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Pureza e rendimento: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Na prática, o reagente nem sempre é puro e a reação nem sempre rende 100%. Aprenda a calcular pureza e rendimento com exemplos resolvidos, inclusive combinados, para o ENEM e os vestibulares.

Ilustração estilo Pixar de um estudante separando pedras claras de calcário puro das pedras escuras de impureza sobre uma bancada de laboratório.
Ilustração estilo Pixar de um estudante separando pedras claras de calcário puro das pedras escuras de impureza sobre uma bancada de laboratório.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Pureza: quanto da amostra realmente reage
  3. Rendimento: quanto do teórico realmente se obteve
  4. Exemplo 3 — Pureza e rendimento combinados
  5. Mapa mental
  6. SAQ — Perguntas e respostas curtas
  7. Questões comentadas
  8. Dica do professor
  9. Atenção / cuidado
  10. Conexão com outras áreas

Resumo rápido

Na prática, duas coisas afastam a conta do ideal: o reagente nem sempre é puro e a reação nem sempre rende 100%. A pureza diz qual porcentagem da amostra é de fato a substância que reage; o rendimento diz qual porcentagem do máximo teórico foi realmente obtida. É um tema ♨️ Morno no ENEM e nos vestibulares, e aparece com frequência em questões sobre calcário, produção de ferro e síntese da amônia.

As fórmulas são simples, mas a ordem importa: primeiro se desconta a impureza para achar a massa pura que realmente reage, depois se calcula o máximo teórico, e só no final se aplica o rendimento sobre esse máximo. Inverter a ordem ou aplicar o rendimento sobre a massa impura são os erros que mais derrubam candidatos.

Pureza: quanto da amostra realmente reage

Uma amostra de calcário pode ter 80% de carbonato de cálcio e 20% de impurezas que não participam da reação. A pureza é a porcentagem em massa da substância pura na amostra, calculada por \( \text{pureza} = \frac{m_{\text{pura}}}{m_{\text{amostra}}} \times 100 \). Na conta, o que interessa é a massa pura: \( m_{\text{pura}} = m_{\text{amostra}} \times \frac{\text{pureza}}{100} \).

Exemplo 1 — Cal a partir de calcário 80% puro. Aquecem-se 250 g de calcário com 80% de pureza, segundo a equação \( \text{CaCO}_3 \rightarrow \text{CaO} + \text{CO}_2 \). A massa pura de carbonato é \( 250 \times 0,80 = 200 \) g. Como a massa molar do \( \text{CaCO}_3 \) é 100 g/mol, são 2 mol. Pela proporção 1 para 1, formam-se 2 mol de \( \text{CaO} \), ou 112 g, pois a massa molar do óxido de cálcio é 56 g/mol. Esse é o máximo teórico, considerando rendimento de 100%.

Rendimento: quanto do teórico realmente se obteve

Mesmo com reagente puro, perdas, reações paralelas e produto que fica grudado no recipiente fazem a massa real ficar abaixo do máximo teórico. O rendimento é a porcentagem do teórico que foi obtida de fato, calculado por \( \text{rendimento} = \frac{m_{\text{real}}}{m_{\text{teórica}}} \times 100 \). Para achar a massa real, multiplica-se o teórico pelo rendimento em decimal: \( m_{\text{real}} = m_{\text{teórica}} \times \frac{\text{rendimento}}{100} \).

Exemplo 2 — Rendimento de 80% na produção de cal. Se o máximo teórico é 112 g de \( \text{CaO} \) e o rendimento da reação é de 80%, a massa realmente obtida é \( 112 \times 0,80 = 89,6 \) g. O restante, 22,4 g, foi perdido no processo. Repare: o rendimento se aplica ao produto, nunca ao reagente.

