Sala de estudos

Crase: casos complexos e expressões adverbiais: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Domine a crase de uma vez: casos obrigatórios, proibidos e facultativos, horas, lugares e expressões adverbiais, com truques infalíveis para acertar no ENEM e nos vestibulares.

Estudante animado em estilo Pixar apontando para um grande símbolo brilhante da letra "à" com acento grave, em sala de aula colorida com livros abertos.
Estudante animado em estilo Pixar apontando para um grande símbolo brilhante da letra "à" com acento grave, em sala de aula colorida com livros abertos.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é crase, afinal?
  3. Casos obrigatórios: quando a crase não pode faltar
  4. Casos proibidos: quando a crase nunca aparece
  5. Casos facultativos: quando os dois jeitos estão certos
  6. Crase com horas determinadas: o caso que mais cai
  7. Crase com nomes de lugar: o teste do “voltar de”
  8. Crase com pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aquilo
  9. Expressões adverbiais femininas: o bloco que sempre leva crase
  10. O truque da substituição: “ao” e “para a”
  11. Tabela comparativa: crase obrigatória, proibida e facultativa
  12. Mapa mental
  13. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  14. Questões comentadas
  15. Dica do professor
  16. Atenção/cuidado
  17. Conexão com outras áreas

Crase: casos complexos e expressões adverbiais: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Você já escreveu “vou a praia” e ficou na dúvida se faltava alguma coisa ali? Ou já travou diante de “chegarei as 8 horas”, sem saber se aquele “as” leva acento grave? Se a resposta for sim, respire: a crase é um dos assuntos que mais assustam os estudantes, mas também um dos mais previsíveis do ENEM e dos vestibulares. E a boa notícia é que ela segue regras claras, que cabem em poucos truques.

Veja a diferença que um acento faz:

✅ Correto: Vou à praia amanhã.
❌ Incorreto: Vou a praia amanhã.

✅ Correto: A prova começa às 8 horas.
❌ Incorreto: A prova começa as 8 horas.

✅ Correto: Cheguei a tempo da revisão.
❌ Incorreto: Cheguei à tempo da revisão.

Neste guia completo, você vai entender o que é a crase de verdade, quando ela é obrigatória, quando é proibida e quando é facultativa, além de dominar os casos que mais caem em prova: horas determinadas, nomes de lugar, pronomes demonstrativos e as famosas expressões adverbiais femininas, como “à noite” e “às pressas”. No fim, há perguntas e respostas rápidas, questões comentadas no estilo ENEM e um mapa mental para revisar em minutos. Se quiser reforçar a base da matéria, vale visitar a página de Língua Portuguesa da sala de estudo, onde estão reunidos os principais temas de gramática.

Resumo rápido

  • O que é crase: a fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a” (ou “as”), marcada pelo acento grave: a + a = à; a + as = às.
  • Condição para existir crase: é preciso haver, ao mesmo tempo, um termo que exija a preposição “a” e uma palavra feminina que aceite o artigo “a”. Falta um dos dois? Não há crase.
  • Crase obrigatória: antes de palavra feminina determinada, quando o verbo ou o nome pede “a”; antes de horas determinadas; nas expressões adverbiais femininas; diante de “aquele”, “aquela” e “aqueles”.
  • Crase proibida: antes de verbo, de palavra masculina, de pronome pessoal, de artigo indefinido, entre palavras repetidas e antes de “aquilo”.
  • Crase facultativa: antes de pronome possessivo feminino, antes de nome próprio de pessoa e depois da preposição “até”.
  • Truque do “ao”: troque a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer “ao”, há crase. Se aparecer apenas “a”, não há crase.
  • Truque do “para a”: se “para a” couber no lugar, o “a” é preposição + artigo, então há crase.
  • Incidência: 🔥 Quente — tema frequente em questões de gramática do ENEM e dos vestibulares.

O que é crase, afinal?

A palavra “crase” vem do grego e significa “mistura”. Na gramática, ela é justamente isso: a mistura da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”, formando o “à”. No plural, a preposição “a” se junta ao artigo “as”, formando o “às”.

