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Colocação pronominal: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Aprenda quando usar próclise, mesóclise e ênclise, quais palavras atraem o pronome para antes do verbo e quais são as pegadinhas mais comuns do ENEM e dos vestibulares, com tabelas de revisão e questões comentadas.

Estudante animada em estilo Pixar em uma sala de aula colorida, com um caderno de gramática aberto sobre a mesa e palavras com pronomes flutuando ao seu redor, enquanto uma coruja professora aponta para um quadro de pronomes.
Estudante animada em estilo Pixar em uma sala de aula colorida, com um caderno de gramática aberto sobre a mesa e palavras com pronomes flutuando ao seu redor, enquanto uma coruja professora aponta para um quadro de pronomes.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é colocação pronominal
  3. Próclise: o pronome antes do verbo
  4. Mesóclise: o pronome no meio do verbo
  5. Ênclise: o pronome depois do verbo
  6. Colocação com verbos no infinitivo, no gerúndio e nas locuções verbais
  7. Casos obrigatórios, casos proibidos e as pegadinhas das provas
  8. Colocação pronominal nas provas
  9. Mapa mental
  10. SAQ — perguntas e respostas rápidas
  11. Questões comentadas
  12. Dica do professor
  13. Atenção/cuidado
  14. Conexão com outras áreas
  15. Incidência

“Ninguém me avisou.” “Dir-se-ia que tudo mudou.” “Avisaram-me ontem.” Três frases, três posições diferentes para o mesmo tipo de palavra — e todas estão certas. A colocação pronominal é o estudo da posição dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo. É um tema clássico do ENEM e dos vestibulares, que aparece em questões de gramática, de interpretação e de reescrita — e costuma decidir pontos preciosos.

Neste artigo, você vai aprender quando usar próclise, mesóclise e ênclise, quais palavras atraem o pronome e quais são as pegadinhas mais comuns das provas — com tabelas de revisão, perguntas rápidas e questões comentadas no fim.

Resumo rápido

Existem três posições possíveis para o pronome oblíquo átono em relação ao verbo: a próclise, antes do verbo (“Ninguém me avisou”); a mesóclise, no meio do verbo, entre o radical e a desinência (“Avisar-me-iam se pudessem”); e a ênclise, depois do verbo (“Avisaram-me ontem”). A escolha depende do contexto: há palavras que atraem o pronome, formas verbais que o pedem no meio e situações em que ele só pode vir depois.

A regra de ouro é esta: primeiro procure as palavras atrativas. Se houver uma na oração, a próclise é, em geral, obrigatória. Se o verbo estiver no futuro do presente ou do pretérito, sem atrativo, usa-se a mesóclise. Nos demais casos, usa-se a ênclise. E atenção: nunca se começa frase com pronome átono na norma culta — “Me avisaram ontem” soa natural na fala, mas, na prova, o certo é “Avisaram-me ontem”.

O que é colocação pronominal

Colocação pronominal é a posição que os pronomes oblíquos átonos ocupam em relação ao verbo. São átonos porque não têm acento próprio: apoiam-se na palavra vizinha. São eles: me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as e lhes. Já os tônicos (mim, ti, si, nós, vós, ele, ela, eles, elas) sempre vêm com preposição: diz-se “para mim”, e não “para me”.

Esses pronomes funcionam como complementos do verbo: objeto direto (“Eu o vi ontem”), objeto indireto (“Eu lhe dei o livro”) ou, no caso do “se”, como parte de verbos reflexivos e de construções de voz passiva e de indeterminação (“Ela se olhou no espelho”; “Vende-se casa”). Se restar dúvida sobre as formas, vale revisar o artigo sobre pronomes pessoais.

As três posições recebem nomes vindos do grego: próclise (pró = antes), mesóclise (meso = meio) e ênclise (en = depois, em). Veja os três casos com o mesmo verbo, para comparar:

  • Próclise: “Ninguém me avisou sobre a mudança.”
  • Mesóclise: “Avisar-me-iam sobre a mudança, se pudessem.”
  • Ênclise: “Avisaram-me sobre a mudança ontem.”

O sentido é o mesmo; muda apenas a posição do pronome, conforme a estrutura da frase.

Próclise: o pronome antes do verbo

A próclise ocorre quando o pronome vem antes do verbo. Ela é obrigatória sempre que houver uma palavra atrativa na oração. As palavras atrativas são aquelas que “puxam” o pronome para antes do verbo, e a prova adora testá-las. Elas se dividem em cinco grupos, que vale a pena memorizar com exemplos.

