
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é o Naturalismo
- Contexto histórico e científico: o século dezenove acredita na ciência
- Émile Zola e o romance experimental
- O determinismo: meio, herança e instinto
- Características do Naturalismo para memorizar
- Naturalismo no Brasil: Aluísio Azevedo e O Cortiço
- Outros naturalistas brasileiros
- Realismo e Naturalismo: parecidos, mas não iguais
- Linha do tempo do Naturalismo
- O que cai no ENEM e nos vestibulares
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas curtas com respostas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
Resumo rápido
O Naturalismo é um movimento literário do final do século dezenove que tratou o ser humano como se fosse um objeto de estudo da ciência. Em vez de idealizar heróis, como fazia o Romantismo, e em vez de apenas criticar a sociedade com ironia, como fazia boa parte do Realismo, o Naturalismo procurou explicar o comportamento das pessoas por causas que estariam fora da sua vontade: o meio em que viviam, a herança que recebiam da família e os instintos do corpo. A ideia central, chamada de determinismo, pode ser resumida assim: ninguém nasce pronto e livre para escolher qualquer caminho; o lugar, a época, a família, a pobreza ou a riqueza, a doença e o desejo empurram cada pessoa para um destino que ela quase não consegue mudar.
O nome mais importante do Naturalismo é o francês Émile Zola (1840–1902), autor de Thérèse Raquin, L’Assommoir, Nana e Germinal. Zola defendia que o romancista deveria trabalhar como um médico ou um cientista: observar, anotar, descrever com detalhes e mostrar como um personagem reage quando é colocado em certa situação. No Brasil, o nome central é Aluísio Azevedo (1857–1913), autor de O Mulato, Casa de Pensão e, sobretudo, O Cortiço (1890), o romance naturalista brasileiro mais cobrado nas provas. Em O Cortiço, o verdadeiro protagonista não é uma pessoa só, mas o próprio cortiço, uma habitação coletiva no Rio de Janeiro, que vai moldando, corrompendo e destruindo quem vive ali.
Para a prova, guarde esta frase simples: no Naturalismo, o ambiente age sobre a pessoa, e a pessoa reage como um animal acuado. Por isso aparecem tantas descrições de cheiros, de calor, de sujeira, de fome, de bebida, de doença e de desejo; por isso os personagens são comparados a bichos; e por isso os finais costumam ser trágicos, sem redenção e sem lição de moral consoladora. Este artigo explica o contexto científico do século dezenove, o determinismo, Zola na França, Aluísio Azevedo e O Cortiço no Brasil, as características do movimento, a diferença entre Naturalismo e Realismo, tabelas para memorizar, uma linha do tempo, perguntas curtas com respostas e questões comentadas originais, no estilo do ENEM e dos vestibulares. Para situar o Naturalismo na história da literatura, vale revisar a prosa romântica, que o Naturalismo veio contestar, e a página de Literatura, que reúne os movimentos literários.
O que é o Naturalismo
Naturalismo é o nome dado a uma forma de escrever romances, contos e peças de teatro que surgiu na França, na segunda metade do século dezenove, e se espalhou pela Europa e pelas Américas. O movimento é muitas vezes apresentado como uma radicalização do Realismo, isto é, como um Realismo levado ao extremo. O Realismo já tinha abandonado o herói idealizado do Romantismo e passado a mostrar a sociedade com mais frieza, com adultérios, interesses, hipocrisia e mediocridade. O Naturalismo foi além: ele não queria apenas mostrar a sociedade, mas explicá-la com as ferramentas da ciência da época. O escritor naturalista dizia que o romance era uma experiência: coloque um personagem com certa herança e certo temperamento em certo meio, observe o que acontece, e o resultado será quase inevitável.
Essa ambição científica explica o vocabulário do Naturalismo. Os textos falam em raça, meio e momento, em hereditariedade, em temperamento, em instinto, em degeneração, em doença e em fisiologia, que é o estudo do funcionamento do corpo. O personagem naturalista muitas vezes não decide com a razão: ele é arrastado pelo desejo, pela fome, pelo álcool, pela raiva ou pelo medo. O narrador descreve o corpo com uma franqueza que chocava os leitores da época: suor, cheiro, sujeira, feridas, partos, bebedeiras, brigas e cenas de sexo, tudo narrado com detalhes que pareciam saídos de um relatório médico. Não era vulgaridade gratuita, na intenção dos autores, mas uma forma de provar a tese: o ser humano é também um corpo, e o corpo tem leis.
Outra marca do Naturalismo é a importância do coletivo. No Romantismo, o centro era o indivíduo apaixonado; no Naturalismo, o centro pode ser um grupo, uma família inteira ao longo de gerações, uma mina de carvão, um mercado, um bairro ou um cortiço. Zola escreveu uma série de vinte romances, Os Rougon-Macquart, para acompanhar uma mesma família durante o Segundo Império francês, mostrando como o álcool, a ambição e a doença se repetiam de pais para filhos. Aluísio Azevedo fez algo parecido em menor escala em O Cortiço: acompanhou dezenas de moradores ao mesmo tempo, e mostrou como o lugar transformava a todos, ricos e pobres, patrões e empregados. Quando a prova pergunta quem é o protagonista de O Cortiço, a resposta esperada é justamente essa: o cortiço, como personagem coletivo.
