
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- Antes das funções: os elementos da comunicação
- As seis funções da linguagem
- Quadro-resumo: função, elemento e marcas
- Como reconhecer cada função na prática
- Função predominante, funções secundárias e textos mistos
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado — erros comuns
- Conexão com outras áreas
- Incidência
Você já parou para pensar que nem toda mensagem serve para a mesma coisa? Às vezes falamos para contar um fato, outras vezes para desabafar, para convencer alguém, para enfeitar uma ideia, para manter uma conversa ou para explicar a própria língua. É exatamente isso que as funções da linguagem estudam: o objetivo principal de cada texto, de cada fala, de cada mensagem.
Esse tema aparece com muita frequência no ENEM e nos vestibulares, e costuma vir disfarçado: a questão mostra um anúncio, uma crônica, um poema, um trecho de conversa ou um verbete de dicionário e pergunta qual é a função predominante da linguagem naquele texto. Quem domina o assunto resolve esse tipo de questão em poucos segundos, sem precisar decorar fórmulas complicadas. Basta entender a lógica: cada função destaca um elemento da comunicação.
Nesta matéria, você vai aprender os elementos da comunicação, as seis funções propostas pelo linguista Roman Jakobson, exemplos do dia a dia, a diferença entre função predominante e função secundária, os textos mistos que mais confundem os candidatos e, claro, como tudo isso aparece na prova. No final, há perguntas de autoavaliação, questões comentadas no estilo do ENEM e um mapa mental para revisar tudo de uma vez. Se você também está estudando Língua Portuguesa de forma mais ampla, esta matéria vai se encaixar perfeitamente na sua revisão de Literatura e de interpretação de texto.
Resumo rápido
As funções da linguagem, segundo Roman Jakobson, são seis: emotiva (ou expressiva), conativa (ou apelativa), poética, fática, metalinguística e referencial (ou denotativa). Cada uma delas coloca em destaque um elemento diferente do processo de comunicação: emissor, receptor, mensagem, canal, código e referente, respectivamente.
Em outras palavras: quando o foco está em quem fala e nos sentimentos de quem fala, temos a função emotiva. Quando o foco está em quem ouve, com ordens, pedidos e apelos, temos a função conativa. Quando o foco está na própria mensagem, trabalhada com beleza, ritmo e criatividade, temos a função poética. Quando o foco está em abrir, manter ou encerrar o contato, temos a função fática. Quando a linguagem fala de si mesma, explicando palavras, regras e sentidos, temos a função metalinguística. E quando o foco está no assunto, no fato, na informação objetiva, temos a função referencial.
Um ponto essencial, que resolve muitas questões de prova: um mesmo texto pode ter várias funções ao mesmo tempo. O que a questão pede, quase sempre, é a função predominante, aquela que domina o texto, que dá o tom da mensagem. As outras funções podem aparecer, mas em segundo plano, como funções secundárias. Um anúncio, por exemplo, pode ter uma frase bonita e criativa, com função poética, mas se o objetivo principal é convencer você a comprar algo, a função predominante é a conativa.
Para identificar a função predominante, pergunte-se sempre: o que esse texto quer, acima de tudo? Contar um fato? Expressar um sentimento? Convencer alguém? Enfeitar a mensagem? Manter o contato? Explicar a própria língua? A resposta a essa pergunta aponta diretamente para a função certa. Guarde essa estratégia: ela vale mais do que decorar listas soltas.
Antes das funções: os elementos da comunicação
Não dá para entender as funções da linguagem sem conhecer os elementos da comunicação, porque cada função nasce do destaque dado a um desses elementos. Imagine uma conversa simples: uma pessoa fala, outra escuta, algo é dito, por algum meio, usando uma língua, sobre algum assunto. Cada parte dessa cena é um elemento.
O emissor é quem produz e envia a mensagem. Pode ser uma pessoa, um autor, uma empresa, um jornal. O receptor é quem recebe a mensagem: o leitor, o ouvinte, o público de um anúncio. A mensagem é o conteúdo transmitido, aquilo que foi dito ou escrito. O canal é o meio pelo qual a mensagem circula: a voz, o telefone, a carta, a rede social, o rádio, a televisão. O código é o conjunto de sinais usado para construir a mensagem, como a língua portuguesa, com suas palavras e regras. O referente, também chamado de contexto, é o assunto de que se fala, a realidade a que a mensagem se refere: um fato, um objeto, uma pessoa, uma ideia.
