
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- A teoria das placas tectônicas
- Os três tipos de limite entre placas
- Vulcanismo: quando o magma chega à superfície
- Terremotos: a Terra tremendo
- O relevo que as placas constroem
- As placas e o Brasil: por que aqui quase não treme forte
- Como a dinâmica das placas cai nas provas
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção / cuidado
- Conexão com outras áreas
Resumo rápido
A superfície da Terra não é uma casca única e parada: ela é formada por grandes blocos rochosos, as placas tectônicas, que se movem lentamente sobre o manto, como peças de um quebra-cabeça flutuando sobre material quente e pastoso. É esse movimento — de poucos centímetros por ano, mais ou menos o ritmo com que crescem as suas unhas — que explica os vulcões, os terremotos, a formação de montanhas e até a posição atual dos continentes. É um tema 🔥 Quente no ENEM e nos vestibulares, porque aparece em questões de Geografia ligadas a desastres naturais, ao relevo e à história da Terra.
Em resumo: as placas se movem por causa das correntes de convecção do manto. Onde elas se chocam, formam montanhas e vulcões; onde se afastam, abrem-se oceanos e surgem dorsais; onde deslizam lado a lado, acumulam tensão que se libera em terremotos. O Brasil fica no meio da placa Sul-Americana, longe das bordas, e por isso tem poucos terremotos fortes e nenhum vulcão ativo. Se você dominar os três tipos de limite de placa — convergente, divergente e transformante — e souber ligar cada um ao fenômeno que ele provoca, resolve quase todas as questões do tema.
A teoria das placas tectônicas
Para entender as placas, é preciso lembrar como a Terra é por dentro. O planeta tem três camadas principais: a crosta, fina e rochosa, onde vivemos; o manto, espesso e formado por rochas quentes que se comportam como um material pastoso ao longo de milhões de anos; e o núcleo, muito quente, com uma parte externa líquida e uma parte interna sólida. A crosta, junto com a parte mais superficial e rígida do manto, forma a litosfera, que é justamente a camada quebrada em placas.
A teoria das placas tectônicas nasceu no século XX, juntando duas ideias anteriores. Primeiro veio a deriva continental, proposta por Alfred Wegener em 1912: ele notou que os contornos da América do Sul e da África se encaixam como peças de quebra-cabeça e que fósseis de plantas e animais idênticos apareciam em continentes hoje separados por oceanos. Wegener concluiu que os continentes já estiveram unidos em um supercontinente, a Pangeia, e depois se separaram. Na época, ele não conseguiu explicar o que movia os continentes, e a ideia foi rejeitada por muitos cientistas.
A explicação veio décadas depois, com o estudo do fundo dos oceanos. Nos anos 1960, os cientistas descobriram as dorsais oceânicas — cadeias de montanhas no fundo do mar, de onde sai magma que forma crosta nova — e confirmaram que o fundo oceânico se expande. Nasceu então a teoria da tectônica de placas: a litosfera é dividida em cerca de uma dezena de grandes placas e várias placas menores, que se movem sobre a astenosfera, a camada pastosa do manto superior. As principais placas são a Pacífica, a Sul-Americana, a Norte-Americana, a Africana, a Eurasiática, a Indo-Australiana, a Antártica e a de Nazca, entre outras.
O motor desse movimento são as correntes de convecção do manto: o material quente do interior sobe, esfria perto da superfície e desce de novo, em um ciclo lento e contínuo, parecido com a água fervendo em uma panela. Esse movimento arrasta as placas. Além disso, nas zonas onde uma placa mergulha sob outra, o peso da placa que afunda ajuda a puxar o restante da placa, em um processo chamado de tração da placa. O resultado é um movimento constante, de 2 a 10 centímetros por ano, dependendo da placa. Parece pouco, mas em milhões de anos isso desloca continentes inteiros, abre oceanos e levanta as maiores montanhas do planeta.
