Sala de estudos

Hormônios e Movimentos vegetais: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Hormônios vegetais controlam crescimento, floração e amadurecimento: entenda auxinas, giberelinas, etileno e os movimentos das plantas para o ENEM.

Planta verde em estilo Pixar curvando-se em direção à luz do sol, com uma flor se abrindo.
Planta verde em estilo Pixar curvando-se em direção à luz do sol, com uma flor se abrindo.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que são fitormônios
  3. Auxinas: o hormônio do crescimento dirigido
  4. Giberelinas: germinação, alongamento e floração
  5. Citocininas: divisão celular e folhas jovens por mais tempo
  6. Etileno: o gás do amadurecimento e da queda
  7. Ácido abscísico: o freio da planta
  8. Fototropismo: crescer em direção à luz
  9. Geotropismo: a resposta à gravidade
  10. Tigmotropismo: o toque que guia
  11. Nastismos: quando a direção não importa
  12. Fotoperiodismo: a planta mede a noite
  13. Tabelas comparativas
  14. Dica do professor
  15. Atenção / cuidado
  16. Conexão com outras áreas
  17. Para continuar estudando
  18. Mapa mental
  19. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  20. Questões comentadas

Resumo rápido

Incidência: ♨️ Morno. Hormônios e movimentos vegetais aparecem com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, quase sempre em situações do cotidiano: a planta da janela que entorta para a luz, a banana que amadurece mais rápido perto de outra banana madura, a semente que só germina depois do inverno, a flor que abre de dia e fecha à noite. É um tema que cobra interpretação, não decoreba: as provas querem saber se você entende que a planta percebe o ambiente e responde a ele, mesmo sem se deslocar, e que essa resposta é comandada por mensageiros químicos, os fitormônios.

Em poucas palavras: os fitormônios são substâncias produzidas em uma parte da planta que atuam em outra parte, em quantidades muito pequenas, regulando crescimento, floração, frutificação, queda de folhas e resposta a estresses. As auxinas alongam células e orientam o crescimento; as giberelinas estimulam germinação e alongamento do caule; as citocininas estimulam a divisão celular e retardam o envelhecimento das folhas; o etileno, um gás, acelera o amadurecimento dos frutos e a queda de folhas; o ácido abscísico freia o crescimento, fecha os estômatos e mantém a semente dormente. Nenhum hormônio age sozinho: o que a planta faz depende do equilíbrio entre eles.

Já os movimentos vegetais são as respostas da planta a estímulos. Quando a resposta depende da direção do estímulo, chamamos de tropismo: fototropismo (luz), geotropismo ou gravitropismo (gravidade) e tigmotropismo (toque). Quando a resposta independe da direção do estímulo, chamamos de nastismo: é o caso da flor que abre e fecha com a luz do dia, da planta carnívora que fecha as folhas ao toque e da dormideira que fecha os folíolos à noite. E há ainda o fotoperiodismo: a resposta da planta à duração do dia e da noite, que decide quando ela floresce.

Para situar este tema dentro da Biologia, lembre que ele conversa com a fisiologia vegetal como um todo: os hormônios controlam a abertura dos estômatos, o crescimento e a fotossíntese, e os movimentos são, muitas vezes, crescimento desigual provocado por hormônios. Vale revisar também a matéria sobre Fotossíntese e a de Introdução à Botânica. Aqui, o foco é entender cada hormônio, cada movimento e, principalmente, não confundir os pares que as provas mais misturam: tropismo com nastismo, planta de dia curto com planta de dia longo, auxina com giberelina.

Ideia central para guardar: a planta não tem músculos nem sistema nervoso, mas percebe luz, gravidade, toque e duração do dia e responde crescendo de forma desigual, abrindo e fechando órgãos ou mudando de fase de vida. Quase todo movimento vegetal é, no fundo, crescimento desigual ou variação de pressão de água nas células — e quase todo ele é comandado ou modulado por hormônios.

Como estudar este tema: primeiro, memorize a tabela dos cinco hormônios principais (onde são produzidos, o que fazem e um exemplo do cotidiano). Depois, aprenda a distinguir tropismo de nastismo com uma pergunta simples: a direção da resposta depende da direção do estímulo? Se sim, é tropismo; se não, é nastismo. Por fim, treine o fotoperiodismo com o conceito de noite crítica, e não de “dia longo” ou “dia curto” isolados. O resto é treino com situações-problema.

