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O texto dissertativo-argumentativo: o que cai no ENEM e nos vestibulares

O texto dissertativo-argumentativo é o gênero mais cobrado na redação do ENEM e um dos mais presentes nas questões de Linguagens: aprenda sua estrutura, seus tipos de argumento e como defender uma tese com clareza, coerência e proposta de intervenção.

Ilustração em estilo Pixar de um estudante brasileiro sorridente escrevendo uma redação dissertativa-argumentativa em uma mesa de estudos, com caderno aberto, livros ao redor e balões de pensamento coloridos simbolizando a tese, os argumentos e a proposta de intervenção.
Ilustração em estilo Pixar de um estudante brasileiro sorridente escrevendo uma redação dissertativa-argumentativa em uma mesa de estudos, com caderno aberto, livros ao redor e balões de pensamento coloridos simbolizando a tese, os argumentos e a proposta de intervenção.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é dissertar e o que é argumentar
  3. A estrutura clássica: introdução, desenvolvimento e conclusão
  4. A tese: o coração do texto
  5. Os tipos de argumento: como sustentar uma tese
  6. Repertório sociocultural: o que é e como usar
  7. Linguagem, coesão e progressão: o acabamento do texto
  8. Como o ENEM e os vestibulares cobram o texto dissertativo-argumentativo
  9. Tabelas de revisão
  10. Mapa mental
  11. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  12. Questões comentadas
  13. Dica do professor
  14. Atenção / cuidado
  15. Conexão com outras áreas
  16. Incidência

O texto dissertativo-argumentativo: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Resumo rápido

O texto dissertativo-argumentativo é aquele em que o autor defende um ponto de vista — a tese — sobre um tema, usando argumentos para convencer o leitor. É o gênero exigido na redação do ENEM e um dos mais cobrados nas questões de Língua Portuguesa dos vestibulares. Diferente de um texto apenas informativo, que apresenta fatos sem tomar posição, o dissertativo-argumentativo opina, justifica e conclui — e, no modelo do ENEM, termina com uma proposta de intervenção que respeita os direitos humanos.

A estrutura clássica tem três partes: a introdução, em que o tema é apresentado e a tese é anunciada; o desenvolvimento, em que os argumentos sustentam a tese, geralmente em dois parágrafos; e a conclusão, que retoma a tese e apresenta a proposta de intervenção, indicando agente, ação, meio, finalidade e detalhamento. Os argumentos podem ser de vários tipos — por exemplo, por exemplificação, por autoridade, por causa e consequência, por comparação e por dados — e a força do texto depende da qualidade deles, não da quantidade.

Se você guardar uma ideia, guarde esta: argumentar não é gritar mais alto nem repetir a própria opinião com outras palavras. Argumentar é construir um raciocínio que o leitor possa acompanhar e aceitar: uma tese clara, argumentos pertinentes e bem fundamentados, progressão lógica entre os parágrafos e uma conclusão que resolve, em vez de apenas repetir, o problema discutido.

O que é dissertar e o que é argumentar

Dissertar é expor um tema com profundidade, organizando ideias sobre ele. Argumentar é ir além: é defender uma posição sobre esse tema, apresentando razões que sustentem essa posição e antecipando possíveis objeções. Todo texto argumentativo é dissertativo, porque desenvolve um assunto, mas nem todo texto dissertativo é argumentativo — há dissertações puramente expositivas, que apenas explicam um tema sem defender um ponto de vista. O ENEM pede explicitamente o tipo dissertativo-argumentativo, e é por isso que uma redação apenas expositiva, que não toma posição, perde pontos na competência 2, que avalia a compreensão da proposta e a aplicação de conceitos de várias áreas para desenvolver o tema.

Na prática, a diferença aparece logo no primeiro parágrafo. Um texto expositivo sobre o uso de celulares na escola diria: “O uso de celulares na escola cresceu nos últimos anos e gera debates entre professores, alunos e famílias”. Um texto argumentativo diria: “O uso de celulares na escola deve ser regulamentado, e não simplesmente proibido, porque a proibição total ignora o potencial pedagógico do aparelho e empurra o uso para a clandestinidade”. Perceba: a segunda versão apresenta o tema e, imediatamente, uma tese — uma posição clara que o restante do texto precisará sustentar. É essa tomada de posição que transforma uma exposição em argumentação.