Quando um desses elementos ganha destaque, surge uma função. É como se a mensagem fosse um holofote: ele pode iluminar quem fala, quem ouve, a própria mensagem, o canal, o código ou o assunto. Por isso, o quadro das funções é tão organizado: são seis elementos e seis funções, um par para cada um. Decorando essa correspondência, você já resolve metade das questões do tema.
Veja um exemplo completo: uma amiga manda uma mensagem de voz dizendo “Estou tão feliz com a minha aprovação!”. O emissor é a amiga, o receptor é você, a mensagem é a frase, o canal é o aplicativo de voz, o código é a língua portuguesa e o referente é a aprovação dela. Como o destaque está no sentimento da emissora, a função predominante é a emotiva. Se, em vez disso, ela dissesse “Me liga agora, por favor!”, o destaque passaria para você, o receptor, e a função seria a conativa. O mesmo canal, o mesmo código, funções diferentes: o que muda é o foco.
As seis funções da linguagem
Agora vamos estudar cada função com calma: o que ela é, qual elemento predomina, quais são suas marcas típicas e como ela aparece no ENEM e nos vestibulares. Preste atenção nos exemplos, porque as provas adoram textos curtos do cotidiano: anúncios, bilhetes, conversas, poemas, notícias e verbetes.
1. Função emotiva (expressiva) — foco no emissor
A função emotiva, também chamada de expressiva, tem como centro o emissor: seus sentimentos, suas opiniões, suas emoções e sua visão de mundo. O texto revela o estado de espírito de quem fala ou escreve. É a função do desabafo, da opinião pessoal, da emoção à flor da pele.
As marcas mais comuns da função emotiva são o uso da primeira pessoa (“eu”, “meu”, “minha”, “acho”, “sinto”), as interjeições (“Ah!”, “Nossa!”, “Que maravilha!”), os pontos de exclamação e as palavras com carga afetiva. Um diário pessoal, uma carta apaixonada, um depoimento emocionado e uma crônica em que o autor conta o que sente são exemplos clássicos.
Exemplos: “Nunca me senti tão orgulhoso de mim!”; “Ai, que saudade da minha avó!”; “Eu acredito que esse livro mudou a minha vida.” Em todos eles, o importante não é informar um fato frio, mas mostrar o que o emissor sente ou pensa. Mesmo que haja uma informação no texto, ela vem carregada de emoção.
Como cai na prova: o ENEM costuma apresentar poemas líricos, trechos de memórias, crônicas pessoais e depoimentos, e perguntar qual função predomina. Se o texto estiver cheio de “eu”, de sentimentos e de opiniões pessoais, a resposta é a emotiva. Cuidado com uma armadilha comum: um texto pode falar de um sentimento alheio de forma objetiva, como uma notícia que diz “a população está preocupada”. Nesse caso, o foco não é o sentimento do emissor, mas o fato em si, e a função tende a ser a referencial. A diferença está em quem sente: na emotiva, quem sente é quem fala.
Outro detalhe importante: a função emotiva aparece muito em textos literários, especialmente na poesia lírica, em que o eu poético expressa emoções. Mas ela não é exclusiva da literatura. Um bilhete como “Estou morrendo de saudade de você!” também é emotivo. O que importa é o foco no emissor, não o gênero do texto.
2. Função conativa (apelativa) — foco no receptor
A função conativa, também chamada de apelativa, tem como centro o receptor: o objetivo é influenciar, convencer, persuadir ou provocar uma ação em quem recebe a mensagem. É a função dos pedidos, das ordens, dos conselhos, das propagandas e das campanhas. O texto não quer apenas ser lido: quer que você faça alguma coisa.
As marcas mais comuns são o uso da segunda pessoa (“você”, “tu”), os verbos no imperativo (“Faça”, “Venha”, “Vote”, “Não perca”, “Compre”), as perguntas diretas ao leitor e as frases de apelo. Anúncios publicitários, campanhas de saúde, cartazes eleitorais, manuais de instrução e receitas são exemplos típicos.
Exemplos: “Vote com consciência!”; “Beba água: hidrate-se todos os dias!”; “Não jogue lixo na rua: cuide da sua cidade.” Em todos eles, a mensagem se volta para o receptor e tenta mudar o comportamento dele. Mesmo quando o anúncio é bonito e criativo, se o objetivo final é vender, convencer ou mobilizar, a função predominante é a conativa.