Exemplo: “Vou a + a praia” vira “Vou à praia”. O acento grave (`) é o sinal dessa fusão. Ele não é enfeite: é ele que avisa ao leitor que ali existem dois “a” juntos, um de cada função.

Por isso, a pergunta de ouro antes de usar a crase é sempre dupla:

  1. Algum termo da frase exige a preposição “a”? (Um verbo como “ir”, “chegar”, “assistir”, ou um nome como “obediente a”, “favorável a”.)
  2. A palavra seguinte é feminina e aceita o artigo “a”? (Como “praia”, “escola”, “aula”, “prova”.)

Se as duas respostas forem “sim”, a crase aparece. Se qualquer uma for “não”, ela some. Guarde essa chave: crase = preposição “a” + artigo “a”. Todo o resto deste guia é aplicação dessa ideia.

Um detalhe importante: a crase também pode acontecer antes dos pronomes demonstrativos “aquele”, “aquela” e “aqueles”, porque eles carregam um “a” inicial que se funde com a preposição: a + aquele = àquele. Já o pronome “aquilo” não aceita crase, como você verá adiante.

Casos obrigatórios: quando a crase não pode faltar

1. Antes de palavra feminina determinada, com termo que pede “a”

É o caso mais comum. O verbo ou o nome exige a preposição “a”, e a palavra seguinte é um substantivo feminino com artigo definido.

✅ Correto: Entreguei o trabalho à professora.
✅ Correto: Obedeço às regras da escola.
✅ Correto: Assistimos à aula de revisão.
❌ Incorreto: Entreguei o trabalho a professora.

Atenção ao verbo “assistir”: quando significa “presenciar”, ele pede a preposição “a” e, portanto, admite crase. Quando significa “ajudar”, ele é transitivo direto e não pede preposição: “O médico assistiu o paciente” (sem crase, sem preposição).

2. Nas expressões “à moda de” e “à maneira de”, mesmo com o termo subentendido

Quando o nome de um prato, de um estilo ou de um lugar vem abreviado, a crase permanece, porque a expressão completa está subentendida.

✅ Correto: Comi frango à milanesa. (à moda de Milão)
✅ Correto: Ela vestia-se à francesa. (à maneira francesa)
✅ Correto: Ele escreve à Machado de Assis. (à maneira de Machado de Assis)

3. Antes de horas determinadas

Hora exata, marcada no relógio, leva crase, porque o verbo pede “a” e “horas” é feminino com artigo definido. Este é um dos casos mais cobrados em prova.

✅ Correto: A aula começa às 8 horas.
✅ Correto: Chegarei à 1 hora da tarde.
✅ Correto: O plantão vai das 13h às 19h.
❌ Incorreto: A aula começa as 8 horas.

Cuidado com as exceções, que caem muito em prova:

  • Hora indeterminada: sem artigo, sem crase. “Chegarei a uma hora qualquer.” / “Saímos a uma hora da madrugada.”
  • “A partir de”: nunca leva crase. “O atendimento é a partir das 9h.”
  • “Meio-dia” e “meia-noite”: são palavras masculinas e femininas sem artigo definido nesse uso, então não levam crase. “Chego ao meio-dia.” / “Saímos à meia-noite.” (Aqui “meia-noite” aceita artigo: “à meia-noite” está correto porque a expressão é feminina e determinada.)
  • Intervalos com “de… a”: o primeiro “a” não leva crase quando acompanha “de”. “O curso vai de segunda a sexta.” / “Atendemos das 8h às 18h.” (Repare: no segundo exemplo, o “das” já traz o artigo, e o “às” mantém a crase.)

4. Diante de “aquele”, “aquela”, “aqueles” e “aquelas”

Quando o termo anterior pede “a” e o pronome demonstrativo começa com “a”, a fusão acontece.

✅ Correto: Refiro-me àquele professor.
✅ Correto: Entreguei o prêmio àquela aluna.
✅ Correto: Voltei àqueles tempos de escola.
❌ Incorreto: Refiro-me aquele professor.

Casos proibidos: quando a crase nunca aparece

Decorar as proibições vale tanto quanto decorar as obrigações, porque as provas adoram trocar um caso pelo outro. Veja cada proibição com exemplos:

Antes de verbo

Verbo não recebe artigo, então não há fusão possível.

