
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é a determinação analítica da imagem
- A convenção de sinais: o referencial de Gauss
- A equação de Gauss e o aumento linear transversal
- Os casos notáveis: o que esperar antes de calcular
- Exemplos resolvidos passo a passo
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas curtas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção / cuidado
- Conexão com outras áreas
Resumo rápido
A determinação analítica da imagem é o cálculo, com fórmulas, da posição, do tamanho e da orientação da imagem formada por um espelho esférico ou por uma lente. Enquanto a construção geométrica mostra onde a imagem aparece desenhando os raios, a determinação analítica responde com números: a que distância do espelho ou da lente a imagem se forma, quantas vezes ela é maior ou menor que o objeto e se ela está direita ou invertida. É um tema ⚡ Pode cair da Física, cobrado no ENEM e nos vestibulares sempre que a prova quer sair do desenho e pedir uma conta exata.
Toda a matéria se apoia em duas fórmulas. A primeira é a equação de Gauss, que relaciona a distância focal \( f \), a distância do objeto \( p \) e a distância da imagem \( p’ \): \( \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} \). A segunda é o aumento linear transversal, que relaciona a altura da imagem \( i \), a altura do objeto \( o \) e as distâncias \( p \) e \( p’ \): \( A = \frac{i}{o} = -\frac{p’}{p} \). O sinal de \( A \) diz se a imagem é direita ou invertida, e o seu módulo diz quantas vezes a imagem é maior ou menor que o objeto. Nesta matéria, você vai aprender a convenção de sinais que faz essas fórmulas funcionarem para espelhos côncavos e convexos e para lentes convergentes e divergentes, vai ver a relação entre distância focal e raio de curvatura, \( f = \frac{R}{2} \), e vai resolver exemplos numéricos passo a passo, com valores exatos, para depois treinar na sala de estudo.
O que é a determinação analítica da imagem
Na óptica geométrica, há duas maneiras de descobrir a imagem de um objeto. A primeira é geométrica: traçam-se os raios principais — o raio paralelo ao eixo que passa pelo foco após a reflexão ou a refração, o raio que passa pelo centro de curvatura ou pelo centro óptico sem desviar, e o raio que passa pelo foco e sai paralelo ao eixo — e observa-se onde eles se encontram, ou onde os seus prolongamentos se encontram. A segunda é analítica: aplicam-se fórmulas aos valores conhecidos e obtêm-se os valores desconhecidos. As duas maneiras devem concordar sempre. Se o desenho mostra uma imagem real, invertida e menor, a conta tem de dar \( p’ \) positivo, \( A \) negativo e \( |A| < 1 \). Se houver divergência entre o desenho e a conta, um dos dois está errado — e, na prova, conferir um pelo outro é uma das melhores formas de evitar erro bobo.
Para usar as fórmulas, é preciso dominar os elementos do sistema. O vértice \( V \) é o ponto do espelho ou da lente sobre o eixo principal. O centro de curvatura \( C \) é o centro da esfera da qual o espelho faz parte, e a sua distância ao vértice é o raio de curvatura \( R \). O foco principal \( F \) é o ponto para onde convergem, após a reflexão ou a refração, os raios que chegam paralelos ao eixo, e a sua distância ao vértice é a distância focal \( f \). O eixo principal é a reta que passa por \( V \) e por \( C \). O objeto é colocado a uma distância \( p \) do vértice, com altura \( o \), e a sua imagem forma-se a uma distância \( p’ \) do vértice, com altura \( i \). A tabela a seguir reúne esses símbolos, que aparecem em praticamente todas as questões do tema.
