“Com o grito do dinheiro a justiça não se apruma” é uma obra poética de Patativa do Assaré que mergulha nas profundezas das desigualdades sociais e da corrupção, temas recorrentes na produção do autor. Embora não se configure como um romance com enredo linear e personagens fixos, a obra se manifesta como um lamento, um grito de alerta e uma denúncia veemente contra um sistema onde o poder econômico subjuga a retidão e a verdade.
O conflito central reside na oposição entre a honestidade do povo simples e a ganância daqueles que detêm o poder. Patativa utiliza sua voz para expor a fragilidade da justiça diante da influência do dinheiro, mostrando como os mais pobres são frequentemente oprimidos e privados de seus direitos básicos, enquanto os ricos e poderosos conseguem manipular as leis a seu favor.
Os “personagens” da obra são, na verdade, arquétipos sociais: o trabalhador explorado, o pobre marginalizado, o juiz venal, o político corrupto. Através de uma linguagem direta e carregada de emoção, o poeta dá voz àqueles que não são ouvidos, transformando suas dores e indignações em versos impactantes que ressoam com a realidade de muitos brasileiros, especialmente no Nordeste rural.
A obra, portanto, é um grito de protesto, uma poesia engajada que busca conscientizar o leitor sobre as mazelas de uma sociedade injusta. Patativa do Assaré, com sua sabedoria popular e sua capacidade de transformar a experiência do cotidiano em arte, convida à reflexão sobre os valores morais e éticos que deveriam pautar a convivência humana, em contraponto à frieza do capital.
A corrupção e a injustiça social impulsionadas pelo poder do dinheiro sobre a moralidade e a lei.
Antônio Gonçalves da Silva, mais conhecido como Patativa do Assaré, nasceu em 5 de março de 1909, na Serra de Santana, município de Assaré, Ceará. Um dos maiores expoentes da literatura de cordel e da poesia popular brasileira, Patativa, que era cego de um olho desde criança e perdeu a visão do outro na juventude, nunca frequentou uma escola formal por muito tempo, mas sua sede de conhecimento e sua genialidade o tornaram um autodidata.
Sua obra é profundamente enraizada na cultura sertaneja, retratando com maestria a vida do homem do campo, suas lutas, suas alegrias, suas crenças e, sobretudo, suas injustiças sociais. Com uma linguagem acessível e cheia de regionalismos, Patativa se tornou a voz do Nordeste, cantando a seca, a fé, a política e o amor com uma sensibilidade única. Sua poesia, carregada de musicalidade e ritmo, transita entre o humor e a crítica social afiada, garantindo-lhe um lugar de destaque na literatura brasileira até sua morte, em 8 de julho de 2002.
“Com o grito do dinheiro a justiça não se apruma” é uma obra poética que reflete a essência da produção literária de Patativa do Assaré. Inserida no universo da literatura popular, com fortes traços de cordel, a obra se apresenta como uma crítica contundente às falhas do sistema judicial e à influência corruptora do capital. Através de versos rimados e uma métrica que remete à oralidade, Patativa expõe as mazelas sociais, denunciando a inversão de valores onde a ética é preterida pela opulência financeira. É um exemplo clássico da poesia engajada do autor, que utiliza sua arte como ferramenta de denúncia e conscientização.
| Tempo | Indeterminado, com foco no presente das injustiças sociais e na atemporalidade da corrupção. | |
| Espaço | Universal, mas com forte ressonância no sertão nordestino e nas realidades rurais e urbanas do Brasil. | |
| Narrador | Em primeira pessoa (o poeta), que se posiciona como observador e crítico dos acontecimentos. | |
| Linguagem | Popular, regionalista, oralizada, com uso de rimas, métrica simples e figuras de linguagem acessíveis ao grande público. |
O estilo de Patativa do Assaré em “Com o grito do dinheiro a justiça não se apruma” é marcado pela sua autenticidade e ligação com a cultura popular. Ele emprega uma linguagem acessível, repleta de regionalismos e expressões do cotidiano do sertanejo, o que confere à obra uma sonoridade e um ritmo característicos da literatura de cordel. As rimas são regulares e funcionam como um elemento de memorização e cadência, facilitando a recepção da mensagem.
O autor utiliza metáforas e comparações simples, mas poderosas, para ilustrar as complexas questões sociais. Há um forte apelo à oralidade, transformando cada verso em um “canto” que denuncia e emociona. A personificação de conceitos como “justiça” e “dinheiro” é um recurso frequente, tornando as abstrações mais palpáveis. A ironia e a hipérbole também são empregadas para enfatizar a gravidade da corrupção e da desigualdade, solidificando a obra como um manifesto poético de grande impacto social e cultural.
A obra “Com o grito do dinheiro a justiça não se apruma” insere-se em um contexto histórico de profundas desigualdades sociais no Brasil, especialmente no Nordeste. Patativa do Assaré, testemunha das dificuldades enfrentadas pelo povo sertanejo – a seca, a miséria, a falta de acesso à educação e à saúde –, canalizou em sua poesia a voz da resistência contra um sistema que historicamente privilegia poucos em detrimento de muitos.
A crítica social é o cerne da obra. O poeta denuncia a corrupção endêmica que permeia as instituições, mostrando como o poder econômico distorce a aplicação da justiça e perpetua ciclos de exploração e sofrimento. A obra reflete a indignação contra a impunidade dos poderosos e a marginalização dos desfavorecidos. É um espelho das tensões sociais e políticas do Brasil rural e uma chamada à conscientização sobre a necessidade de uma sociedade mais equitativa e justa, onde a lei não seja subjugada pelos interesses financeiros.
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