Outro traço essencial do gênero é o seu caráter dialógico: quem argumenta escreve, de certa forma, conversando com um leitor que pode discordar. Por isso, um bom texto argumentativo não finge que não existem outros pontos de vista. Ele reconhece a posição contrária, responde a ela com respeito e mostra por que a sua tese continua mais forte. Essa habilidade — considerar o contraditório sem se perder nele — é uma das marcas dos textos nota alta e aparece também nas questões de interpretação, quando o ENEM pergunta qual é a tese defendida por um autor ou qual argumento sustenta determinada conclusão.

A estrutura clássica: introdução, desenvolvimento e conclusão

A estrutura do texto dissertativo-argumentativo é uma das coisas mais estáveis do gênero, e é por isso que ela cai tanto nas provas: sabendo reconhecê-la, o estudante identifica rapidamente onde está a tese, onde estão os argumentos e onde está a conclusão de qualquer texto argumentativo. O modelo mais usado tem quatro ou cinco parágrafos: um de introdução, dois de desenvolvimento e um de conclusão. Essa não é uma regra de ferro — textos maiores, como artigos de opinião, podem ter mais parágrafos —, mas é o esqueleto que organiza a redação do ENEM e que serve de referência para a leitura de textos argumentativos nas questões objetivas.

A introdução tem duas funções: contextualizar o tema e apresentar a tese. Contextualizar é situar o assunto no tempo, no espaço ou no debate público: um dado, um fato histórico, uma referência cultural ou uma breve descrição do problema. Apresentar a tese é dizer, com clareza, qual posição será defendida. Uma introdução eficiente é curta — em geral, de cinco a sete linhas na redação do ENEM — e termina com a tese, funcionando como um contrato com o leitor: “é isto que vou defender, e é isto que você vai encontrar nos próximos parágrafos”. Introduções que apenas repetem o tema, sem tese, ou que anunciam argumentos que nunca aparecem no desenvolvimento, quebram esse contrato e enfraquecem o texto inteiro.

O desenvolvimento é o coração do texto: é onde a tese é sustentada. Cada parágrafo de desenvolvimento costuma seguir uma lógica interna em três movimentos: apresenta-se um argumento, fundamenta-se esse argumento com evidências — dados, exemplos, citações de especialistas, relações de causa e consequência — e explicita-se a relação entre o argumento e a tese, mostrando como ele a confirma. O erro mais comum aqui é o parágrafo que apenas afirma, sem fundamentar: “o problema é grave e precisa ser resolvido” não é um argumento, é uma repetição da tese com outras palavras. Argumento exige prova, e prova exige repertório: números de fontes confiáveis, fatos históricos, conceitos de áreas como a Sociologia e a Filosofia, exemplos concretos e bem escolhidos.

A conclusão fecha o raciocínio: retoma a tese, sintetiza os argumentos e, no modelo do ENEM, apresenta a proposta de intervenção. Uma boa conclusão não introduz argumentos novos — isso confundiria o leitor, que espera um fechamento — e não se limita a copiar a introdução. Ela mostra o que decorre de tudo o que foi discutido: diante do problema e das razões apresentadas, o que deve ser feito, por quem, como e para quê. Na redação do ENEM, a proposta de intervenção é avaliada na competência 5, e os textos nota máxima detalham todos os seus elementos: agente (quem age), ação (o que será feito), meio ou modo (como será feito), finalidade (para quê) e detalhamento (um esclarecimento que torna a proposta mais concreta). Propostas vagas — “é preciso conscientizar a sociedade” — ou que desrespeitam os direitos humanos são penalizadas.

A tese: o coração do texto

A tese é a opinião central que o texto defende, e tudo no texto existe em função dela. Uma boa tese tem três qualidades: é clara, ou seja, o leitor entende imediatamente qual é a posição defendida; é específica, isto é, recorta o tema em vez de falar dele de modo genérico; e é defensável, ou seja, pode ser sustentada por argumentos, em vez de ser uma obviedade ou um preconceito. “A educação é importante” não é uma tese: é uma frase com a qual quase todo mundo concorda e que não gera debate. “A educação integral, com jornada ampliada e atividades culturais, é o caminho mais eficaz para reduzir a evasão no ensino médio brasileiro” é uma tese: ela toma posição, recorta o tema e abre espaço para argumentos e contra-argumentos.