| Símbolo | Significado | Observação |
|---|---|---|
| \( V \) | Vértice do espelho ou centro óptico da lente | Origem das distâncias \( p \), \( p’ \) e \( f \) |
| \( C \) | Centro de curvatura | Está a uma distância \( R \) do vértice |
| \( F \) | Foco principal | Está a uma distância \( f \) do vértice |
| \( R \) | Raio de curvatura | Vale \( R = 2f \), ou seja, \( f = \frac{R}{2} \) |
| \( f \) | Distância focal | Positiva em espelho côncavo e lente convergente; negativa em espelho convexo e lente divergente |
| \( p \) | Distância do objeto ao vértice | É sempre positiva para objeto real |
| \( p’ \) | Distância da imagem ao vértice | Positiva para imagem real; negativa para imagem virtual |
| \( o \) | Altura do objeto | Positiva quando o objeto está acima do eixo principal |
| \( i \) | Altura da imagem | Positiva quando a imagem está direita; negativa quando está invertida |
| \( A \) | Aumento linear transversal | \( A = \frac{i}{o} = -\frac{p’}{p} \) |
A convenção de sinais: o referencial de Gauss
As fórmulas só funcionam se os sinais forem aplicados sempre da mesma maneira. A convenção adotada no Brasil, chamada de referencial de Gauss, é a seguinte, e cai com frequência nos vestibulares. Todas as distâncias são medidas a partir do vértice \( V \), ao longo do eixo principal. O sentido positivo é o sentido da luz incidente, isto é, o sentido em que a luz caminha antes de atingir o espelho ou a lente. Para um espelho, a luz incidente vem da frente do espelho, de modo que as distâncias medidas na frente do espelho, na chamada região real, são positivas, e as distâncias medidas atrás do espelho, na região virtual, são negativas. Para uma lente, a luz incidente vem de um lado e sai pelo outro, de modo que as distâncias medidas do lado de onde a luz sai são positivas, e as do lado de onde a luz chega são negativas.
Na prática, isso se resume a poucas regras, que valem a pena decorar. O objeto real tem sempre \( p > 0 \). A imagem real tem \( p’ > 0 \); a imagem virtual tem \( p’ < 0 \). O espelho côncavo e a lente convergente têm foco real, logo \( f > 0 \). O espelho convexo e a lente divergente têm foco virtual, logo \( f < 0 \). O objeto acima do eixo tem \( o > 0 \); a imagem direita tem \( i > 0 \) e a imagem invertida tem \( i < 0 \). O aumento \( A \) é positivo quando a imagem é direita e negativo quando ela é invertida. E o módulo de \( A \) diz o tamanho: \( |A| > 1 \) significa imagem ampliada, \( |A| = 1 \) significa imagem do mesmo tamanho, e \( |A| < 1 \) significa imagem reduzida.
| Situação | Sinal de \( f \) | Sinal de \( p’ \) | Sinal de \( A \) |
|---|---|---|---|
| Espelho côncavo | \( f > 0 \) | Positivo se a imagem for real; negativo se for virtual | Negativo se invertida; positivo se direita |
| Espelho convexo | \( f < 0 \) | Sempre negativo: a imagem é sempre virtual | Sempre positivo: a imagem é sempre direita e reduzida |
| Lente convergente | \( f > 0 \) | Positivo se a imagem for real; negativo se for virtual | Negativo se invertida; positivo se direita |
| Lente divergente | \( f < 0 \) | Sempre negativo: a imagem é sempre virtual | Sempre positivo: a imagem é sempre direita e reduzida |
A equação de Gauss e o aumento linear transversal
A equação de Gauss, também chamada de equação dos pontos conjugados e muito cobrada no ENEM, relaciona as três distâncias do sistema:
\[ \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} \]
Conhecendo duas delas, calcula-se a terceira. Por exemplo, isolando \( \frac{1}{p’} \), tem-se \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{f} – \frac{1}{p} \), e, invertendo o resultado, obtém-se \( p’ \). O aumento linear transversal relaciona as alturas com as distâncias:
\[ A = \frac{i}{o} = -\frac{p’}{p} \]
Conhecendo \( p \) e \( p’ \), calcula-se \( A \); conhecendo \( A \) e \( o \), calcula-se \( i = A \cdot o \). O sinal de menos na fórmula do aumento é o que faz a imagem real, com \( p’ \) positivo, sair invertida, com \( A \) negativo — exatamente o que o desenho mostra. Já a imagem virtual, com \( p’ \) negativo, tem \( A \) positivo, ou seja, direita, também como mostra o desenho. Por isso, o sinal de menos não é um detalhe: ele é a tradução algébrica da geometria dos raios.
Há ainda a relação entre a distância focal e o raio de curvatura, válida para espelhos esféricos de pequena abertura, dentro da aproximação de Gauss, em que os raios são próximos do eixo principal:
\[ f = \frac{R}{2} \]
Ou seja, o foco fica no meio do caminho entre o vértice e o centro de curvatura. Um espelho com raio de curvatura \( R = 40 \) cm tem distância focal \( f = 20 \) cm; um espelho com \( R = 30 \) cm tem \( f = 15 \) cm. Para lentes, não há essa relação simples com um único raio, porque a lente tem duas faces, cada uma com o seu raio; nesse caso, a distância focal vem da equação dos fabricantes de lentes, e, nas questões de determinação analítica, o valor de \( f \) costuma ser dado diretamente no enunciado. Outra grandeza útil para lentes é a vergência \( V \), medida em dioptrias, definida por \( V = \frac{1}{f} \), com \( f \) em metros: uma lente de \( f = 0,50 \) m tem vergência \( V = 2,0 \) di, e uma lente de \( f = -0,25 \) m tem \( V = -4,0 \) di.
