Sala de estudos

Nova República: o que cai no ENEM e nos vestibulares

A Nova República (1985 até hoje) é a redemocratização do Brasil: fim da ditadura militar, Constituição de 1988, eleições diretas, Plano Real e os desafios da democracia atual.

Ilustração estilo Pixar de uma multidão com bandeiras do Brasil pedindo eleições diretas nos anos 1980, sem texto
Ilustração estilo Pixar de uma multidão com bandeiras do Brasil pedindo eleições diretas nos anos 1980, sem texto
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Do fim da ditadura às Diretas Já
  3. A Constituição de 1988: a Constituição Cidadã
  4. Eleições diretas, hiperinflação e o Plano Real
  5. Crises, impeachment e polarização
  6. Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares
  7. Mapa mental
  8. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  9. Questões comentadas
  10. Dica do professor
  11. Atenção/cuidado
  12. Conexão com outras áreas
  13. Incidência

Resumo rápido

A Nova República é o período que começa em 1985, com o fim da ditadura militar (1964-1985), e chega até hoje. O nome marca a volta da democracia: eleições, partidos livres, imprensa livre e, em 1988, uma nova Constituição, a chamada Constituição Cidadã. É o período democrático mais longo da história do Brasil — já dura mais de quarenta anos — e também um período de crises: hiperinflação, impeachment de dois presidentes, escândalos de corrupção e uma polarização política intensa nos últimos anos.

Em uma frase: A Nova República é a redemocratização brasileira: a reconstrução da democracia após 21 anos de ditadura, com a Constituição de 1988 como marco, eleições diretas para presidente desde 1989 e a estabilidade econômica conquistada com o Plano Real, em 1994.

  • Quando: de 1985 até hoje, a partir do fim da ditadura militar.
  • Marco inicial: a posse de José Sarney, em 1985, após a morte de Tancredo Neves, eleito indiretamente pelo Colégio Eleitoral.
  • Marco institucional: a Constituição de 1988, que restaurou os direitos políticos e sociais e ampliou o voto aos analfabetos e aos jovens de 16 e 17 anos.
  • Primeira eleição direta: 1989, vencida por Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura.
  • Marco econômico: o Plano Real, de 1994, que acabou com a hiperinflação e criou a moeda atual, o real.
  • Presidentes: Sarney, Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e Lula novamente, a partir de 2023.
  • O que não foi: não foi uma ruptura total com o passado: a transição foi negociada com os militares, sem punição aos responsáveis pela repressão, e a Lei da Anistia, de 1979, manteve-se em vigor.
  • Incidência: ♨️ Morno — aparece no ENEM e nos vestibulares, quase sempre ligado à campanha das Diretas Já, à Constituição de 1988, ao Plano Real e aos impeachments de Collor e Dilma.

Do fim da ditadura às Diretas Já

A Nova República não começou de repente. A ditadura militar já vinha se desgastando desde o fim dos anos 1970: a economia, que crescera no chamado milagre econômico, entrou em crise com o choque do petróleo e a dívida externa; a oposição, com o MDB, crescia nas eleições; e movimentos sociais, sindicatos do ABC paulista e a Igreja Católica pressionavam pela abertura. O general João Figueiredo, último presidente militar, conduziu uma abertura lenta, gradual e segura, com a Lei da Anistia de 1979 e o fim do bipartidarismo, que permitiu a volta de vários partidos.

Em 1983 e 1984, o país viveu a maior mobilização popular de sua história até então: a campanha das Diretas Já, que pedia a volta das eleições diretas para presidente, por meio da emenda Dante de Oliveira. Milhões de pessoas foram às ruas em São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais. A emenda foi derrotada no Congresso em abril de 1984, por poucos votos, mas a mobilização mudou o jogo: na eleição indireta de 1985, o Colégio Eleitoral escolheu Tancredo Neves, da oposição, contra Paulo Maluf, do partido do governo. Tancredo adoeceu antes da posse e morreu em abril de 1985; assumiu seu vice, José Sarney, primeiro presidente civil após 21 anos de ditadura. É por isso que 1985, e não 1984, é o ano inicial da Nova República.

A Constituição de 1988: a Constituição Cidadã

O grande marco institucional da Nova República é a Constituição de 1988, elaborada pela Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988 e promulgada em 5 de outubro de 1988. O deputado Ulysses Guimarães, presidente da Constituinte, chamou-a de Constituição Cidadã, porque ela ampliou os direitos sociais — saúde pública e universal com o SUS, educação como direito, aposentadoria rural, licença-maternidade — e os direitos políticos: voto para analfabetos, voto facultativo para jovens de 16 e 17 anos e para maiores de 70 anos, e eleições diretas em dois turnos para presidente, governadores e prefeitos de grandes cidades.

