Sala de estudos

Emprego dos modos e tempos verbais: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Entenda quando usar cada modo e tempo verbal, suas nuances e exceções, com exemplos claros e questões comentadas para o ENEM e os vestibulares.

Estudante animado estilo Pixar diante de um quadro verde com verbos e conjugações em português, como falo, falava, falaria e fale, em sala de aula colorida
Estudante animado estilo Pixar diante de um quadro verde com verbos e conjugações em português, como falo, falava, falaria e fale, em sala de aula colorida
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que são modo e tempo verbal
  3. O modo indicativo: o mundo dos fatos
  4. O modo subjuntivo: o mundo da dúvida, do desejo e da hipótese
  5. O modo imperativo: ordem, pedido, conselho e convite
  6. Os tempos do indicativo, um por um, com nuances
  7. Nuances que mais caem: presente histórico, polidez, hipótese e condição
  8. Correlação verbal: como combinar os tempos sem errar
  9. Tabelas de revisão
  10. Exceções e armadilhas de prova
  11. Mapa mental
  12. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  13. Questões comentadas
  14. Dica do professor
  15. Atenção/cuidado
  16. Conexão com outras áreas
  17. Incidência

Se você já ficou em dúvida entre “se eu fosse” e “se eu era”, entre “faria” e “faría” — calma, a segunda forma nem existe — ou entre “venha” e “vem” em uma ordem, esta matéria é para você. O emprego dos modos e tempos verbais é um dos temas mais cobrados de Língua Portuguesa no ENEM e nos vestibulares, justamente porque ele não testa apenas decoreba de conjugação: ele testa sentido. Saber conjugar é o primeiro passo; saber escolher a forma certa para expressar certeza, dúvida, desejo, ordem, hipótese, polidez ou hábito é o que garante os pontos.

Nesta matéria, você vai aprender, com frases completas e exemplos do dia a dia, o que é modo verbal e o que é tempo verbal, como funcionam o indicativo, o subjuntivo e o imperativo, todos os tempos de cada modo, as nuances que mudam o sentido da frase — como o presente histórico, o futuro do pretérito usado como polidez e o pretérito imperfeito do subjuntivo em condições —, a correlação verbal, as exceções mais cobradas e as armadilhas que as provas adoram. Ao final, há um mapa mental, perguntas curtas com respostas, cinco questões comentadas originais no estilo do ENEM e as dicas que fazem a diferença na hora da prova. Se quiser revisar a estrutura das frases em que esses verbos aparecem, vale ler também a matéria sobre análise sintática de períodos complexos, na sala de estudo do Clique Vestibular.

Resumo rápido

Modo verbal é a atitude do falante diante do fato: certeza, dúvida, desejo, ordem ou possibilidade. Tempo verbal é o momento em que o fato acontece em relação ao momento da fala: antes (passado), agora (presente) ou depois (futuro). Todo verbo conjugado combina um modo e um tempo — por exemplo, em “eu estudava”, o modo é o indicativo e o tempo é o pretérito imperfeito.

  • Indicativo: exprime fatos certos, reais ou dados como certos. Exemplo: “Eu estudo todos os dias.”, “Ela chegou cedo.”, “Nós viajaremos amanhã.”
  • Subjuntivo: exprime dúvida, desejo, hipótese, possibilidade ou condição. Exemplo: “Espero que você estude.”, “Se eu tivesse tempo, viajaria.”, “É preciso que todos participem.”
  • Imperativo: exprime ordem, pedido, conselho, convite ou súplica. Exemplo: “Estude agora.”, “Venha aqui, por favor.”, “Não desista dos seus sonhos.”
  • Presente: o fato acontece no momento da fala ou é habitual, atemporal ou histórico. Exemplo: “Eu moro em São Paulo.”, “A água ferve a cem graus.”, “Em 1889, a República é proclamada.” (presente histórico)
  • Pretérito perfeito: fato passado e concluído. Exemplo: “Eu estudei ontem.”
  • Pretérito imperfeito: fato passado habitual, contínuo ou em andamento, sem marca de conclusão. Exemplo: “Quando eu era criança, brincava na rua.”
  • Pretérito mais-que-perfeito: fato passado anterior a outro fato passado. Exemplo: “Quando cheguei, ele já saíra.” (ou “já tinha saído”)
  • Futuro do presente: fato futuro, certo ou provável. Exemplo: “Amanhã eu estudarei.”, “Será que vai chover?”
  • Futuro do pretérito: fato futuro em relação a um passado, hipótese, condição ou polidez. Exemplo: “Eu disse que viajaria.”, “Se pudesse, eu iria.”, “Você poderia me ajudar?”
  • Imperativo negativo: forma-se com o presente do subjuntivo, não com o imperativo afirmativo. Exemplo: “Não fale alto.”, “Não venham tarde.”
  • Correlação verbal: os tempos das orações combinadas precisam ser coerentes. Exemplo correto: “Se eu estudasse mais, passaria na prova.”; incorreto: “Se eu estudaria mais, passaria na prova.”
  • Como cai na prova: o ENEM raramente pede a conjugação isolada. Ele cobra o valor do tempo e do modo no contexto: por que o autor usou o presente em um texto sobre o passado? Por que o futuro do pretérito soa educado? Qual forma mantém a coerência do período? Por isso, estude sempre o sentido, e não só a tabela.

O que são modo e tempo verbal

Imagine que o verbo é uma câmera. O modo é a lente que o falante escolhe: com a lente do indicativo, o fato aparece nítido, como algo real; com a lente do subjuntivo, o fato aparece embaçado, como algo possível, desejado ou duvidoso; com a lente do imperativo, a câmera vira um comando, uma ordem ou um pedido dirigido a alguém. O tempo, por sua vez, é o relógio da câmera: ele diz se a cena aconteceu antes, está acontecendo agora ou ainda vai acontecer.

Por isso, não adianta decorar que “cantava” é pretérito imperfeito do indicativo se você não perceber o que essa forma faz na frase. Em “Quando eu era criança, cantava no coral da escola”, o imperfeito não marca um fato único e acabado, mas um hábito do passado, algo que se repetia. Já em “Ontem eu cantei no coral da escola”, o perfeito marca um fato pontual e concluído. A diferença entre as duas frases não está só na terminação do verbo, mas no retrato do tempo que cada uma pinta. É exatamente essa sensibilidade que as provas avaliam quando pedem o emprego dos tempos verbais.