Os casos notáveis: o que esperar antes de calcular
Antes de fazer qualquer conta, vale saber o que esperar, como se treina na sala de estudo: de cada posição do objeto. No espelho côncavo, se o objeto está além do centro de curvatura, isto é, \( p > R \), a imagem é real, invertida e reduzida, formada entre o foco e o centro de curvatura. Se o objeto está sobre o centro de curvatura, \( p = R \), a imagem é real, invertida e do mesmo tamanho, formada também sobre o centro de curvatura. Se o objeto está entre o centro de curvatura e o foco, \( f < p < R \), a imagem é real, invertida e ampliada, formada além do centro de curvatura. Se o objeto está sobre o foco, \( p = f \), os raios refletidos saem paralelos e a imagem é imprópria, ou seja, forma-se no infinito. E se o objeto está entre o foco e o vértice, \( p < f \), a imagem é virtual, direita e ampliada, formada atrás do espelho — é o caso do espelho de aumento do banheiro.
No espelho convexo e na lente divergente, não há casos a decorar, o que facilita as questões de Física: a imagem é sempre virtual, direita e reduzida, qualquer que seja a posição do objeto. É por isso que o retrovisor externo do carro é convexo: ele mostra um campo visual maior, com imagens menores, e é também por isso que a advertência do retrovisor avisa que os objetos estão mais perto do que parecem — a imagem reduzida dá a impressão de maior distância. Na lente convergente, os casos são análogos aos do espelho côncavo, com uma diferença: a imagem real forma-se do lado oposto ao do objeto, podendo ser projetada em uma tela, enquanto a imagem virtual, quando o objeto está entre o foco e a lente, forma-se do mesmo lado do objeto, direita e ampliada — é o caso da lupa.
| Sistema e posição do objeto | Natureza | Orientação | Tamanho |
|---|---|---|---|
| Espelho côncavo, \( p > R \) | Real | Invertida | Reduzida |
| Espelho côncavo, \( p = R \) | Real | Invertida | Mesmo tamanho |
| Espelho côncavo, \( f < p < R \) | Real | Invertida | Ampliada |
| Espelho côncavo, \( p = f \) | Imprópria (no infinito) | — | — |
| Espelho côncavo, \( p < f \) | Virtual | Direita | Ampliada |
| Espelho convexo, qualquer \( p \) | Virtual | Direita | Reduzida |
| Lente convergente, \( p > 2f \) | Real | Invertida | Reduzida |
| Lente convergente, \( p = 2f \) | Real | Invertida | Mesmo tamanho |
| Lente convergente, \( f < p < 2f \) | Real | Invertida | Ampliada |
| Lente convergente, \( p < f \) | Virtual | Direita | Ampliada |
| Lente divergente, qualquer \( p \) | Virtual | Direita | Reduzida |
Exemplos resolvidos passo a passo
Exemplo 1 — Espelho côncavo, imagem real e reduzida. Um objeto de 6,0 cm de altura está a 30 cm de um espelho côncavo de distância focal 10 cm. Determine a posição e as características da imagem. Passo 1: identificar os dados. Temos \( p = 30 \) cm, \( f = +10 \) cm, pois o espelho é côncavo, e \( o = 6,0 \) cm. Passo 2: aplicar a equação de Gauss. Escrevemos \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{f} – \frac{1}{p} = \frac{1}{10} – \frac{1}{30} \). Colocando sobre o denominador comum 30, temos \( \frac{1}{p’} = \frac{3 – 1}{30} = \frac{2}{30} = \frac{1}{15} \). Logo, \( p’ = 15 \) cm. Passo 3: interpretar o sinal. Como \( p’ \) é positivo, a imagem é real, formada 15 cm na frente do espelho. Passo 4: calcular o aumento. Temos \( A = -\frac{p’}{p} = -\frac{15}{30} = -0,50 \). Passo 5: calcular a altura da imagem. Temos \( i = A \cdot o = -0,50 \cdot 6,0 = -3,0 \) cm. Conclusão: imagem real, invertida, reduzida, a 15 cm do espelho, com 3,0 cm de altura. Repare que o objeto está além do centro de curvatura, pois \( R = 2f = 20 \) cm e \( p = 30 \) cm, exatamente o caso em que se espera imagem real, invertida e reduzida — desenho e conta concordam.
