Sala de estudos

Concordância: casos especiais e construções incomuns: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Concordância vai muito além de "sujeito no singular, verbo no singular". Aprenda os casos especiais que mais caem no ENEM e nos vestibulares, com exemplos certos e errados.

Estudante animado sorrindo em mesa de estudo, com balões coloridos e setas curvas ligando palavras em uma cena de concordância verbal e nominal
Estudante animado sorrindo em mesa de estudo, com balões coloridos e setas curvas ligando palavras em uma cena de concordância verbal e nominal
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Concordância verbal: o que é e por que ela complica
  3. Concordância verbal com sujeito composto
  4. Sujeito coletivo
  5. Verbos impessoais: haver, fazer e ser
  6. “Se” apassivador versus “se” índice de indeterminação
  7. “Mais de um”, “um dos que”, “a maioria de” e expressões partitivas
  8. “É proibido” e “é proibida”: o papel do artigo
  9. Sujeito posposto e verbo antes do sujeito
  10. Concordância nominal: o adjetivo e seus parceiros
  11. As palavras traiçoeiras: meio, bastante, obrigado, mesmo, próprio, anexo, incluso, só
  12. Tabelas comparativas
  13. Mapa mental
  14. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  15. Questões comentadas
  16. Dica do professor
  17. Atenção/cuidado
  18. Conexão com outras áreas

Concordância: casos especiais e construções incomuns: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Você já sabe o básico: o verbo concorda com o sujeito e o adjetivo concorda com o substantivo. O problema é que a prova não cobra só o básico. Ela cobra justamente os casos em que essa regra simples parece falhar: sujeito coletivo, verbos impessoais, o “se” que ora é apassivador, ora é índice de indeterminação, e palavras traiçoeiras como “meio”, “bastante”, “obrigado” e “anexo”. É aí que muita gente boa perde ponto.

Veja a diferença que um detalhe faz:

❌ Errado: Haviam muitas pessoas na festa.
✅ Certo: Havia muitas pessoas na festa.

❌ Errado: É proibido entrada de animais. (quando se fala de animais em geral, sem artigo)
✅ Certo: É proibida a entrada de animais. (com artigo, concorda)

Nesta matéria, você vai aprender todos esses casos especiais com exemplos corretos e incorretos marcados, tabelas de comparação e questões no estilo ENEM. Ao final, nenhum “se”, nenhum coletivo e nenhum “meio” vai te pegar de surpresa. Se quiser revisar a base antes, vale revisitar a sala de estudo de Língua Portuguesa e a sala de estudo do cliquevestibular, onde estão reunidas as matérias de gramática.

Resumo rápido

  • Regra geral: verbo concorda com o núcleo do sujeito; adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere.
  • Coletivo: verbo no singular (A turma chegou), salvo quando o coletivo vem especificado (A turma de alunos chegaram — uso aceito, com ênfase no plural).
  • Verbos impessoais: haver (sentido de existir), fazer (tempo decorrido ou clima) e ser (tempo e clima, em certos casos) ficam na 3ª pessoa do singular, sem plural.
  • “Se” apassivador: verbo concorda com o sujeito paciente (Vendem-se casas). “Se” índice de indeterminação: verbo sempre no singular (Precisa-se de vendedores).
  • “Mais de um”: verbo no singular (Mais de um aluno faltou), exceto com ideia de reciprocidade (Mais de um aluno se abraçaram).
  • “Um dos que”: verbo no plural é o mais comum (É um dos alunos que mais estudam); o singular é possível com ênfase no “um”.
  • “A maioria de”: singular ou plural, ambos corretos (A maioria dos alunos faltou / faltaram).
  • “É proibido”: sem artigo, fica invariável (É proibido fumar); com artigo, concorda (É proibida a entrada).
  • Nominal: meio (= um pouco) é invariável; bastante, obrigado, mesmo, próprio, anexo e incluso variam na maioria dos usos — cada um com sua pegadinha, explicada abaixo.
  • Incidência: 🔥 Quente — concordância aparece em quase todas as edições do ENEM e dos grandes vestibulares, tanto em questões de gramática quanto na correção da redação.