1. Palavras de sentido negativo: não, nunca, jamais, ninguém, nada, nenhum. Exemplos: “Nunca me disseram a verdade.” “Ninguém se inscreveu no curso.” Atenção: a palavra negativa precisa estar na mesma oração do verbo.

2. Advérbios e palavras interrogativas: sempre, já, ainda, também, só, apenas, talvez, quem, que, qual, quando, onde, como, por que. Exemplos: “Sempre me lembro desse dia.” “Quem te contou essa história?” “Quando se fará a prova?”

3. Pronomes relativos e indefinidos: que, quem, onde, o qual, tudo, todos, alguém, algo, qualquer. Exemplos: “O livro que me emprestaram é ótimo.” “Todos se prepararam para a prova.” Em “a casa que mostrei a ele”, não há pronome átono, e sim pronome tônico com preposição.

4. Conjunções subordinativas: quando, se, porque, embora, conforme, desde que, para que. Exemplos: “Quando me chamarem, irei.” “Se você se atrasar, perderá a prova.” Alerta: em “Se me avisarem, vou”, o primeiro “se” é conjunção e atrai o “me”; em “Eles se avisaram”, o “se” é pronome reflexivo.

5. Frases exclamativas e optativas (de desejo): “Deus te abençoe!” “Oxalá se resolva logo!” Regra prática: achou palavra atrativa antes do verbo? Coloque o pronome antes dele. Essa é a regra mais cobrada de todas.

Mesóclise: o pronome no meio do verbo

A mesóclise é a posição mais “diferente” aos olhos de quem está aprendendo, porque o pronome fica partido no meio do verbo: o radical vem antes, o pronome no meio, e a desinência depois, tudo ligado por hífen. Ela só ocorre com verbos no futuro do presente do indicativo e no futuro do pretérito do indicativo, e apenas quando não há palavra atrativa na oração.

Veja como se forma: ao infinitivo acrescentam-se as desinências do futuro. No futuro do presente: “falar-me-ás”, “dir-me-á”. No futuro do pretérito: “falar-me-ia”, “dir-te-ia”.

  • Futuro do presente: “Eu te entregarei o relatório amanhã” vira, na norma culta com mesóclise, “Entregar-te-ei o relatório amanhã.”
  • Futuro do pretérito: “Eu me inscreveria no curso” vira “Inscrever-me-ia no curso, se houvesse vaga.”

Dois detalhes que a prova cobra muito. Primeiro: com palavra atrativa, a mesóclise some e a próclise vence — compare “Falar-lhe-ei amanhã” (sem atrativo) com “Nunca lhe falarei amanhã” (com “nunca”). Segundo: na fala cotidiana quase ninguém usa a mesóclise, mas, na prova, ela é a forma esperada quando não há atrativo e o enunciado pede a norma culta. Verbos em -r, -s ou -z seguidos de “o” ou “a” seguem a mesma regra da ênclise: “Fá-los-ei amanhã”.

Ênclise: o pronome depois do verbo

A ênclise ocorre quando o pronome vem depois do verbo, ligado por hífen. Ela é a posição “padrão” nos casos em que não há palavra atrativa nem futuro com mesóclise. Ou seja: se não houver motivo para puxar o pronome para antes nem para o meio, ele vai para depois.

Exemplos: “Chamaram-me para a entrevista.” “Entreguei-lhe o documento.” Nesses casos, o verbo está no início da frase, sem atrativo — e, pela norma culta, nunca se começa frase com pronome átono.

A ênclise é obrigatória em alguns casos específicos: com verbos no imperativo afirmativo (“Diga-me a verdade.” “Sente-se, por favor.”), com o infinitivo impessoal sem atrativo (“É preciso entregar-lhe o documento”) e, como regra geral, no início de frase — nunca comece com “me”, “te”, “se”, “lhe” ou “o” na norma culta. No imperativo negativo, a negação atrai o pronome e a próclise vence: “Não me diga isso.”

Há ainda as mudanças de forma do pronome na ênclise, que caem muito em prova. Verbo em -r, -s ou -z perde a consoante e “o” vira “lo”: “fazer + o = fazê-lo”, “diz + a = di-la”. Verbo em som nasal (-m, -ão) ganha “n”: “deram + o = deram-no”, “põe + os = põe-nos”. Verbo em vogal não muda nada: “vi + o = vi-o”.