Contexto histórico e científico: o século dezenove acredita na ciência
Para entender o Naturalismo, é preciso entender o que o século dezenove pensava sobre a ciência. Depois da Revolução Industrial, da expansão das ferrovias, do telégrafo, da fotografia e da medicina moderna, muita gente passou a acreditar que a ciência explicaria tudo, inclusive o comportamento humano. Em 1859, Charles Darwin publicou A Origem das Espécies, defendendo que as espécies mudam por seleção natural e que o ser humano também faz parte da natureza, e não está acima dela. Essa ideia, mesmo quando era mal compreendida ou distorcida, abalou a visão de que o ser humano seria um ser totalmente livre e espiritual, e reforçou a ideia de que instintos, herança e adaptação ao ambiente pesam nas nossas escolhas.
Na mesma época, a medicina avançava no estudo do corpo, do cérebro e das doenças, e as ciências sociais começavam a estudar a pobreza, o crime e o alcoolismo como problemas que poderiam ser medidos e explicados, e não apenas condenados como pecados individuais. O filósofo e crítico francês Hippolyte Taine resumiu essa visão em uma fórmula famosa: toda obra humana, e todo comportamento, seria produto de três forças, a raça, o meio e o momento. Raça, nesse vocabulário antigo, queria dizer herança, temperamento e características transmitidas pela família e pelo grupo; meio queria dizer o lugar, o clima, a cidade, a casa, o trabalho e as condições sociais; momento queria dizer a época histórica, com os seus valores, leis e costumes. O escritor naturalista adotou essa fórmula como um roteiro: para entender um personagem, era preciso descrever a sua família, o seu ambiente e a sua época.
No Brasil, o contexto era outro, mas igualmente favorável ao determinismo. O país vivia o fim do Império, a abolição da escravidão em 1888, a proclamação da República em 1889 e um intenso debate sobre o que seria o povo brasileiro. Médicos, juristas e intelectuais discutiam, com as teorias raciais da época, se o clima tropical, a mistura de povos e a herança da escravidão condenariam o Brasil ao atraso, ou se a educação, a imigração e o trabalho poderiam mudar esse destino. Muitas dessas teorias hoje são reconhecidas como preconceituosas e cientificamente erradas, e é fundamental que o estudante perceba isso: o Naturalismo brasileiro incorporou ideias sobre raça e clima que a ciência atual rejeita, e a prova moderna cobra essa leitura crítica. Aluísio Azevedo e outros naturalistas brasileiros usaram essas ideias para denunciar o preconceito e a exploração, mas também reproduziram, em alguns trechos, os preconceitos do seu tempo. Saber separar a denúncia do preconceito é um dos pontos mais maduros que a prova pode pedir.
Émile Zola e o romance experimental
Émile Zola nasceu em Paris, em 1840, filho de um engenheiro italiano, e cresceu em Aix-en-Provence, no sul da França. Trabalhou como jornalista e crítico, defendeu os pintores impressionistas e, a partir de 1867, passou a escrever romances que chocaram o público pela franqueza. Em 1880, publicou o ensaio O Romance Experimental, que virou o manifesto do Naturalismo. Nele, Zola dizia que o romancista deveria proceder como o médico Claude Bernard, que fazia experiências para descobrir as leis do corpo: o escritor observa um fato, cria uma hipótese sobre as suas causas e mostra, no romance, como os personagens reagem em determinadas condições. O romance, nessa visão, não inventa livremente; ele demonstra.
O projeto maior de Zola foi a série Os Rougon-Macquart, vinte romances publicados entre 1871 e 1893, com o subtítulo de história natural e social de uma família sob o Segundo Império. A família se divide em dois ramos: os Rougon, que sobem socialmente pela ambição e pela especulação, e os Macquart, que descem para o alcoolismo, a loucura e a miséria, como se uma tara hereditária se repetisse de geração em geração. Cada romance focaliza um meio: o mercado de Paris, a mina de carvão, a ferrovia, o grande comércio, o exército, a igreja, a política, o teatro e a prostituição de luxo. Essa estrutura em série é muito cobrada: quando a prova cita Zola, ela costuma lembrar que ele estudou uma família inteira para provar a força da hereditariedade e do meio.
Entre os romances de Zola, quatro aparecem com mais frequência nos resumos e nas questões. Thérèse Raquin (1867) conta a história de Thérèse, casada com um primo doente, que se envolve com Laurent e mata o marido; o remorso, o medo e o desejo transformam os amantes em prisioneiros um do outro, e o fim é trágico. L’Assommoir (1877) acompanha Gervaise, uma lavadeira parisiense, e mostra como o trabalho pesado, a pobreza e o álcool a levam, passo a passo, à degradação, sem que ela consiga escapar, mesmo quando tenta. Nana (1880) acompanha Nana, uma jovem que se torna cortesã famosa e destrói financeiramente os homens que se apaixonam por ela, enquanto o seu corpo, desejado e exibido, vira um símbolo da corrupção da sociedade parisiense. Germinal (1885) é o romance dos mineiros de carvão em greve, com fome, trabalho desumano, solidariedade e revolta, e é considerado o grande romance operário do século dezenove.