Concordância verbal: o que é e por que ela complica

Concordância verbal é a harmonia entre o verbo e o sujeito em número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª). Na frase simples, é fácil: Eu estudo. Nós estudamos. O aluno chegou. Os alunos chegaram. A dificuldade começa quando o sujeito não é simples, quando ele está longe do verbo, quando está posposto (depois do verbo) ou quando o verbo é impessoal — isto é, quando não tem sujeito nenhum.

Uma dica de ouro para a prova: antes de concordar o verbo, pergunte “quem?” ou “o quê?” faz a ação. A resposta é o sujeito — e é com ele, e não com a palavra mais próxima do verbo, que o verbo deve concordar. Muitos erros acontecem porque o candidato concorda com a palavra vizinha, e não com o núcleo do sujeito. Exemplo clássico:

❌ Errado: O grupo de alunos chegaram atrasados.
✅ Certo: O grupo de alunos chegou atrasado. (O núcleo é “grupo”, singular.)

Mas atenção: quando o coletivo vem especificado e a intenção é destacar os indivíduos, o plural também é aceito: O grupo de alunos chegaram atrasados. Nesse caso, a concordância é feita com o termo especificador (“alunos”), e não com o núcleo. A banca aceita as duas formas, mas a forma com o singular é sempre a mais segura.

Concordância verbal com sujeito composto

Sujeito composto tem dois ou mais núcleos. A regra geral é: verbo no plural.

✅ Maria e João chegaram juntos.
✅ O livro e o caderno ficaram sobre a mesa.

Há exceções importantes:

  • Núcleos sinônimos ou em gradação: o verbo pode ficar no singular, concordando com o núcleo mais próximo. ✅ O medo e o pavor tomou conta dele. (Também é aceito o plural.)
  • Sujeito composto posposto ao verbo: o verbo pode concordar com o núcleo mais próximo ou ir para o plural. ✅ Chegou o pai e a mãe. ✅ Chegaram o pai e a mãe. As duas estão certas.
  • Sujeito composto ligado por “ou” com ideia de exclusão: verbo no singular. ✅ Ou Pedro ou Paulo será o representante. ✅ Ou o estudo ou o descanso resolve o problema. (Sentido de alternativa, não de soma.)
  • Sujeito composto ligado por “nem”: verbo no plural. ✅ Nem o frio nem a chuva impediram a festa.
  • Sujeito composto de pessoas diferentes: a 1ª pessoa prevalece sobre a 2ª, e a 2ª sobre a 3ª. ✅ Eu e você vamos à feira. (1ª + 2ª = nós) ✅ Você e ele vão à feira. (2ª + 3ª = vós, na prática “vocês”)

Sujeito coletivo

Palavras como turma, multidão, bando, rebanho, cardume, enxame, povo, equipe designam um conjunto, mas estão no singular. Por isso, o verbo vai para o singular:

✅ A multidão aplaudiu o show.
✅ O cardume nadava em círculos.
✅ A equipe venceu o campeonato.

❌ Errado: A multidão aplaudiram o show.

Como vimos, quando o coletivo vem acompanhado de um especificador no plural, o plural passa a ser aceito: ✅ A multidão de fãs aplaudiram o show. É a chamada concordância atrativa: o verbo é “atraído” pelo termo mais próximo. Na dúvida, prefira o singular — ele nunca está errado nesse caso.

Verbos impessoais: haver, fazer e ser

Verbo impessoal é aquele que não tem sujeito e, por isso, nunca vai para o plural. Os três mais cobrados são:

1. Haver com sentido de existir ou acontecer

✅ Há vagas para o curso.
✅ Havia muitas dúvidas na aula.
✅ Deve haver soluções para o problema. (O verbo auxiliar “deve” fica no singular porque o principal, “haver”, é impessoal.)

❌ Errado: Hão vagas. ❌ Haviam muitas dúvidas. ❌ Devem haver soluções.

Cuidado: quando “haver” é verbo auxiliar de outro verbo, ele concorda normalmente: ✅ Eles haviam estudado bastante. (Aqui “haver” ajuda “estudado”, não tem sentido de existir.)

2. Fazer indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza

✅ Faz dois anos que não o vejo.
✅ Faz calor hoje.
✅ Fez dez dias que a prova acabou.

