
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- O que é o Parnasianismo
- Contexto histórico: do Império à República, da emoção à ordem
- O Parnasianismo francês: a origem do movimento
- A arte pela arte: o que significa esse lema
- Rigor formal: métrica, rima e a palavra exata
- O soneto: a forma favorita dos parnasianos
- A tríade parnasiana no Brasil
- Outros parnasianos e o Parnasianismo em Portugal
- Temas parnasianos: o que os poetas descrevem
- Características do Parnasianismo para memorizar
- Parnasianismo contra Romantismo e contra Simbolismo
- Linha do tempo do Parnasianismo
- Tabela de autores e obras
- O que cai no ENEM e nos vestibulares
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas curtas com respostas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
Resumo rápido
O Parnasianismo é o movimento literário que, na segunda metade do século dezenove, reagiu contra os exageros do Romantismo e colocou a forma acima da emoção. Se o poeta romântico escrevia para desabafar, chorar a saudade, celebrar a pátria ou confessar um amor impossível, o poeta parnasiano queria outra coisa: um poema perfeito, trabalhado como uma escultura, com palavras exatas, rimas ricas, métrica regular e imagens claras. Por isso o movimento ficou conhecido pelo lema da arte pela arte, isto é, a arte não precisa servir a uma causa política, a uma lição moral ou a um desabafo pessoal; ela vale por si mesma, pela sua beleza e pela sua perfeição formal. O nome vem do monte Parnaso, na Grécia antiga, morada das musas e símbolo da poesia clássica, e essa referência já diz muito sobre o gosto parnasiano: a Grécia, Roma, as estátuas, os mitos e a beleza serena e equilibrada da Antiguidade.
No Brasil, o Parnasianismo dominou a poesia entre as décadas de 1880 e 1910, aproximadamente, e teve como nomes centrais a chamada tríade parnasiana: Olavo Bilac (1865–1918), Raimundo Correia (1859–1911) e Alberto de Oliveira (1857–1937). Bilac é o mais famoso e o mais cobrado nas provas, autor de Poesias, de Via Láctea e de Tarde, e também o autor da letra do Hino à Bandeira. Raimundo Correia é o poeta das paisagens, dos crepúsculos e da melancolia contida, autor de Sinfonias e de Aleluia. Alberto de Oliveira é o mais formalista dos três, o mestre da palavra rara e da imagem lapidada, autor de Meridionais e de Versos e Rimas. Ao lado deles, vale lembrar Vicente de Carvalho, Francisca Júlia e outros poetas que circularam pelo movimento, além dos parnasianos franceses que serviram de modelo, como Théophile Gautier, Leconte de Lisle e José Maria de Heredia.
Para a prova, guarde esta ideia simples: quando o poema parecer uma estátua, uma joia ou um vaso grego, quando a emoção estiver contida e a forma estiver impecável, desconfie do Parnasianismo. O poema parnasiano prefere descrever a sentir, prefere o objeto belo ao desabafo, prefere a palavra exata à palavra apaixonada. Ele usa o soneto como forma favorita, respeita a métrica com rigor, busca rimas raras e evita a linguagem coloquial, os versos livres e os exageros sentimentais do Romantismo. Este artigo explica a origem francesa do movimento, o contexto brasileiro, a doutrina da arte pela arte, o rigor formal, a métrica, o soneto, os autores, as obras, as comparações com o Romantismo e com o Simbolismo, e traz tabelas, linha do tempo, perguntas curtas e questões comentadas originais, no estilo do ENEM e dos vestibulares. Se quiser entender contra o que os parnasianos reagiram, vale revisar a prosa romântica e a poesia do Romantismo, e para situar o movimento entre as escolas literárias, consulte a página de Literatura.
O que é o Parnasianismo
Parnasianismo é o nome dado a uma escola literária, sobretudo poética, que floresceu na França a partir da década de 1860 e depois se espalhou por outros países, incluindo o Brasil e Portugal. O nome vem do Parnaso, o monte sagrado da mitologia grega, onde viviam Apolo e as musas, as divindades inspiradoras das artes. Ao escolher esse nome, os poetas já declaravam o seu programa: voltar aos valores da arte clássica, à medida, ao equilíbrio, à clareza e à perfeição da forma, em oposição ao transbordamento emocional do Romantismo. Na França, o movimento se organizou em torno da revista Le Parnasse Contemporain, publicada a partir de 1866, que reuniu poetas que defendiam a impessoalidade, o culto da forma e a descrição precisa dos objetos.
Outra ideia central é a impessoalidade. O poeta romântico dizia “eu sofro”, “eu amo”, “eu choro”, e colocava a sua vida no centro do poema. O poeta parnasiano prefere esconder o eu: ele descreve um vaso grego, uma estátua, um pôr do sol, um animal, uma cena da Antiguidade, e deixa que a beleza do objeto fale por si. Quando o sentimento aparece, ele aparece de forma indireta, por meio da paisagem ou do objeto, e não em confissão direta. Essa impessoalidade não significa frieza total, e sim controle: o poeta sente, mas não deixa o sentimento bagunçar o verso. É por isso que muitos leitores acham a poesia parnasiana bela, mas distante, como uma estátua de museu: admirável, perfeita, mas sem o calor do desabafo romântico.