Há duas armadilhas frequentes na formulação da tese. A primeira é a neutralidade aparente: o autor apresenta os dois lados do debate e não se posiciona, com medo de errar. O resultado é um texto sem tese, que não argumenta de verdade. A segunda é a tese radical ou ofensiva: posições que desrespeitam direitos humanos ou que se apoiam em preconceitos não são aceitas como tese válida no ENEM e, além disso, enfraquecem qualquer argumentação séria. O caminho do meio é a tese ponderada e fundamentável: uma posição definida, mas formulada com responsabilidade, que reconhece a complexidade do tema sem fugir dele.

Os tipos de argumento: como sustentar uma tese

Se a tese é o que se defende, os argumentos são as razões pelas quais ela deve ser aceita. Conhecer os tipos de argumento ajuda tanto a escrever quanto a ler: na escrita, amplia o repertório de estratégias; na leitura, permite identificar qual estratégia um autor está usando e avaliar se ela é sólida ou frágil. Os tipos mais cobrados nas provas são o argumento por exemplo, por autoridade, por causa e consequência, por comparação, por dados e por raciocínio lógico, e um mesmo texto pode — e deve — combinar mais de um tipo.

O argumento por exemplo sustenta uma afirmação geral com um caso concreto. Dizer que “programas de leitura na infância melhoram o desempenho escolar” ganha força quando se cita o caso de uma rede municipal que, ao criar bibliotecas nas escolas, viu subir os índices de leitura dos alunos. O cuidado aqui é a representatividade: um único exemplo isolado, sem contexto, não prova uma regra geral. O exemplo funciona quando é verossímil, pertinente ao tema e apresentado com detalhes suficientes para que o leitor entenda a sua relação com a tese — e falha quando é anedótico, ou seja, quando se apoia em um caso pessoal sem alcance para o debate.

O argumento de autoridade apoia-se no saber de um especialista ou de uma instituição reconhecida: um pesquisador, um órgão oficial, um autor clássico. “Segundo o sociólogo francês Émile Durkheim, a educação é a ação das gerações adultas sobre as mais jovens” é um argumento de autoridade: a citação empresta peso à tese. Mas atenção: a autoridade precisa ser pertinente ao tema e apresentada com precisão. Citar um médico para discutir política educacional, ou atribuir a um autor uma frase que ele nunca disse, enfraquece o texto em vez de fortalecê-lo. Nas questões do ENEM, é comum perguntar qual é a função de uma citação em um texto argumentativo — e a resposta, em geral, é que ela sustenta a tese do autor, conferindo-lhe credibilidade.

O argumento por causa e consequência estabelece uma cadeia de relações: mostra o que provoca o problema e o que decorre dele. “A falta de investimento em transporte público leva mais pessoas ao carro particular, o que aumenta os congestionamentos e a poluição nas grandes cidades” encadeia causas e efeitos de forma lógica. Esse tipo de argumento é poderoso porque sugere, ao mesmo tempo, o diagnóstico e o caminho da solução: se a causa é conhecida, agir sobre ela pode mudar a consequência. O risco é a simplificação excessiva: problemas sociais raramente têm uma única causa, e textos que reduzem tudo a um único fator parecem ingênuos. Bons textos apresentam causas múltiplas e articuladas.

O argumento por comparação aproxima dois casos para iluminar o tema: compara-se o Brasil com outro país, o presente com o passado, uma política com outra. “Enquanto países que investiram em formação docente colhem bons resultados em avaliações internacionais, o Brasil ainda enfrenta alta rotatividade de professores” usa a comparação para defender o investimento na carreira docente. A comparação só funciona se os termos comparados forem de fato comparáveis: comparar realidades muito diferentes, sem considerar o contexto de cada uma, gera conclusões falsas. É por isso que a comparação bem feita sempre explicita em que os casos se assemelham e em que diferem.

