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Tecnologias da comunicação e informação: o que cai no ENEM e nos vestibulares

As tecnologias da comunicação e informação mudaram a forma de produzir, circular e interpretar mensagens — entenda a evolução dos meios, a linguagem digital, a checagem de notícias falsas e como o ENEM cobra o tema em textos multimodais e na redação.

Estudante cercado pelos meios de comunicação de várias épocas: rádio, televisão, jornal, notebook e celular
Estudante cercado pelos meios de comunicação de várias épocas: rádio, televisão, jornal, notebook e celular
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Por que as tecnologias de comunicação caem tanto nas provas
  3. 1. Uma história rápida: da imprensa à inteligência artificial
  4. 2. Linguagem e gêneros digitais: o português mudou de endereço
  5. 3. Hipertexto e multimodalidade: ler hoje é ler em várias linguagens
  6. 4. Notícias falsas e checagem: quando a velocidade vence a verdade
  7. 5. Inclusão e exclusão digital: quem está fora da conversa?
  8. 6. O impacto na leitura, na escrita e na argumentação
  9. 7. Como o ENEM cobra o tema na prática
  10. 8. Tabelas comparativas
  11. Mapa mental
  12. SAQ — perguntas e respostas rápidas
  13. Questões comentadas
  14. Dica do professor
  15. Atenção/cuidado
  16. Conexão com outras áreas
  17. Incidência

Resumo rápido

As tecnologias da comunicação e informação são o conjunto de recursos, suportes e linguagens que permitem produzir, registrar, transmitir e receber mensagens: da escrita e da imprensa ao rádio, à televisão, à rede mundial de computadores, aos celulares e à inteligência artificial. Elas não são apenas aparelhos. Cada nova tecnologia muda quem pode falar, quem pode ouvir, com que velocidade uma informação circula e com que linguagens ela chega até nós.

Por isso o tema aparece tanto no ENEM e nos vestibulares: ele permite discutir linguagem, leitura, argumentação, cidadania e sociedade ao mesmo tempo. Uma questão pode trazer uma charge sobre redes sociais, uma tirinha sobre o uso do celular, um gráfico sobre acesso à rede, um texto sobre notícias falsas ou um tema de redação sobre inclusão digital. Em todos os casos, o que está em jogo não é saber o nome de um aplicativo, e sim interpretar efeitos de sentido: o que muda quando a mensagem passa do papel para a tela, do texto escrito para o vídeo, de um emissor único para milhões de emissores ao mesmo tempo?

Em uma frase: tecnologia de comunicação é linguagem em novo suporte — e todo novo suporte cria novas formas de dizer, de convencer, de informar e também de enganar.

Incidência: Morno — tema presente no ENEM e nos vestibulares, sobretudo em questões de interpretação de textos multimodais, de análise de charges e tirinhas, de variação linguística nos ambientes digitais e em propostas de redação sobre acesso à informação, notícias falsas e inclusão digital.

Por que as tecnologias de comunicação caem tanto nas provas

As provas de Linguagens gostam de temas que atravessam a vida do estudante. Poucos assuntos fazem isso como as tecnologias de comunicação: o candidato acorda com o celular, estuda por vídeo, conversa por mensagem, lê notícia em rede social e escreve redação sobre um mundo conectado. Quando a prova traz esse universo, ela não está testando conhecimento técnico de informática. Está testando leitura crítica: o estudante consegue perceber intenção, público, efeito e limite de uma mensagem em um novo meio?

Há outro motivo: o tema permite cobrar, numa só questão, vários conteúdos de Língua Portuguesa. Uma postagem em rede social pode exigir análise de gêneros textuais, de funções da linguagem, de variação linguística, de ironia e de argumentação. Um gráfico sobre o acesso à rede pede a leitura de dados que também aparece na matéria sobre interpretação de gráficos. Uma charge sobre notícias falsas pede a articulação entre imagem e texto verbal, marca registrada das questões de multimodalidade.

Na redação, o tema é igualmente fértil. Propostas sobre democratização do acesso à informação, sobre os efeitos das redes sociais na opinião pública, sobre o combate às notícias falsas e sobre a exclusão digital pedem repertório histórico, social e cultural — e uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Ou seja: dominar esse tema é ganhar pontos na prova objetiva e na redação ao mesmo tempo.