O estilo de Zola também é matéria de prova. Ele escreve com descrições longuíssimas, que parecem inventários: uma feira inteira, com cheiros, cores e barulhos; uma mina inteira, com galerias, poeira e calor; um cortiço parisiense inteiro, com escadas, corredores e quartos. Essas descrições não são enfeite: elas são o meio agindo sobre os personagens. O narrador é geralmente em terceira pessoa, onisciente, mas se aproxima tanto dos personagens que o leitor sente o que eles sentem, inclusive a náusea, a fome e o desejo. A linguagem mistura termos técnicos, palavras populares e imagens de animais, porque, para Zola, o ser humano, quando é empurrado pelo instinto, age como um bicho. Essa zoomorfização, isto é, a comparação do ser humano com animais, é uma das palavras-chave do Naturalismo, e aparece em quase todas as listas de características.
O determinismo: meio, herança e instinto
O determinismo é a tese central do Naturalismo, e é preciso entendê-lo em três partes, porque a prova costuma separar as três. A primeira parte é o meio: o lugar onde a pessoa vive molda o seu caráter. Quem vive em um cortiço apertado, sem ventilação, sem água limpa e sem privacidade, tende a desenvolver hábitos, conflitos e doenças que quem vive em uma casa espaçosa não desenvolve. Quem trabalha em uma mina, no escuro e na poeira, tende a adoecer e a se revoltar de um modo diferente de quem trabalha em um escritório. O meio não é apenas cenário: ele é causa. Por isso o Naturalismo descreve tanto casas, bairros, oficinas, mercados e fábricas.
A segunda parte é a hereditariedade: traços físicos, doenças, temperamentos e vícios passariam de pais para filhos, como uma carga que o indivíduo carrega sem ter escolhido. Em Zola, o alcoolismo de uma geração reaparece na geração seguinte; em Aluísio Azevedo, o temperamento violento, a sensualidade ou a ambição de um personagem parecem herdados da família. Hoje sabemos que a genética é muito mais complexa do que o Naturalismo imaginava, e que o ambiente, a educação e as escolhas também pesam, mas, para responder à prova, é preciso entrar na lógica do movimento: para o naturalista, a herança limita a liberdade, e o personagem luta contra uma força que veio antes dele.
A terceira parte é o instinto: abaixo da razão, existiriam forças do corpo, como a fome, o sexo, a agressividade e o medo, que tomam o comando quando as condições apertam. O personagem naturalista muitas vezes sabe o que seria certo fazer, mas não consegue fazer, porque o desejo ou a necessidade fala mais alto. É por isso que tantos romances naturalistas giram em torno de adultérios, de bebedeiras, de brigas e de crimes passionais: não são apenas escândalos para chocar o leitor, mas demonstrações da tese de que o instinto, em certo meio e com certa herança, vence a moral. O final trágico, sem perdão e sem redenção, reforça a tese: se tudo estava determinado, não havia saída.
Características do Naturalismo para memorizar
As características abaixo formam a lista que mais cai na prova. Vale decorar cada uma com um exemplo. Primeiro, a observação científica e a descrição minuciosa: o narrador descreve tudo com detalhes de relatório, de cheiros a cores, de roupas a móveis, porque o meio precisa ser provado, e não apenas sugerido. Segundo, o determinismo: meio, herança e instinto explicam o comportamento, e a liberdade do personagem é mínima. Terceiro, a zoomorfização: personagens comparados a animais, agindo por instinto, brigando por território, comida e sexo, como bichos em um espaço apertado.
Quarto, o coletivo como protagonista: grupos, famílias e ambientes inteiros ganham mais importância do que um herói isolado, como o cortiço em Aluísio Azevedo e a mina em Zola. Quinto, a temática forte e chocante: pobreza, alcoolismo, prostituição, adultério, violência, doença, loucura e degradação física, tratados sem pudor e sem final moralizante. Sexto, a linguagem direta e crua: palavras populares, gírias, termos do corpo e do trabalho, misturados a descrições técnicas, sem o vocabulário elevado e poético do Romantismo. Sétimo, o narrador em terceira pessoa, geralmente onisciente, que observa de fora, mas se aproxima dos sentidos dos personagens, mostrando o que eles veem, cheiram, sentem e desejam.
Oitavo, a crítica social pela demonstração: em vez de discursar sobre a injustiça, o romance mostra, passo a passo, como a miséria produz a miséria, como a exploração produz a revolta e como o preconceito produz a exclusão. Nono, a ausência de idealização: não há herói perfeito, nem heroína pura, nem final feliz que resolva tudo; há pessoas comuns, com defeitos, contradições e limites, e finais que deixam o leitor desconfortável. Décimo, a importância do trabalho e do corpo: o trabalho pesado, a fome, o cansaço, a doença e o desejo aparecem como forças reais, e não como pano de fundo romântico. Se você lembrar de determinismo, zoomorfização, descrição minuciosa, coletivo e final trágico, já tem o núcleo do Naturalismo para qualquer questão.