O que são fitormônios

Fitormônio, ou hormônio vegetal, é uma substância orgânica produzida em um local da planta — em geral no meristema apical, nas folhas jovens, nas sementes ou nas raízes — que, transportada para outro local, regula um processo fisiológico em concentração muito baixa. A comparação com os hormônios animais ajuda, mas tem um limite importante: nas plantas não há glândulas nem sangue transportando tudo de forma centralizada. A produção é difusa, o transporte pode ser célula a célula ou pelos vasos, e a mesma substância pode ter efeitos diferentes conforme o órgão, a concentração e a presença de outros hormônios.

Um exemplo clássico dessa dependência de concentração: a auxina estimula o alongamento do caule em concentrações baixas, mas inibe o crescimento da raiz, que é muito mais sensível a ela. Ou seja, a mesma dose que faz o caule crescer pode frear a raiz. Por isso, as questões do ENEM raramente perguntam “o que a auxina faz?” de forma isolada; elas descrevem um experimento — uma plantinha com a ponta cortada, uma dose aplicada de um lado só — e pedem a interpretação. Quem decora uma frase pronta erra; quem entende o mecanismo acerta.

Outro ponto essencial é a interação entre hormônios. Auxina e citocinina, juntas, decidem se um broto vai formar raiz ou caule em cultura de tecidos: mais auxina favorece raiz, mais citocinina favorece parte aérea. Auxina e etileno também conversam: altas doses de auxina estimulam a produção de etileno, que pode provocar a queda de folhas e frutos. E o ácido abscísico funciona, em muitos processos, como antagonista das giberelinas: enquanto a giberelina quebra a dormência da semente, o ácido abscísico a mantém. Guardar esses pares de oposição — auxina/citocinina, giberelina/ácido abscísico — resolve várias questões.

Exemplo do cotidiano: quando você coloca uma banana verde dentro de um saco de papel junto com uma banana madura, a verde amadurece mais rápido. Não é mágica: a banana madura libera etileno, um gás, que acelera o amadurecimento da vizinha. O mesmo princípio explica por que um tomate colhido verde pode amadurecer fora do pé e por que uma única fruta podre pode estragar a caixa inteira.

Auxinas: o hormônio do crescimento dirigido

A auxina mais conhecida é o ácido indolacético (AIA). Ela é produzida principalmente no meristema apical do caule, nas folhas jovens e nas sementes em desenvolvimento, e desce pelo caule em direção à raiz. Seus efeitos mais cobrados são o alongamento celular, a dominância apical e o fototropismo.

O alongamento celular acontece porque a auxina afrouxa a parede celular e estimula a entrada de água na célula, que cresce em comprimento. É assim que o caule cresce e é assim que a planta se curva para a luz: o lado sombreado do caule recebe mais auxina, alonga-se mais e empurra a ponta para o lado iluminado. Parece contraditório — mais hormônio do lado escuro faz a planta ir para a luz —, mas é exatamente esse crescimento desigual que produz a curvatura.

A dominância apical é o fenômeno pelo qual a gema apical, produzindo auxina, inibe o crescimento das gemas laterais. É por isso que muitas plantas crescem altas e finas, sem ramificar, enquanto a ponta está intacta. Quando o jardineiro poda a ponta, a fonte de auxina some, as gemas laterais são liberadas e a planta “enche”, fica mais arbustiva. É o mesmo princípio da poda de roseiras e de cercas-vivas.

As auxinas também participam da formação de raízes adventícias em estacas, do desenvolvimento dos frutos — inclusive dos frutos partenocárpicos, sem sementes, produzidos com aplicação de auxina — e da queda de folhas e frutos, quando sua concentração cai no pecíolo. Em doses altas, porém, as auxinas sintéticas, como o 2,4-D, funcionam como herbicidas: matam plantas daninhas de folhas largas ao provocar crescimento desordenado. É um uso agrícola clássico e um alerta de que “hormônio natural” não significa “inofensivo em qualquer dose”.

Para não confundir: na raiz, o efeito da auxina se inverte em relação ao caule. No fototropismo, o caule curva-se para a luz (fototropismo positivo) porque o lado sombreado cresce mais; a raiz curva-se para longe da luz (fototropismo negativo) porque, nela, o excesso de auxina no lado sombreado inibe o crescimento. O mesmo hormônio, órgãos diferentes, sensibilidades diferentes.

