
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é o pronome relativo e por que sua função confunde tanto
- As funções possíveis do pronome relativo
- Como identificar a função passo a passo
- Os pronomes relativos um por um
- Preposição + pronome relativo: quando a preposição é obrigatória
- Diferença entre pronome relativo e conjunção integrante “que”
- Ambiguidade e vírgula: quando o pronome relativo embaralha o sentido
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
Resumo rápido
O pronome relativo é aquele que retoma um termo já mencionado na oração principal — o chamado antecedente — e, ao mesmo tempo, introduz uma oração subordinada adjetiva. Palavras como que, quem, onde, o qual e cujo são os exemplos mais frequentes. A grande pegadinha do ENEM e dos vestibulares é esta: a função sintática do pronome relativo não é definida na oração principal, mas sim dentro da oração subordinada adjetiva que ele introduz.
Em outras palavras, para descobrir se o pronome relativo é sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da passiva ou predicativo, você precisa olhar para o papel que ele exerce na sua própria oração. O pronome relativo sempre ocupa o lugar de um termo que estaria ali se a oração fosse independente. Por isso, um bom truque é reescrever a oração subordinada sem o pronome, colocando o antecedente no lugar dele, e perguntar ao verbo: quem faz a ação? O que sofre a ação? Para quem? De quem? Onde? Com esse teste, a resposta aparece com muito mais facilidade.
Nesta matéria, você vai aprender a identificar cada função possível do pronome relativo, a diferenciar o que relativo do que conjunção integrante, a usar corretamente as preposições antes do pronome, a entender por que cujo nunca é artigo e a evitar as ambiguidades mais cobradas nas provas. Ao final, há um mapa mental, perguntas rápidas e questões comentadas originais, no estilo ENEM, para você treinar.
O que é o pronome relativo e por que sua função confunde tanto
Considere a frase: “O aluno que estudou bastante passou no vestibular.” O pronome que retoma o antecedente “o aluno” e introduz a oração “que estudou bastante”, que funciona como um adjetivo explicando qual aluno passou. Se desmembrarmos a frase, temos duas ideias: “O aluno passou no vestibular” e “O aluno estudou bastante”. Na segunda ideia, “o aluno” é o sujeito de “estudou”. Logo, o pronome que, que ocupa o lugar de “o aluno” dentro da oração subordinada, exerce a função de sujeito dessa oração.
Agora veja outro exemplo: “O livro que eu li era emocionante.” Desmembrando: “O livro era emocionante” e “Eu li o livro”. Na segunda ideia, “o livro” é o objeto direto de “li” — eu li o quê? O livro. Portanto, o pronome que é objeto direto da oração subordinada adjetiva. Perceba: o antecedente é o mesmo tipo de palavra nos dois exemplos, mas a função do pronome mudou completamente, porque o verbo da oração subordinada mudou. É por isso que decorar listas sem entender o mecanismo não funciona: a função depende sempre da oração em que o pronome está.
As funções possíveis do pronome relativo
O pronome relativo pode exercer praticamente qualquer função que um substantivo exerceria em uma oração. As mais cobradas são sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da passiva e predicativo. A tabela abaixo resume cada uma com um exemplo claro.
| Função sintática | Exemplo | Como identificar |
|---|---|---|
| Sujeito | A professora que corrigiu as provas elogiou a turma. | Quem corrigiu? O pronome (a professora). O verbo concorda com ele. |
| Objeto direto | O filme que assistimos ontem foi premiado. | Assistimos o quê? O filme. Não há preposição obrigatória. |
| Objeto indireto | O colega a quem entreguei o resumo agradeceu. | Entreguei a quem? Ao colega. O verbo exige preposição. |
| Complemento nominal | A cidade de que tenho saudade fica no interior. | Saudade de quê? Da cidade. Completa um nome, não um verbo. |
| Adjunto adverbial | A escola onde estudo fica perto de casa. | Estudo onde? Na escola. Indica lugar, tempo ou modo. |
| Agente da passiva | O autor por quem o livro foi escrito é famoso. | Por quem o livro foi escrito? Pelo autor. Voz passiva. |
| Predicativo | Era ele quem estava na porta da sala. | O pronome completa o sentido do verbo de ligação, identificando o sujeito. |
Como identificar a função passo a passo
O método mais seguro tem quatro passos e funciona para qualquer pronome relativo. Primeiro, localize o antecedente, ou seja, o termo que o pronome retoma. Segundo, isole a oração subordinada adjetiva, que começa no pronome relativo. Terceiro, reescreva essa oração como uma frase independente, substituindo o pronome pelo antecedente. Quarto, analise essa frase como você analisaria qualquer oração simples: pergunte ao verbo, identifique o sujeito, os objetos e os adjuntos.