| Característica | O que significa | Exemplo rápido |
|---|---|---|
| Determinismo | Meio, herança e instinto decidem o destino | Moradores moldados pelo cortiço em O Cortiço |
| Zoomorfização | Ser humano comparado a animal, agindo por instinto | Brigas e desejos descritos como comportamento de bichos |
| Descrição minuciosa | Detalhes de cheiro, cor, sujeira, corpo e ambiente | Feiras, minas e cortiços descritos por páginas inteiras |
| Protagonista coletivo | Grupo ou ambiente como personagem principal | O próprio cortiço; os mineiros de Germinal |
| Temas fortes | Álcool, sexo, violência, doença, pobreza | Gervaise em L’Assommoir; Nana em Nana |
| Final trágico | Sem redenção fácil nem lição consoladora | Queda, morte ou degradação dos personagens |
| Narrador observador | Terceira pessoa, olhar quase científico | Zola e Aluísio Azevedo observando o meio |
Naturalismo no Brasil: Aluísio Azevedo e O Cortiço
Aluísio Azevedo nasceu em São Luís, no Maranhão, em 1857, e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista, desenhista e escritor. Publicou O Mulato em 1881, considerado o marco inicial do Naturalismo brasileiro. O romance conta a história de Raimundo, filho de um português com uma mulher negra escravizada, que volta ao Maranhão depois de estudar na Europa e enfrenta o preconceito racial da sociedade local, apaixona-se pela prima Ana Rosa e é destruído por esse preconceito. O Mulato já traz as marcas naturalistas: a denúncia do preconceito, a descrição do meio provinciano, o peso da herança e um final trágico, sem conciliação. Depois, Aluísio publicou Casa de Pensão (1884), sobre um jovem que se envolve com a dona de uma pensão e acaba destruído por intrigas, ciúmes e interesses, e O Homem (1887), um dos primeiros romances brasileiros a tratar da sexualidade feminina com olhar científico.
O Cortiço, publicado em 1890, é a obra-prima de Aluísio Azevedo e o romance naturalista brasileiro mais cobrado. A história se passa no Rio de Janeiro, no bairro de Botafogo, e acompanha a formação e o crescimento de um cortiço, uma habitação coletiva onde viviam trabalhadores pobres, imigrantes, lavadeiras, operários e pequenos comerciantes. O dono do cortiço é João Romão, um português ambicioso, avarento e trabalhador, que enriquece explorando os moradores, cobrando aluguéis, vendendo mantimentos e usando o trabalho de Bertoleza, uma mulher negra escravizada que fugiu e vive com ele, acreditando que ele a libertaria. João Romão é o exemplo perfeito do determinismo pelo meio e pela ambição: ele começa pobre, trabalha sem descanso, acumula cada moeda e, à medida que enriquece, muda de hábitos, de roupas e de desejos, até querer se casar com uma moça de família burguesa para subir socialmente, abandonando Bertoleza, que, desesperada, se mata.
Ao lado de João Romão, o romance apresenta uma galeria de personagens que representam o cortiço inteiro. Bertoleza é a figura mais trágica: trabalhadora incansável, quitandeira, companheira de João Romão, que sustenta o crescimento do cortiço com o seu trabalho e, no fim, é descartada quando ele já não precisa dela. Miranda é o vizinho burguês de João Romão, dono de uma casa e de uma loja, com quem João Romão disputa prestígio, terreno e status, em uma rivalidade que simboliza a luta entre o pequeno comerciante que sobe e o burguês estabelecido. Rita Baiana é a mulata sensual, alegre e livre, que encarna, no olhar naturalista da época, a força do instinto e do clima tropical, e que atrai Jerônimo, um português sério e trabalhador, casado com Piedade, transformando-o completamente. Jerônimo é o caso mais didático de determinismo do romance: ele chega ao Brasil como um operário disciplinado, fiel à mulher e ao trabalho, e, aos poucos, o calor, a música, a comida, a sensualidade de Rita Baiana e a vida do cortiço o transformam em outro homem, que abandona a mulher, bebe, briga e se entrega ao prazer.
O enredo de O Cortiço não tem um único clímax, mas uma série de transformações. João Romão enriquece e quer se tornar burguês; Miranda enobrece, recebendo um título; Jerônimo se abrasileira e se perde; Rita Baiana segue o seu instinto; Bertoleza é sacrificada. O romance termina com João Romão prestes a se casar por interesse, com o cortiço reformado e ampliado, e com Bertoleza morta, em uma cena brutal: ao perceber que será presa e devolvida à escravidão, ela rasga o próprio ventre com uma faca, preferindo morrer a voltar a ser escravizada. O final não consola, não redime e não moraliza: ele mostra o preço humano do enriquecimento de João Romão e da engrenagem do cortiço. Para a prova, essa cena final é fundamental, porque ela junta determinismo, denúncia da escravidão, exploração do trabalho feminino e crítica social em um único desfecho.