Como cai na prova: essa é uma das funções mais cobradas, porque o ENEM adora anúncios, campanhas e cartazes. A questão mostra um anúncio com uma frase criativa e pergunta a função predominante. Muitos candidatos marcam a poética, por causa da criatividade, e erram. A regra de ouro é: pergunte qual é o objetivo final do texto. Se o objetivo final é convencer o leitor a fazer algo, a função é a conativa, e a criatividade é apenas um recurso a serviço desse objetivo, uma função secundária.
Vale lembrar também que a função conativa pode aparecer de forma mais suave, sem imperativo escancarado. Uma frase como “Você merece esse cuidado” não tem verbo de ordem, mas continua apelando ao receptor, tentando convencê-lo. O apelo pode ser direto ou indireto, mas continua sendo apelo. Fique atento a esse tipo de texto, que as provas usam para testar se você entende a função além das marcas mais óbvias.
3. Função poética — foco na mensagem
A função poética tem como centro a mensagem em si: a forma como ela é construída, sua beleza, seu ritmo, sua sonoridade, sua criatividade. Aqui, o que importa não é só o que se diz, mas como se diz. A linguagem é trabalhada como arte, com figuras de linguagem, rimas, repetições, jogos de palavras e imagens surpreendentes.
As marcas mais comuns são as metáforas, as comparações, as aliterações, as rimas, os trocadilhos e a exploração dos sons e dos sentidos das palavras. Poemas são o exemplo mais evidente, mas a função poética também aparece em letras de música, em slogans criativos, em crônicas literárias e até em manchetes bem elaboradas.
Exemplos: “A noite vestiu seu manto de estrelas.”; “O mar engoliu o sol no fim da tarde.”; “Chove chuva, chove sem parar.” Em todos eles, a mensagem foi elaborada com cuidado estético: há imagem, há ritmo, há escolha especial de palavras. O texto chama a atenção para a sua própria forma.
Como cai na prova: a função poética aparece, sobretudo, em poemas e em textos literários. A questão pode apresentar um poema e perguntar qual função predomina, ou pode apresentar um anúncio com trocadilho e perguntar se a função é poética ou conativa. A diferença, como vimos, está no objetivo final: no poema, o objetivo é a elaboração artística da mensagem; no anúncio, a elaboração artística serve para convencer, e a função predominante é a conativa.
Outro ponto que confunde: nem todo texto bonito é poético no sentido da função. Um texto pode ser bem escrito e, ainda assim, ter função referencial, se o objetivo principal for informar. A função poética exige que a elaboração da mensagem seja o centro, o que dá o tom do texto. Em um poema, a forma é o conteúdo. Em uma notícia bem escrita, a forma ajuda, mas o centro continua sendo o fato.
4. Função fática — foco no canal
A função fática tem como centro o canal, isto é, o contato entre emissor e receptor. Seu objetivo é abrir, manter, verificar ou encerrar a comunicação. É a função do “alô”, do “tudo bem?”, do “você está me ouvindo?”, das saudações e das despedidas. Ela não transmite uma informação nova importante: ela garante que a conversa aconteça.
As marcas mais comuns são as saudações (“Oi!”, “Bom dia!”), as despedidas (“Até logo!”, “Abraços!”), as perguntas de verificação (“Entendeu?”, “Está me ouvindo?”, “Alô? Alô?”), os cumprimentos e as expressões que mantêm o diálogo andando (“né?”, “viu?”, “sabe?”). Conversas telefônicas, cumprimentos, aberturas de discursos e mensagens de “bom dia” em grupo são exemplos típicos.
Exemplos: “Alô? Você está me ouvindo?”; “Oi, tudo bem? Que bom falar com você!”; “Bom dia, pessoal! Antes de começar, quero agradecer a presença de todos.” Em todos eles, a mensagem serve para estabelecer ou manter o contato, não para informar um fato novo ou expressar um grande sentimento.
Como cai na prova: a função fática costuma aparecer em diálogos, em transcrições de conversas, em aberturas de discursos e em textos que simulam uma conversa. A questão pode mostrar um trecho de conversa telefônica cheio de “alô” e “tá me ouvindo?” e perguntar a função. Se o texto serve basicamente para manter o canal aberto, a resposta é a fática.
