Sala de estudos

Potencial elétrico, Trabalho e Energia: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Entenda potencial elétrico, trabalho da força elétrica e energia potencial: fórmulas, superfícies equipotenciais e questões comentadas para o ENEM.

Ilustração estilo Pixar de um estudante observando com curiosidade uma esfera metálica eletrizada cercada por círculos concêntricos coloridos que representam superfícies equipotenciais.
Ilustração estilo Pixar de um estudante observando com curiosidade uma esfera metálica eletrizada cercada por círculos concêntricos coloridos que representam superfícies equipotenciais.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Potencial elétrico: o que é e por que é um escalar
  3. Potencial de uma carga puntiforme: a fórmula que mais cai
  4. Tabela: potencial de uma carga de +4 µC em função da distância
  5. Superfícies equipotenciais: onde o potencial não muda
  6. Trabalho da força elétrica: só importam o início e o fim
  7. Energia potencial elétrica: a energia guardada pela posição
  8. Tabela comparativa: potencial, energia potencial e trabalho
  9. Exemplos resolvidos passo a passo
  10. Mapa mental
  11. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  12. Questões comentadas
  13. Dica do professor
  14. Atenção / cuidado
  15. Conexão com outras áreas

Resumo rápido

Imagine uma carga elétrica parada no espaço. Ao redor dela, cada ponto “sente” uma influência diferente, que depende só da posição: essa influência é o potencial elétrico. Ele não é uma força nem um campo, mas um número, medido em volt (V), que diz quanta energia potencial elétrica cada unidade de carga teria se fosse colocada naquele ponto. Já o trabalho da força elétrica é a energia transferida quando uma carga se move de um ponto a outro, e a energia potencial elétrica é a energia guardada por uma carga em um ponto do campo, pronta para virar movimento.

As três ideias formam um trio inseparável: o potencial \( V \) descreve o ponto, a energia potencial \( E_p = q \cdot V \) descreve a carga naquele ponto, e o trabalho \( W = q \cdot (V_A – V_B) \) descreve a mudança quando a carga vai de A para B. Se a carga se move sozinha, do maior para o menor potencial (quando é positiva), o trabalho é positivo e a energia potencial diminui, virando energia cinética. Se um agente externo empurra a carga “morro acima”, contra o campo, o trabalho da força elétrica é negativo e a energia potencial aumenta. É um tema ♨️ Morno no ENEM e nos vestibulares, e aparece com frequência em questões de Física da sala de estudo sobre potencial de carga puntiforme, superfícies equipotenciais, trabalho em campo uniforme e conservação de energia.

\[ V = \frac{k \cdot Q}{r} \]

A ideia central é simples e resolve quase tudo: o potencial depende apenas da carga que cria o campo e da distância até ela, não da carga que chega depois para “sentir” o campo. Duas cargas de prova diferentes, colocadas no mesmo ponto, têm energias potenciais diferentes, mas o potencial do ponto é o mesmo para as duas. Guarde também o sinal: carga geradora positiva cria potencial positivo, e carga geradora negativa cria potencial negativo. E nunca se esqueça de que o trabalho da força elétrica não depende do caminho, só dos potenciais inicial e final.

Potencial elétrico: o que é e por que é um escalar

O potencial elétrico em um ponto é definido como a energia potencial elétrica por unidade de carga que uma carga de prova teria naquele ponto:

\[ V = \frac{E_p}{q} \]

Como a energia é um escalar, o potencial também é um escalar: ele tem valor e sinal, mas não tem direção nem sentido. Isso facilita muito a vida em prova: enquanto o campo elétrico exige soma vetorial, o potencial de várias cargas é somado como número, com sinal. A unidade no Sistema Internacional é o volt (V), e \( 1 \, \text{V} = 1 \, \text{J/C} \): um ponto está a 1 volt quando uma carga de 1 coulomb colocada ali tem 1 joule de energia potencial.

Um ponto importante: o potencial só faz sentido em relação a uma referência. Por convenção, o potencial no infinito é zero. É por isso que a fórmula da carga puntiforme usa a distância até a carga, sem subtrair nada: ela já mede o potencial em relação ao infinito. Na prática, em circuitos e em placas, a referência costuma ser a Terra, que é tomada como potencial zero. O que as questões realmente cobram, porém, é a diferença de potencial entre dois pontos, a famosa ddp, indicada por \( U = V_A – V_B \). É a ddp, e não o potencial absoluto, que faz a carga se mover e que aparece na pilha, na tomada e na bateria do celular.