Giberelinas: germinação, alongamento e floração

As giberelinas são produzidas em sementes, folhas jovens, raízes e frutos. Seu efeito mais famoso é o alongamento do caule: plantas anãs, com deficiência de giberelina, crescem normalmente quando recebem o hormônio, o que foi demonstrado em experimentos clássicos com ervilhas e milho. Elas também quebram a dormência de sementes e gemas, estimulam a germinação de sementes de cereais — ativando, no grão de cevada, a produção da enzima alfa-amilase, que digere o amido do endosperma — e induzem a floração em algumas plantas de dia longo.

Na agricultura, as giberelinas são usadas para aumentar o tamanho de frutos sem sementes, como uvas, e para uniformizar a germinação. Já os inibidores de giberelina fazem o caminho inverso: plantas mais baixas e compactas, úteis em vasos e em lavouras que não podem acamar, isto é, tombar com o vento.

A relação com o ácido abscísico é o ponto mais cobrado: giberelina e ácido abscísico se opõem na dormência da semente. Enquanto o ácido abscísico mantém a semente “adormecida”, impedindo a germinação antes da hora, a giberelina acorda a semente quando as condições melhoram. A germinação, portanto, depende do balanço entre os dois, e não de um único hormônio.

Citocininas: divisão celular e folhas jovens por mais tempo

As citocininas são produzidas principalmente nas raízes e transportadas para a parte aérea pelo xilema. Seu nome já entrega a função: estimulam a citocinese, isto é, a divisão celular, trabalhando em conjunto com as auxinas no crescimento de raízes e caules. Em cultura de tecidos, o balanço auxina/citocinina decide o destino do explante: mais citocinina favorece a formação de brotos e parte aérea; mais auxina favorece raízes.

Outro efeito importante é o retardo da senescência, o envelhecimento das folhas. Folhas tratadas com citocinina permanecem verdes por mais tempo, porque o hormônio retarda a degradação da clorofila e das proteínas. É por isso que as citocininas são usadas para prolongar a vida de flores de corte e de hortaliças folhosas. Na planta intacta, as citocininas produzidas na raiz sinalizam que há raiz saudável sustentando a parte aérea — um diálogo constante entre o que está embaixo e o que está em cima da terra.

As citocininas também participam da quebra da dominância apical, estimulando o crescimento de gemas laterais, e da mobilização de nutrientes para órgãos em crescimento, como frutos e sementes. Em resumo: onde há divisão celular intensa e tecido jovem, há citocinina atuando.

Etileno: o gás do amadurecimento e da queda

O etileno é o único fitormônio gasoso, produzido por frutos em amadurecimento, folhas senescentes, flores murchas e tecidos feridos. Ele acelera o amadurecimento dos frutos climatéricos — banana, tomate, manga, abacate —, promovendo a degradação da clorofila, o amolecimento da polpa, a conversão de amido em açúcares e a produção de aromas. É por isso que frutos climatéricos continuam amadurecendo depois de colhidos, ao contrário dos não climatéricos, como uva e morango, que praticamente param de amadurecer fora do pé.

O etileno também promove a abscisão, a queda de folhas, flores e frutos, ao estimular a formação da camada de abscisão no pecíolo, e participa da resposta ao estresse mecânico e a ferimentos, além da senescência de flores. Na agricultura, ele é usado de forma controlada em câmaras de amadurecimento, e, ao contrário, o bloqueio de sua ação prolonga a vida de prateleira de frutos e flores. Guardar frutas maduras longe das verdes, ou usar sacos que absorvem etileno, são aplicações diretas desse conhecimento.

Erro comum: achar que todo fruto amadurece depois de colhido. Frutos climatéricos amadurecem; frutos não climatéricos, não. Se a questão citar morango ou uva colhidos verdes, desconfie de qualquer alternativa que prometa amadurecimento completo fora do pé.

