
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- Velocidade média: consumo, formação e velocidade única
- Velocidade instantânea e o gráfico concentração × tempo
- Lei da velocidade e ordens de reação
- Como determinar a lei a partir de uma tabela de experimentos
- Ordem, molecularidade e etapa lenta
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência no ENEM e nos vestibulares
Resumo rápido
Se a cinética química estuda a rapidez das reações, a velocidade média é a primeira conta que a prova cobra — e a lei da velocidade é a fórmula que resume como essa rapidez depende das concentrações. A velocidade média é a variação da concentração dividida pelo intervalo de tempo: para um reagente que some, \(v_m = -\Delta[\text{reagente}]/\Delta t\); para um produto que aparece, \(v_m = \Delta[\text{produto}]/\Delta t\). O sinal negativo no reagente serve apenas para a velocidade ficar positiva, já que a concentração do reagente diminui. A lei da velocidade, por sua vez, escreve a velocidade instantânea em função das concentrações: \(v = k[\text{A}]^x[\text{B}]^y\), em que \(k\) é a constante de velocidade e \(x\) e \(y\) são as ordens, determinadas por experimento — nunca copiadas dos coeficientes da equação, exceto em reações elementares. É um tema ♨️ Morno no ENEM e nos vestibulares, e a base está na matéria de Cinética química: Visão geral, além da lista de matérias de Química.
A unidade mais comum da velocidade é mol·L⁻¹·s⁻¹, ou seja, quantos mols por litro aparecem ou somem a cada segundo. Quando a questão dá uma tabela de concentrações ao longo do tempo, ela quer a velocidade média; quando dá vários experimentos com concentrações iniciais diferentes e as velocidades iniciais correspondentes, ela quer a lei da velocidade. Saber distinguir esses dois tipos de dado já resolve metade das questões.
Velocidade média: consumo, formação e velocidade única
Imagine a reação genérica \(a\text{A} + b\text{B} \rightarrow c\text{C}\). A velocidade média de consumo de A é \(v_m(\text{A}) = -([\text{A}]_{final} – [\text{A}]_{inicial})/(t_{final} – t_{inicial})\), e a de formação de C é \(v_m(\text{C}) = ([\text{C}]_{final} – [\text{C}]_{inicial})/(t_{final} – t_{inicial})\). Exemplo numérico: se \([\text{A}]\) cai de 0,80 mol/L para 0,40 mol/L em 20 s, a velocidade média de consumo de A é \((0,80 – 0,40)/20 = 0,020\) mol·L⁻¹·s⁻¹. Se, no mesmo intervalo, \([\text{C}]\) sobe de 0 para 0,20 mol/L, a velocidade média de formação de C é \(0,20/20 = 0,010\) mol·L⁻¹·s⁻¹.
Por que os dois valores são diferentes? Porque os coeficientes são diferentes. A velocidade única da reação corrige isso dividindo a velocidade de cada substância pelo seu coeficiente: \(v = -v_m(\text{A})/a = -v_m(\text{B})/b = v_m(\text{C})/c\). No exemplo, se a equação fosse \(2\text{A} \rightarrow \text{C}\), a velocidade única seria \(0,020/2 = 0,010\) mol·L⁻¹·s⁻¹, igual à velocidade de formação de C dividida por 1. É a velocidade única que deve ser usada quando a questão pergunta apenas “a velocidade da reação”, sem especificar de qual substância.
Um erro clássico é esquecer o sinal ou o coeficiente. Se a questão pede a velocidade de consumo de um reagente, o resultado deve ser positivo; se pede a velocidade única, divida pelo coeficiente. E atenção às unidades de tempo: se o intervalo estiver em minutos, a velocidade sai em mol·L⁻¹·min⁻¹ — converta para segundos apenas se a questão pedir, ou mantenha a unidade coerente com os dados.