Uma analogia ajuda a fixar tudo: pense no potencial como a altura de um morro e na carga como uma bolinha. A altura do ponto não depende da bolinha, só do terreno; a energia potencial da bolinha depende da altura e da “massa” dela, que aqui é a carga. Uma carga positiva solta “rola morro abaixo”, do maior para o menor potencial, como a bolinha. Uma carga negativa faz o contrário: ela “sobe” espontaneamente para o maior potencial, porque sua energia potencial é \( q \cdot V \) e \( q \) é negativo. Guardar essa inversão de comportamento entre carga positiva e negativa evita a maioria dos erros do tema.

Potencial de uma carga puntiforme: a fórmula que mais cai

Para uma carga puntiforme \( Q \), fixa no vácuo ou no ar, o potencial a uma distância \( r \) dela é:

\[ V = \frac{k \cdot Q}{r} \]

onde \( k = 9 \times 10^9 \, \text{N} \cdot \text{m}^2/\text{C}^2 \) é a constante eletrostática. Repare na diferença em relação ao campo elétrico, que cai com \( r^2 \): o potencial cai apenas com \( r \), ou seja, mais devagar. Perto da carga, o potencial é alto em módulo; longe, ele tende a zero. E o sinal acompanha o sinal de \( Q \): se \( Q \) é positiva, \( V \) é positivo em todos os pontos; se \( Q \) é negativa, \( V \) é negativo em todos os pontos.

Exemplo com valores exatos: uma carga \( Q = +4 \, \mu\text{C} = 4 \times 10^{-6} \, \text{C} \) cria, a \( r = 0,20 \, \text{m} \) de distância, o potencial:

\[ V = \frac{9 \times 10^9 \cdot 4 \times 10^{-6}}{0,20} = \frac{3,6 \times 10^4}{0,20} = 1,8 \times 10^5 \, \text{V} = 180 \, \text{kV} \]

À metade da distância, \( r = 0,10 \, \text{m} \), o potencial dobra, para \( 360 \, \text{kV} \); ao dobro da distância, \( r = 0,40 \, \text{m} \), ele cai à metade, para \( 90 \, \text{kV} \). Essa proporcionalidade inversa — dobrou a distância, caiu à metade o potencial — é cobrada diretamente em questões de múltipla escolha, sem precisar de conta longa. E atenção: se a carga fosse \( -4 \, \mu\text{C} \), os valores seriam os mesmos, mas negativos: \( -180 \, \text{kV} \), \( -360 \, \text{kV} \) e \( -90 \, \text{kV} \).

Quando há mais de uma carga, o potencial resultante em um ponto é a soma algébrica dos potenciais de cada carga, com sinal. Por exemplo, duas cargas de \( +2 \, \mu\text{C} \) e \( -2 \, \mu\text{C} \), cada uma a \( 0,30 \, \text{m} \) de um ponto, geram potenciais de \( +60 \, \text{kV} \) e \( -60 \, \text{kV} \), cuja soma é zero. Esse é o caso do ponto médio de um dipolo, e é um resultado clássico de prova. Já o campo elétrico nesse mesmo ponto não é zero, porque o campo se soma como vetor — mais um motivo para não confundir campo com potencial.

Tabela: potencial de uma carga de +4 µC em função da distância

Distância \( r \)CálculoPotencial \( V \)O que observar
0,10 m\( \frac{9 \times 10^9 \cdot 4 \times 10^{-6}}{0,10} \)360 kVMetade da distância, dobro do potencial
0,20 m\( \frac{9 \times 10^9 \cdot 4 \times 10^{-6}}{0,20} \)180 kVValor de referência do exemplo
0,40 m\( \frac{9 \times 10^9 \cdot 4 \times 10^{-6}}{0,40} \)90 kVDobro da distância, metade do potencial
0,80 m\( \frac{9 \times 10^9 \cdot 4 \times 10^{-6}}{0,80} \)45 kVLonge da carga, o potencial tende a zero

Para memorizar a tabela, vale um truque: potencial é inversamente proporcional à distância, não ao quadrado dela. Se a questão dobrar a distância, o potencial cai à metade; se ela quadruplicar a distância, o potencial cai a um quarto. Já o campo elétrico, que cai com \( r^2 \), cairia a um quarto ao dobrar a distância e a um dezesseis avos ao quadruplicá-la. Comparar as duas leis lado a lado é o jeito mais rápido de não trocar uma pela outra na hora da prova.