1. Uma história rápida: da imprensa à inteligência artificial

Para entender o presente, vale percorrer a linha do tempo dos meios de comunicação. Cada salto tecnológico ampliou o alcance das mensagens e, ao mesmo tempo, criou novos problemas.

A escrita foi a primeira grande tecnologia da informação: permitiu registrar, guardar e transmitir conhecimento para além da memória e da presença física. Séculos depois, a imprensa de tipos móveis, no século XV, barateou o livro e multiplicou leitores. Pela primeira vez, um mesmo texto podia chegar a milhares de pessoas idêntico a si mesmo — e ideias novas, inclusive críticas ao poder, passaram a circular com mais velocidade.

No século XIX, o telégrafo e o telefone encurtaram distâncias: a notícia passou a viajar quase na velocidade da conversa. No século XX, o rádio levou voz e música a milhões de lares ao mesmo tempo, e a televisão somou imagem em movimento ao som. O modelo dominante era o de um emissor para muitos receptores: poucas emissoras produziam, e o público, em geral, apenas recebia.

A grande virada veio com a rede mundial de computadores e, depois, com o celular conectado. O modelo mudou: agora, qualquer pessoa com um aparelho e conexão pode produzir, publicar e compartilhar conteúdo. O leitor virou também autor, comentarista e divulgador. Surgiram os buscadores, as plataformas de vídeo, as redes sociais e os aplicativos de mensagem — e, com eles, uma quantidade de informação sem precedente na história.

O passo mais recente é a inteligência artificial: programas capazes de gerar textos, imagens, áudios e vídeos, de traduzir em segundos, de resumir documentos e de responder perguntas. Ela amplia a produção de conteúdo, mas também levanta perguntas novas: quem é o autor de um texto gerado por máquina? Como saber se uma imagem é real? Como confiar em uma informação quando qualquer pessoa pode fabricar um vídeo convincente?

Repare no padrão: cada tecnologia amplia o alcance, barateia a produção e acelera a circulação — e, em cada etapa, a sociedade precisa criar novas regras, novos hábitos de leitura e novas formas de checagem. É exatamente essa tensão entre oportunidade e risco que as provas exploram.

2. Linguagem e gêneros digitais: o português mudou de endereço

Quando a comunicação muda de suporte, a linguagem muda junto. A escrita digital não é a escrita do livro transportada para a tela: ela criou gêneros próprios, com regras próprias.

Pense nos gêneros que só existem — ou só se popularizaram — no ambiente digital: a postagem em rede social, o comentário, o meme, o vídeo curto, a mensagem de aplicativo, o blog, o vlog, o programa de áudio, a transmissão ao vivo, o fórum de discussão, a resenha em vídeo. Cada um tem finalidade, público, estrutura e estilo diferentes. Um meme condensa uma crítica em imagem e frase curta; um fio de postagens constrói um argumento em partes; um vídeo curto combina fala, legenda, trilha e gesto para prender a atenção em segundos.

Também mudaram os recursos da escrita. Abreviações, emojis, figurinhas, marcações, hashtags e reações passaram a fazer parte da mensagem, não são enfeites: um emoji pode indicar ironia, suavizar uma crítica ou marcar pertencimento a um grupo. A pontuação ganhou novos sentidos — um ponto final pode soar seco em uma mensagem curta, e as letras maiúsculas podem indicar grito. Nas provas, isso aparece como variação linguística e adequação ao contexto: a linguagem informal do aplicativo é adequada ali, mas não em uma redação, em um documento oficial ou em uma entrevista de emprego.

Outro traço importante é a interatividade. No jornal impresso, o leitor lia; na página digital, ele curte, comenta, compartilha, responde e recria. O texto deixa de ser um produto acabado e vira um ponto de partida: uma postagem gera comentários, que geram respostas, que geram novos vídeos. Isso muda a autoria — o sentido de um texto passa a ser construído coletivamente — e muda a responsabilidade: quem compartilha também participa da circulação da mensagem.

Cuidado com um equívoco comum: dizer que a rede “estragou” o português. O que acontece é variação e adequação, não deterioração. A língua sempre variou conforme a situação, o interlocutor e o suporte. Saber escrever bem hoje inclui saber escolher o registro certo para cada gênero e cada ambiente — inclusive reconhecer quando a norma culta é exigida e quando a linguagem informal é a escolha adequada. As questões do ENEM cobram justamente essa consciência, e não o preconceito linguístico.