✅ Correto: Começou a estudar cedo.
✅ Correto: Voltou a ler todos os dias.
❌ Incorreto: Começou à estudar cedo.

Antes de palavra masculina

Palavra masculina não aceita o artigo feminino “a”, então não há crase.

✅ Correto: Foi a pé para a escola.
✅ Correto: Chegou a tempo da prova.
❌ Incorreto: Foi à pé para a escola.

Antes de pronome pessoal

Pronomes pessoais (“eu”, “tu”, “ele”, “ela”, “nós”, “vós”, “eles”, “elas”) não recebem artigo.

✅ Correto: Entreguei o livro a ela.
✅ Correto: Escrevi a ele ontem.
❌ Incorreto: Entreguei o livro à ela.

Antes de artigo indefinido

“Uma” já é um artigo, e dois artigos não se juntam. Se aparecer “uma”, “umas” ou “um”, não há crase.

✅ Correto: Chegou a uma conclusão.
✅ Correto: Foi a uma festa ontem.
❌ Incorreto: Chegou à uma conclusão.

Entre palavras repetidas

Nas expressões com repetição, o “a” é apenas preposição, sem artigo.

✅ Correto: Caminhamos dia a dia.
✅ Correto: Ficaram cara a cara.
✅ Correto: Conversamos frente a frente.
❌ Incorreto: Caminhamos dia à dia.

Antes de “aquilo” e de pronomes demonstrativos sem “a”

“Aquilo” não começa com artigo, então não há fusão. O mesmo vale para “isto” e “isso”.

✅ Correto: Não me refiro a aquilo.
✅ Correto: Chegou a isso depois de muito estudo.
❌ Incorreto: Não me refiro àquilo.

Antes de nome de lugar que não aceita artigo, e depois de verbos que não pedem “a”

Verbos como “ver”, “amar” e “conhecer” não pedem a preposição “a”, então mesmo diante de palavra feminina não há crase: “Vi a praia”, “Amo a escola”. E, diante de lugar sem artigo, também não há crase, como você verá no próximo tópico.

Casos facultativos: quando os dois jeitos estão certos

Em três situações, usar ou não a crase é uma escolha, e as duas formas são aceitas pela norma. Em prova, isso significa que a questão não pode considerar errada nenhuma das duas — mas pode perguntar justamente se o uso é facultativo.

Antes de pronome possessivo feminino

✅ Correto: Vou à minha casa.
✅ Correto: Vou a minha casa.

As duas estão certas, porque o pronome possessivo pode ou não vir acompanhado do artigo. Atenção: se houver um adjetivo determinando o substantivo, a crase volta a ser obrigatória: “Vou à minha querida casa.”

Antes de nome próprio de pessoa

✅ Correto: Entreguei o convite à Maria.
✅ Correto: Entreguei o convite a Maria.

O nome próprio de pessoa pode vir com ou sem artigo, conforme o costume de quem fala. Já o nome próprio de lugar segue regra própria, que você verá a seguir.

Depois da preposição “até”

✅ Correto: Fui até à praia.
✅ Correto: Fui até a praia.

Depois de “até”, a crase é facultativa. Repare que “até a praia” já está correto sem acento, porque o “a” ali pode ser só o artigo.

Crase com horas determinadas: o caso que mais cai

As questões de prova adoram misturar hora determinada com hora indeterminada. A regra de ouro é simples: hora exata leva crase; hora vaga, não.

✅ Correto: O ENEM começa às 13h30.
✅ Correto: Marcamos a revisão às 10 horas.
✅ Correto: Chegarei à 1 hora.
❌ Incorreto: O ENEM começa as 13h30.
❌ Incorreto: Chegarei à uma hora qualquer.

Outros usos que confundem:

  • “Das… às”: “O cursinho funciona das 7h às 22h.” Os dois lados levam artigo, então os dois levam crase no segundo termo.
  • “De… a”: “O atendimento é de 8h a 18h.” Aqui não há artigo antes do segundo termo, então não há crase.
  • “A partir de”: nunca tem crase, mesmo com hora exata. “As inscrições abrem a partir das 10h.”
  • “Cerca de” e “perto de”: indicam aproximação, então não há hora determinada e não há crase. “Chego a cerca de 9 horas.”