A Constituição de 1988 também restabeleceu a liberdade de imprensa, de associação e de greve, proibiu a tortura e criou mecanismos de participação popular, como o plebiscito e o referendo. Para as provas, o ponto central é o contraste com as Constituições da ditadura, de 1967 e 1969, que concentravam poderes no Executivo e suspendiam direitos: a de 1988 é a volta do Estado democrático de direito, com separação de poderes e direitos fundamentais garantidos no papel — mesmo que sua efetivação, na prática, continue sendo um desafio, sobretudo para a população mais pobre.

Eleições diretas, hiperinflação e o Plano Real

Em 1989, o Brasil voltou a eleger seu presidente pelo voto direto, depois de 29 anos: venceu Fernando Collor de Mello, com um discurso contra a corrupção e os marajás do funcionalismo. Seu governo tentou combater a hiperinflação com o confisco da poupança, em 1990, que travou o dinheiro dos brasileiros e aprofundou a recessão. Acusado de corrupção, Collor sofreu impeachment em 1992, após as manifestações dos caras-pintadas, estudantes que foram às ruas com o rosto pintado pedindo sua saída. Assumiu seu vice, Itamar Franco (1992-1994), em cujo governo foi lançado o Plano Real, em 1994, sob o comando do ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso.

O Plano Real acabou com a hiperinflação, que corroía os salários e chegava a mais de 40% ao mês, e criou uma moeda estável, o real, que vigora até hoje. A estabilidade econômica foi a base do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que privatizou estatais, controlou a inflação e implantou programas sociais, como o Bolsa Escola. Em 2002, Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, venceu as eleições, e seu governo (2003-2010) combinou crescimento econômico, com o boom das commodities, e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, que tiraram milhões de brasileiros da miséria. Dilma Rousseff, sua sucessora (2011-2016), sofreu impeachment em 2016, em meio a uma grave crise econômica e política, e foi substituída por Michel Temer (2016-2018).

Crises, impeachment e polarização

A Nova República também é marcada por crises que testam as instituições. Depois do impeachment de Dilma, o Brasil viveu a Operação Lava Jato, a prisão de Lula em 2018, a eleição de Jair Bolsonaro (2019-2022), com um discurso de ruptura com o sistema político, e a pandemia de covid-19, que matou mais de 700 mil brasileiros. Em 2022, Lula venceu Bolsonaro por uma margem apertada e voltou à Presidência em 2023, em seu terceiro mandato. Em 8 de janeiro de 2023, manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, num ataque à democracia que foi condenado pelas instituições e pelo Supremo Tribunal Federal.

Para as provas, vale a síntese: a Nova República é o período democrático mais duradouro do Brasil, mas também o mais testado — dois presidentes sofreram impeachment (Collor, em 1992, e Dilma, em 2016), e a democracia sobreviveu a crises econômicas, escândalos e tentativas de ruptura. O ENEM costuma cobrar esse período como um teste de cidadania: o que a Constituição de 1988 garante, como funcionam as eleições e por que a democracia depende de instituições fortes e da participação popular.

Tabela 1: os presidentes da Nova República

PresidentePeríodoMarca do governo
José Sarney1985-1990Primeiro presidente civil após a ditadura; Plano Cruzado (1986)
Fernando Collor1990-1992Primeiro eleito pelo voto direto após a ditadura; impeachment em 1992
Itamar Franco1992-1994Plano Real (1994), que acabou com a hiperinflação
Fernando Henrique Cardoso1995-2002Estabilidade do real; privatizações; Bolsa Escola
Luiz Inácio Lula da Silva2003-2010Crescimento econômico; Bolsa Família
Dilma Rousseff2011-2016Primeira mulher presidente; impeachment em 2016
Michel Temer2016-2018Governo após o impeachment de Dilma; reforma trabalhista
Jair Bolsonaro2019-2022Governo de direita; pandemia de covid-19
Lula (3º mandato)2023–Volta do PT ao poder; ataques de 8 de janeiro de 2023 às instituições

Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares

As provas cobram a campanha das Diretas Já e a transição negociada, a Constituição de 1988 e os direitos que ela garante, o Plano Real e o fim da hiperinflação, e os impeachments de Collor e Dilma como mecanismos constitucionais de crise. Para revisar História na sala de estudo, vale reler a República Liberal, a Era Vargas e o Período Regencial, para comparar as diferentes experiências democráticas e autoritárias do Brasil.