Exemplo 2 — Espelho convexo, imagem sempre virtual e reduzida. Um objeto de 8,0 cm de altura está a 20 cm de um espelho convexo de distância focal 10 cm em módulo. Determine a imagem. Passo 1: os sinais. Como o espelho é convexo, \( f = -10 \) cm, e \( p = 20 \) cm. Passo 2: a equação de Gauss dá \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{f} – \frac{1}{p} = -\frac{1}{10} – \frac{1}{20} = -\frac{2}{20} – \frac{1}{20} = -\frac{3}{20} \). Logo, \( p’ = -\frac{20}{3} \approx -6,7 \) cm. Passo 3: o sinal negativo indica imagem virtual, formada 6,7 cm atrás do espelho. Passo 4: o aumento é \( A = -\frac{p’}{p} = -\frac{(-6,7)}{20} \approx +0,33 \). Passo 5: a altura é \( i = A \cdot o \approx 0,33 \cdot 8,0 \approx 2,7 \) cm. Conclusão: imagem virtual, direita e reduzida, com cerca de 2,7 cm, formada 6,7 cm atrás do espelho. O erro clássico aqui é esquecer o sinal negativo de \( f \); sem ele, a conta daria uma imagem real, que um espelho convexo nunca forma.
Exemplo 3 — Espelho côncavo, imagem virtual e ampliada. Um objeto de 4,0 cm de altura está a 6,0 cm de um espelho côncavo de distância focal 12 cm. Determine a imagem. Passo 1: temos \( p = 6,0 \) cm e \( f = +12 \) cm. Passo 2: \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{12} – \frac{1}{6} = \frac{1}{12} – \frac{2}{12} = -\frac{1}{12} \). Logo, \( p’ = -12 \) cm. Passo 3: o sinal negativo indica imagem virtual, 12 cm atrás do espelho. Passo 4: \( A = -\frac{(-12)}{6,0} = +2,0 \). Passo 5: \( i = 2,0 \cdot 4,0 = 8,0 \) cm. Conclusão: imagem virtual, direita e ampliada duas vezes, com 8,0 cm de altura. É o caso do espelho de aumento: o objeto está entre o foco e o vértice, pois \( p = 6,0 \) cm é menor que \( f = 12 \) cm.
Exemplo 4 — Lente convergente, imagem real do mesmo tamanho. Um objeto de 5,0 cm de altura está a 30 cm de uma lente convergente de distância focal 15 cm. Determine a imagem. Passo 1: temos \( p = 30 \) cm e \( f = +15 \) cm. Passo 2: \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{15} – \frac{1}{30} = \frac{2}{30} – \frac{1}{30} = \frac{1}{30} \). Logo, \( p’ = 30 \) cm. Passo 3: o sinal positivo indica imagem real, formada 30 cm do outro lado da lente, podendo ser projetada em uma tela. Passo 4: \( A = -\frac{30}{30} = -1,0 \). Passo 5: \( i = -1,0 \cdot 5,0 = -5,0 \) cm. Conclusão: imagem real, invertida e do mesmo tamanho do objeto, com 5,0 cm de altura. Não é coincidência: o objeto está a \( p = 2f = 30 \) cm da lente, o caso análogo ao do objeto sobre o centro de curvatura do espelho côncavo.
Exemplo 5 — Lente divergente, imagem virtual e reduzida. Um objeto de 9,0 cm de altura está a 20 cm de uma lente divergente de distância focal 10 cm em módulo. Determine a imagem. Passo 1: como a lente é divergente, \( f = -10 \) cm, e \( p = 20 \) cm. Passo 2: \( \frac{1}{p’} = -\frac{1}{10} – \frac{1}{20} = -\frac{3}{20} \). Logo, \( p’ \approx -6,7 \) cm. Passo 3: imagem virtual, 6,7 cm do mesmo lado do objeto. Passo 4: \( A = -\frac{(-6,7)}{20} \approx +0,33 \). Passo 5: \( i \approx 0,33 \cdot 9,0 \approx 3,0 \) cm. Conclusão: imagem virtual, direita e reduzida, com cerca de 3,0 cm. Note que os números são os mesmos do exemplo do espelho convexo, porque a equação de Gauss é a mesma para espelhos e lentes, mudando apenas a interpretação geométrica de onde a imagem se forma.
