
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é diluição?
- A fórmula da diluição: por que \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \)?
- Como preparar uma solução diluída a partir de outra mais concentrada
- Diluições sucessivas e fator de diluição
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência no ENEM e nos vestibulares
Resumo rápido
Diluir uma solução é diminuir a sua concentração adicionando mais solvente, quase sempre água, sem retirar nem acrescentar soluto. Como a quantidade de soluto não muda, a concentração cai na mesma proporção em que o volume cresce: se o volume dobra, a concentração cai pela metade; se o volume fica cinco vezes maior, a concentração fica cinco vezes menor. Essa ideia simples resolve a maior parte das questões do tema no ENEM e nos vestibulares.
A fórmula que organiza o cálculo é \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \), em que \( C_1 \) e \( V_1 \) são a concentração e o volume da solução inicial, e \( C_2 \) e \( V_2 \) são a concentração e o volume da solução final. Ela vale para qualquer unidade de concentração, desde que a mesma unidade seja usada nos dois lados — concentração em mol/L, concentração comum em g/L ou título, por exemplo. O erro mais comum é confundir o volume de solvente adicionado com o volume final da solução: na fórmula, \( V_2 \) é o volume final, depois da adição, e não apenas a água que foi colocada.
O que é diluição?
Uma solução é formada por um soluto dissolvido em um solvente. Na diluição, acrescenta-se apenas solvente. O soluto continua o mesmo, na mesma quantidade, só que agora espalhado em um volume maior — por isso a solução fica mais “fraca”, ou seja, menos concentrada. É o que acontece quando se coloca água em um suco concentrado: o sabor fica mais suave, mas a quantidade de suco concentrado que estava no copo não mudou.
É importante diferenciar diluição de dissolução. Dissolver é o processo de misturar soluto e solvente pela primeira vez, formando a solução. Diluir é pegar uma solução já pronta e torná-la mais diluída, adicionando solvente. Também não se deve confundir diluição com evaporação: na evaporação, o solvente sai e a solução fica mais concentrada; na diluição, o solvente entra e a solução fica menos concentrada. Se quiser revisar a base do assunto, vale reler a matéria sobre unidades de concentração e navegar pela lista de matérias de Química.
A fórmula da diluição: por que \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \)?
A concentração em mol/L é definida por \( C = \frac{n}{V} \), em que \( n \) é a quantidade de matéria do soluto, em mol, e \( V \) é o volume da solução. Como na diluição o número de mols de soluto não muda, temos \( n_1 = n_2 \). Substituindo \( n = C \cdot V \) nos dois lados, chega-se a:
\[ C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \]
O mesmo raciocínio vale para a concentração comum, \( C = \frac{m}{V} \): como a massa de soluto \( m \) não muda, \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \) também funciona, desde que as unidades sejam coerentes. E vale para o título em volume ou em massa, com a mesma condição. A única exigência é não misturar unidades: se \( V_1 \) está em mL, \( V_2 \) também deve estar em mL, ou ambos em litros — nunca um de cada lado sem conversão.
| Grandeza | Antes da diluição | Depois da diluição |
|---|---|---|
| Quantidade de soluto | \( n_1 \) (não muda) | \( n_2 = n_1 \) |
| Volume da solução | \( V_1 \) (menor) | \( V_2 \) (maior) |
| Concentração | \( C_1 \) (maior) | \( C_2 \) (menor) |
| Volume de solvente adicionado | — | \( V_2 – V_1 \) (não é o \( V_2 \)) |
Um exemplo rápido mostra a lógica: uma solução de \( 2,0 \, \text{mol/L} \) tem seu volume aumentado de 100 mL para 500 mL. A nova concentração é \( C_2 = \frac{C_1 \cdot V_1}{V_2} = \frac{2,0 \times 100}{500} = 0,40 \, \text{mol/L} \). O volume ficou cinco vezes maior, então a concentração ficou cinco vezes menor — exatamente como esperado.
Como preparar uma solução diluída a partir de outra mais concentrada
Na prática de laboratório, a diluição costuma ser feita para preparar um volume exato de solução diluída a partir de uma solução-estoque mais concentrada. O procedimento tem três passos. Primeiro, calcula-se o volume da solução concentrada que deve ser retirado, usando \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \), em que \( V_1 \) é justamente o que se quer descobrir. Depois, mede-se esse volume com uma pipeta e transfere-se para um balão volumétrico. Por fim, completa-se com solvente até a marca do balão — o volume final é o volume do balão, e não a soma “por cima” de volumes medidos de qualquer jeito.