Outro ponto fundamental é que modo e tempo andam sempre juntos. Não existe verbo conjugado sem modo e sem tempo (com exceção das formas nominais — infinitivo, gerúndio e particípio —, que não indicam pessoa, modo nem tempo de forma plena). Quando você analisa “estudaria”, precisa dizer: modo indicativo, futuro do pretérito. Quando analisa “estudasse”, precisa dizer: modo subjuntivo, pretérito imperfeito. Essa análise completa evita confusões clássicas, como trocar o futuro do pretérito (“falaria”) pelo pretérito imperfeito do subjuntivo (“falasse”), erro muito comum em períodos condicionais.

Vale também lembrar que a língua falada no dia a dia nem sempre segue a norma culta com rigor, e as provas sabem disso. No Brasil, é comum ouvir “se eu ver” em vez de “se eu vir”, “se eu pôr” em vez de “se eu puser” e “quando eu ir” em vez de “quando eu for”. Na redação e nas questões de gramática, porém, vale a norma culta, e é ela que esta matéria ensina. O segredo é reconhecer a forma coloquial, entender por que ela aparece, e saber substituí-la pela forma adequada ao texto formal. Esse cuidado também melhora a sua escrita, tema ligado à coesão, coerência e concisão do texto.

O modo indicativo: o mundo dos fatos

O modo indicativo é o modo da certeza, da realidade e dos fatos dados como verdadeiros. Quando o falante usa o indicativo, ele apresenta o fato como algo que acontece, aconteceu ou acontecerá de verdade, sem dúvida. Por isso, o indicativo é o modo mais usado na narração de acontecimentos, nas notícias, nos relatos e nas descrições objetivas. Se você lê “O Brasil conquistou a independência em 1822”, o verbo “conquistou” está no indicativo porque o fato é apresentado como real e concluído.

Os tempos do indicativo são seis, e cada um deles tem um valor próprio. O presente do indicativo indica um fato atual (“Eu estudo neste momento”), um hábito (“Eu estudo todos os dias”), uma verdade geral ou atemporal (“A Terra gira em torno do Sol”) e, como veremos, pode até narrar o passado (presente histórico) ou indicar um futuro próximo e certo (“Amanhã eu viajo”). O pretérito perfeito indica um fato passado concluído (“Eu estudei ontem”), enquanto o pretérito imperfeito indica um fato passado habitual ou em andamento (“Eu estudava todos os dias”, “Enquanto eu estudava, minha irmã lia”). O pretérito mais-que-perfeito indica um fato passado anterior a outro fato passado (“Quando o professor chegou, os alunos já tinham saído” — ou, na forma simples, “já saíram” no sentido de “já saíra”).

Os dois futuros do indicativo completam o quadro. O futuro do presente indica um fato que ainda vai acontecer (“Eu estudarei amanhã”, “Nós viajaremos nas férias”) e pode expressar também dúvida ou probabilidade no presente (“Será que ele está em casa?” — aqui, o futuro do presente não fala do futuro, mas de uma suposição sobre o agora). O futuro do pretérito indica um fato futuro em relação a um momento passado (“Ele disse que viajaria na semana seguinte”), uma hipótese ou condição (“Se eu pudesse, viajaria hoje”) e, com grande frequência nas provas, um pedido educado (“Você poderia me ajudar?”, “Eu gostaria de falar com o gerente”). Perceba como um mesmo tempo pode ter vários valores: é o contexto que decide.

Um erro comum é achar que o indicativo só serve para fatos “verdadeiros” no sentido absoluto. Na verdade, o indicativo apresenta o fato como certo do ponto de vista do falante. Em “Eu sei que você vai passar”, o falante apresenta a aprovação como certa, mesmo que ela ainda não tenha acontecido. Em uma narrativa ficcional, o indicativo também apresenta os fatos do mundo da história como reais dentro daquele universo: “O herói lutou contra o dragão e venceu a batalha.” O que importa é a atitude do falante, não a verdade científica da frase.

O modo subjuntivo: o mundo da dúvida, do desejo e da hipótese

O modo subjuntivo é o modo da incerteza, do desejo, da possibilidade, da condição e da hipótese. Ele aparece, na maioria das vezes, em orações subordinadas, depois de conjunções como “que”, “se”, “quando”, “embora”, “para que”, “caso” e “antes que”, ou depois de expressões como “é preciso que”, “é importante que”, “espero que”, “talvez” e “tomara que”. Quando o falante usa o subjuntivo, ele não afirma o fato: ele o deseja, o supõe, o admite como possível ou o coloca sob condição. Compare: “Eu sei que ele vem.” (indicativo, certeza) e “Espero que ele venha.” (subjuntivo, desejo). A mudança de modo muda completamente a atitude do falante.

Os tempos do subjuntivo são três, e a correlação entre eles e os tempos do indicativo é um dos pontos mais cobrados. O presente do subjuntivo indica um fato presente ou futuro, mas incerto ou desejado: “Espero que você passe na prova.”, “É preciso que todos estudem.”, “Talvez ele chegue amanhã.” O pretérito imperfeito do subjuntivo indica um fato passado, presente ou futuro, mas sempre sob condição ou hipótese: “Se eu estudasse mais, passaria.”, “Se eu fosse você, não desistiria.”, “Eu queria que você viesse mais cedo.” O futuro do subjuntivo indica um fato futuro sob condição, geralmente depois de “se” ou “quando”: “Se você estudar, passará.”, “Quando você chegar, me avise.”, “Se ele vier, conversaremos.”