O argumento por dados usa números, estatísticas e resultados de pesquisas para sustentar a tese. Dados bem escolhidos dão concretude ao texto e são muito valorizados na redação do ENEM, desde que venham de fontes confiáveis e sejam interpretados corretamente: um número solto, sem fonte e sem relação clara com a tese, não argumenta — apenas decora o parágrafo. O estudante deve preferir dados de órgãos oficiais e de pesquisas conhecidas, indicar a fonte de forma genérica (“segundo o IBGE”, “de acordo com o Censo Escolar”) e, sobretudo, explicar o que o dado significa para a tese. Um dado sem interpretação é um enfeite; um dado interpretado é um argumento.

Por fim, o argumento por raciocínio lógico constrói-se por dedução ou indução: parte-se de uma premissa geral para um caso particular, ou de casos particulares para uma conclusão geral. “Se toda política pública eficaz depende de continuidade, e o programa foi interrompido a cada troca de governo, então a descontinuidade explica parte do seu fracasso” é um raciocínio dedutivo. A força desse tipo de argumento está na validade do encadeamento: se as premissas são verdadeiras e a conclusão decorre delas, o argumento é sólido. Falácias — como generalizar a partir de um caso, atacar a pessoa em vez do argumento ou apelar apenas para a emoção — são raciocínios inválidos que as provas pedem que o estudante reconheça, sobretudo em textos que tentam persuadir sem fundamentação.

Repertório sociocultural: o que é e como usar

O repertório sociocultural é o conjunto de conhecimentos que o autor mobiliza para fundamentar a argumentação: fatos históricos, conceitos filosóficos e sociológicos, dados estatísticos, obras literárias, filmes, leis, notícias e experiências sociais relevantes. No ENEM, o uso de repertório pertinente é avaliado na competência 2 e na competência 3, que mede a capacidade de selecionar, relacionar e organizar informações em defesa de um ponto de vista. Repertório não é enfeite: ele só conta pontos quando está articulado à tese, ou seja, quando o texto explica por que aquele conhecimento sustenta o argumento, em vez de apenas citá-lo.

Linguagem, coesão e progressão: o acabamento do texto

Um texto argumentativo bem estruturado pode perder força se a linguagem for inadequada. O registro esperado é a norma culta da língua portuguesa, com vocabulário preciso, frases bem construídas e ausência de gírias, abreviações de internet e marcas de oralidade como “né” e “tipo assim”. Isso não significa escrever de forma rebuscada: palavras difíceis usadas sem necessidade prejudicam a clareza tanto quanto a informalidade. O ideal é a precisão — escolher a palavra exata para cada ideia — e a variedade, evitando repetir os mesmos termos em todos os parágrafos. No ENEM, o domínio da norma culta é avaliado na competência 1, e deslizes sistemáticos de concordância, regência, pontuação e acentuação custam pontos mesmo quando a argumentação é boa.

A coesão é o sistema de ligações do texto. Ela se realiza por conectivos — conjunções e expressões como “portanto”, “além disso”, “em contrapartida”, “dessa forma”, “por conseguinte” — e por mecanismos de retomada, como pronomes e sinônimos, que evitam repetições e mantêm o referente claro. Um texto coeso guia o leitor: ele sinaliza quando um argumento se soma a outro, quando há contraste, quando há causa, quando há conclusão. O estudante deve dominar um repertório variado de conectivos, porque repetir “e” e “mas” em todos os parágrafos empobrece o texto, e usar conectivos com sentido errado — “portanto” para introduzir um argumento novo, por exemplo — confunde o raciocínio. Nas questões objetivas, o ENEM explora a coesão pedindo o efeito de sentido de um articulador ou a relação estabelecida por ele entre duas partes do texto.

Como o ENEM e os vestibulares cobram o texto dissertativo-argumentativo

O texto dissertativo-argumentativo aparece no ENEM em duas frentes: na Redação, como o gênero exigido, e nas questões de Linguagens, como objeto de leitura e análise. Nas questões objetivas, os comandos mais frequentes pedem a identificação da tese (“o autor defende que…”), do argumento que sustenta uma afirmação, da função de um trecho — como uma citação ou um dado —, da relação entre duas partes do texto e do efeito de sentido de um conectivo ou de uma escolha vocabular. Em todos esses casos, a estratégia é a mesma: localize a tese, sublinhe os argumentos e pergunte qual é a função de cada trecho em relação à tese.