Exemplo 3 — Pureza e rendimento combinados

É o tipo de questão mais cobrado: os dois descontos aparecem juntos. Aquecem-se 500 g de calcário com 90% de pureza, com rendimento de 80% na produção de cal, segundo \( \text{CaCO}_3 \rightarrow \text{CaO} + \text{CO}_2 \). Passo a passo: massa pura de carbonato, \( 500 \times 0,90 = 450 \) g, ou 4,5 mol; máximo teórico de \( \text{CaO} \), \( 4,5 \times 56 = 252 \) g; massa real, com 80% de rendimento, \( 252 \times 0,80 = 201,6 \) g. Resposta: 201,6 g de cal virgem.

Exemplo 4 — Rendimento na síntese da amônia. A partir de 56 g de \( \text{N}_2 \), segundo \( \text{N}_2 + 3\text{H}_2 \rightarrow 2\text{NH}_3 \), com rendimento de 75%. São 2 mol de \( \text{N}_2 \), que formariam, no máximo, 4 mol de \( \text{NH}_3 \), ou 68 g. Com 75% de rendimento, a massa real é \( 68 \times 0,75 = 51 \) g de amônia.

ConceitoFórmulaAplica-se aExemplo
Pureza\( \frac{m_{\text{pura}}}{m_{\text{amostra}}} \times 100 \)Reagente, na entrada250 g a 80% rendem 200 g puros
Rendimento\( \frac{m_{\text{real}}}{m_{\text{teórica}}} \times 100 \)Produto, na saída112 g teóricos a 80% rendem 89,6 g
CombinadosDescontar a impureza, depois o rendimentoEntrada e saída500 g a 90% e 80% rendem 201,6 g
PassoO que fazerExemplo 3
1Achar a massa pura do reagente\( 500 \times 0,90 = 450 \) g de \( \text{CaCO}_3 \)
2Converter para mol450 g são 4,5 mol
3Calcular o máximo teórico do produto4,5 mol de \( \text{CaO} \) = 252 g
4Aplicar o rendimento sobre o teórico\( 252 \times 0,80 = 201,6 \) g
Ilustração estilo Pixar de um forno de cal aquecendo pedras de calcário que se transformam em cal virgem.
Ilustração estilo Pixar de um forno de cal aquecendo pedras de calcário que se transformam em cal virgem.
Ilustração estilo Pixar de um estudante pesando o produto obtido em uma balança e comparando com o valor esperado anotado em um caderno.
Ilustração estilo Pixar de um estudante pesando o produto obtido em uma balança e comparando com o valor esperado anotado em um caderno.

Mapa mental

  • Pureza e rendimento
    • Pureza: porcentagem em massa da substância pura na amostra; aplica-se ao reagente
    • Massa pura = massa da amostra × pureza em decimal
    • Rendimento: porcentagem do máximo teórico realmente obtida; aplica-se ao produto
    • Massa real = massa teórica × rendimento em decimal
    • Ordem: descontar a impureza, calcular o teórico, aplicar o rendimento
    • Exemplos: 250 g de calcário a 80% rendem 200 g puros e 112 g de \( \text{CaO} \) teóricos
    • 112 g teóricos com 80% de rendimento rendem 89,6 g reais
    • 500 g a 90% com 80% de rendimento rendem 201,6 g de cal
    • Erros comuns: aplicar o rendimento sobre a massa impura, confundir pureza com rendimento, inverter a ordem

SAQ — Perguntas e respostas curtas

1. O que é pureza? É a porcentagem em massa da substância pura em uma amostra, descontadas as impurezas.

2. O que é rendimento? É a porcentagem do máximo teórico de produto que foi realmente obtida na reação.

3. A pureza se aplica ao reagente ou ao produto? Ao reagente, na entrada da reação.

4. O rendimento se aplica ao reagente ou ao produto? Ao produto, na saída da reação.

5. Qual é a ordem correta quando os dois aparecem juntos? Descontar a impureza, calcular o máximo teórico e só então aplicar o rendimento.