Vamos aplicar o método a um exemplo mais difícil: “A proposta de que todos gostaram foi aprovada.” Antecedente: “a proposta”. Oração subordinada: “de que todos gostaram”. Reescrevendo: “Todos gostaram da proposta”. Quem gostou? Todos — sujeito. Gostaram de quê? Da proposta — objeto indireto, porque “gostar” exige a preposição “de”. Logo, o pronome que, precedido da preposição “de”, é objeto indireto da oração subordinada. Se você tentasse analisar o pronome na oração principal (“a proposta foi aprovada”), chegaria à conclusão errada, pois ali “a proposta” é sujeito da passiva. O segredo é sempre olhar para dentro da subordinada.
Para fixar a base da análise sintática, vale revisar os conceitos de sujeito e predicado, que são o ponto de partida de qualquer análise de oração, e também os termos ligados ao verbo, como objeto direto e objeto indireto, que aparecem com frequência como função do pronome relativo.
Os pronomes relativos um por um
Nem todos os pronomes relativos funcionam da mesma forma. Conhecer as particularidades de cada um evita erros bobos e ajuda a identificar a função mais rápido.
Que: o mais versátil
O que é o pronome relativo mais usado e o mais flexível: pode ser sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial e agente da passiva. Ele pode se referir a pessoas, coisas, animais e ideias, no singular ou no plural, no masculino ou no feminino, sem mudar de forma. Justamente por ser invariável, é ele que mais aparece nas provas, muitas vezes exigindo que o aluno perceba a função apenas pelo contexto da oração. Exemplos: “A menina que canta no coral é minha amiga” (sujeito); “A música que ouvi me emocionou” (objeto direto); “O professor de que falei chegou” (objeto indireto).
Quem: só para pessoas
O quem refere-se apenas a pessoas e, como vimos, pede o verbo na terceira pessoa do singular quando é sujeito: “Foi ela quem organizou o evento”. Ele também pode vir precedido de preposição e exercer outras funções: “O amigo com quem viajei mora em Recife” (adjunto adverbial de companhia), “A aluna a quem dei o livro passou no exame” (objeto indireto). Um erro comum é usar quem para coisas — “a casa quem comprei” está errado; o correto é “a casa que comprei”.
Onde: lugar, e só lugar
O onde é um pronome relativo adverbial: indica lugar e exerce a função de adjunto adverbial de lugar. “A biblioteca onde estudo abre às sete horas” é o exemplo clássico. O erro clássico é usar onde para tempo ou para outras ideias: “o dia onde nos conhecemos” está errado; o correto é “o dia em que nos conhecemos”. Da mesma forma, “a situação onde ele se encontra” deve ser “a situação em que ele se encontra”. Guarde esta regra: onde só para lugar físico.
O qual, a qual, os quais, as quais: a forma de precisão
As formas o qual, a qual, os quais e as quais variam em gênero e número conforme o antecedente e são preferidas em dois casos: depois de preposições longas (como “sobre”, “perante”, “contra”, “através de”) e quando é preciso evitar ambiguidade. Compare: “Falei com a irmã do Pedro, que mora em Salvador” — quem mora em Salvador, a irmã ou o Pedro? Ambíguo. Já “Falei com a irmã do Pedro, a qual mora em Salvador” deixa claro que é a irmã. Além disso, depois de preposições monossilábicas como “de”, “em” e “a”, o uso de o qual é opcional, mas depois de preposições com mais de uma sílaba ele é praticamente obrigatório: “O tema sobre o qual discutimos é polêmico”, e não “o tema sobre que discutimos”.
Cujo, cuja, cujos, cujas: posse, nunca artigo
O pronome cujo indica posse e equivale a “de + que”: “O autor cuja obra li ontem dará uma palestra” significa “o autor de que li a obra”, ou seja, a obra é dele. Três regras são fundamentais. Primeira: cujo concorda com o termo possuído, não com o possuidor — dizemos “a aluna cujos livros sumiram”, porque “livros” é masculino plural, mesmo que “aluna” seja feminino singular. Segunda: cujo nunca vem precedido nem seguido de artigo — “o aluno cujo o livro” está errado; o correto é “o aluno cujo livro”. Terceira: cujo exerce, na oração subordinada, a função de adjunto adnominal, pois acompanha e determina um substantivo (“obra”, “livros”). Muitas questões cobram exatamente isso: a função de cujo é adjunto adnominal, e não objeto ou sujeito.
