
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- Dalton: a bola de bilhar
- Thomson: o pudim de passas
- Rutherford: o sistema planetário
- Bohr: os níveis de energia
- O modelo atual: orbitais e probabilidade
- Exemplos resolvidos passo a passo
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas curtas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção / cuidado
- Conexão com outras áreas
Resumo rápido
Modelos atômicos são as representações que os cientistas criaram, ao longo da história, para explicar como o átomo é por dentro. Cada modelo surgiu para explicar um experimento que o modelo anterior não explicava, e foi substituído quando um novo experimento mostrou seus limites. É um tema 🔥 Quente no ENEM e nos vestibulares, porque as provas adoram perguntar qual modelo explica qual fenômeno, e qual experimento derrubou qual modelo. Se você guardar a ordem e a ideia central de cada modelo, já garante boa parte das questões de Química.
A história começa com Dalton, passa por Thomson, Rutherford e Bohr, e chega ao modelo atual, o modelo quântico, em que o elétron não tem órbita definida, mas uma região de probabilidade chamada orbital. Nenhum modelo estava totalmente errado: cada um acertou uma parte da história e preparou o terreno para o seguinte. Entender essa evolução é entender como a ciência funciona: modelos são ferramentas provisórias, que melhoram à medida que surgem novas evidências.
Dalton: a bola de bilhar
Em 1808, John Dalton propôs que toda matéria é formada por partículas indivisíveis e indestrutíveis, os átomos, como pequenas bolas de bilhar maciças. Átomos de um mesmo elemento seriam idênticos entre si, e átomos de elementos diferentes teriam massas diferentes. As reações químicas seriam apenas rearranjos dessas esferas, sem criar nem destruir átomos — o que explica as leis das proporções definidas e da conservação da massa.
O modelo de Dalton explicava bem a química da época, mas tinha dois limites importantes: ele não explicava a eletricidade, pois um átomo maciço e neutro não deveria conduzir nem ser dividido, e não explicava por que certos elementos se combinavam em proporções diferentes. A descoberta do elétron, no final do século dezenove, mostrou que o átomo não era indivisível, e o modelo precisou mudar.
Thomson: o pudim de passas
Em 1897, Joseph John Thomson, estudando os raios catódicos em tubos de vidro com gás rarefeito, descobriu uma partícula muito menor que o átomo e com carga negativa: o elétron. Como o átomo é neutro, Thomson concluiu que deveria haver também uma carga positiva para equilibrar os elétrons. Seu modelo, de 1904, ficou conhecido como pudim de passas: o átomo seria uma esfera de carga positiva, como um pudim, com os elétrons incrustados nela, como passas.
O modelo de Thomson foi um avanço enorme, porque introduziu a ideia de que o átomo tem partes internas e cargas elétricas. Mas ele também não durou muito: o experimento de Rutherford, poucos anos depois, mostrou que a carga positiva não estava espalhada por todo o átomo, e sim concentrada em uma região minúscula no centro.
Rutherford: o sistema planetário
Em 1911, Ernest Rutherford, com seus colaboradores Geiger e Marsden, bombardeou uma finíssima folha de ouro com partículas alfa, que são núcleos de hélio com carga positiva, e observou para onde elas iam. O resultado foi surpreendente: a imensa maioria atravessava a folha sem desviar, algumas desviavam em ângulos pequenos e uma em cada dez mil voltava para trás, como se tivesse batido em algo muito denso e pequeno.
Rutherford concluiu que o átomo é quase todo vazio: a maior parte das partículas alfa passava pelo vazio sem encontrar nada, e só as que acertavam o centro, o núcleo, desviavam fortemente. Seu modelo propôs um núcleo pequeno, denso e positivo no centro, com os elétrons girando ao redor, como planetas ao redor do Sol. O problema é que, pela física clássica, um elétron em movimento circular deveria irradiar energia, perder velocidade e cair no núcleo em uma fração de segundo — o que não acontece, pois os átomos são estáveis. Além disso, o modelo não explicava os espectros de emissão, as cores características que cada elemento emite quando aquecido.
| Modelo | Autor e ano | Ideia central | Experimento que o derrubou |
|---|---|---|---|
| Bola de bilhar | Dalton, 1808 | Átomo maciço, indivisível e indestrutível | Descoberta do elétron por Thomson |
| Pudim de passas | Thomson, 1904 | Esfera positiva com elétrons incrustados | Experimento da folha de ouro de Rutherford |
| Planetário | Rutherford, 1911 | Núcleo pequeno e denso, elétrons ao redor | Estabilidade do átomo e espectros de emissão |
| Órbitas quantizadas | Bohr, 1913 | Elétrons em níveis de energia definidos | Átomos com muitos elétrons e novas evidências quânticas |
Bohr: os níveis de energia
Em 1913, Niels Bohr resolveu os problemas do modelo de Rutherford com uma ideia ousada: os elétrons só podem ocupar certas órbitas, com energias bem definidas, chamadas níveis ou camadas de energia. Enquanto o elétron está em uma órbita permitida, ele não irradia energia, e por isso o átomo é estável. Quando o elétron salta de um nível mais externo para um mais interno, ele emite a diferença de energia na forma de luz, um fóton; quando ele absorve energia, salta para um nível mais externo.
