Sala de estudos

Concordância verbal: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Aprenda concordância verbal de verdade: sujeito simples, composto e coletivo, verbos impessoais, o "se" e os casos que mais caem no ENEM e nos vestibulares.

Estudante sorridente de óculos e moletom amarelo encaixando duas peças grandes de quebra-cabeça, uma azul e outra laranja, sobre uma mesa com livros e material escolar, em estilo de animação Pixar
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Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. A regra geral: verbo concorda com o sujeito em número e pessoa
  3. Sujeito simples: um só núcleo
  4. Sujeito composto: dois ou mais núcleos
  5. Sujeito coletivo: palavra no singular, ideia de conjunto
  6. Sujeito indeterminado: existe, mas não se sabe quem é
  7. Oração sem sujeito: verbos impessoais e fenômenos da natureza
  8. Tabela 1 — A regra geral em cada tipo de sujeito
  9. Os casos mais cobrados: “a maioria de”, “um dos que” e expressões partitivas
  10. “Se” partícula apassivadora ou índice de indeterminação: o truque do objeto
  11. Sujeito posposto: o verbo vem antes do sujeito
  12. “É proibido” ou “é proibida”? A concordância com artigo
  13. Concordância com o pronome relativo “que”
  14. O verbo “ser” em horas, datas e distâncias
  15. Tabela 2 — Casos cobrados: decisão rápida na prova
  16. Mapa mental
  17. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  18. Questões comentadas
  19. Dica do professor
  20. Atenção/cuidado
  21. Conexão com outras áreas


Resumo rápido

Concordância verbal é o ajuste entre o verbo e o sujeito em número e pessoa: se o sujeito está no singular, o verbo vai para o singular; se está no plural, o verbo vai para o plural. Parece simples, e na maior parte das vezes é. O problema aparece quando o sujeito está longe do verbo, quando ele é coletivo, quando há expressões como “a maioria de”, quando o verbo é impessoal ou quando surge o “se”, que pode ser partícula apassivadora ou índice de indeterminação do sujeito. É exatamente nesses casos que o ENEM e os vestibulares mais cobram.

Antes de começar, vale revisar a base da análise sintática: quem é o sujeito e o que ele faz na oração. O artigo sobre sujeito e predicado ajuda a identificar o núcleo do sujeito com segurança, e isso faz toda a diferença na hora de concordar o verbo.

A regra geral: verbo concorda com o sujeito em número e pessoa

A concordância verbal é a harmonia entre o verbo e o seu sujeito. O verbo varia em pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles) e em número (singular e plural) para acompanhar o sujeito. Observe:

  • Eu estudo todos os dias. (1ª pessoa do singular)
  • Nós estudamos todos os dias. (1ª pessoa do plural)
  • A aluna chegou cedo. (3ª pessoa do singular)
  • As alunas chegaram cedo. (3ª pessoa do plural)

“O grupo de estudantes, depois de semanas de revisão, chegou à escola.” O núcleo do sujeito é “grupo”, no singular, e não “estudantes”. Por isso o verbo fica no singular, mesmo com um plural bem perto dele. A dica de ouro é sempre esta: cubra tudo o que está entre o sujeito e o verbo e pergunte “quem chegou?”. A resposta é o sujeito, e é com ele que o verbo concorda.

Sujeito simples: um só núcleo

O sujeito simples tem apenas um núcleo. A concordância, nesse caso, é direta: verbo no singular para núcleo no singular, verbo no plural para núcleo no plural.

  • A turma organizou a festa de formatura.
  • Os professores organizaram a festa de formatura.
  • Mariana passou no vestibular.
  • Mariana e Pedro passaram no vestibular. (Aqui já não é mais sujeito simples: são dois núcleos. Veja o próximo tópico.)

Sujeito composto: dois ou mais núcleos

O sujeito composto tem dois ou mais núcleos. Em geral, o verbo vai para o plural, porque a soma dos núcleos forma um conjunto plural.