Outros naturalistas brasileiros
Além de Aluísio Azevedo, o Naturalismo brasileiro tem outros nomes que podem aparecer, sobretudo em vestibulares que cobram listas mais amplas. Adolfo Caminha (1867–1897), autor de Bom-Crioulo (1895) e de A Normalista (1893), é o segundo nome mais lembrado. Bom-Crioulo conta a história de Amaro, um marinheiro negro, forte e trabalhador, que se apaixona por Aleixo, um jovem grumete, em um romance que tratava da homossexualidade com uma franqueza inédita na literatura brasileira da época, e que termina em tragédia, com ciúme, violência e morte. O romance é cobrado tanto pelo tema quanto pela tese naturalista: o meio do navio, a disciplina militar, o desejo e o ciúme determinam o destino dos personagens. A Normalista acompanha Maria do Carmo, uma jovem do interior do Ceará que vai estudar para professora na capital e enfrenta o assédio, a hipocrisia e as pressões sociais da época.
Realismo e Naturalismo: parecidos, mas não iguais
Realismo e Naturalismo são tão próximos que muitas provas os apresentam juntos, e alguns livros didáticos tratam o Naturalismo como uma vertente do Realismo. A confusão é compreensível, porque os dois movimentos surgiram no mesmo período, rejeitaram o Romantismo, usaram narrador em terceira pessoa, descreveram a sociedade com detalhes e criticaram a hipocrisia burguesa. Mas a prova cobra a diferença, e ela pode ser resumida em uma frase: o Realismo observa e critica; o Naturalismo observa, explica por causas científicas e mostra a degradação do corpo. O Realismo, em Machado de Assis, por exemplo, usa ironia, psicologia e análise social; o Naturalismo, em Aluísio Azevedo, usa fisiologia, hereditariedade e meio.
Para memorizar, use este truque: se a questão falar em ironia, em narrador que conversa com o leitor, em psicologia e em crítica da aparência social, pense em Realismo, sobretudo Machado de Assis. Se a questão falar em meio, herança, instinto, corpo, cheiro, álcool, animalização e coletivo, pense em Naturalismo, sobretudo Zola e Aluísio Azevedo. Se a questão falar em um romance que é ao mesmo tempo realista e naturalista, lembre que muitos autores transitam entre os dois, e que a classificação depende do traço que predomina: O Cortiço é o exemplo clássico de Naturalismo, enquanto Memórias Póstumas de Brás Cubas é o exemplo clássico de Realismo. Para revisar a escola anterior, que os dois movimentos contestaram, consulte a prosa romântica e, para entender as formas literárias em geral, os gêneros literários.
| Romantismo | Realismo | Naturalismo | |
|---|---|---|---|
| Herói | Idealizado, puro e corajoso | Complexo, contraditório, irônico | Dominado pelo meio, pela herança e pelo instinto |
| Visão do ser humano | Sentimento e imaginação acima de tudo | Razão, psicologia e crítica social | Corpo, instinto e leis quase científicas |
| Linguagem | Poética, emotiva, elevada | Precisa, irônica, analítica | Crua, detalhada, com cheiros e corpo |
| Final típico | Casamento, redenção ou morte poética | Ironia, ambiguidade, desilusão | Queda, morte ou degradação |
| Exemplo brasileiro | Iracema, de Alencar | Memórias Póstumas de Brás Cubas | O Cortiço, de Aluísio Azevedo |
| Exemplo francês | Romances de folhetim e de aventura | Flaubert, em Madame Bovary | Zola, em Germinal e Nana |
| Palavra-chave | Idealização | Ironia e crítica | Determinismo |
Linha do tempo do Naturalismo
| Ano | Acontecimento | Por que importa para a prova |
|---|---|---|
| 1859 | Darwin publica A Origem das Espécies | Reforça a ideia de que o ser humano faz parte da natureza |
| 1867 | Thérèse Raquin, de Zola | Primeiro grande romance naturalista francês |
| 1871–1893 | Série Os Rougon-Macquart, de Zola | Vinte romances sobre uma família e a hereditariedade |
| 1877 | L’Assommoir, de Zola | Alcoolismo e degradação operária em Paris |
| 1880 | O Romance Experimental, de Zola; Nana | Manifesto do Naturalismo; cortesã como símbolo social |
| 1881 | O Mulato, de Aluísio Azevedo | Marco inicial do Naturalismo brasileiro; denúncia do preconceito |
| 1885 | Germinal, de Zola | Mineiros, greve e trabalho desumano |
| 1888 | Abolição da escravidão no Brasil; O Ateneu | Contexto de O Cortiço; colégio como meio determinante |
| 1889 | Proclamação da República no Brasil | Novo contexto político do fim do século dezenove |
| 1890 | O Cortiço, de Aluísio Azevedo | Romance naturalista brasileiro mais cobrado |
| 1893 | A Normalista, de Adolfo Caminha | Naturalismo no Ceará; mulher e hipocrisia social |
| 1895 | Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha | Marinheiros, desejo, ciúme e tragédia |
O que cai no ENEM e nos vestibulares
As questões sobre Naturalismo raramente pedem apenas datas. Elas costumam apresentar um trecho com descrição detalhada de um ambiente, com cheiros, calor, sujeira ou multidão, e perguntar qual é a escola literária, qual é a tese defendida ou qual é o papel do ambiente na história. Por isso, treine a leitura de trechos com estas perguntas: o ambiente é apenas cenário, ou ele muda o personagem? O personagem age por decisão racional, ou é arrastado por desejo, fome, álcool ou raiva? Há comparação com animais? O final é feliz e redentor, ou é de queda e degradação? Se as respostas apontarem para ambiente que age, instinto que vence e final trágico, a resposta quase sempre é Naturalismo.