Preste atenção especial ao futuro do subjuntivo, porque ele é uma armadilha clássica. Na fala cotidiana, muita gente diz “se eu ver”, “quando eu ir”, “se ele pôr”, mas as formas corretas na norma culta são “se eu vir”, “quando eu for”, “se ele puser”. O futuro do subjuntivo de verbos irregulares costuma ser o mais esquecido: “vir” (de ver), “for” (de ir e de ser), “puser” (de pôr), “tiver” (de ter), “estiver” (de estar), “disser” (de dizer), “fizer” (de fazer), “souber” (de saber), “quiser” (de querer), “puder” (de poder), “vier” (de vir). Uma dica prática: o futuro do subjuntivo é formado a partir da terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, sem o “-am” final — “eles viram” vira “se eu vir”; “eles foram” vira “quando eu for”; “eles puseram” vira “se eu puser”. Decorar esse truque resolve muitas questões.

Outro uso importante do subjuntivo é nas orações concessivas e finais, em que a ideia de possibilidade é central. Em “Embora chova, sairemos de casa”, o verbo “chova” está no presente do subjuntivo porque a chuva é admitida como possibilidade, não afirmada como fato — mesmo que, na realidade, esteja chovendo, o falante escolhe apresentá-la como uma concessão. Em “Estudo para que eu passe no vestibular”, o verbo “passe” está no presente do subjuntivo porque a aprovação é uma finalidade desejada, não um fato consumado. E em “É importante que você revise a matéria”, o subjuntivo aparece porque a estrutura “é importante que” exige o modo da dúvida e do desejo. Esses padrões se repetem tanto nas provas que vale a pena memorizá-los como blocos: “é preciso que” + subjuntivo, “espero que” + subjuntivo, “talvez” + subjuntivo, “embora” + subjuntivo, “para que” + subjuntivo, “se” + subjuntivo (na hipótese).

O modo imperativo: ordem, pedido, conselho e convite

O modo imperativo é o modo do comando: ele se dirige diretamente a um interlocutor para ordenar, pedir, aconselhar, convidar ou suplicar. Por isso, o imperativo só existe, de forma plena, na segunda pessoa do singular e do plural (tu e vós) e, por extensão, nas formas de tratamento você e vocês, que usam a terceira pessoa. Não faz sentido dar uma ordem a si mesmo em “eu” ou falar de uma ordem para “ele” sem dirigir-se a ele — e é por isso que o imperativo tem um paradigma incompleto, com lacunas preenchidas pelo presente do subjuntivo.

O imperativo afirmativo forma-se, na segunda pessoa do singular, a partir do presente do indicativo sem o “-s” final: “tu cantas” vira “canta tu”; “tu vendes” vira “vende tu”; “tu partes” vira “parte tu”. Nas demais pessoas, ele usa o presente do subjuntivo: “cante você”, “cantemos nós”, “cantai vós” (forma em desuso no Brasil, mas ainda cobrada em teoria), “cantem vocês”. Exemplos do dia a dia: “Estude agora e desligue o celular.”, “Venha aqui, por favor.”, “Vamos revisar a matéria juntos.”, “Falem mais baixo na biblioteca.” Perceba que a mesma forma pode ser uma ordem dura, um pedido educado ou um conselho, dependendo da entonação e do contexto — e é por isso que o imperativo aparece tanto em propagandas, receitas, manuais e campanhas: “Vote com consciência.”, “Misture os ingredientes e leve ao forno.”, “Use cinto de segurança.”

O imperativo negativo é a grande armadilha deste modo, e cai em praticamente todo vestibular. Ele não se forma a partir do imperativo afirmativo, mas a partir do presente do subjuntivo, precedido de “não”. Assim: “Não cantes” (tu), “Não cante” (você), “Não cantemos” (nós), “Não canteis” (vós), “Não cantem” (vocês). Exemplos corretos: “Não fale alto na sala de leitura.”, “Não desista dos seus sonhos.”, “Não venham tarde para a prova.”, “Não se esqueça de revisar o gabarito.” O erro clássico é usar a forma afirmativa com “não”: “Não fala alto.”, “Não vem tarde.”, “Não desiste.” — formas frequentes na fala coloquial, mas incorretas na norma culta e, portanto, erradas nas questões de gramática e na redação formal.

Vale lembrar também que o imperativo pode ser suavizado ou reforçado por outros recursos. Um pedido pode ganhar polidez com “por favor”, com o futuro do pretérito (“Você poderia fechar a porta?”) ou com o próprio subjuntivo (“Que você tenha um bom dia!”). Uma ordem pode ganhar força com o vocativo (“Maria, venha aqui agora!”) ou com a exclamação (“Silêncio!”). E um conselho pode vir disfarçado de imperativo: “Durma bem na véspera da prova.” não é uma ordem autoritária, mas uma recomendação. Nas questões de interpretação, o ENEM costuma explorar exatamente esse valor: o imperativo em um cartaz de campanha não é autoritarismo, mas apelo, convite à ação. A leitura do gênero textual — propaganda, receita, manual, campanha — ajuda a identificar o valor do imperativo em cada caso, algo que também aparece no estudo das funções da linguagem.

Os tempos do indicativo, um por um, com nuances

Vamos aprofundar cada tempo do indicativo, porque as provas cobram menos a nomenclatura e mais o valor que cada tempo assume no texto. O presente do indicativo é o mais versátil de todos. Além do fato atual (“Eu leio este texto agora”) e do hábito (“Eu leio todos os dias”), ele expressa verdades universais (“A água ferve a cem graus ao nível do mar”), fatos atemporais dos textos científicos (“A fotossíntese produz oxigênio”) e, na narração, o chamado presente histórico, em que um fato passado é narrado no presente para dar vivacidade e aproximar o leitor da cena: “Em 1889, Deodoro da Fonseca proclama a República e o Brasil muda para sempre.” O presente também pode indicar um futuro próximo e certo: “Amanhã eu viajo para a casa da minha avó.”, “Semana que vem nós começamos o cursinho.” — aqui, a certeza é tanta que o futuro é tratado como presente.

O pretérito perfeito do indicativo indica um fato passado concluído, com início e fim delimitados: “Ontem eu estudei três horas.”, “Ela terminou o livro na semana passada.”, “Nós chegamos cedo à escola.” Ele pode vir na forma simples (“estudei”, “chegou”) ou composta (“tenho estudado”, “tem chegado”), e a forma composta tem um valor próprio: indica um fato passado que se prolonga até o presente ou que se repete: “Tenho estudado muito neste mês.” não é o mesmo que “Estudei muito neste mês.” — a primeira frase sugere continuidade, a segunda, um fato encerrado. As provas exploram essa diferença, sobretudo em textos jornalísticos e relatos pessoais.