Por fim, o Parnasianismo valoriza a cultura clássica e a erudição. Os poemas estão cheios de referências à Grécia e a Roma, a deuses, heróis, mitos e obras de arte antigas. O vocabulário é rico e, muitas vezes, raro: o poeta escolhe palavras precisas, sonoras e pouco usadas no dia a dia, justamente para mostrar domínio da língua e para afastar o poema da linguagem comum. Essa busca pela palavra rara e pela imagem exata é uma das marcas mais fáceis de reconhecer na prova: se o poema parece um desfile de palavras difíceis, de mármore, de bronze, de ônix, de estátuas e de templos, e se a forma está rigorosamente regular, há uma grande chance de ser parnasiano.
Contexto histórico: do Império à República, da emoção à ordem
O Parnasianismo brasileiro surge em um Brasil em transformação. Nas últimas décadas do século dezenove, o Império entra em crise: a escravidão é abolida em 1888, a República é proclamada em 1889, as cidades crescem, o jornalismo se expande, as escolas e as academias ganham força, e uma nova elite letrada, urbana e preocupada com a modernização do país, passa a ditar o gosto literário. Nesse ambiente, o sentimentalismo romântico, que tinha servido ao projeto de inventar a nação no início do século, começa a parecer velho, exagerado e pouco adequado a um tempo que valorizava a ciência, a técnica, o progresso e a ordem. O lema positivista de ordem e progresso, que depois iria para a bandeira do Brasil, resume bem o espírito da época: era preciso organizar, medir, classificar e construir com rigor, e a poesia parnasiana, com o seu culto da medida e da forma, combinava perfeitamente com esse espírito.
O Parnasianismo francês: a origem do movimento
Na França, o Parnasianismo nasceu como reação ao Romantismo francês, que, depois de décadas de domínio, já parecia repetitivo e excessivamente sentimental. O poeta Théophile Gautier, ainda antes do grupo se organizar, já defendia a arte pela arte, com a famosa comparação entre o poema e um objeto bem feito: um vaso, uma joia, uma estátua. Para Gautier, um poema belo não precisa ser útil, moral ou patriótico; basta ser belo. Essa ideia foi retomada por Leconte de Lisle, considerado o mestre do grupo, autor de poemas que descrevem com precisão científica e plástica os animais, as paisagens, os mitos e as civilizações antigas, sem confissão pessoal e sem sentimentalismo.
Um cuidado importante: não confunda o Parnaso francês com o Arcadismo, que também valorizava a Antiguidade clássica. O Arcadismo, do século dezoito, usava a Grécia e Roma como modelo de simplicidade, de vida no campo e de equilíbrio moral, com pastores, ninfas e paisagens bucólicas. O Parnasianismo, do século dezenove, usa a Antiguidade como modelo de beleza formal, de escultura, de mármore e de perfeição artística, sem o projeto moral e campestre dos árcades. A referência clássica é parecida, mas o sentido é diferente: no Arcadismo, o clássico é uma lição de vida simples; no Parnasianismo, o clássico é uma lição de forma perfeita. Para revisar a escola do século dezoito, vale consultar o Arcadismo.
A arte pela arte: o que significa esse lema
A expressão arte pela arte costuma gerar confusão, e por isso ela cai tanto na prova. Ela não quer dizer que o poeta parnasiano não se importa com nada além do poema, nem que ele vive isolado do mundo. Ela quer dizer que o valor de uma obra de arte não depende da sua utilidade: um poema não precisa ensinar uma lição, defender uma causa, converter ninguém ou chorar uma dor para ser bom. Ele é bom quando é belo e bem feito. Essa ideia era uma provocação direta ao Romantismo, que muitas vezes usava a poesia para pregar, para comover e para construir a nação, e também ao Realismo, que usava a literatura para denunciar e criticar a sociedade. Para o parnasiano, a poesia tem uma finalidade própria, que é a beleza, e essa finalidade já basta.
Na prática, a arte pela arte se traduz em algumas escolhas bem concretas. Primeiro, o tema pode ser qualquer um, desde que seja tratado com beleza: um vaso grego, uma borboleta, um pôr do sol, uma estátua, uma cena histórica, um animal exótico. O que importa não é a importância do tema, e sim a perfeição do tratamento. Segundo, o poeta não prega no poema: ele não termina o texto com uma moral, não faz discurso e não explica o que o leitor deve pensar. Terceiro, a linguagem é trabalhada como matéria-prima: a palavra é escolhida pelo som, pelo sentido exato e pela raridade, como o ourives escolhe uma pedra. Um bom exercício para fixar o lema é pensar no ourives: ele não faz uma joia para pregar um sermão; ele faz uma joia para que ela seja bela, e a beleza da joia é o seu valor. O poeta parnasiano pensa o poema da mesma forma.