Ácido abscísico: o freio da planta

O ácido abscísico (ABA) é produzido em folhas, raízes, sementes e frutos, sobretudo em condições de estresse, como seca, salinidade e frio. Ele inibe o crescimento, promove a dormência de sementes e gemas, induz a senescência e, de forma decisiva, fecha os estômatos em situação de falta de água. Quando a raiz percebe o solo seco, o ABA sinaliza às células-guarda para fechar o poro, reduzindo a transpiração — a planta sacrifica a fotossíntese para não desidratar.

Na semente, o ABA impede a germinação precoce, ainda dentro do fruto, e mantém a dormência até que as condições sejam favoráveis. Em gemas de plantas de clima frio, ele ajuda a induzir a dormência de inverno, protegendo a planta do congelamento. Por tudo isso, o ABA é chamado de hormônio do estresse: ele não faz a planta crescer, ele faz a planta sobreviver.

Para a prova, o par mais importante é ABA versus giberelina na dormência, e ABA versus luz na abertura estomática: de dia, com água disponível, os estômatos abrem para a fotossíntese; com falta de água, o ABA os fecha, mesmo com luz. Quem entende esse conflito entende boa parte das questões sobre estômatos.

Fototropismo: crescer em direção à luz

Fototropismo é o crescimento orientado em resposta à luz. O caule apresenta fototropismo positivo: cresce em direção à fonte luminosa. A raiz apresenta fototropismo negativo: afasta-se da luz. O mecanismo, no caule, é o crescimento desigual provocado pela distribuição desigual de auxina: a luz, percebida por fotoreceptores, faz a auxina migrar para o lado sombreado, que alonga mais e curva a planta para a luz.

O experimento clássico de Darwin e de Boysen-Jensen, com coleóptilos de aveia, é leitura obrigatória para entender a lógica das provas: retirar a ponta do coleóptilo elimina a resposta à luz; recolocar a ponta, mesmo separada por um bloco de gelatina, restaura a resposta — provando que um mensageiro químico difusível, e não um impulso elétrico, carrega a informação da ponta para a zona de crescimento. A auxina foi descoberta justamente assim.

Na prática, o fototropismo explica por que plantas de interior entortam para a janela e por que girar o vaso de tempos em tempos deixa a planta mais simétrica. Também explica o comportamento de girassóis jovens, que acompanham o sol ao longo do dia, embora a flor madura, na maioria das variedades cultivadas, fique voltada para o leste.

Geotropismo: a resposta à gravidade

Geotropismo, também chamado de gravitropismo, é o crescimento orientado em resposta à gravidade. A raiz apresenta geotropismo positivo: cresce em direção ao centro da Terra, para baixo. O caule apresenta geotropismo negativo: cresce contra a gravidade, para cima. Juntos, eles garantem que, não importa a posição em que a semente caia, a raiz vá para o solo e o caule vá para a luz.

O mecanismo envolve os estatólitos, organelas densas, como amiloplastos com grãos de amido, que sedimentam nas células da coifa da raiz e do ápice do caule conforme a gravidade, sinalizando “para onde é baixo”. Essa informação redistribui a auxina: na raiz, o lado inferior acumula mais auxina e, como a raiz é sensível, cresce menos, curvando-se para baixo; no caule, o lado inferior acumula mais auxina e cresce mais, curvando-se para cima. É o mesmo hormônio, a mesma distribuição, e resultados opostos — mais uma vez, por causa da sensibilidade diferente de cada órgão.

Um experimento simples e muito cobrado: deitar um vaso com uma plantinha na horizontal. Em poucas horas, a ponta do caule curva-se para cima e a ponta da raiz, para baixo, formando um ângulo de noventa graus com a posição original. Se a questão mostrar esse desenho, a resposta é geotropismo, não fototropismo, mesmo que haja luz no ambiente — a não ser que o enunciado destaque a luz como variável.

Tigmotropismo: o toque que guia

Tigmotropismo é o crescimento orientado em resposta ao toque ou ao contato com um objeto. O exemplo clássico são as gavinhas de trepadeiras, como a ervilha e o maracujá: ao tocar um suporte, o lado da gavinha em contato cresce menos e o lado oposto cresce mais, enrolando-se ao redor do suporte. O resultado é uma planta que “agarra” o apoio e sobe em direção à luz, sem gastar energia com um caule grosso e autoportante.

