
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- Sílaba tônica e classificação das palavras
- Regras de acentuação das oxítonas
- Regras de acentuação das paroxítonas
- Regras de acentuação das proparoxítonas
- Monossílabos tônicos
- Hiato: o i e o u tônicos
- Ditongos abertos: o que o Novo Acordo mudou
- Acento diferencial: os pares que sobrevivem
- Mudanças do Novo Acordo Ortográfico
- Armadilhas mais cobradas nas provas
- Tabela de revisão
- Mapa mental
- SAQ — perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
“Você pôde vir ontem?” ou “Você pode vir amanhã?” A diferença entre essas duas frases está em um único acento — e ela muda completamente o tempo verbal. É por isso que a acentuação cai tanto no ENEM e nos vestibulares: ela não é um detalhe de enfeite, mas um sinal que muda o sentido, a pronúncia e até a classe gramatical das palavras. Quem domina as regras de acentuação lê melhor, escreve melhor e ganha pontos preciosos em questões de ortografia, de interpretação e de análise linguística.
A boa notícia é que a acentuação gráfica do português segue regras claras, e não uma lista infinita de exceções para decorar. Tudo começa por uma pergunta simples: onde está a sílaba tônica, a sílaba mais forte da palavra? A partir da resposta, quase todo o resto se encaixa. Neste artigo, você vai aprender a classificar as palavras, aplicar cada regra com segurança, entender o que o Novo Acordo Ortográfico mudou e escapar das armadilhas que mais aparecem nas provas.
Resumo rápido
Toda palavra tem uma sílaba tônica, que é a sílaba pronunciada com mais força. Conforme a posição dessa sílaba, a palavra pode ser oxítona (última sílaba tônica, como café), paroxítona (penúltima sílaba tônica, como livro) ou proparoxítona (antepenúltima sílaba tônica, como lâmpada). As proparoxítonas são sempre acentuadas. As oxítonas recebem acento quando terminam em a, e, o, em ou ens. As paroxítonas recebem acento quando terminam em i, u, r, l, n, x, ps, ã, ão, um, on ou ditongo — nunca quando terminam em a, e, o, em ou ens.
Além dessas regras gerais, existem regras especiais: os monossílabos tônicos terminados em a, e e o são acentuados (pá, pé, pó); o i e o u tônicos em hiato, sozinhos na sílaba, recebem acento (saída, saúde); e o acento diferencial sobrevive em poucos pares, como pôde e pode, pôr e por, têm e tem, vêm e vem. O Novo Acordo Ortográfico eliminou o acento de ditongos abertos (ideia, voo, heroico), do u tônico depois de g ou q (averigue) e de vários acentos diferenciais (pelo, para, pera). Se você guardar essa lógica, a maioria das questões se resolve sem decoreba.
Sílaba tônica e classificação das palavras
Antes de qualquer regra, é preciso treinar o ouvido. Diga as palavras em voz alta e perceba qual sílaba sai mais forte: em ca-FÉ, a força está na última sílaba; em LI-vro, na penúltima; em LÂM-pa-da, na antepenúltima. Essa sílaba mais forte é a sílaba tônica. As demais são átonas, pronunciadas com menos intensidade.
A classificação depende só da posição da sílaba tônica. As oxítonas têm a última sílaba tônica: café, cipó, armazém, robô. As paroxítonas têm a penúltima sílaba tônica: livro, mesa, táxi, caráter. As proparoxítonas têm a antepenúltima sílaba tônica: lâmpada, médico, árvore, sílaba. Repare que a grafia ajuda: em lâmpada, o acento circunflexo já marca a sílaba tônica, mas em livro não há acento nenhum — e nem por isso a palavra deixa de ser paroxítona.
Um erro comum é confundir sílaba tônica com sílaba acentuada. Nem toda sílaba tônica leva acento gráfico. Em mesa, a sílaba tônica é me, mas não há acento escrito, porque a regra das paroxítonas não exige acento para palavras terminadas em vogal a. Já em árvore, a sílaba tônica ár leva acento porque a palavra é proparoxítona — e toda proparoxítona é acentuada, como você verá adiante. A lição é simples: primeiro classifique a palavra pela posição da tônica; só depois aplique a regra do grupo.
Para fixar, treine com pares que só se diferenciam pela tonicidade: sábia (proparoxítona, mulher que sabe muito), sabia (paroxítona, verbo saber no passado) e sabiá (oxítona, o pássaro). O mesmo som, três palavras diferentes — e o acento é o que as distingue na escrita. Esse tipo de trio é um clássico das provas.