Uma diferença importante para as provas: a crosta continental é mais espessa (de 30 a 70 km) e mais leve, formada principalmente por rochas graníticas; a crosta oceânica é mais fina (de 5 a 10 km) e mais densa, formada por basalto. Por ser mais densa, quando uma placa oceânica encontra uma placa continental, é a oceânica que mergulha por baixo, em um processo chamado subducção. Guarde essa palavra: ela aparece em muitas questões sobre vulcões e terremotos no Círculo de Fogo do Pacífico.
Os três tipos de limite entre placas
As bordas das placas, chamadas de limites, são os lugares onde quase tudo acontece: vulcões, terremotos e montanhas se concentram nelas. Existem três tipos de limite, e cada um produz fenômenos diferentes. Decorar essa relação é o passo mais importante para acertar as questões.
No limite convergente, duas placas se chocam, movendo-se uma em direção à outra. O resultado depende do tipo de crosta envolvida. Quando uma placa oceânica encontra uma continental, a oceânica mergulha sob a continental (subducção), formando uma fossa oceânica profunda e uma cadeia de vulcões na borda do continente — é o caso da costa oeste da América do Sul, onde a placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana e forma a cordilheira dos Andes e os vulcões do Chile, do Peru e do Equador. Quando duas placas continentais se chocam, nenhuma consegue mergulhar direito, e o material se amassa e se levanta, formando grandes cadeias de montanhas: foi assim que surgiu o Himalaia, do choque entre a placa Indiana e a Eurasiática, e é por isso que o monte Everest continua crescendo alguns milímetros por ano. Quando duas placas oceânicas convergem, formam-se arcos de ilhas vulcânicas, como o Japão e a Indonésia.
No limite divergente, duas placas se afastam uma da outra. O espaço aberto entre elas é preenchido por magma que sobe do manto, formando crosta oceânica nova nas dorsais meso-oceânicas, como a dorsal Mesoatlântica, que corta o oceano Atlântico de norte a sul e afasta a América do Sul da África. Em terra, o afastamento pode abrir vales em forma de fenda, os riftes, como o Grande Vale do Rifte, na África Oriental, que um dia pode separar uma parte do continente africano e formar um novo oceano. Nos limites divergentes também há vulcões, mas de erupções geralmente mais tranquilas, e terremotos mais rasos e fracos.
No limite transformante, duas placas deslizam lateralmente, uma ao lado da outra, sem se chocar nem se afastar. Como as placas não são lisas, elas travam em alguns pontos e acumulam tensão por anos ou décadas; quando finalmente deslizam de uma vez, liberam essa energia em forma de terremoto. O exemplo mais famoso é a falha de San Andreas, na Califórnia, entre as placas Pacífica e Norte-Americana. Nos limites transformantes não há vulcanismo significativo, porque não há subida de magma nem subducção — o fenômeno típico é o terremoto.
| Tipo de limite | Movimento das placas | Fenômenos típicos | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Convergente | Chocam-se uma contra a outra | Montanhas, fossas oceânicas, vulcões explosivos, terremotos fortes | Andes (Nazca x Sul-Americana); Himalaia (Indiana x Eurasiática) |
| Divergente | Afastam-se uma da outra | Dorsais oceânicas, riftes, vulcões tranquilos, terremotos fracos | Dorsal Mesoatlântica; Grande Vale do Rifte, na África |
| Transformante | Deslizam lateralmente, lado a lado | Terremotos, sem vulcanismo importante | Falha de San Andreas, na Califórnia |
Vulcanismo: quando o magma chega à superfície
O vulcanismo é a saída de magma, gases e cinzas do interior da Terra para a superfície. O magma é a rocha derretida que está abaixo da superfície; quando ele chega para fora, passa a se chamar lava. Os vulcões se formam principalmente nos limites convergentes e divergentes, mas também existem vulcões no meio das placas, nos chamados pontos quentes (hot spots), onde uma pluma de material quente do manto perfura a placa por baixo — é o caso do Havaí, no meio da placa Pacífica, e das ilhas de Fernando de Noronha, no Brasil, que são de origem vulcânica, mas extinta há milhões de anos.
