Sala de estudos

Relevo brasileiro: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Planaltos, planícies e depressões: a classificação do relevo brasileiro, suas formas mais famosas e o que o ENEM cobra sobre elas.

Paisagem brasileira em estilo de animação mostrando planalto, serra e planície com rio, com um estudante observando
Paisagem brasileira em estilo de animação mostrando planalto, serra e planície com rio, com um estudante observando
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Por que o relevo brasileiro é antigo
  3. Os três compartimentos: planaltos, planícies e depressões
  4. As formas que você precisa reconhecer
  5. Relevo e vida: ocupação, agricultura e energia
  6. Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares
  7. Mapa mental
  8. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  9. Questões comentadas
  10. Dica do professor
  11. Atenção/cuidado
  12. Conexão com outras áreas
  13. Fontes e leitura complementar
  14. Incidência

Resumo rápido

O relevo brasileiro é antigo, sem grandes cadeias de montanhas jovens, e se organiza em três grandes compartimentos: planaltos, planícies e depressões. Os planaltos são superfícies elevadas e desgastadas pela erosão, que ocupam a maior parte do país; as planícies são superfícies planas e baixas, formadas pela deposição de sedimentos; e as depressões são áreas rebaixadas em relação ao entorno, esculpidas pela erosão em rochas mais frágeis. Essa é a classificação mais cobrada nas provas, proposta pelo geógrafo Jurandyr Ross a partir de imagens de satélite, e ela substituiu a classificação antiga de Aroldo de Azevedo, que falava em planaltos e planícies apenas. Este artigo, parte da nossa sala de estudo de Geografia, explica cada compartimento, as formas mais famosas do Brasil e por que o relevo ajuda a entender o clima, os rios, os solos e até a ocupação do território.

Se você guardar só três ideias, guarde estas. Primeiro: o Brasil não tem dobramentos modernos — não há montanhas jovens como os Andes por aqui, porque o país fica no interior da placa Sul-Americana, longe das bordas onde as placas colidem. Segundo: a maior parte do relevo brasileiro é de planaltos antigos e desgastados, e não de planícies — as planícies ocupam uma fatia pequena do território. Terceiro: relevo, clima e vegetação andam juntos: a altitude e a forma do terreno influenciam a chuva, a temperatura e os solos, como mostram a Serra do Mar, que barra a umidade do oceano, e o Planalto Central, berço de grandes rios.

Por que o relevo brasileiro é antigo

O relevo de um lugar nasce da disputa entre as forças internas, que constroem, e as forças externas, que desgastam — o chamado embate entre endógeno e exógeno, explicado no artigo sobre dinâmica interna e externa do relevo. No Brasil, as forças internas praticamente pararam há muito tempo: o território está sobre um escudo cristalino antigo e estável, e os últimos grandes dobramentos aconteceram há centenas de milhões de anos. Desde então, o que manda é o desgaste: chuva, vento, rios e variação de temperatura esculpem as formas, rebaixam os planaltos e depositam sedimentos nas planícies. O resultado é um relevo de altitudes modestas — o ponto mais alto do país, o Pico da Neblina, tem 2.995 metros, enquanto os Andes passam dos 6.000.

Essa antiguidade explica também a riqueza mineral do subsolo brasileiro: rochas antigas, como as dos escudos cristalinos, guardam ferro, ouro, manganês e outros minérios, tema do artigo sobre recursos minerais. E explica por que as formas brasileiras são, em geral, arredondadas e suaves: milhões de anos de erosão já limaram as arestas das serras mais antigas.