O pretérito imperfeito do indicativo é o tempo do passado em andamento, do hábito e da descrição. Ele aparece em três valores principais: hábito passado (“Quando eu era criança, brincava na rua todos os dias”), ação em andamento interrompida por outra (“Eu estudava quando o telefone tocou” — perceba o contraste com o perfeito “tocou”, que interrompe) e descrição de cenário no passado (“A casa era grande, tinha um jardim florido e ficava perto da escola”). Também é o tempo da cortesia no passado e da lembrança afetiva: “Eu queria falar com você.” soa mais suave que “Eu quero falar com você.”, e “Era uma vez um reino distante…” abre contos com o imperfeito da ambientação. Um erro frequente é trocar o imperfeito pelo perfeito em narrações: “Quando eu era criança, brinquei na rua todos os dias” soa estranho, porque o perfeito marca um fato único, não um hábito repetido.

O pretérito mais-que-perfeito do indicativo indica um fato passado anterior a outro fato passado, ou seja, o “passado do passado”. Na forma simples, ele é pouco usado na fala, mas aparece na literatura e nas provas: “Quando cheguei à estação, o trem já partira.” Na forma composta, ele é muito mais comum: “Quando cheguei à estação, o trem já tinha partido.” As duas formas são equivalentes, e a composta é a preferida no Brasil. Cuidado com um erro clássico: o mais-que-perfeito simples não pode ser substituído pelo imperfeito — “o trem já partia” não significa “o trem já tinha partido”, mas sim que o trem estava em processo de partida. A diferença é sutil, mas as provas a cobram, especialmente em questões de reescrita e de correlação verbal.

O futuro do presente do indicativo indica um fato futuro (“Amanhã eu estudarei para a prova”), mas também pode indicar dúvida ou probabilidade sobre o presente (“Será que ele está em casa agora?”, “Que horas serão?”) e, em textos formais, uma ordem atenuada (“Não fumarás neste local”, no sentido de “não fume”). A forma composta (“vou estudar”, “vai chover”) é a preferida na fala e cada vez mais aceita na escrita informal, mas, na redação formal e nas questões de norma culta, a forma simples (“estudarei”) ainda é a esperada. O futuro do pretérito do indicativo, por fim, indica um fato futuro em relação a um passado (“Ele prometeu que estudaria mais”), uma hipótese ou condição (“Se eu tivesse dinheiro, viajaria pelo mundo”), um desejo polido (“Eu gostaria de uma informação, por favor”) e uma probabilidade sobre o passado (“Ele estaria em casa ontem à noite, mas não tenho certeza”). É o tempo da polidez por excelência: “Você poderia me ajudar?” soa muito mais educado que “Você pode me ajudar?”, e é por isso que ele aparece tanto em cartas, e-mails formais e atendimentos.

Nuances que mais caem: presente histórico, polidez, hipótese e condição

Se há um conjunto de nuances que você precisa dominar para o ENEM, é este. O presente histórico consiste em narrar fatos passados no presente do indicativo para dar vivacidade, dramaticidade e proximidade à narração. Em vez de “Em 1500, Cabral chegou ao Brasil”, o autor escreve “Em 1500, Cabral chega ao Brasil e encontra uma terra desconhecida”. O efeito é cinematográfico: o leitor sente que está assistindo à cena, não lendo um relato distante. As provas pedem, com frequência, que o aluno identifique esse efeito em crônicas, textos históricos e reportagens: o presente não indica atualidade, mas estratégia narrativa. Cuidado para não confundir o presente histórico com erro de concordância temporal — ele é intencional, e o texto inteiro costuma sustentá-lo, com marcadores de passado (“em 1500”, “naquele ano”) convivendo com verbos no presente.

O futuro do pretérito como polidez é outra nuance campeã de questões. Quando alguém diz “Você poderia me emprestar o livro?”, “Eu gostaria de marcar uma consulta.” ou “Seria possível adiar a reunião?”, o futuro do pretérito não fala de um futuro real, mas suaviza o pedido, tornando-o menos direto e mais educado. A mesma lógica vale para o pretérito imperfeito de cortesia: “Eu queria um café, por favor.” soa mais gentil que “Eu quero um café.” As provas exploram esse valor em situações de comunicação formal, em que a escolha do tempo verbal revela a intenção do falante: impor, sugerir, pedir com educação ou ordenar com delicadeza. Em textos argumentativos e cartas, reconhecer a polidez verbal é também reconhecer a estratégia de persuasão do autor.

O futuro do pretérito como hipótese aparece em frases como “Se eu ganhasse na loteria, compraria uma casa na praia.”, “Caso ele viesse, ficaríamos felizes.” e “Se chovesse, não sairíamos de casa.” Aqui, o futuro do pretérito (“compraria”, “ficaríamos”, “sairíamos”) expressa a consequência de uma condição irreal ou improvável, sempre em parceria com o pretérito imperfeito do subjuntivo (“ganhasse”, “viesse”, “chovesse”). Essa parceria é a base da correlação verbal nos períodos condicionais, e é nela que mora a maioria dos erros: trocar “se eu ganhasse” por “se eu ganharia” ou “se eu ganhava” quebra a correlação e invalida a frase na norma culta. A regra de ouro é simples: depois de “se” com valor de hipótese, nunca use o futuro do pretérito nem o futuro do presente — use o imperfeito do subjuntivo para a condição irreal e o futuro do subjuntivo para a condição real ou possível.

O pretérito imperfeito do subjuntivo em condição merece um destaque próprio, porque ele é o tempo da hipótese por excelência. Em “Se eu fosse rico, viajaria o mundo inteiro.”, o verbo “fosse” não indica um fato passado, mas uma condição contrária à realidade presente: eu não sou rico, mas imagino o que faria se fosse. Em “Se eu tivesse estudado mais, teria passado.”, o imperfeito do subjuntivo (“tivesse”) combina-se com o futuro do pretérito composto (“teria passado”) para expressar uma condição irreal no passado, um arrependimento, um “e se” que não se realizou. E em “Eu queria que você estivesse aqui.”, o imperfeito do subjuntivo expressa um desejo não realizado. Perceba como o mesmo tempo pode falar do passado, do presente ou do futuro, dependendo da oração principal com que se combina — e é essa flexibilidade que faz do imperfeito do subjuntivo um dos tempos mais versáteis e mais cobrados da gramática.

