
Direto ao assunto
Tema de Redação:
“Os desafios para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras.”
Texto I — Quando a chuva vira tragédia
As mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça distante e passaram a bater à porta das cidades brasileiras. Em maio de 2024, as enchentes no Rio Grande do Sul atingiram 478 dos 497 municípios do estado, afetaram cerca de 2,4 milhões de pessoas e deixaram 184 mortos, segundo a Defesa Civil. O lago Guaíba, em Porto Alegre, ultrapassou a marca histórica de 1941 e chegou a 5,33 metros, mais de dois metros acima da cota de inundação. Ruas, hospitais, escolas e o aeroporto da capital ficaram debaixo d’água por semanas — e milhares de famílias perderam tudo o que tinham em poucas horas.
Texto II — Seca, calor e rios no limite
Enquanto o Sul enfrentava água demais, outra parte do país sofria com a falta dela. Em outubro de 2024, o rio Negro, em Manaus, baixou para 12,66 metros, o nível mais baixo em 122 anos de medição, desde 1902, superando o recorde anterior, de 12,70 metros, registrado em 2023. Com os rios em níveis críticos, o transporte fluvial foi interrompido, comunidades ribeirinhas ficaram isoladas e o abastecimento de água e alimentos foi comprometido. No mesmo período, o Pantanal enfrentou uma das piores temporadas de queimadas de sua história e as ondas de calor se tornaram mais longas e frequentes em várias regiões do país. Enchente num extremo, seca no outro: o clima extremo passou a ser rotina.
Texto III — Um direito escrito na Constituição
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.”
O trecho, do artigo 225 da Constituição Federal de 1988, coloca a proteção do ambiente como um dever compartilhado entre Estado e sociedade. O problema é que as cidades brasileiras cresceram sem levar esse dever a sério: rios foram canalizados e cobertos de concreto, várzeas e encostas foram ocupadas por moradias precárias e a drenagem urbana não acompanhou o aumento das chuvas. Quando o desastre chega, quem paga a conta mais alta são sempre os mais pobres, moradores das áreas de maior risco.
Texto IV — Adaptar as cidades é urgente — e possível
A resposta a esse cenário passa por transformar a adaptação climática em política permanente. O Brasil já conta com a Política Nacional sobre Mudança do Clima, criada pela Lei nº 12.187/2009, e com o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima, que orienta Estados e municípios a se prepararem para os novos extremos. Em novembro de 2025, Belém sediou a COP30, a primeira conferência do clima da ONU realizada na Amazônia, com dias temáticos dedicados à adaptação, às cidades e à infraestrutura. O caminho inclui planos municipais de adaptação, sistemas de alerta precoce como o do Cemaden, recuperação de áreas verdes e de várzeas, obras de drenagem, moradia digna fora das áreas de risco e educação climática nas escolas — medidas que precisam sair do papel antes da próxima chuva, e não depois dela.
Proposta de Redação
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, na modalidade formal da língua portuguesa, sobre o tema:
“Os desafios para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas nas cidades brasileiras.”
Apresente argumentos consistentes e elabore uma proposta de intervenção que respeite os direitos humanos, indicando agentes, ações, meios e finalidade para enfrentar os problemas decorrentes desse contexto.
INSTRUÇÕES
- O texto deve ser escrito em prosa dissertativo-argumentativa.
- Utilize a norma-padrão da língua portuguesa.
- O texto deve ter no mínimo 7 e no máximo 30 linhas.
- Dê um título (opcional).
- Não copie trechos dos textos motivadores.
- A proposta de intervenção deve ser detalhada, viável e relacionada ao tema, respeitando os direitos humanos.



