
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- Do fim da ditadura às Diretas Já
- A Constituição de 1988: a Constituição Cidadã
- Eleições diretas, hiperinflação e o Plano Real
- Crises, impeachment e polarização
- Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares
- Mapa mental
- SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
Resumo rápido
A Nova República é o período que começa em 1985, com o fim da ditadura militar (1964-1985), e chega até hoje. O nome marca a volta da democracia: eleições, partidos livres, imprensa livre e, em 1988, uma nova Constituição, a chamada Constituição Cidadã. É o período democrático mais longo da história do Brasil — já dura mais de quarenta anos — e também um período de crises: hiperinflação, impeachment de dois presidentes, escândalos de corrupção e uma polarização política intensa nos últimos anos.
Em uma frase: A Nova República é a redemocratização brasileira: a reconstrução da democracia após 21 anos de ditadura, com a Constituição de 1988 como marco, eleições diretas para presidente desde 1989 e a estabilidade econômica conquistada com o Plano Real, em 1994.
- Quando: de 1985 até hoje, a partir do fim da ditadura militar.
- Marco inicial: a posse de José Sarney, em 1985, após a morte de Tancredo Neves, eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral.
- Marco institucional: a Constituição de 1988, que restaurou os direitos políticos e sociais e ampliou o voto aos analfabetos e aos jovens de 16 e 17 anos.
- Primeira eleição direta: 1989, vencida por Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura.
- Marco econômico: o Plano Real, de 1994, que acabou com a hiperinflação e criou a moeda atual, o real.
- Presidentes: Sarney, Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula novamente, a partir de 2023.
- O que não foi: não foi uma ruptura total com o passado: a transição foi negociada com os militares, sem punição aos responsáveis pela repressão, e a Lei da Anistia, de 1979, manteve-se em vigor.
- Incidência: ♨️ Morno — aparece no ENEM e nos vestibulares, quase sempre ligado à campanha das Diretas Já, à Constituição de 1988, ao Plano Real e aos impeachments de Collor e Dilma.
Do fim da ditadura às Diretas Já
A Nova República não começou de repente. A ditadura militar já vinha se desgastando desde o fim dos anos 1970: a economia, que crescera no chamado milagre econômico, entrou em crise com o choque do petróleo e a dívida externa; a oposição, com o MDB, crescia nas eleições; e movimentos sociais, sindicatos do ABC paulista e a Igreja Católica pressionavam pela abertura. O general João Figueiredo, último presidente militar, conduziu uma abertura lenta, gradual e segura, com a Lei da Anistia de 1979 e o fim do bipartidarismo, que permitiu a volta de vários partidos.
Em 1983 e 1984, o país viveu a maior mobilização popular de sua história até então: a campanha das Diretas Já, que pedia a volta das eleições diretas para presidente, por meio da emenda Dante de Oliveira. Milhões de pessoas foram às ruas em São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais. A emenda foi derrotada no Congresso em abril de 1984, por poucos votos, mas a mobilização mudou o jogo: na eleição indireta de 1985, o Colégio Eleitoral escolheu Tancredo Neves, da oposição, contra Paulo Maluf, do partido do governo. Tancredo adoeceu antes da posse e morreu em abril de 1985; assumiu seu vice, José Sarney, primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura. É por isso que 1985, e não 1984, é o ano inicial da Nova República.
A Constituição de 1988: a Constituição Cidadã
O grande marco institucional da Nova República é a Constituição de 1988, elaborada pela Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988 e promulgada em 5 de outubro de 1988. O deputado Ulysses Guimarães, presidente da Constituinte, chamou-a de Constituição Cidadã, porque ela ampliou os direitos sociais — saúde pública e universal com o SUS, educação como direito, aposentadoria rural, licença-maternidade — e os direitos políticos: voto para analfabetos, voto facultativo para jovens de 16 e 17 anos e para maiores de 70 anos, e eleições diretas em dois turnos para presidente, governadores e prefeitos de grandes cidades.
