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Realismo

Aprenda sobre Realismo

Começa na França – Madame Bovary – Gustave Flaubert – Ema Bovary ambiciosa perde tudo e morre, sua filha vai trabalhar e ser explorada numa indústria.

– personagem esféricos (mudam durante a trama) e não lineares como no romantismo .

Realismo em Portugal ê 1865 – “A Questão Coimbrã” ou “a Polêmica do bom senso e do bom gosto”.

– entre o romantismo desgastado (Antônio Feliciano de Castilho – defensor do romantismo – criticou Camões) X novidade realista (Antero de Quental – um dos 3 maiores sonetistas – resgata a métrica clássica)

– Conferência no Cassino Lisbonense – foi fechado

– Eça de Queirós – adere ao realismo, acompanha o movimento operário na França: desiludiu-se com a possibilidade de trazer a revolução para Portugal. Fé X materialismo; ideal X real.

Realismo = engajado social e politicamente, análise social – burguesia (Machado de Assis)

Naturalismo = classes sociais, proletariado (palavras fortes, grosseiras)

* Parnasianismo = anti-romântica ( não tem interesse social).

 * REALISMO/NATURALISMO/ PARNASIANISMO

 – Revolução Industrial, materialismo, cientificismo. (2ª metade do séc. XIX ao início do séc.XX), Burguesia como classe dominante. Expansão do capitalismo industrial. Burguesia brasileira querendo imitar moldes europeus, fazem da ciência e do materialismo uma nova religião. Crítica ao cristianismo.

– Positivismo – Auguste Comte; evolucionismo de Darwin e Spencer, Determinismo de Hippolyte Taine.

ê Características: objetivismo, captação e transcrição de sensações nítidas e precisas. DETALHES, Sexualização do amor. Só o presente interessa. Ficção centra-se na crítica social (contra a burguesia, contra o clero, o capitalismo, o obscurantismo), análise psicológica.

– contenção emocional, autor se afasta e torna-se imparcial. Personagens esféricas. Narrativa lenta, detalhista. Clareza, correção gramatical.

– Primeiro a apresentar um panorama completo da vida literária, com todos os gêneros florescendo, imprensa (A Revista Brasileira, A Gazeta Literária, A Semana, etc.)  gerou maturação nacionalista. MODERNIZAÇÃO das cidades, etc. Escritor passa a ser socialmente reconhecido. FUNDAÇÃO DA ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS (1897).

* NATURALISMO- Inaugurado no Brasil com “O mulato” de Aluísio de Azevedo em 1881. França – Émile Zola ê romance experimental, radicalização das características realistas. Análise do comportamento humano à luz da ciência = aspectos intuitivos e biológicos. Temas escabrosos (patologias humanas e sociais – taras, vícios e sedução, etc). Zoomorfização – aproximação de homem animal = homem-besta. Focaliza principalmente as camadas sociais inferiores, o proletariado e os marginalizados. Denuncia os aspectos degradantes, com o propósito de tomada de consciência. Arte engajada, social e politicamente. Peca por não apreender o homem em sua complexidade.

– Portugal ainda possuía formas capitalistas primárias, associadas a sobrevivências feudais. O realismo será importado. Oscilaram entre a posição dos republicanos (maior intervenção social do governo para promover a democratização) e os socialistas utópicos (defensores do modelo de Proudhon (1809-1865) da criação de cooperativas operárias, que se contrapusessem à força de grande capital).

– modelos foram os franceses: Balzac e Stendhal (advindos do Romantismo)Flaubert e Zola – positivistas. Comte – positivismo = espécie de “religião da ciência” já que todos os fatos do mundo físico, social ou espiritual possuem conexões imediatas, mecânicas. Objetivo de democratizar, sobretudo numa perspectiva republicana o poder político e de instituir reformas sociais.

*PARNASIANISMO – livro de poemas Fanfarras  – 1882 – Teófilo Dias.

Questão Coimbra (1865) – identificados com a renovação. Em Lisboa – Castilho era o mentor do grupo de poetas críticos reunidos no mundo do “elogio mútuo” – significava o passado, o pieguismo.

Antero de Quental simbolizava o profeta dos novos tempos.

Antero de Quental (socialista), Teófilo Braga (positivista e republicano) Eça de Queirós, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro e Oliveira Martins (críticos negativistas) formavam o Grupo dos Vencidos da Vida, marcado pelo ceticismo risonho e conformista. Oscilando sempre entre o materialismo e o idealismo, a dúvida e a fé, acometido de uma psicose depressiva, suicidou-se.