❌ Errado: Fazem dois anos que não o vejo.

3. Ser indicando tempo, clima e horas

✅ É meio-dia. ✅ São duas horas. (Com horas, o verbo “ser” concorda: é a exceção famosa.)
✅ É verão no Brasil. ✅ Era primavera quando nos conhecemos.

❌ Errado: É duas horas. (O certo é “São duas horas”, exceto em “É uma hora”.)

“Se” apassivador versus “se” índice de indeterminação

Este é, de longe, o caso mais cobrado em concordância verbal. O truque é simples e resolve quase tudo: tente trocar a frase pela voz passiva com “ser”. Se a troca funcionar, o “se” é apassivador e o verbo concorda com o sujeito. Se não funcionar, o “se” é índice de indeterminação e o verbo fica no singular.

Teste: Vendem-se casas. → Casas são vendidas. Funciona! Logo, “casas” é sujeito paciente, “se” é apassivador, e o verbo concorda: ✅ Vendem-se casas. Alugam-se apartamentos. Consertam-se bicicletas.

Teste: Precisa-se de vendedores. → Vendedores são precisados? Não funciona! O verbo “precisar” é transitivo indireto (precisa-se de algo), não admite passiva. Logo, “se” é índice de indeterminação, o sujeito é indeterminado e o verbo fica no singular: ✅ Precisa-se de vendedores. Trata-se de assuntos sérios. Vive-se bem aqui.

❌ Errado: Precisam-se de vendedores. ❌ Tratam-se de assuntos sérios.

Resumo do macete:

  • Verbo transitivo direto + “se” = partícula apassivadora → verbo concorda com o sujeito paciente.
  • Verbo transitivo indireto, intransitivo ou de ligação + “se” = índice de indeterminação → verbo sempre na 3ª pessoa do singular.

Esse tema se conecta diretamente com a análise sintática: identificar o sujeito (ou a sua ausência) é o primeiro passo para acertar a concordância. Quem domina regência verbal também leva vantagem, porque saber se o verbo é transitivo direto ou indireto é o que decide o comportamento do “se”.

“Mais de um”, “um dos que”, “a maioria de” e expressões partitivas

Mais de um

Apesar da ideia de plural (“mais de um” = dois ou mais), a concordância é feita com “um”, no singular:

✅ Mais de um aluno faltou à aula.
✅ Mais de uma candidata desistiu do concurso.

Exceção: quando há ideia de reciprocidade, o verbo vai para o plural: ✅ Mais de um aluno se abraçaram na despedida. (Um abraçou o outro — ação recíproca.) Também vai para o plural quando o verbo vem antes e o sujeito é composto na prática: ✅ Compareceram mais de um representante de cada turma. — construção rara; na dúvida, use o singular.

Um dos que

✅ É um dos alunos que mais estudam. (O mais comum e o mais cobrado: o verbo concorda com “alunos”, no plural, porque ele é um entre vários que estudam.)
✅ É um dos alunos que mais estuda. (Também aceito, com ênfase no “um”: ele, sozinho, é o que mais estuda.)

Na prova, se houver uma única alternativa, aposte no plural. Se a questão perguntar se as duas formas são aceitas, a resposta é sim.

A maioria de, a maior parte de, grande parte de

Com expressões partitivas seguidas de especificador no plural, o singular e o plural são ambos corretos:

✅ A maioria dos alunos faltou. ✅ A maioria dos alunos faltaram.
✅ Grande parte das questões estava difícil. ✅ Grande parte das questões estavam difíceis.

O mesmo vale para “metade de”, “uma porção de” e “um monte de”: ✅ Um monte de gente veio / vieram.

“É proibido” e “é proibida”: o papel do artigo

A regra depende de um detalhe mínimo: há artigo definido antes do substantivo?

Sem artigo → “proibido” fica invariável, no masculino singular:
✅ É proibido fumar. ✅ É proibido entrada de estranhos. ✅ É necessário paciência.

Com artigo → concorda com o substantivo:
✅ É proibida a entrada de estranhos. ✅ É proibido o fumo neste local. ✅ É necessária a paciência de todos.