Rigor formal: métrica, rima e a palavra exata
O rigor formal é o coração do Parnasianismo, e é também o ponto mais cobrado nas questões de análise de poema. O poeta parnasiano respeita a métrica, isto é, o número de sílabas poéticas de cada verso, com um cuidado quase matemático. Os versos mais usados são o decassílabo, com dez sílabas poéticas, e o alexandrino, com doze sílabas, dividido em dois hemistíquios de seis sílabas. O decassílabo é o verso clássico do soneto em língua portuguesa, usado por Camões e retomado pelos parnasianos, e o alexandrino, mais longo e solene, dá ao poema um ritmo majestoso, adequado a temas grandiosos. Quando a prova pede para identificar o verso, ou quando apresenta um poema com versos todos regulares, sem versos livres e sem quebras bruscas, essa regularidade é uma pista forte de Parnasianismo.
O terceiro pilar do rigor é a escolha vocabular. O poeta parnasiano foge da linguagem coloquial, das gírias, das repetições e das palavras vagas. Ele procura a palavra exata, a palavra rara, a palavra que descreve com precisão o objeto, a cor, a luz, o material. Por isso os poemas parnasianos estão cheios de nomes de pedras, de metais, de cores precisas, de termos da escultura e da ourivesaria: mármore, bronze, ônix, jaspe, púrpura, lilás, cinzel, escopro, ourives. Essa riqueza vocabular não é enfeite gratuito; ela é parte do programa: mostrar que o poeta domina a língua e que o poema é um objeto precioso, feito com material nobre. Na prova, um vocabulário raro e preciso, aliado à forma regular, é uma pista quase certeira.
O soneto: a forma favorita dos parnasianos
O soneto é a forma poética mais associada ao Parnasianismo, e dominar a sua estrutura é meio caminho para acertar as questões. O soneto clássico tem catorze versos, organizados em dois quartetos, que são estrofes de quatro versos, e dois tercetos, que são estrofes de três versos. Os quartetos costumam apresentar o tema, descrever o objeto ou expor uma situação, e os tercetos trazem o desfecho, a conclusão, a reflexão ou uma volta surpreendente, que os críticos chamam de chave de ouro, quando o último verso fecha o poema com brilho. Essa arquitetura, com apresentação e conclusão, dá ao soneto um ar de raciocínio completo, de pequeno ensaio em versos, o que agrada ao espírito parnasiano de ordem e equilíbrio.
No Brasil, o soneto parnasiano mais famoso é, sem dúvida, o conjunto da Via Láctea, de Olavo Bilac, com sonetos de amor em que as estrelas, a noite e a amada se misturam em imagens luminosas e bem construídas. Outro exemplo clássico é o soneto de Bilac sobre a língua portuguesa, que começa celebrando a língua como ouro, como esplendor e como tesouro, e que muitos estudantes conhecem de cor, mesmo sem saber que é parnasiano. Raimundo Correia também escreveu sonetos memoráveis sobre o crepúsculo, sobre a natureza e sobre a passagem do tempo, com uma melancolia serena que se tornou a sua marca. Alberto de Oliveira, por sua vez, levou o soneto ao extremo do formalismo, com descrições de vasos, de estátuas e de cenas gregas, em que a forma parece mais importante do que qualquer confissão.
A tríade parnasiana no Brasil
Olavo Bilac é o nome mais importante do Parnasianismo brasileiro, e não apenas pela qualidade dos poemas, mas pela presença pública. Nascido no Rio de Janeiro em 1865, Bilac estudou Medicina e Direito, sem concluir nenhum dos dois cursos, e se dedicou ao jornalismo, à poesia e à vida literária. Publicou Poesias em 1888, Via Láctea em 1888, Tarde em 1919, já no fim da vida, além de livros infantis, como Poesias Infantis, e de crônicas e textos cívicos. Bilac é o parnasiano mais versátil: ele faz o soneto de amor, o poema descritivo, o poema cívico e o poema sobre a língua portuguesa, sempre com forma impecável e com um domínio da rima que virou referência. A sua poesia de amor, na Via Láctea, é o exemplo mais citado de parnasianismo apaixonado, mas contido: o amor aparece por meio das estrelas, da noite e da luz, e não por meio do grito romântico.
Raimundo Correia, nascido no Maranhão em 1859 e criado no Rio de Janeiro, é o parnasiano mais melancólico da tríade. Formado em Direito, foi juiz e funcionário público, e publicou Primeiros Sonhos ainda jovem, com traços românticos, Sinfonias em 1883, Versos e Versões em 1887 e Aleluia em 1891, entre outros livros. A poesia de Correia se destaca pela musicalidade, pelas paisagens crepusculares, pelo outono, pelo fim do dia e pela meditação sobre a passagem do tempo. Enquanto Bilac brilha com o amor e com o civismo, Correia medita, com serenidade e tristeza contida, sobre a vida que passa, sobre a natureza que se apaga ao entardecer e sobre a solidão humana. Essa melancolia, porém, nunca vira desespero romântico: ela é dita com forma perfeita, com imagens nítidas e com um tom sereno, o que a torna parnasiana, e não romântica.