Esse modelo explicava perfeitamente o espectro do hidrogênio, que tem um único elétron: cada linha colorida do espectro corresponde a um salto entre dois níveis. É por isso que cada elemento tem um espectro próprio, como uma impressão digital, usado até hoje para identificar elementos em estrelas distantes e em amostras de laboratório. O modelo de Bohr, porém, só funcionava bem para o hidrogênio; para átomos com mais elétrons, suas previsões falhavam, e ele foi substituído pelo modelo quântico.
O modelo atual: orbitais e probabilidade
No modelo atual, desenvolvido a partir de 1926 por Schrödinger, Heisenberg e outros, o elétron não tem trajetória definida, como um planeta. O que existe é um orbital, uma região do espaço onde a probabilidade de encontrar o elétron é alta. O elétron tem comportamento dual, de partícula e de onda, e sua posição exata não pode ser conhecida ao mesmo tempo que sua velocidade — é o princípio da incerteza de Heisenberg.
Os orbitais são organizados em níveis e subníveis, representados por letras: s, p, d e f. O subnível s comporta até 2 elétrons, o p até 6, o d até 10 e o f até 14. A distribuição eletrônica, que você vai estudar em detalhes em outras matérias, segue a ordem crescente de energia, pelo diagrama de Pauling, e explica a posição dos elementos na tabela periódica e suas propriedades químicas. O núcleo, por sua vez, é formado por prótons, com carga positiva, e nêutrons, sem carga, descobertos por Chadwick em 1932. O número de prótons define o elemento, e é chamado de número atômico, símbolo \( Z \); a soma de prótons e nêutrons é o número de massa, símbolo \( A \).
| Partícula | Carga | Localização | Quem descobriu |
|---|---|---|---|
| Próton | Positiva | Núcleo | Rutherford, 1917 |
| Nêutron | Neutra | Núcleo | Chadwick, 1932 |
| Elétron | Negativa | Eletrosfera, em orbitais | Thomson, 1897 |
Exemplos resolvidos passo a passo
Exemplo 1. Qual modelo explica o fato de a maioria das partículas alfa atravessar a folha de ouro sem desviar?
Passo 1: lembrar o experimento de Rutherford.
Passo 2: a maioria passar sem desviar indica que o átomo é quase todo vazio.
Passo 3: resposta: o modelo de Rutherford, o modelo nuclear.
Exemplo 2. Um átomo tem número atômico 11 e número de massa 23. Quantos prótons, elétrons e nêutrons ele tem, se estiver neutro?
Passo 1: prótons são iguais ao número atômico: 11 prótons.
Passo 2: neutro significa elétrons iguais a prótons: 11 elétrons.
Passo 3: nêutrons são \( A – Z = 23 – 11 = 12 \) nêutrons. É o átomo de sódio.
Exemplo 3. Por que o modelo de Thomson foi abandonado?
Passo 1: Thomson dizia que a carga positiva estava espalhada por todo o átomo.
Passo 2: o experimento de Rutherford mostrou desvios grandes, que só um núcleo concentrado explicaria.
Passo 3: logo, a carga positiva não estava espalhada, e o modelo foi substituído.
Exemplo 4. Um elétron salta de um nível de maior energia para um de menor energia. O que acontece?
Passo 1: pelo modelo de Bohr, o elétron perde energia.
Passo 2: essa energia é emitida na forma de um fóton de luz.
Passo 3: a cor da luz depende da diferença de energia entre os níveis.


Mapa mental
- Modelos atômicos
- Dalton: esfera maciça e indivisível, átomos do mesmo elemento idênticos
- Thomson: pudim de passas, esfera positiva com elétrons incrustados
- Rutherford: núcleo pequeno, denso e positivo, átomo quase todo vazio
- Bohr: elétrons em níveis de energia, saltos emitem ou absorvem fótons
- Modelo atual: orbitais, probabilidade, sem trajetória definida
- Próton: positivo, no núcleo; nêutron: neutro, no núcleo; elétron: negativo, na eletrosfera
- Número atômico \( Z \): prótons; número de massa \( A \): prótons mais nêutrons
- Subníveis: s até 2, p até 6, d até 10, f até 14 elétrons
SAQ — Perguntas e respostas curtas
1. Qual era a ideia central do modelo de Dalton?
Que o átomo era uma esfera maciça, indivisível e indestrutível.