Tabelas de revisão

Parte do textoFunçãoO que deve conter
IntroduçãoContextualizar o tema e apresentar a teseContexto do tema (dado, fato histórico ou referência) + tese clara e específica
Desenvolvimento 1Sustentar a tese com o primeiro argumentoArgumento + fundamentação (dado, exemplo, autoridade ou causa) + relação com a tese
Desenvolvimento 2Sustentar a tese com o segundo argumentoArgumento diferente do primeiro + fundamentação + relação com a tese
ConclusãoFechar o raciocínio e propor a intervençãoRetomada da tese + proposta com agente, ação, meio, finalidade e detalhamento
Tipo de argumentoComo funcionaExemploCuidado
Por exemploSustenta uma afirmação geral com um caso concretoUma rede municipal que criou bibliotecas e elevou os índices de leituraO exemplo isolado não prova uma regra geral
De autoridadeApoia-se no saber de um especialista ou instituiçãoCitação de Durkheim sobre a educação como ação das gerações adultasA autoridade deve ser pertinente e citada com precisão
Por causa e consequênciaEncadeia o que provoca o problema e o que decorre deleFalta de transporte público leva ao carro particular e à poluiçãoEvitar reduzir o problema a uma única causa
Por comparaçãoAproxima dois casos para iluminar o temaPaíses que investiram em formação docente e o BrasilOs termos comparados precisam ser comparáveis
Por dadosUsa números e pesquisas para sustentar a tesePercentual do Censo Escolar sobre evasão no ensino médioIndicar a fonte e interpretar o número
Por raciocínio lógicoConstrói-se por dedução ou indução a partir de premissasSe a eficácia depende de continuidade, a interrupção explica o fracassoEvitar falácias: generalização, ataque pessoal, apelo emocional vazio
Ilustração em estilo Pixar de um texto dissertativo-argumentativo representado como uma escada de três degraus coloridos, com um estudante subindo do degrau da introdução e da tese para o desenvolvimento com argumentos e, por fim, para a conclusão com proposta de intervenção.
Ilustração em estilo Pixar de um texto dissertativo-argumentativo representado como uma escada de três degraus coloridos, com um estudante subindo do degrau da introdução e da tese para o desenvolvimento com argumentos e, por fim, para a conclusão com proposta de intervenção.
Ilustração em estilo Pixar de quatro personagens simpáticos representando tipos de argumento: um estudante mostrando um exemplo com fotos, um especialista com jaleco e livros representando a autoridade, peças de dominó caindo representando causa e consequência, e dois estudantes comparando objetos diferentes representando a comparação.
Ilustração em estilo Pixar de quatro personagens simpáticos representando tipos de argumento: um estudante mostrando um exemplo com fotos, um especialista com jaleco e livros representando a autoridade, peças de dominó caindo representando causa e consequência, e dois estudantes comparando objetos diferentes representando a comparação.