Superfícies equipotenciais: onde o potencial não muda

Uma superfície equipotencial é o conjunto de todos os pontos que têm o mesmo potencial elétrico. Para uma carga puntiforme, as superfícies equipotenciais são esferas concêntricas centradas na carga: todos os pontos a \( 0,20 \, \text{m} \) da carga de \( +4 \, \mu\text{C} \) do exemplo estão a \( 180 \, \text{kV} \), não importa a direção. No desenho em duas dimensões, elas aparecem como círculos concêntricos, e as linhas de campo, radiais, cruzam esses círculos sempre em ângulo reto.

Essa perpendicularidade é uma regra geral: as linhas de campo elétrico são sempre perpendiculares às superfícies equipotenciais, em qualquer campo. E há uma consequência prática importantíssima: mover uma carga sobre uma superfície equipotencial não custa trabalho, porque o potencial inicial e o final são iguais e \( W = q \cdot (V_A – V_B) = 0 \). É por isso que um satélite em órbita circular, por analogia gravitacional, e uma carga deslizando sobre uma equipotencial não ganham nem perdem energia potencial.

Outro caso clássico é o campo uniforme, criado por duas placas paralelas com cargas opostas. Nele, as superfícies equipotenciais são planos paralelos às placas, igualmente espaçados quando a diferença de potencial entre planos vizinhos é a mesma. Se a distância entre as placas é \( d \) e a ddp entre elas é \( U \), o campo uniforme vale:

\[ E = \frac{U}{d} \]

Exemplo com valores exatos: placas separadas por \( d = 0,10 \, \text{m} \) com ddp de \( U = 50 \, \text{V} \) criam um campo uniforme de \( E = \frac{50}{0,10} = 500 \, \text{N/C} \). Entre as placas, a cada \( 0,02 \, \text{m} \) percorridos no sentido do campo, o potencial cai \( 10 \, \text{V} \). Esse modelo de placas paralelas é o coração dos exercícios sobre tubo de raios catódicos, impressoras a laser e deflexão de partículas carregadas.

Por fim, um resultado que vale ouro em prova: a superfície de um condutor em equilíbrio eletrostático é sempre uma superfície equipotencial, e o campo elétrico na superfície é perpendicular a ela. Dentro do condutor, o campo é nulo e o potencial é constante, igual ao da superfície. É por isso que, dentro de um carro atingido por um raio, os ocupantes ficam protegidos: a carroceria metálica é um condutor em equilíbrio, e o interior fica blindado, no mesmo potencial em todos os pontos.

Trabalho da força elétrica: só importam o início e o fim

Quando uma carga \( q \) se desloca de um ponto A, de potencial \( V_A \), para um ponto B, de potencial \( V_B \), o trabalho realizado pela força elétrica é:

\[ W_{AB} = q \cdot (V_A – V_B) \]

Essa é a fórmula-mestra do tema. Ela não depende do caminho percorrido, só dos potenciais inicial e final — dizemos que a força elétrica é conservativa. Uma carga que vai de A até B por um caminho cheio de curvas e outra que vai em linha reta realizam o mesmo trabalho, desde que A e B sejam os mesmos. E em um caminho fechado, que volta ao ponto de partida, o trabalho total é zero, porque \( V_A – V_A = 0 \).

O sinal do trabalho diz quem está “pagando” a energia. Se \( W \) é positivo, a própria força elétrica realizou o trabalho, a carga se moveu espontaneamente e sua energia potencial diminuiu. Se \( W \) é negativo, um agente externo teve de empurrar a carga contra o campo, e a energia potencial aumentou. Exemplo com valores exatos: uma carga \( q = +2 \, \mu\text{C} \) que vai de \( V_A = 300 \, \text{V} \) para \( V_B = 100 \, \text{V} \) tem trabalho:

\[ W = 2 \times 10^{-6} \cdot (300 – 100) = 2 \times 10^{-6} \cdot 200 = 4 \times 10^{-4} \, \text{J} \]

O trabalho positivo confirma o movimento espontâneo da carga positiva, do maior para o menor potencial. Se a carga fosse \( -2 \, \mu\text{C} \) no mesmo trajeto, o trabalho seria \( -4 \times 10^{-4} \, \text{J} \): a carga negativa não iria sozinha de 300 V para 100 V; seria preciso empurrá-la. Já no trajeto inverso, de 100 V para 300 V, os sinais se invertem: a carga negativa teria trabalho positivo, e a positiva, negativo. Essa simetria é o teste mais rápido para conferir uma resposta.