Alberto de Oliveira, nascido no Rio de Janeiro em 1857, é o mais formalista e o mais clássico da tríade. Publicou Canções Românticas ainda na juventude, com traços românticos, e depois Meridionais em 1884, Sonetos e Poemas em 1886 e Versos e Rimas em 1895, que são os livros parnasianos mais puros do Brasil. A poesia de Alberto de Oliveira é a mais descritiva, a mais plástica e a mais preocupada com a palavra rara: vasos gregos, estátuas, paisagens mediterrâneas, cenas da Antiguidade, tudo descrito com precisão de ourives. Por isso ele é, muitas vezes, apontado como o parnasiano mais fiel à doutrina da arte pela arte: o poema vale pela forma, e o tema é um pretexto para a beleza. Se a questão apresentar um poema que parece a descrição de um objeto de museu, com palavras raras e forma impecável, sem confissão pessoal, pense em Alberto de Oliveira.
Outros parnasianos e o Parnasianismo em Portugal
Além da tríade, outros poetas brasileiros ajudaram a formar o ambiente parnasiano. Vicente de Carvalho, nascido em Santos em 1866, é autor de Ardentias e de Relicário, e ficou conhecido pela poesia do mar, com sonetos em que o oceano, as praias e as paisagens litorâneas aparecem com forma cuidada e imagens plásticas. Vicente de Carvalho mostra que o Parnasianismo brasileiro não se limitou ao Rio de Janeiro e nem aos temas gregos: o mar brasileiro, tratado com rigor formal, também cabia no programa parnasiano. Francisca Júlia, nascida em São Paulo em 1871, é uma das vozes femininas mais importantes do período, autora de Mármores, um livro cujo título já resume o programa parnasiano, e de sonetos descritivos de grande perfeição formal, que lhe garantiram reconhecimento em um meio literário dominado por homens. Lembrar de Francisca Júlia é importante porque a prova, cada vez mais, cobra a presença de autoras nas escolas literárias, e não apenas os nomes masculinos consagrados.
Em Portugal, o Parnasianismo também teve força, com nomes como Gonçalves Crespo e, sobretudo, com a influência sobre poetas que depois seguiriam outros caminhos. A poesia portuguesa do fim do século dezenove dialogou com a francesa e com a brasileira, em um intercâmbio constante de livros, revistas e modelos. Para o estudante brasileiro, o mais importante é saber que o Parnasianismo não foi um fenômeno só brasileiro: ele foi um movimento internacional, de origem francesa, que se adaptou a cada país, mantendo o culto da forma e mudando os temas conforme a realidade local. No Brasil, essa adaptação produziu a poesia cívica de Bilac, a poesia do mar de Vicente de Carvalho e a poesia crepuscular de Raimundo Correia, que são brasileiras sem deixar de ser parnasianas.
Temas parnasianos: o que os poetas descrevem
Os temas do Parnasianismo são tão característicos quanto a forma, e reconhecê-los ajuda muito na prova. O primeiro grande grupo de temas é o clássico: a Grécia, Roma, os deuses, os heróis, os mitos, as estátuas, os templos e os vasos. O poeta parnasiano descreve esses objetos como se estivesse em um museu, com admiração pela beleza antiga e pela perfeição da arte clássica. O segundo grupo é a natureza descrita com precisão: não a natureza sentimental do Romantismo, que chorava junto com o poeta, e sim a natureza observada, com cores exatas, luzes precisas e detalhes visuais, como o pôr do sol, o crepúsculo, o mar, o outono e as paisagens serenas. Raimundo Correia é o mestre desse grupo, com os seus crepúsculos que parecem pinturas.
Características do Parnasianismo para memorizar
As características abaixo formam o resumo que mais cai na prova. Vale decorar a lista e saber dar um exemplo de cada item. Primeiro, a arte pela arte: a poesia vale pela beleza, e não pela utilidade moral, política ou sentimental. Segundo, o culto da forma: métrica regular, rima rica, versos bem construídos e formas fixas, sobretudo o soneto. Terceiro, a impessoalidade: o eu do poeta se esconde atrás do objeto descrito, e a confissão direta dá lugar à descrição. Quarto, a descrição plástica: imagens nítidas, visuais, como esculturas, com cores e materiais precisos. Quinto, o vocabulário rico e raro: palavras exatas, sonoras e pouco comuns, que mostram domínio da língua. Sexto, o classicismo: referências à Grécia e a Roma, à mitologia e à arte antiga, como modelo de equilíbrio e de beleza.
| Característica | Como aparece no poema parnasiano | Exemplo rápido |
|---|---|---|
| Arte pela arte | Poema vale pela beleza, sem lição moral | Descrição de um vaso grego por si mesma |
| Culto da forma | Métrica regular, rima rica, soneto | Sonetos decassílabos de Bilac |
| Impessoalidade | Eu do poeta escondido atrás do objeto | Poema sobre estátua, sem confissão direta |
| Descrição plástica | Imagens nítidas, visuais, como escultura | Estátua, mármore e luz em Alberto de Oliveira |
| Vocabulário raro | Palavras exatas, sonoras, pouco comuns | Ônix, jaspe, púrpura, cinzel, ourives |
| Classicismo | Grécia, Roma, mitos e arte antiga | Templos, deuses e heróis nos poemas |
| Contenção emocional | Sentimento dominado pela forma | Melancolia serena de Raimundo Correia |
| Objetividade | Descrição do mundo exterior | Paisagem crepuscular descrita com precisão |
Parnasianismo contra Romantismo e contra Simbolismo
A comparação entre escolas é o tipo de questão mais frequente sobre o Parnasianismo, e por isso ela merece uma seção própria. Comece pelo confronto com o Romantismo. O romântico valoriza a emoção, o eu, a subjetividade, a liberdade formal, os versos variados, a linguagem emotiva e a idealização da natureza e da pátria. O parnasiano valoriza a forma, o objeto, a impessoalidade, a disciplina métrica, a linguagem exata e a descrição plástica. O romântico escreve para sentir e para fazer sentir; o parnasiano escreve para fazer belo. O romântico quebra regras para expressar a liberdade; o parnasiano respeita regras para mostrar o domínio da arte. Se a questão opuser um poema emotivo e livre a um poema regular e descritivo, o primeiro é romântico e o segundo é parnasiano.