Crase com nomes de lugar: o teste do “voltar de”

Para saber se um nome de lugar aceita crase, use o famoso teste do “voltar de”: troque o verbo “ir” por “voltar” e observe o que aparece.

  • Se dissermos “volto da Bahia”, o lugar aceita artigo (“da” = de + a), então, com o verbo “ir”, há crase: “Vou à Bahia.”
  • Se dissermos “volto de São Paulo”, o lugar não aceita artigo, então não há crase: “Vou a São Paulo.”

✅ Correto: Vou à Bahia nas férias. (Volto da Bahia.)
✅ Correto: Vou a São Paulo amanhã. (Volto de São Paulo.)
✅ Correto: Cheguei à França em junho. (Volto da França.)
✅ Correto: Viajei a Paris no inverno. (Volto de Paris.)
❌ Incorreto: Vou à São Paulo amanhã.

Cuidado com o detalhe que muda tudo: quando o nome do lugar vem determinado por um adjetivo ou outra especificação, a crase aparece mesmo em lugares que normalmente não aceitam artigo.

✅ Correto: Vou à São Paulo dos meus sonhos.
✅ Correto: Cheguei à Paris das luzes.

Isso acontece porque a especificação “dos meus sonhos” e “das luzes” determina o lugar, e palavra determinada aceita artigo.

Crase com pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aquilo

Este é o tópico que separa quem decora de quem entende. A regra depende de qual demonstrativo aparece:

Pronome demonstrativoLeva crase?Exemplo
aquele, aquela, aqueles, aquelasSim, quando o termo anterior pede “a”Refiro-me àquele dia.
aquiloNuncaNão me refiro a aquilo.
isto, issoNuncaCheguei a isso com esforço.
esta, essa, aquela (sem preposição “a” antes)Não, se não houver preposição pedidaVi aquela casa. (sem preposição)

Como “aquele” já começa com “a”, a fusão é: preposição “a” + “aquele” = “àquele”. O mesmo vale para o feminino e o plural: “àquela”, “àqueles”, “àquelas”. Já “aquilo” não tem artigo embutido, então fica só “a aquilo”.

Um macete para conferir: substitua “aquele” por “este”. Se a frase ficar “a este”, sem fusão, é porque ali havia só a preposição. Se a frase original era “àquele”, a troca confirma que havia preposição + demonstrativo.

Expressões adverbiais femininas: o bloco que sempre leva crase

As locuções adverbiais femininas são expressões fixas que indicam modo, tempo ou lugar, formadas por preposição + palavra feminina. Nelas, a crase é obrigatória, mesmo que não dê para aplicar o truque do “ao” com naturalidade. Por isso, vale decorar as principais:

  • Tempo: à noite, às vezes, à tarde, às pressas, à hora marcada.
  • Modo: à vista, à toa, às cegas, à vontade, às claras.
  • Lugar e direção: à esquerda, à direita, à frente, às margens.
  • Outras muito cobradas: à medida que, à proporção que, à espera de, à procura de.

✅ Correto: Estudo à noite e reviso às vezes de madrugada.
✅ Correto: Pagou à vista e saiu às pressas.
✅ Correto: Vire à esquerda e siga à frente.
✅ Correto: Ficou à toa o dia inteiro.
✅ Correto: À medida que o tempo passa, a confiança aumenta.
❌ Incorreto: Estudo a noite e reviso as vezes de madrugada.
❌ Incorreto: Pagou a vista e saiu as pressas.

Atenção a dois falsos amigos:

  • “A prazo” e “a distância”: sem determinação, não levam crase. “Comprei a prazo.” / “Observou a distância.” Mas, quando a expressão vem determinada, a crase aparece: “Observou à distância de 10 metros.”
  • “A pé”, “a cavalo”, “a nado”: são expressões masculinas ou sem artigo, então não levam crase. “Chegou a pé.”

Repare como essas expressões aparecem em textos de prova: muitas vezes, a questão não pergunta a regra, mas cobra o reconhecimento da locução pronta. Se você decorar o bloco acima, ganha essas questões de graça.