Exemplo 6 — Descobrindo a distância focal a partir da imagem. Um objeto está a 24 cm de um espelho esférico, e a sua imagem real forma-se a 8,0 cm do espelho. Determine a distância focal e o tipo do espelho. Passo 1: temos \( p = 24 \) cm e \( p’ = +8,0 \) cm, positivo porque a imagem é real. Passo 2: \( \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} = \frac{1}{24} + \frac{1}{8} = \frac{1}{24} + \frac{3}{24} = \frac{4}{24} = \frac{1}{6} \). Logo, \( f = 6,0 \) cm. Passo 3: como \( f \) é positivo, o espelho é côncavo, com raio de curvatura \( R = 2f = 12 \) cm. Passo 4, de brinde: o aumento é \( A = -\frac{8,0}{24} = -\frac{1}{3} \approx -0,33 \), ou seja, imagem real, invertida e reduzida a um terço do tamanho do objeto. Este exemplo, típico dos vestibulares, mostra a equação de Gauss sendo usada ao contrário: em vez de achar \( p’ \) a partir de \( f \), acha-se \( f \) a partir de \( p’ \) — e as provas cobram os dois sentidos.


Mapa mental
Determinação analítica da imagem: Elementos: vértice \( V \), centro de curvatura \( C \), foco \( F \), raio \( R \), distância focal \( f \), distância do objeto \( p \), distância da imagem \( p’ \), altura do objeto \( o \), altura da imagem \( i \), aumento \( A \). Fórmulas: equação de Gauss \( \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} \); aumento linear transversal \( A = \frac{i}{o} = -\frac{p’}{p} \); altura da imagem \( i = A \cdot o \); espelhos: \( f = \frac{R}{2} \); lentes: vergência \( V = \frac{1}{f} \), com \( f \) em metros, em dioptrias. Convenção de sinais (referencial de Gauss): distâncias medidas a partir do vértice, sentido positivo no sentido da luz incidente; objeto real: \( p > 0 \); imagem real: \( p’ > 0 \); imagem virtual: \( p’ < 0 \); espelho côncavo e lente convergente: \( f > 0 \); espelho convexo e lente divergente: \( f < 0 \); imagem direita: \( A > 0 \); imagem invertida: \( A < 0 \); ampliada: \( |A| > 1 \); mesmo tamanho: \( |A| = 1 \); reduzida: \( |A| < 1 \). Espelho côncavo: \( p > R \) → real, invertida, reduzida; \( p = R \) → real, invertida, mesmo tamanho; \( f < p < R \) → real, invertida, ampliada; \( p = f \) → imagem imprópria, no infinito; \( p < f \) → virtual, direita, ampliada. Espelho convexo: sempre virtual, direita e reduzida. Lente convergente: \( p > 2f \) → real, invertida, reduzida; \( p = 2f \) → real, invertida, mesmo tamanho; \( f < p < 2f \) → real, invertida, ampliada; \( p < f \) → virtual, direita, ampliada (lupa). Lente divergente: sempre virtual, direita e reduzida. Método de resolução: identificar \( p \), \( f \) e \( o \) com os sinais certos; aplicar Gauss para achar \( p’ \); interpretar o sinal de \( p’ \); calcular \( A \) e \( i \); conferir com o caso esperado no desenho.
SAQ — Perguntas e respostas curtas
1. Qual é a equação de Gauss e o que cada letra significa? É \( \frac{1}{f} = \frac{1}{p} + \frac{1}{p’} \), em que \( f \) é a distância focal, \( p \) é a distância do objeto e \( p’ \) é a distância da imagem, todas medidas a partir do vértice.
2. Qual é a fórmula do aumento linear transversal e o que o seu sinal indica? É \( A = \frac{i}{o} = -\frac{p’}{p} \). O sinal positivo indica imagem direita e o sinal negativo indica imagem invertida; o módulo indica quantas vezes a imagem é maior ou menor que o objeto.
3. Qual é a relação entre a distância focal e o raio de curvatura de um espelho esférico? É \( f = \frac{R}{2} \): o foco fica no meio do caminho entre o vértice e o centro de curvatura.