3. Hipertexto e multimodalidade: ler hoje é ler em várias linguagens

Dois conceitos são indispensáveis para as questões sobre tecnologias de comunicação: hipertexto e multimodalidade.

Hipertexto é o texto em rede, feito de ligações: ao tocar em uma palavra destacada, o leitor salta para outra página, outro documento, outro vídeo. A leitura deixa de ser linear — do início ao fim, em uma só ordem — e passa a ser feita por caminhos escolhidos pelo próprio leitor. Isso dá autonomia, mas exige atenção: é fácil se perder entre abas, se distrair com um conteúdo relacionado e nunca voltar ao texto principal. A leitura hipertextual pede, portanto, um leitor mais ativo e seletivo.

Multimodalidade é a combinação de várias linguagens em um mesmo texto: palavra escrita, imagem, som, cor, movimento, diagrama, gráfico. Uma charge combina desenho e legenda; um vídeo combina fala, imagem, legenda e trilha; uma página de notícia combina título, foto, legenda, gráfico e vídeo. O sentido não está só no texto verbal: a cor pode indicar urgência, o enquadramento de uma foto pode valorizar ou desvalorizar um personagem, a trilha pode criar suspense ou humor.

Nas provas, a pergunta clássica sobre multimodalidade é: o que a imagem acrescenta ao texto verbal? Muitas vezes a resposta é ironia, crítica ou contradição: a imagem diz o contrário do que o texto afirma, e o humor nasce desse choque. Em outros casos, a imagem confirma, exemplifica ou emociona. O segredo é ler os dois códigos juntos e perguntar: o que eu só entenderia vendo a imagem? O que eu só entenderia lendo o texto? Qual é o efeito da combinação?

A multimodalidade também aparece na produção: a redação do ENEM é um texto verbal, mas o repertório do candidato pode — e deve — incluir a leitura de imagens, gráficos e vídeos. Saber descrever uma charge, interpretar um gráfico e citar um documentário são habilidades de leitura multimodal que enriquecem a argumentação.

4. Notícias falsas e checagem: quando a velocidade vence a verdade

Se há um subtema que o ENEM e os vestibulares passaram a cobrar com força, é o das notícias falsas — mensagens com aparência de notícia, mas com conteúdo inventado, distorcido ou tirado de contexto, criadas para enganar, gerar cliques, ganhar dinheiro ou influenciar opiniões e eleições.

Por que elas se espalham tão rápido? Primeiro, porque os algoritmos das plataformas priorizam o que gera reação: conteúdos que despertam indignação, medo ou surpresa tendem a ser mais compartilhados. Segundo, porque a mensagem falsa costuma chegar por alguém de confiança — um familiar, um amigo, um grupo de aplicativo — e a confiança em quem envia substitui a verificação do conteúdo. Terceiro, porque a falsificação ficou fácil: é possível copiar o layout de um jornal, forjar uma captura de tela, editar um vídeo ou gerar uma imagem realista com inteligência artificial.

As consequências são graves: notícias falsas sobre saúde fazem pessoas abandonarem tratamentos ou recusarem vacinas; boatos sobre eleições abalam a confiança no processo democrático; mentiras sobre pessoas e grupos alimentam preconceito e violência. Por isso o combate a elas virou tema de cidadania — e de redação.

Como se defender? A checagem segue um roteiro simples, que as questões adoram cobrar:

  1. Desconfie do apelo emocional forte. Títulos em letras maiúsculas, com promessas bombásticas e pedidos urgentes de compartilhamento, são sinal de alerta.
  2. Verifique a fonte. A notícia foi publicada por um veículo conhecido? O endereço da página é o oficial? Há autor identificado e data de publicação?
  3. Busque a mesma informação em outros veículos. Um fato relevante costuma aparecer em mais de uma fonte confiável. Se só existe em uma página desconhecida, desconfie.
  4. Observe imagens e vídeos. A foto corresponde ao fato narrado ou foi tirada de outro contexto, em outro lugar e outro ano? A legenda confere com a imagem?
  5. Consulte agências de checagem. Existem serviços especializados em verificar boatos e classificar conteúdos como verdadeiros, distorcidos ou falsos.
  6. Não compartilhe antes de checar. Compartilhar é publicar: quem repassa uma mentira participa de sua circulação, mesmo sem ter criado o conteúdo.