Mapa mental

  • Texto dissertativo-argumentativo
    • Definição — texto que defende um ponto de vista (tese) sobre um tema, com argumentos para convencer o leitor; diferente do texto expositivo, que apenas informa
    • Estrutura clássica
      • Introdução — contextualiza o tema e apresenta a tese
      • Desenvolvimento — sustenta a tese, em geral em dois parágrafos, cada um com argumento, fundamentação e relação com a tese
      • Conclusão — retoma a tese e apresenta a proposta de intervenção (agente, ação, meio, finalidade e detalhamento)
    • Tese — opinião central do texto; deve ser clara, específica e defensável; aparece na introdução e é retomada na conclusão; não confundir fato com tese
    • Tipos de argumento
      • Por exemplo — caso concreto que sustenta uma afirmação geral; cuidado com o exemplo isolado
      • De autoridade — citação de especialista ou instituição pertinente ao tema, citada com precisão
      • Por causa e consequência — cadeia de causas e efeitos; cuidado com a simplificação a uma única causa
      • Por comparação — aproximação de dois casos comparáveis; explicitar semelhanças e diferenças
      • Por dados — números e pesquisas de fontes confiáveis, sempre interpretados
      • Por raciocínio lógico — dedução ou indução a partir de premissas; evitar falácias
    • Repertório sociocultural — fatos históricos, conceitos de Sociologia e Filosofia, dados, obras e leis; só vale quando articulado à tese, e não como citação decorada
    • Linguagem e coesão — norma culta, vocabulário preciso, conectivos variados e bem empregados, progressão entre parágrafos e coerência com a tese
    • Proposta de intervenção — exigida na conclusão da redação do ENEM; deve ter agente, ação, meio, finalidade e detalhamento e respeitar os direitos humanos
    • Como as provas cobram — identificação da tese, do argumento e da função de trechos; análise de estratégias argumentativas; confronto entre textos com teses opostas; redação dissertativo-argumentativa
    • Erros a evitar — texto sem tese, argumento sem fundamentação, repetição do mesmo argumento, proposta vaga, repertório deslocado, conectivos com sentido errado

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que é um texto dissertativo-argumentativo?
É um texto em que o autor defende um ponto de vista — a tese — sobre um tema, usando argumentos para convencer o leitor. É o gênero exigido na redação do ENEM.

2. Qual a diferença entre dissertar e argumentar?
Dissertar é expor um tema com profundidade. Argumentar é defender uma posição sobre esse tema, com razões que sustentem essa posição. Todo texto argumentativo é dissertativo, mas nem todo texto dissertativo é argumentativo: há dissertações apenas expositivas, que não tomam posição.

3. Qual é a estrutura clássica do texto dissertativo-argumentativo?
Introdução (contextualização do tema + tese), desenvolvimento (em geral dois parágrafos, cada um com um argumento fundamentado) e conclusão (retomada da tese + proposta de intervenção).

4. O que caracteriza uma boa tese?
Uma boa tese é clara (o leitor entende a posição defendida), específica (recorta o tema em vez de falar dele genericamente) e defensável (pode ser sustentada por argumentos). “A educação é importante” não é uma tese; é uma obviedade.

5. Quais são os principais tipos de argumento?
Por exemplo, de autoridade, por causa e consequência, por comparação, por dados e por raciocínio lógico. Um bom texto combina mais de um tipo.

6. O que é repertório sociocultural e quando ele vale pontos?
É o conjunto de conhecimentos mobilizados para fundamentar a argumentação: fatos históricos, conceitos filosóficos e sociológicos, dados, obras e leis. Ele só vale quando está articulado à tese, com explicação da sua relação com o argumento — citação decorada e deslocada não conta.

7. O que deve conter a proposta de intervenção da redação do ENEM?
Agente (quem age), ação (o que será feito), meio ou modo (como será feito), finalidade (para quê) e detalhamento (um esclarecimento que torna a proposta concreta). Ela deve respeitar os direitos humanos e não pode ser vaga.

8. Como reconhecer a tese de um texto em uma questão objetiva?
Procure a frase em que o autor toma posição — geralmente no primeiro ou no último parágrafo — e desconfie de alternativas que apresentam apenas um fato do texto. Fato informa; tese opina e precisa ser defendida.

Questões comentadas

Questão 1. Leia o trecho de um artigo de opinião sobre o uso de redes sociais por adolescentes: “As redes sociais não devem ser banidas da vida dos adolescentes, mas educadas. Proibir o acesso apenas transfere o uso para espaços sem supervisão, enquanto a educação midiática ensina o jovem a reconhecer desinformação, proteger sua privacidade e usar as plataformas com critério.” A tese defendida pelo autor é:

a) as redes sociais devem ser banidas da vida dos adolescentes.
b) os adolescentes devem usar as redes sociais sem nenhuma supervisão.
c) o uso das redes sociais por adolescentes deve ser orientado pela educação midiática, e não pela proibição.
d) a desinformação nas redes sociais não é um problema para os jovens.
e) os pais não devem se preocupar com o uso das redes sociais pelos filhos.