4. Quais são os sinais de \( f \) para espelho côncavo, espelho convexo, lente convergente e lente divergente? Espelho côncavo e lente convergente têm \( f > 0 \); espelho convexo e lente divergente têm \( f < 0 \).
5. O que significa \( p’ \) negativo? Significa que a imagem é virtual, formada atrás do espelho ou do mesmo lado do objeto, no caso da lente, e que ela é direita.
6. Um objeto de 10 cm forma uma imagem de 5,0 cm, invertida. Qual é o aumento? É \( A = \frac{i}{o} = \frac{-5,0}{10} = -0,50 \): imagem invertida e reduzida à metade do tamanho do objeto.
7. Por que a imagem do espelho convexo é sempre virtual, direita e reduzida? Porque o foco do espelho convexo é virtual, \( f < 0 \), e a equação de Gauss dá sempre \( p’ \) negativo e \( |A| < 1 \), qualquer que seja a posição do objeto.
8. O que acontece quando o objeto está sobre o foco de um espelho côncavo? Os raios refletidos saem paralelos entre si e a imagem é imprópria, ou seja, forma-se no infinito, sem posição definida.
Questões comentadas
Questão 1. Um objeto de 12 cm de altura está a 30 cm de um espelho côncavo de distância focal 10 cm. A distância da imagem ao espelho e a sua altura são, respectivamente:
a) 10 cm e 4,0 cm b) 15 cm e 6,0 cm c) 15 cm e −6,0 cm d) 20 cm e 8,0 cm e) 30 cm e 12 cm
Gabarito: c. Pela equação de Gauss, \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{10} – \frac{1}{30} = \frac{1}{15} \), logo \( p’ = 15 \) cm. O aumento é \( A = -\frac{15}{30} = -0,50 \), e a altura é \( i = -0,50 \cdot 12 = -6,0 \) cm. O sinal negativo indica imagem invertida, por isso a alternativa b, que dá a altura sem o sinal, está errada.
Questão 2. Um espelho convexo tem distância focal de 20 cm em módulo. Um objeto colocado a 40 cm desse espelho forma uma imagem:
a) real, invertida e ampliada b) real, direita e reduzida c) virtual, direita e reduzida d) virtual, invertida e ampliada e) imprópria, no infinito
Gabarito: c. O espelho convexo tem \( f = -20 \) cm, e a sua imagem é sempre virtual, direita e reduzida, qualquer que seja a posição do objeto. Pela conta, \( \frac{1}{p’} = -\frac{1}{20} – \frac{1}{40} = -\frac{3}{40} \), logo \( p’ \approx -13 \) cm, e \( A \approx +0,33 \), confirmando a resposta.
Questão 3. Uma lente convergente de distância focal 20 cm forma, de um objeto colocado a 60 cm dela, uma imagem real. A distância da imagem à lente e o aumento linear são, respectivamente:
a) 20 cm e −0,50 b) 30 cm e −0,50 c) 30 cm e +0,50 d) 40 cm e −0,67 e) 60 cm e −1,0
Gabarito: b. Pela equação de Gauss, \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{20} – \frac{1}{60} = \frac{2}{60} = \frac{1}{30} \), logo \( p’ = 30 \) cm. O aumento é \( A = -\frac{30}{60} = -0,50 \): imagem real, invertida e reduzida à metade.
Questão 4. Um estudante usa um espelho côncavo de distância focal 25 cm como espelho de aumento, colocando o rosto a 15 cm dele. O aumento obtido é:
a) 0,60 b) 1,5 c) 2,0 d) 2,5 e) 4,0
Gabarito: d. Temos \( p = 15 \) cm e \( f = 25 \) cm. Pela equação de Gauss, \( \frac{1}{p’} = \frac{1}{25} – \frac{1}{15} = \frac{3 – 5}{75} = -\frac{2}{75} \), logo \( p’ = -37,5 \) cm. O aumento é \( A = -\frac{(-37,5)}{15} = 2,5 \): imagem virtual, direita e ampliada 2,5 vezes, como se espera de um espelho de aumento, em que o objeto está entre o foco e o vértice.