Exemplo: preparar 250 mL de solução \( 0,20 \, \text{mol/L} \) a partir de uma solução-estoque \( 1,0 \, \text{mol/L} \). Aplicando a fórmula, \( V_1 = \frac{C_2 \cdot V_2}{C_1} = \frac{0,20 \times 250}{1,0} = 50 \, \text{mL} \). Ou seja, pipetam-se 50 mL da solução-estoque para um balão de 250 mL e completa-se com água até a marca. O volume de água adicionado é \( 250 – 50 = 200 \, \text{mL} \), mas quem entra na fórmula é o volume final, 250 mL.
Outro exemplo, agora com concentração comum: 200 mL de uma solução de \( 40 \, \text{g/L} \) são diluídos até 800 mL. A nova concentração é \( C_2 = \frac{40 \times 200}{800} = 10 \, \text{g/L} \). Note que o volume quadruplicou, então a concentração caiu para um quarto do valor inicial. Esse tipo de proporção direta — “volume vezes maior, concentração vezes menor” — permite conferir o resultado sem calculadora: se a conta der um valor maior que o inicial em uma diluição, algo está errado.
Diluições sucessivas e fator de diluição
Às vezes, uma única diluição não basta para chegar a uma concentração muito baixa, e o laboratório faz diluições em série: dilui-se uma vez, retira-se uma parte da solução já diluída e dilui-se de novo. O resultado final é o produto dos fatores de cada etapa. Se uma solução é diluída 10 vezes e depois novamente 10 vezes, a concentração final é 100 vezes menor que a inicial.
O fator de diluição é a razão \( \frac{V_2}{V_1} \): ele diz quantas vezes o volume cresceu — e, portanto, quantas vezes a concentração caiu. Uma diluição de 10 mL para 100 mL tem fator 10. Na linguagem de laboratório, isso pode aparecer como “diluição 1:10”, que significa 1 parte de solução para 9 partes de solvente, totalizando 10 partes. Cuidado: “1:10” não significa 1 parte de solução mais 10 partes de solvente, o que daria 11 partes no total e um fator 11. Em prova, quando houver dúvida, volte sempre à definição: fator igual ao volume final dividido pelo volume inicial.
Exemplo de diluição sucessiva: uma solução \( 1,0 \, \text{mol/L} \) passa por duas diluições de fator 10. Após a primeira, a concentração é \( 0,10 \, \text{mol/L} \); após a segunda, \( 0,010 \, \text{mol/L} \). A conta direta também funciona: \( C_{final} = \frac{1,0}{10 \times 10} = 0,010 \, \text{mol/L} \). Diluições em série são comuns em análises químicas e em microbiologia, quando é preciso trabalhar com concentrações muito pequenas sem medir volumes minúsculos, difíceis de pipetar com precisão.


Mapa mental
- Diluição: adicionar solvente, sem mudar a quantidade de soluto; a concentração diminui.
- Conservação: \( n_1 = n_2 \) (ou \( m_1 = m_2 \)), por isso \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \).
- Volume final: \( V_2 \) é o volume depois da adição; solvente adicionado é \( V_2 – V_1 \).
- Proporção: volume \( k \) vezes maior implica concentração \( k \) vezes menor.
- Fator de diluição: \( \frac{V_2}{V_1} \); em série, multiplicam-se os fatores.
- Unidades: mesma unidade de concentração e de volume nos dois lados da fórmula.
- Erros comuns: usar o volume adicionado no lugar do volume final e misturar mL com L.
SAQ — Perguntas e respostas rápidas
1. O que acontece com a quantidade de soluto em uma diluição? Nada: ela permanece a mesma; só o volume de solvente aumenta.
2. Por que a concentração diminui na diluição? Porque o mesmo soluto fica distribuído em um volume maior de solução.
3. Qual é a fórmula da diluição? \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \), válida para qualquer unidade de concentração, desde que coerente nos dois lados.
4. Na fórmula, \( V_2 \) é o volume de água adicionado? Não. \( V_2 \) é o volume final da solução; o volume adicionado é \( V_2 – V_1 \).
5. Se o volume dobra, o que acontece com a concentração? Ela cai pela metade.
6. O que é o fator de diluição? A razão entre o volume final e o volume inicial, \( \frac{V_2}{V_1} \); indica quantas vezes a concentração caiu.
7. Como fica a concentração após duas diluições sucessivas de fator 10? Ela fica 100 vezes menor que a inicial, pois os fatores se multiplicam.
8. Pode-se misturar mL e L na fórmula \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \)? Não sem converter: os dois volumes devem estar na mesma unidade.
Questões comentadas
Questão 1. Uma solução de ácido com concentração \( 2,0 \, \text{mol/L} \) tem 100 mL transferidos para um balão volumétrico e completados com água até 500 mL. Qual é a concentração final da solução?
a) \( 0,10 \, \text{mol/L} \). b) \( 0,20 \, \text{mol/L} \). c) \( 0,40 \, \text{mol/L} \). d) \( 0,50 \, \text{mol/L} \). e) \( 1,0 \, \text{mol/L} \).