Quanto, quanta, quantos, quantas: quantidade
As formas quanto, quanta, quantos e quantas são pronomes relativos quando vêm precedidas de “tudo”, “todos”, “tanto” ou expressões semelhantes: “Li todos os livros quantos pude” (ou, mais modernamente, “Li todos quantos livros pude”), “Comprei tudo quanto precisava”. Nesses casos, o pronome pode ser sujeito, objeto direto ou outra função, conforme a oração. É um uso menos frequente no dia a dia, mas aparece em textos literários e em questões que cobram o reconhecimento de formas menos comuns do pronome relativo.
| Pronome relativo | Refere-se a | Observação principal |
|---|---|---|
| Que | Pessoas, coisas, ideias | Invariável; a função mais variada de todas. |
| Quem | Só pessoas | Verbo na 3ª pessoa do singular quando é sujeito. |
| Onde | Só lugar | Adjunto adverbial de lugar; nunca use para tempo. |
| O qual / a qual / os quais / as quais | Pessoas e coisas | Concorda com o antecedente; ideal após preposições longas. |
| Cujo / cuja / cujos / cujas | Posse | Equivale a “de + que”; concorda com o termo possuído; nunca com artigo. |
| Quanto / quanta / quantos / quantas | Quantidade | Vem após “tudo”, “todos”, “tanto” e semelhantes. |
Preposição + pronome relativo: quando a preposição é obrigatória
A regra é simples de enunciar e exige atenção na prática: a preposição que acompanha o pronome relativo é aquela exigida pelo verbo ou pelo nome dentro da oração subordinada, e ela deve vir antes do pronome. Veja os casos mais comuns. O verbo “precisar” exige “de”: “O material de que preciso está na biblioteca”. O verbo “assistir” no sentido de presenciar exige “a”: “O jogo a que assisti foi emocionante”. O verbo “referir-se” exige “a”: “O assunto a que me referi é delicado”. O nome “necessidade” exige “de”: “A ajuda de que necessito chegou a tempo”. O nome “amor” pode exigir “a” ou “por”: “A causa a que dedico meu amor” — ou, melhor, “pela qual luto”.
O erro mais frequente é deixar a preposição no final da frase ou simplesmente omiti-la, por influência da linguagem oral: “O filme que eu assisti” é aceito na fala, mas na norma culta escrita o esperado é “O filme a que assisti”. Nas provas, questões de reescrita costumam cobrar exatamente essa correção: o candidato deve perceber que o verbo “assistir” exige “a” e reposicionar a preposição antes do pronome relativo. Outro erro é usar a preposição errada: “a cidade que eu moro” está errado na norma culta; o correto é “a cidade em que moro” ou “a cidade onde moro”.
Diferença entre pronome relativo e conjunção integrante “que”
Nem todo que é pronome relativo. O que também pode ser conjunção integrante, quando introduz uma oração subordinada substantiva, que funciona como sujeito, objeto direto ou complemento de um verbo ou nome. A diferença é decisiva para a análise sintática e cai muito nas provas. Compare: “A notícia que chegou ontem animou todos” e “É importante que a notícia chegue logo”.
Na primeira frase, que é pronome relativo: ele retoma “a notícia” e é o sujeito de “chegou” (a notícia chegou). Na segunda, que é conjunção integrante: ele não retoma nada, não exerce nenhuma função sintática, apenas liga a oração “que a notícia chegue logo” ao resto da frase, onde ela funciona como sujeito de “é importante”. O teste prático é direto: se você consegue substituir o que pelo antecedente (ou por “o qual”) e a frase continua fazendo sentido, é pronome relativo. Se não há antecedente para retomar, e a oração inteira funciona como um substantivo, é conjunção integrante.
Outros testes ajudam. O pronome relativo pode ser substituído por “o qual” ou “a qual”: “A carta que recebi” vira “A carta a qual recebi” (com ajuste de preposição, se houver). A conjunção integrante não aceita essa substituição: “Espero que você venha” não vira “Espero o qual você venha”. Além disso, a oração introduzida pela conjunção integrante pode, em geral, ser substituída por “isso”: “Espero isso” funciona; já “A carta isso recebi” não funciona. Esses dois testes resolvem a maioria das questões sobre o tema.
Ambiguidade e vírgula: quando o pronome relativo embaralha o sentido
A posição do pronome relativo e o uso da vírgula podem mudar completamente o sentido de uma frase — e as provas adoram explorar isso. Veja: “Vi o irmão do João, que estava doente.” Quem estava doente, o irmão ou o João? Com a vírgula, a oração adjetiva explicativa tende a se referir ao termo mais próximo ou ao conjunto, e a frase fica ambígua. Sem a vírgula — “Vi o irmão do João que estava doente” — a oração é restritiva e delimita: entre os irmãos do João, vi aquele que estava doente. A vírgula, portanto, não é detalhe de pontuação: ela define se a informação é essencial para identificar o antecedente ou apenas um acréscimo.