Regras de acentuação das oxítonas
As oxítonas são acentuadas quando terminam em a, e, o, em ou ens. Exemplos: sofá, café, cipó, armazém, parabéns. O acento pode ser agudo, quando a vogal é aberta (café, sofá), ou circunflexo, quando a vogal é fechada (robô, português). Se a oxítona termina em outra letra — consoante diferente de m, por exemplo —, ela não leva acento: amar, papel, ruim, nariz, cateter.
Cuidado com as oxítonas terminadas em i e u: elas não entram nessa regra geral. Açaí, urubu e tatu não levam acento por serem oxítonas, e sim pela regra do hiato, que você verá adiante — no caso de açaí, o i tônico forma hiato com o a anterior. Já urubu e tatu não levam acento algum, porque o u final não está em hiato isolado na sílaba. Essa distinção rende questões traiçoeiras.
As formas verbais também seguem a regra: está, irá, comprará, vendê-lo. E atenção aos plurais: café vira cafés, armazém vira armazéns — o acento se mantém, porque a terminação continua sendo e ou ens. O mesmo vale para parabéns, reféns e alguém. Se a palavra era oxítona acentuada no singular, quase sempre continua acentuada no plural.
Regras de acentuação das paroxítonas
As paroxítonas são o grupo mais numeroso — e o mais cobrado. A lógica é inversa à das oxítonas: como a maioria das palavras do português é paroxítona terminada em vogal, a regra só acentua as paroxítonas com terminações menos comuns. São acentuadas as paroxítonas terminadas em: i ou is (táxi, lápis), u ou us (vírus, bônus), r (caráter, açúcar), l (fácil, amável), n (hífen, pólen), x (tórax, fênix), ps (bíceps, fórceps), ã, ão ou ãos (órfão, órgão, órgãos), um ou uns (álbum, álbuns), on ou ons (próton, prótons) e ditongo (série, língua, tênue, água).
Na prática, o truque para a prova é o seguinte: se a paroxítona termina em a, e, o, em ou ens, ela NÃO leva acento — mesa, livro, ontem, jovem, ordens. Qualquer outra terminação, em geral, pede acento. Essa regra de bolso resolve a maioria das questões. E atenção ao plural, que pode mudar a classificação: caráter vira caracteres e perde o acento, porque passa a terminar em es; hífen vira hifens e também perde o acento, porque passa a terminar em ens. Já órgão vira órgãos e álbum vira álbuns, mantendo o acento, porque continuam em terminações acentuadas. Quando a questão traz o plural, refaça a classificação do zero, sem confiar no singular.
Outros exemplos que caem muito: fácil, difícil, útil, amável, responsável, tórax, látex, vírus, bônus, ônibus, lápis, tênis, júri, táxi. Repare que ônibus é paroxítona terminada em us, e por isso leva acento, mesmo sendo uma palavra do dia a dia. E grátis, lápis e íris seguem a mesma lógica.
Regras de acentuação das proparoxítonas
Esta é a regra mais simples de todas: TODAS as proparoxítonas são acentuadas, sem exceção. Exemplos: lâmpada, médico, sílaba, árvore, cômico, trágico, péssimo, ótimo, prático, relâmpago, hipótese, análise, síntese, ênfase e prótese. Em análise (a-ná-li-se), a tônica é ná, a antepenúltima sílaba — por isso a palavra é proparoxítona e leva acento.
As proparoxítonas aparentes também caem nas provas. São palavras que parecem paroxítonas, mas são proparoxítonas por causa de um ditongo crescente no final: história (his-TÓ-ria), área, exíguo e contínuo. Na divisão silábica, his-tó-ri-a tem quatro sílabas, e a tônica é tó, a antepenúltima — por isso história é proparoxítona aparente e leva acento. O macete: se a palavra termina em vogal seguida de a ou o átono (ia, ea, io, eo), desconfie de que ela seja proparoxítona aparente.
Monossílabos tônicos
Monossílabo é a palavra de uma só sílaba. Os monossílabos átonos, como de, se, me, que e o (artigo), nunca levam acento, porque são pronunciados sem força, grudados na palavra seguinte. Já os monossílabos tônicos, pronunciados com força própria, são acentuados quando terminam em a, e ou o ou em ditongo: pá, pé, pó, já, lá, só, dó, nó, fé, céu, véu, réu, mau, lei, boi. Já mar, sol, flor, paz e luz são monossílabos tônicos, mas terminam em consoante, e por isso não levam acento.