Velocidade instantânea e o gráfico concentração × tempo
A velocidade média é uma média em um intervalo; a velocidade instantânea é a velocidade em um instante exato, e corresponde à inclinação da reta tangente à curva de concentração × tempo naquele ponto. No início da reação, a curva do reagente é íngreme — a velocidade é alta, porque há muitos reagentes para colidir. Com o tempo, a curva vai ficando mais plana, porque os reagentes vão acabando e as colisões eficazes ficam mais raras. A curva do produto faz o caminho inverso: sobe rápido no início e vai se estabilizando.
Na prática das provas, a velocidade instantânea aparece quando a questão mostra um gráfico e pergunta em qual trecho a reação é mais rápida, ou pede para comparar as inclinações em dois instantes. Regra visual: trecho mais inclinado, reação mais rápida; trecho quase horizontal, reação quase parada. Não confunda a velocidade instantânea com a média: a média usa dois pontos da curva, a instantânea usa a tangente em um só ponto.
Lei da velocidade e ordens de reação
A lei da velocidade relaciona a velocidade instantânea com as concentrações dos reagentes: \(v = k[\text{A}]^x[\text{B}]^y\). A ordem em relação a A é o expoente \(x\); a ordem em relação a B é \(y\); a ordem global é a soma \(x + y\). A constante \(k\) depende da temperatura e, para uma mesma reação, muda se a temperatura mudar — mas não muda quando só as concentrações mudam.
O efeito de cada ordem é direto: se a ordem em A é 1, dobrar \([\text{A}]\) dobra a velocidade; se é 2, dobrar \([\text{A}]\) quadruplica a velocidade, pois \(2^2 = 4\); se é 0, mudar \([\text{A}]\) não altera a velocidade, e A nem aparece na lei (porque \([\text{A}]^0 = 1\)). Triplicar a concentração com ordem 2 multiplica a velocidade por 9, pois \(3^2 = 9\); com ordem 1, multiplica por 3; com ordem 0, não muda nada. É essa leitura de expoentes que as questões de tabela cobram.
| Ordem em relação ao reagente | Dobrar a concentração | Triplicar a concentração | Exemplo de lei |
|---|---|---|---|
| 0 | Velocidade não muda | Velocidade não muda | \(v = k\) |
| 1 | Velocidade dobra | Velocidade triplica | \(v = k[\text{A}]\) |
| 2 | Velocidade quadruplica | Velocidade multiplica por 9 | \(v = k[\text{A}]^2\) |
| 3 | Velocidade multiplica por 8 | Velocidade multiplica por 27 | \(v = k[\text{A}]^3\) |
Como determinar a lei a partir de uma tabela de experimentos
O método é sempre o mesmo: compare dois experimentos em que só uma concentração muda e veja como a velocidade responde. Exemplo: para a reação \(\text{A} + \text{B} \rightarrow \text{produtos}\), o experimento 1 tem \([\text{A}] = 0,10\) mol/L, \([\text{B}] = 0,10\) mol/L e \(v = 2,0 \times 10^{-4}\) mol·L⁻¹·s⁻¹; o experimento 2 tem \([\text{A}] = 0,20\) mol/L, \([\text{B}] = 0,10\) mol/L e \(v = 4,0 \times 10^{-4}\) mol·L⁻¹·s⁻¹. Só A dobrou, e a velocidade dobrou: ordem 1 em A. O experimento 3 tem \([\text{A}] = 0,10\) mol/L, \([\text{B}] = 0,20\) mol/L e \(v = 8,0 \times 10^{-4}\) mol·L⁻¹·s⁻¹. Só B dobrou, e a velocidade quadruplicou: ordem 2 em B. Logo, \(v = k[\text{A}][\text{B}]^2\), com ordem global 3.
Para achar \(k\), substitua os dados de qualquer experimento na lei: usando o experimento 1, \(2,0 \times 10^{-4} = k \times 0,10 \times (0,10)^2\), ou seja, \(k = 0,20\) L²·mol⁻²·s⁻¹. A unidade de \(k\) muda com a ordem global — não decore unidades, deduza: a unidade de \(k\) é sempre aquela que faz a velocidade sair em mol·L⁻¹·s⁻¹. Um detalhe importante: as concentrações da tabela são as iniciais, e as velocidades são as iniciais, medidas no começo, antes que as concentrações mudem muito. É por isso que o método se chama método das velocidades iniciais.