Mapa mental
- Pronome relativo: retoma o antecedente e introduz a oração subordinada adjetiva.
- Regra de ouro: a função é analisada dentro da oração subordinada, nunca na principal.
- Método: localize o antecedente, isole a subordinada, reescreva com o antecedente no lugar do pronome, analise a frase.
- Funções possíveis: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, adjunto adverbial, agente da passiva, predicativo; cujo é adjunto adnominal.
- Que: invariável, o mais versátil; concorda o verbo com o antecedente quando é sujeito.
- Quem: só pessoas; verbo na 3ª pessoa do singular como sujeito.
- Onde: só lugar; adjunto adverbial de lugar.
- O qual: concorda com o antecedente; obrigatório após preposições longas; desfaz ambiguidades.
- Cujo: posse, equivale a “de + que”; concorda com o possuído; nunca com artigo.
- Preposição: vem antes do pronome e é exigida pelo verbo ou nome da subordinada.
- Que relativo x que integrante: relativo retoma antecedente e tem função; integrante apenas liga e não tem função.
- Vírgula: restritiva sem vírgula delimita; explicativa com vírgula acrescenta; vírgula errada gera ambiguidade.
SAQ — Perguntas e respostas rápidas
1. O que é um pronome relativo? É o pronome que retoma um termo já citado, o antecedente, e introduz uma oração subordinada adjetiva, como que, quem, onde, o qual e cujo.
2. Onde se analisa a função sintática do pronome relativo? Dentro da oração subordinada adjetiva que ele introduz, e não na oração principal.
3. Como descobrir a função do pronome relativo? Reescreva a oração subordinada substituindo o pronome pelo antecedente e analise essa frase: pergunte ao verbo quem faz, o que sofre, para quem, de quem e onde.
4. Qual é a função de cujo na oração subordinada? Adjunto adnominal, pois ele acompanha um substantivo indicando posse. Ele concorda com o termo possuído e nunca vem com artigo.
5. Qual é a diferença entre que relativo e que conjunção integrante? O relativo retoma um antecedente, pode ser trocado por “o qual” e exerce função sintática; o integrante apenas liga a oração, não retoma nada e não tem função.
6. Quando a preposição deve vir antes do pronome relativo? Sempre que o verbo ou o nome da oração subordinada exigir preposição: “o livro de que preciso”, “a festa a que fui”, “o tema sobre o qual falei”.
7. Onde pode ser usado para tempo? Não. Onde só indica lugar. Para tempo, use “em que”: “o dia em que nos conhecemos”.
8. Por que a vírgula muda o sentido da oração adjetiva? Sem vírgula, a oração é restritiva e delimita o antecedente; com vírgula, é explicativa e apenas acrescenta uma informação, o que pode gerar ambiguidade se houver dois antecedentes possíveis.
Questões comentadas
Questão 1. Na frase “Os estudantes que participaram da olimpíada receberam medalhas”, o pronome relativo que exerce a função sintática de:
a) objeto direto
b) sujeito
c) objeto indireto
d) adjunto adverbial
e) predicativo
Gabarito: B. Reescrevendo a oração subordinada com o antecedente: “Os estudantes participaram da olimpíada”. Quem participou? Os estudantes. Logo, o pronome é sujeito da oração subordinada adjetiva. As demais alternativas descrevem funções que o pronome não exerce nessa frase.
Questão 2. Assinale a alternativa em que o pronome relativo exerce a função de objeto direto.
a) A menina que sorriu para a turma é nova na escola.
b) O relatório que a equipe entregou foi elogiado pela direção.
c) O vizinho com quem conversei ontem mudou-se hoje.
d) A praça onde brincávamos na infância foi reformada.
e) O professor a quem pedimos ajuda explicou tudo de novo.
Gabarito: B. Em B, reescrevendo: “A equipe entregou o relatório” — entregou o quê? O relatório, objeto direto. Em A, o pronome é sujeito; em C, adjunto adverbial de companhia; em D, adjunto adverbial de lugar; em E, objeto indireto.
Questão 3. Na frase “O autor cuja obra inspirou o filme dará uma entrevista”, o pronome cuja:
a) é objeto direto da oração subordinada.
b) é adjunto adnominal, indicando posse.
c) é sujeito da oração subordinada.
d) é um artigo definido.
e) é conjunção integrante.