O acento dos monossílabos também serve para diferenciar palavras homônimas. Pôr (verbo) e por (preposição) são o exemplo mais famoso, e você o verá de novo na seção do acento diferencial. Outro par: dê (verbo dar) e de (preposição), vêm (verbo vir, plural) e vem (singular). Nesses casos, o acento não segue só a regra do monossílabo: ele carrega informação gramatical.
Para entender melhor como as palavras se organizam em classes e funções, vale revisar o artigo sobre classes gramaticais, que mostra o papel de cada palavra na frase, e o artigo sobre pronomes pessoais, cheio de monossílabos átonos e tônicos em uso real.
Hiato: o i e o u tônicos
Hiato é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes: em sa-í-da, o a e o i ficam em sílabas separadas. A regra diz: o i e o u tônicos, quando formam hiato com a vogal anterior e estão sozinhos na sílaba (ou seguidos apenas de s), recebem acento agudo. Exemplos: saída, saúde, baú, ruína, juízo, faísca, país, egoísta, graúdo.
Mas há duas condições que tiram o acento. Primeira: se o i ou o u estiver seguido de consoante diferente de s, não há acento — raiz, ruim, cair, contribuir. Em raiz, o i é tônico e está em hiato, mas vem seguido de z, então nada de acento. Segunda: se o i ou o u vier depois de ditongo, não há acento — feiura e baiuca não levam acento, porque o i e o u tônicos vêm após um ditongo (ei, ai). O Novo Acordo manteve essa regra, e ela cai bastante em questões do tipo “assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretamente acentuadas”.
Ditongos abertos: o que o Novo Acordo mudou
Antes do Novo Acordo Ortográfico, os ditongos abertos éi, éu e ói em palavras paroxítonas levavam acento agudo: idéia, jibóia, heróico, assembléia, platéia, tróia. Com o Acordo, esse acento foi eliminado: hoje se escreve ideia, jiboia, heroico, plateia, troia, voo, zoo, leem, creem.
Atenção: o acento só sumiu nas paroxítonas. Nas oxítonas, o ditongo aberto continua acentuado: herói, papéis, fiéis, céu, réu, chapéu, troféu. A diferença é a tonicidade: he-RÓI é oxítona, e por isso mantém o acento; i-DEIA é paroxítona, e por isso o perdeu. Essa é uma das pegadinhas mais clássicas do ENEM: a alternativa traz idéia com acento, parecendo certa para quem aprendeu a grafia antiga, mas a forma atual é ideia.
Acento diferencial: os pares que sobrevivem
O acento diferencial é aquele que distingue duas palavras de grafia parecida, mas de sentido ou de função diferentes. O Novo Acordo eliminou a maioria deles: hoje se escreve pelo tanto para o substantivo (o pelo do cachorro) quanto para a contração de por + o; para tanto para o verbo parar quanto para a preposição; pera tanto para a fruta quanto para a preposição antiga; polo tanto para o esporte quanto para o extremo geográfico. O contexto é que resolve o sentido, e a prova cobra isso: escrever pêlo ou pára hoje é erro de ortografia.
Mas alguns acentos diferenciais sobreviveram, e são exatamente os que as provas mais cobram. Veja a lista completa dos que restam:
- Pôde (pretérito perfeito de poder) e pode (presente): “Ontem ele pôde sair, hoje ele pode sair de novo.”
- Pôr (verbo) e por (preposição): “Vou pôr o livro por cima da mesa.”
- Tem (singular) e têm (plural): “Ele tem um livro; eles têm dois livros.”
- Vem (singular) e vêm (plural): “Ela vem hoje; elas vêm amanhã.”
- Detém, contém, mantém (singular) e detêm, contêm, mantêm (plural), seguindo a mesma lógica de tem/têm.
- Forma (substantivo ou verbo formar) e fôrma (molde, forma de bolo): o acento em fôrma é facultativo, mas ainda aceito para distinguir do verbo.
O par tem/têm merece atenção redobrada, porque é o erro mais comum em redações e em questões objetivas. A regra é simples: se o sujeito é singular, tem sem acento; se é plural, têm com circunflexo. “Os alunos têm dúvidas” (plural), “O aluno tem dúvida” (singular). E o mesmo vale para os derivados: “O contrato contém uma cláusula; os contratos contêm várias cláusulas.” Quando a questão pede para corrigir a concordância, quase sempre é esse acento que entrega a resposta.
