“Amor por anexins” é uma divertida comédia em um ato do renomado dramaturgo Artur Azevedo, publicada em 1880. A peça satiriza os costumes sociais da época e a pedantaria de certos indivíduos, utilizando o humor e a sagacidade como principais ferramentas. O enredo gira em torno do excêntrico e abastado comendador Inácio, um homem de posses, mas com uma peculiaridade marcante: ele só se comunica por meio de provérbios, os chamados “anexins”.
O principal conflito da trama surge quando Inácio decide se casar com a jovem e bela Isaura. O problema é que Isaura já está apaixonada por Emílio, um rapaz mais jovem e condizente com seus sentimentos. A situação se torna cômica e tensa ao mesmo tempo, pois Isaura e Emílio precisam encontrar uma forma de contornar a vontade do comendador, que se expressa unicamente através de ditos populares, dificultando qualquer diálogo direto e sincero.
A astúcia de Isaura e Emílio é posta à prova. Eles precisam elaborar um plano engenhoso para fazer com que Inácio desista do casamento sem ofendê-lo e, ao mesmo tempo, garantir que a união entre os verdadeiros amantes possa acontecer. A graça da peça reside justamente na habilidade dos personagens em manipular a obsessão de Inácio pelos anexins, usando a própria linguagem do comendador contra ele.
A obra é um exemplo notável do teatro de costumes de Artur Azevedo, que, com leveza e inteligência, critica a rigidez social e as convenções matrimoniais da burguesia carioca do final do século XIX. Os personagens, mesmo caricaturais, servem para expor comportamentos e valores, convidando o público à reflexão sobre a hipocrisia e a superficialidade das relações sociais.
A obsessão pela linguagem e a astúcia para contornar convenções sociais e matrimoniais.
Artur Azevedo (1855-1908) foi um dos mais prolíficos e importantes escritores brasileiros do final do século XIX e início do século XX. Maranhense de nascimento, mas com forte atuação no Rio de Janeiro, ele se destacou principalmente como dramaturgo, jornalista, contista e poeta. Sua vasta produção teatral, que inclui comédias de costumes, farsas e revistas, o consagrou como um mestre do gênero, sendo considerado um dos pilares do teatro brasileiro.
Azevedo era conhecido por sua capacidade de observar e satirizar a sociedade carioca de sua época, com um humor inteligente e crítico. Suas peças, muitas vezes repletas de ironia e diálogos ágeis, retratavam os costumes, os vícios e as virtudes da burguesia e da vida urbana. Além do teatro, contribuiu intensamente para o jornalismo, utilizando pseudônimos como “Elói, o Herói”, e foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira de número 29. Sua obra continua relevante por seu retrato vívido de um período da história cultural brasileira.
“Amor por anexins” é uma peça teatral classificada como comédia de costumes em um único ato, escrita por Artur Azevedo. A obra foi encenada pela primeira vez em 1880 e rapidamente se tornou um sucesso, solidificando a reputação do autor como um dos grandes nomes do teatro cômico brasileiro. Ela é um exemplo primoroso do estilo de Azevedo, que combinava entretenimento leve com críticas sociais veladas, focando nos trejeitos e peculiaridades da sociedade da época. A peça é um estudo sobre a comunicação, a obstinação e a inteligência humana diante de situações adversas.
| Tempo | Indeterminado, com referências implícitas ao final do século XIX. A ação se desenrola em um período curto, concentrado em um único dia. |
| Espaço | A casa do comendador Inácio, provavelmente em uma sala de estar ou salão burguês da época, reforçando o caráter de comédia de costumes. |
| Narrador | Não há narrador explícito, como em obras narrativas. A história é contada diretamente através dos diálogos dos personagens e das didascálias (indicações cênicas). |
| Linguagem | Predominantemente formal, mas com nuances cômicas e coloquiais, especialmente nas falas de Inácio, repletas de provérbios e ditos populares. A linguagem é um elemento central para a construção do humor e do enredo. |
O estilo de Artur Azevedo em “Amor por anexins” é marcado pela leveza e pelo humor. O autor emprega a sátira como principal recurso, zombando da pedantaria e da rigidez social da época. A comédia se constrói a partir do contraste entre a fala rebuscada e proverbística de Inácio e a linguagem mais direta e pragmática dos demais personagens.
Os diálogos são ágeis e inteligentes, repletos de ironia e ambiguidades, especialmente quando os personagens buscam interpretar ou desviar os “anexins” do comendador. A peça explora a polissemia dos provérbios e a forma como a linguagem pode ser usada tanto para comunicar quanto para obscurecer a verdade, revelando a maestria de Azevedo na manipulação verbal. A construção de personagens caricaturais, como Inácio, serve para amplificar as características que o autor deseja criticar, tornando a obra acessível e divertida.
“Amor por anexins” foi escrita no final do século XIX, um período de intensas transformações no Brasil. A sociedade carioca, palco da ação, vivenciava o florescimento da burguesia e a consolidação de novos valores urbanos. A peça de Artur Azevedo se insere no contexto do Realismo-Naturalismo, embora com um tom mais leve e cômico, característico das comédias de costumes.
As críticas sociais presentes na obra são sutis, mas eficazes. Azevedo satiriza a superficialidade dos casamentos arranjados por interesse, onde a idade e o amor verdadeiro eram frequentemente preteridos em favor da fortuna e do status. A figura de Inácio, que se expressa unicamente por provérbios, pode ser interpretada como uma crítica à rigidez de pensamento e à dificuldade de comunicação genuína em uma sociedade presa a convenções e tradições. A peça expõe a hipocrisia social e a busca por aparências, ao mesmo tempo em que valoriza a inteligência e a capacidade de superação dos mais jovens para alcançar a felicidade.
Confira um resumo em vídeo sobre esta obra:
Confira os locais de prova para o 1º Exame de Qualificação do Vestibular Uerj 2027. Veja o calendário completo e dicas para se preparar para o processo seletivo.