Em campo uniforme, o trabalho ganha uma forma ainda mais simples. Uma carga \( q \) que se desloca \( d \) no sentido do campo \( E \) realiza \( W = q \cdot E \cdot d \). Exemplo: a carga de \( +4 \, \mu\text{C} \) no campo de \( 500 \, \text{N/C} \) das placas, deslocando-se \( 0,10 \, \text{m} \) no sentido do campo, realiza \( W = 4 \times 10^{-6} \cdot 500 \cdot 0,10 = 2 \times 10^{-4} \, \text{J} \). Se o deslocamento for perpendicular ao campo, sobre uma equipotencial, o trabalho é zero. Se for contra o campo, o trabalho é negativo. Três casos, uma única ideia: o trabalho mede a variação de potencial ao longo do caminho.

Energia potencial elétrica: a energia guardada pela posição

A energia potencial elétrica de uma carga \( q \) colocada em um ponto de potencial \( V \) é:

\[ E_p = q \cdot V \]

Ela depende das duas coisas: da carga e do ponto. Uma carga de \( q = +3 \, \mu\text{C} \) em um ponto de \( V = 200 \, \text{V} \) tem energia potencial \( E_p = 3 \times 10^{-6} \cdot 200 = 6 \times 10^{-4} \, \text{J} \). A mesma carga em um ponto de \( V = 50 \, \text{V} \) teria apenas \( 1,5 \times 10^{-4} \, \text{J} \). A diferença entre esses dois valores, \( 4,5 \times 10^{-4} \, \text{J} \), é exatamente o trabalho da força elétrica no trajeto — o que confirma a relação \( W = -\Delta E_p \): o trabalho é igual à diminuição da energia potencial.

Para um par de cargas puntiformes \( Q \) e \( q \) separadas por uma distância \( r \), a energia potencial do sistema é:

\[ E_p = \frac{k \cdot Q \cdot q}{r} \]

O sinal dessa energia conta uma história: se \( Q \) e \( q \) têm o mesmo sinal, \( E_p \) é positiva e as cargas se repelem, querendo se afastar para reduzir a energia; se têm sinais opostos, \( E_p \) é negativa e as cargas se atraem, querendo se aproximar. No infinito, onde \( r \) tende a infinito, \( E_p \) tende a zero, coerente com a referência de potencial zero no infinito. Essa leitura de sinal é cobrada em questões conceituais, que perguntam se a energia do sistema aumenta ou diminui quando as cargas se aproximam ou se afastam.

Quando a força elétrica é a única que realiza trabalho, a energia mecânica se conserva: a diminuição da energia potencial vira aumento da energia cinética, e vice-versa. Uma carga positiva solta do repouso em um ponto de alto potencial acelera em direção ao baixo potencial, ganhando velocidade à medida que perde energia potencial. A conta é direta: \( \Delta E_c = -\Delta E_p = W \). Exemplo: a carga de \( +2 \, \mu\text{C} \) que cai de 300 V para 100 V ganha \( 4 \times 10^{-4} \, \text{J} \) de energia cinética, partindo do repouso. Se a carga tiver massa, dá até para calcular a velocidade final com \( E_c = \frac{m \cdot v^2}{2} \) — e é assim que funcionam os aceleradores de partículas em escala de laboratório.

Uma unidade muito usada nesse contexto é o elétron-volt (eV), a energia que um elétron ganha ao atravessar uma ddp de 1 volt. Como a carga do elétron é \( 1,6 \times 10^{-19} \, \text{C} \) em módulo, tem-se:

\[ 1 \, \text{eV} = 1,6 \times 10^{-19} \, \text{J} \]

Assim, um elétron acelerado por uma ddp de 100 V ganha 100 eV, ou seja, \( 1,6 \times 10^{-17} \, \text{J} \). O elétron-volt é a unidade padrão da física de partículas e aparece em questões sobre tubos de raios catódicos, efeito fotoelétrico e aceleradores — sempre que a energia for minúscula em joules e confortável em eV.

Tabela comparativa: potencial, energia potencial e trabalho

GrandezaSímbolo e fórmulaUnidadeDepende de quê?Erro comum
Potencial elétrico\( V = \frac{k \cdot Q}{r} \)Volt (V)Da carga geradora e da distância; não da carga de provaAchar que muda quando troca a carga de prova
Energia potencial elétrica\( E_p = q \cdot V \)Joule (J)Da carga de prova e do potencial do pontoEsquecer o sinal de \( q \) na conta
Trabalho da força elétrica\( W = q \cdot (V_A – V_B) \)Joule (J)Da carga e da diferença de potencial; não do caminhoAchar que o caminho mais longo dá mais trabalho
Campo elétrico\( E = \frac{k \cdot Q}{r^2} \)N/CDa carga geradora e da distância ao quadradoConfundir a lei \( 1/r^2 \) com a lei \( 1/r \) do potencial
Campo uniforme\( E = \frac{U}{d} \)N/CDa ddp e da distância entre as placasInverter \( U \) e \( d \) na divisão