Nem toda erupção é igual. Quando o magma é mais fluido, pobre em sílica, a erupção é efusiva: a lava escorre calmamente, como nos vulcões do Havaí, e o perigo maior é a lava cobrir áreas, mas as pessoas costumam ter tempo de fugir. Quando o magma é mais viscoso, rico em sílica e gases, a erupção é explosiva: o vulcão lança cinzas, pedras e gases a grande velocidade, como aconteceu no Vesúvio, que destruiu Pompeia em 79 d.C., e no monte Santa Helena, nos Estados Unidos, em 1980. É nos limites convergentes, onde a subducção gera magma rico em sílica e água, que acontecem as erupções mais explosivas — e é por isso que o Círculo de Fogo do Pacífico, a faixa ao redor do oceano Pacífico onde várias placas se encontram, concentra cerca de 75% dos vulcões ativos do mundo e a maioria dos grandes terremotos.
Os vulcões também criam relevo e solos. As ilhas vulcânicas, como o Havaí e a Islândia, nasceram de erupções. Os solos formados pela decomposição de rochas vulcânicas, como a terra roxa no Brasil, são muito férteis para a agricultura — uma das razões pelas quais populações vivem perto de vulcões, apesar do risco. Para as provas, lembre: vulcão não é sinônimo de desastre inevitável; ele é um fenômeno natural da dinâmica interna da Terra, e o risco depende do tipo de erupção, da proximidade das cidades e da existência de sistemas de monitoramento e evacuação.
Terremotos: a Terra tremendo
O terremoto (ou abalo sísmico) é uma vibração brusca da crosta, causada pela liberação repentina de energia acumulada nas rochas. O ponto dentro da Terra onde a energia é liberada se chama hipocentro; o ponto na superfície, logo acima dele, é o epicentro. As vibrações se propagam em ondas sísmicas, registradas por aparelhos chamados sismógrafos, e a intensidade pode ser medida de duas formas que as provas costumam confundir: a escala Richter (hoje chamada de magnitude de momento) mede a energia liberada no terremoto, enquanto a escala Mercalli mede os efeitos sentidos e os danos causados em cada lugar, que variam conforme a distância do epicentro e o tipo de construção.
A maioria dos terremotos acontece nas bordas das placas, por três motivos principais: no limite convergente, o atrito entre a placa que mergulha e a placa que fica por cima; no limite transformante, o deslizamento repentino após anos de travamento; e, em menor intensidade, no limite divergente, quando a crosta se rompe ao se afastar. Os terremotos mais fortes e profundos acontecem nas zonas de subducção, como no Japão, no Chile e na Indonésia. Um terremoto no fundo do oceano pode deslocar uma grande massa de água e gerar um tsunami, uma série de ondas gigantes que atravessam o oceano e devastam a costa — foi o que aconteceu na Indonésia em 2004 e no Japão em 2011.
Os terremotos também podem acontecer no interior das placas, os chamados terremotos intraplaca, mas são mais raros e geralmente mais fracos. Eles ocorrem quando tensões antigas se liberam em falhas geológicas antigas, dentro do continente. O Brasil, como veremos a seguir, é um caso típico de terremotos intraplaca fracos.
O relevo que as placas constroem
O relevo da Terra é, em grande parte, obra das placas tectônicas. As grandes cadeias de montanhas jovens, como os Andes e o Himalaia, são dobramentos recentes, formados pelo choque de placas, com picos altos e pontiagudos, ainda pouco desgastados pela erosão. As montanhas antigas, como os Apalaches, nos Estados Unidos, e a serra do Espinhaço, no Brasil, já foram altas um dia, mas foram desgastadas por milhões de anos de erosão e hoje são mais baixas e arredondadas.