❌ Errado: É proibida entrada de estranhos. (Sem artigo, não concorda.)
❌ Errado: É proibido a entrada de estranhos. (Com artigo, tem de concordar.)

A mesma lógica vale para “é bom”, “é necessário”, “é preciso” e “é permitido”: ✅ É permitido pescar aqui. ✅ É permitida a pesca neste lago.

Sujeito posposto e verbo antes do sujeito

Quando o sujeito vem depois do verbo, a concordância pode ser feita com o núcleo mais próximo (singular) ou com o conjunto (plural). As duas formas são aceitas:

✅ Chegou o professor e os alunos. ✅ Chegaram o professor e os alunos.
✅ Faltava coragem e tempo. ✅ Faltavam coragem e tempo.

Mas atenção: com verbos impessoais, não há essa liberdade — o verbo fica no singular sempre: ✅ Havia professores e alunos na reunião. (Nunca “haviam”.)

Outro caso de sujeito posposto muito cobrado é o verbo “existir” em construções como: ✅ Existem várias soluções. (Aqui “existir” não é impessoal: tem sujeito, “várias soluções”, e concorda com ele.) Não confunda “haver” com “existir”: “há” é invariável, “existem” varia.

Concordância nominal: o adjetivo e seus parceiros

Concordância nominal é a harmonia entre o adjetivo (e palavras com função de adjetivo, como artigos, pronomes e numerais) e o substantivo, em gênero (masculino/feminino) e número (singular/plural). Regra geral: ✅ Menina bonita. Meninas bonitas. Livro novo. Livros novos.

Um adjetivo para dois ou mais substantivos

Quando um adjetivo se refere a dois substantivos, há duas possibilidades:

  • Adjetivo depois dos substantivos: concorda com o conjunto (plural) e vai para o masculino se houver um substantivo masculino. ✅ Comprei camisa e calça novas. ✅ Comprei calça e camisa nova. — espera: qual é a certa? As duas, dependendo do sentido! Se o adjetivo vem depois de todos, pode concordar com o conjunto (plural, masculino se houver masculino) ou apenas com o mais próximo. ✅ Tenho pai e mãe amorosos. (conjunto) ✅ Tenho pai e mãe amorosa. (só a mãe, mais próxima)
  • Adjetivo antes dos substantivos: concorda com o mais próximo. ✅ Comprei nova camisa e calça. ✅ Comprei novas camisas e calças. (Se o adjetivo vem antes, ele concorda com o substantivo mais próximo.)
  • Substantivos do mesmo gênero: o adjetivo vai para o plural naquele gênero. ✅ As praias e lagoas cristalinas encantam os turistas.

❌ Errado: Comprei camisa e calça novo. (Há um substantivo feminino; o masculino singular não abrange os dois.)

As palavras traiçoeiras: meio, bastante, obrigado, mesmo, próprio, anexo, incluso, só

Meio

“Meio” como numeral (= metade) varia: ✅ Comi meia maçã. ✅ Bebi meio copo de suco. ✅ É meio-dia e meia. (Meia hora.)

“Meio” como advérbio (= um pouco) é invariável: ✅ Ela estava meio cansada. ✅ Eles estavam meio cansados. ✅ A porta ficou meio aberta.

❌ Errado: Ela estava meia cansada. (Aqui “meio” significa “um pouco”, então não varia.)

Macete: substitua por “um pouco”. Se fizer sentido, “meio” é invariável. Se puder substituir por “metade”, ele varia.

Bastante

Como adjetivo (= muito, bastante coisa), varia: ✅ Há bastantes alunos na sala. ✅ Comi bastantes frutas.

Como advérbio (= muito, intensifica um verbo, adjetivo ou outro advérbio), é invariável: ✅ Eles estudaram bastante. ✅ Elas estão bastante cansadas. (Aqui “bastante” intensifica “cansadas”, então não varia.)

❌ Errado: Elas estão bastantes cansadas.

Obrigado

“Obrigado” concorda com quem agradece: ✅ Muito obrigada! (dito por uma mulher) ✅ Muito obrigados! (dito por um grupo de homens ou grupo misto) ✅ Muito obrigadas! (dito por um grupo de mulheres)

❌ Errado: uma mulher dizer “muito obrigado” — o certo é “obrigada”.