Exemplos resolvidos passo a passo

Exemplo 1 — potencial de carga puntiforme. Uma carga \( Q = +6 \, \mu\text{C} \) está fixa no vácuo. Qual é o potencial a \( 0,30 \, \text{m} \) dela?
Passo 1: converter a carga para coulomb: \( Q = 6 \times 10^{-6} \, \text{C} \).
Passo 2: aplicar a fórmula: \( V = \frac{9 \times 10^9 \cdot 6 \times 10^{-6}}{0,30} = \frac{5,4 \times 10^4}{0,30} \).
Passo 3: dividir: \( V = 1,8 \times 10^5 \, \text{V} = 180 \, \text{kV} \).
Conclusão: o ponto está a 180 kV, positivo, como a carga geradora.

Exemplo 2 — trabalho e variação de energia potencial. Uma carga \( q = -5 \, \mu\text{C} \) é levada de um ponto A, de potencial 80 V, até um ponto B, de potencial 280 V. Qual é o trabalho da força elétrica e o que acontece com a energia potencial?
Passo 1: aplicar \( W = q \cdot (V_A – V_B) = -5 \times 10^{-6} \cdot (80 – 280) \).
Passo 2: resolver o parêntese: \( 80 – 280 = -200 \, \text{V} \), e \( (-5 \times 10^{-6}) \cdot (-200) = 1 \times 10^{-3} \, \text{J} \).
Passo 3: interpretar: o trabalho positivo indica movimento espontâneo — a carga negativa vai sozinha para o maior potencial — e a energia potencial diminui \( 1 \times 10^{-3} \, \text{J} \).
Conclusão: \( W = +1 \, \text{mJ} \); a carga negativa “sobe” para o maior potencial perdendo energia potencial.

Exemplo 3 — campo uniforme entre placas. Duas placas paralelas, separadas por \( 0,05 \, \text{m} \), têm ddp de 200 V entre elas. Uma carga \( q = +1 \, \mu\text{C} \) atravessa toda a distância entre as placas no sentido do campo. Qual é o trabalho realizado?
Passo 1: campo uniforme: \( E = \frac{200}{0,05} = 4.000 \, \text{N/C} \).
Passo 2: trabalho: \( W = q \cdot E \cdot d = 1 \times 10^{-6} \cdot 4.000 \cdot 0,05 = 2 \times 10^{-4} \, \text{J} \).
Passo 3: conferir pela ddp: \( W = q \cdot U = 1 \times 10^{-6} \cdot 200 = 2 \times 10^{-4} \, \text{J} \). Os dois caminhos concordam.
Conclusão: o trabalho é \( 2 \times 10^{-4} \, \text{J} \), positivo, pois a carga positiva se move no sentido do campo, do maior para o menor potencial.

Ilustração estilo Pixar de uma carga puntiforme positiva no centro, cercada por superfícies equipotenciais em círculos concêntricos, com setas de campo elétrico apontando para fora e uma pequena carga de prova se deslocando entre dois pontos.
Ilustração estilo Pixar de uma carga puntiforme positiva no centro, cercada por superfícies equipotenciais em círculos concêntricos, com setas de campo elétrico apontando para fora e uma pequena carga de prova se deslocando entre dois pontos.
Ilustração estilo Pixar de uma pequena esfera carregada rolando morro abaixo como analogia da energia potencial elétrica, ao lado de duas placas metálicas paralelas com cargas opostas.
Ilustração estilo Pixar de uma pequena esfera carregada rolando morro abaixo como analogia da energia potencial elétrica, ao lado de duas placas metálicas paralelas com cargas opostas.