  • Lucas e Ana estudam juntos desde o primeiro ano.
  • A escola, a biblioteca e o cursinho abriram inscrições.
  • Eu e meus amigos vamos ao simulado no sábado.

Há, porém, dois casos que merecem atenção. Primeiro, quando os núcleos se referem à mesma pessoa ou à mesma coisa, o verbo fica no singular: “O meu amigo e colega de classe chegou atrasado.” Amigo e colega são a mesma pessoa, então não há soma. Segundo, quando os núcleos são ligados por “ou” com sentido de exclusão, isto é, quando apenas um deles pratica a ação, o verbo fica no singular: “Pedro ou Lucas apresentará o trabalho.” Se o “ou” indicar soma, ou seja, os dois praticam a ação, o verbo vai para o plural: “Pedro ou Lucas apresentarão o trabalho, cada um em um dia.” A prova costuma testar justamente essa diferença de sentido, então leia a frase com calma e pergunte se a ação é de um só ou dos dois.

Sujeito coletivo: palavra no singular, ideia de conjunto

O coletivo é uma palavra no singular que nomeia um conjunto: turma, multidão, bando, rebanho, flora, pessoal. A regra básica é concordar com a forma, não com a ideia: verbo no singular.

  • A multidão aplaudiu o discurso.
  • O bando voou em direção ao sul.
  • A turma comemorou o resultado do simulado.

Sujeito indeterminado: existe, mas não se sabe quem é

O sujeito indeterminado existe, mas não pode ou não se quer identificar. Ele aparece, principalmente, de duas formas: verbo na terceira pessoa do plural sem sujeito expresso, e verbo na terceira pessoa do singular acompanhado de “se” como índice de indeterminação do sujeito.

  • Roubaram a bicicleta do professor. (Alguém roubou, mas não se sabe quem.)
  • Fala-se muito em reforma do ensino médio. (Não se sabe quem fala.)
  • Precisa-se de monitores para o simulado. (Verbo transitivo indireto + “se”.)

Oração sem sujeito: verbos impessoais e fenômenos da natureza

Na oração sem sujeito, não há nenhum termo que pratique a ação. O verbo fica sempre na terceira pessoa do singular e é chamado de impessoal. Os casos mais cobrados são os fenômenos da natureza, o verbo “haver” com sentido de existir ou de tempo decorrido, e o verbo “fazer” indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza.

  • Choveu durante toda a madrugada.
  • Nevou na serra no fim de semana.
  • Há muitos candidatos por vaga. (“Haver” = existir.)
  • Faz dois anos que ele se formou. (“Fazer” = tempo decorrido.)
  • Faz calor nesta época do ano.

Atenção redobrada com o verbo “haver”: quando ele significa existir, é impessoal e fica no singular, mesmo que o que exista esteja no plural. O certo é “Há vagas”, e não “Hão vagas”. Da mesma forma, “Havia muitos alunos na sala” está certo, e “Haviam muitos alunos” está errado. Essa é, disparada, uma das pegadinhas mais frequentes do ENEM e dos vestibulares.

Tabela 1 — A regra geral em cada tipo de sujeito

Tipo de sujeitoExemploVerbo
SimplesA aluna chegou.Singular, acompanhando o único núcleo
CompostoA aluna e o aluno chegaram.Plural, pela soma dos núcleos
ColetivoA turma chegou.Singular, acompanhando a forma da palavra
Coletivo especificadoA turma de alunos chegou / chegaram.Singular ou plural, ambas aceitas
IndeterminadoFala-se muito nisso.3ª pessoa do singular, com “se”
Oração sem sujeitoHá vagas. / Faz calor.3ª pessoa do singular, verbo impessoal

Os casos mais cobrados: “a maioria de”, “um dos que” e expressões partitivas

As expressões partitivas — “a maioria de”, “a maior parte de”, “parte de”, “metade de”, “grande número de” — são campeãs de questões. A regra é generosa: o verbo pode concordar com a expressão partitiva (singular) ou com o termo que vem depois de “de” (plural). As duas formas são aceitas.