A Constituição de 1988 também restabeleceu a liberdade de imprensa, de associação e de greve, proibiu a tortura e criou mecanismos de participação popular, como o plebiscito e o referendo. Para as provas, o ponto central é o contraste com as Constituições da ditadura, de 1967 e 1969, que concentravam poderes no Executivo e suspendiam direitos: a de 1988 é a volta do Estado democrático de direito, com separação de poderes e direitos fundamentais garantidos no papel — mesmo que sua efetivação, na prática, continue sendo um desafio, sobretudo para a população mais pobre.
Eleições diretas, hiperinflação e o Plano Real
Em 1989, o Brasil voltou a eleger seu presidente pelo voto direto, depois de 29 anos: venceu Fernando Collor de Mello, com um discurso contra a corrupção e os marajás do funcionalismo. Seu governo tentou combater a hiperinflação com o confisco da poupança, em 1990, que travou o dinheiro dos brasileiros e aprofundou a recessão. Acusado de corrupção, Collor sofreu impeachment em 1992, após as manifestações dos caras-pintadas, estudantes que foram às ruas com o rosto pintado pedindo sua saída. Assumiu seu vice, Itamar Franco (1992-1994), em cujo governo foi lançado o Plano Real, em 1994, sob o comando do ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso.
O Plano Real acabou com a hiperinflação, que corroía os salários e chegava a mais de 40% ao mês, e criou uma moeda estável, o real, que vigora até hoje. A estabilidade econômica foi a base do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que privatizou estatais, controlou a inflação e implantou programas sociais, como o Bolsa Escola. Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, venceu as eleições, e seu governo (2003-2010) combinou crescimento econômico, com o boom das commodities, e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que tiraram milhões de brasileiros da miséria. Dilma Rousseff, sua sucessora (2011-2016), sofreu impeachment em 2016, em meio a uma grave crise econômica e política, e foi substituída por Michel Temer (2016-2018).
Crises, impeachment e polarização
A Nova República também é marcada por crises que testam as instituições. Depois do impeachment de Dilma, o Brasil viveu a Operação Lava Jato, a prisão de Lula em 2018, a eleição de Jair Bolsonaro (2019-2022), com um discurso de ruptura com o sistema político, e a pandemia de covid-19, que matou mais de 700 mil brasileiros. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro por uma margem apertada e voltou à Presidência em 2023, em seu terceiro mandato. Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, num ataque à democracia que foi condenado pelas instituições e pelo Supremo Tribunal Federal.
Para as provas, vale a síntese: a Nova República é o período democrático mais duradouro do Brasil, mas também o mais testado — dois presidentes sofreram impeachment (Collor, em 1992, e Dilma, em 2016), e a democracia sobreviveu a crises econômicas, escândalos e tentativas de ruptura. O ENEM costuma cobrar esse período como um teste de cidadania: o que a Constituição de 1988 garante, como funcionam as eleições e por que a democracia depende de instituições fortes e da participação popular.
Tabela 1: os presidentes da Nova República
| Presidente | Período | Marca do governo |
|---|---|---|
| José Sarney | 1985-1990 | Primeiro presidente civil após a ditadura; Plano Cruzado (1986) |
| Fernando Collor | 1990-1992 | Primeiro eleito pelo voto direto após a ditadura; impeachment em 1992 |
| Itamar Franco | 1992-1994 | Plano Real (1994), que acabou com a hiperinflação |
| Fernando Henrique Cardoso | 1995-2002 | Estabilidade do real; privatizações; Bolsa Escola |
| Luiz Inácio Lula da Silva | 2003-2010 | Crescimento econômico; Bolsa Família |
| Dilma Rousseff | 2011-2016 | Primeira mulher presidente; impeachment em 2016 |
| Michel Temer | 2016-2018 | Governo após o impeachment de Dilma; reforma trabalhista |
| Jair Bolsonaro | 2019-2022 | Governo de direita; pandemia de covid-19 |
| Lula (3º mandato) | 2023– | Volta do PT ao poder; ataques de 8 de janeiro de 2023 às instituições |
Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares
As provas cobram a campanha das Diretas Já e a transição negociada, a Constituição de 1988 e os direitos que ela garante, o Plano Real e o fim da hiperinflação, e os impeachments de Collor e Dilma como mecanismos constitucionais de crise. Para revisar História na sala de estudo, vale reler a República Liberal, a Era Vargas e o Período Regencial, para comparar as diferentes experiências democráticas e autoritárias do Brasil.