Outras nuances importantes incluem o presente do subjuntivo com valor de futuro (“Espero que você passe” fala de um futuro desejado), o pretérito perfeito do subjuntivo (“Espero que você tenha estudado” fala de um passado desejado ou suposto), o futuro do subjuntivo com valor de condição real (“Se você estudar, passará” — a condição é possível, não irreal) e o uso do gerúndio e do infinitivo em locuções verbais (“estou estudando”, “vou estudar”, “preciso estudar”), em que o verbo auxiliar carrega o tempo e o modo, e o verbo principal aparece na forma nominal. Dominar essas nuances é o que separa quem decora tabelas de quem realmente entende o funcionamento da língua — e é exatamente essa diferença que as provas de alto nível avaliam, inclusive nas estratégias argumentativas e na interpretação de texto.

Correlação verbal: como combinar os tempos sem errar

A correlação verbal é a harmonia entre os tempos das orações de um período. Quando duas orações se combinam, os tempos escolhidos precisam ser coerentes entre si, como duas vozes que cantam em harmonia. Se uma voz desafina, o período inteiro soa errado. A correlação mais cobrada é a dos períodos condicionais com “se”, mas ela aparece também em orações subordinadas substantivas, adverbiais temporais e em discursos indiretos. Vamos organizar as combinações mais importantes, porque decorar esses pares resolve a maioria das questões.

Na condição real ou possível, a oração com “se” vai para o futuro do subjuntivo (ou o presente do indicativo, na fala) e a principal vai para o futuro do presente (ou o presente, ou o imperativo): “Se você estudar, passará na prova.”, “Se você estuda, passa na prova.”, “Se você vier, me avise.” Na condição irreal no presente, a oração com “se” vai para o pretérito imperfeito do subjuntivo e a principal vai para o futuro do pretérito: “Se você estudasse mais, passaria na prova.”, “Se eu fosse você, não faria isso.” Na condição irreal no passado, a oração com “se” vai para o pretérito mais-que-perfeito do subjuntivo (ou o imperfeito do subjuntivo, na forma composta) e a principal vai para o futuro do pretérito composto: “Se você tivesse estudado mais, teria passado na prova.”, “Se eu tivesse ido à aula, teria entendido a matéria.” Essas três combinações formam o esqueleto da correlação condicional, e vale a pena treiná-las com frases próprias até que se tornem automáticas.

Outras correlações importantes incluem o discurso indireto e as orações temporais. No discurso indireto, quando passamos uma fala do presente para o passado, os tempos recuam um degrau: o presente vira imperfeito (“Ele disse: ‘Eu estudo muito.’” vira “Ele disse que estudava muito.”), o perfeito vira mais-que-perfeito (“Ele disse: ‘Eu estudei muito.’” vira “Ele disse que tinha estudado muito.”) e o futuro do presente vira futuro do pretérito (“Ele disse: ‘Eu estudarei muito.’” vira “Ele disse que estudaria muito.”). Nas orações temporais, o futuro do subjuntivo aparece depois de “quando” e “assim que” com valor de futuro (“Quando você chegar, me ligue.”, “Assim que ele sair, começaremos a reunião.”), e o imperfeito do subjuntivo aparece em hipóteses temporais (“Quando eu era criança, brincava na rua.” já é indicativo, porque é hábito real, não hipótese — atenção a essa diferença). Por fim, nas orações substantivas, o tempo do subjuntivo acompanha o tempo da principal: “Espero que você passe.” (presente + presente), “Esperava que você passasse.” (passado + imperfeito), “Tinha esperado que você tivesse passado.” (passado anterior + mais-que-perfeito do subjuntivo). Quando a principal está no passado, o subjuntivo também recua — e é esse recuo que as provas mais cobram.

Um erro muito comum, e muito penalizado, é o uso do futuro do pretérito depois de “se” com valor de hipótese: “Se eu teria tempo, viajaria.” está errado; o certo é “Se eu tivesse tempo, viajaria.” Outro erro frequente é misturar tempos incompatíveis em narrações: “Ontem eu fui à escola e estudo muito.” mistura passado e presente sem justificativa, enquanto “Ontem eu fui à escola e estudei muito.” mantém a coerência. E um terceiro erro é o uso do gerúndio em excesso, o chamado “gerundismo” (“Vou estar enviando o documento.” em vez de “Vou enviar o documento.”), que as provas e os manuais de redação condenam. A correlação verbal, no fundo, é uma questão de lógica temporal: pergunte-se sempre “isso aconteceu antes, ao mesmo tempo ou depois daquilo?” e “isso é real, possível ou irreal?” — as respostas guiarão a escolha do tempo e do modo.