  • A maioria dos alunos aprovou / aprovaram no exame.
  • Grande parte das escolas aderiu / aderiram ao programa.
  • Metade dos candidatos desistiu / desistiram da prova.

Outro caso clássico é o “um dos que”. Aqui há uma pegadinha famosa. Observe as duas frases:

  • Ele foi um dos alunos que mais estudaram para a prova. (O “que” retoma “alunos”, plural, então o verbo vai para o plural.)
  • Ele foi um dos alunos que mais estudou para a prova. (Aqui o “que” retoma “um”, singular, e o verbo fica no singular.)

As duas construções existem, mas o sentido muda: na primeira, ele está entre os que mais estudaram; na segunda, o destaque é que ele, sozinho, foi o que mais estudou. Na maioria das questões, a forma esperada é a do plural, porque o antecedente do “que” é o termo no plural (“alunos”). Se a questão não der pista de sentido diferente, aposte no plural. Esse caso também aparece com “uma das que”, “um dos que” e “uma das pessoas que”: “Foi uma das professoras que receberam o prêmio.”

“Se” partícula apassivadora ou índice de indeterminação: o truque do objeto

Esta é a distinção mais cobrada de toda a concordância verbal, e também a que mais confunde. O macete é simples: procure o objeto direto. Se houver um termo que pode ser sujeito da voz passiva, o “se” é partícula apassivadora e o verbo concorda com esse termo. Se não houver objeto direto, o “se” é índice de indeterminação do sujeito e o verbo fica no singular.

  • Alugam-se salas para cursinho. (Verbo transitivo direto + “se”. “Salas” é o sujeito da passiva, plural, então o verbo vai para o plural. Equivale a “Salas são alugadas”.)
  • Aluga-se uma sala para cursinho. (“Uma sala” é singular, então o verbo fica no singular. Equivale a “Uma sala é alugada”.)
  • Precisa-se de monitores. (Verbo transitivo indireto, sem objeto direto. O “se” indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.)
  • Trata-se de um assunto delicado. (Verbo transitivo indireto + “se”, verbo no singular.)
  • Vive-se bem nesta cidade. (Verbo intransitivo + “se”, verbo no singular.)

Sujeito posposto: o verbo vem antes do sujeito

Na ordem direta, o sujeito vem antes do verbo. Mas o português permite inverter essa ordem, e aí o sujeito aparece depois do verbo: é o sujeito posposto. A concordância continua a mesma, só que o candidato, por não ver o sujeito antes, erra com facilidade.

  • Chegaram os resultados do simulado.
  • Chegou o resultado do simulado.
  • Faltam duas semanas para o ENEM.
  • Existem muitas dúvidas sobre a redação.

“É proibido” ou “é proibida”? A concordância com artigo

As expressões “é proibido”, “é permitido”, “é necessário” e “é preciso” mudam conforme haja ou não artigo antes da palavra que as acompanha. A regra é: sem artigo, a expressão fica no masculino singular, invariável; com artigo, ela concorda em gênero e número com o termo.

  • É proibido entrada de animais. (Sem artigo, invariável.)
  • É proibida a entrada de animais. (Com artigo “a”, concorda no feminino singular.)
  • É permitido fumar neste local? Não: sem artigo, fica no masculino singular.
  • São permitidas as visitas aos sábados. (Com artigo e plural, concorda no feminino plural.)
  • É necessário paciência. / É necessária a paciência.

Concordância com o pronome relativo “que”

Quando o sujeito é o pronome relativo “que”, o verbo concorda com o antecedente do “que”, isto é, com o termo a que ele se refere.

  • Foram os alunos que organizaram o evento. (O “que” retoma “os alunos”, plural.)
  • Fui eu que fiz o cartaz. (O “que” retoma “eu”, primeira pessoa do singular.)
  • Fomos nós que pagamos a inscrição. (O “que” retoma “nós”.)

O verbo “ser” em horas, datas e distâncias

O verbo “ser” tem um comportamento especial quando indica horas, datas e distâncias, e esse comportamento é muito cobrado em questões de concordância.