Agora, o confronto com o Simbolismo, que é mais sutil e, por isso, mais perigoso na prova. Tanto o Parnasianismo quanto o Simbolismo surgiram no fim do século dezenove, tanto um quanto o outro reagiram contra o Romantismo, e os dois valorizam a forma e a musicalidade. A diferença está no modo de usar a imagem e a linguagem. O parnasiano quer clareza: a imagem deve ser nítida, o objeto deve ser visto, a palavra deve ter sentido exato. O simbolista quer sugestão: a imagem deve insinuar, o objeto deve evocar um estado de alma, a palavra deve ter som e mistério, mesmo que o sentido fique nebuloso. O parnasiano descreve uma estátua para que você veja a estátua; o simbolista descreve uma cor, um som e um perfume juntos, em sinestesia, para que você sinta um clima, sem saber exatamente o que está vendo.
| Romantismo | Parnasianismo | Simbolismo | |
|---|---|---|---|
| Centro do poema | O eu, a emoção, o desabafo | O objeto, a forma, a descrição | O símbolo, o sonho, o mistério |
| Forma | Livre, variada, emotiva | Rigorosa, regular, soneto | Musical, sugestiva, livre em parte |
| Linguagem | Emotiva, sentimental, coloquial em parte | Exata, rara, culta, precisa | Sugestiva, sinestésica, nebulosa |
| Imagem | Idealizada, ligada ao sentimento | Nítida, plástica, como escultura | Vaga, simbólica, como sonho |
| Emoção | Transborda, domina o poema | Contida, dominada pela forma | Diluída em clima e sugestão |
| Exemplo brasileiro | Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo | Bilac, Correia, Alberto de Oliveira | Cruz e Sousa, Alphonsus de Guimaraens |
| O que a prova cobra | Subjetividade e idealização | Forma, rima rica e descrição | Sugestão, sinestesia e mistério |
Linha do tempo do Parnasianismo
| Ano | Acontecimento | Por que importa para a prova |
|---|---|---|
| 1866 | Primeira publicação de Le Parnasse Contemporain, na França | Marca o nascimento oficial do movimento |
| 1866 | Gautier e Leconte de Lisle defendem a arte pela arte | Base teórica do culto da forma |
| 1884 | Meridionais, de Alberto de Oliveira | Parnasianismo maduro no Brasil |
| 1883–1891 | Sinfonias e Aleluia, de Raimundo Correia | Crepúsculo, melancolia contida e forma perfeita |
| 1888 | Poesias e Via Láctea, de Olavo Bilac | Bilac se firma como o maior parnasiano brasileiro |
| 1888 | Abolição da escravidão no Brasil | Contexto de crise do Império e de novos valores |
| 1889 | Proclamação da República | Parnasianismo vira poesia oficial da República |
| 1893 | Os Troféus, de Heredia, na França | Modelo do soneto perfeito para os brasileiros |
| 1893 | Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa | Simbolismo surge e divide a poesia do fim do século |
| 1897 | Fundação da Academia Brasileira de Letras | Parnasianos ocupam o centro da vida literária |
| 1900 | Mármores, de Francisca Júlia | Voz feminina no Parnasianismo brasileiro |
| 1919 | Tarde, de Olavo Bilac | Última fase de Bilac, ainda parnasiana |
| 1922 | Semana de Arte Moderna, em São Paulo | Modernismo rompe com o formalismo parnasiano |
Tabela de autores e obras
| Autor | Obra mais cobrada | Marca do autor | Ideia para memorizar |
|---|---|---|---|
| Olavo Bilac | Poesias, Via Láctea, Tarde | Amor, civismo e língua portuguesa | O maior parnasiano brasileiro, forma brilhante |
| Raimundo Correia | Sinfonias, Aleluia | Crepúsculo, outono, melancolia serena | A paisagem que medita sobre o tempo |
| Alberto de Oliveira | Meridionais, Versos e Rimas | Descrição plástica, palavra rara | O mais formalista, o poeta ourives |
| Vicente de Carvalho | Ardentias, Relicário | Poesia do mar | O mar brasileiro em forma parnasiana |
| Francisca Júlia | Mármores | Sonetos descritivos perfeitos | Voz feminina do Parnasianismo |
| Leconte de Lisle | Poemas descritivos e mitológicos | Descrição precisa e erudita | Mestre francês do grupo |
| José Maria de Heredia | Os Troféus | Soneto perfeito, histórico e mitológico | Modelo de soneto para os brasileiros |
| Théophile Gautier | Defesa da arte pela arte | Poema como objeto belo | Precursor teórico do movimento |
O que cai no ENEM e nos vestibulares
As questões sobre Parnasianismo raramente pedem apenas a data de um livro. Elas costumam apresentar um poema, ou um trecho de poema, e pedir que o estudante identifique a escola, a característica presente, a função da forma ou a diferença em relação ao Romantismo ou ao Simbolismo. Por isso, treine a leitura de poemas com estas perguntas: a forma é regular, com soneto e métrica bem marcada? As rimas são ricas e bem distribuídas? O poema descreve um objeto ou uma paisagem com imagens nítidas, em vez de desabafar? O eu do poeta aparece pouco, escondido atrás da descrição? O vocabulário é raro, culto e preciso? Se a maioria das respostas for sim, o poema é parnasiano.