Mesmo e próprio

Ambos variam quando têm sentido de “idêntico”, “em pessoa” ou reforço: ✅ Elas mesmas resolveram o problema. ✅ Os próprios alunos organizaram a festa. ✅ As mesmas regras valem para todos.

❌ Errado: Elas mesmo resolveram. ❌ Os próprio alunos organizaram.

Atenção: “mesmo” como conjunção (“mesmo que”) é invariável: ✅ Mesmo que chova, iremos à festa.

Anexo, incluso e apenso

Como adjetivos, variam: ✅ Seguem anexas as fotos. ✅ Seguem anexos os documentos. ✅ As cópias inclusas no envelope estão completas.

❌ Errado: Seguem anexo as fotos.

Exceção: na expressão “em anexo”, a forma é invariável: ✅ As fotos seguem em anexo. (Aqui “anexo” funciona como advérbio.)

Só

“Só” como adjetivo (= sozinho) varia: ✅ Elas ficaram sós em casa. ✅ Ele estava só no quarto.

“Só” como advérbio (= somente, apenas) é invariável: ✅ Elas só estudam à noite. ✅ Só os alunos aprovados entraram.

❌ Errado: Elas sós estudam à noite. (Aqui o sentido é “somente”, então não varia.)

Tabelas comparativas

Tabela 1: “Se” apassivador x “se” índice de indeterminação

SituaçãoTipo de “se”VerboExemplo certo
Verbo transitivo diretoPartícula apassivadoraConcorda com o sujeito pacienteVendem-se casas.
Verbo transitivo indiretoÍndice de indeterminaçãoSempre no singularPrecisa-se de vendedores.
Verbo intransitivoÍndice de indeterminaçãoSempre no singularVive-se bem aqui.
Verbo de ligaçãoÍndice de indeterminaçãoSempre no singularÉ-se feliz com pouco. (uso raro, mas ilustra a regra)

Tabela 2: Palavras que variam ou não — o resumo das pegadinhas

PalavraQuando variaQuando não variaExemplo
MeioNumeral (= metade)Advérbio (= um pouco)Meia maçã / Ela estava meio cansada.
BastanteAdjetivo (= muitos)Advérbio (= muito)Bastantes alunos / Estudaram bastante.
ObrigadoSempre concorda com quem agradece—Muito obrigada! / Muito obrigados!
Mesmo / próprioAdjetivo (reforço, idêntico)Conjunção (“mesmo que”)Elas mesmas / Mesmo que chova…
Anexo / inclusoAdjetivoExpressão “em anexo”Seguem anexas as fotos. / Seguem em anexo.
SóAdjetivo (= sozinho)Advérbio (= somente)Ficaram sós / Só estudam à noite.
É proibidoCom artigo definidoSem artigoÉ proibida a entrada. / É proibido fumar.
Grupo de estudantes animados representando um sujeito coletivo diante de um único professor, ilustrando a concordância do verbo no singular com coletivo
Grupo de estudantes animados representando um sujeito coletivo diante de um único professor, ilustrando a concordância do verbo no singular com coletivo
Dois estudantes animados comparando cartazes coloridos em uma balança divertida, ilustrando a comparação entre concordância nominal variável e formas invariáveis
Dois estudantes animados comparando cartazes coloridos em uma balança divertida, ilustrando a comparação entre concordância nominal variável e formas invariáveis