Gabarito: C. A tese é a posição que o autor defende e que o restante do texto sustenta: orientar o uso pela educação, em vez de proibir. A alternativa A diz o contrário do defendido; B e E exageram o que o texto afirma; D contradiz o trecho, que cita a desinformação como um risco a ser enfrentado.

Questão 2. Uma estudante escreve, no desenvolvimento de sua redação sobre evasão escolar: “Segundo o Censo Escolar, uma parcela significativa dos jovens que abandonam o ensino médio cita a necessidade de trabalhar como motivo principal. Por isso, políticas de permanência estudantil, como bolsas vinculadas à frequência, atacam diretamente uma das causas do problema.” O tipo de argumento predominante nesse trecho é:

a) o argumento por comparação, pois o texto compara dois países.
b) o argumento por dados articulado a causa e consequência, pois usa um levantamento oficial e relaciona a necessidade de trabalhar à evasão.
c) o argumento de autoridade, pois cita um filósofo famoso.
d) o argumento por exemplo, pois narra o caso de um único aluno.
e) o apelo emocional, pois o texto tenta comover o leitor sem apresentar razões.

Gabarito: B. O trecho usa um dado de um levantamento oficial (Censo Escolar) e estabelece uma relação de causa e consequência: a necessidade de trabalhar leva à evasão, e a bolsa ataca essa causa. Não há comparação entre países (A), citação de filósofo (C) nem caso individual (D), e o texto apresenta razões, não apenas emoção (E).

Questão 3. Em um debate sobre transporte público, um participante afirma: “Se a cidade quer menos congestionamento, precisa investir em ônibus e trens, porque, quando o transporte coletivo funciona, menos pessoas dependem do carro.” Do ponto de vista da estrutura argumentativa, essa fala apresenta:

a) apenas uma tese, sem nenhum argumento.
b) uma tese (investir em transporte coletivo) sustentada por um argumento de causa e consequência (transporte que funciona reduz a dependência do carro).
c) uma proposta de intervenção sem tese.
d) um argumento de autoridade, pois cita um especialista.
e) uma contradição, pois a conclusão nega a tese.

Gabarito: B. A tese é o investimento em transporte coletivo, e o argumento que a sustenta é a relação de causa e consequência: transporte coletivo eficiente diminui o uso do carro e, portanto, o congestionamento. Não se trata de citação de especialista (D) nem de contradição (E).

Questão 4. Dois artigos de opinião discutem a mesma medida — a ampliação da jornada escolar. O primeiro defende que a jornada ampliada melhora o aprendizado; o segundo argumenta que ela sobrecarrega alunos e professores sem resolver a falta de estrutura das escolas. Um estudante que lê os dois textos deve concluir que eles divergem, sobretudo:

a) quanto ao tema, pois tratam de assuntos completamente diferentes.
b) quanto à tese, pois defendem posições opostas sobre a mesma medida, ainda que partam de argumentos distintos.
c) quanto ao gênero, pois um é dissertação e o outro é poema.
d) quanto à linguagem, pois um usa a norma culta e o outro não.
e) quanto à época, pois foram escritos em séculos diferentes.

Gabarito: B. Os dois textos tratam do mesmo tema e da mesma medida, mas defendem teses opostas: um vê benefício no aprendizado, o outro vê sobrecarga sem solução estrutural. A divergência central é de tese, não de tema (A), de gênero (C) ou de época (E).

Questão 5. Na conclusão de uma redação sobre o descarte incorreto de lixo eletrônico, uma estudante escreve: “Portanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as prefeituras, criar pontos de coleta de lixo eletrônico em todas as capitais, com divulgação em escolas e postos de saúde, a fim de facilitar o descarte correto e reduzir a contaminação do solo.” Essa conclusão é bem construída porque:

a) apresenta um argumento totalmente novo, que não apareceu no desenvolvimento.
b) repete a introdução palavra por palavra, sem acrescentar nada.
c) apresenta uma proposta de intervenção completa, com agente, ação, meio, finalidade e detalhamento, decorrente do problema discutido.
d) desrespeita os direitos humanos, pois impõe uma obrigação ao poder público.
e) evita qualquer posicionamento, mantendo-se neutra sobre o tema.