Ilustração estilo Pixar de uma sessão da Assembleia Constituinte de 1987-1988, com deputados assinando a Constituição, sem texto
Ilustração estilo Pixar de uma sessão da Assembleia Constituinte de 1987-1988, com deputados assinando a Constituição, sem texto
Ilustração estilo Pixar de eleitores votando em uma urna eletrônica brasileira dos anos 2000, sem texto
Ilustração estilo Pixar de eleitores votando em uma urna eletrônica brasileira dos anos 2000, sem texto

Mapa mental

  • Nova República (1985 até hoje)
    • Origem: fim da ditadura militar; Diretas Já (1983-1984); Tancredo eleito indiretamente; Sarney assume em 1985.
    • Constituição de 1988: Constituição Cidadã; SUS, direitos sociais; voto para analfabetos e jovens de 16 e 17 anos.
    • Eleições diretas: volta em 1989, vencida por Collor; impeachment de Collor em 1992 (caras-pintadas).
    • Economia: hiperinflação; Plano Real (1994); moeda estável, o real; crescimento e Bolsa Família nos anos 2000.
    • Crises: impeachment de Dilma (2016); Lava Jato; pandemia; ataques de 8 de janeiro de 2023.
    • Presidentes: Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer, Bolsonaro e Lula (3º mandato).
    • Limites: transição negociada, sem punição à repressão; desigualdade e desafios na efetivação dos direitos.
    • Erro comum: dizer que Tancredo Neves governou, ou confundir os impeachments de Collor (1992) e Dilma (2016).

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

  1. O que é a Nova República? O período democrático brasileiro que começa em 1985, com o fim da ditadura militar, e chega até hoje, marcado pela Constituição de 1988 e por eleições diretas.
  2. O que foi a campanha das Diretas Já? A mobilização popular de 1983-1984 que pedia a volta das eleições diretas para presidente; a emenda foi derrotada no Congresso, mas a mobilização abriu caminho para a eleição de Tancredo Neves em 1985.
  3. Quem foi o primeiro presidente da Nova República? José Sarney, que assumiu em 1985 após a morte de Tancredo Neves, eleito indiretamente e morto antes da posse.
  4. Por que a Constituição de 1988 é chamada de Constituição Cidadã? Porque ampliou os direitos sociais, como o SUS e a aposentadoria rural, e os direitos políticos, como o voto para analfabetos e para jovens de 16 e 17 anos.
  5. Quem foi o primeiro presidente eleito pelo voto direto após a ditadura? Fernando Collor de Mello, eleito em 1989 e afastado por impeachment em 1992, após as manifestações dos caras-pintadas.
  6. O que foi o Plano Real? O plano econômico de 1994, lançado no governo Itamar Franco, que acabou com a hiperinflação e criou a moeda atual, o real.
  7. Quais presidentes sofreram impeachment na Nova República? Fernando Collor, em 1992, e Dilma Rousseff, em 2016.
  8. O que aconteceu em 8 de janeiro de 2023? Manifestantes invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, num ataque à democracia condenado pelas instituições.

Questões comentadas

Questão 1

A campanha das Diretas Já (1983-1984) é mais bem caracterizada como:

a) um movimento militar que depôs João Goulart em 1964.
b) a mobilização popular que pediu a volta das eleições diretas para presidente, derrotada no Congresso, mas decisiva para a transição democrática.
c) a campanha que elegeu Getúlio Vargas em 1950.
d) um movimento que defendia a manutenção da ditadura militar.
e) a campanha pela Constituição de 1934.

Gabarito: b) a mobilização popular que pediu a volta das eleições diretas para presidente, derrotada no Congresso, mas decisiva para a transição democrática.

Comentário: As Diretas Já levaram milhões às ruas pedindo eleições diretas. A emenda Dante de Oliveira foi derrotada em 1984, mas a mobilização enfraqueceu o regime e abriu caminho para a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985.

Questão 2

A Constituição de 1988, chamada de Constituição Cidadã, destacou-se por:

a) suspender os direitos políticos e fechar o Congresso.
b) ampliar direitos sociais, como o SUS, e direitos políticos, como o voto para analfabetos e jovens de 16 e 17 anos.
c) proibir a greve e a liberdade de imprensa.
d) instituir a ditadura militar e o bipartidarismo.
e) acabar com as eleições diretas para presidente.