Os temas mais recorrentes são: o determinismo em O Cortiço, com João Romão, Bertoleza, Jerônimo e Rita Baiana; o cortiço como protagonista coletivo; a zoomorfização; a diferença entre Realismo e Naturalismo; Zola e o romance experimental; e a leitura crítica das teorias raciais e de clima do século dezenove, que hoje são rejeitadas pela ciência. Também caem a denúncia do preconceito em O Mulato e a tragédia de Bertoleza, que junta escravidão, trabalho feminino e exploração. Nos vestibulares que cobram obras completas, como a Fuvest e a Unicamp, O Cortiço já apareceu em listas, e nesses casos não basta saber o resumo: é preciso conhecer personagens, transformações e o desfecho. Leia com atenção o resumo detalhado acima e treine com as questões comentadas abaixo, que foram criadas para este artigo, no estilo do ENEM, sem copiar nenhuma questão real.


Mapa mental
- Naturalismo
- Contexto: século dezenove, ciência, Darwin, medicina, indústria e cidades crescendo
- Tese central: determinismo — meio, herança e instinto decidem o destino
- Fórmula de Taine: raça, meio e momento explicam o comportamento
- França: Émile Zola, O Romance Experimental, série Os Rougon-Macquart
- Obras de Zola: Thérèse Raquin, L’Assommoir, Nana, Germinal
- Brasil: Aluísio Azevedo, O Mulato, Casa de Pensão, O Cortiço (1890)
- O Cortiço: João Romão, Bertoleza, Miranda, Rita Baiana, Jerônimo e Piedade; o cortiço como protagonista
- Outros brasileiros: Adolfo Caminha (Bom-Crioulo, A Normalista), Raul Pompeia (O Ateneu)
- Características: descrição minuciosa, zoomorfização, coletivo, temas fortes, final trágico, narrador observador
- Diferença: Realismo observa e critica com ironia; Naturalismo explica por causas e mostra o corpo
- Leitura crítica: teorias raciais do século dezenove são preconceituosas e rejeitadas hoje; denúncia e preconceito podem conviver no mesmo texto
- Temas de prova: determinismo, cortiço como personagem, Jerônimo transformado, tragédia de Bertoleza
SAQ — Perguntas curtas com respostas
1. O que é o determinismo no Naturalismo?
É a tese de que o comportamento humano é decidido, sobretudo, pelo meio em que a pessoa vive, pela herança que ela recebe da família e pelos instintos do corpo, deixando pouca margem para a livre escolha.
2. Quem são os dois autores centrais do Naturalismo, na França e no Brasil?
Na França, Émile Zola, autor de Germinal e Nana; no Brasil, Aluísio Azevedo, autor de O Cortiço e O Mulato.
3. O que Zola defendia em O Romance Experimental?
Que o romancista deveria trabalhar como um cientista: observar, formular hipóteses sobre as causas do comportamento e mostrar, no romance, como os personagens reagem em determinadas condições.
4. Por que o cortiço é considerado o protagonista de O Cortiço?
Porque o cortiço age como um organismo vivo, cresce, atrai moradores, molda hábitos, provoca brigas e desejos e destrói quem vive ali, enquanto nenhum morador, sozinho, consegue mudar esse destino.
5. Como Jerônimo exemplifica o determinismo em O Cortiço?
Jerônimo chega ao Brasil como um operário sério, fiel à mulher e ao trabalho, e vai se transformando pelo calor, pela música, pela sensualidade de Rita Baiana e pela vida do cortiço, até abandonar a mulher e se entregar ao prazer e à bebida.
6. O que é zoomorfização?
É a comparação do ser humano com animais, mostrando personagens que agem por instinto, disputam território, comida e sexo e brigam como bichos em um espaço apertado.
7. Qual é a diferença principal entre Realismo e Naturalismo?
O Realismo observa e critica a sociedade com ironia e análise psicológica; o Naturalismo vai além, explicando o comportamento por causas científicas, como meio, herança e instinto, e mostrando a degradação do corpo com descrições cruas.
8. Por que a leitura atual do Naturalismo precisa ser crítica em relação às teorias raciais do século dezenove?
Porque muitas dessas teorias, que ligavam raça e clima a inferioridade ou a destino inevitável, eram preconceituosas e são rejeitadas pela ciência atual, mesmo quando os romances as usavam para denunciar o preconceito e a exploração.
Questões comentadas
Questão 1. Um trecho de romance descreve, por várias páginas, o cheiro, o calor, o barulho e a sujeira de uma habitação coletiva, e mostra como os moradores, aos poucos, mudam de hábitos, brigam por espaço e se entregam a desejos que antes condenavam. O narrador compara os moradores a animais disputando um mesmo território. Essa passagem é mais característica de qual escola literária?
A) Romantismo, porque idealiza os moradores como heróis puros.
B) Arcadismo, porque celebra a vida simples no campo.