Os três compartimentos: planaltos, planícies e depressões

Os planaltos são superfícies elevadas, acima de 300 metros, em que predomina o desgaste (erosão) sobre a deposição. Eles se dividem em dois tipos principais: os planaltos cristalinos, formados sobre rochas antigas e duras, como o Planalto Atlântico, que acompanha o litoral do Nordeste ao Sul; e os planaltos sedimentares, formados sobre bacias de sedimentos, como o Planalto Central, onde fica Brasília, e as chapadas do Centro-Oeste e do Nordeste, de topo plano e bordas escarpadas. É nos planaltos que nascem os grandes rios brasileiros, e é neles que se concentram as quedas-d’água aproveitadas pelas hidrelétricas.

As planícies são superfícies planas e baixas, em que predomina a deposição de sedimentos trazidos pelos rios, pelo mar ou pelo vento. As mais famosas são a Planície Amazônica, formada pelos sedimentos do rio Amazonas; a Planície do Pantanal, alagada parte do ano, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul; e as planícies litorâneas, faixas estreitas junto ao mar, onde ficam praias, restingas e manguezais. Atenção: planície não é sinônimo de lugar seco ou sem importância — o Pantanal é uma das maiores planícies alagáveis do mundo e um santuário de biodiversidade.

As depressões são áreas mais baixas que o entorno, esculpidas pela erosão em terrenos de rochas mais frágeis, e aparecem sempre entre planaltos. Os exemplos clássicos são a Depressão Sertaneja, no interior do Nordeste, entre o Planalto da Borborema e a Chapada do Araripe; e a Depressão Periférica Paulista, entre o Planalto Atlântico e o Planalto Ocidental. Nas provas, a pegadinha é confundir depressão com “buraco”: depressão é uma superfície rebaixada em relação às áreas vizinhas, mas pode estar a centenas de metros de altitude.

As formas que você precisa reconhecer

Algumas formas aparecem tanto nas provas que vale decorar o mapa mental delas. A Serra do Mar é uma escarpa íngreme que acompanha o litoral do Sudeste e do Sul: ela barra os ventos úmidos do oceano, provocando chuvas fortes na encosta voltada para o mar (barlavento) e deixando o interior mais seco — o chamado efeito orográfico, ligado ao clima do Brasil. A Serra da Mantiqueira, entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, abriga alguns dos pontos mais altos do Sudeste. As chapadas — Chapada dos Guimarães, Chapada Diamantina, Chapada do Araripe — são planaltos sedimentares de topo plano, famosos pelas cachoeiras e pelos cânions.

Outro par que cai muito é Planalto Central versus Planície Amazônica: o primeiro é um divisor de águas, de onde partem rios para três bacias diferentes (Amazônica, do Paraná e do São Francisco); a segunda é uma imensa planície de deposição, cortada pelo maior rio do mundo em volume de água. E não confunda o Pantanal com a Amazônia: o Pantanal é uma planície alagável do Centro-Oeste, enquanto a Amazônia é uma floresta que ocupa, em grande parte, a planície do rio Amazonas — são coisas diferentes, ainda que vizinhas no mapa.

CompartimentoProcesso dominanteExemplosMarca para reconhecer
PlanaltoErosão (desgaste)Planalto Central, Planalto Atlântico, chapadasSuperfície elevada, relevo movimentado, nascentes de rios
PlanícieDeposição de sedimentosPlanície Amazônica, Pantanal, planícies litorâneasSuperfície plana e baixa, rios sinuosos, inundações
DepressãoErosão em rocha frágil, entre planaltosDepressão Sertaneja, Depressão Periférica PaulistaÁrea rebaixada em relação ao entorno

Para entender de onde vêm essas formas, vale revisar o artigo sobre rochas: o tipo de rocha do subsolo — cristalina e dura, ou sedimentar e mais frágil — ajuda a explicar por que um planalto resiste e uma depressão se aprofunda.