Também continua valendo o acento de pôr, o verbo, que o distingue da preposição por. E há ainda o par dê/de: o verbo dar no presente do subjuntivo é dê (“Espero que ele me dê o livro”), com acento, para distingui-lo da preposição de.
Mudanças do Novo Acordo Ortográfico
O Novo Acordo Ortográfico, em vigor no Brasil desde 2009, com período de transição até 2016, mudou a acentuação em quatro pontos principais, além do fim dos acentos diferenciais que você já viu. Vale revisar cada um, porque as provas cobram a grafia atual, não a que seus pais aprenderam na escola.
Primeiro: fim do acento nos ditongos abertos éi e ói das paroxítonas, como já vimos — ideia, jiboia, heroico, plateia, assembleia.
Segundo: fim do acento no i e no u tônicos depois de ditongo — feiura, baiuca, bocaiuva — e fim do acento no u tônico precedido de g ou q seguido de e ou i: averigue, argui, oblique. Antes se escrevia feiúra e averigúe; hoje, sem acento.
Terceiro: fim do acento circunflexo nas vogais dobradas — voo, zoo, leem, veem, creem, preveem — e fim do acento no u tônico de formas verbais como apazigue (antes, apazigúe).
Para aprofundar a formação das palavras e entender por que certas terminações se comportam de um jeito e não de outro, vale ler o artigo sobre formação de palavras e revisar a análise das frases no artigo sobre análise sintática, que ajuda a identificar sujeito singular e plural — o segredo do par tem/têm.
Armadilhas mais cobradas nas provas
As bancas adoram as mesmas armadilhas, ano após ano. A primeira é a grafia antiga: alternativas com idéia, vôo, pêlo, pára e heróico parecem certas para quem não atualizou a ortografia, mas estão erradas pela grafia atual. Sempre que vir um acento em ditongo aberto de paroxítona, desconfie.
A segunda armadilha é o par tem/têm e vem/vêm com sujeito distante do verbo. O exemplo clássico é: “Os documentos que o aluno entregou têm erros” — o verbo têm concorda com documentos, não com aluno, que está no meio da frase. Para acertar, pergunte: quem tem? Os documentos. Plural, logo têm.
A terceira armadilha é o hiato falso: palavras como rainha, feira e caixa não levam acento. Em feira e caixa, o i forma ditongo, não hiato; em rainha, o i está sozinho na sílaba (ra-i-nha), mas é átono, sem força — e o acento do hiato só vale para i e u TÔNICOS. Já saída, ruína e juízo levam acento, porque o i é tônico e está sozinho na sílaba.
A quarta armadilha é a proparoxítona aparente: história, área, língua e exíguo levam acento, mesmo parecendo paroxítonas. E a quinta é o plural que muda a regra: caráter vira caracteres sem acento, hífen vira hifens sem acento, mas órgão vira órgãos com acento. Quando a questão traz o plural, refaça a classificação do zero, sem confiar no singular.
Por fim, cuidado com as palavras que mudam de sentido com o acento: sábia/sabia/sabiá, pôde/pode, pôr/por, tem/têm e análise/analise (o substantivo análise leva acento; a forma verbal analise, do subjuntivo, não leva). Ler a frase inteira, e não só a palavra isolada, é o que separa quem acerta de quem cai na armadilha.