Tabelas de revisão

ModoAtitude do falanteQuando usarExemplos
IndicativoCerteza, realidadeFatos dados como reais, narração, notícias, relatos“Eu estudo.”, “Ela chegou.”, “Nós viajaremos.”
SubjuntivoDúvida, desejo, hipótese, possibilidadeDepois de “que”, “se”, “quando”, “embora”, “para que”, “talvez”, “é preciso que”“Espero que você estude.”, “Se eu fosse rico, viajaria.”, “É preciso que todos participem.”
ImperativoOrdem, pedido, conselho, conviteDirigido ao interlocutor, em propagandas, receitas, manuais e campanhas“Estude agora.”, “Venha aqui, por favor.”, “Não desista.”
TempoModoValor principalNuances e usos especiaisExemplo
PresenteIndicativoFato atual ou habitualVerdade universal, presente histórico, futuro próximo e certo“Eu moro aqui.”, “Em 1889, a República é proclamada.”
Pretérito perfeitoIndicativoFato passado concluídoForma composta indica continuidade até o presente“Eu estudei ontem.”, “Tenho estudado muito.”
Pretérito imperfeitoIndicativoHábito ou ação em andamento no passadoDescrição de cenário, cortesia (“Eu queria…”)“Quando eu era criança, brincava na rua.”
Pretérito mais-que-perfeitoIndicativoPassado anterior a outro passadoForma composta (“tinha saído”) é a mais usada no Brasil“Quando cheguei, ele já tinha saído.”
Futuro do presenteIndicativoFato futuroDúvida sobre o presente (“Será que…?”), ordem atenuada“Amanhã eu estudarei.”, “Será que vai chover?”
Futuro do pretéritoIndicativoFuturo em relação ao passadoHipótese, condição e polidez (“Você poderia…?”)“Ele disse que viajaria.”, “Se pudesse, eu iria.”
PresenteSubjuntivoDesejo ou dúvida no presente ou futuroDepois de “espero que”, “é preciso que”, “talvez”“Espero que você passe.”
Pretérito imperfeitoSubjuntivoCondição, hipótese ou desejo irrealParceiro do futuro do pretérito nas condicionais“Se eu estudasse, passaria.”
FuturoSubjuntivoCondição futura real ou possívelDepois de “se” e “quando” com valor de futuro; cuidado com “vir”, “for”, “puser”“Se você estudar, passará.”, “Quando você chegar, me avise.”
Imperativo afirmativoImperativoOrdem, pedido ou conselhoSegunda pessoa vem do presente do indicativo sem o “-s”; demais pessoas usam o subjuntivo“Estude.”, “Venha.”, “Cantemos.”
Imperativo negativoImperativoProibição, pedido negativo ou conselho negativoForma-se com o presente do subjuntivo + “não”; nunca com o afirmativo“Não fale.”, “Não venham.”, “Não desista.”

Exceções e armadilhas de prova

As provas adoram as exceções, porque é nelas que o candidato desatento tropeça. A primeira armadilha é o futuro do subjuntivo de verbos irregulares: “se eu ver” (errado) vira “se eu vir”; “quando eu ir” (errado) vira “quando eu for”; “se ele pôr” (errado) vira “se ele puser”; “quando eu ter” (errado) vira “quando eu tiver”; “se ele dizer” (errado) vira “se ele disser”; “quando eu fazer” (errado) vira “quando eu fizer”; “se eu saber” (errado) vira “se eu souber”. A dica do “eles viram, eles foram, eles puseram” sem o “-am” resolve quase todos os casos, e vale a pena treinar essa lista em voz alta até fixar.

A segunda armadilha é o imperativo negativo, já detalhado, mas que merece repetição: “não fala”, “não vem”, “não vai” são formas coloquiais, não norma culta. Nas questões, a alternativa correta será sempre “não fale”, “não venha”, “não vá”. A terceira armadilha é o “se” + futuro do pretérito: “se eu faria”, “se eu teria”, “se eu iria” são erros graves de correlação. Depois de “se” hipotético, use o imperfeito do subjuntivo (“se eu fizesse”, “se eu tivesse”, “se eu fosse”) ou o futuro do subjuntivo (“se eu fizer”, “se eu tiver”, “se eu for”), conforme a condição seja irreal ou possível. A quarta armadilha é a confusão entre “porque”, “por que”, “porquê” e “por quê” em frases com verbos — tema vizinho, mas que aparece junto em questões de reescrita; lembre-se de que ela não muda o tempo verbal, mas muda a correção da frase inteira.

A quinta armadilha é o uso do infinitivo pessoal em lugar do futuro do subjuntivo: “Para você estudar, precisa de silêncio.” usa o infinitivo pessoal (“estudar”, flexionado para “você”), e não o futuro do subjuntivo — as duas formas coincidem em muitos verbos, mas a análise é diferente. A sexta armadilha é a concordância do verbo com o sujeito em locuções verbais: o verbo auxiliar é que concorda (“Nós vamos estudar.”, “Eles podem sair.”), e o verbo principal fica invariável (“estudar”, “sair”). A sétima armadilha é o gerundismo e o uso excessivo do gerúndio em locuções (“Vou estar verificando.” em vez de “Vou verificar.”). A oitava armadilha é o presente do indicativo com valor de passado em textos jornalísticos: nem todo presente em texto sobre o passado é erro — pode ser presente histórico, intencional e correto. A nona armadilha é a troca entre “haver” e “fazer” impessoais com tempos verbais (“Há dois dias que não estudo.”, “Faz dois dias que não estudo.” — ambos impessoais, sem plural). E a décima armadilha é a forma “faria” com acento indevido: “faria”, “diria”, “poderia” não levam acento, ao contrário de formas como “fará” e “dirá”, do futuro do presente. Pequenos detalhes de acentuação também são cobrados, sobretudo em questões de reescrita.

Por fim, atenção aos verbos defectivos, que não se conjugam em todas as pessoas — como “falir”, “colorir”, “banir”, “demolir” e “adequar” —, e aos verbos abundantes, que têm duas formas de particípio (“aceitado” e “aceito”, “entregado” e “entregue”, “pagado” e “pago”), com a forma regular usada com “ter” e “haver” e a forma irregular usada com “ser” e “estar”. Esses verbos aparecem menos, mas, quando aparecem, costumam valer a questão inteira. Se você dominar as armadilhas desta seção, estará à frente da maioria dos candidatos, porque a prova de Língua Portuguesa premia quem lê com atenção e quem conhece a norma — e não quem apenas decora tabelas sem entender o sentido. Para treinar a leitura atenta que essas questões exigem, revise também as figuras de linguagem e a coesão e coerência, que andam sempre junto com a escolha verbal nos textos do ENEM.