Mapa mental

  • Concordância verbal
    • Regra geral: verbo concorda com o núcleo do sujeito
    • Sujeito composto: plural (exceções: sinônimos, posposto, “ou” excludente)
    • Sujeito coletivo: singular (plural aceito com especificador)
    • Verbos impessoais: sempre singular — haver (existir), fazer (tempo/clima), ser (tempo, exceto horas)
    • “Se” apassivador: concorda (teste da passiva com “ser”)
    • “Se” índice de indeterminação: sempre singular
    • Mais de um: singular (plural só com reciprocidade)
    • Um dos que: plural é o mais comum
    • A maioria de: singular ou plural, ambos certos
    • É proibido: sem artigo, invariável; com artigo, concorda
    • Sujeito posposto: singular (mais próximo) ou plural, ambos aceitos
  • Concordância nominal
    • Regra geral: adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo
    • Um adjetivo, dois substantivos: depois, conjunto ou mais próximo; antes, mais próximo
    • Meio: metade varia, um pouco não varia
    • Bastante: adjetivo varia, advérbio não varia
    • Obrigado: concorda com quem agradece
    • Mesmo e próprio: variam como adjetivo
    • Anexo e incluso: variam como adjetivo; “em anexo” é invariável
    • Só: sozinho varia, somente não varia
  • Macetes de prova
    • Pergunte “quem?” antes de concordar o verbo
    • Teste da passiva para decidir o “se”
    • Substitua “meio” por “um pouco” ou “metade” para decidir
    • Na dúvida, prefira o singular com coletivo e o plural com “um dos que”

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. Por que “haviam muitas pessoas” está errado?
Porque “haver” com sentido de existir é impessoal e fica sempre na 3ª pessoa do singular: “havia muitas pessoas”.

2. Como distinguir o “se” apassivador do índice de indeterminação?
Tente passar a frase para a passiva com “ser”. Se funcionar (“Vendem-se casas” → “Casas são vendidas”), é apassivador e o verbo concorda. Se não funcionar (“Precisa-se de vendedores”), é índice de indeterminação e o verbo fica no singular.

3. O verbo concorda com “a maioria dos alunos” no singular ou no plural?
Nos dois. “A maioria dos alunos faltou” e “A maioria dos alunos faltaram” estão corretas.

4. Qual é a diferença entre “meia cansada” e “meio cansada”?
“Meio cansada” está certa quando “meio” significa “um pouco” (advérbio, invariável). “Meia” só aparece como numeral, no sentido de metade: “meia maçã”.

5. Por que “São duas horas” e não “É duas horas”?
Porque, com horas, o verbo “ser” concorda com o número: “É uma hora”, mas “São duas horas”, “São três horas”.

6. “Mais de um aluno faltou” ou “faltaram”?
“Faltou”, no singular, porque a concordância é feita com “um”. O plural só aparece com ideia de reciprocidade, como em “Mais de um aluno se abraçaram”.

7. “É proibido entrada” ou “É proibida entrada”?
Sem artigo, o certo é “É proibido entrada de animais”. Com artigo, concorda: “É proibida a entrada de animais”.

Questões comentadas

Questão 1. Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão.
a) Haviam várias razões para o adiamento da prova.
b) Fazem três meses que a turma se formou.
c) Deve haver novas vagas no próximo semestre.
d) Existiam poucos candidatos, por isso haviam desistências.
e) Precisam-se de professores para o projeto.
Gabarito: C. Comentário: “haver” com sentido de existir é impessoal (elimina A e D); “fazer” indicando tempo decorrido também é impessoal (elimina B); “precisa-se” leva índice de indeterminação, verbo no singular (elimina E). Em C, o auxiliar “deve” fica no singular porque o verbo principal “haver” é impessoal.

Questão 2. Em qual alternativa o “se” é partícula apassivadora?
a) Precisa-se de voluntários para a campanha.
b) Vive-se bem nesta cidade tranquila.
c) Alugam-se salas comerciais no centro.
d) Trata-se de um tema polêmico e atual.
e) Chegou-se a um acordo após horas de debate.
Gabarito: C. Comentário: só em C é possível passar para a passiva (“Salas comerciais são alugadas”) e o verbo concorda com o sujeito paciente (“salas”). Nas demais, o verbo é transitivo indireto ou intransitivo, o “se” é índice de indeterminação e o verbo fica no singular.

Questão 3. Assinale a frase em que a concordância nominal está correta.
a) Ela estava meia cansada depois da maratona de estudos.
b) As alunas ficaram bastante animadas com o resultado.
c) Seguem anexo as declarações solicitadas.
d) Elas mesmo organizaram a festa de formatura.
e) Os alunos ficaram sós estudando a noite toda.
Gabarito: B. Comentário: em B, “bastante” é advérbio (intensifica “animadas”) e fica invariável — correto. Em A, “meio” (= um pouco) não varia; em C, “anexas”; em D, “mesmas”; em E, o sentido é “somente”, então o certo seria “só estudando”.