Mapa mental

  • Potencial elétrico, Trabalho e Energia
    • Potencial elétrico: energia potencial por unidade de carga, \( V = \frac{E_p}{q} \), unidade volt (V), \( 1 \, \text{V} = 1 \, \text{J/C} \)
    • Potencial é escalar: soma-se como número, com sinal; campo elétrico soma-se como vetor
    • Referência: potencial zero no infinito; na prática, a Terra é tomada como zero; o que move a carga é a ddp \( U = V_A – V_B \)
    • Carga puntiforme: \( V = \frac{k \cdot Q}{r} \), com \( k = 9 \times 10^9 \, \text{N} \cdot \text{m}^2/\text{C}^2 \); cai com \( 1/r \), não com \( 1/r^2 \)
    • Exemplo exato: \( Q = +4 \, \mu\text{C} \) gera 360 kV a 0,10 m, 180 kV a 0,20 m, 90 kV a 0,40 m e 45 kV a 0,80 m
    • Sinal: carga geradora positiva dá potencial positivo; negativa dá potencial negativo; várias cargas somam-se algebricamente
    • Superfícies equipotenciais: pontos de mesmo potencial; na carga puntiforme, esferas concêntricas; no campo uniforme, planos paralelos às placas
    • Linhas de campo são sempre perpendiculares às equipotenciais; mover carga sobre uma equipotencial dá trabalho zero
    • Condutor em equilíbrio: superfície equipotencial, campo perpendicular à superfície, campo nulo e potencial constante no interior
    • Campo uniforme: \( E = \frac{U}{d} \); exemplo exato: 50 V em 0,10 m dá 500 N/C; a cada 0,02 m, o potencial cai 10 V
    • Trabalho da força elétrica: \( W_{AB} = q \cdot (V_A – V_B) \); só depende do início e do fim, nunca do caminho; em caminho fechado, é zero
    • Exemplo exato: \( q = +2 \, \mu\text{C} \) de 300 V para 100 V realiza \( W = 4 \times 10^{-4} \, \text{J} \), positivo e espontâneo
    • Energia potencial elétrica: \( E_p = q \cdot V \); para um par de cargas, \( E_p = \frac{k \cdot Q \cdot q}{r} \); \( W = -\Delta E_p \)
    • Exemplo exato: \( q = +3 \, \mu\text{C} \) em 200 V tem \( E_p = 6 \times 10^{-4} \, \text{J} \)
    • Carga positiva solta vai do maior para o menor potencial; carga negativa solta vai do menor para o maior potencial
    • Conservação de energia: sem outras forças, a perda de energia potencial vira energia cinética, \( \Delta E_c = W \)
    • Elétron-volt: \( 1 \, \text{eV} = 1,6 \times 10^{-19} \, \text{J} \); elétron em 100 V ganha 100 eV, ou \( 1,6 \times 10^{-17} \, \text{J} \)
    • Erros comuns: confundir potencial com campo, esquecer o sinal de \( q \), achar que o caminho altera o trabalho, inverter o sentido da carga negativa

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que é o potencial elétrico em um ponto?
É a energia potencial elétrica por unidade de carga que uma carga colocada naquele ponto teria, \( V = \frac{E_p}{q} \), medida em volt. Ele descreve o ponto, não a carga que chega depois.

2. Qual é a diferença entre potencial elétrico e energia potencial elétrica?
O potencial depende só da carga geradora e da posição; a energia potencial depende também da carga de prova, pois \( E_p = q \cdot V \). Duas cargas diferentes no mesmo ponto têm energias diferentes, mas o potencial do ponto é o mesmo.

3. Por que o potencial é somado como número e o campo, como vetor?
Porque o potencial é uma grandeza escalar, derivada da energia, que também é escalar. O campo é vetorial, com direção e sentido. Assim, o potencial de várias cargas é a soma algébrica, com sinal, dos potenciais de cada uma.

4. O que é uma superfície equipotencial e qual é o trabalho sobre ela?
É o conjunto de pontos com o mesmo potencial. Como o potencial inicial e o final são iguais, o trabalho da força elétrica sobre ela é zero. As linhas de campo são sempre perpendiculares às equipotenciais.

5. Qual é a fórmula do trabalho da força elétrica e do que ele depende?
\( W_{AB} = q \cdot (V_A – V_B) \). Ele depende só da carga e dos potenciais inicial e final, nunca do caminho percorrido, porque a força elétrica é conservativa.

6. Para onde se move espontaneamente uma carga positiva? E uma negativa?
A carga positiva solta vai do maior para o menor potencial, perdendo energia potencial. A carga negativa solta faz o contrário: vai do menor para o maior potencial, também perdendo energia potencial, porque sua carga é negativa.

7. O que é o elétron-volt?
É a energia que um elétron ganha ao atravessar uma diferença de potencial de 1 volt: \( 1 \, \text{eV} = 1,6 \times 10^{-19} \, \text{J} \). Um elétron acelerado por 100 V ganha 100 eV.

8. Como o potencial de uma carga puntiforme varia com a distância?
Ele é inversamente proporcional à distância: \( V = \frac{k \cdot Q}{r} \). Dobrando a distância, o potencial cai à metade; quadruplicando, cai a um quarto. O campo, que cai com \( 1/r^2 \), varia mais rápido.