Mesa de estudo estilo Pixar com linha do tempo verbal em português marcando passado, presente e futuro com setas coloridas, cadernos e relógio
Mesa de estudo estilo Pixar com linha do tempo verbal em português marcando passado, presente e futuro com setas coloridas, cadernos e relógio
Estudante animado estilo Pixar escolhendo entre três placas coloridas com os nomes indicativo, subjuntivo e imperativo, em cenário escolar divertido
Estudante animado estilo Pixar escolhendo entre três placas coloridas com os nomes indicativo, subjuntivo e imperativo, em cenário escolar divertido

Mapa mental

  • Modo verbal = atitude do falante
    • Indicativo: certeza, realidade, fato dado como verdadeiro
    • Subjuntivo: dúvida, desejo, hipótese, possibilidade, condição
    • Imperativo: ordem, pedido, conselho, convite, súplica
  • Tempo verbal = momento do fato
    • Passado: pretérito perfeito (concluído), imperfeito (hábito ou em andamento), mais-que-perfeito (passado do passado)
    • Presente: atual, habitual, verdade universal, presente histórico, futuro próximo e certo
    • Futuro: futuro do presente (fato futuro, dúvida sobre o presente), futuro do pretérito (futuro do passado, hipótese, polidez)
  • Indicativo (6 tempos)
    • Presente: estudo, moro, viajo
    • Pretérito perfeito: estudei, morei, viajei
    • Pretérito imperfeito: estudava, morava, viajava
    • Pretérito mais-que-perfeito: estudara / tinha estudado
    • Futuro do presente: estudarei, morarei, viajarei
    • Futuro do pretérito: estudaria, moraria, viajaria
  • Subjuntivo (3 tempos)
    • Presente: que eu estude, que ele venha, que todos participem
    • Pretérito imperfeito: se eu estudasse, se eu fosse, se eu tivesse
    • Futuro: se eu estudar, quando eu for, se ele vier, se eu puser
  • Imperativo
    • Afirmativo: estude, venha, cantemos (2ª pessoa vem do indicativo sem “-s”; demais pessoas usam o subjuntivo)
    • Negativo: não fale, não venha, não cantemos (sempre com o presente do subjuntivo + “não”)
  • Nuances campeãs de prova
    • Presente histórico: passado narrado no presente para dar vivacidade
    • Futuro do pretérito como polidez: “Você poderia me ajudar?”
    • Futuro do pretérito como hipótese: “Se pudesse, eu iria.”
    • Imperfeito do subjuntivo em condição: “Se eu fosse você, não desistiria.”
    • Futuro do subjuntivo: “se eu vir”, “quando eu for”, “se ele puser”
  • Correlação verbal
    • Condição possível: se + futuro do subjuntivo / futuro do presente — “Se você estudar, passará.”
    • Condição irreal no presente: se + imperfeito do subjuntivo / futuro do pretérito — “Se você estudasse, passaria.”
    • Condição irreal no passado: se + mais-que-perfeito do subjuntivo / futuro do pretérito composto — “Se você tivesse estudado, teria passado.”
    • Nunca: “se” hipotético + futuro do pretérito (“se eu faria” está errado)
  • Armadilhas
    • Imperativo negativo com o afirmativo (“não fala” está errado; o certo é “não fale”)
    • Futuro do subjuntivo irregular (“ver” vira “vir”, “ir” vira “for”, “pôr” vira “puser”)
    • Gerundismo (“vou estar enviando” em vez de “vou enviar”)
    • Confundir perfeito (fato único) com imperfeito (hábito ou andamento)

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que é modo verbal?
É a atitude do falante diante do fato: certeza no indicativo, dúvida ou desejo no subjuntivo e ordem ou pedido no imperativo.

2. Qual é a diferença entre “eu estudei” e “eu estudava”?
“Estudei” é pretérito perfeito e indica um fato passado concluído; “estudava” é pretérito imperfeito e indica hábito passado ou ação em andamento, sem marca de conclusão.

3. O que é presente histórico?
É o uso do presente do indicativo para narrar fatos passados, com o objetivo de dar vivacidade e aproximar o leitor da cena, como em “Em 1889, a República é proclamada”.

4. Como se forma o imperativo negativo?
Com o presente do subjuntivo precedido de “não”: “não fale”, “não venha”, “não cantemos”. Nunca com a forma do imperativo afirmativo.

5. Qual é a forma correta: “se eu ver” ou “se eu vir”?
“Se eu vir”, porque depois de “se” com valor de futuro e condição se usa o futuro do subjuntivo, e o futuro do subjuntivo de “ver” é “vir”.

6. Por que “Você poderia me ajudar?” soa mais educado que “Você pode me ajudar?”?
Porque o futuro do pretérito (“poderia”) tem valor de polidez: ele suaviza o pedido, tornando-o menos direto e mais cortês.

7. Qual é a correlação correta para uma condição irreal no presente?
Se + pretérito imperfeito do subjuntivo na condição e futuro do pretérito na consequência: “Se eu estudasse mais, passaria na prova.”

8. O que é pretérito mais-que-perfeito e quando ele é usado?
É o tempo que indica um fato passado anterior a outro fato passado, como em “Quando cheguei, ele já tinha saído” (forma composta, a mais usada) ou “já saíra” (forma simples).

Questões comentadas

Questão 1. Leia o trecho: “Em 1822, o príncipe regente proclama a independência e o Brasil inicia uma nova fase de sua história.” O emprego do presente do indicativo nesse trecho, que narra um fato passado, tem o objetivo de:

A) Indicar que o fato ainda está acontecendo no presente.
B) Dar vivacidade à narração, aproximando o leitor da cena narrada.
C) Expressar dúvida do autor sobre a data da independência.
D) Indicar um hábito do príncipe regente.
E) Transformar a narração em uma ordem ao leitor.

Gabarito: B. Trata-se do presente histórico: o autor usa o presente para narrar um fato passado com mais vivacidade e dramaticidade, como se o leitor assistisse à cena. A alternativa A erra porque o fato não está acontecendo agora; C erra porque não há dúvida, mas certeza narrativa; D erra porque não se trata de hábito; E erra porque não há imperativo nem ordem no trecho.

Questão 2. Assinale a alternativa em que a correlação verbal está de acordo com a norma culta.

A) Se eu teria mais tempo, estudaria todos os dias.
B) Se eu tinha mais tempo, estudaria todos os dias.
C) Se eu tivesse mais tempo, estudaria todos os dias.
D) Se eu tiver mais tempo, estudaria todos os dias.
E) Se eu estudaria mais, passaria na prova.

Gabarito: C. A condição irreal no presente exige o pretérito imperfeito do subjuntivo (“tivesse”) combinado com o futuro do pretérito (“estudaria”). A erra porque o futuro do pretérito (“teria”) nunca aparece depois de “se” hipotético; B erra porque o imperfeito do indicativo (“tinha”) não expressa a hipótese; D mistura condição possível (“tiver”) com consequência irreal (“estudaria”); E repete o erro de A, com o futuro do pretérito depois de “se”.