Além das montanhas, as placas explicam as fossas oceânicas — os pontos mais profundos dos oceanos, como a fossa das Marianas, no Pacífico, com quase 11 km de profundidade, formada onde a placa Pacífica mergulha sob outra placa —, as dorsais oceânicas, as ilhas vulcânicas e os riftes continentais. Em outras palavras, quando uma questão pergunta por que a costa oeste da América do Sul tem montanhas altas e vulcões, enquanto a costa leste, do Brasil, tem relevo mais baixo e sem vulcões, a resposta está nas placas: o oeste é borda de placa ativa; o leste é interior de placa, estável.
Essa dinâmica também explica a distribuição de recursos minerais. Muitos minérios metálicos, como cobre no Chile e ouro, se formam em zonas de vulcanismo e de contato entre placas. O petróleo, por sua vez, se acumula em bacias sedimentares, muitas vezes nas margens continentais formadas pelo afastamento das placas — como a bacia de Campos, no Brasil, ligada à abertura do Atlântico Sul. É por isso que a tectônica de placas conversa tanto com a economia e com a geopolítica: onde estão as placas, muitas vezes estão também os recursos e os riscos.
As placas e o Brasil: por que aqui quase não treme forte
O Brasil está no centro da placa Sul-Americana, longe das suas bordas. A borda oeste dessa placa é a zona de subducção dos Andes, a milhares de quilômetros do território brasileiro; a borda leste é a dorsal Mesoatlântica, no meio do oceano Atlântico. Por isso, o Brasil é uma região geologicamente estável, sem vulcões ativos e com terremotos raros e, em geral, fracos — a maioria com magnitude abaixo de 4,0, que mal é sentida pela população.
Isso não significa que o Brasil nunca treme. O país registra pequenos tremores todos os anos, principalmente no Nordeste, no Centro-Oeste e no norte de Minas Gerais, causados por falhas antigas dentro da placa, que liberam tensões acumuladas. O maior terremoto já registrado no Brasil aconteceu em 1955, na serra do Tombador, em Mato Grosso, com magnitude estimada em 6,2 — forte, mas sem vítimas, porque a região era praticamente desabitada. Em 2024, tremores sentidos em estados como São Paulo e Minas Gerais, com magnitudes em torno de 4,0, lembraram que o risco existe, mas é muito menor do que no Chile, no Japão ou na Indonésia.
Também é importante desfazer um mito: o Brasil já teve vulcões, mas todos estão extintos há milhões de anos. Fernando de Noronha, a ilha de Trindade e o arquipélago de São Pedro e São Paulo são restos de antigos vulcões, formados quando a placa Sul-Americana passou sobre pontos quentes ou quando o Atlântico estava se abrindo. Hoje não há vulcão ativo em território brasileiro, e não há previsão de um novo surgir: para isso, seria preciso que o Brasil ficasse na borda de uma placa, o que não vai acontecer na escala de tempo humana.
Para as provas, a frase-chave é: o Brasil é uma área intraplaca estável. Se uma questão disser que o Brasil tem muitos vulcões ativos ou terremotos devastadores frequentes, desconfie. E se ela perguntar por que o Chile tem terremotos fortes e o Brasil não, a resposta é a posição em relação às placas: o Chile está na borda convergente, o Brasil está no interior da placa.