Uma dica prática: quando a questão apresentar um poema e as alternativas mencionarem Romantismo, Parnasianismo, Simbolismo e Modernismo, elimine primeiro o que não combina. Se o poema tem forma livre, versos irregulares e linguagem coloquial, não é parnasiano. Se o poema tem imagens nebulosas, sinestesias e mistério, não é parnasiano, e sim simbolista. Se o poema tem desabafo direto, exclamações e sentimentalismo, não é parnasiano, e sim romântico. Sobrou a alternativa parnasiana apenas quando o poema tem forma regular, descrição nítida e emoção contida. Esse método de eliminação, aplicado com calma, resolve a maioria das questões. Para treinar a leitura de textos literários em geral, vale revisar os gêneros literários e a prosa romântica, que mostram o contraste com a poesia parnasiana.


Mapa mental
- Parnasianismo
- Origem: França, década de 1860, revista Le Parnasse Contemporain, monte Parnaso e arte clássica
- Lema: arte pela arte — o poema vale pela beleza, sem lição moral ou desabafo
- Forma: rigor, métrica regular, decassílabo e alexandrino, rima rica, soneto com dois quartetos e dois tercetos
- Tom: impessoalidade, descrição plástica, emoção contida, imagens nítidas como escultura
- Vocabulário: rico, raro, exato, com mármore, bronze, ônix, púrpura e termos de ourivesaria
- Temas: Grécia e Roma, estátuas e vasos, natureza precisa, amor contido, civismo e língua portuguesa
- Brasil: tríade Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira, mais Vicente de Carvalho e Francisca Júlia
- França: Gautier, Leconte de Lisle e Heredia, com Os Troféus como modelo de soneto
- Contexto: fim do Império, República, Academia Brasileira de Letras, ordem e progresso
- Contrastes: contra o Romantismo, forma contra emoção; contra o Simbolismo, clareza contra sugestão
- Fim: questionado pelo Modernismo em 1922, que rompe com o formalismo
SAQ — Perguntas curtas com respostas
1. O que significa o lema arte pela arte?
Significa que o poema vale pela sua beleza e pela sua perfeição formal, e não por ensinar uma lição, defender uma causa ou desabafar um sentimento.
2. Por que o movimento se chama Parnasianismo?
Porque o nome vem do monte Parnaso, na Grécia, morada das musas e símbolo da poesia clássica, que os parnasianos tomaram como modelo de equilíbrio e de beleza.
3. Qual é a forma poética favorita dos parnasianos e como ela se organiza?
O soneto, com catorze versos, em dois quartetos e dois tercetos, geralmente em decassílabos, com rimas ricas e um fecho bem arrematado.
4. Quem forma a tríade parnasiana brasileira e qual é a marca de cada um?
Olavo Bilac, o mais famoso, com amor e civismo; Raimundo Correia, com crepúsculos e melancolia serena; Alberto de Oliveira, o mais formalista, com descrição plástica e palavra rara.
5. O que é a impessoalidade parnasiana?
É o escondimento do eu do poeta atrás do objeto descrito: em vez de confessar um sentimento, o poeta descreve uma estátua, um vaso ou uma paisagem, e deixa a beleza do objeto falar por si.
6. Qual é a diferença entre a imagem parnasiana e a imagem simbolista?
A imagem parnasiana é nítida e plástica, como uma escultura que se pode ver com clareza; a imagem simbolista é vaga e sugestiva, como um sonho ou uma névoa, que insinua mais do que mostra.
7. Por que o Parnasianismo se opõe ao Romantismo?
Porque o Romantismo valoriza a emoção, o eu e a liberdade formal, enquanto o Parnasianismo valoriza a forma, o objeto e a disciplina métrica, com a emoção contida pela forma.
8. Qual é a obra de Bilac mais cobrada e por quê?
A Via Láctea, com sonetos de amor em que a amada é comparada às estrelas, e o poema sobre a língua portuguesa, porque ambos unem forma perfeita, imagens luminosas e temas que caem com frequência nas provas.