Questão 3. Em uma campanha de saúde, lê-se o cartaz: “Não deixe de se vacinar. Proteja quem você ama.” O emprego do imperativo nesse cartaz tem o valor predominante de:

A) Ordem autoritária, sem espaço para escolha do leitor.
B) Descrição de um fato passado e concluído.
C) Dúvida sobre a eficácia da vacina.
D) Convite e apelo à ação, com tom de conselho e cuidado.
E) Narração de um hábito do passado.

Gabarito: D. Em campanhas, o imperativo funciona como apelo e convite à ação, com valor de conselho, e não como imposição autoritária. A erra porque ignora o gênero textual e o tom de cuidado; B e E erram porque não há passado no cartaz; C erra porque não há subjuntivo nem dúvida — o texto afirma a importância da vacina.

Questão 4. Assinale a alternativa em que o futuro do subjuntivo está empregado corretamente, segundo a norma culta.

A) Quando eu ver o resultado, te aviso.
B) Se ele pôr o livro na mesa, começamos a aula.
C) Quando eu for à biblioteca, pego o livro que preciso.
D) Se você ir ao cursinho, me leva junto.
E) Quando eu ter tempo, reviso a matéria.

Gabarito: C. O futuro do subjuntivo de “ir” é “for”, e a frase “Quando eu for à biblioteca, pego o livro” está correta. A erra porque o futuro do subjuntivo de “ver” é “vir”, não “ver”; B erra porque o de “pôr” é “puser”, não “pôr”; D erra porque o de “ir” é “for”, não “ir”; E erra porque o de “ter” é “tiver”, não “ter”.

Questão 5. Um estudante escreveu, em um e-mail formal ao professor: “Professor, não fala alto na reunião de amanhã, por favor.” A reescrita adequada à norma culta, mantendo o sentido de pedido, é:

A) Professor, não fale alto na reunião de amanhã, por favor.
B) Professor, não falar alto na reunião de amanhã, por favor.
C) Professor, não falaria alto na reunião de amanhã, por favor.
D) Professor, não falava alto na reunião de amanhã, por favor.
E) Professor, não fosse alto na reunião de amanhã, por favor.

Gabarito: A. O imperativo negativo forma-se com o presente do subjuntivo (“fale”), precedido de “não”. B erra porque usa o infinitivo, que não expressa o pedido direto; C erra porque o futuro do pretérito expressa hipótese ou polidez, não proibição direta; D erra porque o imperfeito do indicativo narra passado, não dá ordem; E erra porque “fosse” é imperfeito do subjuntivo de “ser”, inadequado ao sentido e à regência da frase.

Dica do professor

Treine a correlação condicional em voz alta, com frases sobre a sua própria rotina, até que os pares se tornem automáticos: “Se eu estudar, passarei.” (possível), “Se eu estudasse, passaria.” (irreal no presente), “Se eu tivesse estudado, teria passado.” (irreal no passado). Depois, faça o teste do “eles” para o futuro do subjuntivo: “eles viram” vira “se eu vir”; “eles foram” vira “quando eu for”; “eles puseram” vira “se eu puser”. Por fim, sempre que encontrar um verbo em uma questão, pergunte-se duas coisas antes de marcar a alternativa: “Isso é real, possível ou irreal?” e “Isso aconteceu antes, junto ou depois da outra ação?” As respostas a essas duas perguntas resolvem quase todas as questões de emprego dos modos e tempos verbais. E lembre-se: na sala de estudo há outras matérias de Língua Portuguesa para revisar junto com esta, como a de análise sintática e a de funções da linguagem.

Atenção/cuidado

Não confunda o futuro do pretérito (“falaria”) com o pretérito imperfeito do subjuntivo (“falasse”): o primeiro expressa a consequência, o segundo, a condição. Não use o futuro do pretérito depois de “se” hipotético: “se eu faria” e “se eu teria” estão errados. Não forme o imperativo negativo com a forma afirmativa: “não fala”, “não vem” e “não desiste” são coloquiais, não norma culta. Não troque o futuro do subjuntivo pelo infinitivo ou pelo presente do indicativo em frases formais: “se eu ver”, “quando eu ir” e “se ele pôr” são armadilhas clássicas. E não ignore o contexto: um mesmo tempo pode ter valores diferentes — o presente pode ser histórico, o futuro do pretérito pode ser polidez —, e só o texto inteiro revela o valor correto.

Conexão com outras áreas

O emprego dos modos e tempos verbais conecta-se diretamente com a Redação, porque a escolha do tempo sustenta a argumentação e a coesão do texto: um argumento no presente soa atual, uma hipótese no futuro do pretérito soa ponderada, uma ordem no imperativo soa apelativa. Conecta-se com a Literatura, porque narradores usam o presente histórico, o imperfeito descritivo e o mais-que-perfeito para construir o tempo da narrativa e a atmosfera do enredo. Conecta-se com a História, porque textos históricos alternam passado e presente histórico para aproximar o leitor dos acontecimentos. Conecta-se com a Filosofia e a Sociologia, porque hipóteses e condições — “se a sociedade fosse mais justa, haveria menos desigualdade” — dependem do subjuntivo e do futuro do pretérito para expressar o possível e o desejável. E conecta-se com as línguas estrangeiras, como o espanhol e o inglês, que também distinguem indicativo e subjuntivo, mas com regras próprias — comparar os sistemas ajuda a entender o português com mais clareza.

Incidência

🔥 Quente. O emprego dos modos e tempos verbais é um tema quente no ENEM e nos vestibulares, porque aparece tanto em questões diretas de gramática quanto, de forma indireta, em praticamente todas as questões de interpretação de texto, em que o valor de um tempo ou modo muda o sentido do trecho. Revise as tabelas desta matéria, treine a correlação condicional e faça as questões comentadas sem olhar o gabarito antes de tentar. Para continuar a revisão, explore a sala de estudo, as matérias de Língua Portuguesa e os conteúdos de ENEM e vestibular do Clique Vestibular — e bons estudos!