Antero de Quental, Camões e Bocage – os três maiores sonetistas da língua portuguesa.

Eça de Queirós:  muito prolixo = escreve muito detalhadamente, cursou Coimbra, NÃO participou da “Questão Coimbrã”. Participou da Conferência do Cassino Liebonense (propostas realistas – 6 dias – adere às idéias)

– Obra: 1ª fase: romances românticos; 2ª fase: técnica realista (análise da vida burguesa tentando desmascarar suas hipocrisia): O Crime do Padre AmaroO Primo Basílio;  3ª fase: reflexões morais:  A Ilustre casa de Ramires; A cidade e as serras.

(Rivalidade entre Machado de Assis e Eça de Queirós).

Cesário Verde (Lisboa  1855-1886) – poesia inovadora, publicada somente em 1887 por seu amigo Silva Pinto “O Livro de Cesário Verde”. Não possui os aspectos místicos e filosóficos de Antero de Quental. Linguagem objetiva e coloquial. Sua grande musa foi a cidade de Lisboa e suas transformações, depois, tuberculoso, elogia e vai para o campo e escreve sobre seus aspectos saudáveis. Poesias de flashes, justaposição. Pessoas transformadas em “bestas” de carga por causa do trabalho. Influenciou Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, heterônimos de Fernando Pessoa.  ê Poesia citadina e campesina. No poema “O Sentimento de um Ocidental” as pessoas são vistas coletivamente, agrupadas pelo seu ofício: “turba”(multidão); “mestres carpinteiros”, “obreiras” (operárias); “varinas”(vendedoras de peixes).

Machado de Assis (RJ – 1839-1908) (nota Tatí: vale a pena conhecer sua peculiar obra, bom para quem gosta de psicologia):  inaugura o Realismo no Brasil com Memórias Póstumas de Brás Cubas em 1881. Origem humilde, autodidata, gago e epilético, mulato e pobre. Duas fases: ê 1ª fase – dita “romântica” – Contos Fluminenses  Histórias da Meia-Noite. Angústia oculta ou patente das personagens, necessidade de status, matrimônio interesseiro, traição, mentira é punida ou desmascarada. ê 2ª fase – realista, inclui os melhores contos: Papéis Avulsos, Histórias sem Data Relíquias da Casa Velha. Em “A Parasita Azul” o enganador triunfa pela primeira vez. Cálculo frio, cinismo, máscara e jogo, especialmente as personagens femininas, status. Começa a cunhar sua fórmula:  a contradição entre parecer e ser, entre a máscara e o desejo, entre a vida pública e os impulsos da vida interior. Shakespeare “Nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que muitas vezes poderíamos obter, por medo de tentar”.

Ficção: A partir de “memórias póstumas” atinge seu ponto mais alto e equilibrado da ficção machadiana: a) ruptura com a narrativa linear (não seguem fio lógico ou cronológico – se aproxima ao impressionismo associativo); b) organização metalingüística do discurso narrativo – interromper para comentar com o leitor. C) Universalismo  (buscou a essência humana na sociedade de seu tempo, pobreza de descrições, quase ausência de paisagens, concentração na análise psicológica e na reflexão filosófica. Esteve acima dos modismos. Flaubert, pai do realismo, defendia o ocultamento do narrador, enquanto Machado se intromete o narrador na narrativa. ArquétiposPessimismo ou negativismo, postura niilista (nihil = nada). Ironia, humor negro. “antes cair das nuvens que de um terceiro andar”.

“Deus, para a felicidade dos homens criou a religião e o amor. Mas o demônio, invejoso do sucesso de Deus, fez com que o homem confundisse a religião com a Igreja, e o amor com o casamento.”      

– pisicologismo (ação e enredo perdem a importância para a caracterização das personagens, acontecimentos interiores minuciosos – daí a narrativa lenta ê microrealismo).

– Machado prima o equilíbrio, disciplina clássica, correção gramatical, pela concisão e economia vocabular.

– Memórias póstumas de Brás Cubas – narra o seu grande projeto: criar o “emplasto  anti-hipocondríaco Brás Cubas”; Dom Casmurro (1899) – romance sobre o adultério, mas nem o adultério é fato certo, é antes a abordagem da vaidade masculina e do vazio das instituições que domina, e do mistério da mulher. – Quincas Borba (1891) – continuação de Memórias póstumas de Brás Cubas., o filósofo-mendigo com o Humanitismo, ganhou herança  e foi morar em Barbacena, adoeceu e foi cuidado por Rubião, um amigo interesseiro, que herdou a fortuna e o cão Quincas Borba, despreparado para a fortuna é enganado pelo casal Sofia e Cristiano Palha, enlouquece “ao vencedor, as batatas”. Satirização de correntes filosóficas da época: Positivismo e Evolucionismo.