  • É uma hora da tarde. (Uma hora: singular, porque é uma só hora.)
  • São duas horas da tarde. (Duas horas: plural, a partir de duas.)
  • São dez horas e ainda não começou a prova.
  • Hoje são 4 de novembro. (Datas: o verbo “ser” concorda com o dia, e o dia é plural a partir do dia 2.)
  • Hoje é 1º de novembro. (Dia 1: singular, exceção famosa.)
  • Daqui até a escola são dois quilômetros. (Distância no plural.)
  • Daqui até a escola é um quilômetro. (Distância no singular.)

Tabela 2 — Casos cobrados: decisão rápida na prova

CasoRegra práticaExemplo certo
A maioria de / parte de / metade deSingular ou plural, as duas formas valemA maioria dos alunos passou / passaram.
Um dos queEm geral, plural, porque o “que” retoma o pluralUm dos alunos que mais estudaram.
Haver (= existir) e fazer (tempo/clima)Sempre 3ª pessoa do singularHá vagas. / Faz dois anos.
Se + verbo transitivo diretoPartícula apassivadora: verbo concorda com o sujeitoVendem-se casas.
Se + verbo transitivo indireto ou intransitivoÍndice de indeterminação: verbo no singularPrecisa-se de ajuda.
É proibido / é permitidoSem artigo: invariável; com artigo: concordaÉ proibida a entrada.
Ser + horas / datas / distânciasPlural a partir de 2, exceto 1 hora, dia 1º, meio-dia e meia-noiteSão duas horas. / Hoje é 1º de novembro.
Sujeito pospostoConcordância normal, mesmo com o verbo antesChegaram os resultados.

Para continuar o estudo de sintaxe, vale revisitar os termos ligados ao nome, que mostram como adjuntos e complementos nominais se organizam na frase, e a página da disciplina em Língua Portuguesa, onde estão reunidas as matérias da área. Quem estuda para o ENEM também pode acompanhar as novidades na página do ENEM.

Duas peças grandes de quebra-cabeça, uma azul e outra laranja, encaixadas uma na outra sobre a grama, sob um céu azul com nuvens, em estilo de animação Pixar
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Professora sorridente de óculos e casaco amarelo apontando com uma vareta para um quadro-negro com diagramas coloridos abstratos, em uma sala de aula com carteiras de madeira, em estilo de animação Pixar
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Mapa mental

  • Regra geral: verbo concorda com o sujeito em número e pessoa; concorde com o núcleo, não com a palavra mais próxima.
  • Sujeito simples: um núcleo — verbo acompanha esse núcleo.
  • Sujeito composto: dois ou mais núcleos — em geral, verbo no plural; singular se os núcleos forem a mesma pessoa ou se o “ou” excluir.
  • Coletivo: verbo no singular; plural só como opção quando o coletivo vem especificado.
  • Sujeito indeterminado: verbo na 3ª pessoa do plural sem sujeito expresso, ou 3ª do singular com “se”.
  • Oração sem sujeito: verbos impessoais (fenômenos da natureza, haver = existir, fazer = tempo ou clima) sempre no singular.
  • Partitivos: “a maioria de”, “parte de”, “metade de” aceitam singular ou plural.
  • “Um dos que”: em geral, plural, porque o “que” retoma o termo no plural.
  • “Se”: com verbo transitivo direto, partícula apassivadora e verbo concorda; sem objeto direto, índice de indeterminação e verbo no singular.
  • Sujeito posposto: verbo antes do sujeito, mas a concordância continua normal.
  • “É proibido / é permitida”: sem artigo, invariável; com artigo, concorda com o termo.
  • “Que” relativo: verbo concorda com o antecedente.
  • Ser + horas, datas e distâncias: plural a partir de 2; singular para 1 hora, dia 1º, meio-dia e meia-noite.
  • Método de prova: ache o sujeito, ache o núcleo, teste a voz passiva para o “se” e desconfie do plural vizinho.