Mapa mental
- Nova República (1985 até hoje)
- Origem: fim da ditadura militar; Diretas Já (1983-1984); Tancredo eleito indiretamente; Sarney assume em 1985.
- Constituição de 1988: Constituição Cidadã; SUS, direitos sociais; voto para analfabetos e jovens de 16 e 17 anos.
- Eleições diretas: volta em 1989, vencida por Collor; impeachment de Collor em 1992 (caras-pintadas).
- Economia: hiperinflação; Plano Real (1994); moeda estável, o real; crescimento e Bolsa Família nos anos 2000.
- Crises: impeachment de Dilma (2016); Lava Jato; pandemia; ataques de 8 de janeiro de 2023.
- Presidentes: Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula (3º mandato).
- Limites: transição negociada, sem punição à repressão; desigualdade e desafios na efetivação dos direitos.
- Erro comum: dizer que Tancredo Neves governou, ou confundir os impeachments de Collor (1992) e Dilma (2016).
SAQ — Perguntas e respostas rápidas
- O que é a Nova República? O período democrático brasileiro que começa em 1985, com o fim da ditadura militar, e chega até hoje, marcado pela Constituição de 1988 e por eleições diretas.
- O que foi a campanha das Diretas Já? A mobilização popular de 1983-1984 que pedia a volta das eleições diretas para presidente; a emenda foi derrotada no Congresso, mas a mobilização abriu caminho para a eleição de Tancredo Neves em 1985.
- Quem foi o primeiro presidente da Nova República? José Sarney, que assumiu em 1985 após a morte de Tancredo Neves, eleito indiretamente e morto antes da posse.
- Por que a Constituição de 1988 é chamada de Constituição Cidadã? Porque ampliou os direitos sociais, como o SUS e a aposentadoria rural, e os direitos políticos, como o voto para analfabetos e para jovens de 16 e 17 anos.
- Quem foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura? Fernando Collor de Mello, eleito em 1989 e afastado por impeachment em 1992, após as manifestações dos caras-pintadas.
- O que foi o Plano Real? O plano econômico de 1994, lançado no governo Itamar Franco, que acabou com a hiperinflação e criou a moeda atual, o real.
- Quais presidentes sofreram impeachment na Nova República? Fernando Collor, em 1992, e Dilma Rousseff, em 2016.
- O que aconteceu em 8 de janeiro de 2023? Manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, num ataque à democracia condenado pelas instituições.
Questões comentadas
Questão 1
A campanha das Diretas Já (1983-1984) é mais bem caracterizada como:
a) um movimento militar que depôs João Goulart em 1964.
b) a mobilização popular que pediu a volta das eleições diretas para presidente, derrotada no Congresso, mas decisiva para a transição democrática.
c) a campanha que elegeu Getúlio Vargas em 1950.
d) um movimento que defendia a manutenção da ditadura militar.
e) a campanha pela Constituição de 1934.
Gabarito: b) a mobilização popular que pediu a volta das eleições diretas para presidente, derrotada no Congresso, mas decisiva para a transição democrática.
Comentário: As Diretas Já levaram milhões às ruas pedindo eleições diretas. A emenda Dante de Oliveira foi derrotada em 1984, mas a mobilização enfraqueceu o regime e abriu caminho para a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985.
Questão 2
A Constituição de 1988, chamada de Constituição Cidadã, destacou-se por:
a) suspender os direitos políticos e fechar o Congresso.
b) ampliar direitos sociais, como o SUS, e direitos políticos, como o voto para analfabetos e jovens de 16 e 17 anos.
c) proibir a greve e a liberdade de imprensa.
d) instituir a ditadura militar e o bipartidarismo.
e) acabar com as eleições diretas para presidente.
Gabarito: b) ampliar direitos sociais, como o SUS, e direitos políticos, como o voto para analfabetos e jovens de 16 e 17 anos.
Comentário: A Constituição de 1988 restaurou a democracia e ampliou a cidadania: saúde pública universal, direitos trabalhistas e voto ampliado. As alternativas descrevem o regime militar, não a Constituição de 1988.