Gabarito: b) ampliar direitos sociais, como o SUS, e direitos políticos, como o voto para analfabetos e jovens de 16 e 17 anos.

Comentário: A Constituição de 1988 restaurou a democracia e ampliou a cidadania: saúde pública universal, direitos trabalhistas e voto ampliado. As alternativas descrevem o regime militar, não a Constituição de 1988.

Questão 3

O Plano Real, lançado em 1994, teve como principal resultado:

a) o confisco da poupança dos brasileiros.
b) o fim da hiperinflação e a criação de uma moeda estável, o real.
c) a construção de Brasília e o Plano de Metas.
d) a volta da ditadura militar.
e) a criação do Bolsa Família.

Gabarito: b) o fim da hiperinflação e a criação de uma moeda estável, o real.

Comentário: O Plano Real, lançado no governo Itamar Franco, controlou a inflação que corroía os salários e criou o real. O confisco da poupança foi de Collor, em 1990, e o Bolsa Família é do governo Lula, nos anos 2000.

Questão 4

Os impeachments de Fernando Collor (1992) e Dilma Rousseff (2016) têm em comum o fato de:

a) ambos terem sido golpes militares sem base constitucional.
b) ambos terem sido processos constitucionais de afastamento, votados pelo Congresso, em meio a crises políticas e acusações de irregularidades.
c) ambos terem ocorrido durante a ditadura militar.
d) ambos terem sido decididos apenas pelo Supremo Tribunal Federal, sem o Congresso.
e) ambos terem levado à volta das eleições indiretas.

Gabarito: b) ambos terem sido processos constitucionais de afastamento, votados pelo Congresso, em meio a crises políticas e acusações de irregularidades.

Comentário: O impeachment é um mecanismo previsto na Constituição de 1988, votado pela Câmara e pelo Senado. Collor caiu em 1992, após os caras-pintadas, e Dilma em 2016, em meio a crise econômica e política — ambos dentro das regras constitucionais, e não por golpe militar.

Questão 5

Sobre a transição para a Nova República, é correto afirmar que:

a) ela foi uma ruptura total, com punição imediata de todos os responsáveis pela repressão.
b) ela foi negociada, com a Lei da Anistia de 1979 mantida, e Tancredo Neves eleito indiretamente, assumindo Sarney após sua morte.
c) Tancredo Neves governou o Brasil por cinco anos, de 1985 a 1990.
d) as Diretas Já aprovaram as eleições diretas já em 1984.
e) a ditadura terminou com um golpe militar em 1985.

Gabarito: b) ela foi negociada, com a Lei da Anistia de 1979 mantida, e Tancredo Neves eleito indiretamente, assumindo Sarney após sua morte.

Comentário: A transição foi negociada com os militares, sem punição à repressão. Tancredo foi eleito indiretamente em 1985, mas morreu antes da posse, e Sarney assumiu. As Diretas Já não aprovaram a emenda em 1984.

Dica do professor

Decore três datas-âncora: 1984, Diretas Já; 1988, Constituição Cidadã; 1994, Plano Real. Depois, prenda os impeachments: Collor 1992, Dilma 2016. Se a questão citar SUS, voto para analfabetos ou 16 anos, pense Constituição de 1988; se citar hiperinflação e real, pense Plano Real; se citar caras-pintadas, pense Collor.

Atenção/cuidado

Cuidado com cinco armadilhas: (1) dizer que Tancredo governou — ele morreu antes da posse, e quem assumiu foi Sarney; (2) dizer que as Diretas Já aprovaram as eleições diretas em 1984 — a emenda foi derrotada, e a primeira eleição direta foi só em 1989; (3) confundir o Plano Real com o confisco da poupança de Collor; (4) confundir os impeachments de 1992 e 2016; (5) achar que a Nova República acabou com a desigualdade — a Constituição ampliou direitos, mas sua efetivação continua sendo um desafio.

Conexão com outras áreas

O tema conecta História com Geografia (urbanização, migração e desigualdade regional), com Sociologia (cidadania, movimentos sociais, partidos e participação política), com Língua Portuguesa (a leitura da Constituição e dos discursos das Diretas Já) e com Redação (argumentação sobre democracia, direitos sociais, corrupção e os desafios da cidadania no Brasil atual).

Incidência

♨️ Morno — a Nova República aparece com frequência no ENEM e nos vestibulares, geralmente ligada à campanha das Diretas Já, à Constituição de 1988, ao Plano Real e aos impeachments de Collor e Dilma.