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que é concordância verbal?
É o ajuste do verbo ao sujeito em número e pessoa: sujeito no singular pede verbo no singular, sujeito no plural pede verbo no plural.

2. Com que palavra o verbo concorda, exatamente?
Com o núcleo do sujeito, e não com qualquer palavra que esteja perto do verbo. Em “O grupo de alunos chegou”, o núcleo é “grupo”, singular.

3. Quando o coletivo leva o verbo para o plural?
Quando vem especificado, como em “A turma de alunos chegaram”, e mesmo assim o singular continua aceito. Sem especificação, o plural está errado.

4. Por que “Há vagas” está certo e “Hão vagas” está errado?
Porque “haver” com sentido de existir é impessoal e fica sempre na terceira pessoa do singular, mesmo que o que exista esteja no plural.

5. Como diferenciar o “se” partícula apassivadora do “se” índice de indeterminação?
Faça o teste da voz passiva: se der para transformar em “ser + particípio” (“Vendem-se casas” = “Casas são vendidas”), é partícula apassivadora e o verbo concorda. Se não der, é índice de indeterminação e o verbo fica no singular.

6. “A maioria dos alunos passou” ou “passaram”?
As duas formas estão certas. O verbo pode concordar com “a maioria” (singular) ou com “alunos” (plural).

7. Por que se diz “São duas horas” e “É uma hora”?
Porque o verbo “ser” concorda com o número de horas: uma hora pede singular, duas ou mais horas pedem plural. O mesmo vale para datas a partir do dia 2 e distâncias a partir de dois quilômetros.

Questões comentadas

Questão 1. Assinale a alternativa em que a concordância verbal está de acordo com a norma culta.
A) Haviam muitos candidatos na sala de espera.
B) Fazem dois anos que a escola adotou o novo projeto.
C) A turma de formandos comemorou a aprovação no vestibular.
D) Precisam-se de voluntários para organizar o simulado.
E) Vende-se casas mobiliadas perto da universidade.
Gabarito: C.
Comentário: Em A, “haver” com sentido de existir é impessoal: o certo é “Havia muitos candidatos”. Em B, “fazer” indicando tempo decorrido também é impessoal: o certo é “Faz dois anos”. Em D, “precisar” é transitivo indireto, então o “se” é índice de indeterminação e o verbo fica no singular: “Precisa-se de voluntários”. Em E, “vender” é transitivo direto e “casas” é o sujeito da passiva, no plural: o certo é “Vendem-se casas”. Em C, o coletivo “turma” pede verbo no singular, e a forma está correta.

Questão 2. Em “A maioria dos estudantes prefere revisões curtas e frequentes”, o verbo poderia ir para o plural sem prejuízo da norma culta. Essa afirmação está:
A) Errada, porque “maioria” é singular e o verbo nunca pode variar.
B) Certa, porque expressões partitivas aceitam concordância com o termo que vem depois de “de”.
C) Errada, porque o verbo deve concordar com “estudantes” e nunca com “maioria”.
D) Certa, mas apenas se a frase for reescrita na voz passiva.
E) Errada, porque “a maioria de” exige sempre o singular.
Gabarito: B.
Comentário: As expressões partitivas, como “a maioria de”, “parte de” e “metade de”, admitem duas concordâncias: com a própria expressão, no singular, ou com o termo plural que vem depois de “de”. Assim, “A maioria dos estudantes preferem revisões curtas” também está de acordo com a norma. As demais alternativas contrariam essa regra.

Questão 3. Assinale a frase em que o “se” é partícula apassivadora.
A) Precisa-se de novos monitores para o cursinho.
B) Vive-se bem na cidade onde fica a universidade.
C) Alugam-se quartos para estudantes perto do campus.
D) Trata-se de um tema frequente nas provas.
E) Chegou-se a um acordo sobre o horário das aulas.
Gabarito: C.
Comentário: Em C, o verbo “alugar” é transitivo direto e “quartos” pode ser sujeito da passiva (“Quartos são alugados”), por isso o “se” é partícula apassivadora e o verbo concorda no plural. Nas demais, os verbos são transitivos indiretos ou intransitivos, sem objeto direto: o “se” é índice de indeterminação do sujeito e o verbo fica no singular.