Na redação, o tema pede equilíbrio: não basta dizer que as notícias falsas são ruins. É preciso discutir causas (baixa educação midiática, algoritmos, polarização), consequências (desinformação em saúde, em política, em ciência) e proposta de intervenção com agente, ação, meio e finalidade — por exemplo, programas de educação midiática nas escolas, parcerias entre plataformas e agências de checagem, e campanhas públicas de orientação, sempre respeitando a liberdade de expressão.

5. Inclusão e exclusão digital: quem está fora da conversa?

Fala-se muito em democratização da informação, mas o acesso às tecnologias é profundamente desigual. A exclusão digital tem várias camadas: há quem não tenha aparelho, quem tenha aparelho mas não tenha conexão de qualidade, quem tenha conexão mas não saiba usar as ferramentas com autonomia, e quem use as ferramentas mas não consiga avaliar criticamente o que lê.

Essa desigualdade tem endereço social: atinge mais as regiões afastadas, as periferias, as escolas com menos recursos, as pessoas mais velhas e as famílias de menor renda. Na pandemia, por exemplo, a diferença ficou escancarada: estudantes sem conexão estável ou sem aparelho próprio ficaram para trás nas aulas remotas, enquanto outros avançaram. A exclusão digital, portanto, não é um problema técnico — é um problema de direito e de cidadania.

Por outro lado, a inclusão digital também não se resume a entregar aparelhos. Incluir de verdade significa garantir conexão, equipamentos, formação para o uso crítico e conteúdos em linguagem acessível. Um estudante incluído digitalmente não é apenas aquele que tem celular: é aquele que sabe pesquisar, comparar fontes, produzir conteúdo, proteger seus dados e participar do debate público com segurança.

Nas questões, a exclusão digital costuma aparecer em gráficos, tabelas e textos sobre desigualdade de acesso, e na redação como tema ou como argumento: a democratização do acesso à informação no Brasil passa pela redução da exclusão digital, e qualquer proposta séria precisa enfrentar tanto a infraestrutura quanto a educação para o uso das tecnologias.

6. O impacto na leitura, na escrita e na argumentação

As tecnologias mudaram nossos hábitos de leitura. Lemos mais — mensagens, legendas, manchetes, comentários — mas lemos de forma mais fragmentada: textos curtos, interrompidos por notificações, pulando de uma aba para outra. Isso tem um lado bom, que é o contato constante com a escrita, e um lado preocupante: a dificuldade de sustentar a atenção em textos longos e complexos, como um romance, um artigo científico ou um ensaio argumentativo.

Na escrita, o efeito é duplo. De um lado, escrevemos o tempo todo, para públicos reais, com feedback imediato — o que pode desenvolver fluência e senso de interlocutor. De outro, o hábito da mensagem curta, abreviada e imediata pode vazar para textos que exigem planejamento, como a redação: frases soltas, falta de conectivos, argumentação superficial, ausência de progressão de ideias. A boa notícia é que isso se treina: escrever bem em ambiente digital e escrever bem na redação são habilidades diferentes, e o estudante pode — e deve — desenvolver as duas.

Na argumentação, as redes trouxeram um fenômeno muito cobrado: as bolhas e as câmaras de eco. Os algoritmos mostram a cada usuário aquilo com que ele tende a concordar, e os grupos reúnem pessoas de opiniões parecidas. O resultado é que passamos menos tempo em contato com argumentos contrários — e a capacidade de ouvir, ponderar e refutar com respeito enfraquece. A argumentação saudável, ao contrário, exige confronto de ideias: apresentar uma tese, sustentá-la com dados e exemplos, antecipar objeções e responder a elas. É exatamente o que o texto dissertativo-argumentativo pede — e o que a redação do ENEM avalia.

Outro efeito importante é a velocidade do julgamento. Na rede, a reação vem antes da reflexão: curtimos, comentamos e compartilhamos em segundos, muitas vezes sem ler o texto inteiro. A prova cobra essa consciência quando traz tirinhas e charges que ironizam a pressa, o julgamento pela manchete e a cultura do cancelamento. A lição é simples e poderosa: ler até o fim, antes de opinar, já é um ato de leitura crítica.