Ordem, molecularidade e etapa lenta
Não confunda ordem com molecularidade. A ordem é experimental e pode ser 0, 1, 2, fracionária ou até negativa em casos especiais. A molecularidade é teórica: é o número de partículas que participam de uma etapa elementar — uma etapa unimolecular envolve 1 partícula, uma bimolecular envolve 2, e uma termolecular, 3. Em uma reação elementar, que ocorre em uma única etapa, a ordem coincide com a molecularidade: se a etapa é \(\text{A} + \text{B} \rightarrow \text{produtos}\), a lei é \(v = k[\text{A}][\text{B}]\).
Já uma reação em várias etapas tem uma etapa lenta, que determina a velocidade do conjunto, como o gargalo de uma estrada. A lei da velocidade é determinada pela etapa lenta, e não pela equação global. Por isso, a ordem global de uma reação complexa não precisa coincidir com nenhum coeficiente da equação balanceada: ela é medida, não copiada. Se a questão der um mecanismo com etapas e disser qual é a lenta, a lei sai da etapa lenta — e os intermediários, que são formados em uma etapa e consumidos em outra, não aparecem na lei final.


Mapa mental
- Velocidade média: variação da concentração dividida pelo tempo; reagente leva sinal negativo para o resultado ficar positivo.
- Velocidade única: velocidade de cada substância dividida pelo seu coeficiente; é a velocidade da reação como um todo.
- Velocidade instantânea: inclinação da reta tangente à curva de concentração × tempo em um instante.
- Lei da velocidade: \(v = k[\text{A}]^x[\text{B}]^y\); ordens \(x\) e \(y\) são experimentais; ordem global é a soma.
- Efeito das ordens: ordem 0 não muda, ordem 1 dobra ao dobrar, ordem 2 quadruplica ao dobrar.
- Método das velocidades iniciais: compare dois experimentos mudando só uma concentração por vez.
- Constante k: depende da temperatura; sua unidade depende da ordem global.
- Ordem ≠ molecularidade: ordem é medida; molecularidade conta partículas de uma etapa elementar; a etapa lenta determina a lei.
SAQ — Perguntas e respostas rápidas
1. Como se calcula a velocidade média de consumo de um reagente? Pela queda da concentração dividida pelo tempo: \(v_m = -\Delta[\text{reagente}]/\Delta t\), com resultado positivo.
2. O que é a velocidade única de uma reação? A velocidade de cada substância dividida pelo seu coeficiente na equação balanceada.
3. O que representa a velocidade instantânea em um gráfico de concentração × tempo? A inclinação da reta tangente à curva naquele instante.
4. O que é a lei da velocidade? A relação \(v = k[\text{A}]^x[\text{B}]^y\) entre a velocidade instantânea e as concentrações dos reagentes.
5. As ordens podem ser copiadas dos coeficientes da equação? Não, exceto em reações elementares: as ordens são determinadas experimentalmente.
6. Se a ordem em A é 2, o que acontece ao triplicar [A]? A velocidade multiplica por 9, pois \(3^2 = 9\).
7. Como se determina a ordem a partir de uma tabela? Comparando dois experimentos em que só uma concentração muda e observando como a velocidade responde.
8. O que determina a lei da velocidade em uma reação com várias etapas? A etapa lenta, que funciona como o gargalo da reação.
Questões comentadas
Questão 1. Em uma reação, a concentração de um reagente cai de 0,90 mol/L para 0,30 mol/L em 30 segundos. A velocidade média de consumo desse reagente é:
a) 0,010 mol·L⁻¹·s⁻¹. b) 0,020 mol·L⁻¹·s⁻¹. c) 0,030 mol·L⁻¹·s⁻¹. d) 0,060 mol·L⁻¹·s⁻¹. e) 0,090 mol·L⁻¹·s⁻¹.
Gabarito: b. A queda é de 0,60 mol/L em 30 s, logo \(0,60/30 = 0,020\) mol·L⁻¹·s⁻¹.