Uma armadilha frequente: textos fáticos podem conter informações, mas a informação não é o centro. Em “Oi, Maria! Tudo bem? Vim te contar que passei no vestibular!”, a saudação é fática, mas o centro da mensagem passa a ser a informação e a emoção da aprovação. Nesse caso, é preciso olhar para o conjunto do texto: a parte fática é apenas a abertura. Por isso, a análise da função predominante sempre considera o texto inteiro, não uma frase isolada.
5. Função metalinguística — foco no código
A função metalinguística tem como centro o código, ou seja, a própria linguagem. É quando a linguagem fala de si mesma: explica uma palavra, define um termo, comenta uma regra gramatical, analisa um poema ou discute o sentido de uma expressão. O código vira o assunto da mensagem.
As marcas mais comuns são as definições (“A palavra saudade significa…”), as explicações de regras (“O verbo concorda com o sujeito…”), os verbetes de dicionário, as análises de textos, os comentários sobre a língua e as obras que falam de si mesmas, como um poema que fala sobre a poesia.
Exemplos: “Substantivo é a palavra que nomeia os seres.”; “No dicionário, ‘efêmero’ significa aquilo que dura pouco tempo.”; “Neste poema, o autor brinca com o próprio ato de escrever.” Em todos eles, a linguagem está voltada para si mesma, explicando ou comentando o próprio código.
Como cai na prova: a função metalinguística é muito cobrada com verbetes de dicionário, com textos que definem palavras e com poemas que falam da própria poesia. A questão pode mostrar um verbete e perguntar a função: como o texto explica o sentido de uma palavra, usando a língua para falar da língua, a resposta é a metalinguística. Não confunda com a referencial: o verbete não informa um fato do mundo, ele explica um elemento da língua.
Outro exemplo clássico de prova é o poema que fala sobre fazer poesia, ou a crônica que discute o uso de uma gíria. Sempre que o assunto do texto for a própria língua, a própria literatura ou o próprio código, pense na metalinguística. E lembre-se: a metalinguagem não é só de gramática. Um filme que mostra os bastidores de um filme, ou uma música que fala sobre compor músicas, também trabalha com essa ideia, em sentido mais amplo.
6. Função referencial (denotativa) — foco no referente
A função referencial, também chamada de denotativa, tem como centro o referente, isto é, o assunto, o fato, a realidade de que se fala. Seu objetivo é informar de forma clara, objetiva e precisa, sem emoção, sem apelo e sem enfeite. É a função das notícias, dos textos científicos, dos relatórios, dos manuais técnicos e dos textos didáticos.
As marcas mais comuns são a linguagem denotativa, ou seja, as palavras usadas em seu sentido literal, a terceira pessoa, a objetividade, os dados, os números e a ausência de opiniões pessoais. O texto quer que o receptor entenda o fato, e só o fato.
Exemplos: “A prova do ENEM será aplicada em dois domingos de novembro.”; “A água ferve a 100 graus Celsius ao nível do mar.”; “O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes.” Em todos eles, a mensagem informa algo sobre o mundo, de forma direta e verificável.
Como cai na prova: a função referencial é a mais fácil de reconhecer quando o texto é uma notícia ou um texto científico, mas ela também aparece em questões mais sutis. O ENEM pode apresentar um texto informativo e perguntar a função, esperando que você perceba a objetividade e o foco no fato. Cuidado com textos informativos que trazem um tom de opinião: se o autor opina muito, o foco pode passar para o emissor, e a função pode ser a emotiva. A objetividade é a chave da referencial.
Vale lembrar ainda que a função referencial é a base de boa parte dos textos que você lê para estudar, inclusive muitas matérias da sala de estudo. Quando você lê um resumo que explica um conteúdo de forma clara e direta, sem enfeites e sem apelos, está diante, predominantemente, da função referencial. Reconhecer isso ajuda não só na prova de Linguagens, mas também na leitura de qualquer texto de estudo.