2. O que Thomson descobriu?
O elétron, partícula de carga negativa, nos estudos dos raios catódicos.
3. Por que o modelo de Thomson é chamado de pudim de passas?
Porque o átomo seria uma esfera de carga positiva com elétrons incrustados, como passas em um pudim.
4. O que o experimento de Rutherford mostrou?
Que o átomo é quase todo vazio, com um núcleo pequeno, denso e positivo no centro.
5. Qual era o problema do modelo de Rutherford?
Pela física clássica, o elétron deveria perder energia e cair no núcleo, e o modelo não explicava os espectros.
6. O que Bohr propôs de novo?
Que os elétrons ocupam níveis de energia definidos e que os saltos entre níveis emitem ou absorvem luz.
7. O que é um orbital?
É a região onde a probabilidade de encontrar o elétron é alta, no modelo atual.
8. Como se calcula o número de nêutrons?
Subtraindo o número atômico do número de massa: \( N = A – Z \).
Questões comentadas
As questões abaixo são inéditas, no estilo ENEM, criadas para esta matéria. Continue seus estudos na sala de estudo.
Questão 1. A descoberta do elétron derrubou o modelo de Dalton porque mostrou que:
a) o átomo é neutro.
b) o átomo é divisível, pois tem partículas menores em seu interior.
c) o átomo tem núcleo.
d) os elétrons ficam em órbitas.
e) o átomo é vazio.
Gabarito: B. Dalton dizia que o átomo era indivisível; a existência do elétron mostrou que ele tem partes internas.
Questão 2. No experimento da folha de ouro, o fato de poucas partículas alfa voltarem para trás indicou que:
a) o átomo é maciço.
b) a carga positiva está espalhada.
c) existe um núcleo pequeno e denso no centro do átomo.
d) os elétrons são pesados.
e) o ouro é transparente.
Gabarito: C. Só um núcleo concentrado e denso poderia repelir fortemente as partículas alfa que o atingissem.
Questão 3. Segundo o modelo de Bohr, quando um elétron salta para um nível mais interno, ele:
a) absorve um fóton.
b) emite um fóton.
c) fica neutro.
d) sai do átomo.
e) vira um próton.
Gabarito: B. Ao ir para um nível de menor energia, o elétron emite a diferença de energia na forma de luz.
Questão 4. Um átomo neutro tem 17 prótons e 20 nêutrons. Seu número atômico e seu número de massa são:
a) 17 e 20.
b) 20 e 17.
c) 17 e 37.
d) 37 e 17.
e) 3 e 37.
Gabarito: C. O número atômico é o número de prótons, 17, e o número de massa é \( 17 + 20 = 37 \).
Questão 5. O modelo atual do átomo difere do de Bohr principalmente porque:
a) não tem núcleo.
b) não tem elétrons.
c) o elétron não tem órbita definida, mas uma região de probabilidade, o orbital.
d) os prótons ficam na eletrosfera.
e) o átomo voltou a ser indivisível.
Gabarito: C. No modelo quântico, o elétron é descrito por orbitais de probabilidade, e não por órbitas circulares definidas.
Questão 6. O espectro de emissão característico de cada elemento é explicado, historicamente, pelo modelo de:
a) Dalton.
b) Thomson.
c) Rutherford.
d) Bohr.
e) Demócrito.
Gabarito: D. Bohr explicou as linhas do espectro como saltos de elétrons entre níveis de energia definidos.
Dica do professor
Monte uma linha do tempo na sua cabeça: Dalton, Thomson, Rutherford, Bohr, modelo quântico. Para cada nome, guarde uma palavra: bola, pudim, núcleo, níveis, orbital. Com essas cinco palavras, você responde quase todas as questões de modelos atômicos.
Atenção / cuidado
- Não confunda número atômico com número de massa: o primeiro é só prótons, o segundo é prótons mais nêutrons.
- Não diga que Thomson descobriu o núcleo: quem propôs o núcleo foi Rutherford.
- Não diga que Bohr descobriu o elétron: quem o descobriu foi Thomson.
- Em um átomo neutro, prótons e elétrons são iguais; em um íon, não são.
Conexão com outras áreas
Física: eletricidade, espectros e física quântica. Biologia: átomos e moléculas que formam os seres vivos. História da ciência: como modelos mudam com novas evidências. Tecnologia: espectroscopia, lasers e exames de imagem. Veja também água e sais minerais e carboidratos para ligar átomos e moléculas do dia a dia.
Para continuar estudando, revise os conteúdos de ENEM e de vestibular e explore a Química na sala de estudo.
Incidência: 🔥 Quente — cai no ENEM e nos vestibulares. Matéria: Química 1 | Subdisciplina: Estrutura Atômica | Tema: Modelos atômicos.