Gabarito: c. Aplicando \( C_2 = \frac{C_1 \cdot V_1}{V_2} = \frac{2,0 \times 100}{500} = 0,40 \, \text{mol/L} \). O volume ficou cinco vezes maior, então a concentração ficou cinco vezes menor — a conta confere. Quem usa 400 mL (o volume de água adicionado) no lugar de 500 mL chega a \( 0,50 \, \text{mol/L} \) e erra.
Questão 2. Um técnico precisa preparar 200 mL de solução \( 0,25 \, \text{mol/L} \) a partir de uma solução-estoque \( 1,0 \, \text{mol/L} \). Que volume da solução-estoque ele deve pipetar?
a) 25 mL. b) 50 mL. c) 100 mL. d) 150 mL. e) 200 mL.
Gabarito: b. \( V_1 = \frac{C_2 \cdot V_2}{C_1} = \frac{0,25 \times 200}{1,0} = 50 \, \text{mL} \). Depois, completa-se com água até 200 mL. O volume de água adicionado seria 150 mL, mas a pergunta pede o volume da solução-estoque, que é 50 mL.
Questão 3. 300 mL de uma solução \( 60 \, \text{g/L} \) são diluídos até um volume final de 900 mL. Qual é a concentração final, em g/L?
a) 10 g/L. b) 20 g/L. c) 30 g/L. d) 45 g/L. e) 180 g/L.
Gabarito: b. \( C_2 = \frac{60 \times 300}{900} = 20 \, \text{g/L} \). O volume triplicou, então a concentração caiu para um terço do valor inicial — \( 60 \div 3 = 20 \) — o que confirma o resultado.
Questão 4. Uma solução \( 0,80 \, \text{mol/L} \) sofre duas diluições sucessivas, cada uma com fator 4. Qual é a concentração final?
a) \( 0,40 \, \text{mol/L} \). b) \( 0,20 \, \text{mol/L} \). c) \( 0,10 \, \text{mol/L} \). d) \( 0,050 \, \text{mol/L} \). e) \( 0,025 \, \text{mol/L} \).
Gabarito: d. O fator total é \( 4 \times 4 = 16 \), então \( C_{final} = \frac{0,80}{16} = 0,050 \, \text{mol/L} \). Passo a passo: após a primeira diluição, \( 0,20 \, \text{mol/L} \); após a segunda, \( 0,050 \, \text{mol/L} \). Somar os fatores (8) em vez de multiplicar é o erro clássico aqui.
Dica do professor
Antes de calcular, escreva o que é inicial e o que é final, com as unidades ao lado — \( C_1 = \), \( V_1 = \), \( C_2 = \), \( V_2 = \) — e sublinhe qual valor a questão pede. Depois, faça a checagem de bom senso: em uma diluição, a concentração final tem que ser menor que a inicial, e o volume final tem que ser maior que o inicial. Se qualquer uma dessas duas condições falhar, revise a conta antes de marcar a alternativa. Esse hábito simples elimina a maioria dos erros de diluição em prova.
Atenção/cuidado
Cuidado com três armadilhas. Primeiro, o volume final não é o volume de solvente adicionado: se a questão diz que foram adicionados 400 mL de água a 100 mL de solução, o volume final é 500 mL. Segundo, não misture unidades: converta mL para L (ou vice-versa) antes de aplicar a fórmula, se os dois volumes vierem em unidades diferentes. Terceiro, a fórmula \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \) supõe que os volumes sejam aproximadamente aditivos, o que é uma boa aproximação para soluções diluídas, mas não é exato em todos os casos — em laboratório, por isso se completa até a marca do balão volumétrico, em vez de simplesmente somar volumes medidos.
Conexão com outras áreas
A diluição conecta a Química à Biologia, pois é o procedimento padrão para preparar meios de cultura, soluções de medicamentos e amostras para análise — a dose de um remédio, por exemplo, depende diretamente da diluição correta. Ela aparece na Física quando se discute concentração de poluentes e na Matemática, como aplicação direta de proporção inversa: dobrar o volume divide a concentração por dois. Na vida cotidiana, a mesma ideia explica por que um suco concentrado fica mais fraco quando se acrescenta água, e por que o soro caseiro precisa das proporções certas de sal e açúcar.
Incidência no ENEM e nos vestibulares
Incidência: ♨️ Morno. A diluição aparece com frequência moderada, quase sempre como um cálculo direto com \( C_1 \cdot V_1 = C_2 \cdot V_2 \), muitas vezes escondido em um contexto de laboratório, de preparo de solução ou de um problema do cotidiano. É um tema que rende ponto certo para quem domina a distinção entre volume final e volume adicionado — e que costuma vir combinado com unidades de concentração e com mistura de soluções.