Quadro-resumo: função, elemento e marcas
Para revisar de uma vez, veja o quadro abaixo. Ele resume a correspondência entre função, elemento da comunicação e marcas típicas. Vale a pena voltar a ele sempre que bater uma dúvida na hora de resolver questões.
| Função | Elemento em destaque | Objetivo principal | Marcas típicas | Exemplos |
|---|---|---|---|---|
| Emotiva (expressiva) | Emissor | Expressar sentimentos e opiniões | Primeira pessoa, interjeições, exclamações | Diário, depoimento, poema lírico |
| Conativa (apelativa) | Receptor | Convencer e provocar uma ação | Imperativo, segunda pessoa, apelo direto | Anúncio, campanha, cartaz |
| Poética | Mensagem | Elaborar a mensagem com beleza | Figuras de linguagem, ritmo, rimas | Poema, letra de música, slogan criativo |
| Fática | Canal | Abrir, manter ou encerrar o contato | Saudações, “alô”, “tudo bem?” | Conversa telefônica, cumprimento |
| Metalinguística | Código | Falar da própria linguagem | Definições, explicações de regras | Verbete, gramática, poema sobre poesia |
| Referencial (denotativa) | Referente | Informar com objetividade | Linguagem literal, terceira pessoa, dados | Notícia, texto científico, relatório |
Como reconhecer cada função na prática
Na hora da prova, não adianta decorar o quadro se você não souber aplicá-lo. Use o passo a passo a seguir diante de qualquer texto. Primeiro, leia o texto inteiro, sem pressa, e pergunte qual é o objetivo principal dele. Segundo, observe as marcas: há primeira pessoa e emoção? Há imperativo e apelo? Há elaboração artística? Há saudação e verificação de contato? Há definição de palavra ou de regra? Há informação objetiva? Terceiro, elimine as funções que não combinam com o objetivo principal. Quarto, escolha a função que domina o texto, mesmo que outras apareçam em segundo plano.
| Pergunta-guia | Se a resposta for sim, pense em |
|---|---|
| O texto quer, acima de tudo, mostrar o que quem fala sente ou pensa? | Função emotiva |
| O texto quer, acima de tudo, convencer o leitor a fazer algo? | Função conativa |
| O texto chama a atenção, acima de tudo, pela beleza e pela forma da mensagem? | Função poética |
| O texto serve, acima de tudo, para abrir ou manter o contato? | Função fática |
| O texto fala, acima de tudo, da própria língua, de palavras ou de regras? | Função metalinguística |
| O texto informa, acima de tudo, um fato de forma objetiva? | Função referencial |
Função predominante, funções secundárias e textos mistos
Quase nenhum texto real tem uma única função. Um anúncio pode ser criativo (poética) e apelativo (conativa) ao mesmo tempo. Uma crônica pode ser emotiva e poética. Uma conversa pode começar com uma saudação (fática), passar por uma informação (referencial) e terminar com um pedido (conativa). Isso é normal, e as provas sabem disso. Por isso, elas perguntam pela função predominante, e não pela única função do texto.
Para acertar, pese o texto inteiro. Um anúncio com um trocadilho brilhante continua sendo, predominantemente, conativo, porque o trocadilho existe para vender. Um poema que traz uma ordem, como “Ame a vida!”, continua sendo, predominantemente, poético, porque a ordem está a serviço da elaboração artística. Uma notícia que começa com “Bom dia, leitores!” continua sendo, predominantemente, referencial, porque a saudação é apenas a abertura.
Os textos mistos mais cobrados são três. O primeiro é o anúncio criativo: poética como secundária, conativa como predominante. O segundo é o poema com apelo ou com emoção: a poética costuma predominar quando a elaboração artística é o centro, e a emotiva aparece como secundária quando o eu poético expressa sentimentos. O terceiro é o texto informativo com opinião: se a opinião domina, a função pode passar de referencial para emotiva, e é aí que muitos candidatos erram, marcando referencial só porque o texto traz dados.
Uma estratégia útil é comparar o peso de cada parte. Pergunte-se: se eu tirasse a parte criativa, o texto ainda cumpriria seu objetivo? Se eu tirasse o apelo, o anúncio ainda faria sentido? Se eu tirasse a informação, a notícia ainda existiria? A parte que não pode ser tirada sem destruir o objetivo do texto é, geralmente, a função predominante. Treine essa pergunta com anúncios, poemas e notícias do dia a dia, e você vai ganhar velocidade na prova.
Também é importante não confundir o gênero do texto com a função. Poema nem sempre é poético em função predominante, embora seja o caso mais comum. Uma carta pode ser emotiva, conativa ou fática, dependendo do conteúdo. Um anúncio pode ser conativo, mas também pode ser predominantemente poético, se for um anúncio de uma marca que só quer encantar, sem pedir uma ação imediata. O gênero dá uma pista, mas a análise do objetivo é que decide.