6. Uma amostra de 250 g com 80% de pureza tem quantos gramas da substância pura? 200 g.

7. Um teórico de 112 g com rendimento de 80% rende quantos gramas reais? 89,6 g.

Questões comentadas

Questão 1. Aquecem-se 250 g de calcário com 80% de pureza em \( \text{CaCO}_3 \), segundo \( \text{CaCO}_3 \rightarrow \text{CaO} + \text{CO}_2 \). O máximo teórico de \( \text{CaO} \) é de:
a) 56 g. b) 112 g. c) 200 g. d) 250 g. e) 89,6 g.
Gabarito: B. A massa pura é 200 g, ou 2 mol, que formam 2 mol de \( \text{CaO} \), ou 112 g.

Questão 2. Se o rendimento da reação da questão 1 fosse de 80%, a massa real de \( \text{CaO} \) seria de:
a) 112 g. b) 100 g. c) 89,6 g. d) 90 g. e) 160 g.
Gabarito: C. O rendimento se aplica ao teórico: \( 112 \times 0,80 = 89,6 \) g.

Questão 3. Aquecem-se 500 g de calcário com 90% de pureza, com rendimento de 80%, segundo \( \text{CaCO}_3 \rightarrow \text{CaO} + \text{CO}_2 \). A massa real de cal obtida é de:
a) 252 g. b) 201,6 g. c) 450 g. d) 224 g. e) 180 g.
Gabarito: B. Massa pura de 450 g, ou 4,5 mol; teórico de 252 g; com 80% de rendimento, 201,6 g.

Questão 4. Na síntese da amônia, \( \text{N}_2 + 3\text{H}_2 \rightarrow 2\text{NH}_3 \), partindo de 56 g de \( \text{N}_2 \) com rendimento de 75%, a massa real de amônia é de:
a) 68 g. b) 34 g. c) 51 g. d) 42,5 g. e) 17 g.
Gabarito: C. São 2 mol de \( \text{N}_2 \), com teórico de 4 mol de \( \text{NH}_3 \), ou 68 g; com 75%, 51 g.

Questão 5. Um estudante aplicou o rendimento de 80% sobre os 500 g de calcário impuro, antes de descontar a pureza de 90%. O erro dele foi:
a) usar a massa molar errada. b) aplicar o rendimento sobre a massa impura, em vez de sobre o máximo teórico. c) confundir pureza com rendimento. d) esquecer de balancear. e) trocar reagente e produto.
Gabarito: B. O rendimento só se aplica ao máximo teórico do produto, depois de descontada a impureza do reagente.

Dica do professor

Sempre que a questão trouxer pureza e rendimento juntos, escreva os dois descontos em linhas separadas, com setas: amostra → massa pura → mol → teórico → real. Transforme as porcentagens em decimais logo no início, 0,90 e 0,80, para não se perder no final. E confira a unidade da resposta: se a questão pede gramas, não entregue mol.

Atenção / cuidado

  • Não aplique o rendimento sobre a massa impura: ele só vale sobre o máximo teórico.
  • Não confunda pureza com rendimento: pureza é do reagente, rendimento é do produto.
  • As impurezas, em geral, não reagem: só a parte pura entra na proporção da equação.
  • Se a questão der pureza em porcentagem, converta para decimal antes de multiplicar.

Conexão com outras áreas

Matemática: porcentagens e regra de três nos dois descontos sucessivos. Geografia e indústria: produção de cal, cimento e ferro a partir de minérios que nunca são puros. Biologia: fermentação e produção de medicamentos, em que o rendimento real fica abaixo do teórico. Para continuar, veja o reagente limitante ou em excesso, o cálculo estequiométrico, o balanceamento de reações e as grandezas químicas, além da Química na sala de estudo.

Incidência: ♨️ Morno — cai com frequência no ENEM e nos vestibulares. Matéria: Química | Subdisciplina: Estequiometria | Tema: Pureza e Rendimento.