Relevo e vida: ocupação, agricultura e energia

O relevo não é só paisagem: ele condiciona onde as pessoas vivem, plantam e geram energia. As escarpas da Serra do Mar dificultaram a ligação entre o litoral e o interior no período colonial, concentrando a ocupação na faixa litorânea. Os planaltos do Centro-Oeste, de relevo suave e solos profundos, favoreceram a mecanização da agricultura e a expansão da soja. As quedas-d’água dos rios de planalto, como o Paraná e o São Francisco, são a base das hidrelétricas brasileiras. E as planícies litorâneas concentram portos, turismo e grande parte da população — o que as torna vulneráveis à elevação do nível do mar.

As provas gostam de cruzar relevo com problemas ambientais: a ocupação de encostas íngremes, sem vegetação, provoca deslizamentos nas chuvas de verão; a retirada da mata ciliar acelera a erosão e o assoreamento dos rios nas planícies; e a mineração em áreas de planalto deixa cicatrizes que demoram a se recuperar. Relevo, portanto, é um tema que conversa com urbanização, agricultura e meio ambiente ao mesmo tempo.

Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares

As questões aparecem de quatro jeitos principais. O primeiro é a identificação pelo perfil: dado um desenho de perfil topográfico ou a descrição de uma forma, dizer se é planalto, planície ou depressão. O segundo é a associação forma-lugar: ligar a Serra do Mar ao litoral sudestino, o Pantanal ao Centro-Oeste, a Depressão Sertaneja ao Nordeste. O terceiro é a explicação de um fenômeno a partir do relevo, como as chuvas orográficas na Serra do Mar ou as cheias do Pantanal. O quarto é a relação com a ocupação humana: por que as cidades se concentram no litoral, por que a agricultura mecanizada avançou no Centro-Oeste, por que as hidrelétricas ficam nos rios de planalto. Para treinar a leitura de mapas e perfis, vale revisar as noções de cartografia, escalas e convenções.

Chapada de topo plano com paredões avermelhados e cachoeira, em estilo de animação
Chapada de topo plano com paredões avermelhados e cachoeira, em estilo de animação
Planície alagada com rio sinuoso e aves ao pôr do sol, em estilo de animação
Planície alagada com rio sinuoso e aves ao pôr do sol, em estilo de animação

Mapa mental

  • Relevo brasileiro: antigo e sem dobramentos modernos
    • Interior da placa Sul-Americana, escudos cristalinos estáveis
    • Ponto mais alto: Pico da Neblina, 2.995 m
    • Predomina o desgaste (erosão) sobre a construção
  • Planaltos (maior parte do país)
    • Cristalinos: Planalto Atlântico, Planalto da Borborema
    • Sedimentares: Planalto Central, chapadas (Guimarães, Diamantina, Araripe)
    • Marca: erosão dominante, nascentes e quedas-d’água
  • Planícies (fatia pequena do território)
    • Amazônica, Pantanal, litorâneas
    • Marca: deposição de sedimentos, superfície plana e baixa
  • Depressões
    • Sertaneja (Nordeste), Periférica Paulista
    • Marca: área rebaixada entre planaltos, erodida em rocha frágil
  • Formas famosas
    • Serra do Mar: escarpa litorânea, chuvas orográficas
    • Serra da Mantiqueira: altos do Sudeste
    • Chapadas: topo plano, cachoeiras e cânions

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

  1. Quais são os três compartimentos do relevo brasileiro na classificação de Ross? Planaltos, planícies e depressões.
  2. Por que o Brasil não tem montanhas jovens como os Andes? Porque fica no interior da placa Sul-Americana, longe das bordas onde as placas colidem e formam dobramentos modernos.
  3. O que predomina nos planaltos: erosão ou deposição? A erosão (desgaste).
  4. O que predomina nas planícies? A deposição de sedimentos trazidos por rios, mar ou vento.
  5. O que é uma depressão? Uma superfície rebaixada em relação às áreas vizinhas, esculpida pela erosão em rochas mais frágeis, geralmente entre planaltos.
  6. Qual a diferença entre planalto cristalino e planalto sedimentar? O cristalino se forma sobre rochas antigas e duras; o sedimentar, sobre bacias de sedimentos, com chapadas de topo plano.
  7. Por que chove tanto na Serra do Mar? Porque a escarpa barra os ventos úmidos do oceano, que sobem, esfriam e provocam chuvas orográficas na encosta voltada para o mar.
  8. O Pantanal fica em que compartimento do relevo? É uma planície — uma das maiores planícies alagáveis do mundo.