7. Como o ENEM cobra o tema na prática

Na prova de Linguagens, o tema aparece em pelo menos cinco formatos. Conhecê-los evita surpresas:

  • Interpretação de textos multimodais: charge, tirinha, cartum, anúncio ou postagem em que imagem e texto verbal constroem juntos o sentido. A questão pergunta pela crítica, pela ironia ou pelo efeito de um elemento visual.
  • Análise de gêneros digitais: meme, comentário, fio de postagens ou mensagem de aplicativo, com perguntas sobre finalidade, público, registro linguístico e efeitos de sentido.
  • Variação linguística: textos com marcas de oralidade, abreviações e gírias digitais, em que se cobra a adequação da linguagem à situação de comunicação, sem preconceito linguístico.
  • Leitura de dados: gráficos e tabelas sobre acesso à rede, uso de redes sociais, tempo de tela ou circulação de notícias falsas, exigindo a interpretação correta de números e tendências.
  • Redação: temas como a democratização do acesso à informação, os desafios do combate às notícias falsas, os efeitos das redes sociais na formação da opinião e a inclusão digital no Brasil.

Um exemplo do raciocínio esperado: diante de uma charge em que uma pessoa ignora quem está ao lado para olhar o celular, a resposta não é apenas “a charge critica o uso do celular”. A resposta completa identifica o que está sendo criticado (a substituição da conversa presencial pela interação virtual), como (pelo contraste entre a presença física e a atenção voltada para a tela) e com que efeito (humor e reflexão sobre isolamento em meio à hiperconexão). É essa leitura em camadas que garante o ponto.

Para a redação, monte um repertório antes da prova: a história da imprensa e do rádio, a chegada da rede ao Brasil, os dados sobre exclusão digital, os casos de checagem de notícias falsas, a legislação sobre proteção de dados e o papel da escola na educação midiática. Repertório não é lista decorada: é um conjunto de referências que você sabe relacionar com a tese que vai defender.

8. Tabelas comparativas

Tabela 1 — Os meios de comunicação ao longo do tempo

MeioÉpoca de expansãoModelo de comunicaçãoExemplo de uso
ImprensaSéculo XV em dianteUm emissor para muitos leitoresLivros, jornais
RádioSéculo XXUm emissor para muitos ouvintesNoticiário, música, radionovela
TelevisãoSéculo XXUm emissor para muitos espectadoresTelejornal, novela, programa de auditório
Rede mundialFim do século XX em dianteMuitos emissores para muitos receptoresPáginas, buscadores, vídeos
Redes sociaisSéculo XXIInterativo, em rede, com algoritmosPostagens, comentários, vídeos curtos
Inteligência artificialSéculo XXIGeração e mediação de conteúdoResumos, traduções, imagens geradas

Tabela 2 — Oportunidades e riscos das tecnologias de comunicação

DimensãoOportunidadeRisco
Acesso à informaçãoNotícias e conhecimento ao alcance de milhõesExcesso de informação e desinformação
ParticipaçãoQualquer pessoa pode publicar e opinarBolhas, polarização e linchamentos virtuais
EducaçãoAulas, vídeos e materiais gratuitosExclusão digital e distração constante
LinguagemNovos gêneros e criatividadeSuperficialidade e leitura fragmentada
PrivacidadeServiços personalizadosColeta de dados e exposição da vida pessoal

Tabela 3 — Checagem de uma informação suspeita: o passo a passo

PassoO que fazerSinal de alerta
1. FonteVerificar veículo, autor e dataPágina desconhecida, sem autor nem data
2. ConfirmaçãoBuscar o fato em outros veículosSó existe em uma página obscura
3. ImagemConferir se foto ou vídeo é do fato narradoImagem de outro lugar ou de outro ano
4. LinguagemObservar exageros e apelos emocionaisTítulo bombástico e pedido urgente de repasse
5. DecisãoNão compartilhar antes de confirmarCompartilhar por impulso, sem leitura completa
Evolução dos meios de comunicação, da prensa ao rádio, à televisão e ao celular
Evolução dos meios de comunicação, da prensa ao rádio, à televisão e ao celular
Estudante conferindo uma notícia no celular com lupa, entre jornais e balões de fala, ilustrando a checagem de notícias falsas
Estudante conferindo uma notícia no celular com lupa, entre jornais e balões de fala, ilustrando a checagem de notícias falsas