C) Naturalismo, porque o meio age sobre os personagens e o instinto vence a razão.
D) Simbolismo, porque usa apenas imagens vagas e musicais, sem descrição do ambiente.
E) Modernismo, porque rompe com a sintaxe e cria uma linguagem fragmentada.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois não há idealização, e sim degradação e instinto. B) está errada, pois o cenário não é o campo bucólico, e sim uma habitação coletiva urbana e degradada. C) está certa, pois a descrição minuciosa do meio, a transformação dos personagens pelo ambiente e a zoomorfização são marcas do Naturalismo. D) está errada, pois o trecho é descritivo e concreto, e não vago e musical. E) está errada, pois não há ruptura modernista de linguagem, e sim um narrador observador do século dezenove.
Questão 2. Em O Cortiço, Jerônimo chega ao Brasil como um trabalhador disciplinado e fiel, mas, com o tempo, abandona a mulher, entrega-se à bebida e ao desejo por Rita Baiana e muda completamente de vida. A melhor explicação naturalista para essa transformação é:
A) Jerônimo sempre foi mau, e apenas fingia ser bom no início.
B) Um destino misterioso e sobrenatural decidiu a sua vida, sem causas observáveis.
C) O meio do cortiço, o clima, a música, a sensualidade e os instintos o transformaram, mostrando o determinismo.
D) Jerônimo leu romances românticos e decidiu imitar os heróis idealizados.
E) A transformação é apenas um recurso cômico, sem relação com a tese do romance.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois o romance mostra uma mudança gradual causada pelo ambiente, e não uma maldade original escondida. B) está errada, pois o Naturalismo explica por causas naturais e sociais observáveis, e não por forças sobrenaturais. C) está certa, pois Jerônimo é o exemplo didático de determinismo em O Cortiço. D) está errada, pois não há imitação de herói romântico no enredo. E) está errada, pois a transformação é central para a tese do romance, e não um detalhe cômico.
Questão 3. Sobre Émile Zola e o romance experimental, é correto afirmar que:
A) Zola defendia que o romance deveria apenas emocionar, sem nenhuma observação da realidade.
B) Zola propunha que o romancista observasse como um cientista e mostrasse como os personagens reagem em certas condições.
C) Zola escrevia apenas poemas líricos sobre a natureza, sem tratar da sociedade.
D) Zola rejeitava qualquer descrição detalhada, preferindo narrativas curtas e vagas.
E) Zola defendia que os personagens são totalmente livres, sem influência do meio ou da herança.
Gabarito: B. Comentário: A) está errada, pois Zola queria observação e demonstração, e não apenas emoção. B) está certa, pois O Romance Experimental compara o romancista ao médico que faz experiências. C) está errada, pois Zola é romancista, e o centro da sua obra é a sociedade do Segundo Império. D) está errada, pois Zola é famoso justamente pelas descrições longuíssimas de ambientes. E) está errada, pois a tese de Zola é determinista, e não de liberdade total.
Questão 4. Bertoleza, de O Cortiço, trabalha sem descanso, sustenta o crescimento do cortiço ao lado de João Romão e, no fim, é abandonada por ele, que quer se casar com uma moça burguesa para subir socialmente. Ao perceber que será presa e devolvida à escravidão, ela tira a própria vida. Essa trajetória permite concluir que o romance:
A) Celebra o enriquecimento de João Romão como um exemplo de virtude.
B) Mostra, com final trágico, o preço humano da exploração do trabalho e da escravidão.
C) Defende a escravidão como necessária para o progresso do país.
D) Apresenta Bertoleza como uma heroína romântica idealizada, sem sofrimento.
E) Termina com a redenção de todos os personagens e com um casamento feliz.
Gabarito: B. Comentário: A) está errada, pois João Romão é mostrado como ambicioso e explorador, e não como modelo de virtude. B) está certa, pois a morte de Bertoleza denuncia a exploração do trabalho feminino e a violência da escravidão, com o final trágico típico do Naturalismo. C) está errada, pois o romance denuncia a escravidão, e não a defende. D) está errada, pois Bertoleza é uma trabalhadora explorada, e não uma heroína idealizada. E) está errada, pois o final é trágico e não redime os personagens.
Questão 5. Um estudante afirma que Realismo e Naturalismo são exatamente a mesma coisa, porque os dois rejeitam o Romantismo. Essa afirmação está:
A) Correta, pois não há nenhuma diferença entre os dois movimentos.
B) Correta, pois Machado de Assis e Aluísio Azevedo escreveram os mesmos romances.
C) Incorreta, pois o Realismo critica com ironia e análise psicológica, enquanto o Naturalismo explica por meio, herança e instinto, com descrições cruas do corpo.
D) Incorreta, pois o Naturalismo é anterior ao Romantismo e não tem relação com ele.
E) Incorreta, pois o Realismo só trata do campo, e o Naturalismo só trata da cidade.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois, apesar da proximidade, há diferenças de tese, de personagem e de tom. B) está errada, pois são autores e obras diferentes. C) está certa, pois resume a distinção cobrada nas provas: ironia e psicologia no Realismo; determinismo e corpo no Naturalismo. D) está errada, pois o Naturalismo é posterior ao Romantismo, que ele contesta. E) está errada, pois os dois movimentos tratam de cidade e de campo, conforme a obra.