Outro exemplo são as raízes que contornam pedras e as plantas trepadeiras que se fixam em troncos. O tigmotropismo é um tropismo positivo quando o crescimento se dá em direção ao estímulo, como nas gavinhas, e é lento, pois depende de crescimento diferencial, não de movimento rápido. Não confunda com o tigmotactismo de animais, nem com o fechamento rápido da planta carnívora, que é um nastismo, como veremos a seguir.

Nastismos: quando a direção não importa

Nastismo é um movimento vegetal cuja direção independe da direção do estímulo. A planta responde, mas não “vai em direção” nem “foge” do estímulo: ela abre, fecha, enrola ou desdobra, sempre no mesmo sentido, venha o estímulo de onde vier. Os principais tipos cobrados são o fotonastismo, o tigmonastismo e o nictinastismo.

O fotonastismo é a resposta à luz, sem orientação: flores que abrem de dia e fecham à noite, como o girassol ornamental e a margarida, respondem à presença de luz, não à sua direção. O tigmonastismo é a resposta ao toque: a dioneia, planta carnívora, fecha suas folhas-armadilha quando um inseto toca os pelos sensoriais internos; a dormideira, ou mimosa, fecha os folíolos ao ser tocada. São movimentos rápidos, provocados por mudanças de pressão de água nas células, não por crescimento. O nictinastismo, ou movimento de “dormir”, é o fechamento de folhas e flores à noite, como na dormideira e em muitas leguminosas, regulado pelo relógio biológico da planta e pela variação de luz ao longo do dia.

Há ainda o quimionastismo, resposta a substâncias químicas, e o termonastismo, resposta à temperatura, como flores que abrem com o calor do dia. Para a prova, o essencial é o critério: se a questão disser que a folha fecha “sempre do mesmo jeito, não importa de que lado venha o toque”, é nastismo; se disser que o caule “curva-se para a luz”, é tropismo.

Exemplo que cai muito: a dioneia fecha a armadilha ao toque, mas não “vai atrás” do inseto: o movimento é sempre o fechamento, seja o toque na esquerda ou na direita. É tigmonastismo, não tigmotropismo. Já a gavinha que se enrola ao redor do suporte está crescendo em direção ao toque: é tigmotropismo. Essa dupla é uma das pegadinhas mais frequentes do tema.

Fotoperiodismo: a planta mede a noite

Fotoperiodismo é a resposta da planta à duração relativa do dia e da noite, que controla, sobretudo, a floração. O detalhe que muda tudo — e que as provas adoram — é que a planta não mede o dia, ela mede a noite. O fator crítico é a noite crítica, a duração mínima de escuro ininterrupto necessária para induzir a floração.

As plantas de dia curto, ou plantas de noite longa, florescem quando a noite é maior que a noite crítica: crisântemo, morango e soja são exemplos clássicos. Elas florescem, em geral, no outono e no inverno, quando as noites são longas. As plantas de dia longo, ou plantas de noite curta, florescem quando a noite é menor que a noite crítica: alface, espinafre e trigo florescem na primavera e no verão, quando as noites são curtas. As plantas neutras ou indiferentes, como o tomate e o milho, florescem independentemente do fotoperíodo, quando atingem certa idade.

O pigmento que mede a luz é o fitocromo, que existe em duas formas interconversíveis: Pr, que absorve luz vermelha, e Pfr, que absorve luz vermelho-distante. Durante o dia, a luz converte Pr em Pfr; durante a noite, o Pfr vai se convertendo lentamente de volta em Pr. Ao amanhecer, a proporção entre as duas formas informa à planta quanto tempo durou a noite. Um clarão de luz no meio de uma noite longa — mesmo que breve — reconverte Pr em Pfr e “reinicia” a contagem da noite, impedindo a floração de uma planta de dia curto e induzindo a de uma planta de dia longo. É por isso que um poste aceso a noite toda pode atrasar a floração de um crisântemo.

Na agricultura, o fotoperiodismo é usado com iluminação artificial para antecipar ou retardar a floração, produzindo crisântemos o ano inteiro ou evitando que a alface floresça cedo e fique amarga. O florígeno, o hipotético hormônio da floração produzido nas folhas e transportado até o meristema, completa o quadro: a folha percebe o fotoperíodo e o meristema responde florescendo.

Regra de ouro: para planta de dia curto, o que importa é a noite ser longa e ininterrupta; para planta de dia longo, a noite ser curta. Se a questão interromper a noite com um flash de luz, pense em fitocromo e em noite crítica, não em “quantidade total de luz do dia”.