Mapa mental

  • Tecnologias da comunicação e informação → recursos que produzem, registram, transmitem e recebem mensagens → da escrita à inteligência artificial.
    • História → escrita → imprensa (século XV) → telégrafo e telefone → rádio → televisão → rede mundial → celular → inteligência artificial.
    • Modelos → um para muitos (imprensa, rádio, TV) → muitos para muitos (rede e redes sociais) → mediação por algoritmos e geração por máquina.
  • Linguagem digital → novos gêneros (postagem, meme, vídeo curto, comentário, transmissão ao vivo) → abreviações, emojis, hashtags → variação e adequação, não deterioração da língua.
  • Hipertexto → leitura em rede, por ligações → leitor escolhe o caminho → exige atenção e seleção.
  • Multimodalidade → palavra + imagem + som + cor + movimento → sentido nasce da combinação → charges e tirinhas: ironia pelo choque entre imagem e texto.
  • Notícias falsas → aparência de notícia, conteúdo inventado ou distorcido → espalham-se por algoritmos, confiança em quem envia e falsificação fácil → checagem: fonte, confirmação, imagem, linguagem, não compartilhar sem verificar.
  • Inclusão e exclusão digital → desigualdade de aparelho, conexão e formação → atinge periferias, regiões afastadas e famílias de menor renda → incluir é garantir acesso, equipamento e educação crítica.
  • Efeitos → leitura fragmentada → escrita constante, mas curta → bolhas e câmaras de eco → julgamento rápido, antes da reflexão.
  • Na prova → interpretação multimodal → gêneros digitais → variação linguística → leitura de dados → redação (acesso à informação, notícias falsas, inclusão digital).

SAQ — perguntas e respostas rápidas

1. O que são tecnologias da comunicação e informação?
São os recursos, suportes e linguagens que permitem produzir, registrar, transmitir e receber mensagens — da escrita e da imprensa ao rádio, à televisão, à rede, aos celulares e à inteligência artificial.

2. Qual foi a grande mudança trazida pela rede em relação ao rádio e à televisão?
O rádio e a televisão seguiam o modelo de um emissor para muitos receptores. Na rede, o modelo passou a ser de muitos para muitos: qualquer pessoa conectada pode produzir, publicar e compartilhar conteúdo.

3. O que é hipertexto?
É o texto organizado em rede, com ligações que permitem ao leitor saltar de uma página para outra. A leitura deixa de ser linear e passa a seguir caminhos escolhidos pelo próprio leitor.

4. O que é multimodalidade e por que ela importa para o ENEM?
É a combinação de várias linguagens em um mesmo texto — palavra, imagem, som, cor, movimento. Ela importa porque muitas questões pedem a leitura conjunta desses códigos, como na charge, em que a ironia nasce do contraste entre imagem e texto verbal.

5. Por que as notícias falsas se espalham tão rápido?
Porque os algoritmos priorizam conteúdos que geram reação, porque a mensagem costuma chegar por alguém de confiança e porque hoje é fácil falsificar páginas, imagens e vídeos com aparência profissional.

6. Quais são os passos básicos para checar uma informação suspeita?
Verificar a fonte (veículo, autor e data), buscar o mesmo fato em outros veículos confiáveis, conferir se a imagem corresponde ao fato narrado, observar exageros e apelos emocionais e não compartilhar antes de confirmar.

7. O que é exclusão digital?
É a desigualdade de acesso e de uso das tecnologias: falta de aparelho, de conexão de qualidade, de formação para o uso autônomo e de capacidade crítica para avaliar o que se lê. Ela atinge mais as regiões afastadas, as periferias e as famílias de menor renda, e é um problema de cidadania, não apenas técnico. Para ampliar, revise os recursos de linguagem que aparecem nos textos multimodais.

8. O que são bolhas e câmaras de eco?
São ambientes digitais em que os algoritmos e os grupos mostram ao usuário sobretudo opiniões com as quais ele já concorda, reduzindo o contato com argumentos contrários e enfraquecendo a argumentação e o debate.

Questões comentadas

As questões abaixo são originais, criadas no estilo do ENEM para treino, e não reproduzem nenhuma prova real.