Questão 4. Complete corretamente: “Hoje ___ 1º de dezembro e já ___ duas horas que os portões fecharam.”
A) são – fazem
B) é – são
C) é – fazem
D) são – é
E) é – é
Gabarito: C.
Comentário: O dia 1º é a única data que leva o verbo “ser” no singular: “Hoje é 1º de dezembro”. Já “fazer” indicando tempo decorrido é impessoal e fica sempre no singular: “faz duas horas”. As outras combinações erram em pelo menos um dos dois casos.

Questão 5. Assinale a alternativa em que a concordância com o sujeito posposto está correta.
A) Chegou os resultados do exame final.
B) Falta duas semanas para a prova de redação.
C) Existem muitas dúvidas sobre o novo edital.
D) Ocorreu mudanças importantes no calendário.
E) Sobrou vagas no curso de verão.
Gabarito: C.
Comentário: Mesmo vindo depois do verbo, o sujeito continua comandando a concordância. Em C, o sujeito é “muitas dúvidas”, plural, e o verbo “existir” concorda no plural — diferente de “haver”, ele não é impessoal. Nas demais, o verbo ficou no singular apesar de o sujeito estar no plural: o certo seria “Chegaram os resultados”, “Faltam duas semanas”, “Ocorreram mudanças” e “Sobraram vagas”.

Questão 6. Assinale a frase em que a concordância está de acordo com a norma culta.
A) É proibida a entrada de animais no auditório.
B) É proibido a entrada de animais no auditório.
C) Foi um dos professores que mais contribuiu para o projeto, entre todos os docentes.
D) A diretora, junto com os coordenadores, assinaram o documento.
E) Cada um dos candidatos receberam uma senha diferente.
Gabarito: A.
Comentário: Em A, “entrada” vem com artigo (“a entrada”), então “proibida” concorda no feminino singular. Em B, falta a concordância exigida pelo artigo. Em C, o sentido é de que ele está entre os professores que mais contribuíram, então o esperado é o plural, “contribuíram”. Em D, “junto com” não cria sujeito composto: o verbo fica no singular, “assinou”. Em E, “cada um” pede verbo no singular: “recebeu”.

Dica do professor

Na hora da prova, não leia a frase inteira de uma vez e não confie no ouvido: o ouvido aceita “Haviam vagas” porque a gente ouve isso todo dia, mas a norma culta pede “Havia vagas”. Use sempre o mesmo ritual, em três passos. Primeiro, pergunte “quem?” ou “o que?” antes do verbo e marque o sujeito. Segundo, marque o núcleo do sujeito e ignore o resto: palavras entre vírgulas, expressões com “de” e detalhes do lugar não mandam no verbo. Terceiro, só então escolha a forma do verbo — e, se houver “se”, faça o teste da voz passiva antes de decidir. Esse ritual leva segundos depois de treinado, e evita a maioria dos erros. Para treinar, pegue dez frases de provas anteriores, sublinhe o sujeito de cada uma e só depois confira o verbo: em uma semana, o olhar já muda.

Atenção/cuidado

Cuidado com quatro armadilhas: concordar com a palavra mais próxima do verbo em vez de com o núcleo do sujeito; pluralizar “haver” e “fazer” impessoais; pluralizar o verbo com “se” em verbos transitivos indiretos ou intransitivos; e confundir “existir” com “haver” — “Existem dúvidas” concorda, “Há dúvidas” fica no singular.

Conexão com outras áreas

A concordância verbal se liga à análise sintática, à regência verbal e à interpretação de texto: identificar o sujeito ajuda a entender quem faz o quê em qualquer texto. Na redação, a concordância correta dá clareza e credibilidade, pois o leitor tropeça na forma antes de chegar à ideia quando há erro.