O truque da substituição: “ao” e “para a”

Quando bater a dúvida no meio da prova, use os dois truques mais famosos da crase. Eles resolvem a maioria dos casos em segundos.

Truque 1: troque por uma palavra masculina

Substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se o resultado for “ao”, há crase. Se for apenas “a”, não há.

“Vou à praia.” → “Vou ao parque.” (Apareceu “ao”, então há crase.)
“Vou à feira.” → “Vou ao mercado.” (Apareceu “ao”, então há crase.)
“Vou a São Paulo.” → “Vou a Curitiba.” (Não apareceu “ao”, então não há crase.)

Exemplos limpos do truque:

“Cheguei à escola.” → “Cheguei ao colégio.” (Crase confirmada.)
“Entreguei o trabalho à professora.” → “Entreguei o trabalho ao professor.” (Crase confirmada.)

Lembre-se: aplique o truque só quando a palavra original for feminina. Se a palavra original já for masculina, como em “cheguei a tempo”, não há crase a testar.

Truque 2: troque por “para a”

Se a expressão “para a” couber no lugar do “a” sem mudar o sentido, é porque há preposição + artigo, ou seja, há crase.

“Vou à escola.” → “Vou para a escola.” (Cabe, então há crase.)
“Começou a estudar.” → “Começou para a estudar.” (Não cabe, então não há crase.)

Combine os dois truques: primeiro pergunte se há um termo pedindo “a”; depois, faça a substituição. Se os dois testes concordarem, a resposta está segura. Para treinar a base que sustenta esses testes, como a função de cada termo na frase, vale revisar a sala de estudo e os temas de sintaxe, que explicam por que certos verbos pedem preposição e outros não.

Tabela comparativa: crase obrigatória, proibida e facultativa

SituaçãoCraseExemplo corretoExemplo incorreto
Palavra feminina determinada + termo que pede “a”ObrigatóriaEntreguei o trabalho à professora.Entreguei o trabalho a professora.
Horas determinadasObrigatóriaA prova começa às 8 horas.A prova começa as 8 horas.
Expressões adverbiais femininasObrigatóriaSaiu às pressas.Saiu as pressas.
Diante de “aquele” e “aquela”ObrigatóriaRefiro-me àquele professor.Refiro-me aquele professor.
Antes de verboProibidaComeçou a estudar.Começou à estudar.
Antes de palavra masculinaProibidaFoi a pé.Foi à pé.
Antes de pronome pessoalProibidaEntreguei o livro a ela.Entreguei o livro à ela.
Antes de artigo indefinidoProibidaChegou a uma conclusão.Chegou à uma conclusão.
Entre palavras repetidasProibidaDia a dia.Dia à dia.
Antes de “aquilo”ProibidaNão me refiro a aquilo.Não me refiro àquilo.
Antes de pronome possessivo femininoFacultativaVou à minha casa. / Vou a minha casa.—
Antes de nome próprio de pessoaFacultativaEntreguei o convite à Maria. / a Maria.—
Depois de “até”FacultativaFui até à praia. / até a praia.—
Nome de lugar com artigo (volto “da”)ObrigatóriaVou à Bahia.Vou a Bahia.
Nome de lugar sem artigo (volto “de”)ProibidaVou a São Paulo.Vou à São Paulo.
Estudante animado em estilo Pixar olhando para um grande relógio de parede colorido que marca uma hora determinada, em sala de aula com mochila e cadernos.
Estudante animado em estilo Pixar olhando para um grande relógio de parede colorido que marca uma hora determinada, em sala de aula com mochila e cadernos.
Estudante animado em estilo Pixar caminhando apressado com guarda-chuva amarelo à noite, em rua colorida e iluminada, representando expressões adverbiais do dia a dia.
Estudante animado em estilo Pixar caminhando apressado com guarda-chuva amarelo à noite, em rua colorida e iluminada, representando expressões adverbiais do dia a dia.