| Pergunta típica da prova | Resposta curta | Por quê |
|---|---|---|
| Por que o Chile tem terremotos fortes? | Está na borda convergente da placa Sul-Americana | A placa de Nazca mergulha sob a Sul-Americana (subducção) |
| Por que o Brasil quase não tem terremotos fortes? | Está no interior da placa Sul-Americana | Longe das bordas, só restam falhas antigas com tremores fracos |
| Por que o Japão tem vulcões e terremotos? | Está no encontro de várias placas no Pacífico | Subducção no Círculo de Fogo do Pacífico |
| Por que a Islândia tem vulcões? | Está sobre a dorsal Mesoatlântica | Limite divergente: as placas se afastam e o magma sobe |
| Por que a Califórnia tem terremotos sem vulcões? | Está na falha de San Andreas | Limite transformante: deslizamento lateral, sem subida de magma |
Como a dinâmica das placas cai nas provas
As questões sobre placas tectônicas no ENEM e nos vestibulares raramente pedem só a definição. Elas costumam trazer um mapa com as placas, uma notícia sobre um terremoto ou uma erupção, ou uma comparação entre dois lugares — e pedem que você identifique o tipo de limite, o fenômeno esperado ou a explicação para a diferença entre os dois. O erro mais comum é confundir os limites: lembrar que convergente forma montanha e vulcão explosivo, divergente abre oceano e forma dorsal, e transformante só provoca terremoto já resolve metade das questões.
Outro erro frequente é achar que os continentes se movem rápido ou que o Brasil pode “entrar” em uma zona de terremotos em poucos anos. O movimento das placas é de centímetros por ano: em uma vida humana, um continente se desloca poucos metros. As mudanças de relevo que estudamos aconteceram ao longo de dezenas de milhões de anos. Por fim, atenção às pegadinhas sobre o Brasil: ele não tem vulcão ativo, não está na borda de placa e não faz parte do Círculo de Fogo do Pacífico — mesmo estando na América do Sul, ao contrário do Chile, do Peru e do Equador.


Mapa mental
- Placas tectônicas
- Litosfera (crosta + parte rígida do manto) dividida em placas
- Motor: correntes de convecção do manto; movimento de 2 a 10 cm por ano
- Origem: deriva continental de Wegener (Pangeia) + expansão do fundo oceânico
- Limites
- Convergente: choque — montanhas, fossas, vulcões explosivos, terremotos fortes (Andes, Himalaia)
- Divergente: afastamento — dorsais oceânicas, riftes, vulcões tranquilos (Atlântico, Rifte africano)
- Transformante: deslizamento lateral — terremotos, sem vulcanismo (falha de San Andreas)
- Vulcanismo
- Magma (embaixo) vira lava (fora); pontos quentes no interior das placas (Havaí)
- Círculo de Fogo do Pacífico: 75% dos vulcões ativos e grandes terremotos
- Terremotos
- Hipocentro (dentro) e epicentro (superfície); escalas Richter (energia) e Mercalli (efeitos)
- Tsunami: terremoto no fundo do oceano desloca a água
- Brasil
- Interior da placa Sul-Americana: estável, sem vulcão ativo, terremotos fracos e raros
- Vulcões extintos: Fernando de Noronha, Trindade; maior terremoto: 1955, Mato Grosso, 6,2
SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- O que são placas tectônicas? São os grandes blocos rochosos em que a litosfera é dividida, que se movem lentamente sobre a astenosfera.
- O que move as placas tectônicas? As correntes de convecção do manto e a tração da placa que afunda nas zonas de subducção.
- O que é a Pangeia? O supercontinente que reunia todas as terras emersas há cerca de 200 milhões de anos, antes da separação dos continentes.
- O que acontece em um limite convergente? As placas se chocam, formando montanhas, fossas oceânicas, vulcões e terremotos fortes.
- O que acontece em um limite divergente? As placas se afastam, o magma sobe e forma crosta nova nas dorsais oceânicas ou riftes continentais.
- O que acontece em um limite transformante? As placas deslizam lateralmente e, ao destravar, provocam terremotos, sem vulcanismo importante.
- O que é subducção? É o mergulho de uma placa (geralmente a oceânica, mais densa) sob outra, nas zonas de convergência.
- Por que o Brasil tem poucos terremotos fortes? Porque está no interior da placa Sul-Americana, longe das bordas onde se concentram os grandes terremotos.