Questões comentadas
Questão 1. Um poema apresenta catorze versos, em dois quartetos e dois tercetos, todos decassílabos, com rimas ricas e bem distribuídas, e descreve com precisão uma estátua grega de mármore, com luz, contornos e materiais nomeados com exatidão, sem nenhuma confissão direta do poeta. A escola literária a que esse poema pertence é, mais provavelmente, o:
A) Romantismo, porque descreve a natureza com sentimento.
B) Parnasianismo, porque une forma fixa, rigor métrico, rima rica, descrição plástica e impessoalidade.
C) Simbolismo, porque usa imagens nebulosas e sinestesias.
D) Modernismo, porque quebra a forma fixa e usa versos livres.
E) Arcadismo, porque celebra a vida simples no campo.
Gabarito: B. Comentário: A) está errada, pois não há desabafo nem sentimentalismo, e a forma é rigorosa, e não livre. B) está certa, pois o conjunto de soneto, decassílabos, rimas ricas, descrição de estátua e ausência de confissão é o programa parnasiano. C) está errada, pois a imagem é nítida, e não nebulosa ou sugestiva. D) está errada, pois o poema respeita a forma fixa, e não a quebra. E) está errada, pois o tema não é a vida campestre simples, e sim a beleza formal da arte clássica.
Questão 2. Um estudante afirma que, para os parnasianos, um poema sobre um vaso grego pode ser tão valioso quanto um poema sobre um grande amor, desde que seja belo e bem feito. Essa afirmação está:
A) Incorreta, pois os parnasianos só valorizavam poemas sobre grandes temas patrióticos.
B) Incorreta, pois os parnasianos exigiam que todo poema ensinasse uma lição moral.
C) Correta, pois a arte pela arte defende que o valor do poema está na beleza e na perfeição formal, e não na importância do tema.
D) Correta, pois os parnasianos desprezavam a forma e valorizavam apenas o tema.
E) Incorreta, pois os parnasianos escreviam apenas para desabafar sentimentos pessoais.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois os parnasianos tratavam temas variados, incluindo objetos simples, desde que com beleza. B) está errada, pois a arte pela arte rejeita a função moralizante do poema. C) está certa, pois o lema parnasiano separa o valor artístico da utilidade do tema. D) está errada, pois o culto da forma é central no Parnasianismo, e não desprezado. E) está errada, pois o desabafo pessoal é romântico, e não parnasiano, que prefere a impessoalidade.
Questão 3. Compare dois poemas: o primeiro transborda em exclamações, fala de um amor impossível, quebra a regularidade dos versos e usa linguagem emotiva; o segundo descreve um pôr do sol com cores exatas, em versos regulares, com rimas raras e sem confissão direta. A classificação mais adequada é:
A) O primeiro é parnasiano e o segundo é romântico.
B) Ambos são simbolistas, porque tratam de sentimentos.
C) O primeiro é romântico e o segundo é parnasiano.
D) Ambos são modernistas, porque usam linguagem simples.
E) O primeiro é simbolista e o segundo é árcade.
Gabarito: C. Comentário: A) está invertida: o transbordamento e a liberdade formal são românticos, e a regularidade descritiva é parnasiana. B) está errada, pois nenhum dos dois trabalha com sugestão nebulosa e sinestesia, marca simbolista. C) está certa, pois o primeiro reúne eu, emoção e liberdade, e o segundo reúne forma, descrição e contenção. D) está errada, pois nenhum dos dois quebra a forma com versos livres e linguagem coloquial modernista. E) está errada, pois o segundo não celebra a vida campestre simples, e sim a descrição formal da paisagem.
Questão 4. Sobre a tríade parnasiana brasileira, é correto afirmar que:
A) Bilac, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira dividem o mesmo programa formal, mas com marcas próprias: Bilac no amor e no civismo, Correia na melancolia crepuscular e Oliveira na descrição mais formalista.
B) Os três escreveram apenas sobre a Grécia e nunca trataram de temas brasileiros.
C) Raimundo Correia é o mais formalista dos três, e Alberto de Oliveira é o poeta do mar.
D) Bilac escreveu apenas poemas infantis, sem sonetos de amor.
E) A tríade pertence ao Simbolismo, e não ao Parnasianismo.
Gabarito: A. Comentário: A) está certa, pois resume o programa comum e as diferenças de cada autor, que caem com frequência. B) está errada, pois Bilac escreveu sobre a língua e a bandeira, e Correia sobre paisagens brasileiras. C) está errada, pois o mais formalista é Alberto de Oliveira, e o poeta do mar é Vicente de Carvalho. D) está errada, pois Bilac é autor da Via Láctea, com sonetos de amor célebres. E) está errada, pois os três são os nomes centrais do Parnasianismo brasileiro.
Questão 5. Um poema apresenta imagens vagas, sinestesias, como sons que têm cor e cores que soam, névoa, luar e silêncio, e sugere um estado de alma sem descrever nenhum objeto com nitidez. Embora tenha forma cuidada, a sua característica dominante aponta para o:
A) Parnasianismo, porque toda forma cuidada é parnasiana.
B) Romantismo, porque o poema é emotivo.
C) Simbolismo, porque a imagem é sugestiva e nebulosa, e não plástica e nítida.
D) Arcadismo, porque o poema fala da natureza.