Tabela de revisão
| Grupo | Regra | Exemplos |
|---|---|---|
| Oxítonas | Acento se terminam em a, e, o, em, ens | sofá, café, cipó, armazém, parabéns |
| Paroxítonas | Acento se terminam em i, u, r, l, n, x, ps, ã, ão, um, on ou ditongo | táxi, vírus, caráter, fácil, hífen, tórax, bíceps, órfão, órgão, álbum, próton, história |
| Proparoxítonas | Sempre acentuadas | lâmpada, médico, sílaba, cômico, hipótese |
| Monossílabos tônicos | Acento se terminam em a, e, o ou ditongo | pá, pé, pó, já, só, fé, céu, véu |
| Hiato | Acento no i e no u tônicos sozinhos na sílaba | saída, saúde, baú, ruína, juízo, país |
| Antes do Acordo | Depois do Acordo | Regra |
|---|---|---|
| idéia, jibóia, heróico | ideia, jiboia, heroico | Ditongo aberto em paroxítona perdeu o acento |
| vôo, lêem, vêem | voo, leem, veem | Vogal dobrada perdeu o circunflexo |
| pêlo, pára, pêra | pelo, para, pera | Acento diferencial eliminado |
| feiúra, averigúe | feiura, averigue | U tônico após ditongo ou após g/q perdeu o acento |
| pôde, pôr, têm, vêm | pôde, pôr, têm, vêm (mantidos) | Acentos diferenciais que sobrevivem |


Mapa mental
- Acentuação gráfica
- Sílaba tônica
- Oxítona: última sílaba (café, sofá)
- Paroxítona: penúltima sílaba (livro, mesa)
- Proparoxítona: antepenúltima sílaba (lâmpada, médico)
- Regras gerais
- Oxítonas: acento em a, e, o, em, ens
- Paroxítonas: acento nas terminações menos comuns (r, l, n, x, ps, i, u, ditongo, ã, ão, um, on)
- Proparoxítonas: sempre acentuadas
- Regras especiais
- Monossílabos tônicos: pá, pé, pó, já, só, fé
- Hiato: i e u tônicos sozinhos na sílaba (saída, saúde)
- Acento diferencial: pôde/pode, pôr/por, tem/têm, vem/vêm
- Novo Acordo Ortográfico
- Perderam o acento: ideia, jiboia, heroico, voo, leem, pelo, para, feiura, averigue
- Mantiveram o acento: herói, papéis, saída, saúde, pôde, têm, lâmpada
- Armadilhas de prova
- Grafia antiga (idéia, vôo)
- Sujeito distante do verbo (tem/têm)
- Hiato falso (rainha, feira, caixa)
- Proparoxítona aparente (história, área)
- Plural que muda a regra (caráter/caracteres)
- Sílaba tônica
SAQ — perguntas e respostas rápidas
1. O que é sílaba tônica? É a sílaba pronunciada com mais força em uma palavra, como fé em café.
2. Toda proparoxítona é acentuada? Sim, sem exceção: lâmpada, médico, sílaba sempre levam acento.
3. Quando a oxítona leva acento? Quando termina em a, e, o, em ou ens: sofá, café, armazém.
4. Quando a paroxítona leva acento? Quando termina em i, u, r, l, n, x, ps, ã, ão, um, on ou ditongo — nunca quando termina em a, e, o, em ou ens.
5. Qual é a diferença entre pôde e pode? Pôde é o passado do verbo poder (“ontem ele pôde”); pode é o presente (“hoje ele pode”).
6. Qual é a diferença entre tem e têm? Tem é singular (“ele tem”); têm é plural (“eles têm”).
7. Por que ideia não tem mais acento? Porque o Novo Acordo eliminou o acento dos ditongos abertos éi e ói nas paroxítonas; herói, que é oxítona, mantém o acento.
8. Por que saída tem acento e rainha não? Porque em saída o i é tônico e está sozinho na sílaba (hiato); em rainha, o i é átono, sem força.
Questões comentadas
Questão 1. Assinale a alternativa em que todas as palavras estão corretamente acentuadas, segundo o Novo Acordo Ortográfico.
A) idéia, vôo, heróico
B) ideia, voo, heroico
C) idéia, voo, heroico
D) ideia, vôo, heróico
E) idêia, voo, heróico
Gabarito: B. Comentário: Ideia, voo e heroico perderam o acento com o Novo Acordo: ideia e heroico são paroxítonas com ditongo aberto, e voo tinha vogal dobrada com circunflexo. As alternativas A, C, D e E mantêm pelo menos uma grafia antiga, e por isso estão erradas. A alternativa E ainda inventa um acento circunflexo em idêia, que nunca existiu.
Questão 2. Em “Os relatórios que a comissão entregou ___ erros graves”, a forma correta do verbo ter é:
A) tem, porque o sujeito é “a comissão”
B) têm, porque o sujeito é “os relatórios”
C) tem, porque o verbo concorda com o termo mais próximo
D) têm, porque todo verbo no plural leva circunflexo
E) tem, porque “relatórios” está no plural, mas o verbo fica no singular
Gabarito: B. Comentário: O sujeito de ter é “os relatórios”, que é plural, logo a forma é têm, com circunflexo. A alternativa A erra porque “a comissão” é o sujeito de “entregou”, não de “ter”. A C erra porque a concordância é com o sujeito, não com o termo mais próximo. A D erra porque nem todo verbo no plural leva circunflexo — só ter, vir e seus derivados. A E contradiz a regra básica de concordância.
Questão 3. Assinale a alternativa em que a palavra está corretamente acentuada, segundo o Novo Acordo Ortográfico.