Tabelas comparativas

Os cinco fitormônios principais

HormônioProdução principalEfeitos principaisExemplo do cotidiano
Auxina (AIA)Meristema apical, folhas jovens, sementesAlongamento celular, dominância apical, fototropismo, formação de raízes em estacasPlanta da janela que entorta para a luz; poda que faz a planta ramificar
GiberelinaSementes, folhas jovens, raízes, frutosAlongamento do caule, quebra de dormência, germinação, indução de floraçãoUvas sem sementes maiores; sementes que germinam após o inverno
CitocininaRaízesDivisão celular, formação de brotos, retardo da senescência foliarFlores de corte que duram mais; folhas que ficam verdes por mais tempo
EtilenoFrutos em amadurecimento, folhas senescentes, tecidos feridosAmadurecimento de frutos, abscisão de folhas e frutos, senescência de floresBanana madura que acelera o amadurecimento da banana verde
Ácido abscísico (ABA)Folhas, raízes, sementes, frutosFechamento estomático, dormência de sementes e gemas, inibição do crescimentoPlanta que fecha os estômatos na seca para não desidratar

Tropismo x Nastismo

CaracterísticaTropismoNastismo
Relação com a direção do estímuloDepende: a resposta aponta para o estímulo ou para longe deleIndepende: a resposta é sempre a mesma, venha o estímulo de onde vier
Mecanismo mais comumCrescimento diferencial, em geral mediado por auxinaVariação de pressão de água nas células, sem crescimento
VelocidadeLento, leva horasPode ser rápido, como na dioneia, ou rítmico, como no fechar noturno
ExemplosFototropismo, geotropismo, tigmotropismoFotonastismo, tigmonastismo, nictinastismo
Frase-chave da questão“Curva-se para a luz”, “cresce para baixo”, “enrola-se no suporte”“Fecha-se ao toque, de qualquer lado”, “abre de dia e fecha à noite”

Fotoperiodismo e floração

Tipo de plantaFloresce quandoNoite críticaExemplos
Dia curto (noite longa)A noite é longa, acima da noite críticaPrecisa de noite longa e ininterruptaCrisântemo, morango, soja
Dia longo (noite curta)A noite é curta, abaixo da noite críticaPrecisa de noite curta; noite longa inibeAlface, espinafre, trigo
Neutra ou indiferenteIndependentemente do fotoperíodo, ao atingir certa idadeNão há noite crítica decisivaTomate, milho

Dica do professor

Na hora da prova, faça três perguntas antes de marcar qualquer alternativa sobre este tema. Primeira: é tropismo ou nastismo? A direção da resposta depende da direção do estímulo? Segunda: é caule ou raiz? Lembre que a auxina alonga o caule e inibe a raiz, então o mesmo estímulo produz curvaturas opostas nos dois órgãos. Terceira: é dia ou noite que a planta mede? No fotoperiodismo, pense sempre na noite crítica e no fitocromo, e desconfie de alternativas que falam apenas em “mais horas de sol”. Com essas três perguntas, você elimina a maioria das pegadinhas do tema sem precisar decorar listas inteiras.

Atenção / cuidado

Cuidado com cinco confusões clássicas. Primeira: fototropismo não é fotonastismo — o primeiro orienta o crescimento para a luz, o segundo abre ou fecha um órgão com a luz, sem orientar. Segunda: tigmotropismo não é tigmonastismo — a gavinha que se enrola no suporte cresce em direção ao toque, enquanto a dioneia fecha sempre do mesmo jeito, não importa de que lado venha o toque. Terceira: planta de dia curto não floresce “com pouco sol”, e sim com noite longa e ininterrupta; um clarão no meio da noite pode impedir sua floração. Quarta: auxina não faz tudo crescer — em alta concentração, ela inibe a raiz e, como herbicida sintético, pode matar a planta. Quinta: nem todo fruto amadurece depois de colhido — só os climatéricos, como banana e tomate, respondem bem ao etileno fora do pé.