Mapa mental
Funções da linguagem (Jakobson) — seis funções, um elemento em destaque em cada uma:
- Emotiva — emissor — sentimentos, opiniões, primeira pessoa.
- Conativa — receptor — apelo, imperativo, convencer a agir.
- Poética — mensagem — beleza, ritmo, figuras de linguagem.
- Fática — canal — contato, saudação, “alô”, “tudo bem?”.
- Metalinguística — código — a língua falando de si mesma, definições.
- Referencial — referente — informação objetiva, linguagem literal.
- Regra de ouro — todo texto pode ter várias funções; a prova pede a predominante.
- Como identificar — pergunte qual é o objetivo principal do texto inteiro.
- Textos mistos — anúncio criativo: conativa predomina, poética é secundária.
SAQ — Perguntas e respostas rápidas
1. O que são as funções da linguagem?
São os diferentes objetivos que uma mensagem pode ter, conforme o elemento da comunicação que ganha destaque: emissor, receptor, mensagem, canal, código ou referente.
2. Quem propôs as seis funções da linguagem?
O linguista Roman Jakobson, que associou cada função a um elemento do processo de comunicação.
3. Qual função predomina em um texto que expressa sentimentos de quem fala?
A função emotiva (expressiva), com foco no emissor, marcada pela primeira pessoa e por interjeições.
4. Qual função predomina em um anúncio que pede para o leitor comprar um produto?
A função conativa (apelativa), com foco no receptor, marcada pelo imperativo e pelo apelo direto.
5. O que caracteriza a função poética?
O destaque dado à própria mensagem, elaborada com beleza, ritmo, figuras de linguagem e criatividade.
6. Quando a função fática aparece?
Quando a mensagem serve para abrir, manter, verificar ou encerrar o contato, como em saudações e em “alô, está me ouvindo?”.
7. O que é a função metalinguística?
É a função em que a linguagem fala de si mesma, como em verbetes de dicionário, definições e explicações de regras da língua.
8. Um texto pode ter mais de uma função ao mesmo tempo?
Sim. Quase todos os textos têm várias funções, mas uma delas predomina. É a função predominante que as provas costumam pedir.
Questões comentadas
Questão 1. Leia o trecho: “Que alegria imensa! Finalmente realizei o meu maior sonho: passei no vestibular dos meus sonhos!”. A função da linguagem predominante no trecho é:
a) Referencial, porque informa um fato.
b) Emotiva, porque expressa o sentimento de quem fala.
c) Conativa, porque convence o leitor.
d) Fática, porque mantém o contato.
e) Metalinguística, porque explica uma palavra.
Gabarito: B. Comentário: o centro do trecho é a emoção da emissora, marcada pela primeira pessoa, pela exclamação e por palavras de sentimento (“alegria imensa”, “meu maior sonho”). Há uma informação, a aprovação, mas ela vem carregada de emoção, e o foco está em quem fala. Por isso, a função predominante é a emotiva, e não a referencial.
Questão 2. Um cartaz de campanha de vacinação traz a frase: “Proteja quem você ama: vacine-se já!”. A função predominante é:
a) Poética, porque a frase é criativa.
b) Emotiva, porque fala de amor.
c) Conativa, porque apela ao leitor para que ele se vacine.
d) Referencial, porque informa sobre a vacina.
e) Fática, porque inicia uma conversa.
Gabarito: C. Comentário: a palavra “amor” poderia confundir, mas o objetivo final do cartaz é provocar uma ação no receptor: vacinar-se. O imperativo “vacine-se” e o apelo direto confirmam a função conativa. A criatividade e o sentimento são secundários, a serviço do apelo.
Questão 3. Leia o verso: “O vento beijou as folhas e a tarde adormeceu em ouro.”. A função predominante é:
a) Referencial, porque descreve a tarde.
b) Conativa, porque convence o leitor.
c) Poética, porque a mensagem é elaborada com imagens e beleza.
d) Fática, porque mantém o contato.
e) Metalinguística, porque define uma palavra.
Gabarito: C. Comentário: o verso usa figuras de linguagem, como a personificação do vento, e elabora a mensagem com cuidado estético. O objetivo não é informar um fato meteorológico, mas criar uma imagem bonita. Por isso, a função predominante é a poética.