Colocação com verbos no infinitivo, no gerúndio e nas locuções verbais

As locuções verbais — combinações de verbo auxiliar com verbo principal, como “vou fazer” e “pode entregar” — são um dos pontos mais cobrados. Sem palavra atrativa, o pronome pode ficar em ênclise ao verbo principal (“Vou entregar-lhe o livro”) ou ao auxiliar (“Vou-lhe entregar o livro”), e as duas formas são aceitas. Com palavra atrativa, a forma segura é a próclise ao auxiliar: “Não me pode atender agora” — e não “Não pode atender-me agora”, em que a ênclise ignora a atração do “não”.

Com o infinitivo, vale a mesma lógica: sem atrativo, prefira a ênclise (“Quero entregar-lhe o relatório”); com atrativo, use a próclise (“Não lhe quero entregar o relatório”). Com o gerúndio, a ênclise é a regra (“Estava preparando-se para a prova”), mas, com atrativo, a próclise vence (“Não estava se preparando para a prova”). E, com o particípio, nunca se usa ênclise: diz-se “Tinha-lhe entregue o livro”, e nunca “tinha entregado-lhe”.

Casos obrigatórios, casos proibidos e as pegadinhas das provas

Vamos organizar, de forma direta, o que é obrigatório e o que é proibido — porque é isso que a banca testa, quase sempre com frases para corrigir ou reescrever.

SituaçãoPosição corretaExemplo
Palavra atrativa na oraçãoPróclise obrigatória“Ninguém me avisou.”
Futuro do presente ou do pretérito, sem atrativoMesóclise“Dir-lhe-ei a verdade.”
Verbo no início da fraseÊnclise“Disseram-me tudo.”
Imperativo afirmativoÊnclise“Diga-me agora.”
Imperativo negativoPróclise“Não me diga isso.”
Gerúndio, sem atrativoÊnclise“Estava preparando-se.”
ParticípioNunca ênclise“Tinha-lhe dito.”

As pegadinhas mais frequentes são estas. Primeira: o “se” apassivador e o “se” de indeterminação seguem as mesmas regras — “Alugam-se casas” (ênclise, verbo no início) e “Não se alugam casas” (próclise, com “não”). Segunda: a próclise com “que” relativo só vale quando o “que” está na mesma oração do verbo — em “O livro que comprei me agradou”, o “que” pertence à oração “que comprei”, e a forma culta seria “O livro que comprei agradou-me”. Terceira: na fala brasileira, a próclise é muito mais frequente do que na norma culta escrita — “Me dá um lápis” é normal na conversa, mas, na prova, o esperado é “Dá-me um lápis”. A banca testa a norma culta, não julga a fala de ninguém.

Quarta pegadinha: o pronome “lhe” não substitui objeto direto. Diz-se “Eu o vi” (objeto direto) e “Eu lhe dei o livro” (objeto indireto). Por isso, “Eu lhe vi ontem” está errado na norma culta — o certo é “Eu o vi ontem”. Por fim, cuidado com a concordância do “se” apassivador: “Vendem-se casas” (plural, porque “casas” é sujeito), mas “Precisa-se de funcionários” (singular, sem sujeito).

Colocação pronominal nas provas

No ENEM, a colocação pronominal raramente aparece como questão isolada. Ela costuma vir embutida em textos: na análise de um trecho literário, na comparação entre a fala de um personagem e a norma culta, ou na reescrita de uma frase em que é preciso manter o sentido e corrigir a gramática. O truque é identificar o contexto: há palavra atrativa? O verbo está no futuro? A frase começa com o verbo? Responda a essas três perguntas e a posição certa aparece.

Nos vestibulares tradicionais, como a Fuvest e a Unicamp, a cobrança é mais direta: frases para corrigir ou textos em que a colocação revela o registro do personagem. Para revisar a base, vale reler o artigo sobre classes gramaticais e o texto sobre formação de palavras; para coesão e retomada de termos, o artigo sobre pronomes possessivos, demonstrativos, indefinidos, interrogativos e relativos completa o quadro. Uma estratégia que funciona: sublinhe os pronomes átonos de um texto qualquer e pergunte, para cada um, por que ele está naquela posição. Em poucos dias, a regra deixa de ser decoreba e vira reflexo.