Questão 5. Um objeto está a 18 cm de uma lente divergente de distância focal 12 cm em módulo. A imagem formada é:
a) real, a 36 cm da lente b) virtual, a 7,2 cm da lente c) virtual, a 10,8 cm da lente d) real, a 7,2 cm da lente e) imprópria, no infinito
Gabarito: b. A lente divergente tem \( f = -12 \) cm. Pela equação de Gauss, \( \frac{1}{p’} = -\frac{1}{12} – \frac{1}{18} = -\frac{3}{36} – \frac{2}{36} = -\frac{5}{36} \), logo \( p’ = -7,2 \) cm. O sinal negativo indica imagem virtual, a 7,2 cm da lente, do mesmo lado do objeto, direita e reduzida.
Questão 6. Um objeto colocado a 12 cm de um espelho esférico forma uma imagem real a 4,0 cm do espelho. A distância focal do espelho e o seu tipo são, respectivamente:
a) 3,0 cm, côncavo b) 3,0 cm, convexo c) 6,0 cm, côncavo d) 8,0 cm, convexo e) 16 cm, côncavo
Gabarito: a. Temos \( p = 12 \) cm e \( p’ = +4,0 \) cm, positivo porque a imagem é real. Pela equação de Gauss, \( \frac{1}{f} = \frac{1}{12} + \frac{1}{4} = \frac{1}{12} + \frac{3}{12} = \frac{4}{12} = \frac{1}{3} \), logo \( f = 3,0 \) cm. Como \( f \) é positivo, o espelho é côncavo, pois só o espelho côncavo forma imagem real.
Dica do professor
Para a determinação analítica, siga sempre a mesma ordem, como se faz na sala de estudo: e não pule etapas. Primeiro, escreva os dados com os sinais: \( f \) positivo para côncavo e convergente, negativo para convexo e divergente; \( p \) positivo para objeto real. Depois, aplique a equação de Gauss com frações, sem passar para decimal antes da hora — a maioria dos valores das provas foi escolhida para dar conta exata, como \( \frac{1}{10} – \frac{1}{30} = \frac{1}{15} \). Em seguida, interprete o sinal de \( p’ \) antes de calcular o aumento: \( p’ \) positivo é imagem real e invertida, \( p’ \) negativo é imagem virtual e direita. Por fim, confira com o caso esperado: se o desenho diria imagem reduzida e a sua conta deu \( |A| > 1 \), revise os sinais. E lembre-se de que, no ENEM, a questão muitas vezes nem pede a conta completa: saber que o espelho convexo só forma imagem virtual, direita e reduzida já elimina quatro alternativas. Para revisar os espelhos antes desta matéria, volte ao tema dos espelhos planos na sala de estudo do cliquevestibular.
Atenção / cuidado
Cuidado com seis armadilhas clássicas. Primeira: esquecer o sinal negativo de \( f \) no espelho convexo e na lente divergente — sem ele, a conta inventa uma imagem real que não existe. Segunda: esquecer o sinal de menos na fórmula do aumento, \( A = -\frac{p’}{p} \), e concluir que a imagem real é direita. Terceira: confundir \( p \) com \( p’ \), usando a distância da imagem no lugar da distância do objeto. Quarta: dar a altura da imagem sem o sinal, escondendo se ela é direita ou invertida. Quinta: usar \( f = \frac{R}{2} \) para lentes, em que essa relação não vale, pois a lente tem duas faces. Sexta: dizer que a imagem virtual pode ser projetada em uma tela — só a imagem real, formada pelo encontro efetivo dos raios, pode ser projetada; a virtual só é vista pelo observador, pelo prolongamento dos raios.
Conexão com outras áreas
A determinação analítica da imagem liga a Física à Matemática, à biologia e à tecnologia. Na Matemática, a equação de Gauss é um exercício de frações e de inversão, e o aumento é uma razão de semelhança entre triângulos, a mesma ideia usada na construção geométrica da imagem. Na biologia, o olho humano é um sistema óptico: a córnea e o cristalino formam uma lente convergente que projeta uma imagem real e invertida na retina, e o cérebro a interpreta direita — e os óculos corrigem a miopia com lentes divergentes e a hipermetropia com lentes convergentes, calculadas pela vergência em dioptrias. Na tecnologia, a mesma conta dimensiona câmeras fotográficas, projetores, microscópios, telescópios e retrovisores, decidindo a distância focal e a posição da imagem para cada uso. Dominar Gauss e o aumento, portanto, não é só passar na prova: é entender os instrumentos ópticos que nos cercam todos os dias.
Incidência: ⚡ Pode cair. Tema da linha 136 da planilha de matérias, da subdisciplina Óptica Geométrica, da disciplina Física 2.