Gabarito: B. Cuja equivale a “de + que” e acompanha o substantivo “obra”, determinando-o: a obra é do autor. Por isso, sua função é adjunto adnominal. Ele não é artigo, não é conjunção e não exerce função de sujeito ou objeto.
Questão 4. Assinale a alternativa em que o que destacado NÃO é pronome relativo.
a) O filme que assistimos no cinema era longo.
b) Acredito que o resultado saia ainda hoje.
c) Os livros que comprei na feira já chegaram.
d) A colega que senta ao meu lado faltou hoje.
e) A cidade em que nasci fica no litoral.
Gabarito: B. Em B, que é conjunção integrante: introduz a oração “que o resultado saia ainda hoje”, que funciona como objeto direto de “acredito”, sem retomar nenhum antecedente. Nas demais, o que retoma um antecedente e pode ser substituído por “o qual”.
Questão 5. Na frase “A bolsa de que tanto precisava finalmente chegou”, o pronome relativo que, precedido da preposição de, exerce a função de:
a) sujeito
b) objeto direto
c) objeto indireto
d) complemento nominal
e) agente da passiva
Gabarito: C. Reescrevendo: “Precisava tanto da bolsa”. O verbo “precisar” exige a preposição “de”, e “da bolsa” responde a “precisava de quê?”, sendo objeto indireto. A preposição aparece antes do pronome justamente por exigência do verbo da oração subordinada.
Questão 6. Assinale a alternativa em que o uso do pronome relativo está de acordo com a norma culta.
a) O dia onde nos conhecemos foi especial.
b) A casa quem comprei fica no centro.
c) O aluno cujo o caderno sumiu procurou a secretaria.
d) O assunto sobre o qual debatemos rendeu horas de conversa.
e) A cidade que eu moro é tranquila.
Gabarito: D. Após preposição longa como “sobre”, usa-se “o qual”, e a frase está correta. Em A, onde foi usado para tempo — o correto é “o dia em que”; em B, quem foi usado para coisa — o correto é “que”; em C, cujo veio com artigo — o correto é “cujo caderno”; em E, falta a preposição exigida por “morar em” — o correto é “a cidade em que moro” ou “onde moro”.
Dica do professor
Quando bater a dúvida na prova, não tente adivinhar a função do pronome relativo de cabeça: faça o desmembramento no rascunho. Escreva a oração subordinada à parte, troque o pronome pelo antecedente e pergunte ao verbo. Esse procedimento leva menos de um minuto e resolve até os casos mais traiçoeiros, como o objeto indireto com preposição escondida (“de que gostaram”, “a que assistiram”). Outra dica valiosa: sublinhe o verbo da oração subordinada antes de qualquer coisa — é ele quem manda na regência e, portanto, na função do pronome. Por fim, treine com frases do seu cotidiano: pegue uma notícia, localize os pronomes relativos e classifique-os. Em poucas semanas, o reconhecimento se torna automático.
Atenção/cuidado
Os erros mais comuns com pronomes relativos são: usar onde para tempo ou para qualquer ideia que não seja lugar; usar quem para coisas; colocar artigo depois de cujo (“cujo o livro”); esquecer a preposição exigida pelo verbo (“o filme que assisti”, em vez de “a que assisti”); analisar a função do pronome na oração principal, em vez de analisá-la na subordinada; e confundir o que relativo com o que conjunção integrante. Outro cuidado: na pressa, muitos candidatos classificam todo que como sujeito, mas o sujeito é apenas uma das funções possíveis — em “o livro que li”, o pronome é objeto direto. Por fim, cuidado com a concordância: com que sujeito, o verbo concorda com o antecedente; com quem sujeito, o verbo fica na terceira pessoa do singular.
Conexão com outras áreas
A função sintática dos pronomes relativos conecta-se diretamente com a análise sintática do período composto, com a regência verbal e nominal e com a pontuação — três frentes clássicas do ENEM e dos vestibulares. Na redação, o domínio dos relativos permite construir períodos mais coesos e elegantes, evitando repetições e ambiguidades: em vez de escrever “Li um livro. O livro fala sobre a Revolução Francesa”, você escreve “Li um livro que fala sobre a Revolução Francesa”. Na literatura, os pronomes relativos aparecem em construções elaboradas, como as de Machado de Assis e Clarice Lispector, em que a oração adjetiva carrega comentários, ironias e digressões. E na leitura de textos jornalísticos e científicos, reconhecer a função do relativo ajuda a identificar exatamente a quem ou a que cada informação se refere — uma habilidade essencial para interpretar enunciados longos sem se perder. Para continuar o estudo da sintaxe, veja a lista de matérias de Língua Portuguesa e, para situar o tema no exame, a página do ENEM.