Questão 3
O Plano Real, lançado em 1994, teve como principal resultado:
a) o confisco da poupança dos brasileiros.
b) o fim da hiperinflação e a criação de uma moeda estável, o real.
c) a construção de Brasília e o Plano de Metas.
d) a volta da ditadura militar.
e) a criação do Bolsa Família.
Gabarito: b) o fim da hiperinflação e a criação de uma moeda estável, o real.
Comentário: O Plano Real, lançado no governo Itamar Franco, controlou a inflação que corroía os salários e criou o real. O confisco da poupança foi de Collor, em 1990, e o Bolsa Família é do governo Lula, nos anos 2000.
Questão 4
Os impeachments de Fernando Collor (1992) e Dilma Rousseff (2016) têm em comum o fato de:
a) ambos terem sido golpes militares sem base constitucional.
b) ambos terem sido processos constitucionais de afastamento, votados pelo Congresso, em meio a crises políticas e acusações de irregularidades.
c) ambos terem ocorrido durante a ditadura militar.
d) ambos terem sido decididos apenas pelo Supremo Tribunal Federal, sem o Congresso.
e) ambos terem levado à volta das eleições indiretas.
Gabarito: b) ambos terem sido processos constitucionais de afastamento, votados pelo Congresso, em meio a crises políticas e acusações de irregularidades.
Comentário: O impeachment é um mecanismo previsto na Constituição de 1988, votado pela Câmara e pelo Senado. Collor caiu em 1992, após os caras-pintadas, e Dilma em 2016, em meio a crise econômica e política — ambos dentro das regras constitucionais, e não por golpe militar.
Questão 5
Sobre a transição para a Nova República, é correto afirmar que:
a) ela foi uma ruptura total, com punição imediata de todos os responsáveis pela repressão.
b) ela foi negociada, com a Lei da Anistia de 1979 mantida, e Tancredo Neves eleito indiretamente, assumindo Sarney após sua morte.
c) Tancredo Neves governou o Brasil por cinco anos, de 1985 a 1990.
d) as Diretas Já aprovaram as eleições diretas já em 1984.
e) a ditadura terminou com um golpe militar em 1985.
Gabarito: b) ela foi negociada, com a Lei da Anistia de 1979 mantida, e Tancredo Neves eleito indiretamente, assumindo Sarney após sua morte.
Comentário: A transição foi negociada com os militares, sem punição à repressão. Tancredo foi eleito indiretamente em 1985, mas morreu antes da posse, e Sarney assumiu. As Diretas Já não aprovaram a emenda em 1984.
Dica do professor
Decore três datas-âncora: 1984, Diretas Já; 1988, Constituição Cidadã; 1994, Plano Real. Depois, prenda os impeachments: Collor 1992, Dilma 2016. Se a questão citar SUS, voto para analfabetos ou 16 anos, pense Constituição de 1988; se citar hiperinflação e real, pense Plano Real; se citar caras-pintadas, pense Collor.
Atenção/cuidado
Cuidado com cinco armadilhas: (1) dizer que Tancredo governou — ele morreu antes da posse, e quem assumiu foi Sarney; (2) dizer que as Diretas Já aprovaram as eleições diretas em 1984 — a emenda foi derrotada, e a primeira eleição direta foi só em 1989; (3) confundir o Plano Real com o confisco da poupança de Collor; (4) confundir os impeachments de 1992 e 2016; (5) achar que a Nova República acabou com a desigualdade — a Constituição ampliou direitos, mas sua efetivação continua sendo um desafio.
Conexão com outras áreas
O tema conecta História com Geografia (urbanização, migração e desigualdade regional), com Sociologia (cidadania, movimentos sociais, partidos e participação política), com Língua Portuguesa (a leitura da Constituição e dos discursos das Diretas Já) e com Redação (argumentação sobre democracia, direitos sociais, corrupção e os desafios da cidadania no Brasil atual).
Incidência
♨️ Morno — a Nova República aparece com frequência no ENEM e nos vestibulares, geralmente ligada à campanha das Diretas Já, à Constituição de 1988, ao Plano Real e aos impeachments de Collor e Dilma.