Questões comentadas

Questão 1 (original, estilo ENEM). Um perfil topográfico mostra uma superfície elevada e movimentada, com vales encaixados e nascentes de rios, seguida por uma superfície plana e baixa, cortada por um rio sinuoso que inunda parte do ano. A sequência descrita corresponde, respectivamente, a

a) planície e depressão. b) planalto e planície. c) depressão e planalto. d) serra e chapada. e) planície e planalto.

Resposta: b. Superfície elevada, com erosão dominante e nascentes, é planalto; superfície plana, baixa, de deposição, com rio sinuoso e inundações, é planície.

Questão 2 (original, estilo ENEM). A ausência de cadeias montanhosas jovens no Brasil, como os Andes, é explicada principalmente pelo fato de o território brasileiro estar

a) sobre uma placa tectônica em expansão acelerada. b) no interior da placa Sul-Americana, em área tectonicamente estável. c) sobre uma bacia sedimentar recente. d) em latitude tropical, sem glaciações. e) cercado por fossas oceânicas profundas.

Resposta: b. O Brasil ocupa o interior da placa Sul-Americana, longe das bordas convergentes onde se formam os dobramentos modernos; seu relevo é antigo e dominado pela erosão.

Questão 3 (original, estilo ENEM). A Depressão Sertaneja, no interior do Nordeste, é uma superfície rebaixada em relação ao Planalto da Borborema e à Chapada do Araripe. Sua origem está ligada principalmente à

a) deposição de sedimentos marinhos recentes. b) ação de vulcões extintos no interior nordestino. c) erosão prolongada de rochas mais frágeis entre áreas mais resistentes. d) subsidência causada pelo peso das dunas litorâneas. e) glaciação que rebaixou o interior do continente.

Resposta: c. As depressões se formam pela erosão de terrenos de rochas mais frágeis, situados entre planaltos de rochas mais resistentes.

Dica do professor

Decore o trio pelo verbo: planalto DESGASTA, planície DEPOSITA, depressão REBAIXA. Depois, cole um exemplo em cada um: Planalto Central no desgasta, Pantanal no deposita, Depressão Sertaneja no rebaixa. Com esses três pares e a ideia de que o Brasil é antigo e sem dobramentos modernos, você resolve a maioria das questões do tema.

Atenção/cuidado

Não chame todo relevo alto de montanha: no Brasil, as formas elevadas são planaltos e serras antigas, não cadeias de dobramentos jovens. Não confunda depressão com lugar abaixo do nível do mar: depressão é rebaixada em relação ao entorno, mas pode estar a centenas de metros de altitude. E não diga que as planícies dominam o Brasil: elas ocupam uma fatia pequena do território — a maior parte é de planaltos.

Conexão com outras áreas

O tema conversa com a História, na ocupação do litoral e na interiorização do país; com a Biologia, nos biomas associados a cada compartimento, como o Pantanal e a Mata Atlântica da Serra do Mar; e com a Física, na energia das hidrelétricas instaladas nos rios de planalto. É um tema típico de questão interdisciplinar do ENEM.

Fontes e leitura complementar

Para aprofundar, consulte livros de Geografia física do ensino médio e os artigos sobre dinâmica interna e externa do relevo e estruturas geológicas, que completam o quadro da Geologia e do relevo brasileiro.

Incidência

♨️ Morno: tema de base da Geografia física, cobrado com frequência média no ENEM e nos vestibulares, sobretudo em questões de identificação de compartimentos, associação forma-lugar e relação do relevo com clima e ocupação.