabalhadores, o “pai dos pobres”.

7. Por que o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial? Após o afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães em 1942, o Brasil declarou guerra ao Eixo e enviou a FEB para lutar na Itália ao lado dos Aliados.

8. Por que a Era Vargas terminou em 1945? Porque a luta contra as ditaduras na guerra tornou insustentável manter uma ditadura em casa, e o Exército depôs Vargas em 29 de outubro de 1945, temendo que ele se perpetuasse no poder.

Questões comentadas

Questão 1. Um cartaz de propaganda do governo brasileiro na década de 1940 mostra um trabalhador sorridente, com a carteira de trabalho na mão, ao lado da frase “o governo trabalha para o trabalhador”. Esse cartaz expressa uma característica central da Era Vargas, que é o:

a) liberalismo econômico, com o Estado afastado das relações de trabalho. b) trabalhismo, que combinava direitos trabalhistas com propaganda e controle dos sindicatos pelo Estado. c) federalismo, com autonomia total dos estados sobre a legislação do trabalho. d) livre sindicalismo, com sindicatos independentes do governo. e) socialismo, com a estatização de todas as fábricas do país.

Gabarito: B. Comentário: o trabalhismo varguista dava direitos reais aos trabalhadores urbanos, como a carteira assinada e as férias, mas mantinha os sindicatos sob controle do Ministério do Trabalho, e usava a propaganda, como os cartazes do DIP, para construir a imagem de Vargas como “pai dos pobres”.

Questão 2. Sobre a Revolução de 1930, é correto afirmar que ela:

a) manteve no poder as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, sem nenhuma mudança política. b) resultou da crise do café de 1929 e da crise da sucessão presidencial, tirando do poder as oligarquias da República Velha e levando Vargas ao governo. c) foi uma revolução socialista que estatizou todas as fazendas de café. d) foi liderada exclusivamente pelos trabalhadores das fábricas de São Paulo. e) restaurou a monarquia no Brasil, com a volta de Dom Pedro II.

Gabarito: B. Comentário: a crise de 1929 abalou a economia cafeeira e o governo, e a ruptura do acordo do café com leite na sucessão de 1930 levou à formação da Aliança Liberal e ao movimento armado que depôs Washington Luís e impediu a posse de Júlio Prestes.

Questão 3. A Constituição de 1934, em comparação com as constituições brasileiras anteriores, destacou-se por:

a) proibir o voto feminino e fechar a Justiça Eleitoral. b) incluir direitos sociais, confirmar o voto secreto e o voto feminino e criar a Justiça do Trabalho. c) restaurar o Poder Moderador do imperador. d) extinguir todos os direitos trabalhistas criados depois de 1930. e) proibir qualquer intervenção do Estado na economia.

Gabarito: B. Comentário: a Constituição de 1934 foi a primeira Constituição social do Brasil, com jornada de oito horas, salário mínimo, férias e proteção ao trabalho de mulheres e menores, além de confirmar o voto secreto, o voto feminino e a Justiça Eleitoral, criados pelo Código Eleitoral de 1932.

Questão 4. O Estado Novo (1937–1945) caracterizou-se, entre outros aspectos, por:

a) eleições livres, partidos em funcionamento e imprensa sem censura. b) Congresso fechado, partidos extintos, censura do DIP e concentração de poderes no presidente. c) autonomia total dos estados e fim da intervenção federal. d) liberdade irrestrita de greve e sindicatos independentes do Estado. e) neutralidade absoluta do Brasil na Segunda Guerra Mundial até 1945.

Gabarito: B. Comentário: com a Constituição de 1937, Vargas fechou o Congresso, extinguiu os partidos, nomeou interventores para os estados e usou o DIP para censurar a imprensa e produzir propaganda oficial, concentrando o poder no Executivo.