– Esaú e Jacó – rivalidade entre irmãos Pedro e Paulo que não tem explicação racional. Seu ódio destruía as pessoas ao redor, nem a morte da mulher amada pelos dois (Flora) nem a da mãe os reconcilia. Nesta obra já aparece o conselheiro Aires.

– Memorial de Aires: (1908) – romance quase projetivo da vida de Assis, em que as personagens são mais bondosas e simples. Projeta sua esposa falecida em D. Carmo, faz alusão à velhice.

PARNASIANISMO – teoria geral

Características: objetividade, descrição de objetos; retorno ao clássico, apuro formal (métrica = sonetos).; Poesia Kitsch (forma sem conteúdo – inócuo = sem sentimento); busca da perfeição formal.

* feita para a burguesia ávida de ostentação intelectual por se sentir inferior à nobreza intelectual e ociosa.

Obs.: apesar de pertencer ao mesmo contexto do Realismo/Naturalismo, a poesia parnasiana não é o mesmo que poesia realista.

– poesia realista era engajada, foi mais forte em Portugal onde quase não existiu Parnasianismo, a poesia Parnasiana foi forte na França e no Brasil, alienada, poetas na torre-de-marfim, quanto mais difíceis as palavras, melhor.

* Parnaso – morada de Apolo, monte para onde o deus da harmonia e equilíbrio fugiu para criar seu mundo ideal, cheio de artistas e musas.

Olavo Bilac – príncipe dos poetas brasileiro = hino da Bandeira (Salve o lindo pendão da esperança…. onde descrevia uma bandeira).

Raimundo Correa, Alberto de Oliveira ( o mais ortodoxo ê obras: Vaso gregosonetos e Poemas, Meridionais, Alma em flor, etc.) e Bilac  formaram a “Trindade Parnasiana” As Poesias, continha uma introdução chamada “profissão de Fé” – espécie de manifesto parnasiano – e 3 partes distintas: Panóplias: poemas descritivos, resgate greco-romano; Via Láctea: 35 sonetos, tematizando o lirismo amoroso platônico, muito Kitsch; Sarças de Fogo: poemas eróticos, centrados na beleza física da mulher e no amor carnal.

1) Olavo Bilac: poeta mais emotivo, menos rigorosamente parnasiano, o “poeta das estrelas”(Via Láctea), poesia cívica (hino da Bandeira) “príncipe dos poetas brasileiros”.

2) Alberto de Oliveira : “poeta das árvores”, 1ª fase foi romântica, mas depois virou parnasiano ortodoxo (leva a risca), só descrição, sem emoção. 3) Raimundo Correia: Mais reflexivo, poeta das “pombas”.

4) Vicente de  Carvalho: mais sentimental.

5) FRANCISCA JÚLIA – Desenvolveu poesia simbolista na segunda fase, 1ª mulher da poesia brasileira.

– NATURALISMO – ê  Aluízio de Azevedo – Maranhão – 1857/1913: obras românticas (fazia para ganhar dinheiro) e obras naturalistas (as melhores, prazer estético). Trabalhou como caricaturista, assim suas personagens eram TIPOS, não há conflitos morais, as pessoas são como são. 1ºlivro – abriu o naturalismo – O Mulato (Raimundo não sabia que era filho de uma negra, achava que sua mãe era a portuguesa branca casada com seu pai, aqui ele ainda é mocinho como no romantismo); ê O Cortiço: A personagem principal é o MEIO, que corrompe as pessoas, aproximação do homem com seu instinto animal, critica o capitalismo selvagem na personagem do português João Romão.

ê  Raul Pompéia: se suicida aos 32 anos com um tiro na cabeça, é pessimista e maníaco-depressivo, escreveu O Ateneu onde mostra a escola como microcosmo da sociedade, ou seja, tudo o que acontece na escola, toda a sacanagem e imoralidade é reflexo da sociedade e também é formadora da sociedade. Tendência homossexual, identifica-se com o narrador Sérgio do livro. Aristarco (aris = os melhores), o diretor representa a elite do poder, capitalista e desumano, ninguém é bom.

 

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