Gabarito: C. A proposta indica quem age (Ministério do Meio Ambiente com as prefeituras), o que será feito (criar pontos de coleta), como (com divulgação em escolas e postos de saúde), para quê (facilitar o descarte correto e reduzir a contaminação) — ou seja, agente, ação, meio e finalidade, com detalhamento. Ela decorre do problema discutido, sem introduzir argumento novo (A) e sem desrespeitar direitos (D).

Questão 6. Um texto argumentativo afirma: “Um único aluno que estudou sozinho e passou em primeiro lugar prova que qualquer estudante consegue o mesmo resultado sem ajuda da escola.” O problema argumentativo dessa afirmação é que ela:

a) usa um argumento de autoridade corretamente.
b) generaliza a partir de um único caso, cometendo uma falácia de generalização indevida.
c) apresenta dados estatísticos confiáveis.
d) compara dois casos semelhantes com rigor.
e) retoma a tese de forma coerente na conclusão.

Gabarito: B. Um caso isolado não sustenta uma regra geral: o sucesso de um aluno, em condições particulares, não prova que todos conseguiriam o mesmo sem a escola. Trata-se de uma generalização indevida, uma falácia que enfraquece a argumentação, e não de um uso válido de dados (C) ou de comparação rigorosa (D).

Dica do professor

Antes de escrever, monte o esqueleto do texto em três linhas: a tese em uma frase, o argumento 1 em uma frase e o argumento 2 em uma frase. Se você não consegue resumir cada parte em uma frase, o texto ainda não está pronto para ser escrito — e é nessa hora, no planejamento, que se evita a redação que repete a mesma ideia em quatro parágrafos. Depois, para cada argumento, pergunte: “qual é a minha prova?” — um dado, um exemplo, uma autoridade, uma causa. Argumento sem prova é opinião solta. E, na revisão final, leia o texto como se fosse o avaliador: a tese está clara na introdução? Cada parágrafo acrescenta algo novo? A conclusão propõe uma ação concreta, com agente e meio, ou apenas pede “conscientização”? Quem corrige esses três pontos antes de entregar costuma subir uma faixa inteira de nota.

Atenção / cuidado

Erros comuns que custam pontos: escrever um texto sem tese, apenas expondo o tema; repetir o mesmo argumento com outras palavras nos dois parágrafos de desenvolvimento; apresentar argumentos sem fundamentação, como “o problema é grave e precisa ser resolvido”; usar repertório decorado e deslocado, citando um autor famoso sem relação com a tese; propor uma intervenção vaga (“é preciso conscientizar a sociedade”) ou que desrespeita os direitos humanos; confundir fato com tese nas questões objetivas, marcando a alternativa que apenas informa em vez da que expressa a posição do autor; e usar conectivos com sentido errado, como “portanto” para introduzir um argumento novo. Outro cuidado: na redação do ENEM, fugir do tema ou escrever outro gênero textual — como uma carta ou uma narração — zera a redação, por mais bem escrita que ela seja.

Conexão com outras áreas

O tema conversa com a Filosofia na teoria da argumentação, na lógica e no estudo das falácias — o que é um bom argumento e o que apenas parece ser um. Conversa com a Sociologia no estudo dos debates públicos, dos atores sociais e das políticas que viram propostas de intervenção. Conversa com a História na origem dos grandes debates e no repertório histórico que fundamenta os argumentos. Conversa com a Literatura na análise de teses e estratégias persuasivas em crônicas, ensaios e discursos literários. E conversa diretamente com a Redação: dominar o texto dissertativo-argumentativo é dominar o gênero da prova — e, ao mesmo tempo, aprender a ler com senso crítico os textos argumentativos que circulam todos os dias em jornais, redes sociais e debates públicos.

Incidência

Incidência: 🔥 Quente. O texto dissertativo-argumentativo é o gênero mais cobrado da área de Linguagens no ENEM e nos vestibulares: é o gênero exigido na redação do ENEM e aparece em praticamente todas as edições nas questões de interpretação, na identificação de teses, argumentos, estratégias argumentativas e propostas de intervenção. Dominá-lo é, ao mesmo tempo, preparar-se para a redação e para as questões objetivas.

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