Conexão com outras áreas

Este tema conecta Biologia com agricultura e tecnologia de alimentos: o controle do amadurecimento com etileno, o uso de giberelinas em uvas sem sementes, a poda baseada na dominância apical e a iluminação artificial para controlar a floração são aplicações diretas dos fitormônios e do fotoperiodismo. Conecta-se também com a ecologia, pois a floração sincronizada com a estação garante polinizadores e dispersores no momento certo, e com a fisiologia humana, por analogia: assim como nossos hormônios regulam crescimento e resposta ao estresse, os fitormônios regulam a vida da planta — com a diferença de que, nas plantas, não há sistema nervoso central comandando tudo. Por fim, conecta-se com a física, na explicação do geotropismo pelos estatólitos e da curvatura pelo crescimento diferencial, e com a química, na ação do etileno como gás e do fitocromo como pigmento fotossensível. Para continuar estudando na sala de estudo, revise os temas de Botânica e de fisiologia vegetal, que aparecem juntos nas provas de vestibular.

Para continuar estudando

Para fixar a Botânica, vale revisitar: Introdução à Botânica, Ciclo reprodutivo dos vegetais, Briófitas e Pteridófitas, Gimnospermas, Morfologia vegetal: Flor, semente e fruto e Morfologia vegetal: Raiz, caule e folha.

Plantinha em estilo Pixar curvando-se para a luz da janela, com raiz para baixo e caule para cima.
Plantinha em estilo Pixar curvando-se para a luz da janela, com raiz para baixo e caule para cima.
Flor, planta carnívora e trepadeira em estilo Pixar mostrando movimentos vegetais diferentes.
Flor, planta carnívora e trepadeira em estilo Pixar mostrando movimentos vegetais diferentes.

Mapa mental

  • Hormônios e movimentos vegetais
    • Fitormônios
      • Auxina: alongamento, dominância apical, fototropismo; inibe a raiz em alta dose
      • Giberelina: alongamento do caule, germinação, quebra de dormência
      • Citocinina: divisão celular, brotos, retardo da senescência
      • Etileno: gás do amadurecimento, abscisão, senescência
      • Ácido abscísico: fecha estômatos, dormência, hormônio do estresse
      • Equilíbrio entre hormônios decide a resposta; pares opostos: giberelina x ABA
    • Tropismos (dependem da direção)
      • Fototropismo: caule para a luz (+), raiz para longe da luz (−), auxina no lado sombreado
      • Geotropismo: raiz para baixo (+), caule para cima (−), estatólitos
      • Tigmotropismo: gavinhas enrolam-se no suporte
    • Nastismos (independem da direção)
      • Fotonastismo: flor abre de dia e fecha à noite
      • Tigmonastismo: dioneia e dormideira fecham ao toque
      • Nictinastismo: folhas “dormem” à noite
      • Mecanismo: variação de pressão de água, não crescimento
    • Fotoperiodismo
      • A planta mede a noite, não o dia: noite crítica
      • Dia curto: noite longa (crisântemo, soja); dia longo: noite curta (alface, trigo); neutra: tomate, milho
      • Fitocromo Pr/Pfr; clarão na noite reinicia a contagem
      • Florígeno: folha percebe, meristema floresce

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que são fitormônios?
Substâncias produzidas em uma parte da planta que regulam processos fisiológicos em outra parte, em concentrações muito baixas.

2. Qual hormônio explica a planta que entorta para a janela?
A auxina: ela se acumula no lado sombreado do caule, que cresce mais e curva a planta para a luz.

3. Por que podar a ponta faz a planta ramificar?
Porque a gema apical produz auxina, que inibe as gemas laterais (dominância apical); sem a ponta, as laterais são liberadas.

4. Qual hormônio amadurece a banana e qual mantém a semente dormente?
O etileno acelera o amadurecimento; o ácido abscísico mantém a dormência da semente.

5. Qual a diferença entre tropismo e nastismo?
No tropismo, a direção da resposta depende da direção do estímulo; no nastismo, a resposta é sempre a mesma, venha o estímulo de onde vier.

6. Por que a raiz cresce para baixo e o caule para cima?
Por geotropismo: os estatólitos percebem a gravidade e redistribuem a auxina; a raiz, mais sensível, cresce menos no lado inferior, e o caule, menos sensível, cresce mais.

7. Dioneia é tropismo ou nastismo?
Tigmonastismo: ela fecha a armadilha ao toque, sempre do mesmo jeito, independentemente do lado do toque.