Questões comentadas

Questão 1. Uma carga puntiforme fixa de \( Q = +4 \, \mu\text{C} \) está no vácuo. O potencial elétrico a \( 0,20 \, \text{m} \) dessa carga é, aproximadamente:
A) 45 kV.
B) 90 kV.
C) 180 kV.
D) 360 kV.
E) 720 kV.
Gabarito: C.
Comentário: Aplicando \( V = \frac{k \cdot Q}{r} = \frac{9 \times 10^9 \cdot 4 \times 10^{-6}}{0,20} = 1,8 \times 10^5 \, \text{V} = 180 \, \text{kV} \). A alternativa D é o valor a 0,10 m, metade da distância; a B é o valor a 0,40 m, o dobro da distância; a A é o valor a 0,80 m; a E dobraria o resultado sem motivo.

Questão 2. Duas cargas puntiformes, \( +2 \, \mu\text{C} \) e \( -2 \, \mu\text{C} \), estão a \( 0,30 \, \text{m} \) de um ponto P, cada uma à mesma distância. O potencial elétrico resultante em P é:
A) +120 kV.
B) +60 kV.
C) Zero.
D) −60 kV.
E) −120 kV.
Gabarito: C.
Comentário: O potencial é escalar e se soma com sinal: a carga positiva gera \( +60 \, \text{kV} \) e a negativa, \( -60 \, \text{kV} \), e a soma é zero. As alternativas B e D consideram só uma das cargas; A e E somam os módulos sem o sinal. Atenção: o campo elétrico em P não seria zero, porque o campo se soma como vetor.

Questão 3. Uma carga de prova \( q = +2 \, \mu\text{C} \) é deslocada de um ponto A, de potencial 300 V, até um ponto B, de potencial 100 V. O trabalho realizado pela força elétrica nesse deslocamento é:
A) \( -4 \times 10^{-4} \, \text{J} \).
B) \( -2 \times 10^{-4} \, \text{J} \).
C) Zero.
D) \( +2 \times 10^{-4} \, \text{J} \).
E) \( +4 \times 10^{-4} \, \text{J} \).
Gabarito: E.
Comentário: \( W = q \cdot (V_A – V_B) = 2 \times 10^{-6} \cdot (300 – 100) = 4 \times 10^{-4} \, \text{J} \). O sinal positivo confirma o movimento espontâneo da carga positiva, do maior para o menor potencial. A alternativa A inverte o sinal; a C valeria se A e B estivessem na mesma equipotencial; B e D erram na multiplicação.

Questão 4. Uma partícula com carga negativa é abandonada do repouso em uma região onde só atua a força elétrica. Sobre seu movimento espontâneo, é correto afirmar que ela se desloca:
A) Do maior para o menor potencial, ganhando energia potencial.
B) Do menor para o maior potencial, perdendo energia potencial.
C) Do menor para o maior potencial, ganhando energia potencial.
D) Sobre uma superfície equipotencial, sem variar sua energia.
E) Do maior para o menor potencial, perdendo energia potencial.
Gabarito: B.
Comentário: A carga negativa solta move-se para o maior potencial, e sua energia potencial, \( E_p = q \cdot V \) com \( q \) negativo, diminui nesse movimento. A alternativa E descreve a carga positiva; A e C erram na variação da energia; D descreve um deslocamento sem trabalho, que não é o movimento espontâneo da partícula.

Questão 5. Duas placas metálicas paralelas, separadas por \( 0,10 \, \text{m} \), mantêm entre si uma diferença de potencial de 50 V. O campo elétrico uniforme entre as placas e o trabalho para levar uma carga de \( +4 \, \mu\text{C} \) de uma placa à outra, no sentido do campo, são, respectivamente:
A) 50 N/C e \( 2 \times 10^{-4} \, \text{J} \).
B) 500 N/C e \( 2 \times 10^{-4} \, \text{J} \).
C) 500 N/C e \( 2 \times 10^{-5} \, \text{J} \).
D) 5.000 N/C e \( 2 \times 10^{-3} \, \text{J} \).
E) 5 N/C e \( 2 \times 10^{-6} \, \text{J} \).
Gabarito: B.
Comentário: O campo é \( E = \frac{U}{d} = \frac{50}{0,10} = 500 \, \text{N/C} \), e o trabalho é \( W = q \cdot U = 4 \times 10^{-6} \cdot 50 = 2 \times 10^{-4} \, \text{J} \), conferido também por \( W = q \cdot E \cdot d \). A alternativa A erra o campo por esquecer a divisão pela distância; C erra uma potência de dez no trabalho; D multiplica em vez de dividir; E divide ao contrário.