Questão 2. Para a reação \(2\text{A} \rightarrow \text{B}\), a velocidade média de consumo de A é 0,040 mol·L⁻¹·s⁻¹. A velocidade única da reação é:
a) 0,080 mol·L⁻¹·s⁻¹. b) 0,040 mol·L⁻¹·s⁻¹. c) 0,020 mol·L⁻¹·s⁻¹. d) 0,010 mol·L⁻¹·s⁻¹. e) 0,004 mol·L⁻¹·s⁻¹.
Gabarito: c. A velocidade única divide a velocidade de A pelo coeficiente 2: \(0,040/2 = 0,020\) mol·L⁻¹·s⁻¹.
Questão 3. Uma lei da velocidade é \(v = k[\text{A}]^2[\text{B}]\). Se [A] dobrar e [B] ficar constante, a velocidade:
a) Dobra. b) Triplica. c) Quadruplica. d) Multiplica por 8. e) Não muda.
Gabarito: c. A ordem em A é 2, então dobrar [A] multiplica a velocidade por \(2^2 = 4\).
Questão 4. Em três experimentos, dobrar apenas [B] quadruplica a velocidade, enquanto dobrar apenas [A] não altera a velocidade. A lei da velocidade é:
a) \(v = k[\text{A}][\text{B}]\). b) \(v = k[\text{A}]^2\). c) \(v = k[\text{B}]^2\). d) \(v = k[\text{A}][\text{B}]^2\). e) \(v = k\).
Gabarito: c. Ordem 0 em A, pois dobrar A não muda nada; ordem 2 em B, pois dobrar B quadruplica. Logo, \(v = k[\text{B}]^2\).
Questão 5. Em um gráfico de concentração do reagente × tempo, o trecho mais inclinado indica:
a) A menor velocidade instantânea. b) A maior velocidade instantânea. c) A velocidade média de toda a reação. d) O fim da reação. e) A ordem da reação.
Gabarito: b. A inclinação da tangente é a velocidade instantânea: quanto mais inclinado o trecho, mais rápida a reação naquele instante.
Dica do professor
Em tabela de cinética, nunca compare dois experimentos em que duas concentrações mudam ao mesmo tempo — você não saberá qual delas causou a mudança na velocidade. Procure o par em que só uma concentração muda, anote o fator da concentração (dobrou? triplicou?) e o fator da velocidade (dobrou? quadruplicou? não mudou?), e traduza em ordem: fator igual, ordem 1; velocidade quadruplica quando a concentração dobra, ordem 2; velocidade não muda, ordem 0. Faça isso para cada reagente, um de cada vez, e a lei sai sozinha.
Atenção/cuidado
Cuidado com três armadilhas. Primeiro, não copie os coeficientes da equação como ordens — isso só vale para reações elementares. Segundo, não esqueça de dividir pelo coeficiente ao calcular a velocidade única, nem de usar o sinal negativo no consumo do reagente para obter um valor positivo. Terceiro, não confunda velocidade média com velocidade instantânea: a média usa um intervalo, a instantânea usa a tangente em um ponto do gráfico.
Conexão com outras áreas
A velocidade das reações conecta a Química à Biologia, à Medicina e à indústria: a velocidade com que um medicamento é metabolizado define sua dose e seu intervalo; a velocidade de decomposição dos alimentos define prazo de validade e refrigeração; na indústria, conhecer a lei da velocidade permite escolher concentrações e temperaturas que produzam mais, mais rápido e com menos desperdício. Na área ambiental, a velocidade de degradação de poluentes determina quanto tempo um contaminante permanece no solo ou na água.
Incidência no ENEM e nos vestibulares
Incidência: ♨️ Morno. A velocidade média aparece em cálculos diretos com tabelas de concentração × tempo, e a lei da velocidade aparece na leitura de tabelas de experimentos: determinar ordens, escrever a lei e prever o efeito de dobrar ou triplicar uma concentração. São questões de raciocínio, não de decoreba — quem domina a comparação experimento a experimento resolve todas.