A) heroína
B) jibóia
C) assembléia
D) idéia
E) vôo
Gabarito: A. Comentário: Heroína é oxítona com ditongo aberto (ói) e, por isso, mantém o acento — o Novo Acordo só tirou o acento dos ditongos abertos das paroxítonas. As demais alternativas trazem grafias antigas: o correto hoje é jiboia (B), assembleia (C), ideia (D) e voo (E), todas sem acento.
Questão 4. A acentuação de saída se justifica pela mesma regra que acentua:
A) rainha
B) feira
C) saúde
D) ideia
E) voo
Gabarito: C. Comentário: Saída e saúde levam acento pela regra do hiato: o i e o u tônicos estão sozinhos na sílaba. Rainha e feira não levam acento, porque o i forma ditongo ou é átono. Ideia e voo perderam o acento com o Novo Acordo e hoje não são acentuadas por regra nenhuma.
Questão 5. Complete corretamente: “Ontem, ele ___ sair mais cedo, mas hoje ele ___ ficar até tarde.”
A) pode / pôde
B) pôde / pode
C) pode / pode
D) pôde / pôde
E) pôde / podem
Gabarito: B. Comentário: “Ontem” pede o passado, pôde, com circunflexo; “hoje” pede o presente, pode, sem acento. A alternativa A inverte os tempos. A C usa o presente nos dois casos, errando o passado. A D usa o passado nos dois casos, errando o presente. A E erra o segundo verbo, porque o sujeito é singular (“ele”), e podem é plural.
Questão 6. Assinale a alternativa em que todas as palavras são proparoxítonas.
A) lâmpada, médico, sílaba
B) táxi, vírus, caráter
C) café, sofá, cipó
D) livro, mesa, casa
E) caráter, fácil, vírus
Gabarito: A. Comentário: Lâmpada, médico e sílaba têm a sílaba tônica na antepenúltima posição e, como toda proparoxítona, levam acento. A alternativa B traz paroxítonas acentuadas (táxi, vírus, caráter); a C traz oxítonas; a D traz paroxítonas sem acento; e a E traz paroxítonas acentuadas. Portanto, só A tem três proparoxítonas.
Dica do professor
Para nunca mais errar acentuação, use o teste da sílaba forte: diga a palavra em voz alta, bata palma na sílaba mais forte e conte quantas sílabas vêm depois dela. Nenhuma depois? Oxítona. Uma depois? Paroxítona. Duas depois? Proparoxítona — e aí o acento é obrigatório. Depois, confira a terminação na tabela de revisão. Esse teste de dez segundos resolve a maioria das questões sem você precisar decorar listas. E, na redação, desconfie sempre de tem/têm, vem/vêm e pôde/pode: releia a frase, identifique o sujeito e o tempo verbal, e só então escolha a forma.
Atenção/cuidado
Cuidado com três armadilhas que derrubam até bons alunos. Primeira: não confunda tonicidade com acento gráfico — mesa e livro têm sílaba tônica, mas não levam acento, porque a regra não exige. Segunda: não use a grafia antiga — idéia, vôo, pêlo e pára estão errados hoje, mesmo que pareçam certos. Terceira: não acentue por intuição — rainha, feira e caixa parecem pedir acento no i, mas não levam, porque o i não está tônico e sozinho na sílaba. Na dúvida, divida a palavra em sílabas e aplique a regra, em vez de confiar no ouvido.
Conexão com outras áreas
A acentuação conecta Língua Portuguesa com Literatura, Redação e até História. Na Literatura, a sílaba tônica é a base do ritmo e da métrica dos poemas: saber onde está a força da palavra ajuda a escandir versos e a perceber rimas. Na Redação, a acentuação correta — sobretudo em tem/têm, pôde/pode e por/pôr — conta pontos na competência de domínio da norma culta e evita que um erro bobo tire a nota de um texto bom. Na História, o Novo Acordo Ortográfico é um capítulo da história da língua portuguesa, resultado de um tratado entre os países lusófonos para unificar a ortografia. E na Fonética, o estudo da sílaba tônica abre a porta para entender prosódia, ritmo e entonação — temas que aparecem em questões interdisciplinares do ENEM.
Incidência
Incidência: Morno. A acentuação aparece com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, quase sempre dentro de questões de ortografia, de concordância verbal (o par tem/têm) e de interpretação de texto, em que um acento muda o sentido da frase. Não é o tema mais cobrado da prova, mas é um dos que mais rendem pontos fáceis para quem domina as regras — e um dos que mais tiram pontos de quem confia na grafia antiga ou no ouvido. Vale revisar antes da prova, com a tabela de revisão deste artigo ao lado.