Questão 6. Um trecho naturalista compara trabalhadores em uma mina a animais no escuro, descreve a poeira, o calor e a fome, e mostra uma greve nascendo da revolta contra condições desumanas. A leitura mais adequada desse trecho é que ele pertence, provavelmente, a:
A) Um romance romântico indianista, porque trata de heróis da floresta.
B) Um romance naturalista, como Germinal, de Zola, em que o meio de trabalho determina a vida e a revolta dos mineiros.
C) Um poema árcade, porque celebra a vida pastoril.
D) Um conto modernista, porque fragmenta a linguagem e abandona o enredo.
E) Um romance urbano romântico, porque trata de bailes e casamentos na corte.
Gabarito: B. Comentário: A) está errada, pois não há índio heroico nem floresta no trecho. B) está certa, pois mina, poeira, fome, animalização e revolta operária são marcas de Germinal e do Naturalismo. C) está errada, pois não há celebração pastoril. D) está errada, pois a linguagem é descritiva e narrativa, e não fragmentada modernista. E) está errada, pois o cenário é a mina, e não os salões da corte.
Dica do professor
Monte um cartão com três colunas: meio, herança e instinto. Na coluna do meio, escreva cortiço, mina e mercado; na coluna da herança, escreva família Rougon-Macquart e alcoolismo que se repete; na coluna do instinto, escreva desejo, fome, álcool e raiva. Depois, complete o cartão com dois nomes: Zola, na França, e Aluísio Azevedo, no Brasil, e com duas obras: Germinal e O Cortiço. Revise esse cartão por dois minutos antes de fazer questões, e acrescente Jerônimo, como exemplo de transformação pelo meio, Bertoleza, como exemplo de exploração e tragédia, e a palavra zoomorfização, como marca de estilo. Com esse cartão, a maioria das questões se resolve perguntando: o ambiente está agindo? O instinto está vencendo? O final é de queda? Se a resposta for sim, sim e sim, pense em Naturalismo. Continue a revisão na página de Literatura, com foco no ENEM e nos vestibulares.
Atenção/cuidado
Os erros mais comuns são: confundir Naturalismo com Realismo, marcando Machado de Assis quando a questão pede Zola ou Aluísio Azevedo; achar que determinismo é destino mágico, quando o Naturalismo fala de causas observáveis, como meio, herança e instinto; chamar qualquer descrição de natureza de Naturalismo, quando o movimento é definido pela tese científica, e não pela paisagem; esquecer que o cortiço é o protagonista de O Cortiço, e não apenas o cenário; e confundir Jerônimo com João Romão, quando Jerônimo é o operário transformado pelo meio, e João Romão é o dono ambicioso que enriquece explorando os outros. Outro erro é tratar as teorias raciais do século dezenove como verdade científica atual: elas eram preconceituosas e são rejeitadas hoje, e a prova espera essa leitura crítica. Por fim, não confunda O Mulato com O Cortiço: em O Mulato, o tema central é o preconceito racial no Maranhão; em O Cortiço, o tema central é a habitação coletiva no Rio de Janeiro e o seu poder sobre os moradores. Se restar dúvida sobre a escola anterior, reveja a prosa romântica.
Conexão com outras áreas
O Naturalismo se conecta com a História, porque ele retrata o fim do Império, a abolição, a República, a industrialização e o crescimento das cidades, mostrando o avesso do progresso. Ele se conecta com a Biologia, porque usa ideias de Darwin, de herança e de adaptação, mesmo quando as distorce, e porque trata o corpo, a doença e o instinto como forças históricas. Ele se conecta com a Sociologia, porque mostra como moradia, trabalho, salário e preconceito moldam a vida das pessoas, e porque o cortiço, a mina e a fábrica são, até hoje, bons exemplos de como o ambiente social influencia a saúde e as escolhas. Ele se conecta com a Geografia, porque o clima, a cidade, o bairro e a casa aparecem como fatores que pesam sobre os personagens. E ele se conecta com a Redação, porque o estudante que entende o determinismo consegue escrever com mais cuidado sobre pobreza, moradia e preconceito, sem culpar apenas o indivíduo e sem cair em explicações simplistas. Para revisar a escola que veio antes do Naturalismo, consulte o Arcadismo e a prosa romântica, e para revisar as formas literárias, os gêneros literários. Este artigo faz parte da revisão de Literatura do cliquevestibular.
Incidência
Incidência: ♨️ Morno. O Naturalismo cai com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, geralmente por meio de trechos de O Cortiço, de perguntas sobre determinismo, zoomorfização e diferença entre Realismo e Naturalismo, e de questões sobre Zola. Ele cai menos do que o Romantismo em algumas provas, mas é decisivo nos vestibulares que cobram obras completas, como a Fuvest e a Unicamp, e nas questões que pedem leitura crítica das teorias do século dezenove. Por isso, vale dominar o determinismo, os personagens de O Cortiço e a comparação com o Realismo, que são os pontos que mais aparecem nas questões.