Personagens animados em estilo Pixar representando pronomes coloridos posicionados antes, no meio e depois de um personagem verbo simpático, ilustrando próclise, mesóclise e ênclise em uma sala de aula.
Personagens animados em estilo Pixar representando pronomes coloridos posicionados antes, no meio e depois de um personagem verbo simpático, ilustrando próclise, mesóclise e ênclise em uma sala de aula.
Estudante animada em estilo Pixar colocando ímãs de pronomes antes e depois de cartões de verbos em um quadro branco, com um personagem ímã atraindo os pronomes, em uma sala de aula divertida.
Estudante animada em estilo Pixar colocando ímãs de pronomes antes e depois de cartões de verbos em um quadro branco, com um personagem ímã atraindo os pronomes, em uma sala de aula divertida.

Mapa mental

  • Colocação pronominal
    • Próclise (antes do verbo)
      • Palavras atrativas: negativas, advérbios, interrogativos, relativos, indefinidos, conjunções subordinativas
      • Exemplo: “Ninguém me avisou.”
    • Mesóclise (no meio do verbo)
      • Só no futuro do presente e no futuro do pretérito, sem atrativo
      • Exemplo: “Dir-lhe-ei a verdade.”
    • Ênclise (depois do verbo)
      • Sem atrativo, verbo no início da frase, imperativo afirmativo, gerúndio
      • Exemplo: “Disseram-me tudo.”
    • Mudanças de forma
      • Verbo em -r, -s, -z + o/a/os/as vira -lo/-la/-los/-las: “fazê-lo”
      • Verbo em som nasal + o/a/os/as ganha -n: “deram-no”
    • Locuções verbais
      • Sem atrativo: ênclise ao principal ou ao auxiliar
      • Com atrativo: próclise ao auxiliar
    • Proibido
      • Começar frase com pronome átono na norma culta
      • Ênclise com particípio
      • “Lhe” como objeto direto

SAQ — perguntas e respostas rápidas

1. O que é colocação pronominal? É a posição dos pronomes oblíquos átonos em relação ao verbo: antes (próclise), no meio (mesóclise) ou depois (ênclise).

2. Quais são os pronomes oblíquos átonos? Me, te, se, o, a, lhe, nos, vos, os, as e lhes.

3. O que é uma palavra atrativa? É uma palavra que puxa o pronome para antes do verbo, tornando a próclise obrigatória, como “não”, “nunca”, “ninguém”, “sempre”, “que” e “quando”.

4. Quando se usa a mesóclise? Apenas com verbos no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo, sem palavra atrativa: “Dir-lhe-ei a verdade.”

5. Pode-se começar uma frase com pronome átono na norma culta? Não. O certo é “Avisaram-me ontem”, e não “Me avisaram ontem”.

6. Qual é a colocação no imperativo afirmativo? Ênclise: “Diga-me a verdade.” No imperativo negativo, a próclise vence: “Não me diga isso.”

7. O que acontece com “fazer + o” na ênclise? O “r” cai e o pronome vira “lo”: “fazê-lo”.

8. O pronome “lhe” pode substituir objeto direto? Não. “Lhe” substitui objeto indireto (“dei-lhe o livro”); para objeto direto, usa-se “o” ou “a” (“Eu o vi”).

Questões comentadas

Questão 1. Assinale a alternativa em que a colocação pronominal está de acordo com a norma culta.

A) Me empresta seu caderno, por favor?
B) Empresta-me seu caderno, por favor?
C) Me diz a verdade agora.
D) Se senta aqui, por favor.
E) Te ligo mais tarde.

Gabarito: B. O verbo está no imperativo afirmativo, que exige ênclise: “Empresta-me”. As demais começam a frase com pronome átono, o que a norma culta proíbe, ainda que seja comum na fala.

Questão 2. Em qual alternativa a próclise é obrigatória por causa de uma palavra atrativa?

A) Disseram-me a novidade.
B) Nunca me disseram a novidade.
C) Dir-me-ão a novidade.
D) Disseram a novidade a mim.
E) Vão dizer-me a novidade.

Gabarito: B. Em B, o advérbio “nunca”, de sentido negativo, atrai o pronome para antes do verbo, tornando a próclise obrigatória. Em A, não há atrativo e o verbo está no início, por isso a ênclise é a forma correta. Em C, há mesóclise de futuro, sem atrativo. Em D, não há pronome átono. Em E, sem atrativo, a ênclise ao verbo principal é aceita.

