Propostas de redação

[Sem 8] Os desafios para garantir a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital brasileiro

Proposta da Semana 8: um tema sobre a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, entre a conexão cada vez mais precoce, os riscos de abuso, cyberbullying e exposição a conteúdos inadequados, e o novo marco do ECA Digital. A proposta convida a discutir a responsabilidade compartilhada entre famílias, escolas, Estado e plataformas.

Direto ao assunto
  1. Tema de Redação:
  2. Proposta de Redação
  3. INSTRUÇÕES

Tema de Redação:

“Os desafios para garantir a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital brasileiro.”


Texto I — Uma infância conectada cada vez mais cedo

A internet já faz parte da rotina da imensa maioria das crianças e dos adolescentes do país. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% dos brasileiros de 9 a 17 anos acessam a internet, sobretudo pelo celular. O primeiro contato com a rede também está se antecipando: a parcela dos que acessaram a internet pela primeira vez antes dos 6 anos passou de 11%, em 2015, para 23%, em 2024. Ou seja, uma geração inteira está crescendo com a vida digital antes mesmo de saber ler e escrever com fluência — e, muitas vezes, sem acompanhamento adulto constante.


Texto II — Quando a conexão vira risco

A presença precoce na rede amplia a exposição a perigos que nem sempre são visíveis para pais e professores. Em 2024, a SaferNet Brasil recebeu 52.999 novas denúncias de imagens de abuso e exploração sexual infantil na internet; entre janeiro e julho de 2025, foram 49.336 denúncias desse tipo, 64% do total recebido no período e 18,9% a mais do que no mesmo período de 2024. A esses crimes somam-se o cyberbullying, o aliciamento por desconhecidos, a exposição a conteúdos impróprios para a idade e a pressão de algoritmos que prendem a atenção por horas, com efeitos sobre o sono, a autoestima e o desempenho escolar.


Texto III — Proteção integral, também no mundo digital

“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, […] o direito à dignidade, ao respeito e à liberdade.”

O trecho, da Constituição Federal de 1988, resume o princípio da proteção integral, detalhado depois pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, de 1990. O problema é que essas leis nasceram antes das redes sociais, dos jogos on-line e dos aplicativos que hoje ocupam o cotidiano dos mais jovens. Sem regras claras para o ambiente digital, a proteção ficava dependendo quase só da boa vontade das famílias e das empresas — enquanto as plataformas lucravam com a atenção de um público especialmente vulnerável.


Texto IV — Um novo marco e uma responsabilidade compartilhada

A resposta a esse descompasso começou a ganhar forma com o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, a Lei nº 15.211/2025, em vigor desde 17 de março de 2026. A lei estabelece que a proteção é uma responsabilidade compartilhada entre família, sociedade, Estado e plataformas, e exige medidas como verificação de idade confiável — sem se limitar à autodeclaração —, configurações de privacidade mais protetivas por padrão, ferramentas de supervisão parental e a proibição de publicidade direcionada a menores com base em perfilamento, sob fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Para que o marco saia do papel, porém, ele precisa se somar à educação digital nas escolas, ao diálogo dentro de casa e a canais de denúncia acessíveis, como o da SaferNet.


Proposta de Redação

A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, na modalidade formal da língua portuguesa, sobre o tema:

“Os desafios para garantir a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital brasileiro.”

Apresente argumentos consistentes e elabore uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos, indicando agentes, ações, meios e finalidade para enfrentar os problemas decorrentes desse contexto.


INSTRUÇÕES

  • O texto deve ser escrito em prosa dissertativo-argumentativa.
  • Utilize a norma-padrão da língua portuguesa.
  • O texto deve ter no mínimo 7 e no máximo 30 linhas.
  • Dê um título (opcional).
  • Não copie trechos dos textos motivadores.
  • A proposta de intervenção deve ser detalhada, viável e relacionada ao tema, respeitando os direitos humanos.