Questão 5. A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em 1942, e o envio da FEB à Itália contribuíram para a crise do Estado Novo porque:

a) o Brasil passou a apoiar publicamente o fascismo europeu. b) soldados brasileiros lutavam contra ditaduras na Europa enquanto o Brasil vivia sob uma ditadura, o que tornou insustentável o discurso do regime e fortaleceu as pressões por democracia. c) a FEB foi derrotada em todas as batalhas e voltou desmoralizada. d) os Estados Unidos proibiram o Brasil de ter indústria siderúrgica. e) Vargas fechou a FEB e proibiu qualquer menção à guerra na imprensa.

Gabarito: B. Comentário: a contradição entre combater o fascismo fora e manter uma ditadura dentro foi explorada por estudantes, imprensa e militares, e, somada à pressão dos Estados Unidos, levou ao afrouxamento da censura, à reorganização dos partidos e, por fim, à deposição de Vargas em 1945.

Questão 6. Sobre a industrialização na Era Vargas, é correto afirmar que ela:

a) foi conduzida sobretudo pelo Estado, com a criação da CSN e da Companhia Vale do Rio Doce, e buscava substituir importações, mas manteve o campo sem reforma agrária. b) acabou completamente com a dependência do café já em 1931, sem nenhuma ajuda do governo. c) foi feita apenas por empresas estrangeiras, sem nenhuma empresa estatal. d) proibiu a criação de indústrias no Sudeste e concentrou tudo no Nordeste. e) não teve nenhuma relação com a Segunda Guerra Mundial ou com os acordos com os Estados Unidos.

Gabarito: A. Comentário: a industrialização por substituição de importações teve o Estado como principal agente, com a CSN, em 1941, financiada com apoio norte-americano ligado à guerra, e a Vale, em 1942, mas não tocou na estrutura agrária, deixando os trabalhadores rurais fora da legislação trabalhista.

Dica do professor

Não decore a Era Vargas como uma lista de datas soltas. Monte um fio de causa e consequência: crise do café leva à Revolução de 1930; centralização leva à Revolução Constitucionalista de 1932; polarização leva ao Estado Novo em 1937; trabalhismo leva à CLT em 1943; guerra leva à crise da ditadura em 1945. Na véspera da prova, revise apenas esse fio e as três fases, com o que muda em cada uma em termos de Constituição, Congresso e partidos. Se você souber explicar por que um governo autoritário criou direitos trabalhistas e por que um ditador lutou contra ditaduras na guerra, já estará à frente da maioria dos candidatos.

Atenção/cuidado

Cuidado com três confusões frequentes. Primeira: não confunda as fases, o Estado Novo é só de 1937 a 1945, e não todo o período de 1930 a 1945. Segunda: não diga que Vargas “deu” os direitos trabalhistas de presente, nem que a CLT era só fachada; ela foi conquista real dos trabalhadores, fruto de lutas anteriores, mas veio junto com o controle dos sindicatos pelo Estado. Terceira: não trate Vargas como um governante só autoritário ou só popular; ele foi as duas coisas ao mesmo tempo, e é justamente essa ambiguidade que as provas mais cobram.

Conexão com outras áreas

A Era Vargas conversa diretamente com a Geografia, ao explicar a urbanização e a migração do campo para as cidades industriais do Sudeste; com a Sociologia, ao discutir cidadania regulada, populismo e o papel dos sindicatos; com a Economia, ao mostrar a industrialização por substituição de importações e a intervenção do Estado; e com a Língua Portuguesa e a Literatura, na análise dos discursos de Vargas, da propaganda do DIP e das crônicas e romances que retrataram o Brasil dos anos 1930 e 1940. Perceber essas conexões ajuda a responder questões interdisciplinares, muito comuns no ENEM.

Incidência

Incidência: 🔥 Quente. A Era Vargas é um dos temas mais cobrados de História do Brasil no ENEM e nos vestibulares, porque reúne revolução, ditadura, trabalhismo, industrialização e guerra em um único período. Revise-a junto com a República Velha, que a antecede, e com o governo democrático de Vargas, de 1951 a 1954, que a sucede, para entender a Era Vargas como um processo, e não como um fato isolado.