Questão 3. Assinale a alternativa em que a mesóclise foi empregada corretamente.

A) Nunca falar-lhe-ei sobre isso.
B) Falar-lhe-ei sobre isso amanhã.
C) Me falarão sobre isso amanhã.
D) Falarão-me sobre isso amanhã.
E) Vão me falar sobre isso amanhã.

Gabarito: B. A mesóclise só ocorre no futuro do presente ou do pretérito, sem atrativo. Em A, o “nunca” exige a próclise (“Nunca lhe falarei”). Em C, a frase começa com pronome átono, proibido na norma culta. Em D, a forma culta esperada é a mesóclise. Em E, não há mesóclise.

Questão 4. A frase “Não pode atender-me agora” deve ser reescrita, segundo a norma culta, como:

A) Não pode atender-me agora.
B) Não me pode atender agora.
C) Pode não atender-me agora.
D) Me pode não atender agora.
E) Não atender-me pode agora.

Gabarito: B. Com o atrativo “não”, a próclise ao auxiliar é a forma culta: “Não me pode atender agora”. A alternativa A mantém a ênclise apesar do atrativo. As demais alteram o sentido da frase.

Questão 5. Assinale a alternativa em que a forma do pronome está correta na ênclise.

A) Fazer + o = fazer-o.
B) Deram + o = deram-o.
C) Fazer + o = fazê-lo.
D) Vi + o = vio.
E) Põe + os = põe-os.

Gabarito: C. Verbos terminados em -r perdem essa consoante e o pronome “o” vira “lo”: “fazê-lo”. Em B, o verbo termina em som nasal, por isso o certo seria “deram-no”. Em D, falta o hífen: o certo é “vi-o”. Em E, com som nasal, o certo é “põe-nos”. A alternativa A ignora a queda do “r” e a mudança para “lo”.

Questão 6. Leia o trecho: “O livro que me emprestaram mudou minha vida.” A próclise em “me emprestaram” justifica-se porque:

A) O verbo está no futuro do presente.
B) O pronome relativo “que” atrai o pronome oblíquo.
C) O verbo está no imperativo afirmativo.
D) A frase começa com o verbo.
E) O pronome “me” é tônico.

Gabarito: B. O pronome relativo “que” é palavra atrativa e puxa o pronome oblíquo para antes do verbo, tornando a próclise obrigatória. As alternativas A, C e D descrevem situações diferentes, que não se aplicam ao trecho. A alternativa E está errada porque “me” é pronome oblíquo átono, e não tônico.

Dica do professor

Na hora da prova, faça o teste dos três passos: há palavra atrativa na oração? Se sim, próclise. O verbo está no futuro do presente ou do pretérito, sem atrativo? Se sim, mesóclise. Em qualquer outro caso, ênclise — e nunca comece a frase com o pronome. Esse teste resolve a imensa maioria das questões. Para memorizar, grave os atrativos em blocos: negativas (não, nunca, ninguém), advérbios (sempre, já, também), interrogativos e relativos (que, quem, quando, onde) e conjunções subordinativas (se, porque, embora, quando).

Atenção/cuidado

Não confunda a fala do dia a dia com a norma culta cobrada na prova. “Me dá” e “te ligo” são naturais na conversa, mas a prova testa o registro formal. Outro cuidado: em Portugal, a ênclise é muito mais frequente, e textos literários antigos usam ênclise onde hoje usaríamos próclise — observe a época e o registro do autor, sem aplicar a regra de forma mecânica. Por fim, revise sempre as formas “lo” e “no”: são o erro mais bobo e mais comum.

Conexão com outras áreas

A colocação conversa com a sintaxe, pois a posição do pronome depende da função que ele exerce; com a análise sintática, pois identificar orações subordinadas ajuda a saber se o atrativo está na mesma oração do verbo; e com a literatura, pois a escolha entre próclise e ênclise marca o registro de um personagem e a época de um texto. Na redação, começar períodos com “me” ou “se” é um deslize formal visível. Para ampliar a base, visite a página de Língua Portuguesa.

Incidência

Incidência: Pode cair. Tema recorrente em questões de gramática e de reescrita, e com frequência embutido na análise de textos literários e jornalísticos. Quando aparece, costuma valer ponto certo para quem treinou as regras — e ponto perdido para quem foi no chute.