Questões comentadas
Questão 1. Um noticiário informou que um forte terremoto atingiu a costa do Chile, seguido de um alerta de tsunami para o oceano Pacífico. A explicação geológica mais adequada para esse evento é:
a) O Chile está no interior da placa Sul-Americana, uma região estável.
b) A placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana, em um limite convergente.
c) As placas Sul-Americana e Africana estão se afastando na costa chilena.
d) O Chile está sobre um limite transformante, sem subducção.
e) O terremoto foi causado pelo derretimento das geleiras dos Andes.Gabarito: b) A placa de Nazca mergulha sob a placa Sul-Americana, em um limite convergente. Comentário: a costa oeste da América do Sul é um limite convergente, onde a placa oceânica de Nazca mergulha sob a continental Sul-Americana. O atrito e a liberação de tensão nessa subducção geram os terremotos fortes do Chile, que, por ocorrerem no fundo do oceano, podem provocar tsunamis.
Questão 2. A cordilheira dos Andes e o Himalaia são duas das maiores cadeias de montanhas do mundo. Apesar de ambas resultarem de limites convergentes, há uma diferença importante entre elas. Assinale a alternativa que descreve corretamente essa diferença:
a) Os Andes resultam do choque de duas placas continentais, e o Himalaia, do choque de uma oceânica com uma continental.
b) Os Andes resultam da subducção de uma placa oceânica sob uma continental, e o Himalaia, do choque de duas placas continentais.
c) Os Andes resultam do afastamento de placas, e o Himalaia, do deslizamento lateral.
d) Os Andes são montanhas antigas e desgastadas, e o Himalaia é um rifte em formação.
e) Os Andes se formam por vulcanismo de ponto quente, e o Himalaia, por subducção.Gabarito: b) Os Andes resultam da subducção de uma placa oceânica sob uma continental, e o Himalaia, do choque de duas placas continentais. Comentário: nos Andes, a placa oceânica de Nazca mergulha sob a Sul-Americana, formando vulcões e fossas. No Himalaia, as placas Indiana e Eurasiática, ambas continentais, se chocam sem que uma mergulhe por completo, e o material se amassa para cima, formando a cadeia mais alta do mundo.
Questão 3. A Islândia, ilha no Atlântico Norte, apresenta intensa atividade vulcânica e terremotos frequentes, embora esteja longe das zonas de subducção do Pacífico. A causa dessa atividade é:
a) A Islândia está sobre um limite divergente, a dorsal Mesoatlântica.
b) A Islândia está sobre um limite transformante, como a falha de San Andreas.
c) A Islândia está no interior de uma placa, sobre um ponto quente extinto.
d) A Islândia sofre terremotos causados pelo peso das geleiras.
e) A Islândia está na borda convergente entre as placas Africana e Eurasiática.Gabarito: a) A Islândia está sobre um limite divergente, a dorsal Mesoatlântica. Comentário: a Islândia fica exatamente sobre a dorsal Mesoatlântica, onde as placas Norte-Americana e Eurasiática se afastam. O magma que sobe para preencher o espaço aberto forma crosta nova, vulcões e pequenos terremotos — um caso clássico de limite divergente emerso.
Questão 4. Um estudante afirmou: “Se o Brasil ficasse na borda de uma placa tectônica, teríamos vulcões ativos e terremotos fortes com frequência.” Considerando a posição do Brasil na placa Sul-Americana, essa afirmação está:
a) Incorreta, pois a borda de placa não influencia vulcões nem terremotos.
b) Incorreta, pois o Brasil já está na borda da placa Sul-Americana.
c) Correta, pois vulcões e grandes terremotos se concentram nas bordas das placas, e o Brasil está no interior da placa.
d) Correta, pois o Brasil está sobre a dorsal Mesoatlântica.
e) Incorreta, pois o Brasil tem vulcões ativos em Fernando de Noronha.Gabarito: c) Correta, pois vulcões e grandes terremotos se concentram nas bordas das placas, e o Brasil está no interior da placa. Comentário: o Brasil está no centro da placa Sul-Americana, longe da subducção andina e da dorsal atlântica. Por isso é uma região estável: seus tremores são intraplaca, fracos e raros, e seus vulcões, como os de Fernando de Noronha, estão extintos há milhões de anos.