Questão 4. Em uma ligação telefônica, uma pessoa diz: “Alô? Alô? Você está me ouvindo bem?”. A função predominante é:
a) Emotiva, porque mostra preocupação.
b) Fática, porque verifica e mantém o canal de comunicação.
c) Referencial, porque informa sobre a ligação.
d) Conativa, porque pede uma resposta.
e) Poética, porque usa repetição.
Gabarito: B. Comentário: a repetição de “alô” e a pergunta “você está me ouvindo?” servem para verificar se o contato está funcionando. Não há informação nova nem apelo principal: o objetivo é manter o canal aberto. Essa é a definição da função fática.
Questão 5. Um verbete traz: “Metáfora: figura de linguagem em que uma palavra é usada em sentido figurado, por comparação implícita.”. A função predominante é:
a) Referencial, porque informa um fato do mundo.
b) Metalinguística, porque usa a língua para explicar um elemento da própria língua.
c) Poética, porque fala de literatura.
d) Emotiva, porque expressa uma opinião.
e) Conativa, porque ensina o leitor.
Gabarito: B. Comentário: o verbete não informa um fato externo, mas define um termo da língua usando a própria língua. Quando o código vira o assunto da mensagem, a função é a metalinguística. Ensinar, aqui, é apenas o contexto, não a função predominante.
Questão 6. Leia a notícia: “A taxa de desemprego caiu para 7,8% no último trimestre, segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira.”. A função predominante é:
a) Emotiva, porque trata de um tema sensível.
b) Conativa, porque convence o leitor.
c) Poética, porque o texto é bem escrito.
d) Referencial, porque informa um fato com objetividade.
e) Fática, porque inicia a leitura.
Gabarito: D. Comentário: o texto usa linguagem literal, terceira pessoa e dados objetivos, sem opinião pessoal, sem apelo e sem elaboração artística. O foco está no referente, no fato informado. Por isso, a função predominante é a referencial. Um texto bem escrito nem sempre é poético: o que decide é o objetivo principal.
Dica do professor
Na hora da prova, não leia só a alternativa: leia o texto inteiro e faça a pergunta de ouro — “o que esse texto quer, acima de tudo?”. Se a resposta for “mostrar o que quem fala sente”, marque emotiva. Se for “convencer o leitor a fazer algo”, marque conativa. Se for “encantar pela forma”, marque poética. Se for “manter o contato”, marque fática. Se for “explicar a própria língua”, marque metalinguística. Se for “informar um fato”, marque referencial. Treine essa pergunta com anúncios, poemas, notícias e conversas do dia a dia, e o tema vai ficar automático. E lembre-se: a função predominante é decidida pelo texto inteiro, nunca por uma palavra isolada.
Atenção/cuidado — erros comuns
O erro mais comum é confundir a função poética com a conativa em anúncios criativos: se o objetivo final é vender ou convencer, a função predominante é a conativa, mesmo com trocadilho bonito. Outro erro frequente é marcar referencial em qualquer texto que traga uma informação, mesmo quando a emoção ou a opinião do autor domina o texto. Também é comum confundir metalinguística com referencial em verbetes: o verbete explica a língua, e não um fato do mundo. Por fim, não confunda gênero com função: poema costuma ser poético, mas o que decide é sempre o objetivo principal do texto, analisado como um todo.
Conexão com outras áreas
As funções da linguagem se conectam com a interpretação de texto, com a análise de gêneros textuais e com a Redação: saber qual função predomina ajuda a entender a intenção do autor e a escrever textos mais adequados ao objetivo. O tema também dialoga com a Literatura, especialmente na leitura de poemas, e com a análise de propagandas e campanhas, que aparecem tanto em Linguagens quanto em debates sobre mídia e sociedade. Para treinar, vale revisar também as Redações Nota Mil e as Dicas de estudo do portal, que ajudam a transformar esse conteúdo em pontos na prova.
Incidência
Incidência: 🔥 Quente. As funções da linguagem são um dos temas mais recorrentes de Linguagens no ENEM e nos vestibulares, aparecendo com frequência em questões de interpretação, quase sempre a partir de textos curtos do cotidiano, como anúncios, poemas, conversas e verbetes. Dominar as seis funções e a ideia de função predominante é um dos investimentos com melhor retorno para a prova.