8. O que é noite crítica no fotoperiodismo?
É a duração mínima de escuro ininterrupto que induz (ou inibe) a floração; a planta mede a noite, por meio do fitocromo, e não o dia.

Questões comentadas

As questões abaixo são originais, elaboradas no estilo do ENEM, com situações-problema e alternativas que testam os erros mais comuns. Leia o enunciado com calma, elimine as alternativas absurdas primeiro e só depois decida entre as plausíveis.

Questão 1

Uma estudante deixou um vaso com uma plantinha jovem perto de uma janela, recebendo luz apenas de um lado. Depois de alguns dias, o caule estava curvado em direção à janela, enquanto a raiz, em um experimento com a planta em meio transparente, crescia para o lado oposto ao da luz. Esse comportamento é explicado, corretamente, por:

A) fototropismo positivo do caule e fototropismo negativo da raiz, mediados pela distribuição desigual de auxina.
B) fotonastismo do caule e geotropismo da raiz, ambos independentes da direção da luz.
C) tigmonastismo do caule, provocado pelo contato com o vidro da janela.
D) ação do etileno, que amadurece o caule e inibe o crescimento da raiz.
E) ação do ácido abscísico, que fecha os estômatos e curva o caule para a luz.

Gabarito: A. O caule cresce para a luz (positivo) e a raiz afasta-se dela (negativo), porque a auxina se acumula no lado sombreado: no caule, esse lado cresce mais; na raiz, mais sensível, cresce menos. As demais alternativas trocam tropismo por nastismo, confundem o estímulo (luz, não toque) ou atribuem o fenômeno a hormônios que não comandam essa curvatura.

Questão 2

Um produtor guarda bananas verdes em uma caixa fechada junto com bananas maduras e percebe que as verdes amadurecem bem mais rápido do que as guardadas sozinhas. O responsável por esse efeito é um fitormônio gasoso que também promove a queda de folhas e frutos. Trata-se do:

A) ácido abscísico.
B) etileno.
C) ácido indolacético.
D) florígeno.
E) fitocromo.

Gabarito: B. O etileno é o único fitormônio gasoso, liberado por frutos em amadurecimento, e acelera o amadurecimento dos vizinhos, além de promover a abscisão. O ácido abscísico fecha estômatos e mantém dormência; o ácido indolacético é uma auxina; florígeno é o hipotético hormônio da floração; fitocromo é o pigmento do fotoperiodismo, não um hormônio gasoso.

Questão 3

Um crisântemo, planta de dia curto, é cultivado em uma estufa em que, todas as noites, uma lâmpada é acesa por alguns minutos no meio da madrugada. O produtor observa que a planta demora muito mais para florescer do que o esperado. A melhor explicação é que:

A) a luz da madrugada aumenta a fotossíntese e atrasa a floração por excesso de energia.
B) o clarão interrompe a noite, reconverte o fitocromo e impede que a noite crítica seja atingida.
C) a lâmpada aquece a estufa e provoca o fechamento dos estômatos pelo ácido abscísico.
D) a planta é de dia longo e, portanto, precisa de noites curtas para florescer.
E) o etileno liberado pela lâmpada acelera a senescência e impede a floração.

Gabarito: B. Plantas de dia curto precisam de uma noite longa e ininterrupta; um clarão no meio da noite reinicia a contagem do fitocromo e a noite crítica não é atingida. A alternativa D inverte a classificação da planta, e as demais atribuem o efeito a mecanismos que não explicam o atraso da floração nesse experimento.

Questão 4

Uma trepadeira de ervilha encosta sua gavinha em um suporte e, ao longo de alguns dias, enrola-se firmemente ao redor dele, subindo em direção à luz. Em outro vaso, uma dormideira fecha seus folíolos sempre que é tocada, não importa de que lado venha o toque. Esses dois movimentos são, respectivamente:

A) tigmotropismo e tigmonastismo.
B) tigmonastismo e tigmotropismo.
C) fototropismo e nictinastismo.
D) geotropismo e fotonastismo.
E) quimionastismo e tigmotropismo.

Gabarito: A. A gavinha cresce em direção ao suporte, orientada pelo toque: tigmotropismo. A dormideira fecha sempre do mesmo jeito, independentemente da direção do toque: tigmonastismo. Inverter a ordem, como na alternativa B, é a pegadinha mais comum desse tema.