Mapa mental

  • Crase = a (preposição) + a (artigo) = à
    • Sem os dois juntos, não há crase.
    • O acento grave marca a fusão.
  • Obrigatória
    • Palavra feminina determinada + termo que pede “a”.
    • Horas determinadas: às 8 horas, à 1 hora.
    • Expressões adverbiais femininas: à noite, às pressas, à vista, à esquerda, à toa, às vezes, à medida que.
    • “À moda de” e “à maneira de”, mesmo subentendidos.
    • Diante de “aquele”, “aquela”, “aqueles”, “aquelas”.
    • Lugar com artigo: vou à Bahia (volto da Bahia).
  • Proibida
    • Antes de verbo: começou a estudar.
    • Antes de palavra masculina: a pé, a tempo.
    • Antes de pronome pessoal: a ela, a ele.
    • Antes de artigo indefinido: a uma conclusão.
    • Entre palavras repetidas: dia a dia, cara a cara.
    • Antes de “aquilo”, “isto” e “isso”.
    • Lugar sem artigo: vou a São Paulo (volto de São Paulo).
  • Facultativa
    • Antes de pronome possessivo: à minha casa / a minha casa.
    • Antes de nome próprio de pessoa: à Maria / a Maria.
    • Depois de “até”: até à praia / até a praia.
  • Truques de prova
    • Substituição por masculino: se der “ao”, há crase.
    • Substituição por “para a”: se couber, há crase.
    • Teste do “voltar de”: “da” = com crase; “de” = sem crase.
  • Armadilhas
    • “A partir de” nunca leva crase.
    • Hora indeterminada não leva crase: a uma hora qualquer.
    • Lugar determinado por adjetivo ganha crase: à São Paulo dos meus sonhos.

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que é crase?
A fusão da preposição “a” com o artigo definido feminino “a”, marcada pelo acento grave: à.

2. Quando a crase é obrigatória?
Quando um termo pede a preposição “a” e a palavra seguinte é feminina e determinada, como em “Vou à praia”.

3. Por que não há crase antes de verbo?
Porque o verbo não recebe artigo, então não existe a fusão entre preposição e artigo.

4. Como funciona o truque do “ao”?
Troque a palavra feminina por uma masculina: se aparecer “ao”, há crase; se aparecer só “a”, não há.

5. “Às 8 horas” ou “as 8 horas”?
“Às 8 horas”, porque a hora é determinada e o verbo pede a preposição “a”.

6. Por que “vou à Bahia” tem crase e “vou a São Paulo” não tem?
Porque dizemos “volto da Bahia” (com artigo) e “volto de São Paulo” (sem artigo).

7. “Àquilo” existe?
Não. Antes de “aquilo” nunca há crase: o correto é “a aquilo”.

8. Quando a crase é facultativa?
Antes de pronome possessivo feminino, antes de nome próprio de pessoa e depois da preposição “até”.

Questões comentadas

Questão 1. Assinale a alternativa em que o acento grave está empregado corretamente.
a) Cheguei à tempo da revisão.
b) Começou à estudar logo cedo.
c) A prova começa às 9 horas.
d) Entreguei o livro à ela.
e) Caminhamos dia à dia.
Gabarito: C.
Comentário: “Tempo” é palavra masculina, “estudar” é verbo, “ela” é pronome pessoal e “dia a dia” é expressão com palavras repetidas — em todos esses casos a crase é proibida. Em “às 9 horas”, a hora é determinada e o verbo pede a preposição “a”, então a crase é obrigatória.

Questão 2. Em qual alternativa a crase é facultativa?
a) Vou à praia amanhã.
b) Saiu às pressas do colégio.
c) Entreguei o convite à Maria.
d) Refiro-me àquele professor.
e) A aula começa às 8 horas.
Gabarito: C.
Comentário: “Maria” é nome próprio de pessoa, caso em que a crase é facultativa: “à Maria” e “a Maria” estão corretas. Nas demais, a crase é obrigatória: palavra feminina determinada, expressão adverbial, demonstrativo “aquele” e hora determinada.

Questão 3. Complete corretamente: “Vou ___ Bahia nas férias, mas meu irmão vai ___ São Paulo.”
a) à – à
b) a – a
c) à – a
d) a – à
e) à – a à
Gabarito: C.
Comentário: Aplique o teste do “voltar de”: “volto da Bahia” indica lugar com artigo, logo “vou à Bahia”; “volto de São Paulo” indica lugar sem artigo, logo “vou a São Paulo”.