Questão 4. Complete corretamente: “Mais de um estudante ___ à olimpíada, e ___ um dos estudantes que mais ___ na escola.”
a) foram – é – estudam
b) foi – é – estudam
c) foi – são – estuda
d) foram – é – estuda
e) foi – são – estudam
Gabarito: B. Comentário: “mais de um” pede singular (“foi”); “é um dos estudantes que mais estudam” usa o plural, a forma mais comum e esperada, porque o estudante é um entre vários que estudam.

Questão 5. Assinale a alternativa em que a concordância está correta.
a) É proibida fumar neste ambiente.
b) É proibido a entrada de animais no parque.
c) A maioria dos candidatos desistiram da prova.
d) O grupo de professores chegaram atrasados à reunião.
e) São meio-dia e meia, e a prova já começou.
Gabarito: C. Comentário: com expressões partitivas como “a maioria de”, singular e plural são aceitos, então C está correta. Em A, sem artigo, o certo é “É proibido fumar”; em B, com artigo, o certo é “É proibida a entrada”; em D, o núcleo é “grupo”, então o mais seguro é “chegou”; em E, o certo é “É meio-dia e meia”.

Questão 6. Observe a frase: “Chegou o diretor e os coordenadores para a reunião.” Sobre ela, é correto afirmar que:
a) há erro, pois o verbo deveria estar no plural.
b) há erro, pois o sujeito composto exige verbo no singular sempre.
c) não há erro, pois, com sujeito composto posposto, o verbo pode concordar com o núcleo mais próximo.
d) há erro, pois “diretor” e “coordenadores” não podem formar sujeito composto.
e) não há erro, pois o verbo é impessoal.
Gabarito: C. Comentário: com sujeito composto posposto ao verbo, a concordância pode ser feita com o núcleo mais próximo (“chegou o diretor”) ou com o conjunto (“chegaram o diretor e os coordenadores”). As duas formas são aceitas pela norma-padrão.

Dica do professor

Na hora da prova, faça o “teste dos três passos” antes de marcar: 1) ache o núcleo do sujeito (pergunte “quem?”); 2) se houver “se”, faça o teste da passiva com “ser”; 3) se houver “meio”, “bastante”, “só” ou “anexo”, pergunte qual é a função da palavra na frase (adjetivo varia, advérbio não varia). Esse ritual de poucos segundos resolve a maioria das questões de concordância — e evita que você concorde o verbo com a palavra vizinha, que é o erro mais comum. E lembre-se: na redação, a concordância também conta ponto. Revisar os verbos e adjetivos no final do texto é um dos jeitos mais rápidos de subir a nota.

Atenção/cuidado

Cuidado com quatro armadilhas: 1) nunca pluralize “haver” com sentido de existir, nem o auxiliar que o acompanha (“devem haver” está errado); 2) não confunda “haver” com “existir” — “existem” varia, “há” não; 3) não concorde o verbo com a palavra mais próxima, e sim com o núcleo do sujeito — “o grupo de alunos chegou”, não “chegaram”; 4) não decore “meio” e “bastante” como sempre invariáveis ou sempre variáveis — tudo depende da função: numeral e adjetivo variam, advérbio não varia. Se decorar sem entender a função, a pegadinha te pega.

Conexão com outras áreas

Concordância não é só gramática: ela sustenta a redação (um texto com erros de concordância perde pontos em coesão e domínio da norma), a interpretação de texto (identificar o sujeito ajuda a entender quem faz o quê em textos complexos) e até a literatura, já que autores clássicos e contemporâneos às vezes quebram a concordância de propósito, como recurso de estilo — e a prova pode pedir que você perceba isso. Também dialoga com a análise sintática e a regência verbal, estudadas na sala de Língua Portuguesa, e com as dicas de estudo da página de Dicas do cliquevestibular. Dominar concordância é, no fundo, dominar a clareza: quem concorda bem, escreve com precisão — e isso vale para o ENEM, para os vestibulares e para a vida profissional.

Incidência: 🔥 Quente.