Questão 6. Um elétron, de carga \( 1,6 \times 10^{-19} \, \text{C} \) em módulo, é acelerado do repouso por uma diferença de potencial de 100 V, sem outras forças atuando. A energia cinética adquirida pelo elétron é:
A) \( 1,6 \times 10^{-21} \, \text{J} \).
B) \( 1,6 \times 10^{-19} \, \text{J} \).
C) \( 1,6 \times 10^{-17} \, \text{J} \).
D) \( 1,6 \times 10^{-15} \, \text{J} \).
E) \( 1,6 \times 10^{-13} \, \text{J} \).
Gabarito: C.
Comentário: A energia adquirida é 100 eV, pois cada volt dá 1 eV ao elétron: \( 100 \cdot 1,6 \times 10^{-19} = 1,6 \times 10^{-17} \, \text{J} \). A alternativa B é a energia de apenas 1 volt; A erra duas potências de dez para baixo; D e E erram potências de dez para cima.

Dica do professor

Se você só puder decorar quatro fórmulas sobre esse tema, decore estas: \( V = \frac{k \cdot Q}{r} \), \( E_p = q \cdot V \), \( W = q \cdot (V_A – V_B) \) e \( E = \frac{U}{d} \). Com elas, você resolve a maioria das questões de ENEM e dos vestibulares sobre o tema. E, antes de calcular, pergunte sempre: quem é a carga geradora e quem é a carga de prova? Qual é o sinal de cada uma? O deslocamento é a favor ou contra o campo? Três perguntas, e metade dos erros some antes de começar a conta.

Na hora da prova, desconfie de quatro armadilhas. Primeira: confundir potencial com campo — potencial cai com \( 1/r \), campo cai com \( 1/r^2 \). Segunda: esquecer o sinal da carga de prova no trabalho e na energia potencial. Terceira: achar que o caminho altera o trabalho — só importam o início e o fim. Quarta: tratar a carga negativa como se fosse positiva — ela vai espontaneamente para o maior potencial. E lembre: o tema conversa com Química, na energia de ionização, e com Matemática, nas potências de dez — vale revisar os dois na sala de estudo.

Atenção / cuidado

O primeiro cuidado é não confundir potencial elétrico com campo elétrico nem com energia potencial elétrica. O potencial descreve o ponto, o campo descreve a força por unidade de carga, e a energia potencial descreve a carga naquele ponto. O segundo cuidado é o sinal: potencial de carga geradora negativa é negativo, e o trabalho muda de sinal quando a carga de prova é negativa ou quando o trajeto se inverte. O terceiro cuidado é a unidade: converta microcoulomb para coulomb antes de multiplicar, e confira se o resultado em volt, joule ou N/C faz sentido.

O quarto cuidado é não usar a fórmula do caminho: o trabalho da força elétrica não depende do trajeto, só da diferença de potencial. O quinto cuidado é com a referência: o potencial zero no infinito vale para cargas puntiformes isoladas, mas, entre placas ou em circuitos, a referência é outra — o que importa, em todos os casos, é a diferença de potencial. Por fim, cuidado com o elétron-volt: ele é unidade de energia, não de potencial, e 1 eV é uma energia minúscula, \( 1,6 \times 10^{-19} \, \text{J} \), não 1 volt.

Conexão com outras áreas

O potencial elétrico conversa diretamente com a Química, onde a energia de ionização é, na prática, o trabalho para levar um elétron do átomo até o infinito, contra a atração do núcleo. Com a Biologia, a conexão está no potencial de membrana das células nervosas: a diferença de potencial entre o interior e o exterior do neurônio, da ordem de dezenas de milivolts, é o que permite a transmissão do impulso nervoso.

Com a tecnologia, o tema aparece nas baterias e pilhas, que mantêm uma diferença de potencial constante entre seus polos; nos capacitores, que armazenam carga e energia em um campo elétrico; nos tubos de raios catódicos e nos aceleradores de partículas, que usam diferenças de potencial para dar velocidade a elétrons e prótons; e nos para-raios e nas blindagens eletrostáticas, que usam o fato de a superfície de um condutor ser equipotencial. Entender potencial, trabalho e energia, portanto, não é só passar na prova: é entender como a energia elétrica é guardada, transportada e transformada no mundo ao nosso redor.

Incidência: ♨️ Morno — tema recorrente no ENEM e nos vestibulares, principalmente em questões sobre potencial de carga puntiforme, superfícies equipotenciais, trabalho da força elétrica em campo uniforme e conservação de energia, com cálculos simples de ddp, trabalho e elétron-volt.