E) Realismo, porque o poema descreve a sociedade com objetividade.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois a forma cuidada sozinha não define o Parnasianismo; o que define é o conjunto, e aqui domina a sugestão. B) está errada, pois o poema não desabafa com sentimentalismo direto, e sim sugere um clima. C) está certa, pois sinestesia, névoa, luar e sugestão são marcas simbolistas, opostas à clareza plástica parnasiana. D) está errada, pois não há celebração da vida simples campestre. E) está errada, pois o poema não analisa a sociedade, e sim evoca um estado interior.
Questão 6. Um soneto de Olavo Bilac celebra a língua portuguesa como um tesouro, com palavras sonoras, imagens de ouro e de esplendor, em versos regulares e rimas ricas. A leitura mais adequada desse soneto, no contexto do Parnasianismo, é a de que:
A) O poema prova que os parnasianos desprezavam a forma e só se importavam com o patriotismo.
B) O poema é romântico, porque fala da pátria com emoção descontrolada.
C) O poema é parnasiano porque une tema nacional, tratado com solenidade, a forma perfeita, vocabulário rico e emoção contida pela métrica e pela rima.
D) O poema é simbolista, porque a língua é apenas um símbolo vago.
E) O poema é modernista, porque quebra o soneto e usa versos livres.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois a forma é justamente o centro do poema, com versos regulares e rimas ricas. B) está errada, pois a emoção está contida e solenizada pela forma, e não descontrolada. C) está certa, pois mostra a adaptação brasileira do Parnasianismo: tema nacional, mas tratado com o programa formal parnasiano. D) está errada, pois a imagem é nítida e celebrativa, e não nebulosa e sugestiva. E) está errada, pois o poema respeita o soneto, e não o quebra.
Dica do professor
Monte um cartão com três colunas: Romantismo, Parnasianismo e Simbolismo. Na coluna do Parnasianismo, escreva: forma fixa, soneto, decassílabo, rima rica, descrição plástica, impessoalidade, arte pela arte, Bilac, Correia e Alberto de Oliveira. Na coluna do Romantismo, escreva: eu, emoção, liberdade formal, sentimentalismo. Na coluna do Simbolismo, escreva: sugestão, sinestesia, névoa, mistério. Revise esse cartão por dois minutos antes de fazer questões, e sempre que um poema aparecer, pergunte: a imagem é nítida ou nebulosa? A emoção transborda ou está contida? A forma é regular ou livre? Com essas três perguntas, a classificação fica quase automática. Continue a revisão na página de Literatura, com foco no ENEM e nos vestibulares.
Atenção/cuidado
Os erros mais comuns são: achar que todo soneto é parnasiano, quando o que define o Parnasianismo é o conjunto de forma, rima rica, descrição e impessoalidade, e não apenas o número de versos; achar que os parnasianos não sentiam nada, quando o sentimento existe, mas aparece contido pela forma; confundir a imagem nítida parnasiana com a imagem nebulosa simbolista; achar que os parnasianos brasileiros só escreveram sobre a Grécia, quando Bilac escreveu sobre a língua, a bandeira e o Brasil; e confundir o classicismo parnasiano, que é uma lição de forma, com o classicismo árcade, que é uma lição de vida simples no campo. Outro erro é esquecer Francisca Júlia e Vicente de Carvalho: quando a questão citar uma autora parnasiana ou um poeta do mar, esses são os nomes a lembrar. Se restar dúvida entre poesia e prosa do período, reveja a prosa romântica, que trata dos romances do século dezenove.
Conexão com outras áreas
O Parnasianismo se conecta com a História do Brasil, porque ele foi a poesia oficial da República nascente, ligada à Academia Brasileira de Letras, ao civismo de Bilac e ao ideal de ordem e progresso. Ele se conecta com as Artes Visuais, porque o seu modelo é a escultura clássica: o poema é pensado como uma estátua, com contornos nítidos, materiais nobres e equilíbrio, o que aproxima a poesia da escultura grega e do trabalho do ourives. Ele se conecta com a Língua Portuguesa, porque o culto da palavra exata, da rima rica e da métrica regular é, ao mesmo tempo, um estudo da língua, e Bilac, ao celebrar a língua portuguesa, fez da poesia uma defesa do idioma. Ele também se conecta com a Redação, porque o estudante que entende a diferença entre descrever com precisão, sugerir com mistério e desabafar com emoção escreve textos mais controlados, escolhendo o tom certo para cada objetivo. Para revisar a escola que veio antes, consulte o Arcadismo, e para entender o contraste com a prosa do período, veja a prosa romântica. Este artigo faz parte da revisão de Literatura do cliquevestibular.
Incidência
Incidência: ♨️ Morno. O Parnasianismo cai com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, geralmente por meio da identificação de características em poemas de Bilac, da comparação com o Romantismo e com o Simbolismo, e da doutrina da arte pela arte. Ele cai menos do que o Romantismo e o Modernismo em algumas provas, mas é decisivo nas questões de escolas literárias, porque funciona como o meio-termo entre a emoção romântica e a sugestão simbolista. Por isso, vale dominar o soneto, a rima rica, a impessoalidade e a tríade Bilac, Correia e Alberto de Oliveira, que são os pontos que mais aparecem nas questões.