Questão 5. A falha de San Andreas, na Califórnia, é famosa por seus terremotos, mas a região não apresenta vulcões importantes associados a essa falha. Isso acontece porque a falha de San Andreas é um limite:
a) Convergente, onde uma placa mergulha sob outra.
b) Divergente, onde o magma sobe e forma crosta nova.
c) Transformante, onde as placas deslizam lateralmente sem subida de magma.
d) De ponto quente, onde uma pluma perfura a placa.
e) Intraplaca, sem qualquer movimento entre placas.Gabarito: c) Transformante, onde as placas deslizam lateralmente sem subida de magma. Comentário: em um limite transformante, as placas Pacífica e Norte-Americana deslizam lado a lado. Não há subducção nem afastamento com subida de magma, então não se formam vulcões; a tensão acumulada no deslizamento é liberada em terremotos.
Questão 6. Dois lugares chamam a atenção de um professor de Geografia: o Japão, com vulcões explosivos e terremotos devastadores, e o Havaí, com vulcões de lava fluida no meio do oceano. A diferença entre os dois casos é explicada, respectivamente, por:
a) Subducção em limite convergente e vulcanismo de ponto quente no interior da placa.
b) Afastamento em limite divergente e deslizamento em limite transformante.
c) Ponto quente no Japão e subducção no Havaí.
d) Limite transformante nos dois casos, com intensidades diferentes.
e) Erosão no Japão e sedimentação no Havaí.Gabarito: a) Subducção em limite convergente e vulcanismo de ponto quente no interior da placa. Comentário: o Japão está em uma zona de subducção no Círculo de Fogo do Pacífico, onde o magma rico em sílica gera erupções explosivas e terremotos fortes. O Havaí está no meio da placa Pacífica, sobre um ponto quente: uma pluma de manto perfura a placa e gera vulcões de lava fluida, com erupções mais tranquilas.
Dica do professor
Desenhe no rascunho três setinhas antes de responder: setas se encontrando (convergente: montanha e vulcão), setas se afastando (divergente: dorsal e rifte) e setas passando lado a lado (transformante: terremoto, sem vulcão). Depois, localize o lugar da questão: borda de placa ou interior de placa? Com essas duas informações — tipo de limite e posição —, quase toda questão de placas tectônicas se resolve, inclusive as que perguntam por que o Brasil treme pouco e o Chile treme muito.
Atenção / cuidado
Não confunda magnitude com intensidade: a escala Richter (magnitude) mede a energia liberada no terremoto, e é um único valor; a escala Mercalli mede os efeitos sentidos em cada lugar, que variam com a distância e o tipo de construção. Também não confunda magma com lava — magma está embaixo da superfície, lava é o magma que já saiu —, nem diga que o Brasil tem vulcões ativos: os vulcões brasileiros estão todos extintos. E cuidado com a velocidade das placas: centímetros por ano parecem pouco, mas em milhões de anos movem continentes inteiros.
Conexão com outras áreas
A dinâmica das placas conecta a Geografia com a Física (correntes de convecção e propagação de ondas sísmicas), a História (a deriva continental de Wegener e os desastres que mudaram cidades, como Pompeia) e a Biologia (a separação dos continentes explica a distribuição de fósseis e espécies). O tema também aparece em Atualidades, sempre que um terremoto ou uma erupção vira notícia — e toda a revisão pode ser feita na sala de estudo do ENEM.
Incidência: 🔥 Quente.