Questão 4. Assinale a alternativa em que todas as expressões adverbiais estão corretas.
a) a noite, as pressas, a vista
b) à noite, às pressas, à vista
c) à noite, as pressas, a vista
d) a noite, às pressas, à vista
e) à noite, às pressas, a vista
Gabarito: B.
Comentário: As locuções adverbiais femininas sempre levam crase: “à noite”, “às pressas” e “à vista”. Qualquer forma sem acento grave está incorreta nesses casos.

Questão 5. Assinale a alternativa incorreta quanto ao uso da crase.
a) Não me refiro a aquilo.
b) As inscrições abrem a partir das 10h.
c) Chegarei a uma hora qualquer.
d) Fui até à praia no fim de semana.
e) Observou à distância, sem se aproximar.
Gabarito: E.
Comentário: “Aquilo” nunca aceita crase, “a partir de” nunca leva crase e hora indeterminada não leva crase; depois de “até”, a crase é facultativa. Já “a distância”, sem determinação, não leva crase: o correto é “Observou a distância”. A crase só apareceria com determinação, como em “à distância de 10 metros”.

Questão 6. No trecho “À medida que o tempo passa, a confiança aumenta”, a crase é obrigatória porque se trata de:
a) uma hora determinada.
b) um nome próprio de pessoa.
c) uma locução adverbial feminina.
d) um pronome demonstrativo.
e) um caso facultativo.
Gabarito: C.
Comentário: “À medida que” é uma locução conjuntiva formada a partir de expressão feminina, de uso fixo com crase, assim como as locuções adverbiais femininas. Não se trata de hora, de nome próprio, de demonstrativo nem de caso facultativo.

Dica do professor

Na hora da prova, não tente decorar frase por frase: aplique sempre os três testes, nesta ordem. Primeiro, pergunte se algum termo pede a preposição “a”. Depois, confirme se a palavra seguinte é feminina e determinada. Por fim, faça a substituição por uma palavra masculina: se der “ao”, marque a crase sem medo. Treine esses testes com frases do seu caderno até eles virarem reflexo — no ENEM, as questões de crase costumam ser resolvidas em menos de um minuto por quem domina esse passo a passo. E lembre-se: quando a expressão for fixa, como “à noite” ou “às pressas”, nem perca tempo testando: as locuções adverbiais femininas sempre levam crase.

Atenção/cuidado

Os erros mais comuns em crase nascem de quatro armadilhas. Primeira: colocar crase antes de verbo (“começou à estudar”) ou de pronome pessoal (“à ela”) — lembre-se de que esses casos nunca aceitam artigo. Segunda: esquecer a crase nas horas determinadas (“as 8 horas”) ou colocá-la em hora indeterminada (“à uma hora qualquer”). Terceira: confundir “a partir de”, que nunca leva crase, com “às”, de hora marcada. Quarta: escrever “àquilo”, que não existe — o correto é “a aquilo”. Se você revisar esses quatro pontos antes da prova, já elimina a maioria dos erros. Para não deixar a gramática esfriar, continue praticando com outros temas de Língua Portuguesa e com as dicas de estudo da sala de estudo.

Conexão com outras áreas

A crase não vive isolada: ela depende da regência verbal — isto é, de saber quais verbos pedem a preposição “a” — e da análise sintática, que mostra a função de cada termo na frase. Por exemplo, só dá para decidir sobre a crase em “assistir à aula” se você souber que, no sentido de “presenciar”, o verbo “assistir” é transitivo indireto e pede “a”. Na redação, o domínio da crase conta pontos na competência de norma culta: um texto com crases erradas perde força, enquanto um texto preciso transmite segurança. E na leitura de textos literários e jornalísticos, reconhecer as locuções adverbiais (“à noite”, “às pressas”, “à vista”) ajuda a perceber nuances de tempo, modo e lugar que o autor quis marcar. Ou seja: estudar crase é, ao mesmo tempo, estudar regência, sintaxe e escrita.

Incidência: 🔥 Quente — tema recorrente nas provas de gramática do ENEM e dos vestibulares. Revise as tabelas, o mapa mental e as questões comentadas acima antes da prova, e a crase deixará de ser um problema para virar ponto garantido.