Questão 1. Uma tirinha mostra um jovem cercado por amigos em uma mesa, todos olhando para seus celulares, sem conversar entre si. Na legenda, um deles diz: “Adoro quando a gente se reúne!”. O humor da tirinha se constrói principalmente:

a) pela crítica ao preço dos aparelhos celulares.
b) pelo contraste entre a reunião presencial e a atenção voltada para as telas.
c) pela defesa do uso de celulares em encontros sociais.
d) pela ausência de diálogo entre gerações diferentes.
e) pela comparação entre o passado e o presente da telefonia.

Gabarito: B. A ironia nasce do choque entre o que é dito (“a gente se reúne”) e o que a imagem mostra: corpos juntos, atenções separadas, cada um voltado para a própria tela. É o clássico efeito multimodal — texto verbal e imagem juntos produzem um sentido que nenhum dos dois produziria sozinho. A erra porque não há menção a preço. C erra porque a tirinha critica, e não defende, o comportamento. D erra porque não há marca de diferença geracional. E erra porque não há comparação histórica com a telefonia antiga.

Questão 2. Em uma postagem, uma estudante escreve: “Gente, acabei de ler que a prova foi adiada!!! Repassem antes que apaguem!!!”. Um colega responde: “Calma, vamos checar no site oficial da banca antes de repassar”. A atitude do colega está de acordo com a prática recomendada de checagem porque:

a) prioriza a velocidade de circulação da informação.
b) confia na postagem por ela ter sido feita por uma colega.
c) verifica a informação na fonte oficial antes de compartilhá-la.
d) desconsidera qualquer informação que circule em redes sociais.
e) exige que a informação seja apagada da rede.

Gabarito: C. A checagem recomenda confirmar o fato em fonte confiável — no caso, o site oficial da banca — antes de compartilhar, em vez de repassar por impulso. A erra porque a pressa é justamente o que alimenta a desinformação. B erra porque a confiança em quem envia não substitui a verificação do conteúdo. D erra porque nem toda informação de rede social é falsa; o critério é a verificação, não a origem isolada. E erra porque apagar não é o procedimento recomendado; o correto é verificar e, se for o caso, alertar sobre a falsidade.

Questão 3. Sobre a passagem do modelo de comunicação de massa para o modelo de rede, é correto afirmar que:

a) o público deixou de ter qualquer papel na produção de conteúdo.
b) a quantidade de emissores aumentou, e o receptor passou a também produzir e compartilhar mensagens.
c) a televisão e o rádio desapareceram com a chegada da rede.
d) os algoritmos eliminaram a necessidade de leitura crítica.
e) a informação passou a circular mais lentamente do que na era da imprensa.

Gabarito: B. A marca da rede é o modelo de muitos para muitos: qualquer pessoa conectada pode publicar, comentar e compartilhar, acumulando os papéis de receptor e de emissor. A erra porque diz o contrário do que aconteceu. C erra porque rádio e televisão continuam existindo e se adaptaram ao ambiente digital. D erra porque os algoritmos tornam a leitura crítica ainda mais necessária, não dispensável. E erra porque a circulação se acelerou enormemente em relação à imprensa.

Questão 4. Uma escola em região afastada não tem conexão estável, e seus alunos dependem de um único laboratório com poucos computadores. Essa situação ilustra principalmente o problema da:

a) variação linguística nos ambientes digitais.
b) multimodalidade dos textos da rede.
c) exclusão digital, que limita o acesso à informação e à educação.
d) hipertextualidade, que fragmenta a leitura dos estudantes.
e) argumentação em bolhas, que reduz o debate.

Gabarito: C. A falta de conexão e de equipamentos caracteriza a exclusão digital, com efeito direto sobre o acesso à informação e à educação. A erra porque não há discussão sobre variedades da língua. B erra porque multimodalidade diz respeito à combinação de linguagens em um texto, não ao acesso. D erra porque hipertextualidade é a organização do texto em ligações, e não a ausência de infraestrutura. E erra porque bolhas se referem ao contato restrito com opiniões semelhantes, e não à falta de conexão.

Questão 5. Em um vídeo curto, um criador de conteúdo usa fala rápida, legenda destacada, trilha sonora e gestos exagerados para explicar um conceito em trinta segundos. Do ponto de vista da linguagem, esse vídeo é um exemplo de texto:

a) exclusivamente verbal, pois só a fala transmite informação.
b) multimodal, pois combina fala, legenda, trilha e gesto na construção do sentido.
c) hipertextual, pois permite ao espectador escolher a ordem das cenas.
d) dissertativo-argumentativo, pois segue a estrutura da redação do ENEM.
e) injuntivo, pois ordena ao espectador que estude o conceito.

Gabarito: B. O sentido do vídeo nasce da combinação de várias linguagens — fala, legenda, trilha e gesto —, o que define a multimodalidade. A erra porque a legenda, a trilha e o gesto também carregam sentido. C erra porque hipertexto é a organização em ligações navegáveis, e não a combinação de linguagens em um vídeo linear. D erra porque o formato curto de divulgação não segue a estrutura da dissertação. E erra porque explicar não é o mesmo que dar uma ordem ou instrução.

Questão 6. Um meme combina a foto de uma pessoa dormindo sobre livros com a frase “Eu estudando para a prova depois de ver dez vídeos de revisão”. O efeito de humor do meme depende principalmente de:

a) uma informação falsa sobre a data da prova.
b) um dado estatístico sobre o tempo de estudo.
c) um erro de ortografia proposital na legenda.
d) um exagero reconhecível da experiência do estudante, articulando imagem e frase.
e) uma crítica à qualidade dos vídeos de revisão.

Gabarito: D. O humor nasce do exagero de uma experiência comum — dormir sobre os livros depois de muito conteúdo —, construído pela articulação entre a imagem e a frase. A erra porque não há notícia falsa envolvida. B erra porque não há dado estatístico. C erra porque não há erro de ortografia em destaque. E erra porque o alvo do humor é o cansaço do estudante, e não a qualidade dos vídeos.

Dica do professor

Para gabaritar esse tema, treine a leitura em camadas. Diante de uma charge, tirinha ou postagem, pergunte-se, nesta ordem: o que a imagem mostra? O que o texto verbal diz? O que nasce da combinação dos dois? Depois, identifique o gênero, o público e a intenção: criticar, ironizar, informar, convencer ou entreter? Por fim, desconfie de manchetes bombásticas e de mensagens que pedem repasse urgente — na prova e na vida, checar antes de compartilhar é a habilidade que separa o leitor crítico do mero repassador. Monte também um pequeno repertório para a redação: história dos meios, dados de exclusão digital e exemplos de checagem de notícias falsas rendem pontos em qualquer proposta sobre informação e tecnologia.

Atenção/cuidado

Os erros mais comuns neste tema são: confundir hipertexto com multimodalidade (hipertexto é a rede de ligações; multimodalidade é a combinação de linguagens); dizer que a rede “estragou” o português, quando o correto é falar em variação e adequação ao gênero e à situação; tratar toda informação de rede social como falsa, quando o critério deve ser a verificação, não a origem; e, na redação, culpar apenas os usuários pelas notícias falsas, sem discutir algoritmos, educação midiática e responsabilidade das plataformas. Outro cuidado: na redação, a linguagem deve ser formal e impessoal — abreviações, emojis e gírias de aplicativo, adequados na mensagem, custam pontos no texto dissertativo.

Conexão com outras áreas

O tema conecta Língua Portuguesa à História (a imprensa, o rádio e a televisão como forças políticas e culturais), à Sociologia (desigualdade de acesso, bolhas, opinião pública e cidadania digital), à Geografia (a distribuição desigual da infraestrutura de conexão pelo território), à Filosofia (verdade, manipulação e liberdade de expressão) e à Biologia e à Saúde (os efeitos das notícias falsas sobre vacinas e tratamentos, e os efeitos do tempo excessivo de tela sobre sono e atenção). Na redação, essas conexões viram repertório: um argumento sobre exclusão digital ganha força quando articulado com desigualdade social, e um argumento sobre notícias falsas ganha força quando articulado com saúde pública e democracia.

Incidência

Incidência: Morno — as tecnologias da comunicação e informação aparecem com regularidade no ENEM e nos vestibulares, sobretudo em questões de interpretação multimodal, de gêneros digitais e de variação linguística, e como tema ou argumento de redação sobre acesso à informação, notícias falsas e inclusão digital. Vale revisar junto os tipos e gêneros textuais, as funções da linguagem e o texto dissertativo-argumentativo.